Disclaimer: Saint Seiya não me pertence, nhé.
Avisos: Human Being escrevendo fic hétera com Hentai e com Personagem Original, cuidado! Quem ainda não correu pras colinas aproveite a chance!
Dedicatória: Fic escrita para o Desafio Perva do grupo Saint Seiya Ficwriters, em homenagem ao Dia do Sexo.
Hoje é Dia de Maria
II
Saga POV
Minha consciência continua me berrando que essa ideia foi uma das piores que eu tive na vida, mas eu não tenho outra opção.
O que ela espera que eu faça, pelos deuses? Dizer pra ninguém menos que Maria Regina Gianoukas que sim, eu sou o Saga e tivemos uma tórrida noite de amor, mas ela terá que esquecer tudo porque agora eu é que sou um cara comprometido e fiel? E, como a cereja do bolo, pedir a ela a discrição de não comentar nada sobre isso no hospital onde minha namorada trabalha?
Não é porque eu era apaixonado por ela quando adolescente que eu vou desconhecer os defeitos que ela tem.
Tá certo que todos eles me foram enfiados orelha adentro pelo Kanon, que a conhece e a detesta. Conhece porque, quando se fazia passar por mim em Rodório, tinha que fingir que era eu pra ela também; mas em um determinado momento ela descobriu que ele era ele, e eu era eu. E mesmo antes disso Kanon nunca fez a menor questão de esconder que ela não lhe descia de jeito nenhum.
Até me arrisco a dizer que, se ela fosse a única mulher desse mundo, ele morreria virgem e feliz, e olhem que ele gosta do 'esporte' até mais do que eu.
Segundo ele, ela era interesseira, megalomaníaca, orgulhosa, egoísta e prepotente; igualzinho ao pai dela (classificado por ele, na melhor das hipóteses, como um escroque).
Bem que naquela época eu tinha certa razão em imaginar que ele estava espelhando seus próprios defeitos nela. Mas hoje, vendo a Maria sem a emoção do amor passado, dá pra perceber que ele tinha razão em várias das suas colocações; e tem horror a ela pelo simples motivo de que dois bicudos não se beijam.
Tá, ele é meu irmão e tudo, mas a verdade é a verdade.
Só que pelo mesmíssimo fato de que a Maria realmente é bicuda que nem ele é que ela não é de levar desaforo pra casa. Se por acaso eu dissesse a ela a verdade, o mínimo que ela faria como revanche não seria 'só' contar pra minha namorada que transou comigo. Ela ia acabar com a minha raça, dizendo que eu fiz isso não por um momento de fraqueza etílica, mas porque ainda sou totalmente apaixonado por ela e nunca consegui superar esse amor. Ou alguma outra história do tipo.
Aí que eu, com toda a genialidade que só a real necessidade pode trazer, resolvo meu problema atual dizendo que eu sou o Kanon, que se fazia passar por Saga.
O que, parando pra pensar, não seria absolutamente nada de inédito, caso fosse verdade.
Kanon já transou com várias meninas dizendo que era eu, paqueras e ficantes minhas incluídas. E se não fez isso com a Maria até hoje, com certeza não foi por consideração a mim; e sim pela ojeriza que ele tem dela. Dentro do cenário que eu montei, onde eu seria o Kanon puto da vida com um Saga que me torrou o saco por um motivo qualquer, faz muito sentido: O 'Kanon' vê a ex-paixão de adolescente do irmão, catorze anos depois, e acha que seria uma excelente ideia transar com a moça dizendo que é o Saga. Exatamente o tipo de ideia porca que passaria pela cabeça de um Kanon bêbado e puto comigo. E, por mais que ele deteste a Maria, pra ele não ia ser nenhum sacrifício levar a moça pra cama, especialmente se ele soubesse que estaria fodendo com a minha vida quando fizesse isso.
Enfim, pra um plano nascido do âmago do meu desespero, até que eu me saí bem.
Claro que a Maria quase partiu pra agressão física ao descobrir que "Kanon" passou a noite com ela fingindo que era Saga. Afinal, ela tem tanta simpatia por ele quanto ele tem por ela. E por isso mesmo pensa em cobrar essa afronta com juros e correção monetária,.
Mas agora ela está engolindo a história, e é isso que importa.
Só que, por isso, eu preciso urgentemente cobrir o outro ponto falho do plano: Kanon.
E é aí que mora o meu medo. Convencer o Kanon que eu tive que fingir que era ele já seria uma ideia ruim. Fazê-lo para uma ocasião onde eu fingia que era ele pra transar com uma das pessoas que ele mais detesta na vida é temerário, pra dizer o mínimo. E olha que eu ainda nem cheguei na parte onde ele teria de lidar com a ira de Maria Regina Gianoukas.
É isso que minha consciência grita tão insistentemente.
Eu chego na Casa de Gêmeos procurando por ele, que está na sala vendo televisão. Sem o menor sinal de ressaca, e olhem que ele bebeu consideravelmente ontem.
- Kanon...
- Não, espera. - Ele me diz, levantando do sofá com um meio sorriso no rosto. - Sai da sala e entra de novo.
- Mas...
- Essa é uma ocasião histórica! - Ele responde, enquanto me empurra para o hall de entrada. Eu entro de novo na sala, e ouço a voz dele ganhar gravidade, imitando a minha à perfeição. - Mas onde é que você passou a noite, seu irresponsável!?
E eis que, no meio de tanto problema, o filho da mãe ainda resolve que tem que tirar uma com a minha cara.
- Deixa de putaria, Kanon! - Eu o agarro pelo braço, arrastando-o em direção ao banheiro. - Vem logo que eu preciso que você me ajude!
- Como?
- Kanon, deixa de onda e tira a roupa.
- Hã?
- Anda, Kanon! - Eu tento forçá-lo a tirar a camiseta, mas ele se afasta um tanto atarantado.
- Epa, epa, epa! Que porra é essa? Tá pensando que eu tiro a roupa assim, sem nem um beijinho antes?
- Kanon, eu já disse que eu estou precisando da sua ajuda!
- Sim, claro, você disse; mas em quê eu tirar a roupa vai te ajudar?
- Porque você vai ter que colocar uma roupa minha!
- Oi? Mas-
- Kanon! Kanon... - Eu o interrompo, sabendo que eu não tenho muito tempo. Maria pode muito bem aparecer por aqui pra tirar a história a limpo; e eu não quero, de maneira alguma, que isso aconteça antes de eu coagir meu irmão a me ajudar. - Kanon, presta atenção. Eu preciso muito, muito, que você me ajude. Você vai precisar fingir que sou eu, porque agora eu que estou fingindo que sou você.
- Hahah... - Ele segura as gargalhadas. - Ah... Não. Espera. Mas por que o virtuoso Saga haveria de querer se colocar no lugar desta metade mortal da constelação de Gêmeos?
- Porque eu fiz cagada, é isso que você quer ouvir? Taí, tá ouvindo. Agora pelo amor que você tem por Atena, me ajuda!
- Mas não era você quem tinha horror que eu usasse sua preciosa identidade em benefício próprio? Mas tem que ser mesmo uma cagada muito fodida pra te fazer mudar de ideia assim tão rápido... - Agora o puto revira os olhos numa expressão pensativa. - Não sei não, essa história não tá me cheirando bem...
- Pára de usar essa mão esquerda, pelo amor de Zeus! - Não por nada, mas o tempo está passando e eu já estou começando a ficar desesperado. - Kanon, é pelo bem do meu romance. Por favor...
- Ah, Saga, mas 'pelo bem do seu romance' você tinha era que ter saído daquela boate quando a gente foi embora! Aliás, se sua amada for um tantinho mais esquentada - e ela é - era pra você ter considerado nem sequer dar as caras por lá...
- Eu tava bêbado, porra! - Eu finalmente perco a paciência. - Aí não te ouvi, fiquei e fiz merda. Só que agora eu preciso que você me livre a cara, entendeu?
- Tipo, eu fingir que você era eu na boate?
- Isso!
- Mas... Saga, espera, eu não tô entendendo. - Mas era só o que me faltava, Kanon agora querendo bancar o correto. O desgraçado sempre foi um artista na hora de fazer coisa errada, e agora que o negócio é pra meu benefício ele resolve botar banca. - O que foi exatamente que você fez?
- Kanon...
- Eu preciso saber, se vou fingir que sou você!
- Eu fiquei com outra moça...
- Ficou? - Kanon levanta uma sobrancelha. - Só isso?
- Bem... - Não adianta esconder nada dele, até porque ele tem razão: Para se passar por mim, ele teria que saber de todos os detalhes, por mais sórdidos que eles sejam. - Você promete que vai me ajudar?
- Saga...
- Kanon, você sabe que eu nunca te pedi nada... - Ele abre a boca para responder que eu estou mentindo, mas eu o interrompo. - Tá, é mentira, mas agora é sério. Eu estou te pedindo isso porque eu realmente estou precisando. - Eu o pego pela mão e o sento na minha cama. - Eu bebi pra cacete ontem, perdi a noção do que eu tava fazendo e fiquei com outra moça.
- Mas...
- Não, não 'só' fiquei. Eu acordei nu na cama dela, com umas camisinhas usadas do meu lado da cama...
- Ok, ok... - Kanon respira fundo. - Saga, por favor. Não é como se você nunca tivesse passado um chifre numa namorada, vai. E por isso mesmo você sabe que dá pra resolver muito bem uma situação dessas sem eu ter que me passar por você. Basta você sumir do mapa por uns tempos e não tocar mais no assunto. A garota não vai ter nem como vir atrás de você...
- Ela tem. - Eu abaixo a cabeça, já me preparando para o maremoto.
- A menina te conhece?
- Conhece.
- Ela também conhece sua namorada?
- Trabalha no mesmo lugar que ela.
- Porra, Saga! Não dava pra ter sido um pouquinho menos primário, não? - Kanon bufa, irritado. - Mas tá, ainda assim você pode dizer que...
- Eu não posso assumir a autoria disso e dizer que foi um momento de fraqueza. Ela não vai aceitar de jeito nenhum!
- Mas tua namorada pode...
- Se ela descobre é o fim. O fim!
- Mas só se ela tiver motivo pra achar que a outra é uma ameaça real e... Quem é a moça?
Ok, é agora.
- É a Maria.
- Maria? Poxa, de qual das inúmeras Marias desse mundo você tá falando? Eu mesmo conheço um monte e...
- Maria... Gianoukas.
O fato de ver a cor sumir do rosto do meu irmão só me deixa ainda mais preocupado.
- Espera. - Ele se levanta, e a irritação de antes já está pra se transformar em ira. - Você está por um acaso me dizendo que, de todas as mulheres do planeta, você me resolve tirar a Maria Regina Gianoukas do fundo do baú pra passar um chifre na tua namorada?!
Eu só consigo assentir com a cabeça, e juro que estou esperando o soco que eu estou merecendo levar.
- A filha do dono da quitanda, Saga? A tua paixão de adolescência? Mas como, por todos os deuses do Olimpo Sagrado, você me consegue fazer uma merda desse tamanho?
- Eu tava bêbado!
- Você não tem é juízo, seu imbecil! - Ele praticamente cospe na minha cara a raiva dele. Mas eu ainda não levei o soco, e estou na dúvida se isso é bom sinal. - Mas de onde saiu essa assombração? E como que você me faz a cagada de ir comer logo ela?
- Eu não sei! Eu juro que não era essa minha intenção, mas aí eu tava lá, ela apareceu, tava dando mole...
- E você não resistiu à tentação de levar pra cama justamente o primeiro amor de adolescência que te rejeitava! - Kanon agora anda em círculos no meio do quarto, absolutamente puto da vida. - Mas HÁ! Isso é muito a sua cara. Nem preciso te falar que seu namoro já era, né?
- Por isso que eu preciso- eu necessito que você assuma isso pra mim!
- COMO É? Eu assumir no teu lugar que comi a Maria Gianoukas? Mas nem debaixo de porrada que eu ia fazer uma coisa dessas, Saga!
- Mas então, você não fez! Eu é quem fiz, mas eu preciso que você pelo menos diga que foi você!
- Mas a própria Maria não vai acreditar! Como ela - alguém - imaginaria que eu, logo eu, a levaria pra cama? Isso não vai dar certo!
- Então, mas... Ela acreditou.
- Ela o quê?
- Eu disse pra ela que eu era você, que estava puto comigo porque eu tinha te atrapalhado em um negócio aí que eu - digo, você - queria fazer. Aí, foi por isso que "você" teria levado ela pra cama: pra "me" ferrar com a minha namorada.
- Seu filho da... - Kanon quase avançou em cima de mim. - Mas tinha muita graça, Senhor Saga! Mas eu falei, bem que eu falei, porque agora eu sou um homem redimido, tenho que ser bonzinho. Eu fiz tudo certo: Eu falei pra você não beber tanto, que cê é fraco pra bebida. Eu falei pra você não ficar cantando mulher quando tá bêbado, porque além de falar merda ainda por cima não vai se contentar em sair da boate no zero a zero. Mas não. Você tinha que ficar, tinha que encontrar teu primeiro amor de adolescência ainda por cima ter a brilhante ideia de comer a desgraçada! E agora quer que eu livre tua cara? Quer que eu diga que fui eu que comi aquele encosto? Mas só pode ser castigo, uma porra dessa!
- Kanon, por favor... - Não que eu goste de implorar pro Kanon me fazer alguma coisa, mas não estou vendo outra opção. - Só essa vez, por favor...
- Agora, puta sacanagem a sua, né, Saga? Sua namorada é bonitinha, é gente boa, gosta de você, mas não! O dedo podre do Saga tinha que entrar no meio pra fazer essa merda com a menina!
- Kanon, ninguém tá mais mortificado com essa situação do que eu, isso eu te garanto!
- Mortificado um cacete, Saga! Mortificado estou EU de ter que dizer por aí que eu transei com Maria Regina Gianoukas! Puta que pariu!
- Assim, se te consola, ela ficou até mais bonitinha com o tempo...
- Ela NUNCA foi bonitinha, Saga! Só você mesmo pra achar aquela criatura "bonitinha".
- Não, ó, isso não. - Eu sei que não é recomendável discordar do Kanon quando eu preciso que ele me quebre um galho da grossura das árvores gêmeas do Jardim de Virgem, mas eu tenho que ser justo: Maria nunca foi uma moça feia. Tudo bem que ela não tem o que chamam por aí de beleza "clássica", mas ainda assim ela é uma mulher de traços interessantes. - Feia ela nunca foi, mas até que o tempo fez bem pra ela...
- O tempo e a grana que ela depenou dos riquinhos com quem ela sai, né não? Ora vá, Saga! Pra cima de mim? Esse papo de que ela "melhorou com o tempo"?
Falou a criatura que depenou a ilha de Patroklou inteirinha numa mesa de jogo... mas agora realmente não é hora de levantar essa lebre.
- Kanon, pelo amor de Zeus. Eu não tenho outra saída!
- Lógico que tem: Assumir a merda que fez e contar pra tua namorada que comeu teu primeiro amor de adolescência.
- Só que aí meu namoro acaba!
- E eu com isso?
- Kanon, pelo amor de Z...
- Seu Saga... - Berta, vinda da entrada, bate na porta do quarto e interrompe a querela. - Tem visita pro senhor.
Meu sangue gelou nas veias, num trabalho melhor até do que o de Camus de Aquário.
- Quem é? - Eu pergunto, mais por desencargo de consciência. Eu sei quem está lá fora. Só não imaginava que ela viria tão cedo.
- A moça não me é estranha... Porque eu juro que eu já vi ela em algum lugar... - Berta responde com sua habitual disposição, torcendo a boca. - Ela disse que se chama Maria.
- A filha do prefeito? - Kanon pergunta.
- Isso! Eu sabia que eu conhecia a guria de algum canto...
- Manda ela esperar um minutinho! Diz que eu já vou! - Eu falo entre dentes, enquanto tento empurrar Kanon pra dentro do banheiro apesar dos seus protestos. - Kanon, pelo amor de todos os deuses do Olimpo. Eu te imploro, me ajuda! Molha esse cabelo, bota uma roupa minha e vai lá fora fingir que sou eu! Eu faço o que você quiser depois, qualquer coisa, mas por favor!
- Senhor Saga... - A voz arrastada de Berta, vinda do hall de entrada e ainda menos solícita do que antes, nos interrompe de novo. - Ela tá dizendo que é urgente.
Eu olho para meu irmão, num último olhar de súplica.
Estranhamente, dá certo.
- Seu filho da pu-ta! - Ele diz, articulando bem a última palavra, para então me puxar pra dentro do banheiro e molhar de leve o cabelo depois de tirar a camisa.
- Brigado. Brigado! - Falando sério, eu estou quase dançando de alegria. A sensação de alívio que eu sinto é tão intensa que me é até difícil de descrever, mas passa perto do que se sente quando se vence uma guerra santa, quando vemos Atena sã e salva... Quando estamos apertados para ir ao banheiro, e conseguimos chegar nele a tempo de evitar um acidente de continência...
E só não dou um beijo nele porque esse negócio de ficar beijando homem é esquisito demais pro meu gosto.
- Tá, tá bom, chega. - Kanon me dá outro safanão, pra então pegar uma camisa minha depois de arrumar o cabelo pra que ele fique mais parecido com o meu. - Agora, Copperfield de merda, te esconde aí numa ilusão porque eu não vou te poupar de ver a cagada que você tá me obrigando a fazer.
Eu tenho que reconhecer: Sempre achei que nós éramos menos parecidos do que todo mundo gosta de crer, mas de cabelo molhado e penteado de um jeito que esconda que o cabelo dele é um pouquinho mais claro e mais curto do que o meu, até pra mim fica difícil de apontar as diferenças entre nós dois.
Antigamente havia outras diferenças mais óbvias: minha pele era menos bronzeada do que a dele por conta da falta de treinos ao ar livre; o que hoje já não é mais tão verdade porque eu também voltei a treinar debaixo de sol forte. Kanon tem mais sardas e manchinhas de sol do que eu, mas elas não são tão perceptíveis aos outros, ainda mais pra uma mulher que não nos via há mais de catorze anos. Assim, as diferenças mais aparentes acabam sendo a cor dos cabelos e o hábito que Kanon tem de roer as unhas; o que também não é óbvio para alguém que não esteja convivendo de perto com a gente. Das minhas unhas um cortador pode se encarregar, e dos cabelos dele a água se encarregará por enquanto. E sempre podemos dizer, depois, que o cabelo diferente foi o corte de um ou uma fase de mais sol de outro, ela não vai ter como saber.
A metamorfose se completa quando ele respira fundo e, com um mero meneio de cabeça, até mesmo o jeito como ele me olha fica diferente.
OOO
