Enquanto Hayley levava Kimberly até o hospital, a mulher ao seu lado não conseguia acalmar seus pensamentos. Lágrimas rolavam por seus olhos e ela se perguntava o que poderia ter acontecido. Encostando sua cabeça no vidro do carro, Kimberly fechou os olhos e deixou seus pensamentos levarem-na para outro lugar, pelo menos era uma forma de relaxar um pouco enquanto aquele sentimento angustiante não a deixava em paz.

Não demorou muito para chegarem ao hospital, Kimberly praticamente nem permitiu que Hayley estacionasse direito o carro e saiu em disparada pela entrada principal da ala de emergência, perguntando por Tommy. Uma enfermeira a segurou pelos ombros e pediu que se acalmasse por um segundo que ela iria explicar tudo. Hayley entrou em seguida e parou ao lado da garota, prestando atenção em tudo o que a enfermeira explicava. Kimberly por outro lado não ouvia nada do que saía da boca da enfermeira à sua frente, seus sentidos a diziam para ir direto à sala em que Tommy se encontrava, mas o suave aperto da ruiva em seu braço a puxou para a sala de espera.

- Hayley, preciso ver o Tommy. – Ela praticamente implorava. Hayley respirou fundo percebendo que Kimberly não havia prestado atenção nas palavras da enfermeira, assim respirou fundo e falou calmamente para Kimberly.

- Ele está na sala de cirurgia Kim, precisamos esperar até que o levem para o quarto. – Respondeu a ruiva abraçando a morena ao seu lado, tentando transmitir algum tipo de conforto. O celular de Hayley tocou repentinamente e no ID ela pôde ler o nome de Jason, atendendo em seguida. – Hey Jase! – Ela esperou até que o rapaz a respondesse.

Jason Lee Scott havia ligado algumas vezes para o celular de Kimberly, mas ela não havia atendido, assim, resolveu ver com Hayley se ela sabia se estava tudo bem com sua irmã caçula.

- Hey, Hayley! Sabe onde está a Kimberly? Estou ligando no celular dela e ela não atende. – Soou a voz preocupada de Jason no telefone.

- Ela está aqui ao meu lado Jason. – Respirando fundo a ruiva começou a explicar a situação. – Tommy acabou de sofrer um acidente, está na sala de cirurgia. Se você e Trini puderem aparecer por aqui, vai ser de grande ajuda.

Jason não acreditava no que seus ouvidos escutavam. Como assim Tommy Oliver sofreu um acidente de carro? Ele era uma das pessoas mais cuidadosas que ele conhecia quando se tratava de dirigir, principalmente depois que se casou com Kimberly.

- Estamos a caminho Hayley. – Foi tudo o que Jason respondeu.

Enquanto esperava por uma palavra do médico que atendia seu esposo, Kimberly, recostada em Hayley, acabou caindo em um sono, mas é claro que ela não teria paz nesse pequeno momento. Sua mente a levou a um pesadelo:

Kimberly entrava em uma sala escura, totalmente perdida chamava por Tommy com voz embargada de preocupação, quando escutou um forte estrondo e virou-se para trás, vendo um jipe completamente destruído e um rapaz de estatura alta, cabelos escuros e curtos, desacordado, deitado ao chão com sua pele ensanguentada. Rapidamente ela o reconheceu:

- Tommy... Por favor, não! Acorda! Por favor! Não me deixe aqui... – O desespero tomava conta da mulher, lágrimas rolavam pelo seu rosto. Tommy não a respondia. – Você prometeu não me deixar Tommy! Por favor, acorda!

Kimberly não aguentava mais, não pensava direito e ver Tommy naquele estado não a ajudava. Ela não conseguia pensar, ele não se movia e aquilo fazia seu coração apertar e se quebrar em mil pedaços. Foi quando ela o abraçou e gritou por seu nome.

Kimberly acordou no hospital com braços fortes a abraçando, olhando para a pessoa que a abrigava em seus braços de forma tão protetora e chorou, segurando com força em sua camisa. Ver Jason ali, como sempre, ao seu lado, cuidando dela a fez se entregar a dor que sentia.

Jason havia chegado ao hospital havia apenas alguns minutos, do outro lado de Kimberly, Trini acariciava seus cabelos e olhava preocupada para sua amiga de infância, se havia um momento na vida em que ela viu Kimberly tão frágil como naquele momento foi quando seus pais se separaram. Kimberly era apenas uma criança nos seus doze anos de idade vivenciando algo tão dolorido e mesmo assim, nunca deixou de ser aquela menina alegre e que sempre era a primeira a dar apoio aos seus amigos. Seria irônico dizer que foi ela quem uniu Jason e Trini Kwan para começar. Sempre atenta as expressões corporais das pessoas que a cercavam, Kim teve a capacidade de ver o amor que existia entre ela e seu agora esposo. Respirando fundo, Trini deixou um beijo nos cabelos de sua amiga e também a abraçou, sem afastá-la de Jason.

Alguns minutos depois o médico entrou na sala perguntando por Kimberly Oliver. No mesmo instante a garota se levantou e foi de encontro ao médico que lhe disse que poderia ver Tommy.

Enquanto entrava no quarto, Kimberly não podia deixar de notar a pele pálida de seu marido, os cabos que ligavam as suas pulsações vitais ao aparelho e o suave "beep" da máquina que indicava que o rapaz estava vivo. Respirando profundamente Kimberly caminhou em direção a cama e parou ao lado de Tommy, segurando em sua mão enquanto entrelaçava seus dedos com os dele. Segundo o médico, ele ainda dormia devido a anestesia e seu estado era estável. Sorrindo Kimberly começou a conversar com Tommy, estava sozinha com ele naquele quarto:

- Hey lindo! – Ela sussurrou e um suave sorriso apareceu brevemente em seu rosto antes de continuar. – Você precisa sair dessa, sabia? Você tem um alguém para ensinar Artes Marciais chegando ao mundo em breve. Lembra quando a gente conversou sobre ter um filho algumas semanas atrás? Então, hoje descobri que que nosso primeiro filho já está a caminho. – Ela sorriu brevemente e olhou para o seu ventre, o acariciando com a mão livre. – Acho que sou mais forte de que pensei que fosse. – Sussurrando Kimberly voltou seu olhar para o rosto de Tommy e notou que sua expressão agora estava suave, melhor do que estava quando entrou no quarto. Kimberly se inclinou sobre a cama em que Tommy estava e deixou um beijo suave em sua testa.

As horas passavam e Kimberly não saía do lado de Tommy por um único minuto. A novidade que contou para ele ainda não havia contado para ninguém, queria que apenas ele soubesse no momento, queria que ele fosse o primeiro a saber da notícia quando acordasse, a ideia fora essa desde o princípio, por isso que havia combinado de encontra-lo no Café antes de ir para Reefside High School onde ela mesma era treinadora da equipe de ginástica artística do Colégio. Ela soube da notícia algumas horas antes, havia decidido não ir trabalhar hoje pela manhã para verificar os motivos dos enjoos que vinha sentindo nos últimos dias, a ideia foi do próprio Tommy que estava preocupado com a esposa que não aguentava sequer tomar seu café da manhã direito.

Trini e Hayley entraram no quarto, cortando os pensamentos de Kimberly, ambas sorrindo para a amiga. Trini sentou-se ao lado de Kimberly no sofá que se encontrava ao lado da cama de Tommy e a abraçou.

- Como ele está? – Perguntou enquanto confortava a amiga.

- Na mesma! Pelo menos a expressão dele parece estar mais tranquila. – Kimberly suspirou e notou que Hayley se aproximava dela com um copo de suco nas mãos. Repentinamente, o cheiro do conteúdo invadiu suas narinas e uma sensação de enjoo a perturbou, fazendo-a correr para o banheiro.

Sem saber o que havia acontecido, Trini e Hayley foram atrás de Kimberly e a encontraram debruçada sobre o vaso. Trini correu para o seu lado e segurou seus cabelos para que não sujassem.

- Você almoçou hoje Kim? – Trini perguntou preocupada.

- Sim, mas muito pouco. Nada está parando em meu estomago e preciso selecionar com cuidado o que como. – Kimberly respondeu enquanto se levantava ao perceber que o enjoo havia passado, se ajeitando para voltar ao quarto.

- Você não está grávida? – Foi a vez de Hayley perguntar.

- Porque diz isso? – Kimberly não queria esconder por muito tempo a novidade dos seus amigos, mas a preferência era do Tommy, ela queria muito que ele acordasse para contar a novidade enquanto ele estivesse consciente.

- Bom, seu corpo está mais encorpado Kim, e você sentiu enjoo com o cheiro do suco, pelo que pude perceber e no café, você apenas tomou um copo de café sem açúcar. Seletiva demais, não acha? – Kimberly sorriu ao ouvir Hayley mas não confirmou e nem negou o que ela disse, apenas voltou ao quarto.

Observando Tommy ainda dormindo Kimberly sorriu e pensativa voltou a olhar para as meninas:

- Eu tive uma ideia. Trini, onde o Jason foi? – Disse com uma voz mais animada olhando sua amiga de infância.

- Em casa pegar um casaco para a gente, está um pouco frio lá fora. Por quê? – Trini olhou desconfiada para a amiga.

- Preciso que ele passe em casa e pegue meu violão. Vou fazer uma coisa para o Tommy. – Disse sorrindo um pouco mais animada para a amiga que apenas confirmou com a cabeça enquanto saía do quarto para ligar ao seu esposo.

Ao ver Hayley sair do quarto também, Kimberly voltou ao lado de Tommy e voltou a segurar em sua mão enquanto dizia para ele:

- Não esqueça que nosso sonho está quase completo meu amor. Só faltam nossos filhos chegarem ao mundo. Já temos a nossa casa, a nossa vida já é uma delícia como casal, imagina quando as crianças chegarem. Fique comigo para sempre, sempre e sempre. Para as coisas boas ou ruins, vamos envelhecer juntos, e sempre nos lembrar seja na riqueza ou na pobreza, para o bem ou para o mal. Vamos permanecer nos amando, Forever and Always. – Kimberly sussurrou no ouvido de Tommy e depositou um beijo carinhoso nos lábios de seu amor, sorrindo ao notar que ele havia acordado.

Sentindo o coração acelerado, Kimberly esperou até que Tommy abrisse seus olhos, sendo ela a primeira coisa que ele veria em sua frente naquele momento. Ele sorriu fraco, ainda estava sob o efeito da anestesia que começava a passar.

- Eu te amo princesa! – Foi a primeira frase que Tommy disse ao ver os olhos de sua amada, levando uma mão ao ventre dela, deixando claro que ele a havia escutado quando lhe contou sobre o bebê, o que a fez sorrir mais abertamente e alisar o rosto do rapaz.

She pulls up to the entrance

She walks right to the front desk

They lead her down a million halls, a maze that's never ending

They talk about what happened but she can barely hear them

She tries to keep a straight face as she walks into the room

She sits by his bedside, holds his hand too tight

They talk about the kids they're gonna have and the good life

The house on the hillside, where they would stay

Stay there forever, forever and always

Through the good and the bad and the ugly

We'll grow old together, and always remember

Whether rich or for poor or for better

We'll still love each other, forever and always