2º passo: confusão
Esse capítulo é dedicado especialmente a Vivica e Moon, que queriam tanto esse segundo passo.
Folheou o livro com pressa; Mdm. Pince o encarava do outro lado da biblioteca. Iriam dar nove horas e o toque de recolher, e a biblioteca ia fechar; mas que se danasse! Ele precisava terminar a pesquisa de poções.
Os olhos correram as palavras, não encontrando o que precisava. Soltou um gemido exasperado e ouviu alguém rir por sobre seu ombro. Quando se virou para ver quem era, encontrou a cara de Luna sorrindo ao seu lado.
"Luna" ele resmungou e voltou a olhar para o livro, mas sem conseguir se concentrar realmente.
"Eu mesma. O que está procurando?"
"Preciso encontrar vinte e cinco poções que usam sangue de dragão... Só que eu só achei cinco!" ele murmurou, e Luna riu novamente "Qual é a graça?"
"Você está vermelho... Parece um balaço..." ela deu de ombros e sumiu. Harry agradeceu mentalmente, e voltou a buscar no livro enorme que tinha a sua frente as poções "Aqui" Luna estava novamente ao seu lado, mas dessa vez segurava um livro em mãos.
"O que é isso?"
"Um livro. Sobre dragões. Tem cinco capítulos falando sobre o uso do sangue dos dragões, e neles devem ter mais do que cento e cinqüenta poções. Sinta-se livre para copiar" e estendeu o livro para ele, o apoiando sobre a mesa e saiu da biblioteca. Harry ficou parado.
"Sr. Potter, temo que tenha de sair! A biblioteca vai fechar..."
"Oh, certo. Posso alugar esse livro?" e balançou entre os dedos e exemplar que Luna lhe entregara. Madame Pince o encarou nos olhos e balançou a cabeça.
"Esse livro não é da biblioteca"
"Oh, certo... Então... Obrigado" e se levantou, o livro preso na sua mão de maneira desajeitada, e saiu da biblioteca.
Em silêncio, absorto em seus pensamentos, Harry deixou seus pés o guiarem para onde quisessem. Acabou se encontrando na frente da enorme porta de carvalho que levava aos jardins. Naquele dia ele não havia saído do castelo. Com um longo suspiro ele abriu a porta e se viu descendo os degraus até alcançar a grama fresca.
Seus pés novamente o guiaram até a Floresta. Mas naquele dia a lua estava alta no céu e iluminava as árvores. Ele as encarou e se moveu até chegar perto da clareira. E então entrou.
Estava tudo escuro, as árvores em volta barrando a luz, mas ele se sentiu confortável. Havia alguém ali, ele sabia. Podia ouvir. Podia sentir que havia alguém ali. Tentou enxergar, mas não conseguiu.
E então alguma coisa tocou seu quadril, e quando levou os olhos até ali, não viu nada. E então soube que um dos trestálios estava ali, tão negro que se confundia com a escuridão.
"Olá..." murmurou baixinho enquanto levava a mão até o animal e o tocava sem receio. E então um facho de luz atingiu seus olhos.
"Ah, Harry..." cabelos loiros refletiram-se na pouca luz da varinha, e os olhos da menina na sua frente estavam cálidos e tristes, quando ela o encarou. Harry apenas acenou com a cabeça e tentou sorrir para Luna. E então, cairam em silêncio, um olhando para o outro sob a pouca luz que saia da varinha de Luna.
"O que você faz aqui e á essa hora, Luna?"
"Os trestálios são bons amigos e ouvintes. Eu precisava conversar com alguém" e Harry viu ela dar de ombros e tirar a luz de perto dele. Ela voltou a luz para um dos animais negros, que estava deitado elegantemente no chão. Ela chegou perto dele e lhe afagou a cabeça com carinho "Esse é Moluti. O líder desse grupo de trestálios. Sabe, os trestálios tem uma vida bastante parecida com a nossa..."
"Você parece gostar deles"
"São os únicos que não caçoam de mim..." ela deu um sorriso "Lunática, lembra?"
"Oh, sim. As pessoas são tão estúpidas e malvadas..." disse e viu Luna sorrir do outro lado do gramado. Com certeza devia haver algo em sua voz que denunciava a sua incapacidade para lidar com pessoas do sexo oposto; e, então, que denunciava que ele não sabia o que dizer.
"Eu sei que você também me chamava assim... Não precisa tentar esconder..." aquilo era dor? Harry estreitou os olhos; seria aquela a mesma dor que ele sentia? Com alguns passos incertos, chegou mais perto dela e sentou-se.
"Chamava. Mas não vejo mais motivos para isso, agora" e ela sorriu, então, e voltou a acariciar o animal.
Os minutos de silêncio pareciam confortadores, depois de se ter dito algo como o que Harry havia dito. E, por mais incrível que parecesse para ele, ele acreditava no que havia dito. Ele não achava mais que Luna fosse lunática - diferente, talvez; lunática, nunca.
E então se pegou balançando a cabeça, para espantar os pensamentos indevidos mais uma vez. Luna era mais nova e ele mal a conhecia; não era, decerto, a melhor pessoa para se pensar que era especial.
"Nunca negue as coisas que se passam no seu coração..." ele ouviu ela murmurar baixinho, sem nem ao menos ter virado o rosto da direção do animal negro, que tinha os olhos fechados.
"Como?"
"Meu pai me disse isso uma vez... Ele é uma grande pessoa, sabe?" pena. Era isso o que ele estava sentindo? Talvez fosse. Ou ao menos era parecido com pena. Pois havia adoração e amor incondicional nos olhos dela, e aquilo machucava Harry; pensar que a menina doce ao seu lado havia dado seu coração ao pai, e que acreditava realmente nas coisas que ele dizia, até mesmo que os duendes eram antigamente um povo parecido com os humanos que cultuava o Deus Hipogrifo Azul. Ela era tão inocente, afinal, que tocava o coração de Harry.
E então ele se sentiu confortado como nunca, mais uma vez. Era ótimo sentir aquilo. Mas lhe causava certo remorso.
Afinal, Sirius estava morto há tão pouco tempo que merecia um bocado de seus pensamentos, certo? E agora ele estava dividindo os pensamentos com Luna Lovegood, a Lunática? Oh, céus, havia alguma coisa errada.
E talvez realmente houvesse algo errado, ele pensou, quando, sem nem mesmo saber de onde, um par de lábios macios e quentes pousou sobre os seus.
E ele esqueceu de pensar nesse mesmo momento.
Tudo o que ele quis foi sentir. Sentir a solidão indo embora, sentir um conforto e uma paz que ele não havia encontrado no seu primeiro beijo com Cho. Sentir uma avalanche de emoções e tudo o que vinha com elas.
Mas ele mal teve tempo.
Antes mesmo que ele pudesse levantar a mão para tocar o rosto da dona dos lábios quentes e macios, o beijo acabou e ele se viu encarando os olhos suaves de Luna, que havia perdido todo o ar vago. E então ela sorriu, e ele notou pela primeira vez como os lábios dela tinham um tom carmesim bonito, e em como seus olhos sempre pareciam abranger seus sorrisos.
"Converse com os trestálios. Eles são bons amigos..." ela murmurou enquanto se levantava. Quando ela já estava saindo da clareira, Harry conseguiu arranjar fôlego para falar alguma coisa.
"O que foi isso?"
"Boa noite. Te vejo amanhã" ela respondeu simplesmente, e sumiu na escuridão.
N.A.: Um beijo rápido para uma notória e rápida história de amor. -
Meus agradecimentos a todos que deixaram reviews... Ani, minha amada pucana, por seu humor um pouco ácido... phillipa11 pelos elogios e por ter encontrado na minha fanfic a sua própria... E, finalmente, BabI BlacK, que deve ter esperado um ou dois séculos pela atualização, e que finalmente vai saber que a fic não termina no primeiro beijo!
Samhaim Girl.
