30 days of James
James Potter x Lilian Evans
Lilian vai passar um mês na cidadezinha chamada Hogsmeade, no interior da Inglaterra. Lá, ela conhece James, um adorável rapaz que, juntos, eles irão viver um mês inteiro de amor.
Essa não é uma história de amor. É uma história sobre o amor.
30 days of James
Capítulo 02
Já era quase onze da manhã quando acordei. Acho que nunca dormi tanto assim em toda minha vida. Tudo bem, na adolescência, quando eu voltava de festas e tudo mais, podre de bêbada com a Marlene... Mas era porque eu estive em uma festa e voltei as quatro e pouco da manhã. Mas ontem eu acho que não era nem meia-noite quando vim para o hotel e tombei na cama!
O pior de tudo era que uma imagem muito esquisita rondava pela minha cabeça. Era James Potter, andando sobre as nuvens, vestido de branco e com um par de asas da mesma cor.
E ele não estava nada mal com asas.
Esse pensamento me fez rir. Ri alto, porém a risada foi abafada pelo travesseiro. Me levantei e segui até o banheiro, onde tomei um banho quente e me vesti. Não adiantaria tomar um café agora — logo teríamos o almoço. Decidi que apenas tomar um suco ou coisa parecida estaria ótimo. Abri o frigobar do quarto do hotel e peguei um suco em caixa de laranja. Coloquei no copo que também estava no frigobar e tomei. Voltei a colocar o suco no frigobar, e saí do quarto, já vestida e com uma bolsa nas mãos. Eu iria dar uma volta por Hogsmeade.
Não me importava se já tivesse visto a cidade inteira ontem. Eu apenas alimentei a esperança de que, como James mora perto do hotel, eu pudesse tombar com ele. Confesso que esse negócio de ver James estava me deixando um pouco... Animada demais. James era, além de um cara bonito e galanteador, ele era muito legal e divertido. Talvez eu estivesse animada por que agora eu teria uma companhia — não que eu não tivesse Marlene, mas sabe como é, ela está casada.
E quando as pessoas estão casadas, elas gostam de sair com seus supostos maridos, ou esposas, se for o caso. Então, era óbvio que Marlene iria arrastar Sirius para todo lugar, e eu detesto ficar de vela. Ao menos que James vá junto, aí eu teria alguém para conversar enquanto Marlene engolia Sirius e vice-versa.
Estava frio quando saí do hotel. Meu corpo enrijeceu senti a rajada fria de vento me atingir. Me faltou coragem para ir adiante. Comecei a andar, com as pernas enrijecidas por causa do frio. Passei por uma loja ou duas. Fiquei observando a vitrine de uma; havia um casaco vermelho lindo, porém a única coisa que estragava era que ele era curtinho demais. Quase um bolero.
— Lily!
Olhei para o lado. James estava lá, usando um casaco aparentemente grosso, com uma touca negra. As mechas que escapavam para fora da touca ficavam viradas para fora, de uma maneira atraente. Seus olhos pareciam mais brilhantes, e dessa vez não pude cogitar a idéia de seus óculos estarem refletindo na luz de algum lugar. Ele exibia um sorriso aberto, exibindo os dentes incrivelmente brancos e bonitos.
— Ei, James — falei, me aproximando dele. — Está frio.
— Se quiser eu te esquento — ele sorriu ainda mais e eu ri da piadinha. — Aliás, você fica muito bem de asas.
Eu corei. Olhei para o chão e murmurei: — Você também.
Ele riu.
— Onde estava indo? — ele perguntou, parecendo interessado.
— Não sei — respondi — Decidi caminhar um pouco, olhar melhor as lojas... Ultimamente eu tenho estado muito animada para compras. Eu odeio compras.
Ele riu com gosto.
— Bem, se quer comprar lembrancinhas, conheço uma loja — ele disse, dando de ombros — Mas ela só abre à tarde. Se quiser, podemos passar por lá mais tarde depois de almoçarmos e... Ah, bem, é, se você quiser. Não aceite se não estiver afim, não quero colocar pressão nem nada do tipo.
— Seria ótimo almoçar com você. — falei simplesmente, e o sorriso dele se abriu mais ainda.
— Ótimo — ele murmurou. — Quero dizer, é, beleza. Eu conheço um restaurante bom por aqui, se quiser, podemos fazer uma reserva, andar um pouco e voltarmos lá depois. Ou eu posso ligar e... Sei lá.
— Faça como quiser — eu ri. Ele parecia nervoso, agitado. Estava realmente engraçado.
Ele assentiu com a cabeça e pegou o telefone. Conversou com uma pessoa e reservou uma mesa para dois. Depois ele assentiu novamente com a cabeça e desligou o telefone.
— Bem. Aonde você quer ir?
— Qualquer lugar — dei de ombros.
— Ok. Vou te mostrar a Casa dos Gritos.
Eu me arrepiei.
— Casa dos Gritos?
— É. É uma casa supostamente mal assombrada. Ninguém vai lá há anos — ele riu — Não me diga que não sabia da Casa dos Gritos! É um clássico de Hogsmeade. Você não vai ter finalizado sua viagem sem ter passado pela Casa dos Gritos.
— Tudo bem. Vamos lá — falei — Mas... Não vamos entrar, certo? Sei lá. Eu não me dou bem com essas coisas de mal assombrado e...
— Você tem medo?
Uau. Ele realmente ia direto ao ponto.
— Tenho. Sou medrosa demais.
Ele riu alto e com gosto.
— Nossa! Quem vê você de longe, parece que é super corajosa. Por que tem medo dessas coisas? É tudo fantasia. É ridículo.
— É, eu sei. Mas... É um trauma. Quando eu era mais nova eu vi aquele filme The Ring, sabe? Da menina do poço e tudo mais... Fiquei morta de medo. E mais tarde eu assisti O grito. Estou desde então sem dormir direito depois daquele filme. Criei uma aversão com mulheres pálidas de cabelos negros e japonesas. Não consigo dormir sem a luz do corredor ou do banheiro acesa.
— Não acredito — sua boca estava escancarada. — Você tem medo de escuro? Lily Evans, você tem medo de escuro?
— Não fale como se fosse uma coisa completamente abominável e esquisita. — franzi o cenho.
— Abominável não é... Mas esquisita... É, de fato é esquisita, ainda mais para alguém da sua idade, com vinte e poucos anos na cara. É meio ridículo alguém desse tamanho ter medo de escuro e tudo por causa de um filme idiota.
— Rá! Vai dizer que você não teve medo em nenhum filme de terror? — perguntei de modo desafiador. Os olhos de James desviaram para o lado, tentando disfarçar. Saquei na hora. — Qual o nome do filme?
— Ao cair da noite — ele encolheu os ombros. — Mas isso foi na minha adolescência. Já superei. Eu passava pela mesma coisa que você; deixava as luzes do corredor e do banheiro acesas. Ou se não fosse a do quarto mesmo — ele riu. — Aquele filme era tenebroso.
— De fato — eu ri — Mas tem piores. Tem alguns que literalmente mudam o seu jeito de ver as coisas. Quando vi O Albergue jurei para mim mesma que nunca iria para aqueles cantos... E Premonição 3 me deixou louca da vida, estou há dois anos sem ir numa montanha-russa. Juro pelo meu cãozinho falecido!
Ele riu.
— Premonição 3 é pura bobagem! — ele riu mais alto. — Se bem que fiquei um tempinho com medo de ir na montanha-russa, então...
— Então é bom que não fale nada! — falei rindo. — Ora essa. E quando vi 2012 com meus pais, por Deus. Minha mãe invocou, dizendo que os chineses estavam mesmo criando aquelas arcas para quando o "fim do mundo" chegasse. Acho isso uma bobagem. Não acredito em fim do mundo.
— Minha mãe acreditava. Dizia que Deus iria recrutar todos os seus verdadeiros fiéis no dia da destruição e assim, viveriam no paraíso para todo sempre... — ele revirou os olhos. — Ela é católica. Acho que ela não devia ter se casado com meu pai. Ela literalmente se casou com Jesus.
— Minha avó era assim. — estremeci em lembrar dela. — Ela fazia questão de me arrastar para a missa todo final de semana. E me forçava a cantar as músicas ridículas e repetitivas. Tenha dó.
Ele riu, mas sua risada foi interrompida pela rajada de vento que veio até o nosso encontro. Ele gemeu um "a-a-ai", e esfregou as mãos nos braços.
— Não está com frio, Lily? — ele perguntou. Eu assenti com a cabeça. — Vem cá — ele murmurou. Seu braço direito me puxou para o lado esquerdo dele — Não se deve deixar uma dama na beira da estrada — ele sorriu e eu corei. Seu braço esquerdo estava sobre meus ombros, me puxando um pouco mais para ele e também, me esquentando. Era confortável. — Bem, esse negócio de religião me fez lembrar a Marlene.
— Por que a Marlene? — perguntei, surpresa.
— Quando ela veio para cá — ele começou a falar —, e conheceu o Sirius — ele riu baixinho. —, eles começaram a ficar. Saíam e tudo a noite... E Sirius estava louco de vontade para transar com ela. Ela dizia que não, dizendo que "a minha religião não permite". Isso deixava Sirius louco. Acredita que a primeira transa deles foi só um mês depois do noivado?
— Não acredito! — falei, agora rindo. Imaginar Sirius se agüentando para não arrancar as roupas de Marlene era hilário, por mais que não fizesse nem vinte e quatro horas que eu o conhecia. — Marlene não era de enrolar tanto assim. O que aconteceu com ela, será?
— Provavelmente... — James começou, mas parou. — Esquece.
— Agora fale.
— Bem, ela conhecia a fama de galinha do Sirius... Não pense que eu quero ofendê-la ou coisa do tipo, Lily, mas... Bem, qualquer garota em sua total sã-consciência, faria a mesma coisa que ela. Sirius era do tipo que "come-e-joga-fora", entende? — James parecia cauteloso, como se esperasse que eu explodisse a qualquer momento. Eu apenas assenti com a cabeça. — Então ela deve ter pensado: "Opa. Se eu transar com ele agora, ele vai me jogar fora. Vou enrolar!". Obviamente, se ela queria mesmo prender ele, digamos assim, ela faria mesmo isso. E foi o que ela fez.
— Então, no final das contas, ela acabou ficando mais tempo do que o costume com Sirius e os dois acabaram se apaixonando? — perguntei e a resposta de James foi apenas um sim com a cabeça. — Idéia esperta a dela. Nunca me surpreendi com a certa inteligência que Marlene tem para esse tipo de coisa. Mas agora vá perguntar para ela quanto é "oito vezes sete" para ver qual a resposta dela... Sai de tudo, menos o resultado certo.
James deu uma risada rouca e animada. Caminhamos por alguns minutos, falando agora sobre alguns assuntos vagos, sobre como eram as coisas em Londres, meu trabalho na editora, e até a minha vida no colégio. Nesse momento paramos. Era algo sobre qual eu não gostava muito de comentar.
Não que minha vida escolar fosse um completo fiasco. Marlene a salvou, de fato. Mas apenas o fato de Severus Snape entrar na história e ainda por cima como meu melhor amigo e namorado era um tanto chato. Ainda mais após tudo que nós passamos. E também, era completamente ridículo falar do ex-namorado com outro cara, que você provavelmente está visivelmente afim.
Tudo bem. Eu confesso. Eu gostaria de agarrar James Potter no meio da rua. Os lábios dele eram absurdamente convidativos. Tão convidativos que devia ser pecado ter lábios tão bonitos assim.
Eu corei com o pensamentos. Enfim, havíamos parado de caminhar pela cidade e havíamos chego no restaurante onde ele havia feito a reserva. Era simples, nada muito "elegante", podemos assim dizer. Mas o que me atraía mesmo era o cheiro da comida — carne. Eu podia sentir o cheiro de filé mignon e picanha a uma distância incrível.
Eis uma vantagem por ser uma carnívora de primeira.
Nós nos sentamos numa mesa para dois, pouco afastadas do resto. Poderíamos conversar sobre o que quiséssemos que a maioria das pessoas que estavam lá nem iriam nos escutar. A comida do restaurante era o tipo de "comida caseira", mas era realmente deliciosa. Do tipo que você simplesmente pensa que é aquela comida gostosa que a sua mãe fazia para você.
Assim que saímos, demos os braços e voltamos a andar pela pequena cidade. Passamos por uma livraria — que, cá entre nós, estava meio desprovida de livros bom. Tudo bem, tinha Shakespeare. Mas eu já havia lido todos os livros de Shakespeare no colegial, então isso não contava — e depois, fomos até a loja de lembrancinhas, onde comprei uns presentinhos para Alice, que havia pedido para eu comprar algo para ela. E para Emmeline também, que trabalhava comigo na editora.
Mais tarde, passamos na casa dos Black — para não ter que ficar falando o tempo todo "Sirius e Marlene". Sirius estava assistindo televisão, usando uma calça do pijama, e quando eu e James o vimos assim, Marlene ralhou com ele, dizendo que já era para ele ter se arrumado faz tempo.
— E trate de tomar um banho! Você está fedendo a cerveja horrores! — ela ralhou na cozinha e ouviu uma reclamação do marido do andar de cima. — Desculpem por essa cena. Sirius fica preguiçoso demais aos domingos, entende? Parece um daqueles caminhoneiros. Sorte a minha que ele não tem uma barriga de chope, mas é apenas uma questão de tempo.
— Acredito que não, Lene — James disse, rindo — Sirius disse que preferia virar gay do que ter uma barriga de chope.
— Então ele vai ter que tomar muita bomba por isso, porque ele comprou uma caixa com seis cervejas e tomou as seis anteontem e bebeu ainda mais um monte no barzinho ontem. Ele vai ter o mesmo futuro que o pai dele, pode acreditar.
— Nah. Acho que ele vai ser o tipo de cara que tem quarenta anos com um corpo de vinte... Ou trinta.
Marlene riu alto.
— Faz-me rir, James!
Ficamos o resto da tarde lá, conversando com Marlene e Sirius — já com o seu devido banho tomado e agora cheirando a sabonete e não a cerveja — sobre coisas estúpidas e vagas, mas sem deixar de rir. Sirius contou como era a sua vida escolar com James. Os dois eram melhores amigos desde, praticamente, quando estavam na barriga de suas mães. Parece que nasceram para serem amigos.
Falaram dos seus romances que resultaram em total fraude, das suas "marotagens" como eles falavam — porque eles haviam formado um grupo chamado "os marotos", que era composto por eles, mais Peter Pettigrew e Remus Lupin na escola —, contando cada detalhe do que faziam.
— Mas não há igual como fizemos na festa de formatura do terceiro ano! — Sirius disse. James riu. — Pegamos milhares de rolos de papel higiênico e começamos a jogar do terraço. A escola ficou cheia de papel higiênico. Sem falar que jogamos aquelas bombas de bosta pelos corredores.
— Por um curtíssimo momento senti pena do zelador — James riu. — Foi curto mesmo, porque ele fazia de tudo para nos pegar e sempre ferrar com a gente. Ele disse uma vez que iria falar com o diretor para nos prender pelo tornozelo nas paredes do ginásio, só de cueca e deixar para todos os alunos verem.
— Obviamente o diretor ficou tentado em aceitar — Sirius disse —, apenas para nos dar uma boa lição. Mas ele lembrou-se que o pai do James era advogado e podia simplesmente processar o colégio por fazer algo tão... Fora dos padrões, que ele disse que uma detenção estava de bom grado.
— E qual foi a detenção? — perguntei curiosa. Eu estava rindo horrores das histórias que eles contavam. Duvido que haja pessoas que fizeram coisas tão ruins quanto eles no colegial.
— Ficar um mês ajeitando a biblioteca. Um mês! Sabe o que é um mês, entrando na biblioteca às duas da tarde e saindo perto das oito? Foi uma tortura! — Sirius bradou, irritado — Sem falar que perdi uma puta chance de sair com uma gostosa do segundo ano numa tarde dessas porque eu estava de detenção. E por causa da detenção fiquei também um mês proibido de ir para festas.
— Eu ri muito da cara do Sirius, falando sério — James disse. — Meus pais não ligavam para isso. Mas os pais de Sirius eram os... Demônios. Sirius estava subindo pelas paredes e espumando pela boca. Teve que ver quando os pais dele liberaram ele de ir para uma festa. Sabe quando uma criança está louca para ganhar um presente, e quando ganha parece que ganhou o dia? Fica feliz e tudo mais? Os olhos do Sirius brilharam quando viu a espuma de uma cerveja e ele literalmente enlouqueceu quando escutou aquelas músicas bate-estaca.
— Vá tentar ficar um mês sem música, bebida e mulher, rapaz — Sirius disse amargamente. — Eu estava tendo uma crise de abstinência. Por muito pouco eu mesmo estava me mandando para o St. Mungus. Eu sonhava com cerveja, para ter uma noção!
— Creio que foi essa crise de abstinência que te deixou magro naquela época, Sirius — Marlene disse, enquanto começava passar um pano nos balcões da cozinha. — Por que... Se você continuar bebendo como está, não vai tardar até ter uma barriga de chope.
— Tás é louca, mulher! — ele deu três batidas na mesa de madeira. — Prefiro virar gay do que ter uma barriga daquelas! Aliás, isso me lembrou uma história... — ele começou a rir sozinho. — A do pôquer. Lembra, James?
James ficou roxo, literalmente. Não sabia se era de raiva ou de vergonha. Eu quase ri da cena.
— Lembro. E muito bem — ele disse, amargamente.
— O que aconteceu? — perguntei. Marlene riu baixinho. Provavelmente ela sabia.
— Eu e o James estávamos jogando pôquer há um tempão atrás naquele barzinho, sabe. Eu e alguns amigos nossos do trabalho e tudo mais. Daí o telefone toca — ele começou a rir de maneira rouca. — Eu atendi e falei: Meu amor, to aqui jogando um pôquerzão, tomando um cervejão, com o meu amigão, não vou voltar agora não. E pum! Desliguei o telefone.
— Aí o Remus, que estava entre a gente, ficou abismado e falou: Caramba, Sirius, é assim que você trata a sua mulher? — James disse, e olhou de esgoela para Sirius. — Só que o Sirius disse...
— Não sei, a mulher não é minha e o celular não é meu. — Sirius disse, agora rindo pouco mais alto.
— E de quem era o celular? — eu perguntei, segurando o riso. Um silêncio instalou-se na cozinha, até que alguém falou:
— Meu.
Era James.
Eu não me segurei e ri alto. Imaginar aquela cena era fácil; Sirius pegando o telefone que tocava em cima da mesa, sendo que não era dele e sim de James e falando aquilo... Não era impossível. Pelo menos não para mim, que havia escutado todas as marotagens dele naquela tarde.
— Eu estava namorando na época — James disse — Mas daí eu terminei com a garota depois. Ou melhor, ela terminou comigo. Levei o pior chute na bunda de toda minha vida. — ele suspirou, cansado. — Primeiro, a mulher teve um chilique. Segundo, me chamou de tudo quanto era nome. Terceiro... Quebrou meu Playstation e disse que não queria nem me ver pintado de ouro.
— James tinha um carinho enorme pelo Playstation. — Sirius explicou.
— Ela terminou comigo, tudo bem, eu não tava nem aí. Ela quebrou o meu Playstation. Foi o que doeu.
Eu ri mais alto.
— Isso parece mais um super papo de nerd!
— Era meu Playstation, cara. Um "2", ainda. Eu usava para jogar futebol com o Sirius, quando íamos à minha casa ou coisa parecida. Perdíamos uma tarde jogando e falando coisas sobre a tal festa na casa de não sei quem, ou sobre o trabalho ou coisa parecida... Sabe, era para descontrair um pouco. A gente começou a se ver bem pouco por causa do trabalho e tal.
— Foi um saco naquela época — Sirius disse. — Aí eu conheci a Marlene e cagou tudo mais ainda.
— Muito obrigado, Sirius — Marlene disse com falsa amargura.
— É que eu comecei a sair mais com ela e deixei James de lado. Só dois meses depois que eu encontrei James e falei que estava "namorando" — Sirius disse. — Foi um baque, é claro, eu estar traindo o Jameszinho assim...
— Ah, cale a boca — James revirou os olhos.
— Bem gente... Que horas são? — perguntei. Marlene gesticulou com a cabeça para o relógio acima da geladeira. — Uau! Quase nove da noite! — eu quase gritei e me levantei. — Acho que vou voltar para o hotel. Ainda tenho que jantar.
— Eu posso te levar para jantar, se quiser — James se levantou.
— Quê isso. Já te dei trabalho que chega — falei, corando um pouco. — E vou jantar no hotel mesmo. Ainda nem provei a comida de lá.
— Provavelmente é bem menos gostosa que Madame Puddifoot — ele deu um sorriso de lado.
— Provavelmente — concordei.
— Bem, eu te acompanho até lá.
— Oh... Tudo bem — falei. — Tchau, Lene, Sirius. — dei um beijo na bochecha da Marlene e acenei para Sirius. Ele apenas sorriu.
— Até logo! — Marlene disse, assim que chegamos na porta da casa dela, para irmos embora. Novamente, o braço de James partiu direto para o meu ombro, me puxando para mais perto dele. Estava mínima coisa menos frio que antes; antes parecia que iria nevar a qualquer momento.
Andamos até o hotel, calmamente e conversando sobre a tarde. Assim que chegamos lá, eu senti um aperto no coração. A despedida.
— Bem... Boa noite — falei. — Obrigado por passear comigo hoje a tarde. Foi realmente ótimo.
— Que nada. Fiquei sem criatividade e te arrastei para casa do Sirius — ele riu baixinho.
— Foi ótimo do mesmo jeito. — sorri. — Então... A gente se vê por aí.
— Certo. Boa noite, Lily. — ele sorriu para mim.
Eu assenti com a cabeça. Assim que me virei para o hotel, James me chamou.
— Lily?
— Sim? — me virei para trás. Ele andou até a minha direção. Ficamos mínima coisa de distância. Sua testa quase encostava na minha. Uma de suas mãos foram direto para o meu pescoço, passeando com os dedos por lá, me causando arrepios. Seus dedos subiram até meu rosto, onde ele afagou minha bochecha.
Seu rosto se aproximou do meu, e por fim, ele deu fim na distância que separava meus lábios dos dele. Fora um beijo simples, apenas um selinho. Mas estava cheio de carinho e... Paixão.
O meu coração deu um solavanco e começou a bater mais rápido e forte. Senti minhas pernas ficarem bambas e moles e senti como se meu corpo fosse derreter naquele momento. E olha que era só uma droga de um selinho! Quem dirá um beijo de verdade, ou até mesmo...
— Durma bem — ele murmurou. Seus lábios tocaram levemente na minha testa. Com a boca entreaberta, olhando para ele de maneira boba, eu o vi dar as costas e ir em direção para sua casa. Ele deixou eu, uma mera Lily Evans, louquinha da vida, para trás.
E com as pernas totalmente bambas.
N/A: Postando para comemorar o REAL FIM da minha carência. Eu encontrei meu James Potter! Ovulei. Quê. N. UHAHUAHUHUAHU.
Espero que tenham gostado. Esse capítulo ficou maior que o anterior, obviamente. E pelo menos teve uma cena de beijo. Quero esclarecer também que essa fic terá apenas oito capítulos, mas terá uma continuação, o motivo de as coisas estarem fluindo tão rapidamente — afinal, eu não costumo deixar um beijo rolar já de cara no segundo capítulo. Eu enrolo, enrolo MESMO o beijo. Para mim, um beijo é o final da história. Sério! UAHUAHUAUH.
Enfim. Agradeço imensamente à R. B. Evans, marieweasley, Alice D. Lupin, carol mamoru, Layla Black e lay por terem comentado no capítulo anterior. Muito, muito, muito obrigada! Vocês são uns anjos. *-*
Enfim, tenham uma ótima semana e novamente, espero que tenham gostado desse capítulo. E além do mais, estarei postado o 12 de Cem momentos de Lily e James também. Se quiser, dê uma conferida!
Beijos, Claire.
