— Isso tudo me soa duvidoso — disse Moegi. — Pense nisso. Você cancelou as suas férias no sul da França com Kiba porque não gostou das acomodações e, no entanto, vai para a Itália com alguém que mal conhece. Não faz sentido.
Hinata suspirou.
— Não quando você coloca as coisas dessa forma. Mas não é o que você está pensando. Vou passar algumas semanas de graça em Tuscany, ganhar um dinheiro extra e tudo o que eu tenho de fazer é parecer loucamente apaixonada.
— Não pode ser tão simples assim — disse Moegi sombriamente. — Quer dizer, você já esteve loucamente apaixonada? Você certamente não estava apaixonada por Kiba. Caso contrário, não teria usado subterfúgios para não dividir o quarto com ele — acrescentou ele.
Hinata ficou enrubescida.
— Achei que estivesse, ou que eu precisasse de mais tempo. Afinal de contas, só estávamos nos vendo há dois meses.
— Bem, nem todo mundo concordaria com você — disse Moegi secamente.
— Eu sei — Hinata fez uma pausa para suspirar novamente — que sou conservadora; uma peça de museu, admito. Mas se, e quando, eu fizer sexo com algum homem, quero que seja baseado em amor e respeito. Não porque apartamentos duplos são mais baratos.
— E que tipo de quarto é esse que Naruto está lhe oferecendo?
— Tudo muito respeitador — Hinata assegurou-lhe, enfiando seu único biquíni no canto da mala. — Vamos ficar na casa da mãe dele e parece que ela é uma verdadeira megera. Naruto disse que ela provavelmente irá me trancar durante a noite.
— E ela não faz idéia de que vocês são praticamente estranhos?
— Não. E é essa a questão. Ela está insistindo para que ele fique noivo de uma garota que conhece há tempos, mas Naruto não quer. Ele diz que a vê como sua irmã mais nova e não como futura esposa, e acredita que serei carta de alforria. Um jeito de dizer para a mãe que é dono de si mesmo e capaz de escolher a própria noiva.
— Isso não é mostrar um lenço vermelho a um touro?
— Naruto disse que ela, na pior das hipóteses, irá me tratar com frieza. E prometeu que não vou vê-la muitas vezes, que iremos sair o máximo possível. — Hinata fez uma pausa. — Pode até ser divertido — acrescentou ela, duvidosa.
— Sempre otimista — murmurou Moegi. — Como você se tornou parte dessa terrível artimanha?
Hinata suspirou novamente.
— Ele trabalha no Banco Uzumaki & Uchiha. Nós oferecemos nossos serviços de relações públicas ao grupo há algumas semanas, e acompanhei Asuma na apresentação. Naruto estava presente. Então, cerca de duas semanas atrás, nos reencontramos lá no bar. Eu tinha acabado de brigar com Kiba. Estava me sentindo super mal e Naruto parecia aborrecido. Ele permaneceu lá depois que o bar fechou. Bebemos alguma coisa juntos e começamos a conversar.
— Ele quis saber por que eu estava fazendo trabalho extra na adega se eu trabalhava para Company Uzumaki & Uchiha. Eu contei-lhe sobre mamãe ser viúva e sobre Hanabi ter ganho uma bolsa de estudos, mas estar sempre precisando de coisas extras para a escola.
— E, então, depois de algumas taças de vinho, o esquema todo se desenvolveu.
Ela balançou a cabeça.
— A princípio, achei que fosse por causa do vinho, mas quando ele retornou na noite seguinte para combinarmos os detalhes, descobri que ele estava falando seriíssimo.
— Encantador. Hinata fez uma careta.
— E, de qualquer maneira, sempre quis ir para a Itália. E também, talvez seja a minha última chance de tirar férias antes de começar a economizar para o apartamento.
— Já comecei. Há rumores de que a sra. Hughes está prestes a aumentar o aluguel novamente. E Rachel está muito interessa em se juntar a nós.
Ela levantou-se da cama e pegou os copos de café. A caminho da cozinha comunitária, ela parou na porta:
— Querida, você tem certeza de que pode confiar nesse Naruto? Ele não vai começar a se aproveitar da situação quando estiverem sozinhos?
Hinata deu risada.
— Tenho certeza que não. Ele gosta de loiras voluptuosas. Não faço o tipo dele e nem ele o meu — acrescentou ela decididamente. — Embora tenha de admitir que seja bonito. Além disso, tem a mãe como guardiã, não se esqueça. E ele me avisou que ela não aprova demonstrações públicas de afeto. Então, tudo o que tenho de fazer é pestanejar ocasionalmente.
O sorriso de Hinata alargou-se.
— E vou, finalmente, conhecer Tuscany. Quem poderia querer mais?
Mas quando o avião começou a aterrissar no Aeroporto Leonnardo Da Vinci, em Roma, ela não parecia eufórica com a situação, embora não conseguisse explicar o porquê.
Encontrara-se com Naruto na noite anterior para combinarem os últimos detalhes.
— Se estamos namorando, você precisa saber algumas coisas a meu respeito, cara, e sobre minha família — explicou ele.
Ela já sabia que ele iniciava uma carreira na filial do banco em Londres. O que ela não sabia era que ele era primo do aristocrata italiano presidente do Uzumaki & Uchiha.
— Somos o lado pobre da família — explicou ele. — E é por isso que minha mãe quer que eu me case com Sakura. O pai dela é um homem muito rico, e ela é filha única.
— É claro — ecoou Hinata. Quem são essas pessoas?, ela perguntou-se francamente surpreendida. E que planeta eles habitam?
Ela pensou na mãe lutando para que o dinheiro não faltasse. Pensou nela, trabalhando no bar à noite para ajudar a irmã inteligente e sagaz a ter a educação que merecia.
Quando o Naruto usou o termo "pobre" com tamanha leveza, ele não fazia idéia do que significava de verdade.
Ela comprara algumas roupas novas para as férias na França. Mas não eram de grife.
Ela iria se sentir um peixe fora d'água naquele mundinho exclusivo de que estava prestes a fazer parte, mesmo brevemente. Será que conseguiria realmente fazer com que acreditassem que ela e Naruto estavam envolvidos?
Mas talvez tenha sido exatamente por isso que ele a escolhera, pensou ela com tristeza. Porque ela era bastante inadequada. Talvez isso servisse para que Naruto escapasse de um casamento forçado.
"Qualquer uma" a mãe dele irá provavelmente dizer jogando as mãos para o alto. "Menos ela!"
Bem, ela conseguiria sobreviver a isso, pois Naruto, apesar de sua beleza, não a atraía de forma alguma.
Ele era arrogante, pensou ela, e muito pretensioso.
— Devo insistir em uma coisa — disse ela. — Não fale sobre a Company Uzumaki & Uchiha.
— Como você quiser — ele deu de ombros. — Mas por quê? É uma ótima empresa. Você não tem de se envergonhar de trabalhar lá.
— Sei disso. Mas agora somos a relações públicas da filial de Londres. Seu primo deve saber disso. Vai reconhecer se você disser. Não vai gostar do fato de você estar supostamente namorando uma simples prestadora de serviços.
— Não se preocupe, cara. Não sou nada além de um simples funcionário também. Além disso, as chances de você encontrar o meu primo Sasuke são mínimas. Mas Company Uzumaki & Uchiha permanece em segredo, se é isso que você quer.
— Sim — disse ela. — Obrigada.
Ela estava admirada por estarem viajando de primeira classe, o que provava que a pobreza era algo relativo, pensou ela, recusando o champanhe que lhe ofereceram.
Algumas taças de vinho a colocaram nessa confusão. Então, de agora em diante, manter-se-ia sóbria.
Também estava desconcertada com os flertes de Naruto. Ele encostava-se nela, e mantinha a voz baixa e íntima. E ela não gostava de seu toque persistente — no cabelo, no ombro, na manga de sua jaqueta de linho.
Oh, Deus, pensou ela preocupada. Não venha me dizer que Moegi estava certa em relação a ele.
— O que você está fazendo? — perguntou, afastando a mão dele quando tentou segurar os dedos dela para beijá-los.
Ele sacudiu os ombros, nem um pouco desconcertado.
— Para qualquer performance, tem de haver um ensaio, não?
— Com certeza não — disse Hinata rispidamente.
Também estava desapontada ao ouvir que houvera uma pequena mudança de planos: em vez de alugarem um carro no aeroporto e irem direto para Tuscany, primeiro encontrariam a signora Uzumaki em seu apartamento em Roma.
— Mas por quanto tempo? — perguntou ela.
— Isso importa? Vou dar-lhe a chance de conhecer a minha cidade antes de nos escondermos no interior — disse. Ele deu um sorriso satisfeito. — E, além disso, mamãe sempre contrata um motorista para suas viagens. Vamos viajar com conforto.
Hinata percebeu que não tinha escolha, a não ser forçar um sorriso em concordância. A viagem era dele. Sou apenas contratada para ajudá-lo.
A residência da signora ficava em Avéntine, que Naruto disse-lhe ser o lugar mais calmo da cidade, com muitos jardins e árvores.
Hinata respirou fundo para se acalmar enquanto subiam o enorme lance de escadas.
Você está com seu passaporte na bolsa, ela lembrou-se em silêncio. E também a passagem de volta. Tudo o que tem de fazer é virar-se e correr.
Quando eles chegaram à imponente porta dupla, Naruto tocou a campainha. Hinata engoliu em seco quando ele pegou sua mão.
São só duas semanas, pensou ela. Não uma vida inteira.
A porta foi aberta por uma senhora robusta, que sorriu radiante para Naruto, ignorando Hinata completamente, e depois proferiu algo em um italiano incompreensível.
Hinata encontrava-se em um hall sem janela; a única claridade vinha do lustre central aparentemente equipado com lâmpadas de fraca luminosidade. O piso era de mármore escuro e alguns móveis antigos e algumas pinturas a óleo contribuíam pouco para clarear o ambiente.
Em seguida, a empregada abriu a porta para a sala, e a luz do sol irradiou, acompanhada de um cachorrinho, latindo furioso.
— Quieto, Caio — ordenou Naruto, e o cachorro afastou-se, embora mantivesse os rosnados e latidos. Hinata gostava de cachorros e, normalmente, se dava bem com eles, mas alguma coisa dizia-lhe que Caio estava propenso a tirar um pedaço de seu tornozelo.
Naruto conduziu-a até a sala.
— Chame seu cachorro, mamãe, senão Hinata vai achar que não é bem-vinda.
— Mas estou sempre pronta a receber seus amigos, figlio mio. — A signora levantou-se do sofá e ofereceu a mão.
Ela era uma mulher alta, e Hinata pôde perceber que fora uma mulher atraente. Mas o tempo afinou o seu rosto e sua boca e, isso, junto com os olhos castanhos penetrantes deixavam-na formidável. Ela estava vestindo preto e havia um colar e brinco de pérolas.
— Signorina Hyuuga, não é isso? — O sorriso dela foi azedo ao receber a resposta tímida de Hinata. — Você gostaria de um chá, eu acho. Não é um hábito inglês?
— Agora que estou aqui, signora, talvez eu devesse aprender alguns hábitos italianos.
A sobrancelhas dela levantaram-se.
— Você vai passar muito pouco tempo aqui para que valha a pena, signorina, mas como quiser. — Ela tocou uma sineta para chamar a empregada, pediu café e bolinhos, depois chamou Naruto para sentar-se a seu lado no sofá.
Certo, pensou Hinata, sentando de frente para eles, no lugar onde lhe fora indicado.
Era uma sala linda, de pé-direito alto e com boas proporções, mas mobiliada demais para seu gosto. Havia muitas poltronas, pensou ela, olhando à sua volta.
— Tenho uma notícia para você, mio caro — anunciou a signora depois que a empregada serviu café e bolinhos de chocolate. — E também para a signorina. Sinto ter de dizer-lhes que não vou poder recebê-los em minha casa de campo. Há homens fazendo manutenção; tedioso, mas inevitável.
Hinata ficou imóvel. Eles passariam as duas semanas nesse apartamento? Oh, Deus, pensou ela. Parece bem espaçoso, mas suspeitava que apenas alguns dias com a signora o tornariam completamente claustrofóbico.
Naruto não parecia nada satisfeito.
— Mas você sabia que estávamos vindo, mamma. E eu prometi a Hinata que ela conheceria Tuscany.
— Em um outro momento, talvez — disse a signora. — Dessa vez terá de se contentar com Umbria. Seu primo Sasuke nos ofereceu a Villa Diana em Besavoro por uns dias.
Houve uma pausa, depois Naruto disse lentamente:
— Por que faria isso?
— Mio Caro. — A voz da signora tinha um resquício de desaprovação. — Somos membros da família. Os únicos parentes.
Naruto sacudiu os ombros.
— Mesmo assim, não combina com Sasuke — opôs-se ele. — E, de qualquer maneira, Besavoro fica no fim do mundo.
— Acho que a signorina Hyuuga achará charmoso. — Mais uma vez o sorriso que não se refletia em seus olhos. — A Umbria é muito linda. É considerada o coração verde da Itália e há muitas lugares para visitar: Assisi, Perugia, San Sepulcro, a cidade natal do grande Rafael. Não faltarão escolhas, signorina.
Naruto lançou um olhar para o teto decorado.
— Você chama isso de escolha, mamma? — perguntou ele. — Arriscar nossas vidas numa estrada perigosa todas as vezes que quisermos ir a algum lugar?
Ele balançou a cabeça.
— Se alguma coisa acontecer com meu primo Sasuke e eu me tornar o herdeiro, Villa Diana estará à venda no dia seguinte.
Houve mais uma pausa.
— Você deve perdoar meu filho, signorina — disse a signora com voz sedosa. — No calor do momento ele nem sempre fala com sabedoria. E mesmo sendo um pouco remota, a casa é charmosa.
— E Sasuke? — perguntou Naruto com petulância, claramente ressentido com a repreensão da mãe. — Pelo menos, espero que não vá usar a casa enquanto estivermos lá.
— Querido, a oferta foi feita e fiquei feliz em aceitar. Não perguntei sobre os planos dele.
Hinata ouvia horrorizada.
Em voz alta, ela disse calmamente:
— Naruto, não há algum outro lugar onde possamos ficar? Um hotel, talvez.
— Na alta temporada? — Naruto respondeu com ironia. — Teríamos sorte se achássemos um porão. Não, teremos de ficar na casa do meu primo. E, pelo menos, estará fresco nas montanhas — ele acrescentou com humor. — Quando partimos?
— Pensei em irmos amanhã — disse a signora. Ela levantou-se. — A signorina deve estar cansada da viagem. Vou pedir que Maria lhe mostre seu quarto para que descanse um pouco.
E então você poderá dar a sua opinião sincera sobre a última aquisição dele, pensou Hinata. Mas era isso que fora levada a pensar. Supôs que deveria estar agradecida pelo fato de a signora não ter feito uma cena histérica e a expulsado de seu apartamento.
O quarto reservado para ela era pequeno. A cama era estreita e não muito confortável. O banheiro, bastante desanimador. Mas ficou contente quando viu que a não-sorridente Maria colocara um jarra com água quente e uma bacia no lavatório de seu quarto.
Ela tirou os sapatos e o vestido e refrescou-se. O sabonete era de lavanda, e concluiu que tratava-se da primeira coisa simpática que descobrira até agora em Roma.
Ela secou-se com uma toalha de linho áspera, e depois se espreguiçou na cama com um suspiro.
O arrependimento que sentira no avião intensificava-se a cada momento. Em Londres, Naruto a convencera de que seria fácil. Uma performance em um dos cenários mais lindos da Europa. Quase um jogo, argumentara ele. E ela comprara a idéia.
Bem, ela estava chegando rapidamente à conclusão de que não havia dinheiro no mundo pelo qual valesse a pena passar pelos problemas que as semanas seguintes prometiam. Embora soubesse que signora seria uma guardiã mais do que adequada. Se ela estivesse apaixonada por ele, seria frustrante.
Estava feito. Estava na Itália.
Não havia como voltar atrás.
Depois se virou para o lado e fechou os olhos.
O jantar daquela noite não fora agradável. Naruto anunciara sua intenção de levar Hinata para jantar, mas a signora ressaltara com insistência que não seria sábio, pois deveriam partir cedo para evitar o calor do dia.
Então jantaram na sala de jantar, em uma mesa que acomodaria numerosos convidados. Não era uma atmosfera relaxante, e a conversa transcorria tão artificial que Hinata desejou que Naruto e sua mãe começassem a falar um com o outro em italiano e a deixassem de fora da conversa.
Ela percebeu, é claro, que estava sendo testada. Lembrou-se também de que ela e Naruto combinaram falar o mínimo possível sobre detalhes pessoais. No que dizia respeito a signora, ela era uma garota que dividia um apartamento com várias pessoas e que adorava se divertir.
Ela ensaiara tantas vezes a história de como e quando ela e Naruto se conheceram, que se saiu bastante bem. Afinal de contas, ela tinha de dar impressão de que o relacionamento de dois meses era sério e de que estavam prontos para dar o próximo passo.
Tinha de admitir que a comida estava deliciosa, embora estivesse com pouco apetite. E quando o jantar terminou, voltaram para a sala de estar e ouviram Monte verdi.
Esta, pensou Hinata, fora a parte mais agradável da noite, não apenas porque seu falecido pai amava tal compositor, como também pouco se conversou.
Ela estava começando a relaxar quando a signora anunciou, em um tom que rejeitava objeções, que estava na hora de se recolherem.
Naruto desejou-lhe boa-noite, mas quando Hinata, vestindo a camisola, voltou do banheiro, encontrou-o esperando em seu quarto.
— O que você está fazendo aqui?
— Queria falar com você em particular. — O sorriso que ele lançou era triunfante. — Você está brilhante, caríssima. Dio mio, você quase me convenceu. E a mamma é uma fúria. — Ele balançou a cabeça. — Acabei de escutá-la falando ao telefone, e parecia radiante. Devia estar falando com a amiga Nana Yamanaka, pois mencionou o nome Ino várias vezes.
— Isso significa alguma coisa? — Hinata de repente sentiu-se cansada e bastante confusa.
— Ino é a nora da signora Yamanaka — explicou Naruto, o sorriso alargando-se. — Ela causa grandes problemas e mamma sempre os ouve. É sempre ela quem dá conselhos a Nana. Mas agora é a vez dela reclamar — acrescentou ele. — E insiste que a amiga precisa escutar e ajudá-la.
Ele quase a abraçou.
— Vai sair tudo como eu esperava.
— Gostaria de poder dizer o mesmo — Hinata mordeu os lábios.
— Você está chateada por causa de Tuscany? — Naruto sacudiu os ombros. — Também foi uma surpresa desagradável para mim. E Sasuke tem outras casas que poderia emprestar para a mamma em lugares não tão remotos como Besavoro — acrescentou ele sorrindo. — Mas sem dúvida deve ocupar alguma delas. Ele não escolheria ficar em nenhum lugar próximo a mamma; então, acalme-se quanto a isso.
— Vocês não são uma família muito unida — comentou Hinata.
— Sasuke gosta de seguir o próprio caminho. Mamma tenta interferir. —Ele deu de ombros novamente. — Talvez esteja planejando que ela se perca e seja comida pelos lobos. Hinata olhou-o fixamente.
— Você quer dizer que existem lobos por lá?
— Sim. E também tem urso. — Ele riu de sua expressão. — Mas são encontrados principalmente nos parques nacionais. Prometo a você que eles preferem plantas e colméias a humanos.
— Que encorajador. — Hinata respirou fundo. — Mas não estou desapontada só com Tuscany, Naruto. Ou com o fato de ir para um safári italiano.
Ela olhou-o com firmeza.
— Não devíamos ter começado isso. Se a sua mãe está de fato tão preocupada, já não se trata mais de um jogo. Acho que devemos reconsiderar.
— Para mim, nunca foi um jogo. — Naruto bateu com a mão no peito. — Para mim, é a minha vida! Preciso que minha mãe saiba que sou eu quem sabe do meu futuro e que não vou receber ordens dela nem de ninguém. E que não vou me casar com Sakura Haruno. — Ele diminuiu o tom de voz. — Hinata, você prometeu que iria ajudar. Fizemos um acordo. E depois você estará livre. Terá suas férias na Itália e ainda receberá uma quantia. Será fácil para você.
Ele colocou a mão no ombro dela, deixando-a mais nervosa.
— Afinal de contas — continuou ele, de forma persuasiva —, o que pode acontecer? Diga-me. — Ele sorriu para ela e depois foi até a porta. — Digo a você que não há nada com o que se preocupar. Nada neste mundo.
