Capítulo 2

Avaritia

"A avareza perde tudo ao pretender ganhar."

Jean de La Fontaine – Escritor francês

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"Vegeta... o poderoso príncipe dos Saiyajins..."

O saiyajin arregalou os olhos na hora e, alarmado, procurou ao seu redor pelo dono daquelas palavras, mas não viu nada de anormal. A poucos metros de onde estava, Kakarotto, Gohan e Kaioshin conversavam alguma coisa a respeito de um tal feiticeiro chamado Babidi, e Vegeta, por um instante, observou com cautela aquela conversa. Não notando nada de estranho, voltou a cruzar os braços e dar as costas ao trio.

"Vegeta..."

Mais uma vez, ouviu alguém chamar por ele e, novamente, procurou pelo dono da misteriosa voz. Mas não havia ninguém ali além dele, Kakarotto, Gohan e Kaioshin, e nenhum dos três parecia ter se dirigido ao saiyajin.

"É uma pena, não acha? Uma grande pena que alguém destinado à grandeza terminasse como você terminou..."

Olhos negros se escancararam no momento em que percebeu que aquelas palavras foram pronunciadas dentro da sua cabeça.

Havia uma voz dentro da sua cabeça.

Uma voz desconhecida.

"Você era o príncipe dos saiyajins..."

"Ainda sou!"

Ele rebateu, silenciosamente, em seus pensamentos, cenho franzido e testa suada. O que diabos estava acontecendo com ele? Ficara louco?

"Tem certeza?"

A voz perguntou, num tom zombeteiro e debochado. E Vegeta cerrou os punhos. Forte.

"Tenho."

"Pois não parece... você se tornou fraco!"

"Não sou fraco!"

Gritou sem emitir um som sequer. Uma gota grossa de suor escorreu pelo seu rosto e pingou no chão. E depois mais uma... e mais uma... e mais outra. Uma sensação muito ruim o invadiu, e ele teve o pressentimento instintivo de que corria perigo.

Muito perigo.

Ele não deveria dar ouvidos àquela voz. Não deveria escutá-la...

"Eu sei, eu sei! Você, Vegeta, é forte... mas pode tornar-se ainda mais forte! E eu posso oferecer a você um poder inimaginável..."

A oferta fez seu corpo retesar e esquentar, e por mais insistente que fosse aquela sensação de perigo iminente, sua ganância por poder o traiu.

"Como?"

Possível ou impossível, loucura ou não, Vegeta tinha certeza de que aquela voz sorriu.