Autor: Kaline Bogard
Título: O preço de uma escolha
Sinopse: Eu não fazia por maldade. Mas abrir mão daquele caderno seria como abandonar o que sentia...
Banda: the GazettE, Miyavi
Ship: M+K, AxK, M+D
Orientação: yaoi
Classificação:18 anos (só porque é yaoi)
Gênero: amizade, angst, suspense, mistério, sobrenatural, crossover
Observação: Universo Alternativo, fic inspirada em outra fic: "Yaoi Note" (desta que vos escreve), o plot foi total e completamente ambientado em Death Note. E Death Note não me pertence, mas o Yaoi Note sim.. Ah, irei mencionar outros j-rockers, só não sei quem será escalado! Nem tudo fará sentido.
O preço de uma escolha
Kaline Bogard
Capítulo II
Novos achados
Me espreguicei lenta e longamente por alguns segundos antes de recuperar a consciência por completo e perceber que eu não estava em minha casa. Estava deitado no divã de uma das salas privativas da gravadora.
Sentei-me rapidamente, lembrando dos últimos acontecimentos.
- Está se sentindo melhor?
Olhei para Daigo, parado ao lado de uma das janelas, fumando um cigarro e me fitando preocupado.
- Aa, acho que sim.
Ele riu e se aproximou:
- Não acredito que você tombou com tão pouco álcool. Sorte sua que Saga o encontrou no banheiro.
Franzi as sobrancelhas diante da acusação camuflada. Eu não passara mal por causa da bebida! Fora por causa de uma alucinação com um anjo. Hum... teria a bebida algo a ver com aquilo? Meio em dúvida, resmunguei:
- Não foi a cerveja. Não acuse sem saber. Foi outra coisa. - afirmei sem entrar em detalhes. Não ia começar a falar em ilusões angelicais. Ele nunca acreditaria em mim.
Daigo levantou a mão esquerda em sinal de paz enquanto levava o cigarro aos lábios para tragar.
- Gomen nasai.
K'so! O pedido de desculpas não fora dito pelo meu amigo. Não era a voz dele... engoli em seco e olhei para o outro lado do quarto. E ali estava ele. O garoto do banheiro, flutuando erguido do chão pelas lindas asas.
Apontei incrédulo:
- Lá!
Daigo virou-se rápido, arregalando os olhos.
- Nani? Nani?
- Lá! - era tudo o que eu conseguia dizer, enquanto apontava o anjo com o meu indicador trêmulo. - LÁ!
- Miyavi isso não tem graça. Desculpe se não tenho um senso de humor tão sofisticado quanto o seu. - afirmou aborrecido. Em choque, saquei que Daigo não podia ver o terceiro integrante da sala. - Mas já que está bem a ponto de fazer piada, posso ir embora.
Saiu do quarto tão rápido que nem tive tempo de pedir desculpas ou esclarecer o que estava acontecendo. Mas esclarecer como? Dizer que minha alucinação se prolongava?
Estava com os olhos fixos na porta por onde meu amigo saíra, quando captei um movimento. O estranho ser batia as asas e avançava em minha direção. Imediatamente estiquei os braços e ordenei:
- Paradinho aí! Não dê nem mais um passo! - franzi as sobrancelhas com o que dissera. Resolvi concertar. - Não dê nenhuma flutuada.
Ele me enviou aquele lindo sorriso outra vez, e eu me derreti. Adoro covinhas! Senti um forte desejo de puxar aquelas bochechas, mas resisti bravamente. Por motivos óbvios.
- Ele não pode me ver! - afirmou calmamente.
- Quem é você? O que é você? O que quer de mim? - comecei a bombardeá-lo de perguntas. Ele abriu a boca pra responder, ao mesmo tempo em que vinha pra mais perto. Novamente ergui os braços fazendo-o parar o avanço. - Responda daí, sim?
- Hai. Eu estou procurando o meu Yaoi Note. Sabe, perdi ele semana passada, mas não consegui encontrar até agora.
- Yaoi Note? O que é isso? Não tem nada disso comigo, garanto.
O garoto balançou a cabeça:
- Eu só encontrei por que Uruha sentiu o cheiro dele por aqui. E acabamos vindo até você. Poderia me devolver, por favor? Pra eu poder voltar pra casa.
Ao ouvir a explicação fiquei tão aliviado, que ri baixinho. Recostei-me na cama, cruzando os braços atrás da cabeça. Decididamente estava alucinando. E que devaneio interessante era o meu! Não era nenhum anjo da morte, era apenas uma coisa com Bishonen e Yaoi Notes (fosse lá o que fosse aquilo).
Não precisava ser psicólogo pra entender o lance. Acompanhe comigo: eu tivera uma notícia incrível no dia anterior, e desde então as pressões haviam começado. A atenção sobre mim triplicara, e todos, inclusive eu, cobravam um desempenho perfeito dali pra frente.
Era muita coisa pra eu suportar e, portanto, devia estar surtando. Resolvi que só precisava ignorar aquela miragem falante por algum tempo. Conseqüentemente meu inconsciente me alertava pra tomar mais cuidado e relaxar. Assim que tudo se acalmasse as ilusões sumiriam.
- Hai, hai. - sorri benevolente. - Pode ficar por aí o quanto quiser. Vigie meu sono enquanto me recupero do desgaste.
Fechei os olhos devagar, observando a reação da "ilusão de ótica". A expressão dele se tornou surpresa, depois triste. Foi tão espontâneo e verdadeiro que quase me fez mudar de idéia quanto a estar alucinando.
Quase.
oOo
Fiquei mais um tempo descansando até resolver sair da sala. A maioria das pessoas já estava envolvida em algum tipo de atividade por isso desisti de procurar Daigo e me desculpar pelo incidente de mais cedo. Teria que inventar algo pra ele, pois não podia simplesmente anunciar a visão angelical.
Fui procurar minha staff, pensando em tudo o que teria que fazer, que preparar. O tempo todo era seguido pelo garoto, que flutuava alguns passos atrás de mim. Não tentava puxar conversa.
Quando o dia acabou pude voltar pra casa. Entrei no carro, olhando pra ver se a ilusão estava atrás de mim, e estava. Literalmente bem acomodada no banco de trás. Me enviou um dos sorrisos fofos, que me desarmavam, mas não disse nada.
Suspirei resignado. Podia me acostumar com aquilo. Desde que minha psicose não evoluísse a níveis agressivos, não haveria perigo pra ninguém.
Cheguei em casa aliviado. Nada melhor do que o lar! Pensei no que fazer: tomar banho ou preparar algo pra comer? Decidi pelo banho.
Estava passando pela sala quando vi o meu novo diário jogado sobre o sofá. A ilusão viu também. Ele riu animado e apontou:
- É o meu Yaoi Note, Uruha! - olhou-me firme antes de continuar - Okaette onegai shimasu!
Franzi as sobrancelhas intrigado: - Isso é um Yaoi Note? – peguei o caderno - Ne, meu nome não é Uruha.
- Ah, mas eu não estava falando com você. Pode me devolver, onegai? Daí eu vou embora e você nunca mais me verá!
Olhei para o caderno que encontrara no dia anterior. As coisas estavam começando a fugir um pouquinho do controle. Desde quando tenho uma imaginação assim tão fértil? E pelo visto meu amiguinho imaginário também tinha lá suas ilusões. Quem seria Uruha?
- E se eu não quiser devolver?
Ele arregalou os olhos chocado: - Se você não me devolver nunca mais poderei voltar pra casa!
Balancei a mão e coloquei o caderno de volta no sofá.
- Vou tomar um banho, e pensarei no seu pedido. Até lá não mexa no caderno.
Ele apenas me olhou com aqueles olhos brilhantes e suplicantes, mas não disse nada. Sai da sala direto para o banheiro. Ainda agia como se tudo não passasse de um surto mental. Criativo, admito, mas nem um pouco real.
Tomei um longo banho, pensando na história do Yaoi Note. Tinha que rir. Por que justamente um Yaoi? Por que nada hetero? Talvez outra indicação do meu inconsciente? Daigo estava mexendo comigo, admiti. K'so, notei que meus dedos começavam a enrugar, eu demorara demais embaixo do chuveiro, pra variar.
Sai do banho e fui para o quarto. Não ia desfilar de roupão na frente daquele estranho (mesmo achando que era uma ilusão). Me sequei e coloquei um pijama de flanela, apesar do apartamento estar aquecido.
Voltei pra sala e não vi mais o garoto. Corri pra olhar o tal Yaoi Note, mas ele estava no mesmo lugar em que o deixara, intocado. Estranho.
Teria me curado do surto? As ilusões haviam acabado? Tão simples assim? Infelizmente nada na minha vida era simples. Ouvi uma risadinha esquisita... que parecia vir de trás do sofá.
Andei cheio de precauções até lá. Quase cai pra trás com o que vi: o garoto estava com as asas espremidas, encostado na parte de trás da poltrona, com uma expressão... bêbada! A frente dele, três das garrafas de Whisky, que reconheci serem do meu mini bar, estavam abertas e vazias!
E, mais surpreendentemente ainda, um caderno idêntico ao que eu encontrara, permanecia largado à esquerda do meu visitante.
Eu não sabia o que fazer: se brigava com ele por ter mexido nas minhas coisas, por ter esvaziado tão rápido três das minhas melhores garrafas de Johnnie Walker Black, importadas. Ou se o socorria em vista do estado de quase coma alcoólico.
Acabei não fazendo nada daquilo. Não resisti a tentação de pegar o outro caderno. Algo sobrenatural me intrigava. Foi mais uma das escolhas que fiz, com as quais teria de arcar com as conseqüências.
Pus-me de cócoras, lançando um olhar reprovador para o garoto a minha frente, que apenas riu bobo, acompanhando meus movimentos feliz, feliz. Abençoado seja o álcool. Assim que peguei no caderno, um outro garoto se materializou praticamente do nada, encostado no sofá ao lado do rapaz de cabelos pretos repicados.
Surpreso, observei aquele novo visitante. Ele parecia mais alto que o primeiro, tinha cabelos loiros, com uma franja um tanto longa, e era mais delicado, quase feminino. Também usava roupas negras, com a diferença de que, ao invés de calça, trajava um short mais curto do que eu recomendaria. Também ostentava um grande par de asas, apertado contra o tecido da poltrona.
A expressão do jovem era ainda mais bêbada. Ambos estavam bem, bem, bem altos. Céus, teriam uma senhora ressaca pela manhã.
Esse segundo garoto apontou o Yaoi Note na minha mão e riu, parecendo achar a coisa mais divertida da face da Terra. Olhei do caderno para os garotos. A idéia de que tudo não passava de ilusão já não me convencia mais.
Posso ser classificado de muitas coisas, porém burro não sou. Acabara de esbarrar em algo. Algo grande. Tinha a minha frente uma nova escolha. E no momento acreditei que não me arrependeria: apertei o caderno entre os dedos e cantarolei:
- Achado não é roubado...
Os dois se entreolharam ao ouvir o que eu dissera, aparentemente sem entender nada. O loiro bateu palminhas animadas, antes de apagar. O moreno suspirou de leve e também se foi pra terra dos sonhos.
Eu sorri. Me apressei a pegar o primeiro caderno e escondi ambos embaixo do acento do sofá. Eles nunca encontrariam ali. Depois ajudei aqueles dois e coloquei-os pra dormir na minha cama.
- Espero que não resolvam vomitar. - apesar de reclamar, eu estava animado, novamente elétrico, sem poder acreditar que tinha dois seres sobrenaturais dormindo sobre o meu colchão!
Ambos eram bem reais, pude tocá-los, tocar as asas brancas... não estava alucinando, nem surtando. Decididamente, no dia seguinte, colocaria tudo em pratos limpos.
Continua...
