"Mestre, como são tolos esses mortais."

- Lord Morpheus (Sandman; pág. 36 cap. 1)


System Future

Capítulo I – Fim da Monotonia

O dia estava correndo tranqüilo naquela sexta-feira, o que era demasiado estranho. Estavam no fim do mês, em pleno meio-dia, e apenas duas ocorrências de ladrões drogados o tirara do conforto de sua viatura. Tragou seu cigarro e observou a fumaça dançar sobre sua cabeça antes de ser absorvida pelo filtro de ar. Estava ficando entediado.

- Viatura 64, os guardas do Banco Nacional de Créditos pedem reforços. Está havendo um roubo, os cinco meliantes estão desarmados e mantêm trinta civis como reféns. Repetindo: eles estão desarmados e têm trinta reféns dentro do prédio.

Tirou os pés do painel do carro, jogou o cigarro fora e segurou firme a direção.

- Já estou a caminho.

O holograma do robô do departamento de polícia, que aparecia em uma pequena plataforma ao lado de suas mãos, se desfez quando o carro começou a andar.

Não devia ser o seu dia, pensava ele. Faltavam apenas quinze minutos para a troca de turno e agora teria de se meter em um assalto à banco. Provavelmente eram mais drogados que seriam presos sem maiores problemas. Que tipo de idiota sai para assaltar o mais seguro banco da cidade sem uma arma?

Dobrou a esquina que dava à rua principal, onde o banco estava localizado. Havia grande movimento de policiais e civis. Pelo visto se atrasaria de novo... Estacionou ao lado da calçada e permaneceu um tempo dentro do carro, olhando o movimento, querendo ter certeza de que era necessário.

- Ora, vamos, só mais cinco minutos e não preciso mais estar aqui – olhava o relógio e batia os dedos no banco.

Ia se encontrar com a namorada quando acabasse seu turno, haviam marcado de almoçar juntos, e ele ia pedi-la em casamento. O anel estava no bolso de sua calça, com uma pedra singela e bonita, que ficaria linda em seu dedo. Mais três minutos e partiria para encontrá-la. Olhou o retrovisor e um policial se aproximava em passos largos. Murmurou um xingamento enquanto descia o vidro para ver o que ele queria.

- O que está fazendo aí? Precisamos de você – ele lhe disse em tom importante. Uma medalha brilhava em seu peito: era um superior, não podia xingá-lo e arrancar com o carro, mas ainda podia pensar em dezenas de palavrões que queria dizer a ele.

- Já estou saindo, senhor. – Virou-se, apanhou a arma e saiu do carro.

Houve um barulho alto de algo cortando o vento e então um guarda saiu pela porta principal do prédio, o corpo em chamas. Rapidamente vários policias e guardas do banco correram para ajudá-lo.

- Mas que droga, achei que não estavam armados! – gritou, preparando a arma para um disparo. Houve mais um som peculiar que não podia associar a nada, o fazendo virar-se de imediato para o superior que deixara alguns passos atrás.

O homem jazia no chão coberto de sangue e com o peito perfurado por um buraco de tamanho considerável. Tapou a boca, contendo a ânsia vômito, e recuou alguns passos. Pensou em pedir ajuda, mas ao virar-se viu um homem grande, com o rosto coberto por uma máscara e usando um sobretudo negro olhar para si com frios olhos verdes. O homem ergueu a mão, então vários fios saíram pelo seu sobretudo e vieram a sua direção. Tentou virar e correr, mas então uma dor insuportável invadiu seu corpo e o fez desabar no chão. Viu o anel que daria a sua namorada rolar para longe, mas não tanto para não poder alcançá-lo. Juntou as forças que tinha e estendeu a mão para pegá-lo, porém alguém pisou em sua mão sem piedade. Gemeu alto com a dor, e viu o homem de antes abaixar-se para pegar o anel e pô-lo no bolso. Tentou ver seu rosto, mas só estavam a mostra os olhos verdes e frios. Ele novamente estendeu a mão.

- Obrigado pelo anel.

Então... Nada.

x-X-x

Na clareira pairava uma brisa amena agradável, que agitava as folhas nas árvores e quebrava o silêncio impetuoso entre os dois rapazes que se encontravam a beira de um pequeno lago de águas claras. Um deles, sentado sobre uma rocha, tinha o rosto coberto pelo capuz da capa e usava óculos de sol. Não parecia muito amigável com sua expressão fechada, em contraste a figura sorridente de pé ao seu lado, que tinha duas marcas vermelhas nas bochechas, dentes afiados e olhar canino. A dupla tinha em sua companhia um enorme cão de penugem clara.

O rapaz de pé voltou-se à orla da clareira quando ouviu passos vindo em sua direção. Surgiam ali duas belas morenas com sorrisos confortáveis. A mais nova, de longos cabelos azulados, tinha dois orbes pérola no rosto delicado. A mais velha tinha cabelos mais curtos, repicados, olhos avermelhados e curvas sinuosas; andava de forma sensual.

O time dez estava completo mais uma vez: Kurenai, Hinata, Kiba e Shino.

- Boa tarde – a sensei cumprimentou-os alegre.

- Quais os detalhes de nossa missão? – Shino perguntara com seu tom de voz ameaçador. Não entendia como ela lhes dava uma "boa tarde" quando toda a base da Folha estava em estado de alerta e o Kazekage da Areia havia sido seqüestrado.

Kurenai olhou-o por um tempo antes de tirar alguns discos prateados do bolso e distribuí-los aos três.

- Encontrarão todas as informações aí. Posso adiantar que estamos seguindo uma pista da Akatsuki. Mais cedo houve um assalto à banco e as câmeras captaram atividades shinobis no lugar. Achamos ser apenas alguns shinobis arruaceiros querendo chamar a atenção, mas então surgiu um homem com nível de chakra espantoso para ajudar os outros quatro – ergueu seu próprio disco e surgiu o holograma de um homem usando sobretudo negro com nuvens vermelhas e uma máscara escondendo o rosto. – Este é Kakuzu, um dos nove Akatsukis mais procurados, e é dele que estamos atrás.

x-X-x

- Tome mais cuidado da próxima vez – finalizou em tom arrastado e bastante severo o jovem rapaz atrás de uma mesa tomada por papéis. Ele tinha os cabelos negros caindo em franja sobre o olho direito, a face magra e pálida, e vestia o sobretudo negro com nuvens vermelhas aberto até a cintura, usando por baixo um kimono branco. – Se encarregue do dinheiro e daqueles quatro. Pode se retirar.

- Sim, Nagato-sama – Kakuzu fez uma reverência, então virou as costas e cruzou a sala em passos suaves.

A sala era ampla e aconchegante, com cortinas brancas nas janelas que impediam a luz do sol de entrar, deixando-a sempre escura. Havia algumas poltronas, quadros, e aquela mesa no fim da sala, à frente de uma grande janela que ficava sempre fechada.

O moreno de máscara pôs a mão no local indicado ao lado da porta e esta deslizou para o lado, revelando uma jovem de cabelos e olhos azuis e uma flor branca enfeitando as madeixas em choque. Ela tinha uma das mãos pronta para bater a porta, a recolhendo rapidamente quando esta foi aberta.

- Konan – ele a cumprimentou com um aceno de cabeça; ela fez o mesmo.

Kakuzu saiu calmo pelo corredor, pensando em o que faria para punir os quatro aprendizes que não foram nada discretos em sua simples missão. Dobrou o corredor sob o olhar inquieto da moça de cabelos azuis.

- Entre – Nagato disse.

Ela obedeceu, e assim que entrou a porta fechou atrás de si com um deslizar suave. Foi até a mesa e parou de frente para o rapaz, que a olhou em silêncio com seus olhos azuis em círculos até ela começar a falar:

- Sasori e Deidara completaram a missão – tirou um envelope do sobretudo exatamente igual ao dos dois homens e o pôs sobre a mesa. – O corpo do Kazekage foi levado pelos Ninjas da Folha e Areia que lutaram por ele. Deidara perdeu o outro braço, então teve que gravar seu relatório.

- Onde está a gravação? – a interrompeu, pegando o envelope enquanto ela tirava do sobretudo um disco negro e o colocava sobre a mesa.

- Eu escrevi o relatório, pois a gravação é confusa e há muitos sobressaltos de Deidara. A base na fronteira onde lutaram está parcialmente destruída, tomei a liberdade de enviar um grupo para destruí-la completamente, não queremos deixar pistas.

- Ótimo. – Tirou os papéis do envelope e começou a folheá-los. – E Sasori?

- Ia chegar nessa parte... A batalha foi emocional para ele e seu corpo foi completamente destruído. Achamos que estava morto, e realmente não vai durar muito. Os médicos estão tentando manter suas partes humanas vivas, mas querem um manipulador de marionetes para auxiliá-los.

Nagato mordeu o canto do lábio e fechou a mão nos papéis.

- Providencie que venha o melhor, não quero perder Sasori... Não temos ninguém para substituí-lo no momento.

- Sim, nós temos.

Ergueu a cabeça a ela, sem conter sua surpresa.

- Ele virá falar com você... Deidara está tendo seus braços recolocados na sala de cirurgia, vai poder voltar à ativa em pouquíssimo tempo. Ele disse que será parceiro de Deidara por enquanto.

A última frase deu ao rapaz a imagem clara de quem viria a ser ele. Endireitou-se na cadeira e passou a mão nos cabelos, preocupando-se com a reunião que fora anunciada por Konan em palavras mais leves. Olhou para ela e, com um sinal de mão, a mandou sair da sala. Assim ela o fez, depois de olhá-lo por um tempo de forma quase maternal.

Nagato jogou os papéis sobre a mesa e suspirou. Tinha problemas mais graves agora do que a perda de Sasori e a irresponsabilidade dos alunos de Kakuzu... E esse problema acabara de chegar a sua sala.

Não se voltou, mas sentiu, com os sonhos em círculos salientes na face, aquele chakra estranho em volta de si. Era uma sensação inesquecível e medonha. Lentamente uma sombra alta e magra começou a se formar pelas frestas de luz que entravam pela enorme janela atrás de si e tomava forma sobre os papéis, bem ao lado da sua. Uma mão delicada usando luva negra pousou em seu ombro.

- Bem vindo de volta – foi só isso que pôde pensar em dizer no momento.

- Obrigado – respondeu-lhe em tom grave e afável. Os dedos enluvados apertaram em seu ombro. – Está chegando a hora, Nagato.

Sentiu-o pôr a outra mão em sua cabeça e empurrá-la para frente enquanto afagava seus cabelos. Arriscou olhar disfarçadamente para o lado, vendo então uma face sob o capuz oculta pelas sombras da sala, cujo olho reluzia em vermelho sangue e o sorriso enfeitava-lhe as feições.

x-X-x

As paredes do salão subterrâneo estavam enfeitadas por lamparinas que produziam sombras bruxuleantes em sua volta e faziam os móveis parecerem maiores. Não que houvesse muitos móveis naquele imenso salão – na verdade, apenas um grande trono em um pedestal ao fim do cômodo. Os cantos ficavam escuros pela iluminação precária e ouvia-se um sibilar constante e distante que agonizava os convidados.

A luz acompanhou o ar que passou rápido, deixando as sombras tortas e fazendo uma das lamparinas apagar. Aquele que entrara usando de sua incrível rapidez shinobi ajoelhou-se em reverência perante o trono no pedestal e permaneceu de cabeça baixa, com os cabelos cinzentos caindo na face, e disse baixo para que o eco não se propagasse:

- A Akatsuki tem mais um bijuu.

Suas palavras foram sucedidas por uma risada fria e arrastada.

- Ichibi – aquela voz sussurrou.

- A boa notícia é que Sasori pode estar morto. Foi uma grande batalha.

- Sasori? Morto? – havia um pouco de surpresa e respeito em sua fala. – É uma pena... Gostaria de poder mandar meus cumprimentos a Pain, deve estar se contorcendo de raiva em sua cadeira pela morte de um dos melhores.

- Ainda não é certeza, Orochimaru-sama – apressou-se em emendar à sua fala: – Mas tempos problemas para resolver; grandes problemas.

- O que aconteceu?

- Juugo está morto.

- O quê? – projetou o corpo para frente e apertou firme as mãos nos braços de seu belo trono. – Como assim "morto"? Quem o matou?

- Suigetsu. – Levantava-se devagar. – Os guardas não notaram nada, mas pude ver nas gravações... E ele desapareceu, assim como Karen.

Orochimaru encostou-se novamente no acolchoado de seu trono e cobriu os olhos com a mão. Manteve-se em silêncio por um tempo antes de dizer em murmúrios:

- De Suigetsu esperaria qualquer coisa, mas Karen? Pensei que fosse leal... Mas não importa, diga a Sasuke que vá buscá-los. Pode matar a Suigetsu, mas quero Karen viva.

- Sim, Orochimaru-sama – ia virar-se para sair da sala quando o homem pálido e serpentino lhe chamou a atenção:

- Cuidado com o corpo de Juugo, é muito valioso para cair nas mãos de terceiros. Tire Ukon e Sakon do terceiro portão e mande-os para o portão principal. Pegue qualquer um para guardar o terceiro, só não o deixe desprotegido. Pode sair agora, Kabuto.

Assentiu com um aceno de cabeça e virou-lhe às costas para sair do salão.

x-X-x

Corria rápido por entre as árvores, sentindo a cada passada a dor latejar por todo o seu corpo. Lutava para manter-se sólido enquanto carregava uma jovem histérica nos ombros. Deixava um rastro se sangue e água nos galhos que davam sustento a sua passagem desenfreada.

Avistou a luz forte do fim da floresta com indescritível alívio, já estava para desfalecer sob o esforço que fazia naquele estado. Saltou o último galho para o chão de capim ralo, ao atingi-lo suas pernas desmancharam em água e largou a moça que carregava, bolando alguns metros. Estava exausto.

- Suigetsu, seu estúpido! – ela exclamou levantando-se. – O que tem nessa sua cabeça? Lutar com Juugo? Matá-lo? Céus, Orochimaru-sama deve estar furioso! – andava de um lado para o outro, com as mãos nos cabelos ruivos.

Ela olhou para o lado ao ouvir gemidos dolorosos onde o rapaz de cabelos brancos estava jogado, numa poça de sangue e água, tentando manter-se sólido, mas obtendo pouco êxito. Karen jogou o cabelo para o lado e pôs a mão na cintura.

- Idiota.

Aproximou-se dele, que a essa altura já estava quase completamente líquido e ajoelhou-se ao seu lado. Ergueu a manga da blusa, revelando marcas estranhas em seu braço, e aproximou-o da boca de Suigetsu que, com um sorriso nos lábios, abocanhou-a com seus dentes pontudos, arrancando sangue e desenhando uma expressão de estranho prazer na face corada da ruiva. Imediatamente suas feridas começaram a desaparecer e o corpo líquido fez-se sólido com maior facilidade. Em poucos instantes ele estava intacto e levantando-se em um pulo.

- Finalmente livre – murmurou, girando o braço esquerdo e começando um alongamento. Estava energético naquela tarde.

- O que pretende fazer agora? Ah, nem me fale, estou voltando para a base do Orochimaru-sama agora. Corra antes que eu chegue lá e diga onde você está para eles. – Dizendo isso ela virou-lhe as costas e começou a caminhar de volta para a floresta, mas foi segura pela mão do rapaz. – Me largue, não quero lutar com você.

- Nem eu com você.

Ao virar-se para retrucar Karen teve os lábios calados por um beijo tão molhado como só um ser líquido como Suigetsu poderia dar. Tentou desvencilhar-se no início, mas ele segurava seus braços com firmeza. Acabou cedendo. A pele dele era gelada e úmida; uma sensação desagradável, mas podia se acostumar com isso.

Ele separou-os e afastou alguns passos.

- Você vem comigo – disse displicente. – Primeiro à base da Névoa, quero pegar a Zambatou de um antigo conhecido. Depois começaremos a eliminar todos os Sete Espadachins da Névoa. Eles devem estar espalhados por aí, faz muito tempo desde que se reuniam com freqüência... Por último, pegaremos um Akatsuki – uma estranha raiva se apossou do rosto sorridente de Suigetsu.

- Um Akatsuki? Acha mesmo que pode matar um Akatsuki?

- Sim. Sei como ele luta, conheço todos os seus truques. Faz alguns anos, mas eu também mudei desde aquele tempo. Tenho uma surpresa para ele – desmanchou o braço em água e em seguida regenerou-o. – E a Zambatou de Zabuza-san em minhas mãos vai mexer com Kisame-sensei, tenho certeza.

Houve um silêncio intenso entre eles após isso, quebrado apenas pelo canto de um pássaro em alguma árvore na floresta. Por fim Karen pôs a mão na cintura e disse:

- Está certo, irei com você, mas vamos nos esconder por um tempo em alguma cidade humana, fora do Japão de preferência. Orochimaru-sama deve estar nos caçando e nenhum de nós dois pode derrotar Sasuke-kun ou Kabuto-san.

Suigetsu sorriu para a garota emburrada de bochechas vermelhas.

x-X-x

- Estou dizendo, o corpo de Juugo estava cheiro de rombos enormes. Suigetsu partiu pra cima dele pra valer. Muita coragem do baixinho, eu não me arriscaria com aquele maluco. Deve estar todo quebrado agora, e ainda saiu carregando a vadia da Karen.

Os guardas dos portões da base de Orochimaru estavam em sua pausa vespertina, debatendo animados os últimos acontecimentos. Eram quatro homens e uma mulher. Seu nome era Tayuya, uma ruiva pequena de rosto bonito, e ela quem falara. Os demais eram Jiroubo – sentado perante a mesa comendo quieto o seu almoço, sem interesse pelas notícias –, Kidoumaru – um moreno com estranhos seis braços, jogando um pequeno game enquanto com as outras mãos tomava refrigerante –, e Ukon e Sakon – os gêmeos de cabelos brancos e lábios azuis, sentados em poltronas lado a lado com braços cruzados pareciam uma imagem refletida no espelho.

- Está com ciúmes, Tayuya? – Kidoumaru perguntou com um sorriso insinuante.

- Não me venha com essa, só estou dizendo o que todo mundo pensa. Ela é mesmo uma vadia.

- Quando Orochimaru pegá-los vai ser divertido – um dos gêmeos (Ukon) falou de forma sádica, recebendo um aceno positivo de seu irmão.

- Ainda não acredito que um idiota como Suigetsu conseguiu matar Juugo. Ele era um dos melhores – lamentou-se Jiroubo com um suspiro pesaroso.

- Vai dizer que gostava dele? Era um imbecil também – disse o outro gêmeo. – Depois que Kimimaro morreu ficou ainda mais insuportável com toda aquela melancolia. Preferia quando tinha que ser trancado por causa dos acessos de raiva e ficava gritando "matar, matar, matar..." – curvou os dedos em garra e olhou para cima, imitando os acessos de Juugo e fazendo os demais rirem.

Nesse momento a porta abriu e todos voltaram-se para ver quem era. Engoliram em seco. O rapaz entrou em passos suaves, os cabelos balançando suavemente e os olhos negros caídos em desdém a eles, a camisa aberta expondo a pele branca do belo corpo e a perigosa espada às costas, sob o desenho de um leque branco e vermelho.

- Sasuke? – Sakon recolheu as mãos e se endireitou na poltrona. – O que faz aqui?

- Vim dar um aviso – respondeu com tom grave, passando os olhos frios por todos na sala. – Amanhã irei matar Orochimaru, então estarão todos livres. Preciso de shinobis ao meu lado e quero vocês. Não são obrigados a vir, mas não acho que devam escolher fugir com os outros, estou dando a vocês uma chance única. Esperem por mim na colina sul, ao anoitecer. Ah, mais uma coisa: caçaremos Suigetsu e Karen para nosso grupo, mas não vamos concentrar todos os nossos esforços nisso.

Deu as costas a eles e fez menção de fechar a porta, mas pareceu lembrar de algo e disse, enquanto saía devagar:

- A guerra está começando, escolham de que lado vocês ficam... Escolham bem.

Dizendo isso fechou a porta e deixou-os na sala em silêncio, assustados com a declaração de morte ao mestre, o anúncio da guerra, a escolha a ser feita. Qual lado, afinal?

x-X-x

A ala hospitalar da Akatsuki nunca teve um clima tão tenso.

Na sala de espera o cheiro nauseante que hospitais sempre tem não era tão nítido, mas o branco em todas as partes lhe dava dor de cabeça. Deidara estava sentado no sofá cinza ao lado da porta que intitulava "Emergência" em vermelho, com os cotovelos apoiados nas pernas e a cabeça entre as mãos, puxando os longos fios loiros com fúria. Sasori estava lá dentro há horas. Assim que seus braços foram recolocados correu para onde ele estava, sem se importar com as marcas que ficariam no corpo pela ausência de repouso. Só queria saber como ele estava.

Não o deixaram entrar na sala, mas mandaram-no sentar e esperar se quisesse. Ficava cansado, sonolento e faminto. Não sairia dali até ter certeza de que Sasori estava bem, estava decidido a isso. Ouvia passos agora, vindo do início do corredor. Era um médico que ia entrar na sala. Levantou em um pulo, mas já perdera a esperança de conseguir alguma informação quando o sexto homem de branco lhe ignorou.

- Hey, você! Como está o Sasori-no-danna, hm? Hm? – tentou pará-lo, mas ele se desvencilhou e apressou o passo até a porta dupla.

- Não posso dizer nada agora – e sumiu para dentro da sala.

Murmurou um xingamento e sentou novamente no sofá cobrindo o rosto com as mãos. Não podia perdê-lo.

- Você é Deidara-senpai?

Voltou-se em sobressalto para o homem sentado ao seu lado. Quando ele chegara ali? Era um rapaz alto, de cabelos negros e sobretudo Akatsuki, com mãos enluvadas e máscara laranja em espiral escondendo o rosto, deixando a mostra somente um olho. Ele tinha nas mãos um prato de comida e refrigerante.

- Quem é você, un?

- Sou Tobi, seu novo parceiro – disse alegremente.

A expressão no rosto de Deidara assustou ao mascarado, que recuou de imediato. Era um ódio intenso, fúria imensurável nos límpidos olhos azuis do loiro.

- Como ousam? Como ousam mandar você aqui? – levantou e tentou agarrar o rapaz pelo cachecol, mas no instante seguinte ele estava de pé ao seu lado, lhe estendendo as mãos e recuando.

- Calminha aí, Tobi só está obedecendo a ordens. Pain-sama disse que seria meu parceiro, o seu antigo está morto, não é?

- Morto? – esbravejou, novamente tentando acertar um golpe no moreno, e desta vez conseguindo acertar um soco que o fez cambalear. – Nunca mais diga isso. Sasori-no-danna não está morto, e você não é o meu parceiro. Saia daqui!

Ao ver que o rapaz não tinha intenção de sair avançou para chutá-lo. Tobi viu nesse instante tímidas lágrimas nos olhos do loiro e no momento seguinte estava virando o corredor às pressas. Era rápido, muito rápido.

Deidara desabou no sofá com o rosto nas mãos. Não acreditava que estava chorando, e logo por Sasori. Maldito Tobi, maldita Akatsuki. Ergueu a cabeça e enxugou a face com a manga no sobretudo, ao virar o rosto vendo o prato de comida e a latinha de refrigerante sobre a mesinha ao lado. Queria derrubá-lo no chão e quebrar toda aquela sala de espera ridícula, mas ainda lhe restava bom-senso. Voltou-se para frente e cruzou os braços sobre o peito.

Poucos minutos depois a porta dupla voltava a abrir e saía de lá um homem de jaleco branco e cabelos castanhos bem penteados. Ele não tinha pressa, mas estava sério demais para alguém que dá boas notícias.

- Deidara? – perguntou ao loiro que levantava atônito.

- Sim? Hmm?

- Infelizmente não tenho notícias muito boas. – Já era de se esperar, pensava o loiro. – Nós estamos trabalhando como podemos, mas nem mesmo o melhor manipulador de marionetes que Nagato-sama conseguiu achar conhece os segredos da técnica de Sasori-sama para fazer o corpo funcionar em uma marionete, e nossa ciência menos ainda. A carcaça da marionete já foi remontada e está intacta, mas os órgãos não aceitam o corpo de madeira. Para ser sincero não fazemos idéia de como dar vida inteligente a um pedaço de árvore. Conseguiremos manter os órgãos funcionando por uma semana ou duas no máximo, temos um corpo cedido pelo departamento de necropsia que agirá muito bem até esse tempo ser esgotado. Não temos mais nada a fazer nas condições atuais.

- Nada? Não podem fazer nada? Está dizendo que Sasori-no-danna irá morrer? – sua voz falhava e começava a tremer em pensar na hipótese.

- Sim. Eu sinto muito.

Abaixou a cabeça e correu os olhos de um lado para o outro, como se procurasse ali uma saída. O médico lhe apertou o ombro em amparo.

- Duas semanas até Sasori-no-danna morrer? – perguntou em um murmúrio.

- Até os órgãos pararem de funcionar. Podemos prolongar esse tempo, mas não vejo motivo para isso, já que o corpo está inerte. Como disse, é um homem que morreu há dois dias que está mantendo os órgãos funcionando. É bem mais fácil fazer isso em um corpo humano que em um boneco.

- Espere um pouco. – Ergueu a cabeça com o cenho franzido. – Podem fazer um corpo morto manter os órgãos vivos, mas não podem implantar Sasori-no-danna em outro corpo, un?

- Seria muito arriscado, algo assim nunca foi tentado antes. Até cogitamos essa hipótese, mas os órgãos ficariam fragilizados, nunca suportariam serem mudados de corpo novamente para uma marionete, as memórias podiam ser apagadas e as chances de voltar a ser um shinobi seriam praticamente nulas.

- Não importa, façam, hm!

- Tem certeza?

- Claro, hmmm. Não importa como, só não deixem que ele morra.

- Precisamos de um corpo compatível... Isso será o mais difícil, mas pode dar certo.

- Irei ao departamento de necropsia e trarei um corpo! Depois façam nele uma plástica para ter o mesmo rosto que Sasori-no-danna – já tinha um enorme sorriso na face e sacudia os ombros do médico.

O homem ainda tentou dizer mais alguma coisa, mas Deidara já dobrava correndo o corredor em direção ao departamento de necropsia.

x-X-x

O departamento de polícia de New York estava um caos naquele fim de tarde. Policiais, familiares aos prantos, testemunhas e repórteres se espremiam às portas de vidro fechadas e guardadas por homens fardados e robôs, que deixavam entrar apenas aqueles que prestariam depoimento.

O roubo de banco que se tornara um verdadeiro massacre era a notícia da vez, não viam tanta confusão assim desde a transferência de Tókio do serial killer adolescente que vinha assassinando bandidos e corruptos de forma desconhecida, ou de seu suicídio horas depois. E, como da vez anterior, duas pessoas misteriosas apareciam para dar explicações ao chefe da polícia e pedir acesso aos seus arquivos confidenciais. Não eram os mesmos, desta vez vieram uma bela mulher com uma tarja no braço escrito "Jounin" (seja lá o que isso significasse) e um rapaz de rosto oculto por gola alta, óculos e capuz. Exigiam que lhes deixasse falar com as testemunhas.

- Quem pensam que são para vir em minha delegacia e começar a exigir coisas? – esbravejou com o rosto vermelho de raiva.

Uma chamada eles deram e do salão presidencial mandaram que lhes deixasse fazer o que quisessem nesse caso. Quem eram aqueles estranhos? Alguma organização governamental secreta? De qualquer forma eram eles agora que comandavam a investigação. A mulher, chamada Kurenai, estava dentro da sala de interrogatório com uma testemunha enquanto o rapaz esperava sozinho no corredor, pois pediram que aquela ala fosse evacuada.

Kurenai saiu desolada da sala, com um suspiro de desapontamento.

- Nada, ele não diz nada. – Estava lá dentro com o homem há quase duas horas, e antes dele já havia estado lá duas mulheres e um rapaz, que igualmente não disseram nada. – Eu desisto. É a sua vez.

Shino sorriu disfarçadamente por detrás da gola, guardou o persocon no bolso e seguiu até a porta, pondo a mão no local indicado ao lado para vê-la deslizar. Quando entrou a porta fechou-se novamente.

A sensei se escorou à parede e tirou do bolso um persocon que carregava no braço a bandana da Folha. Era um loirinho de rosto alegre, que fitou-a quando pressionou o botão azul entre os fios de seu cabelo.

- Boa tarde, Kurenai-san. São dezessete horas e quarenta e dois minutos – disse-lhe. – Você está recebendo uma chamada de Inuzuka Kiba, deseja atender?

- Sim.

O persocon ergueu os braços e na palma de cada uma de suas mãos apareceram pequenas saídas de holograma. Logo se via, por entre ruídos e falhas, o rosto de Kiba e ouvia-se sua voz dizendo:

- Kurenai-sensei! Kurenai-sensei! Está me ouvindo?

- Sim Kiba, fique quieto, posso ouvir bem – começava a preocupar-se ao ver que o aluno estava em uma caverna. – Onde está Hinata?

- Bem aqui ao meu lado. Estávamos procurando pistas, como pediu, quando Akamaru farejou alguma coisa vindo dessa caverna. Achamos uma garota, ela tem olhos de byakugan, é uma Hyuuga, mas usa a bandana da Névoa.

- Não existem Hyuugas na base da Névoa, Kiba.

- Sim, sabemos disso, mas Hinata confirmou que ela é mesmo do clã Hyuuga. Vasculhamos a caverna e não achamos nada. Ela está muito machucada, parece ter lutado contra alguém. O que fazemos com ela?

Kurenai demorou alguns segundos antes de responder, meio incerta:

- Leve-a para a base da Folha e entregue a algum médico, depois voltem a procurar pistas. Qualquer imprevisto entre em contato comigo.

O rapaz afirmou com a cabeça e o holograma se desfez. A mulher guardou o persocon de volta no bolso e ergueu os olhos a Shino, que a olhava por trás das lentes escuras. Ele pôs as mãos nos bolsos e disse displicente:

- A testemunha gravou o assalto com seu persocon. Temos todo o material para estudo agora, não há porquê interrogar mais ninguém.

- Como consegue fazer com que eles falem?

- Nunca irá descobrir – respondeu-lhe enigmático.

A sensei tirou seu capuz e afagou os espessos cabelos castanhos do aluno.

O som de passos no corredor fez com que se voltassem para dois homens usando ternos pretos e óculos escuros. Eles tinham expressões rígidas e os avaliaram em silêncio por um tempo antes de dizerem:

- Nós estamos no caso agora, sua ajuda não é necessária – disse o que tinha cabelos encaracolados.

- Ou melhor: Não será tolerada. Se retirem da delegacia e fiquem longe do caso.

- Sabem quem nós somos? – Kurenai perguntou.

- Xeretas – respondeu o de pele morena. – De qualquer forma não estão no banco de dados e não permitimos estrangeiros se metendo nos nossos assuntos. Temos um detetive experiente do nosso lado para resolver esse incidente. Agora, saiam.

- Qual detetive? – o rapaz que tornava a pôr o capuz questionou curioso.

- Não estamos autorizados a divulgar seu nome.

A verdade é que não sabiam, e os dois shinobis notaram isso. Como já tinham tudo o que precisavam podiam sair sem alarde. Trocaram olhares e seguiram para fora da delegacia, enquanto eram observados pelos homens de terno.

x-X-x

As luzes da sala estavam apagadas, a única claridade que vinha era da televisão ligada no fim do cômodo em um canal qualquer em volume baixo. Tudo era abraçado pela escuridão e só se ouvia o estranho som de um mecanismo de encaixe repetitivas vezes e cada vez mais rápido.

Uma pessoa ocupava a sala do apartamento escuro, sentada com os pés descalços cruzados sobre a poltrona, defronte a uma mesinha-de-centro cheia de cubos mágicos, postos um ao lado do outro com as quadrados pretos virados para cima, formando uma linha que fazia curva em certo ponto. Na curva havia espaço para mais um cubo. Do lado da poltrona uma infinidade de cubos ainda não montados estava em uma sacola.

A porta da frente abriu quando um homem usando um elegante terno de risca giz entrou, e por poucos segundos viu-se quem montava todos aqueles cubos. Era uma garota. Sua pele era pálida, sob os olhos negros olheiras se acentuavam, os curtos cabelos pretos desordenados lhe caiam na face e pescoço, suas vestes eram uma camiseta e bermuda folgadas. O homem aproximou-se, pôs-se na sua frente e olhou para a formação dos cubos por um instante antes de voltar-se à garota.

- Senhorita Haruma, é um prazer tê-la trabalhando conosco. Falo isso em nome de toda a polícia do país. O que precisar considere feito. Quais são as primeiras ordens?

- Precisarei de ajuda para esse caso – sequer desviou de seu cubo mágico.

- Claro, o que quiser. Quantos policiais? Quer uma lista de nossos detetives?

- Não, não quero nenhum que possa me oferecer, já tenho um velho amigo em mente – um sorriso singelo apareceu em sua face pálida.

- Qual o nome dele? Entraremos em contato imediatamente.

- Ele tem muitos nomes. – Parou o cubo entre os dedos, com a face de quadrados pretos para cima. - Eraldo Coil, Deneuve, Hideki Ryuga, Ryuzaki... Mas é mais conhecido como... – encaixou o cubo no espaço vazio da curva, e agora o homem podia distinguir a letra – ...L.

x-X-x

Sequer amanhecera e Kakuzu já estava de pé há horas. Os afazeres daquela manhã teriam de ser interrompidos por um tempo, então começou tudo mais cedo e cancelou o treino antes do café da manhã – pois Nagato fazia questão de só começar quando todos os nove estavam à mesa.

Andava agora pelos corredores do térreo com uma agenda nas mãos, riscando da lista o que já havia feito e reagendando o que não poderia realizar nas três horas que teria que reservar para a tarefa que o líder lhe deu. Ao terminar guardou-a no bolso, saiu do caminho para deixar que os alunos passassem e respondeu ao cumprimento com aspereza. Estava de mau-humor.

Apressou o passo até os fundos do prédio para sair ao belo jardim que se estendia ali atrás, iluminado pela débil claridade da alvorada. Ergueu a cabeça para apreciar o nascer do sol, o que não fazia há muito tempo, e sentiu a brisa gélida daquela manhã agradável. Talvez não fosse tão ruim assim...

- Hey, você é Kakuzu?

Virou-se para o dono da voz grave e juvenil que lhe chamara. Céus, era apenas um garoto; poderia ficar pior? O rapaz deveria ser albino, tinha a pele muito branca e os cabelos platinados fixos para trás, os olhos eram de um exótico tom violeta. Estava sem camisa e usava o sobretudo da Akatsuki aberto até a cintura, a bandana riscada da Garra amarrada no pescoço. Do tipo exibido? Aquilo não daria certo. Às costas o rapaz carregava uma arma de tamanho exagerado que Kakuzu não pôde distinguir pelo cabo – talvez uma foice de cor vermelha.

- Hidan? – questionou com os olhos cerrados. – Duas semanas... Não, uma.

- O que?

- Esqueça. – Falava do tempo que levaria até sua paciência esgotar e sentir vontade de matá-lo, como aconteceu aos oito anteriores. – Sou Kakuzu.

- É, sou seu novo parceiro – pôs as mãos na cintura e esboçou um largo sorriso. – Aquele maluco cheio de piercings me disse que você já matou oito.

As palavras de Nagato ecoaram na cabeça de Kakuzu: "Mate mais um e eu pessoalmente irei matar você". Suspirando retirou o persocon do bolso e ligou-o.

- Lembre-me de falar com Nagato-sama e perguntar se posso trocar com alguém. Tenho preferência por Itachi... ou Kisame.

- O que é isso? Já vai arredar?

- Não gosto de você.

Hidan encarou-o por um longo tempo com uma bizarra expressão de raiva que faria o segundo rir se não estivesse igualmente furioso.

- Sério cara, o que há com você? Sabe o aperto que passei para me darem essa porra de sobretudo e anel idiotas? Eu também não queria estar aqui, ok? – enquanto falava o moreno displicentemente punha o persocon em seu ombro, o ignorando. – É melhor você ir se acostumando porque não vai trocar de parceiro. O carinha lá estava puto da vida porque você andou matando muitos parceiros e me juntou com você porque sou o único que você não pode matar.

- Não posso matar? – pareceu ter ouvido apenas essa frase. Ergueu a cabeça e seus orbes verdes imersos em córnea vermelha cintilaram sadicamente.

- É isso aí que você ouviu.

- O que te faz acreditar que eu não posso matar você?

- Por que você não ten...

A frase nunca seria concluída, pois no instante seguinte Hidan foi arremessado contra as grades do jardim com o corpo perfurado pela mão esquerda de Kakuzu. O sangue quente jorrou no capim úmido e desenhou um sorriso oculto pela máscara do moreno, que fez repuxar as linhas que costuravam sua boca. Puxou o braço de volta e observou o corpo inerte do rapaz cair feito uma rocha em uma poça de líquido vital vermelho.

Sentia-se bem melhor agora.

Virou as costas para o corpo do antigo parceiro e começou a caminhar de volta para o prédio. Precisava mandar tirarem o corpo dali e também tomar um banho, o cheiro de sangue já o estava enojando.

- Seu filho da puta!

"Mas o quê?", parou de súbito no meio do caminho e arregalou os olhos. Ouvia os gemidos de Hidan e sua tosse, mas como seria possível? Acabara de atravessar seu peito, era impossível que sobrevivesse a isso. Como?

Virou-se devagar, vendo incrédulo ao albino erguer-se com dificuldade, cuspindo sangue em sua tosse. Ele estava vivo. Tocava a ferida no peito e encarava Kakuzu com um sorriso no canto dos lábios sangrentos.

- Disse que não podia me matar – e riu-se de forma insana diante da perplexidade do segundo. – Eu sou imortal!

Kakuzu ficou atônito diante da revelação. Não podia matá-lo, estava preso a ele até seu legado como Akatsuki chegar ao fim. Maldito Nagato, onde fora buscar aquele garoto?

x-X-x

Na noite anterior haviam montado acampamento no alto de uma colina. Era uma barraca e um saco de dormir, lado a lado defronte a fogueira apagada, onde resistiam apenas algumas brasas vermelhas. Um tronco de árvore e uma grande rocha serviam de assento enquanto os dois comiam com expressões desgostosas sua comida enlatada, sem falar uma palavra. O dia estava bonito e uma brisa agradável pairava no campo, mas não viam a hora de retornar a base, saborear as deliciosas ceias e dormir em seus quartos quentes de camas macias.

- Hoje você desmonta o acampamento – Itachi disse enquanto lutava para manter os cabelos soltos e desgrenhados longe da boca.

- Está bem – confirmou sem interesse ao companheiro que sentava na rocha à sua frente. Kisame ergueu os olhos por um momento, vendo o moreno apanhar um elástico do bolso para prender os cabelos.

O Uchiha levantou da rocha, bateu a areia da roupa e foi até a barraca, ajoelhando-se para poder procurar lá dentro sua mochila. Ao achá-la tirou de um dos bolsos uma sacola e colocou lá a lata vazia e os talheres descartáveis, depois se voltando para fora e jogando-a ao parceiro.

- Onde estão as pastilhas de higiene bucal? – perguntou depois de procurar em todos os bolsos da mochila.

- No bolso do meu sobretudo.

Murmurou uma confirmação e entrou na barraca para procurar onde jogara o sobretudo que o parceiro lhe entregou na noite anterior antes de ir se deitar no saco de dormir. Não dormiam mais na mesma barraca desde que Kisame, em sono pesado, bolou para cima de Itachi e o fez acordar com um sobressalto de dor. Havia sido um incidente cômico e constrangedor que nenhum dos dois gostava de lembrar.

Lá fora Kisame saía de certos devaneios que tinha ao olhar o horizonte quando seu persocon saiu do bolso e pôs-se de pé em sua cocha.

- Bom dia, Kisame-san. Você tem uma chamada de um número desconhecido. Deseja atender?

- Número desconhecido? Busque referências na lista.

- Sim. – Nos olhos do persocon de feições amigáveis correu uma linha mais clara, em seguida ele tornou a olhar para o homem. – Número não consta na lista shinobi. Deseja atender?

- Tudo bem, pode transmitir – respondeu com desdém.

Enquanto passava a mão nos cabelos azuis ouviu a voz que vinha do pequeno robô:

- Kisame? Hoshigaki Kisame? – parecia-lhe estranhamente familiar.

- Hey, ligue a câmera. Não posso te ver.

- É você, Kisame? Não estou em uma linha móvel, o telefone não tem câmera.

- Quem está falando? – começava a ficar preocupado.

- Sou eu, Momochi Zabuza. Lembra de mim? Faz bastante tempo, não é?

- Zabuza? – exclamou. Ao erguer a cabeça cruzou olhares com o parceiro que acabara de sair da barraca, com seu sobretudo nas mãos.

Itachi parecia angustiado com a expressão de pânico na face do segundo.

- É, você lembra. Que bom. Escuta, eu preciso da sua ajuda... E tenho notícias nada boas para te dar... Encontrei Suigetsu... Ou ele me encontrou – falava pausadamente.


Comentários;


Em primeiro lugar, alguns fatos a serem esclarecidos:

1- Ukon e Sakon, embora tenha os citado como gêmeos separados e realmente prefira que eles fiquem separados, ainda se unem, mas apenas para Ukon "recuperar as energias";

2- Como odiei o fato de Nagato ser ruivo, aqui ele é moreno. Aplique a mesma lógica nos olhos azuis da Konan rs;

3- Os corpos Pain aparecerão muito pouco, Nagato aqui não está debilitado pelo rinnegan.

Já devem ter reparado o surgimento de alguns personagens estranhos, certo? Bem, Haruma e a Hyuuga que Kiba e Hinata acharam são duas OC. O único crossover, por enquanto, é o L. Embora acredite que todos o conhecem, irei apresentá-lo. Ah, os persocons são um tipo de crossover, já que a idéia de computadores personalizados com feições humanas veio do anime Chobits. Bem, acho que acabei de explicar o que são persocons, pra quem ficou em dúvida rs


Crossover;


Nome: L (Lawliet)

Idade: 19* anos

Anime / Mangá: Death Note

Quem é ele?: L é um detetive, o melhor detetive do mundo e um dos homens mais inteligentes (se não o mais inteligente) da atualidade. Ele é inglês, mas resolve casos pelo mundo todo usando codinomes. O verdadeiro nome de L é um mistério, não sendo revelado no mangá nem no anime (apenas em uma edição extra). L é viciado em doces, é sempre visto rodeado de chocolates, rosquinhas, açúcar e qualquer outra coisa doce; apesar disso ele é magro, diz ele ser porque gasta as calorias dos doces pensando. Tem aparência tão relaxada que em uma passagem do mangá chegam a pensar que ele é um pobre garoto, mas na verdade é incrivelmente rico. L é um personagem composto por manias e cacoetes, como pôr os dedos na boca, sentar com as pernas junto ao corpo, não calçar os tênis direito e andar recurvado. Com seus olhos arregalados e curiosos lembra vagamente a figura de um altista.

Aparência http:/*/juuh-ziiiiinha.*zip.*net/images/L.*jpg: (cole no navegador e retire os asteriscos)

Download: http:/*.com*/downloadcenter*/index*.php?categoria=1&subcategoria=198 (cole no navegador e retire os asteriscos)

*L tem 25 anos no mangá / anime segundo a wikipédia, mas achei uma idade exagerada para a fanfic, então reduzi.


Espero que tenham gostado desse primeiro capítulo e nos vemos na próxima semana.


Não ponha nos favoritos ou alertas sem deixar uma review, por favor.