CAPITULO 2

(Ciudad de México- México)

(Victoria está a descer as escadas, após ter acordado. Vê Rebeca, a governanta, que está a sua espera)

Victoria- bom dia Rebeca! Sirva-me o meu café por favor!

Rebeca- sim senhora! Ah… senhora, espere!

Victoria- o que foi?

Rebeca- a dona Patrícia está na saleta a sua espera.

Victoria- Patrícia? A esta hora? Mas já chegou da viagem? (retórica)

(Victoria entra na saleta e vê Patrícia a admirar o grande retrato de Victoria que está sob a lareira)

Victoria- bom dia Patrícia! Estavas a minha espera?

Patrícia- sim! Querida amiga… já tinha saudades tuas!

Victoria- e eu de ti Patrícia!

(as duas abraçam-se. Enquanto abraça Victoria, Patrícia faz cara de asco. Ela é fria e calculista, não gosta da Victoria, apenas finge ser sua amiga porque tem interesse em Frederico. Patrícia sabe que Victoria não ama o Frederico e, por tanto, para ela seria muito fácil conquistá-lo)

Patrícia- mas então, conta-me como vão as coisas nesta casa! Como está o Frederico?

Victoria- de saúde está muito bem! (desvia o olhar)

Patrícia- de saúde? Como assim? Está tudo bem entre vocês?

Victoria- bem… na verdade não, nunca estivemos pior. Ontem anoite o procurei para fazermos amor e ele rejeitou-me. Frederico já não me ama. (volta a desviar o olhar com um ar de tristeza)

(Patrícia acompanha o olhar de Victoria, mas logo levanta a sobrancelha e abre um pequeno sorriso malicioso)

Patrícia- então ele já não comparece? Mas não digas isso! Talvez ele só esteja um pouco cansado… não sejas fantasiosa! (diz sem mostrar interesse)

Victoria- não, não é cansaço! Há tempos que não há nada entre nós. Mas isso o que me importa? Já não o amo há muito tempo. Por mim, se ele quisesse divorciar-se, era o melhor a fazer!

Patrícia- então não te importavas que ele tivesse uma amante?

Victoria- nem um pouco! Alias, melhor seria para mim porque isso me daria o direito de ter um amante também. E acredita que vontade não me falta!

Patrícia- e por que não arranjas?

Victoria- por respeito ao meu marido! Apesar de tudo, sei que ele seria incapaz de me trair. Mas já chega de falar de mim. Agora diz-me tu! Como estás?

Patrícia- estou bem, a viagem foi longa mas foi proveitosa!

Victoria- ah sim? E conheceste algum francês que te agradasse? (sorrindo)

Patrícia- ai quem me dera… mas sabes que assim estou bem?! Afinal, antes só que mal acompanhada!

Victoria- tens razão, tu estás só e eu mal acompanhada.

Patrícia- oh Victoria, perdão! Eu não quis que te sentisses mal! (com frieza. Patrícia acabara de tocar no ponto fraco e Victoria, e propositadamente)

Victoria- eu sei minha amiga! Tu serias incapaz de me fazer mal.

Patrícia- claro que não. Eu adoro-te! (Patrícia olha Victoria cinicamente) Bom, já é tarde e eu tenho de me ir embora. (levanta-se)

Victoria- não, não vá! Fica e almoça comigo!

Patrícia-não posso. Tenho que desfazer as malas… ainda mal cheguei. Depois falamos! Ok?

Victoria- está bem! Ver-nos-emos depois!

(Victoria leva Patrícia até a porta e despede-se dela com um abraço.)

(fora da casa)

Patrícia- maldita mulher! (a fazer voz fina) "fica mais um pouco"! Ela deve pensar que eu tenho a vida dela. Mas um dia, minha querida "amiga" isso tudo será meu! Maldita, maldita mil vezes!

(em Lisboa- Portugal)

(Cesar está a descer as escadas. Ele vai atras de Paula e pega-a pelo braço)

Paula- solta-me! Qual é o teu problema?

Cesar- não! Eu quero saber qual é o teu problema!

Paula- do que estás a falar? Solta-me! Estás-me a magoar!

Cesar- não vou soltar-te até me dizeres o que tens! Já não me amas Paula ou será que já arranjaste outro?

Paula- solta-me! (solta-se com ira) Estás parvo ou o que? Mas que raio de perguntas são essas?

Cesar- não sei, diz-me tu! Eu procuro-te e tu rejeitas-me. E isso não foi só uma vez. Tu o fazes todos os dias. Já não aguento mais a tua indiferença Paula, já não aguento mais!

Paula- ah, claro! Como eu não quis fazer amor contigo, ficastes assim. O que é? Agora sou obrigada a comparecer todos os dias ou quando queres? Quem já se fartou fui eu! Já estou farta das tuas birrinhas infantis! Eu casei-me com um homem e não com um puto? - (menino/criança)

Cesar- Paula, por favor, não me faças pensar que… (é interrompido por Francisco)

Francisco- boa tarde! Está tudo bem? Eu ouvi gritos…

(Paula e Cesar olham-se com raiva. Paula pega a sua bolsa, que estava em cima da mesa de centro, e sai)

Cesar- Paula, ainda não acabamos de falar! Paula!

Francisco- pai, o que é que se passa? Porque a mãe está assim?

Cesar- por nada. Não te preocupes que nós resolveremos!

(Cesar sai atras de Paula mas já não a escontra)

Cesar- (conversando consigo mesmo) aí Paula, Paula… já começas a me cansar.

(de repente ouve-se uma voz. É Fernando, amigo de Cesar)

Fernando- Cesar, olá! Eu acabei de ver a Paula sair com o carro e parecia aborrecida. Está tudo bem?

Cesar- não, não está! Entra para eu contar-te!

(no escritório de Cesar)

Fernando- e então quer dizer que ela já não tem interesse em ti? Sexualmente falando.

Cesar- é… parece que é isso mesmo. Sinto-me só e abandonado! Ontem ela nem me deixou ver os seus ombros nus. (Cesar levanta-se e vai rumo à janela) ela está sempre indiferente comigo, longe, distante… a pensar em outra coisa. (Cesar está na janela a olhar para o horizonte)

Fernando- achas que ela tem outro?

Cesar-não sei! Sinceramente, não tenho certeza de mais nada.

Fernando- ainda a amas?

Cesar- não sei… talvez… (Cesar abaixa o olhar com tristeza)

Fernando- talvez vocês precisem de uma segunda "lua-de-mel".

(Cesar vira-se para Fernando com um ar surpreso)

Cesar- tens razão! Uma segunda "lua-de-mel" seria o melhor para o nosso casamento. (vai até Fernando. Está animado) - Imagina só: nós os dois, numa praia paradisíaca ou então em Miami ou então… (é interrompido por Fernando)

Fernando- calma lá amigo! É justamente isso que não deves fazer. Conhecendo a Paula, ela quer romantismo e não aventuras!

Cesar- e o que pode ser mais romântico que fazer amor numa praia?

Fernando- fazer amor em Paris!

(Cesar fica entusiasmado e com um ar de quem já sabe o que fazer. Ele gosta da ideia)

(Em Ciudad de México-México)

(Frederico está no quarto quando Victoria entra)

Victoria- meu amor! (contente) que bom encontrar-te tão cedo! (começa a beijá-lo)

Frederico- Victoria, para lá! Não tenho tempo. (afasta-se dela)

Victoria- e quando é que tens tempo?

Frederico- ah Victoria, não comeces!

Victoria- é a verdade! Sinto saudades tuas meu amor! (aproxima-se dele e começa a beijá-lo)

Frederico- Victoria, querida… por favor! (tira as suas mãos dos seus ombros) Eu agora não tenho mesmo tempo.

Victoria- Frederico, eu acho que nós dois precisamos de um tempo só nosso! O que achas de tirarmos umas férias e irmos para algum lugar romântico? (com uma voz meiga)

Frederico- não! Não precisamos de nada disso! E depois tu vais querer ir para alguma praia ou coisa assim. Eu detesto!

Victoria- vamos para onde tu quiseres! Vá lá, o que é que custa? Vamos ficar juntos, teremos um tempo para voltarmos a ser como antes. (abraçando-lhe por trás)

Frederico- em que lugar estás a pensar?

Victoria- que tal a Europa? É charmosa e romântica. Perfeita para um casal apaixonado.

(Frederico vira-se para Victoria e fica a olha-la. Victoria abraça Frederico e dá-lhe beijos)

Victoria- então meu amor? (acinosa pelo sim)

Frederico- eu não sei! Tenho que pensar bem!

Victoria- mas não há o que pensar. É só dizer que sim e vamos!

(Victoria olha Frederico com aflição. Frederico desvia o olhar. Victoria abraça-o)

FIM (DO 2º CAPITULO)