Para minha querida amiga Thami (afinal, a fic é para ela). Please, não me mate, imploro por sua misericórdia, sei que demorei muuuuito, mas pretendo recompensar com o próximo capítulo bem mais rápido. Bjos.


Parte II – Uma esperança que cresce

Há muito ela não sentia aquela sensação. Na verdade, ela nunca se sentira tão plena na vida. Ao seu redor tudo parecia mais belo e ensolarado. As cores tinham mais vida. E pensar que há tão pouco tempo ela estivera chorando de medo do futuro.

Sakura, após dançar com Gaara e escutar os comentários maldosos do povo de Suna, resolvera respirar um pouco de ar puro e colocar sua mente em ordem. E assim ela foi para a cobertura do prédio da Sede. Ela se encostou no beiral e ficou pensando em seu futuro enquanto fitava distraidamente as estrelas. Será que ela seria capaz de amar novamente? As perspectivas não eram nada positivas. Ela tinha medo de entregar seu coração para um amor impossível e se machucar ainda mais.

E foi quando deixou escapar uma lágrima solitária que escutou uma voz recriminadora atrás de si.

- Você não deveria chorar por ele.

Ela conhecia muito bem aquela voz.

- Gaara-kun – exclama espantada, enxugando a lágrima rapidamente.

Ele se aproxima e de forma carinhosa, afasta as mãos dela e ele mesmo começa a enxugar seu rosto. Seu toque é leve, contrastando com sua feição contrariada.

- Ele nunca te mereceu... o que ele tinha para fazê-la continuar sofrendo por ele?

- Quem? – pergunta sem saber ao certo do que ele falava. Uma leve suspeita beirava sua mente, mas deveria ser delírio dela. Gaara nunca poderia estar falando de Sasuke daquela forma, quase com ciúmes.

- O Uchiha. Não sei como ainda derrama lágrimas por ele. Ele era um canalha egoísta, só pensando em sua vingança idiota.

O modo que ele fala de Sasuke acaba por irritá-la e ela se afasta dele, respondendo de forma ríspida.

- Não fale dele desse modo. Você não o conhecia direito, não sabe por tudo que ele passou, todos os sofrimentos que ele teve em sua vida, deixando-o daquele modo.

Gaara recebe de forma irônica a repreenda dela e com uma risada seca ele retruca.

- Sofrimentos? Eu sei o que é sofrer. O irmão dele matou o clã, meu pai tentou me matar. Ele era sozinho porque se afastava de todos por vontade própria; eu era sozinho porque todos tinham medo e raiva de mim. Eu sei o real significado de sofrimento e não fiquei me escondendo atrás de desculpas do passado. Poderia ter escolhidos inúmeros caminhos mais fáceis, inclusive me vingar da Vila que tanto me odiou. Mas eu escolhi viver e lutar para ser reconhecido e consegui achar meu lugar.

As palavras dele penetram fundo no coração de Sakura, entristecendo-a ainda mais. Há muito ela sabia de tudo aquilo e concordava. Sabia que Sasuke tinha sido fraco e não merecia seu amor, que ele se escondera atrás de desculpas para não ser feliz, mas o conhecimento não deixava sua situação mais fácil, muito pelo contrário, era duro ouvir aquilo de forma tão clara. Por toda sua vida ela tentara se enganar que ele era diferente. Aquelas palavras eram uma confissão de quão tola ela fora por acreditar num sonho, de entregar sua fé e seu amor a quem nunca mereceu.

- Pare com isso, não fale mais nada – e ela coloca as mãos nos ouvidos, temendo se machucar ainda mais.

Ele segura as mãos dela de forma firme, puxando-a para si.

- Abra os olhos – ordena.

Ela não queria, mas o tom de voz firme e a proximidade dos dois, com suas respirações misturando, já estava deixando seus sentidos perturbados e ela apenas obedece. O modo que ele a segura, de forma possessiva, faz com que parecesse que seus dedos queimavam a pele sensível de seus pulsos. Quando ela obedece, ele continua sem piedade.

- Eu sofri e continuo sofrendo, sem saber como você ainda o ama apesar de ele ter sido um idiota de esnobar seu sentimento. Eu sofro porque não consigo tirar sua imagem da minha mente, torturando meu dia, distraindo do meu trabalho e me revirando a noite na cama, imaginando o calor de seu corpo. Será que você não entende? Eu não quero você sofrendo por ele, pois eu sofro por você. Eu quero o que tanto você o deu e ele não tomou. Eu quero seu amor, eu a desejo para mim. Quero dormir com você nos meus braços e acordar de manhã e encontrar seu sorriso. Quero ser o motivo de seus olhos brilharem de contentamento e de seus lábios suspirarem de satisfação. Quero me consumir com você, tirando toda a luxúria que habita em mim, me sentindo pleno. Eu a desejo como nunca desejei algo na minha vida e parece que eu enlouquecerei se não a tiver.

Sakura escuta tudo cada vez mais espantada. Ela não sabia o que dizer. O significado das palavras de Gaara contrastava radicalmente com o modo ríspido que ele falava. Parecia que ele tinha raiva de si por seus sentimentos e estava descontando tudo no modo forte que ele a segurava, machucando seus braços. Por mais lisonjeada que ela estivesse, não dava para simplesmente aceitar aquilo passivamente e se entregar a ele como forma de aplacar suas necessidades. Ele falava dela como se fosse um objeto de desejo e não como alguém que ele amava. No fundo, ele criticava o Uchiha, mas ele também a queria como forma de aplacar suas necessidades, sua obsessão, e não por amor.

Uma onda de orgulho a invade e ela se solta de seu forte aperto e retruca firmemente.

- Pois é uma pena que eu lhe faço sofrer tanto, mas é inconsciente. Não era de minha intenção me fazer desejável para você, muito pelo contrário. Nunca pensei em lhe dar tamanho incômodo.

Gaara se surpreende com a reação dela e retruca com uma voz contida, escondendo sua surpresa e seu ressentimento.

- O que você quer dizer com isso?

- Exatamente o que você ouviu. Que não queria qualquer tipo de sentimento que você têm por mim e que não é problema meu como você vai lidar com eles.

Os olhos de Gaara se estreitam de raiva e Sakura dá um passo para trás ao ver o modo como suas feições estão transtornadas. Realmente ela tinha sido cruel com ele e agora receberia as conseqüências. O ar em volta deles está tenso, com a areia no chão trepidando pela força dos sentimentos dele. Mas ela não se amedronta e o enfrenta com um olhar decidido, encarando-o diretamente. Orgulho, raiva, todas essas emoções são facilmente lidas na face dele normalmente tão inexpressiva, até que algo mais surge e um sorriso irônico aparece em seus lábios. Sakura dá outro passo pra trás confusa. O que seria aquilo, estaria ela lendo corretamente seus olhos, seria admiração?

E antes que ela pudesse falar mais alguma coisa, ele a joga de encontro à parede próxima e toma seus lábios para si de forma exigente, prendendo seus braços acima de sua cabeça. Sakura é pega desprevenida e por um momento pensa em reagir, mas logo é tomada pelo turbilhão de sensações que a posse física de seus lábios estava proporcionando. Ao contrário do que ela temeu, ele não era cruel ou frio, mas ardente e exigente, devorando seus lábios cheios com seus beijos quentes. Ela não hesita mais e se deixa envolver, devolvendo na mesma medida, encostando seu corpo no dele.

Gaara não pede licença e já penetra a boca de Sakura com sua língua, explorando cada pedacinho, entrelaçando-a com a língua dela, numa dança sensual. Por um momento ele para de beijá-la e fala de forma irônica, baixinho, ao lado da orelha dela, o que a traz uma série de arrepios deliciosos em seu corpo, fazendo-a ondular, tentando instintivamente arrancar qualquer espaço que os afastasse.

- Ainda mais bela é forte, essa é a minha garota.

Ela não se incomoda pelo tom possessivo e apenas deixa aflorar um sorriso provocativo, enquanto lança um olhar inocente e morde os lábios provocando-o. Gaara não perde um só movimento e sucumbe a tentação dela e toma novamente sua boca quente e macia para si. Os dois queriam mais. A razão há muito tinha sido esquecida. Sakura queria se sentir viva novamente, deixando para trás toda sua tristeza e rejeição. Gaara queria se satisfazer dela de uma vez por todas, tentando em vão tirar o fantasma do desejo que o perseguira por todos esses dias.

E eles se deixam se levar por essa onda crescente de desejo. Ele solta as mãos dela e toma sua cintura puxando ainda mais para si, sentindo toda a extensão de seu corpo e, principalmente, seus seios de encontro a seu tórax, enquanto passeia por suas costas e segura sua nuca para permitir uma maior exploração de seus lábios. O beijo é selvagem, despertando o lado mais primitivo deles.

Por um momento, Gaara se afasta e, antes que ela protestasse, a toma em seu colo e começa a carregá-la por um corredor escuro, enquanto se afunda na curva delicada do pescoço dela, mordiscando-o e beijando-o. Ele praticamente chuta uma das inúmeras portas do corredor e a deposita delicadamente em cima de uma mesa, que limpa, empurrando tudo o que estava em sua superfície para o chão. Ele não se importava com mais nada, naquele momento, sua vida se resumia a Sakura.

Gaara para de beijá-la e vai até a janela fechar as cortinas e até a porta para trancá-la. O som da chave desperta Sakura para a realidade enquanto jogava suas sandálias longe e um momento de lucidez passa por sua mente enevoada de desejo. Seria aquilo o que ela realmente queria? Estaria pronta para se entregar tão facilmente a um homem como ele, provavelmente frio, que a estava desejando naquele momento, mas que poderia, de manhã, quando satisfeito, simplesmente ignorá-la? Mas ela não tinha como resistir. Ele já estava voltando com os olhos brilhantes de desejo, uma chama que tocava fundo em sua feminilidade, fazendo-a sorrir de forma sensual. Ela não se movia mais pela razão, mas pelos instintos mais carnais do desejo.

E ele pretendia satisfazê-la completamente, de modo que ela implorasse para que ele a fizesse sua, gritando seu nome em êxtase. Ele mal se aproxima e suas mãos já percorrem a carne macia dos braços dela, enquanto uma delas sobe para o seu rosto, segurando-o e a outra para em suas costas, puxando-a ainda mais para si, voltando o contato de seus lábios.

O beijo estava sendo enlouquecedor, mas ele é subitamente interrompido por uma pressão que Gaara sente em seu peito. Ele olha espantado e vê Sakura o empurrando com seu pé. Sua sobrancelha arqueia descrente. Ele estava certo que ela o desejava com o mesmo fervor, então por que estaria fazendo aquilo? O rosto dela não parecia estar contrariado, muito pelo contrário, em seus lábios um sorriso safado prometia que naquela noite ele alcançaria o paraíso.

Ela impõe uma distância entre os dois e se levanta da mesa. De forma sensual, ela passa a mão pelo corpo até começar a abrir o kimono que usava, revelando suas curvas esculturais. Gaara prende a respiração observando aquilo, sentindo seu membro latejar cada vez mais de desejo. Não conseguiria se agüentar por muito mais tempo.

Quando as veste dela caem ao chão, junto é retirado todo seu auto-controle e ele arranca de qualquer forma a camisa e já parte pra cima dela. Ela aceita sua investida e passeia com seus dedos por suas costas, arranhando-o com vontade, enquanto ele explora a parte sensível de seu pescoço. As mãos do rapaz percorrem a pele macia dela até as costas, alcançando o fecho do sutiã e o soltando, permitindo que a exploração de seus lábios seguissem em direção aos seios que subiam e desciam rapidamente com a respiração excitada dos dois.

Ele toma um dos globos leitosos em sua boca, brincando primeiramente com seu mamilo, passando a língua de modo a deixá-lo firme, até que a abre totalmente, passando a sugar o seio todo. Sakura geme de prazer e mergulha seus dedos nos cabelos cor de sangue dele, bagunçando-os tentando canalizar todo o prazer que formigava por sua pele, dando-lhe arrepios com o gesto dele.

Seu braço passa pela cintura dela e novamente a levanta para depositá-la na mesa de seu escritório. Ele abandona o seio e numa trilha de fogo, com sua língua passeando pela barriga macia e lisinha dela, chega à calcinha e a arranca com os dentes. Sakura vai se arqueando levemente, com os olhos fechados, apenas apreciando o leve passear da língua dele em cada centímetro de sua pele, com os lábios entreaberto, deixando escapar suspiros desejosos, até que se deita na mesa, abandonando seu corpo ao exame minucioso dele, deixando que ele a explorasse e se satisfizesse como quisesse.

Gaara afasta as pernas dela e segue a beijando até chegar em seu ponto de prazer, estimulando-o com sua língua. As pernas tremem levemente quando ela sente o que ele fazia e sua cabeça levanta numa resposta natural até que um choque delicioso de prazer passa por seu corpo e ela arregala os olhos e um grito mudo fica preso em sua garganta. Por um momento sua respiração fica presa até que começa a arfar. Ele dá uma risadinha baixa, satisfeito ao vê-la alcançar o primeiro orgasmo. E ele volta a estimulá-la até que sente as mãos trêmulas dela em seus cabelos, puxando-os levemente.

Com o toque dela, ele se levanta por um momento e ela o segura pelos ombros, puxando-a para si. Ele hesita, pretendia ainda dar mais prazer a ela, mas o modo até assustado dela com tudo que experimentava e os lábios abertos, ansiando para serem novamente beijados o cativam e ele voltar a ficar por cima dela, beijando-a novamente.

Os dedos de Sakura percorrem rapidamente o tórax dele, fazendo uma leve carícia, até alcançarem o cós da calça de Gaara, lutando com o fecho, até conseguir abrir. Ela queria sentir mais, queria saber como era ser possuída, amada completamente. Ele sente a intenção dela e, sem soltar os lábios dela, se afasta o suficiente para retirar o restante de suas vestes.

Ela sente a pressão do membro duro dele em toda sua plenitude perto de suas partes íntimas e estremece. Gaara pressente o leve nervosismo que a toma e para de beijá-la e fica a fitando por um momento. Seus olhos se encontram e ele é capaz de ver o desejo temperado pelo medo nas piscinas verdes de Sakura.

- Não se preocupe, confie em mim – diz com uma voz rouca de desejo.

Sakura apenas balança a cabeça concordando e se recrimina interiormente por temer. Era tanto o que ela queria, por que estava tão nervosa? Mas ela sabia a resposta, sempre sonhara que seria com outro a primeira vez e temia se decepcionar. Só que o momento de dúvidas e angústias já passara há muito e ela arregala os olhos ao vê-lo nu a sua frente, com seu membro totalmente excitado.

Não era a primeira vez que via um homem nu, afinal, ela era uma kunoichi médica, mas tinha que admitir que nunca vira um tão bem dotado. Gaara dá uma risadinha orgulhosa quando nota a direção do olhar dela e se aproxima para mordiscar sua orelha.

- É a sua primeira vez?

Sakura novamente só balança a cabeça, já fechando os olhos e apreciando a sensação.

De forma lenta ele a envolve em seus braços, passando um calor e uma proteção que ela nunca sentira antes. Tudo parecia perfeito. Seus corpos se encaixam e ele murmura.

- Isso vai doer um pouco.

Quando ela pensa em responder, uma forte pontada a faz soltar um leve gemido. Não era algo ruim, até que era uma dorzinha sensual, temperada pela sensação única de sentir o membro dele em sua plenitude dentro de si. Ele aguarda por um momento que ela se acostume com sua pressão e de forma lenta passa a movimento ritmados. Não era a primeira vez dele e apesar da necessidade quase alucinada de gozar totalmente dentro dela, ele se controla e continua num ritmo cadenciado, aproveitando ao máximo a sensação de estar no corpo de quem desejara por todos aqueles dias.

Ele não sabia o que era amor, nunca fora ensinado a sentir isso, mas se era realmente como todos o descreviam, amor deveria ser a forma correta para nomear o que estava sentindo.

Seu autocontrole evapora quando ela começa a gemer, chamando seu nome entre os suspiros de prazer. Aquilo era tudo o que ele desejava e aumenta o ritmo, passando a um dança alucinada de dois corpos contorcendo de desejo até que chegam ao clímax e Sakura alcança as estrelas.

Gaara fica por um momento arfando, trêmulo em cima dela até que consegue se mexer e acaba por se sentar ao chão, encostando-se na mesa, trazendo-a junto de si, enlaçando-a num abraço carinhoso. Os minutos passam e os dois, de olhos fechados, apenas tentam prolongar o momento de paz que os consumiu anteriormente. E como era uma sensação maravilhosa.

Uma leve sonolência envolve Sakura, mas a curiosidade a domina e ela força abrir os olhos e examinar o ambiente. Assim que reconhece o local, exclama espantada.

- Nós estamos no seu escritório.

Gaara dá uma risada seca e passa a acariciar os cabelos róseos dela que continua com uma suposta voz séria.

- Que coisa feia, fizemos o ato carnal mais primitivo que há na mesa do Kasekage.

Sakura se sentia leve, brincalhona. Para sua surpresa, Gaara dá uma risada alta. Não era algo forçado ou irônico, era uma risada verdadeira, de humor. Era a primeira vez que ela ouvia aquele som dele e como era agradável, cristalino. Gostaria de ouvi-lo sempre, por toda sua vida.

- Se você quer dizer com isso que fizemos amor na minha mesa, com todos os meus papéis espalhados no chão, está totalmente certa.

Uma intimidade gostosa os envolve e eles ficam se fitando por um longo momento, sem dizer nada, apenas se contemplando com um sorriso nos lábios. E assim eles permanecem, até que um movimento no corredor chama atenção de Gaara e o faz cortar o contato e se levantar.

- É melhor irmos para casa, ainda está tendo uma festa na cobertura.

Casa? Aquela palavra faz Sakura querer rir. Aquela não era sua casa, nem mesmo sua Vila. O que aquilo significaria? Teria futuro o amor dos dois? Um amor à distância? Ou ela estaria disposta a abandonar Konoha de vez?

Gaara estava terminando de se vestir e se aproxima da porta.

- Preciso falar com Kankouru e já volto.

Sakura, ainda sentada no chão, concorda espantada, vendo-o sair. Ela nunca imaginara Gaara dando-lhe qualquer tipo de satisfação. Realmente aquela noite parecia ter provocado grandes mudanças na vida dos dois. Ou seria apenas algo transitório, fugaz? De forma automática ela se levanta e se veste rapidamente, de costas para a porta. Quando estava terminando, fechando o último botão, fortes mãos apertam seus braços de forma delicada, sentindo um corpo quente encostar levemente no seu.

Pega de surpresa, ela se vira e se perde nos orbes verdes e penetrantes que estavam a poucos centímetros dos seus.

- Está pronta? Vamos? – uma voz rouca a resgata e ela balança a cabeça rapidamente.

Gaara se afasta bruscamente e ela dá um passo inseguro, cambaleando de leve. Ele precisava ser tão intenso em tudo que faz? A proximidade com ele sempre a fazia perder o fôlego. Será que seria sempre assim? Ele nota a leve falta de equilíbrio dela e com uma sobrancelha arqueada a provoca.

- Eu sei que você não consegue ficar sem meus braços ao seu redor, mas não será muito discreto se eu a carregar pelos corredores da sede da Vila.

As palavras acordam o orgulho de Sakura e ela fecha a cara, passando por ele, pisando com força.

Antes que ela alcançasse a porta, fortes braços a envolvem e a tiram do chão.

- Pensei que não seria aconselhável se aproximar de mim – diz acidamente.

Gaara simplesmente ignora a provocação dela e a carrega até uma das paredes em que uma grande tapeçaria estava pendurada. Ele a afasta e Sakura é capaz de ver nada mais que a parede branca, com o pequeno símbolo de Suna desenhado no meio. O que ele queria com aquilo? Por que estava mostrando para ela a parede? Rapidamente ele leva o dedo à boca e o morde, fazendo-o sangrar, encostando-o em seguida no símbolo. Em resposta, a parede desaparece, deixando a mostra um longo corredor.

- Essa é uma das rotas de fuga da sede. Leva diretamente a minha casa. Acho que não preciso pedir para que guarde segredo?

Sakura balança a cabeça, espantada com a confiança que ele depositava nela.

Ele avança pelo corredor que descia de forma íngreme, com uma série de degraus. As paredes estão iluminadas por tochas habilmente colocadas e o ar é quente e opressivo. Após alguns minutos eles chegam à outra parede e Gaara repete o procedimento. Como ele dissera, o corredor passa pelo subterrâneo da cidade até sua casa, terminando por trás de outra tapeçaria que ficava pendurada na sala.

O cômodo está escuro e Gaara não se preocupa em acender a luz ou mesmo em colocar Sakura no chão, apesar dos protestos dela. Ele simplesmente a carrega pelo corredor e passa direto pelo quarto dela.

- Mas... onde você está me levando? Aquele quarto é o meu... – diz de forma atrapalhada apontando para a porta que ficava cada vez mais longe deles.

- Hoje você é só minha.

O tom autoritário da voz dele cala qualquer outra observação que ela pensasse em ter. Ele abre outra porta e a carrega pelo interior de um quarto até chegar ao banheiro que era ligado e é em frente uma grande banheira que ele a coloca de pé. Sem falar nada, Gaara simplesmente liga a água quente que começa a enchê-la e mexe numa série de potinhos, despejando um pouco do conteúdo na água.

Sakura, sem saber ao certo o que fazer, fica apenas parada observando o que ele fazia. Deveria tirar sua roupa? Ele pretendia que os dois tomassem banho juntos? A banheira parecia grande o suficiente para isso.

Quando ele termina, começa a tirar a roupa rapidamente. Sakura, um pouco sem graça, tentar se virar ligeiramente e começa a desabotoar o vestido até que escuta a voz de Gaara e sente seus dedos fortes prendendo os seus.

- Não. Deixe que eu faço isso.

Habilmente ele afasta as mãos dela e começa a desabotoar o vestido, beijando cada pedaço da pele que era revelando quando o tecido é afastado. Um suspiro escapa dos lábios de Sakura e ela se espanta pela rapidez que o desejo volta a tomá-la. Eles tinham acabado de fazer amor, não deveriam esperar um pouco mais? Mas aquela opção não estava em discussão e Gaara termina de despi-la e a puxa para o interior da banheira.

A água quente recebe os corpos do casal que naquele momento já ardiam de desejo. E com lentidão Gaara a banha, centímetro por centímetro, massageando sua pele de forma erótica, explorando seus lábios ocasionalmente, conhecendo cada pedacinho da pele de quem habitava seus pensamentos. Quando termina, Sakura repete o ritual em Gaara, estimulando seu membro que já estava dilatado de desejo. Novamente ele a possui, agora em meio as bolhas e a água que já esfriava, batendo em suas peles, dando a sensação de que flutuavam. Mais uma vez Sakura se sente plena e de modo lânguido, deixa-se carregar por Gaara que a seca e a leva até sua cama, abraçando-a em seguida. E é lá, rodeada pelos fortes braços daquele que aprendera a amar que ela adormece.

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Um intenso raio de sol escapa por entre as cortinas que balançam preguiçosamente ao vento e vem pousar diretamente sobre os olhos adormecidos de Sakura. Por um momento ela franze as pálpebras e as abre lentamente, colocando a mão para se proteger da luminosidade. Que horas seriam? Virando rapidamente na cama, ela estica o braço para pegar o relógio que ficava no criado-mudo ao lado de sua cama.

A visão das flores que Gaara lhe dera traz um sorriso aos lábios que logo desaparece ao ver o horário – 15h – ela dormira de mais. Resmungando, ela levanta depressa da cama e corre para o banheiro. Antes de seguir para o chuveiro, ela passa pelo espelho que chama sua atenção ao ver seu reflexo. Por um momento ela para e leva a mão ao rosto para ter certeza do que via. Nunca na vida estivera tão bonita. Apesar dos cabelos desgrenhados, seus olhos pareciam ter um brilho e uma vivacidade que nunca tivera antes. Sua pele parecia mais rosada. Uma verdadeira aura de felicidade parecia povoá-la. Mas por que ela estaria daquele jeito? Logo a resposta vem junto às lembranças na noite passada e ela cora violentamente.

A festa tinha sido na noite anterior e ela e Gaara tinham sucumbido à tentação e se amado loucamente por toda à noite. Hoje o dia era livre, não tinha porque correr. Rindo dessa constatação ela volta para o quarto e se deita na cama, relembrando tudo o que acontecera. Há muito ela não sentia aquela sensação. Na verdade, ela nunca se sentira tão plena na vida. Ao seu redor tudo parecia mais belo e ensolarado. As cores tinham mais vida. E pensar que há tão pouco tempo ela estivera chorando de medo do futuro.

O futuro... no fundo, ele ainda não estava claro a sua frente. Pelo contrário, os acontecimentos da noite anterior tinham-no bagunçado totalmente. Pensando em noite anterior... uma súbita dúvida toma sua mente e ela se senta na cama num salto. Algo não estava certo. O que ela estava fazendo lá? O que ela estava fazendo no seu quarto? Na noite passada ela tinha adormecido no quarto de Gaara, em seus braços, então como ela viera parar lá?

Uma ruga de curiosidade surge entre suas sobrancelhas e ela resolve tomar banho logo para tentar achar Gaara, ele seria o único capaz de resolver esse mistério. Após colocar um leve vestido branco com florzinhas rosa e escovar seu cabelo, deixando-o solto às costas, ela sai de seu quarto e segue para a sala.

Como na noite passada, o ambiente está vazio e ela vai até a cozinha, tentando achar alguém. Kankouru estava lá, comendo um grande sanduíche e a recebe com um simpático sorriso.

- Bom dia, vejo que acordou. Está com fome? Posso lhe fazer um desses.

Sakura retribui o cumprimento e já pensa em negar o lanche quando sente uma pontada de fome no estômago. Fazia muito tempo que tinha comido alguma coisa. Ela resolve aceitar a oferta e se senta num banquinho, observando-o montar o sanduíche rapidamente, enquanto tenta em sua cabeça achar um modo de tocar no assunto de Gaara sem despertar qualquer tipo de suspeita.

- Onde estão todos, a casa está vazia? – arrisca com um tom desinteressado.

- Gaara deu folga a todos os funcionários. A festa de ontem exigiu muito deles e como foi um sucesso, ele resolveu recompensá-los com outro dia livre.

- Ah – e ela morde os lábios frustradas sem saber como continuar.

Uma idéia surge em sua mente e ela pensa em arriscar.

- E Temari?

- Ainda está dormindo. Vamos dizer que ela aproveitou muito a noite passada.

- Uhun – concorda de forma distraída.

- E você?

- Eu? – pergunta sobressaltada.

- Sim, você se divertiu? Depois da dança com Gaara não lhe vi mais.

- É, eu acabei saindo, estava cansada.

- Sabe garota, você realmente causou um impacto em Suna. Depois de sua dança com Gaara, todo mundo não falou de outro assunto no salão. Quem não sabia de sua chegada, ficou sabendo – e Kankouru balança a cabeça, fitando o chão – ele nunca dança nas festas, se eu não conhecesse meu irmão, juraria que ele está... – e sua voz foi diminuindo até sumir.

- Que ele está? – estimula Sakura subitamente agitada.

Kankouru ri e coloca o sanduíche pronto num prato na frente de Sakura.

- Aí está, coma, essa é a minha especialidade.

Sakura se esforça pra dar um sorriso e dá uma pequena mordida.

- E então, gostou?

- Sim, está uma delícia – responde automaticamente. Na verdade, nem tinha sentido o gosto, com a mente tomada por hipóteses. O que Kankouru queria dizer? E onde estava Gaara? Como ela acordara em sua cama? E a pior de todas, como descobriria onde Gaara está?

Ela já estava começando a ficar sem esperanças quando Temari entra na cozinha.

- Bom dia a todos – fala com um sorriso de orelha a orelha.

- Bom dia dorminhoca, estava começando a achar que teria que invadir seu quarto para te acordar – implica Kankouru.

- Bobo, hoje nada que você fale irá tirar meu bom humor.

- Uau, parece que a noite foi boa. Pelo jeito Shikamaru foi esquecido de vez.

- Isso não é assunto seu, mas antes que pense bobagem, não foi por isso que estou assim. Vamos dizer que algumas preocupações minhas foram solucionadas e eu dormi muito bem.

- Pois espero que elas nunca mais voltem, não é sempre que você está tão agradável.

Temari resolve ignorar o irmão e questionar Sakura.

- E você, Sakura, dormiu bem? Aposto que sim.

Algo no modo de Temari dizer essas palavras deixa claro que ela sabia que alguma coisa tinha acontecido na noite anterior, fazendo Sakura corar violentamente ao constatar isso. Antes que ela conseguisse responder alguma coisa, Kankouru berra.

- Temari, não ouse comer meu sanduíche.

- Ah, Kankouru, estou com fome.

- Pois faça um pra você.

- Poxa, você sabe que eu não sei cozinhar.

- Qualquer idiota sabe fazer um sanduíche. É só pegar o recheio e enfiar no pão.

- E por que você não faz pra mim?

- Eu não, você tem duas mãos e é bem capaz disso.

- Ah, mas você fez para Sakura.

- Ela é visita.

- E eu sou sua irmã querida – e ela enlaça o pescoço do irmão, dando um barulhento beijo em sua bochecha – vamos Kankouru, por favor.

- Hunf, está bem, mas não consigo fazer com você me agarrando.

Temari o solta toda alegre e volta sua atenção novamente pra Sakura que assistia a cena.

- Então Sakura, onde está o Gaara?

Novamente a pergunta da Temari a faz corar e quase engasgar com o sanduíche que acabara de dar outra mordida.

- É... eu não sei.

- Ué, como não sabe?

- Temari, deixe-a em paz. Como ela poderia saber se acordou agora? – implica Kankouru.

- Mas...

- Gaara saiu cedo e acompanhou nossos hóspedes até o portão. Caso você não se lembre, eles partiriam hoje.

- Xii, esqueci. Mas nós já estamos no meio da tarde, deu tempo de sobra para ele voltar.

- É, eu sei, mas veio um mensageiro do Conselho chamando-o para uma reunião.

- Qual é o motivo da reunião?

- Não tenho idéia, que eu saiba não há qualquer assunto urgente para resolver, mas mesmo assim eles a convocaram.

- O que será que aqueles velhos estão tramando?

- Temari, eles são os Conselheiros da Vila, não deve chamá-los assim.

- E por que não? Eles são mesmo, um bando de velhos enxeridos que ficam infernizando a vida do nosso irmão.

- Eles fazem isso para o bem da Vila, afinal, ele é o Kasekage.

- Até parece que é para o bem da Vila. Eles querem é controlar a vida dele.

- Temari...

- Ah, Kankouru, se quer viver no mundo dos sonhos o problema é seu, mas não vem querer mudar minha opinião.

- Vixi, o bom humor já foi embora.

Sakura acompanha a discussão dos dois atentamente, devorando cada palavra dita. Finalmente ela tinha descoberto onde Gaara estava, mas aquilo não era de grande valia. Porém sua cabeça estava cheia de outras informações igualmente importantes. Kankouru tinha dito que praticamente todos na festa notaram a dança dos dois e que ficaram comentando. Seria, então, a reunião por esse motivo? Provavelmente não. Por mais enxeridos que fossem os Conselheiros, nunca eles convocariam uma reunião apenas para isso. Seria um exagero. Rindo de sua ingenuidade, Sakura volta a prestar a atenção na conversa a sua volta. Temari e Kankouru discutiam calorosamente sobre quem faria o jantar.

- Temari, é óbvio que eu não vou fazer o jantar, você que é a mulher e é quem deve fazer.

- Não seja machista, Kankouru, você fala como se morássemos na roça. Pois eu sou uma kunoichi talentosa e não uma cozinheira e se tem alguma dúvida nisso...

- Calma, eu sei muito bem a força que tem, mas isso não resolve nada. Ainda temos que fazer o jantar.

- Deixa que eu faço – sugere Sakura.

Os dois olham para ela esperançosos.

- Melhor não, você é a visita e não deveria ter trabalho – hesita Kankouru.

- Ah, Kankouru, pare de falar isso, ela é de casa, praticamente nossa irmã.

Sakura mais uma vez cora e, para seu desespero, Temari continua.

- Se ela está se oferecendo é porque deve saber cozinhar e aposto que Gaara irá adorar.

- Hum, talvez – concorda Kankouru pensativo.

- Perfeito então, Sakura faz o jantar e eu ajudo.

Após o término do café/almoço deles, Temari arrasta Sakura para dar uma volta por Suna. Perto da hora do jantar elas voltam e começam a preparar a comida. Gaara ainda não tinha retornado e não aparece até que eles vão dormir. Naquela noite o sono demora muito para visitar Sakura e ela fica até altas horas se remexendo na cama. Várias vezes ela se levanta para ir até a sala tentar encontrar Gaara, mas a coragem sempre lhe falta quando toca a fechadura. Por algum motivo, ela se sentia magoada com o comportamento dele naquele dia. Ele deveria ter mandado um bilhete, dado alguma satisfação e não simplesmente sumido o dia todo. Parecia que nada tinha acontecido entre eles na noite anterior. Pois bem, se ele queria assim, ela também participaria do jogo. Ela iria ignorá-lo e se ele quisesse falar com ela novamente, deveria partir dele a iniciativa de se encontrarem.

No dia seguinte, Sakura chega receosa a mesa do café, mas Gaara, como sempre, já tinha partido cedo e, mais uma vez, Kankouru a acompanhou até o laboratório. Foi uma manhã longa e cansativa, com Sakura tentando se concentrar ao máximo e se frustrando. Simplesmente ela não conseguia se focar no trabalho, com sua atenção voltando-se a todo o momento ao relógio, vendo os minutos passarem lentamente. Mesmo sem admitir para si, ela queria ver Gaara e a hora do jantar seria ideal. O problema que ainda era de manhã.

A hora do almoço passa com ela comendo um simples lanche e a tarde prometia ser uma cópia do período anterior se não fosse por um dos funcionários que aparece perto das 15h. Em sua mão está uma flor que ela reconhece imediatamente. Ansiosa, ela abre o cartão que não continha nenhuma assinatura, nem precisava, a simples visão do presente lhe deixava claro de quem era. Contrastando com o papel branco, apenas uma frase estava escrita – Espero por você em nosso oásis.

A resolução anterior de não procurar Gaara é rapidamente esquecida, afinal, partira dele o convite, não tinha porque não ir ao seu encontro. Então, sem hesitar mais, olhando em volta para verificar se alguém tinha reparado em alguma coisa, ela pega sua bolsa e sai discretamente. Todos estavam compenetrados em seu trabalho e nem notam sua saída. Era o que ela precisava. Caminhando rapidamente pelas ruas de Suna ela chega aos muros da cidade, onde se informa qual direção tomar, e começa seu trajeto longo e quente, com o sol a pino pelos desertos ao redor da Vila. Depois de quase uma hora, ela finalmente chega ao oásis.

De dia o local não parecia emanar o encanto daquela noite, não passando de um agrupamento de vegetação com um tom amarelado e o aspecto seco pelo sol. Sakura caminha lentamente entre as árvores baixas até o lago que ela sabia ser o centro do oásis, procurando por Gaara. Ele provavelmente ainda não tinha chegado e ela resolve se sentar em baixo de uma das árvores para fugir do calor sufocante. Uma rápida brisa visita o local em que está e ela fecha os olhos para apreciar o breve frescor.

Um leve sussurro quebra sua paz e ela abre os olhos assustada, mergulhando no mar verde que conhecia muito bem e que estava a poucos centímetros de seu rosto. Gaara tinha chegado e estava agachado na frente dela, murmurando seu nome e tocando seu rosto.

A mágoa que ela sentira dele até aquele momento de repente desaparece e todas as palavras que ensaiara por toda a manhã para acusá-lo simplesmente abandonam sua mente. Sem notar, seus lábios deixam aflorar um meigo sorriso, o convite ideal que Gaara estava esperando. Sem perder nem mais um minuto, ele toma os lábios dela e os dois se deixam envolver pelo fogo que sempre surgia quando eles se tocavam. E foi naquele oásis, debaixo de uma das árvores que Sakura novamente visitou uma partezinha do paraíso, esquecendo-se de toda sua angústia.

O céu já estava tingido de laranja pelo por do sol quando finalmente eles se levantam e vão se banhar nas águas mornas do lago, vestindo-se em seguida. Até aquele momento, nenhuma palavra tinha sido trocada, não era necessário, seus corpos tinham falado por eles, com suas línguas entrelaçadas demonstrando tudo o que desejavam. Mas a realidade voltava a rodeá-los e certos pontos ainda precisavam ser esclarecidos. Sakura esperava uma explicação de Gaara que não parecia propício a dar. Ela estava se preparando para questioná-lo durante o caminho da volta que ela sabia ser longo. Não daria mais para esperar.

- E aí, vamos? – questiona, olhando-o de esguelha enquanto ele acabava de se vestir.

- Vá na frente, eu vou mais tarde – responde sem qualquer inflexão na voz.

As palavras deles acabam por arruinar todo o planejamento dela e sem notar, deixa escapar sua confusão, tornando-a ousada a ponto de questionar.

- Mas por que? Você tem que fazer alguma coisa aqui?

Gaara não responde e apenas fica a fitando longamente. Sakura logo entende que não receberia uma resposta direta. Aquilo a deixa irritada, ela não permitiria que o assunto morresse. Eles precisavam conversar e isso nunca seria possível na casa dele.

- Qual é o problema? Não pode me contar? Tudo bem então, eu fico mais um pouco e conversamos aqui mesmo.

- Não, você tem que ir.

- Está esperando alguém?

- As patrulhas de Suna logo passarão.

- E?

Novamente o silêncio volta a respondê-la. Sakura não entendia qual era o problema, ante-ontem ele tinha sido capaz de confiá-la um dos segredos mais preciosos de uma Vila, as rotas de fuga, e agora não era capaz de lhe dar uma resposta direta.

- Gaara, eu realmente não entendo porque não quer me contar. Eu acho que tivemos um momento legal juntos, mas se você não quer confiar em mim, então é melhor falar logo porque eu...

- Nós não devemos ser vistos juntos – corta de forma ríspida.

- Como assim?

Após um suspiro longo, ele resolve por fim falar.

- Ontem o Conselho me chamou e deixou claro que um envolvimento do Kasekage com uma kunoichi de outra Vila está fora de questão.

- Então, a reunião que você ficou a tarde toda... – exclama, atrapalhada com as palavras.

- Sim, foi para discutir o futuro de nossa relação.

Sakura dá um passo para trás, afastando-se dele, enquanto seus olhos se arregalam de confusão.

- O que você quer dizer com isso?

- Sakura, você precisa entender que apesar dos avanços feitos em Suna, a maioria dos habitantes ainda tem uma mente muito tradicional, com fortes preconceitos contra estrangeiros.

- Mas vocês é o Kasekage...

- Por isso mesmo devo viver conforme os costumes aplicados.

- Você então está dizendo que acabou, é isso?

- Não – e Gaara se aproxima para fazer uma leve carícia no rosto dela – não, nunca.

- Então o que é? – pergunta, afastando rudemente o rosto da mão dele.

- Só estou falando que precisamos ser discretos. Teremos que ter paciência enquanto eu tento mudar as cabeças no Conselho.

- Você quer manter a nossa relação em segredo? – pergunta incrédula.

Gaara parece hesitar, mas acaba concordando após outro longo suspiro.

- Sim, é isso mesmo.

Sakura fita-o por um longo momento. Sua mente estava um verdadeiro caos, mas por fim parece encontrar sua voz.

- Não sei se é isso que eu quero. Estou cansada de falsidades.

Novamente Gaara toca seu rosto e fala num tom que revelava toda sua tristeza.

- Isso é tudo que eu posso oferecer no momento.

As palavras penetram fundo na alma de Sakura e grossas lágrimas vêm aos seus olhos. Era o fim. Por um momento seu coração parece que vai se quebrar em seu peito e o desespero toma conta de seu ser, forçando-a se virar e sair correndo em direção a Vila. Ela não poderia ficar mais lá, ela sentia que iria se despedaçar se o continuasse fitando.

Gaara a vê se afastar, mas não faz qualquer movimento para detê-la. Ele sabia muito bem o que ela estava sentindo, pois ele também sofria. Quando ela se afasta o suficiente para não mais o ver, Gaara se ajoelha na areia e deixa transparecer todo seu sofrimento. Ele desejava gritar para os quatro cantos que amava, que finalmente, depois de todos aqueles anos, conhecera o verdadeiro amor e que ele impregnava todo seu ser. Queria proclamar que encontrara uma felicidade que nunca imaginara merecer ou mesmo ser capaz de sentir, mas que essa estava lhe sendo arrancada junto com seu coração.

Sua alma chorava e ele queria extravasar isso, deixar sua eterna postura fria e simplesmente permitir que as lágrimas escorressem por seu rosto como qualquer pessoa normal, mas seus olhos, como sempre, estavam secos, aprisionando todo aquele sofrimento dentro de si, produzindo um ódio frio contra todos aqueles que condenavam o amor deles. Nunca em sua vida odiara tanto Suna e seus habitantes. Sua vontade era de exterminar a todos, tirá-los de seu caminho, deixando-o livre para viver seu verdadeiro amor.

Mas ele sabia que nunca faria isso. Ele tinha se comprometido com aquelas pessoas e suas vidas eram preciosas. Mesmo sua existência seria um preço pequeno para salvá-las, quanto mais seu amor. E de forma silenciosa ele ouviu os Conselheiros recriminando a maneira como ele se portara na festa e a ousadia de se envolver com uma forasteira. Konoha poderia ser aliada deles, mas ainda era outra Vila e nunca se saberia a lealdade de Sakura se algum dia as Vilas viessem a romper seus tratados. O Kasekage deveria se casar, e logo, mas com uma verdadeira filha de Suna.

Gaara não pretendia abrir mão de seu amor assim tão facilmente, mas o terreno em que pisava era perigoso e ele deveria avançar com cuidado. Seu plano era de conversar um a um com os Conselheiros, de forma separada, angariando sua simpatia aos poucos, mantendo, enquanto isso, o envolvimento deles em segredo. Mas nunca imaginara que Sakura reagiria daquela forma. Por um momento, ele realmente acreditara que ela o amava e que tinha esquecido definitivamente o Uchiha. Provavelmente ele se enganara.


Agradeço o carinho enviando nos posts.

Thamy - Belle Fey - só mesmo você pra me fazer escrever Gaara e Sakura, ainda mais em hentai. Depois não reclame se a inspiração demorar pra sair, rsrsrsrs (boa tática, tentando tirar a culpa de cima de mim). Dos dois saiu, mas Ino e Sai não sairá nem na marra. É mais fácil chover dinheiro. Bjocas.

FranHyuuga - oi lindinha, fico muito feliz que vc. gostou. Realmente o Gaara deu trabalho, estou tentando fazê-lo sexy, mas sem tirar seu lado sério (não dá para fazê-lo um Don Juan, até dá, mas não muito tarado), embora ele tenha ficado bem hot. Desculpe pela demora, acabei me enrolando, mas prometo que o próximo capítulo será bem mais rápido. Bjinhos.

Hitomi-imou-chan - oi meninaaa, não sabia que gostava mais de Gaara e Sakura. Eu sou louca por Sasuke e Sakura e está sendo bem difícil me acostumar com essa idéia. Só mesmo matando o Sasuke. No final, acabei prolongando mais um pouco e terá mais um capítulo e, provalmente, um epílogo. Vamos ver. Bjocas.

Cinthia - oi menina, sem problemas, só espero que você não queira que eu responda em espanhol, rsrsrsrs, disso eu não ablo nada, nem mesmo o portunhol. Bjos.