Disclamer: Saint Seiya e seus personagens não me pertencem. Direitos reservados. A Música Incidental é A little game - The Doors.

Agradecimentos: A Aries Sin pela betagem relâmpago e comentários pertinentes.

Comentários: Esta fic era para estar terminada no capítulo anterior, mas atendendo a diversos pedidos eis continuação e... ainda não é o fim. Ou será?


Once I had a little game

I like to crawl back in my brain

I think you know the game I mean

I mean the game called "go insane"

Now you should try this little

Just close your eyes forget your name

Forget the world, forget the people

And we'll erect a different steeple

This little game is fun to do

Just close your eyes, no way to lose

And I'm right there, I'm going too

Release control, we're breaking through

Eu o encontrei em uma dessas noites perdidas. Noites em que percebemos que não somos mais adolescentes mas nos agarramos à idade perdida como náufragos. Já passamos da idade de experimentar. Já vemos a vida com olhos maduros, mas nos entregamos a prazeres fúteis. Uma vez ouvi alguém dizer que o sexo é a brincadeira do adulto e as festas, as nossas festas, o playground. Será? Não me importa. Eu preciso ser livre, libertar a mim dos grilhões da responsabilidade e a minha mente voar solta.

Eu tenho amigos preciosos, uma vida da qual não posso reclamar, mas não me furto do prazer. Assim o encontrei. Ele estava deprimido, mas qual de nós nunca o ficou. Observei-o por toda a noite. Vi como seu olhar estava longe e vago. Vi suas mãos escreverem algo como se tivesse psicografando e não simplesmente compondo. Ele me atraiu. Eu o queria! Nunca mais o deixaria ter novamente aquele olhar perdido.

- O que aconteceu?

- Te importa? Não estou aqui?

- Seu corpo está, mas e você? Quem é você?

- Shaka.

Eu me revoltei! Minha vontade era esmurrá-lo até que saísse daquela letargia funesta.

- Eu sei o seu nome! Inferno! Cadê o homem que habita este corpo?

Lágrimas. Seus olhos azuis ficaram da cor da tempestade. Nublados. Perdidos. Eu e o meu temperamento explosivo. Não tenho um pingo de sensibilidade. Será que eu contribuíra para que ele acabasse de se quebrar? Meus cabelos esvoaçaram. Ele se escondera sob eles e chorava. Não. Ele não quebrara. Ele estava espantando os demônios.

- O homem que habitava este corpo morreu. Ele era um tolo. Um bobo alegre. Contar-te-ei a história dele, como o epitáfio de um idiota.

Ele me contou a sua história. Não era nada demais mas também não era nada de menos. Sua mãe morrera antes mesmo que ele pudesse se lembrar dela. O pai não sabia o que fazer com uma criança. Casou-se novamente, mas com uma menina, não tão menina, que queria apenas um nome, uma casa. A criança continuou a ser criada aqui e ali, sem amor, sem orientação. Descobriu o sexo nos muros das esquinas, com meninas esquálidas e tão abandonadas quanto ele. Conheceu um homem, conheceu o amor, descobriu a sua verdadeira face. Não agüentou mais olhar para a mediocridade de seu lar, das flores de plástico na janela. Fugiu. Viveu aqui e ali, de uma maneira ou de outra. Conseguiu equilibrar sua sobrevivência, mas não os seus sentimentos. Voltou ao lar e encontrou a imutabilidade da miséria burguesa. Briga, luta, sangue, violência, dor. Não matou como fizera crer a muitos. Envolveu-se novamente com um homem, ou melhor seria dizer, com um garoto. Acreditou que encontrara o eixo de sua vida. O rumo. Mas fora cafetizado, explorado. Este menino casou-se com uma garota, depois de tirar dele o que tinha de mais importante: o amor próprio. E eu o encontrei. E esta foi a história de um tolo, como ele mesmo fez questão de frisar.

O que viria adiante? A vida é uma caixinha de surpresas. Talvez ele continue a ser um tolo, mas como também o sou... Sempre existe um chinelo velho para um pé descalço.

Senti fome. O puxei pela mão suavemente. A cozinha de minha casa nunca pareceu tão atraente quanto naquele instante.

- Chega de sofrer por hoje. Temos a vida inteira pela frente para fazer isso.

Just close your eyes, no way to lose

And I'm right there, I'm going too

Release control, we're breaking through