I

Uma proposta, uma aventura.

O clima estava demasiado instável aquele dia. Os ventos úmidos do Norte mostravam que o dia seria fechado possivelmente por uma bela tempestade.

Em um canto encontravam-se dois homens. Um de meia idade deitado ao chão dormia tão intensamente como uma criança. Já o outro, mais jovem, de aparência mais pitoresca que o primeiro deliciava-se bebendo algo, que o cheiro forte denunciava ser rum.

O jovem pirata sacudiu a garrafa pela milésima vez, na esperança de que de lá de dentro rola-se um ultima gota da bebida tão amada. Finalmente vencido e frustrado com a situação pôs-se a reclamar.

- Oh, o rum acabou. – sacudiu a garrafa. – Por que o rum sempre acaba? – disse murcho. – Bem, está é a vida. Alguém sempre sai perdendo. ! – disse se colocando de pé. - Sr. Gibbs!

O sono do velho homem era tanto que este nem se moveu.

- Oh não mamãe... Não fui eu... - disse o homem resmungando.

- Mamãe? – disse incrédulo. – SR. GIBBS! ACORDE!

O grito de Jack foi tão forte e estridente que o velho homem acordar de um só pulo.

- Sim Mama... Digo Jack.

-Primeiramente é Capitão, Capitão Jack Sparrow. – lembrou. – Segundamente deve informa-lhe que o rum acabou.

- Mas já? – arregalou os olhos. – Eu comprei duas garrafas ontem.

- Pois sim Sr. Gibbs. Agora vá e compre mais. - ordenou e sorriu travesso.

- Mas Jack como vou fazer isso? O nosso dinheiro está acabando. – colocou-se a andar a traz do de dreads.

- Sr. Gibbs. – virou-se de supetão e o encarou sério. - Compre com o que lhe resta. – sorriu e continuou a andar.

- Mas...

- Dê seu jeito Sr. Gibbs. Dê seu jeito. – disse Jack, desaparecendo após virar a esquina.

- Por Netuno. – suspirou. Colocando a mão em um dos bolsos da calça e retirando de lá a ultima moeda que tinha.

Pouco mais tarde na taberna...

Com um pouco de remorso Sr. Gibbs retirou a ultima moeda que tinha. Jogando- a sobre o balcão a frente do rapaz para lhe pagar a garrafa de rum.

- Desculpe, mas isso só paga a metade. – disse o rapaz enxugando copos.

- Como só a metade? – afastou-se do balcão. – Ontem mesmo isso pagava tudo.

- Sabe como é Gibbs. Os impostos têm aumentando muito.

- Inacreditável! – riu de nervoso.

- Se quiser pode falar com Madame Bree. Às vezes tem um pouco de sorte e ela lhe perdoa a outra metade. – disse o rapaz. - Que ela não me ouça, mas eu bem conheço aquela velha muquirana. De nada vai adiantar. – falou em tom de sussurro.

- Não deverias dizer uma coisa dessas sobre ela. – disse Gibbs.

- Por que não. É a mai pura verdade. Madame Bree é a velha mais muquirana que conheço.

- LEON! – disse uma mulher também de meia idade parando bem a traz do balcão. O que fez o rapaz dar um pulo de susto e deixar o copo cair ao chão.

- Madame Muqui...Bree! - ficou vermelho.

– Você poderia me explicar quem é a velha muquirana aqui?

- A senhora...

- Eu?

- Não!

- Não o que? – apertou mais ainda.

- Por mais que pareça eu não estava falando que a senhora é uma velha muquirana. Bem velha a senhora é, mas...

- Eu?Velha? – fechou a cara.

- Sim... Digo não. Eu não disse o que a senhora pensa que eu iria dizer. – disse o rapaz mais enrolado do que antes.

- Leon. – disse Madame Bre, em tom suave.

- Sim senhora.

- Vou lhe dar um conselho querido. Enquanto estiver trabalhando aqui pegue as suas opiniões engula-as e as digira. – foi seca.

- Sim senhora.

- Agora para de tremer feito uma vara verde e vá limpar isso.

- Sim senhora.

O rapaz sai correndo para fora do salão a traz de um balde e vassoura tão rapidamente que parecia ter visto o próprio Davy Jones na frente.

- E SAIBA QUE ISSO VAI SAIR DO SEU SALÁRIO!- bufou. – Gibbs.

- Bree. – beijou-lhe a mão. – Não deveria falar assim com o rapaz.

- Aff! Leon não é um rapaz. É sim uma cruz que eu carrego. – bufou e riu.

- Eu juro que achava que ele iria se borrar com o seu grito.

- Mas não duvide que isso tenha acontecido. - Bree deu uma gargalhada tão estridente que Sr. Gibbs poderia ter ficado surdo. – E então. O que o traz ao meu humilde recinto?

- Rum.

- Rum? Apenas isso?

- Sim, por quê?

- Pensei que quisesse mais do que rum. – disse sorrindo de uma forma que Gibbs pode entender bem do que ela falava.

- Oh Bree, infelizmente essas coisas terão que ficar para outra hora. Tenho uma missão mais importante agora.

- Oh sim. Imagino que a tal missão se trate de abastecer a barriga de Jack Sparrow com rum. – disse com desdém.

- Capitão Jack Sparrow, Bree. – corrigiu educadamente.

- Que seja. –rolou os olhos. – Mas me responda uma coisa.

- Pergunte o que quiser.

- Já faz quantos anos que não tem uma boa aventura?

- Que pergunta é essa? Jack sempre tem uma boa aventura. – tentou contornar a situação.

- Ora Gibbs. Todos aqui em Tortuga sabemos que já se fazem mais de cinco anos que nada lhes acontece.

- Nós tivemos muitas aventuras nesses últimos cinco anos. Muitas aventuras. – replicou Gibbs.

- Não minta para mim Gibbs. As únicas coisas que você e Jack tem feito nos últimos anos é se embebedar e se enfiar em confusões com outros piratas por conta de mulheres e rum. Mas o que me diária que há uma chance de recuperar tudo. As aventuras, tesouros e até o próprio Perola Negra?

A feição de e voz de Bree mudaram de tal forma que fizeram Sr. Gibbs se assustar.

- O Perola?

- Sim, o Perola.

- Diga-me como. O Jack vai ficar muito feliz de saber.

Bree se preparava pra contar tudo, mas uma presença a interrompeu. Um homem estranho havia entrado e se sentado a uma mesa bem ao fundo. Ele encarou Bree de tal forma que a expressão familiar e o sorriso que tinha na face se desfizeram.

- O que houve? –perguntou Gibbs olhando para ela e para o tal homem que o cumprimentou. – Bree.

- Agora não posso dizer mais nada. Traga Jack aqui à noite e conversaremos melhor. – pegou a garrafa de rum e colocou em cima do balcão. – Aqui está o seu rum. Pegue e vá!

- Mas...

- Vá!

- Ok.

No porto de Tortuga um navio cargueiro acabara por desembarcar. Os marujos iniciavam o monótono trabalho de desembarque das mercadorias já quase se preparando para iniciar um novo embarque. De certa não ficariam por muito tempo por ali.

- Vamos mãe. Vamos!

O menino de aproximadamente uns onze anos tentava ansiosamente apressar a mãe. Desde que se entendia dia por gente nunca havia saído para muito longe de Port-Royal. A não ser um ano antes quando sua mãe o levou até a e Enseada dos Náufragos para conhecer pela primeira vez seu pai. Will Turner.

- Willian Turner III! – chamou a atenção garoto que se viu obrigado a parar e esperar pela mãe pacientemente. – Não corra assim. Se cair pode se machucar. – disse Elizabeth , pouco severa.

- Desculpe. – baixa o olhar. – Só estou ansioso.

- Eu sei que você não faz por querer. – sorriu. – Assim como seu pai você também sofre da "Síndrome da Impaciência" - passou as mãos pelos cabelos loiros do menino.

- Eu sou parecido com o meu pai?

- Nem imagina o quanto.

- Será que aquela mulher estava falando a verdade, mamãe? Será que ela vai conseguir trazer o papai de volta para nós?

-Eu não sei se aquela senhora pode realmente fazer isso. – agachou-se a sua altura. – Mas nós estamos aqui justamente para descobrir, não é?

- É. –concordou com a cabeça.

- Ok então. – riu. – Agora vamos descobrir um bom lugar para ficarmos e esperarmos até a noite.

- Ok mamãe. – o garoto deu um pequeno salto de alegria.

Naquele mesmo dia à noite...

- Ela disse isso mesmo? – perguntou Jack, dando um gole no rum.

- Exatamente Jack. – Gibbs sentou-se ao seu lado no chão. - Ela disse que poderia nós ajudar a reaver o Perola.

- Nós? – olhou para o outro com o olhar desconfiado.

- Digo você a reaver o Perola Negra. – sorriu sem graça.

- Reaver o Perola Negra.

Jack colocou- a pensar com seus botões. Como Madame Bree, uma cafetina de uns sessenta nos que até onde se conta nunca saiu dos limites de Tortuga poderia trazer o Perolá de volta a "vida" pela terceira vez? Até onde se lembrava na primeira vez que o Perola havia sido afundado única pessoa que poderia trazê-lo de volta era o próprio Davy Jones, mas esse agora já dormia com os peixes em algum buraco no fundo do mar para as sua sorte. Já a outra pessoa que poderia ter o controle sobre todos os navios afundados era o capitão do mítico Imperador Marítimo, mas como ninguém nunca o havia visto nem o dito navio e muito menos o seu capitão tratou logo de destacar a hipótese.

- E então? – disse o velho animadamente pela reposta do mais novo.

- Nós vamos. – disse Jack se colocando a andar em direção a Taberna de Madame Bree.

Chegando lá a casa estava cheia. Piratas vindos de todas as partes se divertiam ao som de um velho violino e mulheres e bebidas.

Sr. Gibbs passou acompanhado de Jack, com seu jeito estranho de ser, e foi ter direto com o pobre Leon.

- Ola mais uma vez filho. – disse Sr. Gibbs animadamente batendo no balcão do bar.

- Olá... Ai! – o rapaz se levantou tão rapidamente que bateu com a cabeça em uma das prateleiras em baixo do balcão.

- Essa deve ter doído. – disse Jack fazendo um careta– Você está bem?

- Já tive dias piores. – passou a mão pela testa. - Em que posso ajudar.

– Poderia me dizer onde Bree se encontra?- perguntou Gibbs.

- Da parte de quem? – perguntou o pobre rapaz.

- Da minha parte e da do Jack.

- Capitão Jack Sparrow.- lembrou em alto e bom som.

-Que seja. – resmungou. – Ela está lá em cima em seus aposentos. É só subir a escada e irem em direção ao ultima porta do corredor. Não tem erro.

Jack e Gibbs se colocaram a andar. Gibbs na frente e Jack vinha a traz parando de dois em dois minutos para "cumprimentar" a senhoritas que por ele passavam.

Pararam em frente a porta e Gibbs deu três leves batidas na porta pra avisar que ali estavam e com o consentimento de Bree entraram. Ao passar por lá se encontraram em uma espécie de ante-sala. Bree os esperava em pé olhando para eles com cara uma cara divertida.

- Então Bree. Aqui estamos. – disse Sr. Gibbs.

- Eu sabia que viriam. Especialmente o Jack...Digo, Capitão Jack Sparrow. – corrigiu-se antes que o mesmo a interrompe-se com o mesmo falatório sobre o seu titulo de Capitão. – Antes de qualquer coisa quero saber até onde chegariam para conseguir o que quer Jack Sparrow?

- O que quer dizer com essa pergunta?

- Quero dizer se você seria capas de enfrentar racionamento de comida, viajar por mares antes nunca desbravados, possivelmente enfrentar bestas indomáveis e até ter que enfrentar fantasmas do passado para conseguir o seu Perola de volta? – disse Bree.

- De tudo o que você falou não há nada que eu já não tenha feito. – gabou-se.

- Então está de acordo com tudo o que irei lhe propor?

- Sim. – respondeu.

- Ótimo. – Bree sorriu mostrando os dentes escuros. O que fez Gibbs se perguntar se já não tivera visto alguém com o mesmo sorriso e olhar antes. – Sendo assim vamos entrar e discutir isso tudo melhor.

Bree abriu a porta da ante-sala que dava para uma sala. Jack passou na frente, logo a traz vieram Gibbs e por ultimo Madame Bree.

- Vocês aqui? – perguntou Jack abobado ao ver as outras três figuras paradas a sua frente.

Continua...