Capítulo 2: O Poder De Uma Carta
A
manhã seguinte era Natal. Draco abriu os olhos e teve que
esfregá-los ao ver o rosto de Gina a poucos centímetros
do seu.
"O
quê?!? Eu dormi com a Weasley?" perguntou-se em estado
letárgico.
Foi
que finalmente lembrou-se da detenção ao ver as
algemas. Ficou observando o rosto de Gina. Os lábios rosados
da Weasley encontravam-se entreabertos. O semblante era calmo e
algumas mechas dos cabelos rubros caiam por seu rosto. Draco podia
ver as sardas nas bochechas e nariz dela, pontilhando a pele alva. A
respiração era suave e compassada.
"Ora,
até parece que nunca viu uma mulher dormindo, Draco." Uma
parte de sua mente repreendeu-o "Aliás, essa daí nem
mulher é, é uma criança. Não deve ter
feito nada com o Santo Potter, menos ainda com os outros pelo que
ouvi falar...Realmente não vejo o porquê dos garotos
irem atrás dela. Será tudo isso vontade de tirarem a
virgindade dela? Ou será que corre por Hogwarts uma aposta
sobre ela que eu desconheço. Bem, é claro que se fosse
isso não me contariam, eu estaria em óbvia vantagem.
Mas nem que houvesse uma aposta eu tentaria seduzir essa pobretona.
Seria degradante demais..."
Sentou-se
ao e fazer isso puxou Gina. Tinha esquecido das algemas.
Gina
abriu os olhos, vendo um Draco com uma cara de poucos amigos.
"Ótima
maneira de acordar." Pensou irônica.
O
cabelo de Draco estava bagunçado. Em parte sentiu-se
satisfeita por achar um defeito na aparência dele. Por outro
lado, sentiu-se tentada a pentear os cabelos macios dele com seus
próprios dedos.
-Que
horas são, Malfoy? –perguntou preguiçosamente.
-A
mesma de ontem. –ele respondeu e ela fez uma cara que dizia
claramente que ele era um idiota, então resolveu falar sério
–Já passa das 7h e 30 min.
-Já
passa? Você ficou louco?!? –perguntou indignada –è
Natal! É muito cedo pra sair da cama. –contestou –eu quero
dormir.
-Mas
eu não!
Ela
bufou e disse desanimada:
-Já
vi que esse vai ser o pior Natal da minha vida.
Procurou
suas pantufas quentinhas e calçou-as. Viu ao pé da cama
uma pilha de presentes. Gina sorriu, encaminhando-se para os pacotes
e conseqüentemente arrastando Malfoy consigo. Estendeu a mão
para o pacote do topo. Era uma caixa preta, envolvida por um grande e
elegante laço de cor prata. Porém, antes que Gina
pudesse alcançar a caixa, Draco pegou-a:
-O
que pensa que está fazendo? –perguntou a grifinória,
enquanto ele erguia a caixa no alto –Devolva o meu presente,
Malfoy.
-Não,
weasley.
-Malfoy,
seu idiota! É meu presente!
-Não
é seu, Weasley. É meu. Como você pode ser tão
burra?
-Quem
mandaria um presente para você?
Gina
tentava pegar o pacote, mas estava difícil. Ficou na ponta dos
pés e impulsionou-se para frente. Acabou por desequilibrar-se
e cair em cima de Draco. Como ele estava meio inclinado para trás
e não esperava que a ruiva caísse sobre si,
desequilibrou-se também e caiu de costas na cama. A cascata de
cabelos rubros caía próximo ao rosto do sonserino:
-A
culpa é toda sua, Malfoy. –falou indignada –Se você
não tivesse sido tão imbecil.
-O
presente é meu, estou dizendo. –e olhou com raiva nos olhos
amendoados –A minha mãe sempre manda um embrulho
desse.
-Duvido.
-Se
você não fosse uma Weasley, não fosse uma
grifinória e não fosse uma criança, eu não
reclamaria. Mas como você possui todos esses defeitos... –a
olhou seriamente –Saia de cima de mim, eu sou homem demais para
você.
Ela
ficou vermelha, pois só então notara sua situação,
visto que estivera demasiadamente ocupada discutindo com ele. Saiu de
cima do Malfoy num piscar de olhos e sentou-se na cama, sem olhar
para ele. Ficou perdida em seus pensamentos.
"Decididamente
esse será meu pior Natal. Eu não mereço isso,
com certeza eu não mereço. Por que eu tenho que
agüentar esse estúpido? Quando essa detenção
acabar, eu juro que não vou mais me meter em confusões."
Decidiu-se.
Abaixou-se
para pegar o embrulho que estava por cima dos outros. Abriu-o e era o
tradicional suéter weasley, o qual ela recebia todo ano. Era
rosa e havia um pequeno G bordado em linha vermelha do lado direito,
na altura do peito.
Sem
perder tempo, vestiu seu suéter por cima da camisa do pijama.
Draco começou a rir, mas disfarçou como um acesso de
tosse. Porém, a ruiva capitou o real sentido:
-Do
que você está rindo, hiena irritante? –perguntou com
cara de poucos amigos.
-É
que você ficou mais patética ainda com esse trapo
rosa.
-E
o que tem nessa sua caixa macabra, Comensal da Morte?
Os
olhos do malfoy faiscaram perigosamente na direção
dela:
-O
que é que tem aqui dentro é a arma mortífera que
encomendei enquanto você dormia. Graças à ela me
verei livre de você em breve.
-Você
não pode estar falando sério, pode? –perguntou, meio
insegura.
O
loiro riu com sarcasmo:
-Tem
mesmo a ingenuidade de uma criança. –comentou e a grifinória
fez menção de falar, mas ele não permitiu –Eu
assusto mesmo você, weasley. Aff...não acredito que
pense mesmo que eu sou Comensal da Morte e estou prestes a matá-la
com requintes de crueldade.
Ela
bufou:
-O
que mais quer que eu pense de você? Por todos esses anos você
não fez nenhum esforço para que eu tivesse uma boa
imagem sua. Muito menos nos últimos tempos.
-Como
assim? Pra mim você é louca, Weasley!
-eu
não sou louca. Eu sei que você...
-Ah
não! –ele cortou-a –Estou farto das suas acusações
sem fundamento.
-Pare
de negar. –ela disse, tentando manter a calma –Eu sei. Por que
você se importa em continuar negando? –quis saber.
Ele
abriu com violência a caixa preta que segurava:
-Aqui
está, sua demente. –disse com raiva, mostrando o conteúdo
da caixa –um doce caseiro, um livro e uma carta. Por acaso há
algo que vá te matar? –perguntou, irritado.
Gina
ficou sem graça, suas bochechas mostravam isso.
"Será
que eu tenho exagerado? Ele não parece ser tão mau
assim. Será que ele é mesmo um Comensal da morte?" as
dúvidas invadiram a mente da ruiva.
-Desculpe,
Malfoy. Eu acho que peguei pesado demais com você;
-Agora
você reconhece... –disse, parecendo ressentido.
-Eu
já pedi desculpas.
Ele
não respondeu e houve um silêncio incômodo entre
os dois. Ao perceber que Draco não falaria nada, ela começou
a abrir seus presentes. Havia vários doces, mas o que mais lhe
chamou a atenção foi um pacote azul. Ela abriu-o
rapidamente. Dentro havia uma presilha em forma de flor, um canivete
que não estava em perfeitas condições, um livro
de bolso e um bilhete. Com ansiedade, abriu o bilhete e
leu-o:
Querida Gina,
Não posso dizer onde estamos, mas posso afirmar que estamos relativamente bem. O presente do Rony é a presilha e ele recomenda que você tome cuidado mesmo estando em Hogwarts. O Harry resolveu te dar o canivete que ganhou do sirius há alguns anos (é de grande valor sentimental para ele) e me pediu para lembrá-la que a ama. Esse livro eu carregava comigo e terminei de ler, acho que será bom para que você se distraia.
Beijos,
Hermione
P.S.:
Tenha um feliz Natal e diga a sua mãe que estou cuidando bem
dos meninos.
A
ruiva mordeu o lábio inferior ao mirar mais uma vez o bilhete
na letra caprichada de Hermione. Pegou o canivete e segurou-o
carinhosamente em suas mãos. Lágrimas rolaram
silenciosamente por sua face sem que ela mesma percebesse.
-Ei,
Weasley. Qual é o problema? –ouviu a voz de Draco perguntar
com indiferença.
-O
quê? –ela perguntou, encarando-o.
-Você
está chorando. –ele respondeu, como se fosse óbvio.
-Eu
estou chorando? –perguntou, enquanto limpava as lágrimas.
-Não
me diga que não tinha percebido. –ela não respondeu
–O que aconteceu?
-Você
não está preocupado. Você não liga a
mínima se eu estava chorando ou fazendo qualquer outra coisa.
–ela afirmou –Então por que eu deveria contar o
motivo?
Ele
deu de ombros:
-Apenas
quero saber se alguém morreu.
Ginevra
lançou um olhar mortal:
-Você
não tem o mínimo tato.
-então
alguém realmente morreu. –comentou, abrindo o pacote do bolo
caseiro que sua mãe havia mandado –É assim uma
guerra, repleta de perdas.
-Não
morreu ninguém, por mais que essa notícia não te
deixe satisfeito.
-Tome
cuidado, weasley. –Draco avisou.
-O
quê? Está me ameaçando?
Ele
suspirou:
-Apenas
não quero que deixe cair farelos na minha cama. –disse,
vendo que ela \briu um pacote de biscoitos caseiros.
-Mas
você também está comendo!
-Mas
o quarto e a cama são meus. Além do mais, o bolo da
minha mãe é gostoso demais para ser deixado num pacote
fechado.
-Você
quer dizer o bolo que a sua mãe mandou um elfo fazer.
-Não,
Weasley. Bolo de cenoura com cobertura de chocolate é a
especialidade da minha mãe.
-Duvido.
Você quer que eu acredite que alguém tão "não
me toque, não me rele" como a sua mãe, sabe
cozinhar?
-A
minha mãe é muito mais do que você pensa. Se não
acredita, experimente.
-Não
está envenenado?
-Isso
não teve graça. Além do mais, eu já comi
o primeiro pedaço. Vai ou não vai comer? É um
favor que estou te fazendo e verá como tenho razão, é
uma iguaria sem igual.
A
ruiva revirou os olhos, cansada:
-Tá
bom, eu provo, assim você pára de me encher o
saco.
Draco
cortou uma fatia:
-Pega.
-O
quê? Com a mão?
-e
por que não? Eu comi com a mão.
-Nossa,
Malfoy, não sabia que os seus modos de fresco permitiam que
comesse algo sem talheres.
-Você
não me conhece e também não conhece os meus
hábitos. Dá pra ser nesse século ou tá
difícil?
Ela
lançou um último olhar aborrecido e pegou a fatia de
bolo. Mordeu um bom pedaço.
-E
então? –perguntou, cheio de si.
Ela
odiou constatar que Malfoy estava certo. Aquele bolo se aproximava do
que sua mãe fazia e todos os que conheciam a Sra. Weasley
sabiam de seus dotes culinários.
-E
então? –o loiro voltou a perguntar.
-Como
você pode saber se foi mesmo a sua mãe quem fez?
–questionou.
-Eu
já vi ela fazendo desse bolo. Agora vai, quero ouvir você
falando que gostou. –disse com um sorriso de superioridade.
A
grifinória contraiu os lábios numa linha fina e severa,
o que lembrava a Diretora:
-Ok,
Malfoy. –disse um tempo depois –Você estava certo.
–acrescentou rapidamente, atropelando as palavras.
Malfoy
deu um sorriso que demonstrava sua satisfação:
-Isso
soou como música aos meus ouvidos. Quero ouvir de novo.
-Não
mesmo. Eu não vou repetir. –negou-se, ele fez menção
de dizer algo, mas a ruiva foi mais rápida –Eu tenho uma
proposta para fazer a você.
-Já
querendo me fazer propostas, Weasley? Como estamos progredindo
rapidamente, não? E eu que pensava que você era uma mera
ruivinha inocente. Sabia que não resistiria por muito tempo.
Qual é a sua proposta indecente? Eu prometo pensar no
assunto.
Custara
um grande esforço para Ginevra ouvir o sonserino até o
final. Respirou fundo e seu punhos ainda se encontravam cerrados
quando disse:
-Você
fala besteiras demais, Malfoy. Essa proposta não tem nada de
indecente. Hoje é Natal...Eu apenas pensei que deveríamos
parar com as infantilidades e nos darmos bem, nem que seja apenas por
hoje. O que acha?
Malfoy
franziu o cenho, considerando o que ela havia acabado de sugerir. Por
fim respondeu:
-Ok,
Weasley. Que seja.
-Você
quer, Malfoy?- Gina estendeu o pacote de biscoitos.
Ele
olhou desconfiado por um instante e em seguida pegou
alguns:
-Obrigado.
–agradeceu –Quer mais bolo?
Gina
fez que sim. Draco conjurou uma jarra e dois copos para dividirem
suco de abóbora. Após terminarem a refeição
e irem ao banheiro, Gina perguntou:
-O
que vamos fazer?
-Estudar.
Pelo menos eu vou.
-Estudar
no dia de Natal?
-E
daí? Não vejo nada demais. Apenas quero terminar as
minhas tarefas o mais rápido possível.
-Assim
você está parecendo a Mione...
Ele
a cortou no mesmo instante:
-Não
ouse me comparar àquela...
Também
foi cortado:
-Malfoy!
–ela o censurou.
-então
não faça comparações idiotas.
Gina
respirou fundo:
-Ok,
ok. Vamos estudar onde?
-Na
biblioteca, é claro.
Sem
uma palavra cada um pegou suas coisas. Àquela hora havia
poucas pessoas pelos corredores. Mesmo assim essa sensação
os incomodava imensamente.
Colocaram
suas mochilas sobre uma mesa mais afastada. Sentaram-se lado a lado
(a corrente não permitia a distância que desejavam).
Pegaram o necessário e começaram com o trabalho duro.
A
ruiva ficou satisfeita em contatar que Malfoy não estava
provocando-a com comentários maldosos.
"Bem,
na verdade ele não está fazendo nenhum comentário.
Está mudo como uma pedra. Não pensei que esse aguado
estúpido levava a sério os estudos." Pensou e então
se forçou a se concentrar em seus próprios livros e
pergaminhos.
Ao
final do dia ela encontrava-se mentalmente exausta. Tinham parado de
estudar apenas para almoçar e jantar.
"Pelo
menos terminei todas as minhas tarefas." Pensou com um certo
alívio.
No
entanto, Draco não podia dizer o mesmo. O ano dos NIEM's era
o mais difícil de todos. O loiro não havia feito nem a
metade, mas não estava reclamando. Não podia deixar de
reparar que ele estava se esforçando.
"Mas
para quê?" perguntava-se internamente com curiosidade "Será
que Voldemort exige que seus Comensais obtenham altos NIEM's?"
Essas
foram as últimas coisas que passaram pela mente dela antes que
se rendesse ao crescente peso de suas pálpebras.
Durante
dias que se seguiram os dois brigaram bastante, mas eram brigas menos
graves do que antes. Raramente acontecia de tomarem choque. Não
que isso fosse um enorme progresso, já que na maioria do
tempo, Draco encontrava-se enterrado em livros, especialmente os de
poções.
Porque
Gina estava algemada com Draco e era obrigada a ficar na presença
dele o tempo todo, poucas eram as pessoas da Grifinória que se
aproximavam para falar com ela. As garotas também não
se aproximavam mais tanto de draco pela presença da weasley,
com a exceção de Parkinson. Certa vez, Gina perguntara
a draco o que havia entre ele e Pansy. Malfoy respondera que não
era nada de importante e que às vezes ficavam juntos. Gina
perguntara-se então se a sonserina sabia que não tinha
a mínima importância na vida dele e se chorava pelos
cantos como Candy Smith.
Ginevra
lia romances enquanto Draco estudava, só assim conseguia se
distrair e não sofrer pensando em Harry.
Assim,
foram se passando os dias. Porém, algo diferente aconteceu no
primeiro dia do ano.
Foi
quando a ruiva saiu do banho vestida com uma camisola e viu Draco
sentado na cama com o uniforme da Sonserina. Achou estranho já
que ele havia tomado banho antes dela e estavam de férias. Era
para já estar vestido para dormir.
Gina
guardou suas roupas e toalha, foi andando em direção à
cama:
-Malfoy,
por que você não está de pijamas? –perguntou,
mas o loiro não parecia ter ouvido –Malfoy! Eu estou falando
com você!
Ainda
assim ele não respondeu. Gina ficou com raiva, ele só
podia estar tirando uma com a cara dela! Não?
Percebeu
que colocava apressadamente algo dentro do bolso e olhavam fixamente
para as chamas da lareira:
-MALFOY!
–ela exclamou e chacoalhou-o por um dos ombros.
Draco
não fez nada, apenas deixou-se ser chacoalhado. Decididamente
aquilo era estranho. Ele não podia estar normal ou já
teria se enfurecido e gritado barbaridades.
-Draco,
você está bem?
Ela
estava chamando-o pelo primeiro nome (pela primeira vez!) e nem assim
ele deixou de parecer um zumbi hipnotizado pelas chamas.
A
ruiva respirou fundo.
"Ok.
Situações drásticas pedem medidas drásticas."
Pensou, tomando coragem.
Sentou-se
no colo de Draco, de frente para ele:
-Draco,
o que é que você tem?!?
Nada
parecia importar para o loiro e isso estava preocupando a weasley. O
que teria acontecido para transformar Draco malfoy em um ser apático,
praticamente um morto-vivo? Queria muito descobrir o motivo, mas
primeiro precisava descobrir um modo de tirá-lo daquele
estado. Ele nem parecia saber que ela estava em seu colo.
"Isso
parece mais grave do que pensei. Ah, não! Eu não queria
ter que recorrer a isso, eu juro que não, mas..." e decidiu
tomar uma medida extrema.
A
ruiva foi se aproximando seu rosto do de Malfoy. Quando os lábios
fizeram contato, ela fechou os olhos. Esperou que ele fizesse algo
como a empurrar e dizer que estava enojado, mas nada
aconteceu.
"Caramba!"
praguejou "Eu é que vou ficar enojada..." pensou e começou
a forçar sua língua pela boca dele.
Draco
entreabriu os lábios. Gina estremeceu ao sentir a textura lisa
e macia da língua dele. Sentiu que ele começava a
corresponder o beijo e ia se afastar, mas não pôde. Ele
enlaçou-a pela cintura fortemente.
Ginevra
sentia-se zonza. O mundo parecia estar girando ao seu redor, apesar
de continuar com os olhos fechados. Que raios de beijo era aquele?!?
Nunca fora beijada de maneira tão intensa e desesperada.
Perguntava-se o porquê dele estar fazendo isso.
Com
algum esforço descolou suas bocas. Olharam-se e não
ousaram se mexer. Ela ficou da cor dos cabelos ao perceber que suas
mãos estavam na camisa de Draco que já estava
semi-aberta. Também percebeu que uma das mãos de Draco
estava sobre uma de suas coxas. Soltou a camisa dele. Draco então
soltou Gina e ela levantou-se:
-Olha,
me desculpe. Não quero que pense mal de mim. Eu te chamei
inúmeras vezes, mas não funcionou. Então resolvi
apelar para a prova de choque, por isso te beijei.
-Ah..
–murmurou, mirando o chão.
-O
que aconteceu para te deixar naquele estado?
-Como
você se importasse, Weasley... –disse de maneira rude.
-Eu
me importo! Você estava muito estranho. Eu quero te ajudar, por
isso quero saber o que aconteceu. – disse sinceramente.
-Você
não pode me ajudar, Weasley! NINGUÉM PODE! Eu não
preciso da sua pena! Entendeu, garota?!?
-Ora,
seu Comensal da Morte ingrato!
Draco
levantou-se com raiva em cada traço do rosto. Gina foi andando
de costas, a fúria dele a amedrontava. Ele parecia estar fora
de si.
-Não
me chame de Comensal da Morte! VOCÊ NÃO SABE DE
NADA!!!
-SEI
SIM! –ela teimou, esquecendo a prudência –Por que continua
fingindo?
-Cale
a boca, weasley. –disse perigosamente, fingindo calma.
-Não
calo não. Eu sei que você é um deles. Apenas
quero saber o que o levou...
-CALE
A BOCA! –ele insistiu, mandando a fingida calma ir pastar.
-Você
não entende...? –foi a última coisa que ela disse
antes do ocorrido.
O
loiro cobriu a distância que restava em duas passadas largas.
Foi capaz de observar o pavor nos olhos dela quando a prensou contra
a parede com o próprio corpo. Gina fechou os olhos e esperou
pelo pior.
"Aposto
que ele vai me matar! Nunca o vi com os olhos tão
transtornados."
Draco
planejava apenas fazê-la ficar com medo e por isso calada.
Porém, ao vê-la tão indefesa e de olhos cerrados
não conseguiu pensar. Antes que percebesse, tinha fechado os
próprios olhos e seus lábios foram ao encontro dos
dela. Gina tentou o empurrar ao perceber o que ele estava fazendo.
Quando sentiu a resistência da ruiva sabia que era tarde demais
para voltar atrás, já que ela falaria mais ainda. Draco
não queria ouví-la. Não queria ouvir ninguém.
Será que era tão difícil de compreender? Queria
apenas esquecer aquelas palavras vazias que havia lido. Era o que
pretendia enquanto aprofundava o beijo.
Gina
simplesmente parou de resistir. Passou os braços em volta do
pescoço do sonserino.
"Oh,
Merlin! O que estou fazendo?!? Eu não posso beijar um Comensal
da Morte! Eu estou traindo o Harry...?" era cada vez mais difícil
pensar.
Draoc
já nem se importava se era uma odiosa Weasley quem ele beijava
com tanta ânsia. A mente dele precisava de uma distração
para esquecer o choque que tivera. Não mais pensava, seu corpo
agia por si mesmo.
As
mãos do malfoy passeavam por diversas partes do corpo da
weasley e descobriu que estivera enganado, ela não possuíam
mais o copo de uma criança.
Quando
os lábios de Draco foram para o pescoço da ruiva, ela
suspirou. Abriu os olhos e pareceu tomar ciência da situação.
Suas mãos estavam em contato com a pele da barriga dele
exposta pela camisa aberta.
"E
uqe barriga! Será que ele tem um corpo assim só do
quadribol?" perguntou-se, mas logo se repreendeu por estar pensando
aquelas coisas dele. Afinal, ele era um Malfoy e era um Comensal da
Morte.
-Malfoy,
pára. É sério, pára. –ela disse,
empurrando-o para longe de si.
Ao
olhar dentro dos olhos acinzentados, ficou extremamente corada. Pôde
enxergar neles solidão e desamparo, mas isso fora apenas por
um momento:
-Por
que você fez isso?
-Para
que você calasse a boca. –respondeu simplesmente.
-Mas
algo está errado por aqui. Eu quero saber. Quero
entender...
Draco
apenas roçou seus lábios nos de Gina, em seguida
sussurrando no ouvido dela:
-estou
avisando, Weasley. Se você não calar a sua maldita boca,
eu vou ser obrigado a te calar novamente e presumirei que você
gostou de me beijar. Entendeu, garota?
-Você
só pode estar maluco! Eu não gostei... –ela
protestou, mas foi interrompida quando o loiro juntou suas bocas.
-Me
solta! – o empurrou com força –eu vou gritar, malfoy.
-E
eu vou te calar, weasley. –ele respondeu desafiador –Então
por que você não em faz um favor e cala a boca por si
mesma?
A
grifinória bufou e foi em direção à cama,
levando (contra sua vontade) Draco consigo. As algemas não
deixavam escolha alguma. Estava com nojo de si mesma por ter tido uns
amassos com o Malfoy. Como pôde ter correspondido? Como,
Merlin? Ela se martirizava.
"Nunca!
NUNCA MAIS! Não deixarei me levar pelo momento." Pensou mais
decidida que nunca.
Ajeitou-se
na cama, cobrindo-se:
-Olha
aqui, malfoy. Se você pensa que...
Mais
uma vez ele calou-a com um beijo. Porém, logo depois,
aconteceram duas coisas ao mesmo tempo: levaram um choque e Gina
empurrou-o com toda força de que dispunha.
Draco
assistiu a ruiva, com uma expressão furiosa, virar-se de
costas para ele:
-Eu
te avisei, Weasley. –sentiu necessidade de explicar.
Weasley
nada respondeu. Tinha medo que ele a beijasse mais uma vez. Sim,
tinha medo. Medo de não se controlar e corresponder novamente.
Estava intrigada com o fato de apenas na última vez terem
levado um choque. Teria ficado seriamente irritada apenas nessa
última vez? Se sim, isso significava que...
"Não!
Eu não gostei das outras. Isso é impossível!
Completamente insano." Mas foi essa incerteza que a fez perder o
sono.
Gina
virava de lado periodicamente, procurando uma posição
confortável para dormir, mas nenhuma delas parecia servir. E o
pior de tudo eram os pensamentos que vagavam por sua mente, todos
envolvendo o loiro adormecido ao seu lado.
Ao
ter certeza de que Draco dormia, Gina enfiou co cuidado uma mão
no bolso esquerdo dele, onde o vira, mais cedo, guardar um papel.
Papel esse que a ruiva desconfiava ser a razão do
comportamento estranho do malfoy e conseqüentemente a insônia
causada nela por aqueles beijos...
"Hey!
Eu não estou com insônia porque aquele idiota me
beijou!" uma parte de seu cérebro gritou "Mesmo? Então,
por que será que cada dez pensamentos que você tem, onze
tem relação com Draco Malfoy?" a outra parte exigiu
saber.
Conseguiu
pega ro papel e desdobrou-o. Era uma carta, quase um bilhete. Apanhou
sua vainha e sussurrou um lumus o mais longe que a corrente das
algemas permitiu. Sabia que não era uma bela atitude o que
estava prestes a fazer.
"Isso
é coisa de sonserinos. Talvez eu esteja andando demais com o
Malfoy. Alíás, sim, eu estou." Pensou e finalmente
começou a ler.
Caro
Draco,
Receio
informar-lhe que sua mãe está desaparecida. Não
há sinais de luta, mas você sabe que isso pode ser coisa
do Lord. Eu realmente não sei do paradeiro da Narcisa. Não
sei nem se está viva ou morta. Apenas não alimente
esperanças e não faça nada impensado. Finja que
nada aconteceu. Estamos no meio de uma guerra e você sabe da
situação...
Quando
souber de algo, irei informar. Quero que queime essa e qualquer outra
carta que eu enviar.
S.S.
Ao
terminar de ler, os pensamentos da ruiva fervilhavam. Sabia quem era
o remetente. Não esqueceria aquela odiosa caligrafia de Snape
tão cedo.
"Mais
uma prova de que Malfoy é Comensal ou não estaria se
correspondendo com outro da mesma laia. Eu não entendi essa de
ser coisa do Lord a Narcisa estar sumida e também não
entendi o uso da palavra situação... é muito
vago. Era um código? Bem, mas agora já sei porque o
Malfoy estava em choque. Afinal, é a mãe dele. Aposto
que ela é a responsável por ele ser tão mimado."
Pensou enquanto dobrava e colocava a carta novamente no bolso do
loiro.
Aquelas
palavras rabiscadas com pressas poderiam ter respondido o porquê
do comportamento de Draco, mas haviam criado na cabeça de
Ginevra inúmeras novas dúvidas.
