Estou dando um tiro no escuro com este capítulo. D:
Desejava introduzir algo de realidade ao contexto político que a história nos deixa, mas eu tenho muita dificuldade nisso. Não queria escrever algo utópico nem pessimista.
Quem só quiser romance/lemon, espere os próximos, mas preciso dessa base mais concreta pra me acalmar.
Vamos lá o/
"Controlling my feelings for too long
and forcing our darkest souls to unfold.
And pushing us into self destruction."
Showbiz - Muse
Um ano se passou.
O período que se seguiu foi como uma ebulição de algo que esperava a muito tempo para trocar de fase. O acúmulo de tiranias e opressão veio à tona com violência, irrompendo em uma série de movimentos. Um forte atrito se estabeleceu entre grupos do Distrito Oeste que reivindicavam território ou apenas desejavam se vingar dos habitantes da Cidade Sagrada.
O fato de não haver mais a separação entre ambos gerava uma ampla confusão, e reações diversas. Apesar da enorme fúria que se alastrava, não era tão grande o número de pessoas que restaram na região após aquela devastação. Os grupos eram pequenos pro tamanho do ódio que os mantinham em guerra. As pessoas que não se envolveram com as lutas se assustaram. Muitas acabaram por migrar para outras regiões, outras se escondiam em áreas isoladas, outras acabavam por se unir, formando pequenos e médios aglomerados.
Com o enorme descontrole da região, ainda mais perigosa dado ao fato de os seus antigos manipuladores terem sido mortos pela praga, o restante das cidades-modelo passou a negligenciar a situação de emergência para se proteger, fechando os portões para o que fora a No. 6, tendo salvo apenas poucas famílias de prestígio, e outros privilegiados.
As batalhas aconteciam ao mesmo tempo em que novas alianças eram estabelecidas. Pessoas que se conheceram antes dos muros serem levantados se re-uniam. Um movimento mediador iniciava formação a partir da união de ambos os povos, em um ritmo infelizmente lento.
O sangue ainda escorria da ferida que aquele muro rasgara no povo. O ódio, o rancor de todos os que foram oprimidos e desprezados ainda não permitiam que uns enxergassem aos outros.
Certas sub-regiões foram acumulando os grupos favoráveis a uma nova constituição que abrangesse o povo de forma mais igualitária. Em sua maioria eram pacíficos, não atacavam. Mas não se podia ser inocente a ponto de não se preparar para a defesa.
Eram das poucas áreas em que a violência não era iminente, não apenas por serem pacíficos, mas por elas passarem a ser reconhecidas como "zonas hospitalares", onde se cuidavam de feridos abandonados. Onde a compaixão permitia a entrada indistinta de quem desejasse e/ou precisasse.
Em uma delas havia um grande abrigo. Nele viviam refugiados de todas as partes, Shion, Karan e a criança que ele salvara, e decidira o dar o nome de Hikaru. Karan trabalhava como cozinheira do local, junto a mais outra mulher e dois homens. Com o tempo o abrigo ia ganhando organização, muitas famílias se estabeleciam lá, algumas temporariamente, outras ficavam para ajudar. Lá se iniciava o cultivo de uma ideologia anti-radical.
Karan cuidava sempre do pequeno Hikaru, que se tornara uma espécie de mascote, todos do abrigo ajudavam a cuidar dele, que era o mais novo de lá. Shion e um grupo de outros cinco jovens se incumbiam de buscar com cuidado e discrição, novos moradores para o abrigo. Eles às vezes tentavam atrair pessoas de outros locais para o abrigo, não era difícil encontrar pessoas desamparadas em meio à violência, sem rumo. Também eram encarregados das buscas por feridos, o que também não era difícil de se encontrar. Haviam poucas estações de rádio que se esforçavam para transmitir notícias à população, e eles costumavam informar quando e onde haviam as lutas. Isso facilitava muito a missão do grupo.
O local do abrigo era uma biblioteca, que antes fora a grande e luxuosa biblioteca da cidade, mas estava em desuso a um certo tempo devido à substituição de livros por eletrônicos e do não incentivo à literatura, que também fora censurada. Tinha um espaço excepcional. Banheiros e cozinha, uma cafeteria espaçosa, sala de exibição áudio-visual, centro de estudos. As pessoas dormiam pelo chão, colchões e cobertores eram negociados com regiões vizinhas, às vezes faltavam. A antiga sala de vídeo era reservada para o tratamento dos feridos. Lá foram organizados todos os materiais de tratamento que foram conseguidos até então Eles possuíam duas macas e outras que eram improvisadas pelos moradores.
Shion utilizava seus conhecimentos para ajudar e ensinar. Um pequeno número de refugiados tomavam aulas com ele, curiosos e ansiosos para poderem ajudar. Eles se dedicavam bastante àquilo, e a proximidade dos livros era de extrema conveniência. Nos tempos de sobra ele continuava a gostar de ler para os pequenos, que também adoravam escutar.
Aqueles livros o rodeavam, fazendo-o se sentir confortável.
O pequeno Hamlet parecia se sentir em casa.
Nezumi.
**
As transformações foram rápidas. A população se partia entre o rancor e a condolência. Entre o medo e a fé. As investidas violentas contra os antigos habitantes da cidade sagrada manchavam o solo, as faces.
Aqueles que eram envolvidos pela arte se moveram. Eles formaram focos de influência popular, e tentavam, através da arte, cessar a cegueira da população. A companhia de teatro organizava peças com noções críticas, inserindo a igualdade da raça humana, e direta ou indiretamente criticando ambos os lados da situação atual.
Muitas vezes seus esforços eram vãos, não eram vistos com seriedade. Outras se conseguia realmente alcançar as pessoas. Nas ruas outros movimentos também eclodiam, mas sempre destacados os favoráveis ao fim das guerras. Depois do massacre antes da destruição dos muros, ao mesmo tempo em que a ira se propagou, um sentimento devastador se apossou de algumas pessoas. O sentimento de que brigando elas não recuperariam suas perdas. E era esse sentimento que se desejava passar aos outros. A mesma cólera que regia as batalhas havia aniquilado aqueles que estavam junto a eles antes. Era da mesma arma podre que todos estavam usufruindo.
Nezumi continuava a morar naquele pequeno quarto, dera a sorte de aquele canto continuar sendo relativamente isolado. Sua vida estava bastante agitada desde aquele dia, o teatro não parava um instante, e ele, como um dos melhores atores, sempre era responsável por papéis grandes. Revolucionários. Ele se preparava para outra peça, vestia os figurinos já em casa, encobrindo-os com a capa protetora, preferia ir pronto quando ia se apresentar na rua. Novamente apresentariam em praça pública, mas dessa vez uma união de outros artistas se juntara à causa, preparando melhores cenários de improviso e fantasias boas para os atores. Além disso, o grupo havia aumentado, pois se juntara a uma outra pequena companhia de teatro. Com ela vieram novos companheiros de cena, destacando-se um deles chamado Hiroki. Ele assumia a liderança em discursos, sua postura ativista tocava o povo, era sério e, apesar de Nezumi ter desconfiado de seu estrelismo, ele era de fato uma pessoa boa. E era disso que eles precisavam.
Ele finalizou vestindo as botas e a capa e deixou o quarto, em silêncio .
As estações de rádio anunciavam em desespero, entre chiados e ruídos, que houvera outra luta territorial. Shion ficou em alerta. A região era próxima ao abrigo. Os outros já se movimentavam, preparando-se. A área que ocupavam os havia privilegiado com algo de extrema importância: armas, veículos e roupas de guerra.
A maioria dos componentes do exército haviam sido resgatados pelas outras cidades-modelo, que tentaram salvar alguns de seus materiais, mas muito havia restado lá. Os poucos que se recusaram a deixar o local, protegiam o Exército para que as armas não parassem em mãos erradas. E os mesmos haviam colaborado com o abrigo, os cedendo dois veículos espaçosos e blindados, roupas, coletes, armas. Os tanques e armas de maior porte continuavam guardados. Além disso, o exército havia unido mais duas pessoas aos resgates: os irmãos Koichi e Yuka. O primeiro era ávido por justiça, forte e um pouco precipitado. Sua irmã também sabia lutar, era esperta e tinha o tato social que faltava a seu irmão por sua impulsividade. Ambos se juntaram ao grupo e eram dois dos alunos assíduos de Shion, além de retribuirem as aulas ao tentar ensiná-lo a lutar e a utilizar armas.
Eles já estavam vestidos. Shion levou a arma ao bolso de sua calça, e ordenou que todos entrassem nos veículos.
- Vamos. Eles estão nos esperando.
Lalala! E agora, meu povo?
Por favor, me digam o que acharam desse trelelê que eu inventei aí, tô tentando não viajar na maionese, não deixar nada escapar. Mas que difícil que é
Obrigada por ler ^^
obs: como meu objetivo inicial era apenas fazer um reencontro dos dois feliz e cheio de amor, o resto foi surgindo pra eu conseguir chegar nele direito, portanto não pretendo me demorar muito. Era pra ser curto, poxa, mas não para de aparecer coisa no caminho!
