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Retratações: Os personagens principais são propriedades das empresas japonesas Soutsuu Agency e Sunrise Television. Eu não ganho nenhum dinheiro com eles. Somente promovo a diversão.


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.Desafio Gundam Wing 2010 – Amores Possíveis

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Fanfic: Algo que Falta

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Gênero: Yaoi, Romance, Angústia.

Casais: 1x5; 3x1; 13x6; 13x1 (Menção)

Censura: M

Avisos: Heero POV, Lime, OOC, Crime, Deathfic (alguns personagens).

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Capítulo 2

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3 de dezembro de 2003.

Recebia meu terceiro cliente da noite quando Trowa adentrou o quarto sem bater. Trowa e eu ficamos muito próximos após aquela noite, dormimos sempre em mais testes para Treize verificar se eu realmente estava pronto. Ele me ensinava durante nossas transas em como proporcionar prazer ao cliente, e hoje foi minha estréia. Mas nunca pensei que ela fosse tão desastrosa.

Trowa, estou com cliente. – Falei ríspido, até demais para o que eu sentiria depois.

Treize mandou te chamar. – Disse rápido e assim saiu.

Sentei na cama e olhei meu cliente. Ele estava começando a se excitar com meus toques e agora que paramos, tudo voltara à estaca zero. Ele deveria ter uns quinze anos também. Levantei e peguei meu hobby negro.

Eu volto logo.

Saí de meu quarto e voei pelas escadas, ouvindo gemidos de todas as espécies durante o caminho até a sala de Treize. Ficava no térreo. Cumprimentei alguns colegas e bati na bela porta de madeira maciça. Após a permissão, entrei.

Lá estava ele, sentado em sua bela poltrona negra, ao redor de vários animais empalhados – sua paixão.

Boa noite, Treize. Não sei o porquê de ter me chamado, mas eu estava com um cliente. – Sussurrei, um tanto assustado pelas figuras grotescas me olhando, e a risadinha de Treize me recepciona.

Não se preocupe, não é sobre seu mal desempenho que lhe chamei. Ao contrário, os dois que já serviu ficaram impressionados e voltarão mais vezes. – Meu ego cresceu ao final da frase, mas logo sumiu com o resto. – Porém, houve uma tragédia.

Elevei minhas sobrancelhas, em dúvida.

Pois diga. – Pedi, muito impaciente.

Vi ele se ajeitar na poltrona e pedir para eu me sentar. Era grave.

Antes de tudo, quero dizer que será muito bem recebido nessa casa, se decidir morar nela. Sua mãe iria querer assim.

Como assim? Onde está minha mãe?

Sim, era muito grave.

Ela sofreu um acidente e morreu na hora. Eu sinto muito.

Não lembro bem o que aconteceu a seguir. Talvez caí em desespero e chorei, talvez Treize tenha me abraço e consolado. Mas lembro que andei para sair do quarto e disse:

Preciso voltar para meu cliente.

Não precisa voltar se não quiser. – Ele sussurrou, então eu estava chorando.

Ele é virgem, está assustado... Não vou mandá-lo embora. Eu estou bem. – Mal ouvi o que disse e retornei ao quarto, extasiado.

Foi uma transa razoável. Chorei em silêncio maior parte dela, por sorte o menino estava mais preocupado em me socar e gemer do que em eu mesmo. Treize deu a noite como encerrada para mim e eu fiquei no quarto, pensando nela.

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.:. Desafio GW .:.

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Minha mãe foi alguém que eu sempre admirei na vida. Começou como cortesã aos 16, convite de minha avó, que também era. Ficou famosa em toda a L1 como "A oriental sem limites". Aos 20, conheceu meu pai, um também famoso prostituto, "O menino das virtudes sexuais". Engravidou.

Soube de histórias de que ela trabalhou a gravidez inteira e, duas horas antes de entrar em trabalho de parto, havia transado. Meu pai morreu quando ela estava no terceiro mês de gestação. Nunca o conheci, a não ser por foto. Não herdei nada dele, nem sequer a masculinidade. Por isso que reforço que a vida pagã já está nos meus genes há décadas.

Trowa entrou no quarto enquanto eu pensava nisso tudo. Treize provavelmente o mandou para me consolar, e deu certo. Ele me acariciou até que eu dormisse. Dormi bem, apesar do que iria enfrentar no dia seguinte.

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4 de dezembro de 2003.

O enterro foi discreto, diferente da vida que ela teve. Foi na casa onde ela começou sua vida de cortesã. Foram poucas pessoas e foi uma cerimônia rápida, quando vi já haviam enterrado. Treize ficou ao meu lado o tempo todo, mas não derrubei uma lágrima sequer. Trowa também se aproximou e me enlaçou na cintura, enfiando a cabeça no contorno do meu pescoço. Desvencilhei-me dele e o guiei para a varanda da velha casa.

Treize me convidou para morar na casa.

Você vai gostar, tem mais gente e não vai ficar sozinho. – Ele sorriu para mim, me abraçando de novo. Vi que tinha razão e não hesitei em concordar.

Soube que meu período de testes acabou. Isso quer dizer que não vai dormir mais comigo?

Novamente sua risadinha. A pergunta havia sido besta, mas eu gostaria muito de tê-lo por perto, era uma proteção.

Podemos, desde que Treize não saiba. – Sussurrou, massageando meus cabelos negros. Ali a ficha caiu e comecei a chorar.

Estava agora sem minha única família, num lugar desconhecido. Reconheçam, se sentiriam tão perdidos como eu naquele momento. Mas decidi algo que me ajudou bastante durante os anos que passavam.

Vou focar no meu trabalho, Trowa, e serei tão grande quanto ela foi. Escreva isso.

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Continua...