Capítulo 2
Taylor Swift – Fifteen
(youtube*.com/watch?v=Pb-K2tXWK4w)
5 anos depois
— Vamos Rose, acorda sua dorminhoca. É primeiro de setembro. Hogwarts. ACORDA! — é preciso dizer que essa última palavra ele gritou no meu ouvido.
Abri minimamente os olhos, o suficiente para ver uma cabeleira ruiva em cima de mim. Hugo.
— Saia do meu quarto, pirralho. — Resmunguei sonolenta.
Ele riu, e foi em direção a porta, e antes de fechar, falou.
— Mamãe está mandando você acordar e Al está lá embaixo esperando você descer. — Ele esperou um momento antes de dizer. — Você não vai querer que seu namorado fique esperando lá embaixo, vai maninha?
O travesseiro que eu joguei bateu na porta sem nem um ruído. Infelizmente, na hora em que eu joguei, ele fechou a porta, se desviando.
Ouvi a risada dele do outro lado da parede.
— Eu também te amo, maninha.
Mesmo sem querer, eu ri. Pirralho.
Desci as escadas já pronta. Meu malão e minhas coisas da escola eu já havia arrumado na noite anterior.
Ah, primeiro de setembro. Como eu adorava esse dia.
Encontrei meu pai e Al na sala, conversando. Assim que me viu meu pai levantou da poltrona, veio em minha direção e me deu um beijo na bochecha.
— Bom dia, filha.
— Bom dia, pai. — respondi com um grande sorriso. — Oi, Al.
— Oi, Rô.
Meu pai saiu da sala com o pretexto de ir se arrumar, enquanto eu me sentava ao lado de Al no sofá. Tentei ignorar o fato de ele nos dar todo o espaço porque Al era o "favorito" dele. Não que houvesse muitos concorrendo para esse cargo.
— E aí, — começou ele. — dormiu bem?
— Uhum. — confirmei enquanto sentia o braço dele passando por minhas costas. – E por que você veio para cá? Nós íamos nos encontrar daqui a pouco, Al. Além de que eu vou ter que te aturar o ano inteiro. — eu ri para ele, enquanto encarava os seus olhos muito verdes.
Era difícil contar quantas mudanças haviam acontecido nele, desde o nosso primeiro ano em Hogwarts. Não só fisicamente. Ele havia deixado de ser aquele menino irritantemente mimado, que achava que podia tudo, apenas por ser filho de Harry Potter. Ele acabou se acostumando com o fato de ser Sonserino, apesar de não igual a maioria de sua Casa. E, eu havia mudado também. Às vezes me lembrava de atos mesquinhos que eu tinha tido aos 11 ou 12 anos, e me perguntava como alguém – principalmente Alice – podia aguentar ser meu amigo.
Felizmente, essa fase "tudo-posso-sou-queridinha-do-papai" passou.
Uma voz me despertou dos pensamentos. Minha mãe chegara à sala, e pigarreou ao ver a mão de Al nas minhas costas.
— Já arrumou suas coisas filha?
— Já, mãe. Está tudo lá em cima.
— Você pode ir buscar, por favor?
— Será que a senhora não poderia, apenas, fazer uma mágica para trazer minhas coisas até aqui em baixo?
Não foi preciso resposta. Ainda sob seu olhar, me levantei e fui pegar minhas coisas.
Cheguei no meu quarto no primeiro andar, e parei um pouco para observar a paisagem que se estendia além das casas de Godric's Hollow. Era bom ouvir o sussurro do vento.
— Filha! Vamos.
Com uma última olhada as árvores, me dirigi a escadas, carregando o malão na mão.
A viagem de trem passou num instante. A conversa com Alice fluía tão livremente (tínhamos nos trancado numa cabine vazia, para conversarmos em paz), que eu tomei um susto quando alguém bateu na porta. Abri com a varinha.
— O que você está fazendo aqui? — perguntei, antes que eu percebesse a falta de educação que eu estava tendo.
O garoto loiro, alto e forte me olhou superiormente – literalmente, já que eu praticamente batia no seu ombro, no máximo.
— Vim avisar que vocês devem se vestir. — ele respondeu, numa voz ligeiramente rouca, que me fez ter um pequeno arrepio na espinha. — E, se te interessa o porque de eu estar fazendo isso, saiba que foram ordens de um monitor-chefe.
— Obrigada, Malfoy. — intrometeu-se Alice, num tom de voz que encerrava qualquer conversa, porque sabia que eu ia retrucar "Não me interessa". Malfoy olhou para ela, analisando seus olhos cor de mel, e sorriu marota e maliciosamente.
— De nada, Moore.
Se virou e saiu. Alice trancou a porta mais uma vez, e começamos a nos vestir em silêncio.
— Não precisa brigar com o Malfoy toda vez que apenas o ver, sabe? — começou ela, enquanto abotoava os botões das vestes. — Isso já está me dando nos nervos. Fora que toda vez que vocês começam a se atacar, eu tenho que me intrometer, e aguentar aquele olhar nauseante dele.
— Ele praticamente te comeu com os olhos. — comentei distraída. — Não que todo garoto da escola não faça isso, certo?
Levantei os olhos para ela, e ela me olhava suplicante.
— Tudo bem. — cedi, diante do seu olhar. — Vou tentar parar de discutir com ele, e simplesmente ignorá-lo.
Ela me sorriu, e voltou a terminar de se vestir. Alice era linda. Tinha olhos cor de mel, e uma pele morena, meio clara. Seu rosto lembrava o de uma boneca de porcelana, mas seu corpo era de mulher.
Não era loira de olhos azuis, nem vadia, como os garotos gostavam. Sua beleza era uma beleza exótica: não era o tipo certo de nenhum menino da escola, mas todos babavam por ela.
Homens. Quem vai entender?
Estava calor, então Alice abriu a porta, e voltou para guardar as roupas trouxas.
— Oi. — entrou Al, e eu vi que ele só estava esperando a porta abrir. — Vi Malfoy saindo daqui a pouco. — falou um pouco desconfiado. — O que ele queria?
— Nada de mais. — respondi distraída. — O trem já parou. Vamos?
Alice me deu o braço, e Al pegou minha mão. Fomos andando, e eu fingi que não havia percebido o mínimo sorriso de Alice ao me ver de mãos dadas com ele.
— Então, me conta. — começou Alice ansiosa, enquanto sentava na minha cama, após termos colocado nossos pijamas. Ela tinha feito duas trançinhas, como sempre fazia para dormir. Estava com um pijama de calças largas e blusa de mangas compridas, com desenhos de coelhinhos, para combinar com suas pantufas. Ela amava esse pijama. As outras 3 meninas do quarto ainda não tinham chegado — Ele te pediu?
Eu, que até então estava em pé, vestindo o meu pijama (que era idêntico ao dela, só que com sapinhos) sentei na minha cama, suspirando.
— Ele quem? E me pediu o que?
— Não se faça de desentendida! — ela riu — O Al. Ele não te pediu em namoro?
— Não! — exclamei. — Graças a Merlin que não!
— Por quê? — ela parecia surpresa — Você gosta dele...
— Como um irmão Alice! É melhor que ele não me peça. Eu o amo muito, e não quero magoá-lo com um "não".
— Ainda assim...
Fomos interrompidas pelo barulho da porta sendo escancarada e duas garotas risonhas entraram.
— AAAAAAAAAAAAH! — gritou a loira, correndo para nos abraçar.
— AAAAAAAAAAAAH! — gritei de volta.
Alice e eu levantamos correndo da cama para abraçar as duas meninas à porta. Depois de uma cena particularmente embaraçosa, com gritinho e pulos, finalmente nos acalmamos, e sentamos as camas.
— Estava morta de saudade. — falou Lauren.
Ela, Ashley e Kara eram nossas colegas de quarto. No início nos estranhamos, mas depois acabamos ficando amigas.
— Nós também. — confirmou Alice. — E aí, como foram as férias e... Cadê a Kara?
Lauren e Ashley explodiram em risinhos de novo. Arqueei uma sobrancelha.
— Porque vocês estão rindo? Na verdade, desde que chegaram estão rindo desse jeito, hihihihihihi — imitei vergonhosamente.
— A Kara está lá embaixo. — Ashley explicou, gesticulando entusiasmada.
Era exatamente por isso que não nos gostamos de início. Não que Alice e eu fôssemos punk, góticas, emos, ou qualquer gênero desses. O problema, na verdade, é que Alice tinha trauma com patricinhas, e eu não ia com a cara que elas tinham. Aquele jeito de se vestir e falar, o modo que ficam entusiasmadas com uma fofoca...
Ainda assim, teríamos de compartilhar o mesmo quarto e banheiro (e, às vezes, deveres enormes que os professores passavam), por sete anos.
Se não pode com elas, junte-se à elas...
Pelo menos enquanto estiverem juntas no quarto.
— Mas não está sozinha... — completou Lauren, fazendo suspense.
— Com quem? — Ah, eu não consegui me controlar. A curiosidade falou mais alto.
Minha pergunta foi a deixa.
— Sabe que aquele setimanista, Connor, o moreno bonitão estava de olho nela, certo? — respondeu Lauren, quase sem respirar. — Então, hoje quando estávamos subindo, ele parou a gente. Disse que queria conversar com nós três. Depois de uns, acho que sete ou dez minutos, que foi o tempo que vocês levaram para subir, não é? — sem esperar resposta, continuou. — É, acho que foi isso. Depois de uns dez minutos, ele pediu para falar com ela a sós.
Ashley teve outro acesso daqueles risinhos irritantes.
— Bem, a Kara não gosta dele. Então, inventou uma desculpa, dizendo que tinha de subir rápido, para trocar o absorvente...
Dessa vez não me aguentei, e gargalhei, junto com Alice.
— Trocar o absorvente? — perguntou Alice, entre lágrimas de risos.
— Sim, sim, mas só ia fazer isso depois do banho, e depois do banho ela já ia colocar o pijama. O pobre Connor fez uma cara de cachorro pidão, e nós não conseguimos resistir. — concluiu Lauren com um sorriso travesso.
— Merlin, o que foi que vocês fizeram? — indaguei, entre divertida e desconfiada. Vindo daquelas duas? Pobre Kara...
— Nós não fizemos nada de mais! — defendeu-se Ashley inocentemente, embora estivesse com aquele mesmo sorriso travesso.
— Só contamos a verdade.
— Que era...? — incitou Alice.
— Eu abri meus olhos assim, — Lauren arregalou os olhos com fingida surpresa. — e disse: "Mas você não estava menstruada a duas semanas atrás?"
— Kara quase nos engoliu — Ashley disse, rindo. — Fechou a cara pra gente e forçou um sorriso: "Não estava não, estou agora, não é, Ashley?" E eu respondi: "Na verdade, eu lembro que até houve um incidente vergonhoso..."
Lauren continuou:
— Depois de ela tentar nos dar muitas indiretas, e nós fingimos não ouvir nada, ela acabou dizendo que podia sim, falar com ele um pouco. Então, eles estão se falando até agora...
Ela riu de novo, e eu falei:
— Nossa, vocês não prestam mesmo.
— Claro que não, queridinha. — a loira me piscou um olho.
Nesse momento, uma garota descabelada abriu a porta com tanta força que ela bateu na parede e a maçaneta caiu.
Senhoras e senhores, Kara Miller.
— EU VOU MATAR VOCÊS, SIMPLESMENTE PARA DEPOIS ESQUARTEJAR SEUS CORPOS, PEDACINHO POR PEDACINHO!
Sabe, pensando bem, se Ashley e Lauren não tivessem corrido tão rápido para o banheiro que eu pensei por um momento que elas tinham aprendido a aparatar, era bem capaz de Kara de ter cumprido suas palavras.
Ela correu para porta do banheiro e tentou abrir.
— Está trancada! — exclamou, frustrada. Depois, recomeçou a gritar: — ABRAM ESSA MALDITA PORTA! AAAAH, QUANDO VOCÊS SAIREM...
Kara era assim. Menos fresca, mais agressiva e despojada do que as meninas. Nem sei como foi parar amiga das outras duas.
Talvez por isso que nos dávamos melhor com ela. Agora, sempre tomando cuidado para não a irritar. Quando ela ficava com raiva, perdia a cabeça. E nesse momento, estava com tanta raiva que esqueceu até de que poderia usar o simples feitiço do "Alohomora". Quando desistiu de tentar abrir a porta do banheiro, sentou na cama em frente à minha, onde Alice estava também.
— Oi garotas. — sorriu naturalmente, como se nada tivesse acontecido.
— Oi, Kara. — respondemos em coro.
— Elas contaram o que fizeram? — perguntou aborrecida.
— Contaram. — respondeu Alice, obviamente prendendo o riso.
— São duas idiotas, isso sim.
— Mas o que aconteceu? — perguntei ainda curiosa.
Uma menina de pijamas apareceu à porta, sorridente. Reconheci-a como a nossa simpática vizinha de quarto.
— É verdade? Mataram alguém aqui? — ela perguntou rindo.
— Ainda não, infelizmente. — murmurou Kara.
— Ah, que pena. Queria ver uns corpos. — a menina sorriu, brincalhona. — Enfim, boa noite para vocês.
Nos acenou e saiu. Virei-me para Kara, com a pergunta ainda no ar.
— Ele me pediu em namoro.
— O que você disse? — exclamei surpresa.
— Disse não, claro. Neguei até o último segundo.
— É verdade. — comentou Alice, enquanto se sentava mais à vontade. — Você não está com cara de alguém que acabou de aceitar um namoro.
Kara sorriu. Começamos a conversar. Quando estava ficando mais tarde, decidimos ir dormir.
Só depois de Kara jurar que não ia fazer nada com as meninas, elas saíram do banheiro. Elas vestiram os pijamas, e todas terminamos por deitar na cama.
— Boa noite, meninas. — falei olhando para o teto da cama. Dormia na parte de baixo.
— Boa noite. — um coro me respondeu de volta.
— Amanhã vão nos entregar o horário. — reconheci a voz de Alice na escuridão. — Provavelmente a segunda estará lotada de aulas chatas. — resmungou.
Lauren, Kara e Ashley resmungaram em aprovação.
— Uma chatice. — concordei distraída.
Mas, na verdade, eu sabia que nada, nem mesmo as aulas chatas de segunda, poderiam estragar minha alegria. A alegria de estar de volta ao meu segundo lar, Hogwarts.
E, se para isso, era preciso aguentar algumas horas de puro tédio, eu aguentaria com o maior prazer.
Pois é, a partir do terceiro capítulo que realmente melhora, juro KKKK
Enfim, espero que estejam gostando *-*
Obrigada por comentarem, hihi bjssssssssss
