"Adorei o jantar! Obrigada pelo convite."
"De nada. E eu também gostei muito do jantar. Gostava de poder repetir se estiveres a par disso."
"Claro! Quando quiseres." De repente o humor de Nell mudou
"Que se passa?" – perguntou Callen assustado.
"Nada, é só uma coisa que preciso de te dizer."
"O quê?"
'Podemos ir para um lugar mais sossegado para falar-mos?'
'Claro. Podemos ir para minha casa, sempre fica mais perto.'
'Ok.' – disse Nell
Não tardou muito até chegarem a casa de Callen.
'Bem, esmeraste-te para decorar a casa!'– disse Nell com um tom de ironia
'Na verdade só acho que não preciso de muita coisa.' – disse Callen. 'Então o que tinhas para me contar?' – disse ele depois de entregar uma cerveja a Nell e de se acomodar no sofá.
'Não é fácil de dizer isto, mas…'
'Mas? '
Nell tirou as fotografias dela em bebé e entregou-as a Callen
'Onde é que conseguiste isto?' – perguntou Callen
'Lembras-te deles?'
'Lembro, foi mais uma família de acolhimento. Sai uns dia antes do meu aniversário para prevenir ser posto na rua.'
'Porque dizes isso? Eles gostavam muito de ti!' – disse Nell quase a chorar
'Tu não entendes, pois não? Depois de tantas famílias de acolhimento e de no dia do meu aniversário ser posto na rua, a única maneira de não ter de passar por isso outra vez era fugir!' – disse Callen um pouco irritado
'Porque? Eles foram bons contigo! A tua saída destroçou-lhes o coração!'
'Porque é que isso te incomoda tanto?' – disse Callen
'Porquê? Porque essas duas pessoas que estão contigo são os meus pais e porque essa bebé com quem estás a brincar sou eu!' – disse Nell enquanto saia de casa do Callen
Callen de repente teve um flashback e saiu a correr para ir ter com ela. Ela estava lavada em lágrimas. Callen chegou à beira dela e abraçou-a. Ela relaxou nos seus braços mas de repente afastou-se.
'Por favor agente Callen. Eu quero apanhar um táxi.' – disse Nell a chorar
'Não, não vais apanhar nenhum táxi.' – disse Callen orientando-a para dentro.
Sentaram-se no sofá e Callen começou a falar.
'Então fala-me deles.' – disse enquanto tentava secar as lágrimas nas bochechas de Nell. Nell estremeceu ao toque.
'Eles ficaram muito magoados com a tua saída e nunca mais conseguiram acolher nenhuma criança. Isso nunca tinha acontecido, uma criança fugir de casa.'
'Eles realmente foram bons comigo, mas depois de tantos anos nas mesmas andanças, a melhor maneira que eu arranjei para não sofrer outra rejeição,…era fugir. Mas eu nunca me esqueci daquela pequena e adorável bebé. E sinceramente ainda não consigo acreditar que eras tu. A pequena "redhead".' – disse Callen arrastando uma mexa do cabelo de Nell para trás.
'A pequena quê?' – disse Nell surpresa
'"RedHead". Foi um nome que inventei para nunca mais me esquecer daquela bebé. E acho que se adequa ao facto de essa bebé ter cabelo vermelho.' – disse Callen rindo. Nell soltou uma risada.
'Desde que te vi na CIA soube que eras aquele rapaz que brincava comigo quando era bebé, aquele rapaz que estava nas fotos de família e de quem os meus pais se haviam ousado falar devido à desilusão que ele causou.' – disse Nell
'Eu peço desculpa, mas na altura não era fácil. Não posso dizer que se o tempo volta-se atrás eu mudaria tudo, porque afinal de contas eu não sei nada sobre o meu passado.'
'Agora percebo isso.' – disse Nell. 'Bom, é melhor eu ir andando.'
'Não, fica. Pelo menos só para ver um filme. Por favor.' – disse Callen com uma voz rouca, mas encantadora.
'Ok, parece-me bem.' – disse enxugando as lágrimas. 'Que filme?' – perguntou Nell
'Escolhe um qualquer eu não vejo muitos filmes portanto não me fará diferença.' – disse Callen enquanto tinha ido á cozinha buscar vinho.
'Eu não sou lá muito boa a escolher filmes. Posso escolher um romance que se calhar é chato ou um filme de terror que não mete medo nenhum.'
'Isso não me interessa.' – disse Callen chegando é beira dela. 'Eu quero ver um filme contigo "redhead".'
'Ok, mas se me chamas "readhead" eu chamo-te "G".' – propôs Nell
'Por mim tudo bem, mas só fora do trabalho.'
'Claro, compreendido.' – disse fazendo continência, o que provocou o riso a ambos.
Acomodaram-se no sofá a ver filme. Era uma comédia. Ambos estavam a rir-se e a beber. Callen estava a encher os copos. Mas Nell impediu-o.
'É melhor eu não beber mais. Eu sou menos pesada do que tu e já nem consigo segurar o copo.'
'Hey estás a insinuar que estou gordo?' – perguntou Callen fingindo indignação.
'Não,…claro que não. Era impossível chamar-te gordo…tu és simplesmente…perfeito!' – disse Nell sem olhar para Callen. Ele pegou no copo dela e pousou-o na mesinha á beira do sofá e virou-se para Nell. Segurando o seu queixo com uma das mãos, ele foi-se aproximando, até que os seus lábios tocaram os de Nell. Ela derreteu-se completamente com o toque. Callen beijava-a apaixonadamente enquanto as suas mãos estavam na cintura de Nell.
'A Marya tinha razão. Tu não foste feito para esperar.' – disse Nell enquanto Callen ria. Ela sentou-se no colo dele enquanto o beijo se prolongava. Callen começou a sentir que a sua camisa estava aberta e afastou-se.
'Há algum problema?' – perguntou ofegante Nell e com a sobrancelha levantada.
'Não,… nenhum, só que parece que estamos a ir um pouco rápido demais.' – disse Callen apertando a camisa, ofegante.
'Pois realmente.' – disse Nell causando o riso a Callen.
Ambos voltaram-se a acomodar no sofá, só que desta vez Callen estava encostado à almofada e Nell estava com a cabeça deitada no peito dele.
'Filme?' – perguntou Callen
'Sim.' – disse Nell abraçando-o. Callen estava completamente apaixonado pela 2ª vez na sua vida. Sim, porque, infelizmente a Tracy foi o seu primeiro amor e nada consegue fazer esquecer a sensação de ser amado pela 1ª vez.
'Então tens uma paixoneta por alguém? E por favor não me digas que é um daqueles do site de namoro.'
'Não, não é.'
'Então?' – perguntou Callen
'Eu acho que tenho uma paixoneta…por ti.' – disse Nell sorrindo.
Beijaram-se outra vez e depois voltaram a ver o filme. Passados 10 minutos Callen apercebeu-se que Nell tinha adormecido. Ele tentou levantá-la para a pôr na cama mas isso só fez com que ela se aconchegasse mais contra o peito dele.
'Deixa-te estar aqui.' – disse Nell com os olhos fechados e com um tom ensonado.
Callen não a contrariou, porque afinal de contas à muito tempo que ele esperava por isto e deixou-se estar. Deitou-se arrastando Nell para a sua beira fazendo com que ela se aconchegasse contra ele e colocasse os braços à sua volta.
Callen sorriu para o gesto e deu-lhe um beijo na cabeça. Pouco tempo depois ele também adormeceu.
Por volta das 9 da manhã de sábado Nell acordou com o toque do seu telemóvel. Era Marya.
'Então miúda onde é que te meteste?' – perguntou Marya preocupada. 'Ah não precisas de dizer nada já percebi, dormiste com o Callen.' – disse Marya e pelo seu tom Nell percebeu que ela estava a sorrir.
'Sim, mas não da maneira que estás a pensar. Adormecemos a ver um filme…e beijámo-nos!' – disse Nell a falar baixinho para não acordar Callen. Ela sorriu para a figura dele a dormir. Parecia tão calmo e amável.
'A sério?. Depois tens de me contar tudo. Posso falar com ele?'
'Ele ainda não acordou. Por isso é que estou a falar baixinho.'
'Deixa-me adivinhar…tu estás a vê-lo dormir?'
'Sim,… aww ele é tão fofinho a dormir.' – disse Nell fazendo-lhe festinhas na cara. Callen sorriu ao toque, mas não acordou.
'Aww, chega masé de lamechices. Desliga. Vai tratar do teu homem.'
'Ok. Beijinhos, depois conto-te tudo.'
'Está bem. Xau.'
Nell desligou e aproveitou o facto de Callen estar a dormir para ir tomar banho. Ainda demorou um pouco para ela descobrir onde é que ele tinha as toalhas. Depois de as encontrar foi para a casa de banho. Dez minutos mais tarde Callen acordou e ao não ver Nell ao seu lado ele ficou preocupado. Pôs-se à procura dela por toda a casa até que a encontrou no seu quarto envolta na toalha do banho. Callen sorriu para a situação e abraçou-a por trás.
' Ahh!' – gritou Nell surpresa.
'Assustei-te?' – perguntou Callen enquanto a beijava no pescoço.
Nell arrepiou-se e soltou um pequeno gemido.
'Para a próxima bate à porta, combinado?' – disse Nell enquanto se virava para ele pondo os seus braços a volta do seu pescoço.
'Combinado.' – disse Callen beijando-a.
Enquanto Callen a beijava, Nell pensou em aproveitar e deixou-se cair na cama puxando-o consigo. Nell rolou-os fazendo com que ele ficasse deitado.
Continuaram-se a beijar, mas Nell queria mais e começou a desabotoar a camisa a Callen. Ele parecia não se importar. Parecia que naquele momento era o seu inconsciente que "falava" e Nell continuava deixando pequenos beijos no tronco dele. Mas quando Nell fez o seu caminho para desapertar o cinto das calças o seu consciente despertou.
'O que é que se passa contigo?' – disse Nell um bocado frustrada. 'Não me digas que nunca dormiste com uma mulher porque eu não acredito que um homem tão bem parecido como tu nunca o tenha feito!'
'Não é nada disso.' – disse Callen com um suspiro sentando-se. 'Tu sabes perfeitamente que eu não sou nada bom com relacionamentos e não quero arriscar dar esse passo…'
'Melhor dizendo, não me queres.' – disse Nell interrompendo-o.
'Não. Claro que quero, é por isso mesmo que tenho medo de o fazer. Todos os outros "relacionamentos" que tive só duravam uma noite, eram só por diversão porque…eu não estava apaixonado.' – disse suavemente enquanto acariciava Nell.
'E agora estás?' – disse Nell surpresa
'Sim. …Nell, eu estou apaixonado por ti.' – disse pegando na sua mão. 'É por isso que não quero arriscar isto tão cedo. Quero conhecer-te primeiro antes de fazer tal coisa. Quero ver onde é que isto vai dar, porque eu nunca passei por isto.'- disse Callen omitindo a sua primeira desilusão.
