Mell: Obrigado pelo review ;), e essa história usa alguns headcanons de Smallville, mas existem algumas coisas que eles fizeram na série que eu não concordei, bom, então eu resolvi manter os originais, ou criar os meus próprios.

*Boa leitura


"Brittany, rápido, daqui a pouco o ônibus está passando, você não quer ficar para trás outra vez?" Martha falou para sua filha, que estava em seu quarto, sentada na frente do computador, lendo um artigo sobre um garoto queniano que havia quebrado o mais recente recorde de velocidade.

Esse assunto havia se tornado uma obsessão para ela, fazia algum tempo, desde que um dia, por acidente, ela perdeu o ônibus para a escola. Chateada, ao tentar alcançá-lo, ela correu em uma velocidade tão grande, que em menos de um minuto ela ultrapassou os limites entre Smallville e Granville, e naquele dia ela chegou à escola antes da aula começar, e por incrível que pareça, sem ser vista por ninguém.

Brittany percebeu que era diferente das outras crianças aos dez anos, quando após uma frustração na aula de educação física, ela acabou dando um soco em um velho trator de seu pai, sem intenção ou mesmo força para causar dano, mas que resultou no amasso do veículo. Seus pais ficaram mais perplexos do que chateados, porque nenhuma outra criança de sua idade seria capaz de fazer algo semelhante, e no fundo ela sempre sentiu que seus pais já esperavam por isso.

Desde os treze anos ela soube que era adotada, e isso não a incomodava, na verdade ela amava os seus pais, mas eles nunca lhe falaram sobre as suas origens, a única coisa que ela sabia era que ela chegou a Smallville logo após a chuva de meteoros que mudou totalmente os rumos daquela cidade, anteriormente conhecida como capital do creme de milho, e agora era a capital do meteoro.

Sua grande amiga, Rachel Berry, que era apaixonada pelo jornalismo investigativo, sempre dizia que a cidade deveria se chamar 'Freakville, terra do estranho, lar do esquisito', porque segundo ela, ao contrário de todos, ela não ignorava as coisas estranhas e bizarras que aconteciam na cidade e arredores, e fazia suas próprias investigações, e tinha até uma pasta onde ela guardava reportagens, muitas vezes feita por ela mesma, que indicavam sempre que as tais aberrações tinham algo a ver com a chuva de meteoros.

Brittany sabia muito bem que Rachel poderia estar certa sobre isso, e acreditava que ela mesma pudesse ser um desses casos, mas ela faria o máximo para guardar seu segredo, pois essas pessoas acabavam sempre no sanatório de Belle Reve, ou mortos, e Brittany não sabia qual das duas opções poderia ser pior.

A menina desligou o computador e pegou sua mochila de cima de sua cama, descendo a escada para encontrar seus pais que já estavam na cozinha.

"Bom dia, filha." Jonathan falou e em seguida tomou um copo de leite.

"Bom dia pai." Brittany respondeu sorrindo, e tirou da mochila uma folha de papel e uma caneta. "Pai, o senhor pode assinar isso para mim?" Os olhos da menina brilhavam em esperança.

"O que é isso?" o homem perguntou, levantando uma sobrancelha.

"É uma autorização para entrar para o time de futebol da escola, eles vão fazer testes essa tarde." Brittany respondeu, mas o olhar de seu pai foi desanimador.

"Brittany, você sabe que não pode..." Martha começou.

"Mas mãe, eu só quero passar pelo ensino médio sem ser uma completa otária." Ela respondeu crispando os lábios. Todos sabiam que os estudantes que não integravam nenhuma equipe esportiva durante o ensino médio passavam por maus bocados durante todo esse período, e ela realmente gostava de futebol.

"Eu fui um atleta durante o colegial, e sei muito bem como a cabeça esquenta durante um jogo." Jonathan começou e fez Brittany suspirar. "É claro que eu sei que você nunca machucaria ninguém propositalmente, mas acidentes acontecem, principalmente quando o objetivo é ganhar a qualquer custo." Brittany cruzou os braços e bufou. "Acredite em mim, isso é o melhor para você."

"Claro." Ela respondeu baixo e ironicamente, e guardou a autorização. "É melhor eu ir agora, até mais." Ela guardou a autorização e saiu de casa visivelmente aborrecida. Martha e Jonathan se entreolharam.

"Ela vai entender um dia." O homem falou, e a mulher apenas sorriu. Ela sabia que ele estava certo, não podia se esperar compreensão em uma situação dessas vindo de uma adolescente de dezesseis anos.

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Assim que Brittany pisou na estrada, ela viu o ônibus escolar metros a frente. Ela fora deixada para trás, mais uma vez. Aquele dia com certeza não seria dos melhores.

"De novo não... Droga!" Ela esbravejou, colocou as mãos na cintura e olhou para cima, enquanto avaliava a situação. Sem outra alternativa ela decidiu ir para escola correndo, e um sorriso malicioso surgiu em seus lábios.

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Assim que o ônibus estacionou na frente da escola, uma menina baixa de cabelos escuros e lisos assim como os seus olhos, e um rapaz asiático de cabelos curtos e alto foram dois dos primeiros estudantes a descer.

"Eu ainda não acredito que a Brittany perdeu o ônibus de novo." A menina comentou e os dois riram.

"Eu não como ela consegue, acho que se a Britt se movesse mais devagar ela não existiria." O rapaz respondeu, e nenhum dos dois notou que Brittany estava bem atrás deles.

"Oi Rach, oi Mike." Ela falou, e os dois adolescentes olharam para trás no mesmo instante. "Legal o assunto, né?" Ela falou ironicamente.

"Brittany?" Os dois falaram no mesmo momento, pasmos. A loira piscou para eles.

"Como você...?" Rachel perguntou cruzando os braços. "Como você chegou aqui tão rápido?"

"Peguei um atalho." Brittany deu os ombros.

"Estranho..." Rachel comentou, e Mike apenas riu, como ela sempre fazia.

"Você sempre acha tudo muito estranho." O rapaz comentou.

"Só porque todo mundo escolhe ignorar as coisas estranhas que acontecem aqui nessa cidade, não quer dizer que elas não existam." Rachel respondeu ofendida, mas Mike deu os ombros, porque nem ele, nem Brittany gostavam quando ela começava a falar sobre esse assunto.

"Então Britt, pronta para o teste do time hoje?" Mike perguntou, desviando o foco da conversa, enquanto os três seguiram pelo corredor. Brittany baixou os olhos.

"Meus pais não acham uma boa idéia." Ela respondeu. "Eles tem medo que eu possa me machucar." Ela mentiu tentando não olhar para os amigos, quando na verdade a história era o extremo oposto.

"Caramba Britt, eu nunca te vi machucada." Mike comentou.

"Nem doente." Rachel completou. "Nem mesmo um simples resfriado que fosse." E ela estava certa. Brittany nunca havia ficado doente, nem mesmo quando todos os seus colegas de classe se infectaram com uma gripe que se tornou uma epidemia por toda a cidade anos atrás.

"Bom, isso é graças ao cuidado dos meus pais." Brittany falou com um sorrisinho sem-graça, que desapareceu assim que seus olhos caíram sobre Santana Lopez, a menina mais bonita que Brittany já vira em toda a sua vida. Ela tinha a pele morena, cor de caramelo, cabelos e olhos escuros e brilhantes, e um corpo atlético, bom, ela era uma líder de torcida. Santana era a garota dos sonhos de muitas pessoas naquela escola, inclusive a de Brittany.

Como se não bastasse tudo isso, ela ainda era vizinha dos Pierce, porque vivia com sua avó Alma, desde quando seus pais morreram duas das várias vítimas que a chuva de meteoros fez em Smallville, e mesmo assim ela e Brittany nunca tinham tido uma conversa real, porque a loira simplesmente não conseguia ficar perto da outra, literalmente.

De longe Santana lhe causava sintomas como pernas bambas, mãos trêmulas e um certo desconforto no estômago, mas de perto, ela sentia uma dor intensa que irradiava por todo o seu corpo, lhe fazendo pensar que ela poderia morrer, pois seu batimentos cardíacos aceleravam e sua visão começava a ficar turva, e isso era realmente era embaraçoso.

Brittany tinha certeza que Santana a achava bem esquisita , principalmente depois de um incidente em um parque de diversões quando ambas tinham onze anos de idade, onde ela e Santana foram andar em uma daquelas xicarazinhas, porém o passeio acabou antes do esperado, porque Santana gritou para que parassem o brinquedo, assustando a todos, que viram que o motivo de desespero da pequena morena era na verdade Brittany, que estava ainda mais pálida que o normal, tremendo e suando mais que um atleta em dia de jogo. Qualquer um se assustaria, ela não poderia culpar Santana,

E no fundo ela sabia que tinha sorte de sua vizinha nunca ter compartilhado essa história com seus colegas de classe, caso contrário, ela ainda seria alvo de gozações.

"Brittany, você está sendo óbvia." Rachel comentou, e seus risinhos misturados aos de Mike trouxeram Brittany de 'volta' à realidade.

"Não sei do que você está falando." Brittany se defendeu, tentando disfarçar seu olhar, mas até ela sabia que atuação não era seu forte.

"Ah, você sabe sim." Rachel respondeu e olhou para Santana, que conversava com Sugar Motta, sua melhor amiga. "Sua paixonite por Santana Lopez é a coisa mais clara sobre você." Os olhos de Brittany arregalaram com aquela frase.

"C- como?" Ela não acreditou no que Rachel acabara de dizer.

"Qual é Britt? Não tem nenhum problema nisso." Mike completou, e a Rachel tocou o ombro de Brittany como quem estivesse concordando com ele. "Além do mais, nós dois sabemos que você usa aquele seu telescópio para admirar a beleza dela." Mike piscou para Brittany, que desejou poder evaporar dali.

"O quê? Como vocês... De onde vocês tiraram isso?"Brittany perguntou, pasma.

"Ora Britt, na última vez que fomos na sua casa, quando você deixou a gente no celeiro e foi buscar mais refrigerante, Mike e eu fomos ver que estrela você estava vendo pelo seu telescópio, e adivinha? A estrela Santana." Os dois riram, e Brittany sentiu sua bochecha queimando de vergonha.

"Não é o que vocês estão pensando, eu não sou tarada ou algo assim." A loira se defendeu, mas os dois continuaram rindo, porque ela sabia que eles estavam pensando que ela era uma tarada, e na verdade, quem não pensaria? Qualquer um naquela situação iria acreditar que ela era uma pervertida que espiava a sua vizinha, e ela até já se imaginava com um olho roxo deixado pelo punho de Santana, caso ela descobrisse essa situação.

"Mas sinceramente Britt, eu acho que você deveria tentar a sorte com ela." Mike sugeriu, e colocou seu braço em volta de Brittany. "Por que você não convida ela para o baile de amanhã?"

"O quê?" Brittany quase engasgou ao perguntar isso.

"Eu concordo com o Mike, nós sabemos que ela não vai se ofender nem nada." Rachel argumentou, e por um lado ela estava totalmente com a razão. Santana poderia se encaixar perfeitamente naquele estereótipo de menina hétero, bonita e líder de torcida com um namorado quarterback, mas esse não era o caso, Santana na verdade era lésbica assumida, e daquelas que lutavam pelos seus direitos e igualdade, mas mesmo assim, nem tudo eram flores.

"É, mas eu acho que vocês estão se esquecendo de um pequeno detalhe." Brittany falou e indicou com a cabeça a direção em que Santana estava, e quando os seus dois amigos olharam para a mesma direção, uma nova pessoa havia entrado para a conversa entre Sugar e Santana, Amanda Fordman, a namorada da líder.

Amanda tinha cabelos ruivos, olhos verdes, e algumas sardas pelo rosto Ela era alta, mais alta e mais velha que Brittany, ela era sênior, Brittany sophomore, assim como Rachel, Mike e a própria Santana. Amanda também fazia parte do time de futebol, e não era só atacante, como também capitã da equipe, o que lhe dava certa autoridade com as outras jogadoras, mesmo que algumas não suportassem sua sexualidade, e também um físico invejável, e tudo o que Brittany não precisava era dela e suas amigas do mesmo porte físico implicando com ela.

"Eu sinceramente não quero ser o espantalho desse ano, porque ano foi passado foi um menino, esse ano quem vai escolher são as meninas, ou melhor, a Amanda." Brittany os lembrou.

"Essa brincadeira é a coisa mais estúpida que eu já vi." Rachel falou e cruzou os braços. "Nós deveríamos entregar os valentões que fazem isso para a diretoria."

"Você está louca, Rachel? Nós não podemos fazer isso!" Mike falou, e a garota suspirou. "Se descobrirem que você os entregou, você não será o espantalho, mas eles farão o resto da sua vida no colegial um verdadeiro inferno."

"Ele tem razão." Brittany completou, no momento em que o sinal da primeira aula tocou.

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Depois que a aula Mike fez o teste para o time de futebol americano, e o resultado sairia no dia seguinte. Brittany decidiu ir a pé para a casa, arejando a cabeça. Ela ainda estava muito chateada pelo fato de seu pai não tê-la deixado fazer o teste para o time de futebol.

Naquele momento tanta coisa passava por sua cabeça. Ela sabia que o seu pai estava fazendo aquilo para protegê-la, mas fazer parte do time era um grande sonho. O sonho de qualquer adolescente era fazer parte de alguma coisa legal que fizessem as pessoas gostarem dele. Apesar de suas diferenças,Brittany também queria se integrar e ser popular, ela não achava que as coisas que só ela poderia fazer deveriam afastá-las das outras pessoas, mas ela também não queria que eles descobrissem e a tratassem como uma aberração.

Porém um barulho de freada a fez olhar para trás, assim que ela atravessava a ponte Loeb, mas ela não teve tempo de fazer nada, sendo atingida por um Porsche prateado, que mesmo freando estava em alta velocidade.

Brittany e o carro caíram de cima da ponte diretamente nas águas geladas do rio Elbow.

Quando Brittany abriu os olhos, ela viu o carro afundando e o seu motorista estava inconsciente. Ela nadou até ele, e puxou a parte de cima, arrancando-a completamente do resto do carro, e retirou o jovem motorista de dentro dele, nadando até a superfície.

Ela o deitou de barriga para cima e começou a fazer respiração boca-a-boca e massagem em seu peito para reanimá-lo. Ela estava tão desesperado em não deixá-lo morrer, que mal parou para pensar no que acabara de acontecer.

Quando o rapaz piscou os olhos e começou a tossir, ela suspirou aliviada. Ele era muito bem aparentado, jovem, cabelos castanhos escuros, olhos verdes. Ele olhou para Brittany, e pareceu confuso, como se estivesse tentando lembrar-se de alguma coisa.

"Está tudo bem?" Brittany perguntou baixo.

"Eu... Eu atropelei você." Ele falou e tossiu mais um pouco, então Brittany olhou para trás e viu uma parte da ponte arrebentada. Nesse momento a realidade caiu como uma bomba em sua cabeça.

"Não..." Brittany falou em um suspiro. "Se... Se você tivesse me atropelado eu estaria morta."

"É, você tem razão." O rapaz concordou tentando se levantar, mas a dor que ela estava se sentindo era tão grande que ela mal conseguia se movimentar, o oposto de Brittany, que não estava sentindo nada, nem mesmo frio por suas roupas estarem molhadas em um dia nublado de Outubro como aquele.

"Tente não se mexer muito, eu vou ligar para o socorro." Brittany disse já se levantando.

"Espere um minuto." O rapaz pediu, então a garota voltou a olhar para ele. "Me diga seu nome, pelo menos."

"Brittany Pierce." Ela respondeu.

"Sebastian Smythe." Ele também se apresentou, e Brittany até abriu um sorrisinho. "Obrigado por salvar a minha vida, Brittany."

"Não precisa agradecer, aposto que você faria o mesmo por mim."

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Assim que Brittany chegou em casa não levou nem dois segundos para sua mãe aparecer ali, e mudar sua expressão drasticamente.

"Meu Deus Brittany, o que aconteceu?" A garota estava com as roupas e os cabelos molhados, e uma expressão frustrada no rosto. Primeiro ela demorou muito para chegar em casa, e quando chegou estava nesse estado.

"Eu fui atropelada por um carro a uma velocidade absurda, então, eu fui jogada de cima da ponte Loeb, junto com o carro." Ela respondeu e deu os ombros, como se aquilo não fosse grande coisa. Martha levou as mãos à boca, chocada com as novas informações, e aproximou-se de sua filha, para assegurar de que estava tudo bem com ela.

"Brittany... Mas como?" A mulher perguntou, tocando com cuidado o rosto de Brittany enquanto o olhava atentamente.

"Não se preocupe, mãe, eu estou totalmente bem, bem melhor do que deveria, a senhora não acha?" O tom ríspido de Brittany não era normal, na verdade, ela nunca havia falado assim com ninguém, muito menos com seus pais, antes.

"Como assim? Você está brava por estar bem?" Martha perguntou confusa, e era estranho mesmo, mas Brittany sabia que eles estavam escondendo alguma coisa dela, e isso já estava cansando a adolescente.

"A senhora me ouviu direito? Eu fui atropelada por um carro, jogada de cima de uma ponte, cai em um rio gelado, e eu estou bem aqui, na sua frente, sem nenhum hematoma, osso quebrado, nenhuma dor, ou mesmo um corte ou arranhão, isso é normal?" Brittany chacoalhou a cabeça e mordeu o lábio inferior. Martha estava sem palavras diante da agressividade da filha. "Eu sei que você e o meu pai estão escondendo coisas de mim! Por que vocês nunca falam sobre os meus pais biológicos? De que lugar eu vim? Só que vocês me adotaram após a chuva de meteoros, isso eu já sei!" Brittany engoliu o choro naquele momento. "Me diga a verdade mãe, a única coisa que eu quero é saber quem eu realmente sou, eu tenho esse direito. Eu não sou normal, e eu quero saber porque." Martha abaixou os olhos, e Brittany ficou ainda mais apreensiva, a proximidade daquela resposta a deixou com medo. Ela não sabia que tipo de coisa ela iria ouvir.

"Eu não sei Brittany, mas eu não me importo, ninguém se importa, a única coisa que importa para mim e para o seu pai também é que você é a pessoa que nós dois mais amamos nesse mundo." Brittany rolou os olhos e fechou o punho direito e o levantou contra a parede, mas ela conseguiu se parar, caso contrário, ela poderia abrir um buraco na parede. Ela suspirou fundo, e abaixou a mão e olhou para a mãe, que estava com os olhos arregalados.

"Bom, isso importa para mim, mas eu acho que isso não conta." Brittany falou baixo.

"Brittany, filha..." Martha começou.

"Eu... Eu preciso ficar sozinha por um tempo, por favor me deixe em paz." Brittany disse, e saiu de casa.

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Santana estava sentada na poltrona da sala enquanto olhava para o colar que ela tinha desde a infância, cujo pingente era uma pedra esverdeada, que muitos confundiam com esmeralda, mas na verdade se tratava de um pequeno pedaço da rocha do meteoro que caiu no ginásio da escola, e que foi responsável pela morte de Laura e Javier, seus pais.

Ela ganhou aquele colar de sua avó, assim que passou a viver com ela, poucos dias após ficar órfã, e ela lembrava das palavras da mulher claramente ao entregar esse presente para ela, algo para que ela nunca esquecesse de tudo que foi perdido naquele dia, que mudou sua vida para sempre.

É claro que algumas pessoas achavam estranho o fato dela andar com um pedaço da coisa que foi responsável pela morte dos dois membros mais importantes de sua família, mas eles nunca iriam entender que aquele pedaço minúsculo de pedra junto de uma porção de fotos e vagas memórias, eram as únicas lembranças que lhe restavam de Laura e Javier.

E ela se sentia tão triste por não se lembrar direito deles, mas quando tudo isso aconteceu ela era tão pequena e nem ao menos entendia o que a palavra morte significava quando um policial informou a sua avó que seu filho e nora foram duas das sete pessoas que morreram quando um meteoro atingiu Smallville High School, ela só chorou ao ver o desespero da mulher. Ela não sabia que jamais veria seus pais outra vez.

Foi um período muito difícil para ela, e para a sua avó, principalmente, ela teve que lidar com uma das dores mais terríveis do mundo, que era a perda de um filho, e mesmo assim teve fibra suficiente de criá-la da melhor maneira possível, mesclando na medida certa, amor, carinho e rigidez. Na infância isso foi mais fácil, apesar da grande turbulência na vida das duas, mas com a chegada da adolescência e a sexualidade de Santana aflorando, as coisas começaram a se complicar.

Santana começou a perceber que as meninas a atraíam aos doze anos de idade, e aos quinze anos ela chegou a conclusão de que era mesmo lésbica ao encontrar Amanda, em seu ano primeiro ano do ensino médio. A ruiva jogava no time de futebol, e era uma das meninas mais populares da escola, e pelos banheiros femininos rolavam boatos de que ela já havia ficado com garotas, o que despertou a atenção de Santana, pois em uma cidade como Smallville era mais fácil se achar um alien do que um homossexual, e pela primeira vez ela viu a possibilidade de falar com alguém que pudesse entendê-la.

Assim que Santana entrou para as Cheerios, as coisas ficaram mais fáceis para a aproximação com Amanda, afinal esportistas são amigos de esportistas, não é? Amanda era bonita, e atraía a atenção de Santana, mas a morena nunca tinha tido a oportunidade de falar com ela antes, porque elas só se encontravam pelos corredores, e a outra estava sempre rodeada por algumas jogadoras do time, que pareciam verdadeiras guarda costas, mas em uma noite de sexta-feira em uma festa na casa de Puckerman, o quarterback do time de futebol americano, as coisas mudaram.

Naquela noite após uma dose de licor, Santana tomou coragem para se aproximar de Amanda, e as duas conversaram pela primeira vez. Amanda era bem diferente do que Santana imaginava, na verdade, ela não flertou com ela em nenhum momento, apenas falou coisas leves e divertidas, e as duas acabaram se tornando amigas. Após isso, elas começaram a sentar juntas no intervalo, e mesmo Amanda sendo dois anos mais velha, ela não esnobava Santana, como as outras pessoas de sua classe.

E após algum tempo de amizade, durante uma festa entre as meninas do time de futebol, onde Santana foi convidada por Amanda, após alguns 'drinks', as duas garotas se aproximaram cada vez mais, e até dançaram juntas, até que finalmente um beijo aconteceu. O primeiro beijo de Santana, e segundo Amanda, seu primeiro beijo com alguém que ela realmente gostava, e esse foi o grande passo para elas, em uma semana elas começaram a namorar.

Durante um tempo, elas esconderam o relacionamento de suas famílias e amigos. Santana era criada por uma avó muito religiosa e Amanda era filha de um militar aposentado, as coisas não seriam fáceis, mas mesmo assim elas decidiram que o que sentiam uma pela outra era bonito demais para ficar escondido.

As reações de suas famílias não foram as melhores, Alma preferiu fechar os olhos, e acreditar que aquilo era uma fase que um dia passaria quando sua neta encontrasse o homem certo, e que Amanda era a culpada por tudo, enquanto o ex-general Fordman praticamente cortou relações com a filha, falando com ela somente o necessário com ela, mas a mãe da menina foi um pouco mais compreensiva, e até chegou a conversar com Santana algumas vezes.

Na escola as coisas não foram fáceis também, mas Santana tinha sorte de alguns professores, aqueles que conheceram seu pai na época em que ele trabalhava lá, como professor de história, e repreendiam firmemente qualquer forma de Bullying contra ela ou Amanda.

Um barulho vindo de fora da casa chamou a atenção, e ela viu um vulto na porta, praticamente espionando-a, que saiu correndo assim que percebeu que ela o notara. A adolescente se levantou em um pulo e pegou um bastão de beisebol, que ficava ao lado da lareira, e abriu a porta lentamente, pronta para o ataque, mas não havia mais ninguém ali, então quando ela olhou para baixo, ela viu uma pequena caixa com um cartão em cima ali no chão, e leu o cartão que dizia:

"Para Santana, a garota mais linda de toda Smallville, ass: B."

"B?" Santana repetiu em voz baixa, e seus olhos se fixaram na direção do rancho Pierce, que ficava em frente à casa de sua avó. "Brittany?" Ela ficou surpresa com aquilo, seria mesmo sua vizinha tímida quem lhe dera aquele presente? Santana não pôde deixar de evitar um sorrisinho nascer em seus lábios, e também não podia negar que Brittany era sim bonitinha, mas não podia ficar perto dela sem passar mal, e isso era esquisito, e além do mais Santana amava Amanda, e não tinha nenhum interesse em deixá-la

"Santana." A voz de Amanda a trouxe de volta de seus pensamentos, no qual ela estava tão absorta que mal percebeu a chegada de sua namorada, que se aproximou com os olhos fixos no presente. "O que é isso?" Ela apontou para a caixa nas mãos de Santana.

"Bom, isso é... É um presente que alguém deixou aqui na minha porta." Amanda cruzou os braços, e ficou visivelmente chateada com aquilo.

"E você vai ficar com isso?" Ela perguntou, e Santana suspirou.

"Eu nem mesmo abri isso." Santana respondeu.

"Então abra." Amanda falou, e abriu um sorriso irônico. "Eu estou morrendo de curiosidade para saber o que estão mandando para a minha namorada." O tom da jogadora era ríspido.

"Mandy, isso não é grande coisa." Santana respondeu, e naquele instante ela se arrependeu.

"Eu sei, mas eu quero ver." Amanda insistiu.

"Tudo bem, eu abro isso, mas você promete que vai esquecer esse assunto?" Santana propôs, e Amanda sorriu.

"Prometo." Ela respondeu com firmeza. Então Santana abriu a caixa, e para sua surpresa, borboletas saíram de dentro dela. Santana achou aquilo bonitinho, mas se manteve séria para não demonstrar nenhuma reação. Amanda deu uma risada esnobe.

"Que diabo de presente é esse?" Ela chacoalhou a cabeça, e levou alguns segundos até que parasse de rir.

"Satisfeita, agora?" Santana perguntou, e cruzou os braços.

"Bem, agora me deixe ver o cartão." Amanda olhou para o cartão na mão de Santana, que pareceu desconfortável.

"Amanda..." Ela começou.

"Se você agir assim eu vou começar a achar que você sabe quem foi que te mandou esse presente." Amanda falou. "E que você está protegendo essa pessoa." Santana rolou os olhos, e entregou o cartão para Amanda, que leu e riu novamente. "Quantos anos essa pessoa tem, doze?"

"Eu não sei, porque eu não sei quem é!" Santana respondeu com certa impaciência.

"Eu acredito em você, eu só estava brincando." Amanda se defendeu.

"Eu sei que você não estava." Santana respondeu. "Mas isso não importa agora, eu não quero brigar, tudo bem?"

"Eu também não." Amanda disse. "Eu posso rasgar isso?" Ela levantou o bilhete, e diante da cena de Santana lhe dando ombros, ela rasgou o pedaço de papel.

"Entre, eu tenho uma coisa para você." Amanda sorriu, e assim que Santana virou-se, ela lançou um olhar nada amigável em direção ao rancho Pierce. "Vem Amanda." Santana a apressou.

Assim que elas entraram na casa, Santana segurou nas mãos de Amanda, e a guiou até a sala, onde a ruiva sentou-se em uma poltrona, e sua namorada sentou em seu colo, repousando suas duas mãos no pescoço da jogadora, e em seguida a beijou.

Os beijos começaram leves, e foram se intensificando com o passar dos minutos, assim como as mãos ávidas que começaram a explorar os corpos, ambos arrepiados com os toques das línguas e dos dedos, até que a mão direita de Amanda acabou tocando um seio de Santana, que se levantou no mesmo instante. Amanda sentiu suas bochechas arderem, e sua respiração que já estava ofegante se tornar ainda mais um desafio.

"Oh Santana, eu sinto muito." Amanda disse, nunca esteve tão envergonhada em sua vida. Santana tinha apenas dezesseis anos, e ela se deixou levar pelo calor do momento. "Sério, eu estou morrendo de vergonha, me desculpa."

"Está tudo bem." A morena abriu um sorriso nervoso, e para desviar o foco do embaraço, ela pegou o seu colar que estava em cima da mesa, e virou-se para Amanda. "Eu quero te entregar o meu colar."

"Santana... Por quê? Esse colar significa tanto para você." Ela argumentou.

"Eu sei, e é exatamente por isso que eu quero que ele fique com você, porque eu te amo, e quero te provar meu amor, te entregando uma das coisas mais de maior significado para mim." Ao dizer isso, a morena se aproximou de Amanda e com cuidado colocou o colar em seu pescoço.

"Eu nem sei o que dizer agora, Santana." Amanda disse sorrindo, e abraçou sua namorada. "Eu te amo também." Após beijar Santana nos lábios. "Amanhã, no baile, eu prometo que vou fazer de tudo para que você tenha uma das melhores noites de sua vida."

"Eu acredito em você." Santana respondeu, e novamente beijou Amanda.

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No dia seguinte, era como se todas as pessoas da escola estivessem se preparando para o tal baile, menos Brittany. O ginásio que há treze anos fora destruído, matando Javier e Laura, agora estava todo enfeitado, no aguardo de seus alunos.

Durante o almoço Mike demorou um pouco mais para chegar na cantina, porque ele estava esperando pelo resultado de seu teste para o time, feito no dia anterior.

Brittany e Rachel então sentaram-se em uma mesa de canto, lugar dos alunos não populares ficavam. De onde elas estavam, Brittany tinha uma visão privilegiada da mesa de Amanda, Santana, Sugar e mais algumas meninas. Ela não pôde deixar de notar que a morena e a sua namorada estavam mais próximas do que nunca, e o único motivo que veio em sua mente para toda essa aproximação era sexo, e sua garganta apertava só de pensar nessa possibilidade.

Por mais que lhe doesse ver Santana com sua cabeça encostada no ombro de Amanda, Brittany não conseguia desviar seu olhar da direção delas, os únicos momentos em que isso aconteceu foi quando o olhar da jogadora cruzou com o seu.

"Você está quieta demais hoje Britt, aconteceu alguma coisa?" Rachel perguntou, após longos minutos de silêncio entre elas.

"Minha vida, foi isso o que aconteceu." A loira respondeu frustrada. "Olha só para Amanda Fordman, essa garota tem a vida perfeita, ela é capitã do time de futebol, ela é respeitada, ela namora a menina mais linda dessa escola, eu... Eu daria qualquer coisa para ter a vida que ela tem!" Brittany despejou naquele momento, e ela estava sim, sentindo inveja de Amanda, e o pior é que não sentia vergonha disso. "Agora, olhe para mim, eu nem sei o que eu sou."

"Por que você está dizendo isso?" Rachel perguntou.

"Rachel, eu... Ah deixa para lá." Ela havia falado demais. "Eu só não estou em um bom dia para conversar hoje." Ela evitou olhar diretamente nos olhos de Rachel. "Desculpa."

"Tudo bem." A morena respondeu, e sorriu em solidariedade à amiga. "Isso faz parte da angústia adolescente, todo mundo passa por isso uma hora ou outra." Brittany sorriu com aquelas palavras, se Rachel ao menos tivesse uma idéia do que ela estava passando.

Nesse momento Mike apareceu ali, e foi direto falar com suas amigas.

"Ei meninas, falem oi para o mais novo integrante dos Titans." O sorriso em seu rosto era cativante. Brittany e Rachel o aplaudiram.

"Parabéns Mike." A morena disse. "Agora você vai poder se sentar na mesa com as líderes que você tanto gosta." Ela ironizou.

"Popularidade não vai mudar nada Rachel, meu coração sempre será seu." O rapaz ironizou, e Brittany começou a rir.

"Sinto que eu estou sobrando aqui." Ela brincou, fazendo as bochechas de Rachel ficarem púrpuras e ardentes.

"Para Brittany!" Ela repreendeu sua amiga, que continuou rindo.

"Ué, você adora ficar fazendo isso comigo, não é?" Brittany respondeu, lembrando-se do dia anterior.

"Bom, mudando de assunto meninas, você vão no baile hoje?" O rapaz perguntou, sentando-se ao lado de Rachel, e roubando um pedaço de seu lanche.

"Eu não." Brittany respondeu, e mais uma vez olhou na direção de Amanda e Santana, e mais uma vez o olhar da ruiva cruzou com o dela, fazendo-a olhar para frente rapidamente. "Meus pais me pediram para fazer algumas coisas no rancho." Ela mentiu.

"Que pena, eu acho que seria divertido se você fosse." Rachel comentou.

"Eu sei, mas, não vai dar." Brittany disse, e crispou os lábios. " E além do mais, com o meu humor hoje, eu só estragaria o baile de vocês." Mike e Rachel não disseram nada, apenas se entreolharam.

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No final da aula Brittany se despediu de seus amigos que saíram apressadamente para se arrumar para o baile que começaria em poucas horas, enquanto ela seguiu para sua casa a pé. Ela não estava com nenhum pouco de pressa para chegar, por isso foi caminhando em ritmo normal.

Desde o dia anterior ela mal trocara palavras com seus pais, e sinceramente também odiava aquela situação, mas ela odiava ainda mais a sensação de estar sendo enganada, e queria que aquilo acabasse o mais rápido possível, ela queria saber de suas origens, o porquê dela ser tão diferente das outras pessoas.

Assim que ela entrou em uma estrada deserta, um barulho de pneus cantando quebrou o silêncio, e quando Brittany se deu conta, uma caminhonete parou ao seu lado, e as portas se abriram no mesmo instante, e de lá desceram três meninas que ela reconheceu serem do time de futebol, e a quarta, que estava no volante, apareceu por último. Era Amanda Fordman. Brittany apenas ficou parada, sem entender o que estava acontecendo.

"Brittany Pierce, não é?" Amanda perguntou aproximando-se lentamente da garota, com as duas mãos para trás. A cada passo da ruiva, Brittany sentia um mal estar dominando seu corpo. "Eu te fiz uma pergunta, garota!" Amanda falou em tom agressivo.

"S-sim." Brittany respondeu, sentindo-se cada vez pior. Foi aí que seus olhos caíram sobre o colar no pescoço da ruiva, o colar de Santana. Nesse instante, duas meninas seguraram Brittany, uma em cada braço.

O desespero tomou conta da adolescente, que queria sair dali, mas não conseguia lutar, ou pelo menos correr.

"Parabéns Pierce, você venceu Tina Cohen-Chang e agora tem a honra de ser o Espantalho desse ano!" Amanda falou apenas poucos centímetros de distância de Brittany, que já se contorcia de dor.

"Não... Por favor..." Brittany murmurou, quando Amanda lhe mostrou sorrindo a camiseta branca com um grande S vermelho pintado no meio dela. Brittany arregalou os olhos diante daquilo que era um pesadelo se materializando, e voltou a olhar para o rosto de Amanda, e em seguida para o colar, quando ela finalmente entendeu que o problema em se aproximar de Santana não da garota, mas sim daquele objeto. "Amanda, por favor, não faça isso comigo..." Ela implorou.

"Eu não ia, mas você está merecendo uma lição." Amanda falou. "Você pensa que eu não vejo a forma como você olha para ela, ou que você fica deixando presentinhos e bilhetinhos na frente da casa dela?"

"Eu não..." Brittany tentou se defender, mas um tapa em seu rosto a fez calar.

"Não minta para mim, ou eu juro que faço da sua vida um inferno!" Amanda a ameaçou. Brittany começou a chorar cabisbaixa. "Ora Pierce, vai chorar feito uma criancinha agora? Pensasse nisso antes de se meter com a Santana!" Brittany queria dizer que Amanda estava enganada, mas ela sabia que a outra não iria acreditar em suas palavras. "Agora olhe para mim." Com certa dificuldade levantou a cabeça.

"Por favor,Amanda..." Brittany murmurou.

"Eu vou ser legal com você, garota, e vou deixar você ter uma coisa da Santana, pelo menos por um tempo." Amanda disse, e colocou a mão no pingente do colar em seu pescoç que Amanda colocou o colar no pescoço, ela se sentiu ainda mais enfraquecida, teria até caído se não fosse pelas duas jogadoras segurando-a pelos braços. Amanda segurou em seus cabelos, e a fez olhar para o seu rosto. "Isso é para você pensar na Santana, pensar bastante mesmo, enquanto eu danço com ela no baile, porque tempo você vai ter bastante, menina do rancho!" Brittany tentou falar, mas não conseguiu. "Vamos logo com isso."

Sem muita esforço as duas jogadoras que seguravam Brittany, jogaram uma enfraquecida e derrotada Brittany na caçamba da caminhonete, que seguiu até o campo Riley.

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Agora Brittany estava no meio de um milharal deserto, com suas pernas e braços amarrados, naquele pedaço de madeira que se assemelhava a cruz de Cristo.

As garotas do time tiraram suas roupas, e a vestiram com aquela camiseta branca e uma bermuda larga. Ela tremia e chorava, seu corpo inteiro doía quase insuportavelmente, e a cada minuto ela sentia suas forças se esgotando. Era como se ela estivesse morrendo.

Gritar ela não conseguia, o máximo que ela podia fazer era murmurar por socorro, mas ela tinha certeza que ninguém a ouviria naquele meio de nada em que ela se encontrava. A única coisa que lhe restava era esperar pela piedade das meninas que a colocaram ali, e torcer para que ela ainda estivesse viva quando as garotas voltassem para soltá-la.

Mas a esperança voltou ao seu coração, quando ela percebeu uma movimentação, e a aparição de um jovem corpulento e cabelos curtos que ficou ali parado, olhando para ela.

"Algumas coisas não mudam nunca." Ele falou e sacudiu a cabeça em reprovação. "Eu sei exatamente como você se sente, é doloroso não é?"

"Por favor, me ajude..." Brittany implorou ao rapaz, mas ele não pareceu não se comover nem um pouco com o sofrimento da garota.

"Eu já estive no seu lugar, há treze anos, exatamente quando aquela chuva de meteoros atingiu essa cidade, e o impacto de um dos meteoros que caiu aqui perto me deixou em coma, por todos esses anos." Havia muita mágoa nas palavras e nos olhos do rapaz. "Eles me humilhavam diariamente, me fizeram o Espantalho, e por causa deles eu perdi treze anos da minha vida..."

"Por favor..." Brittany implorou mais uma vez.

"Mas não se preocupe garota, eu vou fazê-los pagar. Cada um deles, sem exceções." O rapaz e abriu um sorriso. "Quando eu acordei do coma dias atrás, eu descobri que podia controlar a eletricidade, e graças a isso eu vou concretizar a minha vingança, matando naquele baile, de uma vez só."

"Não..." Brittany murmurou, o desespero tomando conta dela naquele momento, lembrando-se de seus amigos, Rachel, Mike, Santana, e todos os outros que estavam no baile. "Me tire daqui...Por favor." O rapaz lhe lançou um olhar indiferente.

"Você estará mais segura aqui, acredite em mim, garota." Ele respondeu. "Ah, e eu prometo que depois que eu terminar eu volto aqui para te soltar, já que quem fez isso provavelmente não vai poder."

"Não..." Mas o rapaz virou as costas, e deixou Brittany desesperada, que usava o pouco de força que ainda lhe restava para tentar inutilmente se soltar, mas ela não podia deixar seus amigos morrerem dessa forma tão covarde e injusta. Eles não tinham culpa de nada.

"AAAAAAHHHHHH, SOCORROOOOO! Ela usou praticamente toda a força que lhe restava para gritar, mas ela quase certeza de que ninguém poderia lhe ouvir, porém, ela se enganou, porque não demorou muito para outra pessoa aparecer ali, e a luz de uma lanterna atingiu diretamente o rosto de Brittany, fazendo a fechar os olhos. " Me ajude, por favor..."

"Brittany?" Falou uma voz conhecida da menina. Quando ele se aproximou para desamarrar seus pés, ela o reconheceu. Ele fora o rapaz que a atropelara no dia anterior, Sebastian Smythe. Finalmente quando ela desamarrou suas mãos, ela caiu no chão e com certo esforço se livrou do colar, e ao se levantar, já se sentia bem diferente. "Você está bem?

"Sim." Ela respondeu. "Obrigada por me salvar." Ela agradeceu e pegou suas roupas do chão.

"Quem fez isso com você?" Sebastian perguntou abismado. Aquilo era uma verdadeira crueldade.

"Não importa, é só uma brincadeira." Ela respondeu.

"Brincadeira? Deus Brittany, até os romanos guardavam isso para ocasiões especiais." Ele argumentou, mas Brittany não tinha tempo para conversas.

"Sebastian, eu tenho que ir agora, obrigada por me salvar mais uma vez." Ela agradeceu rapidamente, e saiu rapidamente dali.

"Ei Brittany, espera, eu te levo para casa." Sebastian falou, seguindo a garota, mas quando ele chegou na trilha, não havia mais ninguém ali. Brittany havia simplesmente desaparecido. "Brittany?" Sebastian suspirou, e fez o caminho de volta até onde a criz estava, e com sua lanterna iluminou o colar com a pedra verde no chão.

Sebastian se abaixou e pegou o colar, que lhe era familiar. Ele sorriu no momento em que se lembrou exatamente de quem era aquele colar.

No baile da escola os adolescentes se divertiam enquanto dançavam as músicas do momento, sem ter a menor idéia do perigo que se aproximava.

Santana usava um vestido vermelho tomara-que-caia, e seus cabelos estavam soltos, enquanto Amanda estava com um vestido preto, seus cabelos também estavam soltos.

Nesse instante começou a tocar a música "Just the way you are' do Bruno Mars.

"Essa música sempre me faz lembrar de você." Amanda falou, e segurou nas mãos de Santana. "Você quer dançar?"

"Claro." A morena respondeu, sorrindo, então as duas foram até a pista de dança, onde Amanda colocou suas mãos na cintura de sua namorada, e a morena depositou as dela nos ombros da ruiva.

"Você está tão linda, eu mal consigo respirar com você tão perto de mim." Amanda sussurrou próximo ao ouvido de Amanda. "Eu nunca imaginei que encontraria alguém como você aqui em Smallville."

"Você é tão doce, eu te amo." Santana disse.

"Eu também te amo." Amanda respondeu, acariciando delicadamente o rosto de Santana.

Há poucos metros dali, Rachel e Mike dançavam juntos, de uma forma um tanto quanto desajeitada.

"Rach, você pisou no meu pé outra vez." O rapaz comentou, fazendo as bochechas de sua amiga corarem.

"Você sabe que dança não é o meu forte, eu sou ótima com palavras, não com movimentos." Ela respondeu e Mike deu uma risadinha.

"Na verdade, você não é tão ruim assim." Ele disse.

"Obrigada." Rachel respondeu, surpresa.

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O rapaz em busca de vingança olhou para a escola, onde por muito tempo ele foi humilhado diariamente, e sentiu o ódio lhe dominar por dentro.

"Vocês vão me pagar, todos vocês." Ele murmurou, segurando o choro. "Você vão se arrepender por tudo que fizeram à Dave Karofsky, seus moleques."

Karofsky começou a caminhar em direção à escola, quando sentiu uma mão lhe segurar pelo ombro. Assim que ele virou, mal pôde acreditar no que viu. A garota Espantalho estava ali, ainda vestindo aquela camiseta branca com o S vermelho, mas com calça jeans nas partes de baixo e tênis dessa vez.

"O que você está fazendo? Vai embora daqui, eu não quero que você se machuque garota, você é igual a mim."

"Você não pode fazer isso! Eles não têm culpa do que te aconteceu!" Brittany falou, tirando a mão do ombro do rapaz, na esperança que suas palavras fossem capaz de convencê-lo.

"Eu não estou fazendo isso só por mim, eu também faço por você e para todos aqueles meninos e meninas que estiveram em nosso lugar!" Ele disse com raiva. "Agora, aproveite sua chance e caia fora daqui, eu realmente não quero te machucar!"

"Não, eu não vou deixar você machucar os meus amigos!" Karofsky sacudiu a cabeça.

"Olha, eu realmente não queria fazer isso, mas você não me deu outra escolha." Karofsky segurou Brittany firme, e mesmo com seu olhar demonstrando culpa, ele seguiu em frente, e soltou uma descarga elétrica violenta, que invadiu o corpo da garota. Foi doloroso, mas quase nada comparado ao que ela passara nas últimas horas.

Quando Karofsky a soltou, ele a olhou de olhos arregalados, porque ao contrário de todos os outros com quem ele havia feito isso, que acabaram literalmente torrados, a garota continuou em pé, intacta e sem nenhuma seqüela.

"O quê... O que é você?" Karofsky perguntou, mas Brittany permaneceu calada. "Seja lá o que você for, eu não vou deixar você impedir os meus planos..."

"Fique longe dos meus amigos!" Brittany falou enfurecida, e agarrou o colarinho da camisa do rapaz. A dor que ela sofrera nas últimas horas a deixara furiosa. "Não foram eles quem te fizeram o Espantalho, eles me fizeram, e eu não vou deixar você machucar ninguém."

Brittany jogou Karofsky contra a parede, e sem querer ele bateu violentamente contra a caixa de força, ocasionando um curto circuito, que derrubou a energia do colégio.

O rapaz caiu desacordado.

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Amanda andava alguns passos a frente de Santana. Elas estavam desviando da multidão de alunos desesperados pela queda de energia, que saíam pela frente. Ao contrário dos outros, elas sairiam pelos fundos, pois o carro de Amanda estava estacionado por aqueles lados.

Assim que a ruiva pisou no lado de fora, ela viu Brittany há poucos metros de distância.

A garota ainda estava com a camiseta do Espantalho e uma expressão furiosa no rosto. A ruiva engoliu seco diante da imagem.

"Mandy, está tudo bem aí?" Santana perguntou, chamando a atenção de Amanda, que olhou para ela em um segundo, e assim que seus olhos voltaram na direção em que a loira estava, não havia mais ninguém ali. "Você viu alguma coisa?" Santana perguntou, e olhou para a mesma direção que Amanda.

"Não... Vamos embora daqui, eu vou te levar para casa." Ela respondeu, e junto da namorada foram para o carro.

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Assim que Brittany chegou em casa, seus pais vieram ao seu encontro. Eles estavam muito preocupados, pois ela passara o dia todo sem dar notícias.

Ela havia tirado a camiseta do Espantalho e colocado a sua, pois não queria seus pais soubesse daquilo, na verdade, ela não queria que ninguém soubesse.

"Brittany, nós estávamos preocupados." Martha quebrou o silêncio

"Se você planejou passar o dia na cidade, deveria ter nos avisado." Jonathan falou em tom repreensivo.

"Eu não queria, mas aconteceram algumas coisas, e... Eu estou bem, só com fome e sono." Ela sorriu ao dizer isso. Estava muito feliz por aquele pesadelo ter acabado, e ela poder estar de volta a sua casa.

"Eu fiz aquela torta de maçã que você adora." Martha falou. Ela sabia que sua filha estava chateada com ela e Jonathan, e iria fazer o máximo possível para agradá-la.

"Obrigada, mãe." O sorriso de Brittany foi o mesmo de quando Martha a pegou no colo pela primeira vez. "Eu vou lá na cozinha então."

Assim que a garota deixou a sala, Jonathan e Martha se entreolharam, um misto de culpa e medo carregava o ar naquele momento.

"Nós precisamos falar a verdade para ela, eu acredito que o momento chegou." O homem disse, colocando as mãos no bolso.

"Jonathan, eu ainda acho que ela é muito nova, ela só tem dezesseis anos..." Martha respondeu. "Eu não sei como ela vai reagir diante disso, eu acho que não vai ser bom."

"Ela tem o direito de saber Martha, é a vida dela." Jonathan disse. "Eu sei que vai ser difícil, mas nós temos que deixar bem claro para Brittany, que não importa o que acontecer, nós estaremos ao lado dela sempre."

A mulher abraçou o marido, e ele lhe deu um beijo na testa, afinal das contas, ele estava certo.

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Próximo capítulo: Metamorfose.

Martha e Jonathan Pierce abrem o jogo sobre como eles encontraram Brittany com a garota, ao mesmo tempo um jovem apaixonado e obcecado coloca a vida de Santana em risco, fazendo com que Brittany e Amanda esqueçam de suas diferenças e trabalhem juntas para salvar a garota.


*Eu imagino a personagem Amanda como a Marissa do TGP.( Eu não assisti, mas eu sei que ela adoraria fazer um par romântico da Santana, e eu acho ela bem bonita, espero que vocês tenham gostado dela)
*Por favor, seja qual for a sua opinião sobre o capítulo ou a fic, deixe um review ;)
*Até a próxima.