Thoughtless

Universo Alternativo. Desconsiderando o Epilogo. Mas considerando parte dos novos textos de J.K. Rowling ("escritos" por Rita).


Sinopse: Nada poderia desculpar sua atitude. Oh, well...

Observação: A classificação? Deve ser levada em conta. Principalmente por conta de insinuações e menções de sexo, linguajar e coisas do tipo.

Disclaimer: Harry Potter e companhia limitada não me pertencem, blablabla. Tudo é da J. K. Rowling e da Warner, whatever.


N/a: Capítulo não betado. Sorry...

N/a 2: Então, alguns de vocês me perguntaram se era só imaginação da Mione ou se ela e Harry tiveram algo no passado... rs. Então, não. Eles nunca tiveram nada. Nem mesmo um beijinho. É tudo da imaginação dela mesmo.


Thoughtless

Parte dois – A very bad girl

Foi ideia da Gina.

E por si só, isto deveria tê-la alertado. Mas, novamente e pra ser honesta, era como se Hermione gostasse de se torturar. Como se não fosse suficiente a mortificação por sua atitude absolutamente repreensível e escandalosa. Honestamente.

Honestamente.

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Plano de fundo

Harry havia acabado de sair de um longo relacionamento – ênfase em longo – e estava tão desorientado que tirar vantagem seria algo impensado. Se você não fosse Ginevra Weasley, isto é.

Tudo que a ruiva via ao analisar cuidadosamente os passos desajeitados tomados por Harry Potter para se recompor era um pedido de resgate. Por Merlin, o ar ainda mais desleixado do homem gritava por um pedido de ajuda! E Gina era uma boa amiga que auxiliava pessoas em tempos difíceis. Oh! Era uma excelente amiga.

Infelizmente, para Harry e Hermione, a mulher também era um gênio maligno. E gênios do mal tendem a cobrar por seus serviços... O que não vem ao caso. Por enquanto.

Relevante mesmo era a atual situação de Harry: o homem no auge de seus vinte e oito anos havia terminado seu relacionamento de mais de dois anos com uma "desconhecida ilustre".

Gina suspirou virando os olhos.

Tudo bem.

Annabel Campbell-Jones era uma mulher trouxa da mesma idade de Harry, engenheira agrônoma (o que quer que isso fosse). Suficientemente bela. Suficientemente inteligente. Em outras palavras, perfeitamente aceitável - em uma maneira enfadonha e sem sal de ser, Gina supunha.

Para ser sincera, Gina nunca entendera o relacionamento daqueles dois. Não que ela se esforçasse de qualquer forma, era até divertido estar ao redor deles, esperando a bomba ser lançada... Não era algo que se podia ver com frequência, afinal: uma pessoa trouxa descobrindo sobre o mundo mágico.

Ninguém podia culpar Gina por querer ver tudo de camarote. Ela achava que Annie – como Harry carinhosamente a chamava – não iria durar uma semana depois da descoberta. Oh, como estivera enganada!

Annabel não apenas aceitara tudo quase sem furor - Totalmente anticlímax, Gina pensara, para além de desapontada, na época. -, como o relacionamento do casal ganhou a 'alavanca' que faltava para o próximo passo: morar junto.

A ruiva estremecia só de lembrar.

Não é como se a outra mulher fosse horrível, longe disso. Gina tinha certeza que, se tivesse tentado, teria sido uma boa amiga de Annabel. Bem. Provavelmente.

Era apenas – apenas – Annabel era tão entediante. Gina mal podia conter um bocejo só de olhar nos olhos dela.

No início, A mulher bruxa achava que sua antipatia se devia ao fato de que talvez estivesse sendo uma cretina ciumenta. Deus sabe que seu orgulho ainda doía por ter sido dispensada por Harry anos – muitos anos – atrás. Mas com o passar do tempo – e de um extremo esforço de não demonstrar quão pouco prazer tinha ao redor de Annabel; assim como se descobrir "mais próxima" de Neville Longbottom -, não achava que era apenas isso... Havia amadurecido; e, principalmente, analisado de forma minuciosa seu relacionamento com o moreno ao longo dos anos, para perceber que nunca teriam dado certo.

Não.

Algo em Annabel a incomodava e a jornalista não conseguia por o dedo no que era. O que a deixava extremamente irritada.

Era esquisito ver Annabel tentar interagir com o mundo bruxo em eventos sociais obrigatórios – não havia maneira no inferno de fazer Harry participar de qualquer coisa que não tivesse palavras como "mandatório", "imperativo" ou "necessário" e outros sinônimos descritos em seus 'convites'.

Dolorosamente fora de lugar. Não que isto incomodasse Annabel ou a Harry, pra falar a verdade. Ambos pareciam dois intrusos no ninho e estavam felizes em seu mundinho. O que, novamente, deixava Gina emputecida.

Certo. Talvez tivesse um pouco de ciúmes. Você simplesmente não supera tão fácil seu primeiro amor, principalmente quando este se torna um de seus maiores amigos. Às vezes ainda se pegava pensando no que poderia ter sido. Com saudade. Um sentimento estranho, basta dizer.

Não ajudava também que acreditasse instintivamente que aquela mulher não era para Harry. Não porque era uma trouxa, não porque era entediante (embora um bom motivo para seu desdém), não porque não entendia o que em nome de Merlin aquela mulher fazia para sobreviver. Ou por seu pequenino problema de ciúmes. Nope.

O problema era que Harry e Annie pareciam confortáveis. Infelizmente não o tipo conheço-você-de-dentro-para-fora confortáveis. Era algo mais para gosto-de-você-o-suficiente-eu-acho tipo de conforto.

O importante, voltando ao caso, é que eles haviam terminado (um ano e meio depois do esperado, francamente). O que significava que ao momento Harry era uma presa fácil. E ai dela se não pudesse usar isso ao seu favor. Ou mais bem: ao favor de Hermione.

Seu plano era ridiculamente simples, como somar dois e dois. Ela teria Hermione realizando sua fantasia em dois tempos.

- xxx -

Três dias depois d'A Conversa – com iniciais maiúsculas – e subsequente guerra de desejos (Honestamente, fora importunada até não aguentar mais e simplesmente cuspir o nome do – hm- 'felizardo'. Deveria ter sabido que não ficaria mais fácil depois da revelação. Jesus), Hermione e Gina se encontravam no apartamento de Harry.

O que deixava Hermione a um passo de um colapso nervoso. Estava apavorada. Porque ela conhecia sua amiga. Até demais. Entendia como aquela cabeça ruiva funcionava e sabia que Gina poderia passar de qualquer limite para conseguir o que queria. E, aparentemente, fizera de sua missão 'aproximar fisicamente seus dois melhores amigos', juntamente com atormentar Hermione sobre sua 'gafe'.

E pelo que Hermione podia ver, não importava se Harry mal havia acabado de sair de um relacionamento. Ou que provavelmente (visto todos os anos que estivera ao seu lado) o auror não a via dessa maneira. Ou ainda, que Hermione estivesse tentando fingir que o 'caso do nome trocado' não tivesse passado de um pesadelo. E principalmente: o esforço da morena para agir normalmente ao redor de Harry - o que, na verdade, depois de toda prática ao longo do tempo, não era tão difícil assim. Mesmo agora com o ônus de Gina lhe lançar olhares sujos e fazer gestos realmente rudes às costas de Harry. Aquela mulher poderia muito bem ter 12 anos. Francamente.

Não acreditava que era hora de agir, duas semanas depois do término de Harry e Annabel. O homem clamava estar bem, mas apenas com olhar Hermione sabia que não era verdade. Pra inicio de conversa, as bolsas sob os olhos eram claros sinais de privação de sono.

Hermione lançou um olhar ansioso para o homem ao seu lado, ignorando Gina e seus gestos grosseiros. – Você está bem, Harry? – indagou tocando seu joelho para lhe chamar a atenção; Harry podia estar muito bem em outro planeta, tamanha sua indiferença.

-Hmm? Oh, ok - a morena o fitou de olhos estreitos e Harry riu entredentes autoconsciente. – Eu não tenho dormido bem, é tudo.

-Qual é o problema? E por que não usou de vez uma poção de sono sem sonhos?

Harry suspirou esfregando os olhos, cansado. – Gina, meu horário de trabalho é uma merda. Você sabe disso. Não posso usar poções que me nocautearão por toda a noite e correr o risco de ser chamado.

A mulher ruiva fez uma careta em simpatia. – Desculpe. Eu sempre esqueço que você tem que fazer todo esse trabalho desagradável para o ministério.

Harry encolheu os ombros. – Podia ser pior.

-Eu realmente não posso imaginar o que pode ser pior que acordar às duas da madrugada para atender um chamado que pode ou não ser falso – Gina comentou com ironia, recebendo um olhar duro de Hermione; o qual foi sumariamente ignorado. – Que seja, ainda não me disse por que não tem dormido? Quero dizer, eu sei que você pode dormir de qualquer jeito, mesmo em pé e a qualquer hora do dia para compensar sua carga horária insana, qual é o problema?

-Eu não sei – comentou frustrado. – É só... eu acho que pode ser a falta de companhia?

Gina riu marotamente – Eu tenho certeza que há uma vasta gama de mulheres que se voluntariariam. Não acha, Mione? - Piscou para a amiga.

Harry riu. – Não dessa forma, Ginny. Ainda que eu não me importaria, óbvio – ele empurrou os óculos, sorrindo de canto. – O que quis dizer, na verdade, é que faz tempo que não durmo só em uma cama. E é, bem, estranhamente desconfortável – afirmou sem jeito. - Desejar ouvir a respiração de outra pessoa ou seu calor e somente encontrar silêncio – Harry suspirou com uma expressão melancólica. – Oh, bem, eu suponho que terei de me acostumar.

Hermione apertou o braço do moreno em consolo e por conta disso perdeu o olhar diabólico que Gina lhes lançava.

A morena estava mais preocupada com o que Harry estava omitindo, evidentemente "não dormir bem" significava "não dormir quase nada". E se este era o caso, precisavam fazer alguma coisa. Privação de sono não devia ser tratada como tolice, os eventuais efeitos por si só eram um perigo para a saúde de Harry.

-Eu acho que você e Hermione deveriam dormir juntos.

Gina forçou a si mesma a permanecer relativamente sem emoção, mesmo sob o movimento brusco do pescoço da amiga.

-Me desculpe?!

Gina virou os olhos. – Não dessa forma, sua pervertida – Oh Deus, nunca. Nunca. NUNCA iria cansar de perturbar Hermione. – Deixe-me explicar, tudo bem? – Harry parecia imperturbável com sua sugestão (ela sequer tinha certeza se ele a estava ouvindo), por outro lado, Hermione esforçava-se para manter a compostura e não azará-la. Sem qualquer resposta, a ruiva bateu palmas:

- Ótimo. É bem simples, na verdade. Vocês são solteiros e são amigos. E não é como se Harry fosse se acostumar a dormir sozinho em sua imensa cama de uma hora para outra. Qual o problema de você ficar umas noites com ele? Dormindo ao seu lado – Gina ergueu as sobrancelhas de maneira sugestiva aproveitando que Harry fechara os olhos e se recostava no sofá.

-Hmm – Harry resmungou sonolento. – Eu não posso fazer a Mione ter todo esse estorvo porque eu sou patético demais para pegar no sono sozinho.

-Oh, estou certa que não seria nenhum problema pra ela, certo Mione?

-Absolutamente Harry – murmurou fracamente.

Contrariando todo ar de apatia, Harry moveu para o lado a cabeça e fitou a morena esperançoso. Jesus ele deveria mesmo desesperado por uma boa noite de sono.

-Não vai ser problema algum. Sério – ela afirmou com mais segurança, encarando-o. Só vai acabar com o que restou de minha sanidade, Hermione acrescentou mentalmente.

-Hermione, eu juro que se fosse qualquer outra coisa, ou se houvesse outra solução...

-Por Merlin, Harry! Está tudo bem.

-Obrigado – murmurou apertando um beijo em seu rosto, antes de se forçar a se erguer. – Ok – fez uma pausa para se espreguiçar e bocejar. Balançando a cabeça como se pudesse espantar o sono. - Eu vou fazer algum tipo de lanche pra gente e então, Gina, você pode me contar finalmente como foi na Romênia – e sem mais o moreno se dirigiu à cozinha.

Quando Hermione tornou a encarar a jornalista, esta tinha os braços cruzados sobre o peito e uma expressão presunçosa. – Eu sou um gênio: sim ou claro?

-Você perdeu sua mente?!

Exasperada, Gina bufou. – Qual é o problema?

-Por onde começar?! – Hermione rezingou sarcasticamente.

-Do meu ponto de vista, é meu tipo de relação: ganha-ganha – retrucou calmamente. - Você com o homem de seus sonhos em seus braços e Harry, tendo boas noites de sono. Ele vai estar tão grato depois que vai te foder sem sentido. Perfeito!

-Gina!

-O quê? É verdade. Tudo que você precisa é jogar as cartas de forma certa. Amor, eu já lhe dei a oportunidade, agora faça o que tem que fazer.

-Eu não vou me aproveitar do Harry!

Gina teve o desplante de rir. – Yeah, como se você pudesse se segurar. Por falar nisso, como andam suas noites de sono, meu bem? Ainda repleta de fantasias quentes? Ainda acordando no meio da noite toda... incomodada?

Hermione corou furiosamente desviando o olhar. Um minuto depois a morena lhe lançou um olhar peçonhento – Você vai queimar no inferno, você sabe disso, não é?

Gina ergueu a sobrancelha, mas não respondeu.


N/a: Obrigada pelos comentários!