Capítulo 1: O Príncipe de Las Noches
Aizen havia passado boa parte da manhã a escolher a decoração para o novo quarto do "seu" bebé. De forma alguma deixá-lo-ia ficar naquele quarto frio e vazio que pertencera outrora ao Cuatro Espada.
O menino despertou com fome da sua pequena sesta e Aizen chamou imediatamente a Tres Espada.
― Harribel, leva o Ulqui-chan à cozinha e prepara-lhe algo para comer, enquanto eu termino os retoques do quarto e preparo algumas roupas novas e mais adequadas.
― Sim, Aizen-sama. ― Harribel pegou na mãozinha do pequeno e levou-o a comer algo.
― Vejo que traz o Pequeno Príncipe ― disse Mila Rose, agachando-se para ver melhor a criança.
― Pequeno Príncipe? ― perguntou a Espada confusa à sua Fracción.
― Ainda não sabia, Harribel-sama? Vários Arrancars começaram a chamar Príncipe de Las Noches ao Cuatro ― disse Apacci ―, devido à atitude de papá babado que Aizen-sama passou a ter para com ele.
― Não digas isso de Aizen-sama! ― exclamou Sung-Sun alterada ― Aizen-sama é um grande homem e está orgulhoso de ser o pai de Ulqui-chan.
― Em momento algum afirmei o contrário. De facto, Aizen-sama está orgulhoso do Cuatro tal qual um verdadeiro pai babado ― disse Apacci entre risinhos afogados.
As duas Fracciónes continuaram a sua discussão diante de um par de inocentes e brilhantes olhinhos que não compreendiam nadinha de nada do que decorria perante si. O pequeno com fome e cansado de ser ignorado por causa das duas brutas que se faziam chamar mulheres, puxou o traje de Harribel para que esta o alimentasse.
― Que foi, bebé?
― Fome!
Harribel sentou o pequeno sobre uma cadeira com várias almofadas, de forma a que este pudesse alcançar o topo da mesa e dispôs-se a preparar-lhe o almoço.
As Fracciónes pararam o seu confronto para ver melhor o que fazia a sua líder.
― Se Aizen-sama é o papá… ― começou a dizer Mila Rose.
― … está Harribel-sama a tentar ser a mamã? ― concluiu Sung-Sun.
Harribel ficou surpresa com o pensamento das suas Fracciónes e pensou por longos momentos, terminando por concluir que não era uma ideia de todo absurda. Afinal… "todas as crianças necessitam uma figura materna", concluiu em voz alta sem sequer se aperceber.
― Nem mais ― disse Mila Rosa ―, com esses airbags de tamanho jumbo, Harribel-sama, transmite um "grande"... sentimento… hm… maternal.
― Sim, já sabem o que se costuma dizer: quanto maiores os melões, melhor a mãe! ― Apacci riu-se da sua própria teoria descabelada.
― Isso quer dizer… que se Aizen-sama é o papá e Harribel-sama a mamã… Então… eles são um algo assim como um casal!? ― questionou Sung-Sun confusa, recebendo uma cacetada de cada lado da face por parte das restantes Fracciónes.
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Aizen ainda continuava na sua importante missão para decidir quais eram os melhores tecidos para confeccionar os novos trajes do seu bebé.
"Talvez aquele branco com umas finas listras esmeraldas… Combinaria perfeitamente com os seus olhitos! Ou talvez aquele branco… tem uns belíssimos padrões em tons esverdeados… Seria perfeito para o colarinho e as mangas. Ai… Não me consigo decidir, qualquer coisa ficaria bem no meu Ulqui-chan que, a propósito, já deveria ter regressado com a Harribel", pensou o Rei de Las Noches.
Aizen deixou tudo o que estava a fazer para iniciar a busca pelo Pequeno Morceguito. Depois de longos e quase eternos… segundos, encontrou-o de mão dada a Szayel que o enganava com a promessa de doces para que o infante o seguisse até ao seu laboratório.
"Esta será a minha maior descoberta científica! Mal posso esperar para começar com os testes… Oh!", Szayel estremeceu devido ao prazer quase orgásmico que o embargou perante o mero pensamento das inúmeras experiências que faria com o Cuatro Espada, sendo interrompido logo de seguida pela expressão digna de psicopata que apresentava a face do Rei de Las Noches.
― O que é que pensas que estás a fazer com o meu bebé, Szayel? Essa não é direção daquela abominação a que chamas laboratório, certo?
"Abominação!?", exclamou o homem de cabelo rosado escandalizado na sua mente, abrindo a boca de espanto e começando a gaguejar uma desculpa esfarrapada:
― Hm… Eu? N-Nada… Só ia fazer… alguns… hm… testes. ― Ao sentir a sua vida em perigo à medida que a veia na têmpora de Aizen palpitava gravemente, ameaçando explodir a qualquer momento, o cientista optou por tentar amenizar o impacto das suas palavras. ― Não há nada c-com o que s-se preoc-cupar, Aizen-sama, só queria… hmm… assegurar-me que o Cuatro Espada está em perfeita saúde.
― Compreendo. Sendo assim, não te importas que te acompanhe, não é mesmo?.
Szayel quase chorou ao dar por perdida a oportunidade de concretizar a sua maior façanha.
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― Senta-te aqui ― disse o cientista "louco" (na opinião de praticamente todos os habitantes de Las Noches, para não dizer absolutamente todos), apontando para uma marquesa.
O pequeno pôs-se a olhar e concluiu que o senhor de cabelo cor de chiclete não era muito inteligente. Como é que ele supunha que, sendo ele próprio tão baixinho, se sentaria sozinho num sítio tão alto?! Mas antes de poder exteriorizar os seus pensamentos, o papá Ai pegou-o ao colo e sentou-o prontamente na marquesa sem mais delongas.
Szayel reuniu as suas ferramentas de investigação e começou a organizá-las por ordem de utilização, para terror da criança: um set de três espéculos auriculares Hartmann em aço inoxidável de 4, 5 e 6 mm; um bisturi Paragon descartável estéril n° 10; um aspirador Super Vega com 1 vaso de 1 litro – 40 lit/min; um agrafador cutâneo descartável – medida pequena; suturas não absorvíveis Ethicon Mersilene de fibra de poliéster; uma agulha 3/8 de 24 mm, USP 3/0 – branco; uma lupa Binocular Heine C 2,3x/340 mm.
O menino tremia por todos os cantos e esquinas perante a mera visão de vários objetos afiados e tantas outras coisas que não queria nem sequer começar a imaginar para o que é que serviriam.
A informação que correu pouco depois em Las Noches, foi que o cientista havia sido enclausurado na parte mais aterradora do palácio, onde nem os três Shinigamis se aventuravam a ir a menos que fosse estritamente necessário. Com esta notícia, todos os habitantes de Las Noches ficaram inteiramente conscientes de que o Pequeno Príncipe era absolutamente intocável.
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A noite chegou rapidamente, e Ulquiorra foi capaz de estrear o seu novíssimo quarto que, por "mera coincidência", possuía uma porta que fazia ligação direta ao dormitório de Aizen (feita por ordem expressa do mesmo, claro).
Na manhã seguinte, uma certa Pantera encontrava-se a vaguear pelas imediações dos aposentos de certo morceguito, quando foi apanhada por Gin.
― O que estás a fazer aqui, gatito?
― Quantas vezes tenho de te relembrar que sou uma pantera e não um gato? ― questionou Grimmjow com as orelhas visíveis e claramente eriçadas.
― Continuo sem resposta à minha pergunta ― disse Gin com o seu eterno e fingido sorriso. ― Talvez deva informar Aizen sobre isto. ― E, como quem não quer a coisa, começou a andar em direção ao quarto do dito cujo, diminuindo o passo de vez em quando para mandar uns olhares suspeitos à Sexta Espada.
― Está bem! ― exclamou o homem de cabelos azuis quase num grito ― Eu digo-te, mas não chames esse imbecil.
― Sou todo ouvidos, como dita a sabedoria popular! ― Com uma voz de cantaria, Gin começou a rodear a Pantera, deixando-a muito constrangida.
― Ouvi as Fracciónes de Harribel a conversar sobre o que aconteceu ontem…
― Sim…? E que mais?
― Queria passar um tempo com o estúpido morcego sem sentimentos.
― Isso porque…? ― interrogou com curiosidade, aguardando a conclusão da sentença anterior.
― Não sei, ok? Talvez seja simples curiosidade pelo que aconteceu, mas tenho vontade de o ver. Tens algum problema com isso, Zorro Trapaceiro?
― Nah, nenhum. Aliás vou dar-te uma pequena ajudinha.
― Tu? Ajudar-me… a mim? Achas que realmente vou acreditar nisso?! Tu não ajudas ninguém a não ser a ti mesmo.
― Nem mais! E ao ajudar-te vou estar a ajudar-me a mim mesmo. Acaso não é uma proposta de benefício mútuo?
O próximo que Grimmjow soube, foi que estava a seguir o Shinigami que se movia sorrateiramente, até à área da Primera Espada.
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Lilynette estava muito feliz por finalmente ter conseguido um companheiro de jogos, visto que Starrk era um preguiçoso de primeira que só queria dormir o tempo todo e não lhe dava atenção nenhuma.
Os dois "pequenos" corriam de um lado para o outro para tormento de Starrk, que por mais que tentasse não conseguia dormir com toda a barulheira que os menores faziam. Mal estava a pegar no sono quando Lilynette e Ulquiorra lhe caíram em cima.
― Deixem-me dormir, por favor ― implorou o adulto, bocejando abertamente com lágrimas de sono no cantinho dos olhos.
― Não! ― exclamou a jovem com tom de regozijo ― Deves brincar connosco.
― Sim! ― festejou o morceguito ― Brincar! Vamos brincar! ― finalizou o bebé, atirando-se contra o maior e abraçando-o pelo pescoço.
E foi desta forma que o Shinigami e a Sexta Espada os encontraram: Stark deitado no chão com o Pequeno Príncipe abraçado a ele e Lilynette sentada sobre as suas pernas impedindo-o de realizar qualquer movimento.
Grimmjow não conseguia manter a mandíbula fechada, tal era o choque. Enquanto isso, Gin aproximou-se do estranho grupo e agachou-se em frente do bebé.
― Ulqui-chan, queres comer um gelado?
O pequeno piscou os olhos e respondeu.
― O papá Ai diz que não posso aceita' coisas de est'anhos, po'que podem se' uns basta'dos pe've'tidos que me que'em sequest'a' e faze' coisas feias ― disse o pequeno muito sério para diversão de Grimmjow.
― Bastardo pervertido. Chamou-te bastardo pervertido! ― A Pantera rolava pelo chão de tanto rir.
― Gatinho lindo! ― exclamou Ulquiorra, aproximando-se a Grimmjow para acariciar as suas orelhas que haviam saído pelas emoções descontroladas do adulto.
― Sou uma pantera, não um gato ― disse a Sexta Espada corada e muito quietinha para não ronronar.
― Pante'a? O que é uma pante'a?
― É basicamente um gato grande, Ulqui-chan ― respondeu Gin sentando o pequeno no seu colo e tentando dar-lhe uns doces que trazia nos bolsos.
Quando o pequeno estava a começar a ponderar se devia aceitar ou não o presente, um Aizen furibundo entrou e massacrou os dois pervertidos, segundo ele. O Shinigami foi então internado com contusões por todo o corpo, duas costelas fraturadas e o ombro esquerdo deslocado. Em suma, Gin estava prestes a passar desta para melhor, mas agarrou-se com unhas e dentes aos seus desejos degenerados e sobreviveu, ainda que não tenha conseguido escapar do belíssimo coma que Aizen lhe proporcionou de tão bom grado, com um novo golpe, ao testemunhar a tentativa sorrateira do seu subordinado de abraçar o seu bebé, afirmando que o ajudaria a recuperar-se mais rápido.
Já Grimmjow safou-se só com umas poucas contusões e uns quantos arranhões leves, por obra e graça de Ulqui-chan. O pequeno havia começado a chorar, pedindo ao seu papá que não batesse mais no gatinho, porque o gatinho era bonito e ele gostava muito dele. Desta forma, Grimmjow saiu quase impune, mas com uma clara advertência de não se aproximar a menos de cinco metros do seu bebé, pois Aizen não queria um bruto como ele perto do seu filho.
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Nnoitra andava de um lado para o outro no laboratório da Octava Espada. Ainda mal Szayel fora banido, já as suas Fracciónes tinham sido encarregues de investigar um modo de devolver o Cuatro Espada à normalidade.
Claro que essa tarefa seria muito mais fácil se o Quinto Espada não estivesse constantemente a aterrorizá-los com o facto de que se deviam despachar, pois queria lutar com o Cuatro Espada nesse preciso momento ou caso contrário morreria de puro aborrecimento.
Como se Ulquiorra fosse a única pessoa com a qual podia lutar… Opções era algo que não lhe faltava, mas todos os habitantes do palácio fugiam espavoridos ao escutar alguém mencionar o seu nome, quanto mais ao vê-lo. Isso só lhe deixava Grimmjow, mas o gato mais parecia um cachorrinho atrás do dono que, perante a mínima oportunidade, tentava ir ver o Príncipe de Las Noches, mesmo sob a ameaça de um pai superprotetor, como o era Aizen-sama.
