Capítulo 1
Sua bunda estava doendo, foi a primeira coisa que constatou. Não que Minerva tivesse lhe dado palmadas ou algo do tipo, mas ela estava falando há tanto tempo que a bunda dele provavelmente estava começando a ficar quadrada. Com um suspiro, rolou os olhos.
- Senhor Black, pode me dizer quantas vezes esteve nesse escritório por seu comportamento não condizente com os bons costumes que esta escola prega? – Minerva o olhou por cima dos óculos de lentes quadradas, demonstrando total desagrado.
Hm. Essa era uma pergunta difícil. Talvez ele precisasse perguntar para algumas pessoas, mas ele podia jurar que havia sido mais de cem vezes. Mas para que Minerva queria saber disso? Para ter certeza de que ele quebrara um record?
- Eu temo dizer que não tenho um número exato, caríssima Minerva – abriu um sorriso para ela, cruzando os braços. Tirá-la do sério enquanto estava em seu escritório se tornara um de seus passatempos favoritos.
- Sessenta e uma vezes e o senhor está no começo do sétimo ano! – ela jogou uma grossa pasta, que continha todas as passagens de Sirius por detenções e semelhantes – Nunca em meu tempo como professora tive um caso igual, realmente espero que a ascensão de James Potter a Monitor Chefe ajude a diminuir nossos encontros mensais, ou é possível que tenhamos que tomar medidas drásticas até o final desse ano letivo.
Ajeitou-se na cadeira, sentindo um formigamento esquisito na boca do estômago.
James o havia traído, aceitando aquele distintivo; onde já se viu, um Maroto Monitor Chefe? Já havia sido terrível o suficiente perder Remus para o lado certinho da força, mas agora James? Isso o deixava com apenas Peter para fazer farra, e Peter, infelizmente, não era o Maroto mais inspirado. Não que ele desgostasse do amigo, mas James havia sido seu braço direito desde que entrara em Hogwarts e tivera de desafiar sua família por cair na Gryffindor, e agora o perdia para um distintivo inútil e algumas obrigações estúpidas.
- O senhor vai ajudar Hagrid em tudo que ele precisar três vezes por semana durante um mês inteiro, quartas, sextas e sábados – ela disse, dando a sentença final – E não, senhor Black, eu não vou abrir mão de suas sextas feiras.
- Isso é injusto! – levantou-se antes mesmo que pudesse se conter, e estava encarando McGonnagal nos olhos com força – Você não pode tirar metade da minha semana só porque eu resolvi dar algum exercício aos meus hormônios! – cruzando os braços e parecendo resolvido, continuou – Eu me recuso a aceitar essa punição exagerada!
- Sua punição não está em discussão aqui, senhor Black, eu não o chamei aqui para ter uma conversa amistosa sobre o que aconteceria depois do que o senhor foi flagrado em posições indecentes com Marlene McKinnon no Expresso de Hogwarts. – falou, e os lábios estavam tão tensos que se reduziram a uma linha – Isso não é um presente, é uma punição.
- Eu... – se permitiu cair em seu assento mais uma vez, o desânimo tomando conta. Conhecia aquele tom de McGonnagal; quando ela falava assim com ele, era um sinal claro de que não haveria contestação de sua decisão. Aparentemente ela não vira sua boa ação, dando amor para uma pessoa tão mal-amada quanto Marlenne, e decidira que ele estar beijando a garota era quase tão terrível quanto botar fogo nas bandeiras da Sonserina do Salão Comunal (tendo em vista que ambas as punições eram parecidas. Mas dessa vez ele não teria James ao seu lado). – Eu só estava beijando ela.
- Não foi o que o monitor de Slytherin me relatou, senhor Black, sinto muito – ela deu de ombros, despreocupada.
- Você vai confiar na palavra do Snivellus? – ele se levantou mais uma vez, sentindo ódio pulsando em suas veias – Ele não conseguiria contar a verdade nem se sua vida dependesse disso! Especialmente quando o assunto é sobre mim e o James! Ele odeia que a Evans goste mais da gente, e...
- Eu o proibido que se refira a qualquer colega nessa sala com apelido depreciativos – Minerva fuzilou o garoto com o olhar – Existem regras nessa escola, Sirius – disse, num tom mais maleável ao chamá-lo pelo primeiro nome – e eu as sigo. Quando um monitor comunica uma falta de um aluno, sou obrigada a lhe dar uma detenção.
Sirius não disse nada por alguns instantes. Então, cruzando os braços e parecendo visivelmente contrariado, levantou os olhos e encarou Minerva McGonnagal, escolhendo ignorar o olhar triste que ela lhe lançava.
- Eu posso ir embora agora? Eu não quero morrer de fome.
- Fique à vontade, o senhor perdeu a seleção, mas poderá aproveitar o banquete. – ela acenou em direção a porta – Tente andar mais na linha, Sirius, por favor.
Ele não respondeu, apenas saindo pela porta com os ombros caídos, a fim de encontrar seus amigos.
Uma semana. Uma maldita semana em que ele praticamente não tinha mais amigos.
Quando tentara decidir quem pegar primeiro, Rebeca ou Hestia, onde eles estavam? Ocupados. Quando ele precisara de alguém para treinar quadribol com ele, onde eles estavam? Ocupados. Quando ele quisera alguém para acompanhá-lo num passeio noturno na Floresta Proibida, onde eles estavam? Sim, isso mesmo, OCUPADOS.
Eles pareciam sempre ter algo melhor para fazer do que estar com ele. James, desde que se tornara Monitor Chefe, alcançara cada uma das expectativas que Sirius tinha para ele: perdera a graça, o rumo, a marotice. Agora estava sempre cumprindo deveres, seguindo regras, tentando o impedir de fazer coisas divertidas. Como... Como se fosse um Monitor Chefe de verdade! E Peter? Peter estava sempre seguindo aquela hufflepuff pela qual ele se apaixonara; para cima e para baixo, Kara Abbot para cá, Kara Abbot para lá. Todas as conversas envolviam o brilho dourado dos cabelos dela, ou o perfume adocicado dela, ou o jeito bonitinho como as covinhas dela se acentuavam quando ela ria. Sirius queria que Kara Abbot fosse para o inferno. E, para terminar, Remus tinha uma missão importantíssima aquela semana, dada a ele pelo próprio Dumbledore: ajudar uma garota americana da Revenclaw a se "enturmar". É, claro, como se Remus não estivesse se agarrando com ela em armários de vassouras.
Mas agora eles não escapavam. Já havia sido ignorado por tempo demais por seus amigos.
Limpando o rosto sujo de terra e encarando as mãos fedendo a estrume de hipogrifo, amaldiçoou até a última geração da família de McGonnagal. Aquela maldita detenção lhe tirara do sério; perder sua sexta-feira para esparramar esterco de hipogrifo pelas plantações de abóboras de Hagrid? Era completamente ultrajante. Estava cansado, fedendo, puto da vida, e precisava explodir com alguém.
Passando pelo retrato da Mulher Gorda, e lançando olhares mortíferos para algumas garotas que se afastaram dele quando entrou, tentou se decidir quem seria o desgraçado escolhido para receber a bomba na cabeça. Ponderando que Remus, por ser o mais compreensível, e por ter sido o que mais lhe deixara na mão ultimamente (sete vezes. Sete malditas vezes em que precisara do amigo e ele não estivera ali. Maldito fosse Remus Lupin!), era a melhor vítima, subiu as escadas até o dormitório vazio e arrancou o Mapa do Maroto de dentro de seu malão.
Não foi difícil encontrar Remus. Ele estava sentado à mesa da Ravenclaw – ótimo! Agora ele começara a trair até mesmo sua casa pela garota misteriosa! -, e seu pontinho reluzia alegremente no pedaço de pergaminho. Estava acompanhado de alguma garota, além de toneladas de Ravenclaws por todos os lados. Concluiu, miseravelmente, que era hora da janta, e começou, então, a xingar as várias gerações da família de Hagrid.
Jogando o mapa em cima de sua cama, desceu furiosamente as escadas que levavam ao Salão Comunal mais uma vez, e, com passos decididos, cobriu o caminho até o Salão Principal. Desta vez ele não escaparia.
Passou pelas portas de madeira e olhou ao seu redor, finalmente avistando os cabelos castanhos de Remus próximos de um rabo-de-cavalo alto. Maldita garota, maldito Remus, maldito Hagrid. Com passos pesados, caminhou rapidamente até a mesa da Ravenclaw e cutucou o ombro de seu amigo com um pouco mais de força do que devia.
Remus, que ria de algo que parecia ser uma piada muito boa, voltou-se para ver o amigo.
- Ei, Pads! Como foi a detenção?
- Como foi a detenção? Como foi a detenção? – sua voz saiu meio estridente de raiva, e ele, sem nem perceber, levou um dedo até o anel que mantinha sempre no dedão e começou a girá-lo nervosamente – Não sei, por que você não pergunta à merda de hipogrifo que eu tive de usar de adubo pras plantações de abóbora?
- É uma detenção, cara, você não esperava que fosse divertida, né? – indagou, usando as mesmas palavras de Minerva sem saber.
- Você só pode estar brincando! – parando de girar o anel, levantou o dedo indicador e o apontou para a cara de Remus, provavelmente perto demais dos olhos do amigo. – Você está do lado dela? – apontou vagamente para a mesa dos professores, parecendo lívido; sua fúria apenas aumentou quando ouviu uma risadinha vindo de algum lugar próximo. – Que espécie de amigo você é? Eu não fiz nada que merecesse merda de hipogrifo, e você sabe disso!
- Meu Merlin... – suspirou uma voz fina e levemente chateada ao lado de Remus – Você continua sendo um cachorro grande e resmungão, Snuffles! Vá encher o saco das bostas de hipogrifo e deixe seu amigo em paz.
Sirius virou o rosto tão rapidamente que sentiu seu pescoço estalar. Snuffles? Só havia uma pessoa que o chamava de Snuffles no mundo todo, e essa pessoa devia estar muito longe dali naquele instante. Arregalando os olhos, parou para observar a garota ao lado de Remus e seus óculos retangulares grossos. Oh, Merlim.
Era a garotinha de seu verão na América. Era a menininha do cachorro preto gigante, dos óculos fundo de garrafa e dos olhos castanhos. A menina cuja família lhe ensinara a ser quem queria ser e não quem devia, e a garota com quem ele tivera seu primeiro beijo. A garota que ele, infelizmente, não lembrava o nome.
- Vo... Você? – levou a mão automaticamente ao anel e começou a girá-lo. Qual era o nome dela? Claire? Samantha? Sophia? Não, não era nada disso. Merlim, qual era o nome dela?
- Vocês se conhecem? – Remus olhou de um para outro, confuso – Pensei que você não conhecesse ninguém aqui...
- Imaginei que esse daí já tivesse se formado... – ela deu de ombros, e resolveu se levantar. Não parecia se importar que metade da mesa estava prestando atenção no trio. A garota cruzou os braços e olhou bem – Você não se lembra de mim, por que não me surpreendo...?
- Eu... Mas é claro que eu me lembro de você! – ele abriu um sorriso confiante. Sarah? Kathleen? – Minhas férias de verão nos Estados Unidos... – Marjorie? Gabriella? – Um cachorrão preto chamado Snuffles, os bolos da sua mãe... – Caroline? Cinthia? Amanda? Não, era um nome bem americano. Jessica? – É claro que eu me lembro de você.
- É? – ela olhou para Remus por um momento, que parecia se divertir com o embaraço do amigo – Qual é o meu nome? – indagou, e apontou o dedo para o meio do peito do amigo de infância.
Droga. Estava ferrado. O que faria agora? Qual era o nome dela? Prue? Piper? Pandora? Paige? Pamela? Era um nome com 'p', indiscutivelmente. 'P' soava certo.
- Pamela...? – seu tom de voz era tentativo, mas ele percebeu, assim que falou o nome em voz alta, que não era o certo. Droga. Droga, droga, droga. Merlim maldito.
- Quase, Pads... – Remus deu tapinhas consoladores no ombro do amigo, enquanto a garota rolava os olhos.
Então, num sopro de inspiração divina, quando finalmente olhou dentro daqueles olhos castanhos que pareciam levemente desapontados, ele se lembrou.
- PHOEBE! Phebs! Seu nome é Phoebe! – abriu um grande sorriso, feliz consigo mesmo por se lembrar do nome, e finalmente percebeu que estava girando seu anel mais uma vez; em um gesto rápido, afastou seu dedo da faixa prateada.
- Você realmente não precisava gritar, Sirius – a garota meneou a cabeça em negativa.
- Ou eu precisava – Sirius respondeu, não sendo uma pessoa que gosta de perder uma discussão. Então, abrindo um sorriso ainda maior que o anterior, a observou com mais atenção – Uau, Phebs. Você... Cresceu – em vários lugares muito interessantes.
- Você não. – retrucou, fechando a cara.
- Ui, essa doeu... – Remus virou o rosto para rir, sem olhar diretamente para o amigo.
- Você tem de ser o pior amigo que eu poderia ter, Moony – lançou um olhar feio para o amigo, e então virou-se para Phebs mais uma vez, aprovando intimamente o que via. Ela estava bem melhor do que em suas memórias de uma garotinha estabanada de dez anos, com óculos horríveis.
- Será que você pode evitar olhar assim para mim? Antes que eu seja obrigada a te azarar? – Phebs indagou, prática.
- Pode azará-lo, Phoebe, eu não acho que ele consiga parar de te olhar assim – Remus respondeu, também prático.
- Cale a boca, Moony.
- Obrigada, Remus, você é muito gentil. – disse, e olhou para Sirius melhor – Você cresceu, era dois centímetros mais baixo que eu na última vez que nos encontramos... Que droga.
- Foram sete anos, não foram? – ele olhou para a mesa da Gryffindor, e por alguma razão mágica ele encontrou James sentado lá – Hey, você não quer vir sentar à mesa da Gryffindor com a gente? Assim você conhece o James e o Peter, e vive uma verdadeira e completa experiência com os Marotos – Phoebe pareceu pensar, por um instante, e então Remus respondeu por ela.
- Talvez a garota aceite se sentar com a gente se você não estiver fedendo tanto, Pads.
- Você realmente estava mexendo em bosta de hipogrifo? – indagou, escondendo mal o riso, mas começou a andar na direção da mesa dos gryffindors.
- Não entre no caminho de Minerva McGonnagal; ela é uma velha megera – foi a única resposta, ao que ele sorriu de volta, se perguntando se devia ou não ir tomar banho antes de jantar.
- Ela foi muito gentil comigo e o Leon quando chegamos aqui – deu de ombros. – Você deve ter merecido a detenção.
- Mereceu sim. – Remus disse, com uma mão no ombro da garota.
- Não, eu não mereci. Eu estava apenas confortando Marlenne – encarou a mão de Remus no ombro de Phoebe com uma sensação engraçada. Estivera apenas especulando que Remus estivesse se agarrando num armário de vassouras com a garota misteriosa; será que ele estava mesmo namorando Phebs?
- McKinnon da minha casa? – indagou com tom sabichão.
- Sim, ela mesma. Vocês se conhecem...?
- Tive o... – ela deu umas tossidelas antes de continuar – prazer, sim, já.
Remus meneou a cabeça em negativa, lançando um olhar para Sirius de "Fica quieto enquanto você está ganhando...".
- Ela é uma garota legal – Sirius concluiu, sem perceber o olhar de Remus, então, dando um passo para mais perto de Phebs, passou um braço despojadamente por cima dos ombros dela, espantando a mão de Remus para longe com um empurrãozinho; estavam chegando à Gryffindor com passos de tartaruga. – Mas não tanto quanto você.
A garota sem pensar duas vezes e usando só dois dedos tirou a mão dele de si.
- Você está fe-den-do. Não me toque – disse, olhando para o rapaz. – Eu falei bem de vagar, não preciso repetir, preciso?
- Não, não precisa – ele a encarou com uma carranca, finalmente alcançando James e Peter e acenando. – Olá, ex-amigos – os dois acenaram de volta para ele.
- Olá, panaca – James respondeu, pegando uma garfada de pastelão de rins. – Olá Remus, Phoebe.
- Olá, Jimmy, oi, Peter. – ela sorriu para os dois garotos.
- Oi Phoebe – Peter respondeu, e então virou-se para Sirius – Você está fedendo.
- Eu sei, eu sei. Já entendi, estou fedendo e devia estar tomando banho; mas eu estou com fome!
- E você está acabando com a nossa – para sua grande surpresa, foi Lily Evans quem falou, sentada em um banco próximo. – Vá tomar banho, Black, senão eu vou ser forçada a tirar pontos da Gryffindor – e depois de uma pequena pausa, com um sorriso muito mais suave. – Oi Phoebe.
- Oi Lily.
- Já aprendeu todas as passagens secretas? – James perguntou solícito à garota – Poderíamos, sei lá, fazer um mapa para você das mais importantes.
- Acho que eu já decorei a maioria – Phebs sorriu. – Remus tem ajudado muito na última semana.
E então fora demais. Seus amigos haviam lhe trocado por uma novata, que ele deveria ter conhecido (ou reconhecido) primeiro? Passar a última semana praticamente sozinho, esquecido por todos aqueles que esperara ter ao seu lado, enquanto eles passavam tempo com a sua amiga de infância, que ele devia ter sido informado estava ali? Bufando com força, girou nos calcanhares e começou a fazer seu caminho para fora do Salão Principal sem dar maiores explicações. E então, no meio do caminho, parou, virando-se para o grupinho que o encarava embasbacado, e levantou os braços sujos de estrume.
- Espero que você seja feliz vivendo a minha vida! – e partiu.
Ok, então eu sou um idiota. Olhou para frente, onde o resto dos Marotos andava em grupo e conversava em sussurros sobre ele. E apesar de eu ser idiota, não há necessidade para vocês agirem assim comigo. Tentou alcança-los com passos mais rápidos, mas eles se afastaram ainda mais.
- Vocês vão continuar agindo assim por quanto tempo? - não obteve resposta, então apenas começou a rodar seu anel no dedo, sentindo-se tremendamente infeliz.
Não tivera a intenção de agir daquele jeito com Phoebe, e muito menos com eles; distribuir patadas não era do seu feitio, mas tivera sido tão ignorado nos últimos dias que sentira necessidade de ter um ataque. Sentia-se culpado, claro; não gostava de brigar com eles ou de armar o barraco, mas às vezes ele precisava de um pouco mais de atenção do que eles achavam certo despender com ele.
- Sirius... – Peter foi o primeiro a olhá-lo – Você adquiriu TPM no último mês, assim, só por curiosidade?
- Não! – feliz de não estar mais sendo ignorado, ele deu alguns passos largos na direção dos amigos, que lhe permitiram os alcançar, e ignorou a maldade que havia naquele comentário. – Eu apenas... Vocês foram meio ausentes.
- Certo, agora vamos parar de discutir relação. – Remus rolou os olhos. – Que ataque para cima da Phebs foi aquele afinal? – o tom do amigo lhe soou ligeiramente chateado.
- Eu... Ela... Bem... Er... – como explicar o inexplicável? Nem ele sabia por que fizera aquilo. Então, deduzindo que a melhor defesa era um bom ataque, continuou – Por que você quer saber disso? Incomodado, Moony?
- Óbvio, você gritou com a garota, ela acabou de chegar a Hogwarts, e pelo que eu pude entender, vocês já se conheciam?
- Conheciam? – Peter olhou surpreso para o amigo, quando cruzaram a porta do Salão Principal. – Da onde?
- Nós nos conhecemos durante as minhas férias antes do primeiro ano – começou a rodar o anel nervosamente, mais uma vez, ao que James, ao seu lado, abriu um grande sorriso, se dirigindo à mesa da Gryffindor.
-Ah, ela é a garota do anel?
- Garota do anel? – Peter riu, pervertido, os olhos miúdos se dirigindo a peça de prata que o amigo nunca tirava.
- Não é nada – ele então olhou para a mesa da Gryffindor, e avistou Lily Evans sentada com Phoebe, as duas conversando animadamente por sobre seus pratos cheios de panquecas.
- Mas é claro que é alguma coisa! Você nunca tira esse anel! – Peter sorriu ainda mais, ao que James começou seu caminho até Lily. Potter andava despreocupado, os braços apoiados na cabeça, com ares de quem sabia das coisas.
- Desembucha, James... – Remus mandou, dando um chute de leva na canela do amigo.
- Ai, mais carinho! – seu sorriso aumentou exponencialmente enquanto eles se aproximavam das meninas, e Sirius começou a sentir vontade de ter sido o um a chutar a canela de James, porque certamente faria um trabalho melhor em causar dor do que Remus. – Tudo o que eu sei é que a menina do anel foi o primeiro beijo do Sirius...
- O QUÊ?! – Peter gritou alto demais, e as duas viraram para olhá-los.
-Não é nada! – Sirius gemeu, mais uma vez, mas Remus e Peter o estavam ignorando lindamente, seguindo James enquanto ele se sentava à mesa, tentando arrancar mais informações. Droga, Phoebe não podia ouvir aquela conversa! As meninas encaravam curiosamente os três Marotos que se sentavam, como se outra cabeça tivesse crescido em um deles ou algo do tipo.
- Phebs! – Peter sorriu abertamente para a garota. – Soubemos que você e o Sirius se conheceram quando eram crianças!
- Ah... É – concordou, sem captar a importância daquilo na conversa cabeluda dos rapazes. – Tínhamos dez anos... Acho.
- Ótimo, agora que vocês já sabem, deixem-nos em paz – Sirius resmungou, sentando-se também, ao que Lily sorriu.
- Vocês se conheceram onde?
- Na minha cidade natal, Escondido.
- Escondido? É esse mesmo o nome – Lily estranhou.
- É sim – a garota concordou sorrindo – É uma cidade de colonização espanhola, fica perto de San Diego.
- E o que vocês fizeram por lá...? – Peter interrompeu, um sorriso sacana no rosto; Remus, sempre o pacificador, tentou converter a pergunta levemente pervertida (especialmente se tratando de duas crianças de dez anos) em alguma coisa passável como educada.
- Peter quer dizer 'o que tem para se fazer por lá'. Ele tem problemas de gramática.
- Alow? Califórnia, praia. – ela riu-se. - Escondido é a única cidade meio bruxa que fica na praia nos Estados Unidos.
- Você morava na praia? – Lily perguntou, apoiando o rosto nas mãos, ao que James começou a babar visivelmente.
- Sim, até os treze anos. Então nos mudamos para Nova Orleans, depois quando fiz quinze mudamos para Nova York, e agora mudamos para Londres – ela deu de ombros, mexendo nas panquecas – E aqui estou.
- Merlim, vocês gostam de se mudar! – James abriu um sorriso para ela – Qual desses lugares você mais gostou?
- Escondido, é claro, porque foi onde ela conheceu o Pads aqui! – Peter deu um tapinha amigável no ombro de Sirius, que estivera se entupindo até aquele momento com panquecas.
- Eu nasci em Escondido, né? Eu não gostei muito de estudar em Nova Orleans, a magia de lá é praticamente só vodoo, um horror. Praticamente estudei dois anos sozinha. E bem... Nova York é Nova York – ela trocou um olhar com Lily, que parecia compreende-la bem.
- Sua vida parece animada – James constatou, antes de morder um pedaço de bacon. – Mas fale-nos mais sobre Pads aqui antes dele se tornar o garanhão que conhecemos.
- Você não ouviu a Shaula, né? – a garota olhou para Sirius, dando um meio sorriso.
- Er... O que ela disse? Eu não me lembro.
- Se você não lembra, não vou gastar meu tempo com isso. – ela deu de ombros.
- O que ela disse? Me conte! Eu tenho um garfo e não tenho medo de usá-lo! – ele apontou o garfo com um pedaço de panqueca pingando caldo para ela, sorrindo.
Todos na mesa riram, e Lily olhou para a nova amiga.
- O que ela disse?
- Ela mandou que ele não destruísse o coração de jovens desavisadas – Sirius então sorriu, parecendo orgulhoso de si mesmo.
- Ah, mas é claro que eu escutei a Shaula! Eu não parto corações, eu os remendo.
- Ok, e agora alguém tente superar essa piada do Sirius – Peter pediu. – Aposto como ele vai ganhar como melhor Piada do Dia.
- Sirius tinha medo do meu cachorro, Snuffles. Da primeira vez que ele viu meu cachorro ele quase molhou as calças, estava com tanto medo.
- Ok, e agora alguém tente superar essa piada sobre o Sirius – Peter pediu mais uma vez, com um sorriso, enquanto fazia sinal de jóia para Phoebe.
- Eu não tinha medo do Snuffles! Ele apenas... Eu apenas não queria sujar a minha roupa – ele largou o garfo, parecendo contrariado, e encarou Phoebe nos olhos, como que pedindo silenciosamente para que ela não contasse seus segredos embaraçosos para seus amigos; tinha uma imagem a manter.
- Deixe-me pensar... – a garota fez uma cara malvada. – Ele não tinha a menor idéia de como se nadava no mar, sempre que entrava saia quase morrendo, igual meu cachorro. Por isso ele ganhou o apelido meu cão, um a cara do outro. Era um "Só mais cinco minutos" – disse, fingindo que estava sem ar. – "eu já vou me levantar"... Todo largadão na areia.
- Ah, não era só no mar não – James informou rapidamente – Uma vez ele quase se afogou na piscina da minha avó. Ela tinha um metro de profundidade – abrindo um sorriso maligno, James se estendeu através da mesa e bagunçou o cabelo de Sirius – Né, Pads?
- Por que Pads? – Phoebe quis saber, curiosa.
- É... – Sirius encarou a garota com olhos arregalados, enquanto James, Peter e Remus faziam uma troca de olhares rápida. Com os últimos olhares repousando em Peter, este enfiou rapidamente alguns pedaços de torrada na boca e começou a engasgar – Wormtail! - a garota olhou de um para outro, sem entender muita coisa, então se voltou para Lily.
- Eles são sempre assim?
- Não é que eles sejam sempre assim... É que não se pergunta aos Marotos a razão dos apelidos deles, senão a cena é armada – apontou para Peter, que estava tendo seu estômago praticamente esmurrado por James na tentativa de 'desengasgá-lo' – Meninos, podem parar, ela não quer mais saber sobre os apelidos – Peter cuspiu alguns pedaços de torrada no prato e Remus o encarou, fazendo uma expressão de falsa preocupação.
-Nunca mais faça isso, Pete, senão não o salvaremos da próxima vez.
- Garotos e seus segredos... E eles dizem que nós temos mistérios ao irmos ao banheiro com as amigas.
- Se vocês são tão fofoqueiras que dá medo, não é nossa culpa – Peter resmungou, limpando a boca num guardanapo. – Aliás, falando em fofoca, eu escutei uns rumores engraçados...
- Rumores? – Phebs apoiou o rosto nas mãos, observando o menor dos marotos.
- Peter! – Sirius bradou por entre os dentes cerrados, mas o outro resolveu o ignorar enquanto Remus começava a rir baixinho e James observava Lily observar com interesse a cena. – Você não quer fazer isso!
- Sim. E eles envolvem... Um beijo... Escondido... Você e Pads...
Ao ouvir as palavras de Peter, a garota olhou imediatamente para Sirius, que parecia querer esganar o amigo na primeira oportunidade.
- Peter! – ele bradou novamente, mas dessa vez ele estava olhando Phebs, rezando para ela ter se esquecido do beijo (ou ao menos decidido não dividir esse pedaço de informação com o resto da mesa).
- Alguém me passe o mel... – ela decidiu ignorar a conversa, definitivamente não iria entrar naquele tópico de discussão.
- Então é verdade? – Lily não conseguiu se conter.
- Que diferença faz? – Sirius disse, contente por ela ter escolhido não contar aquela história. Existiam algumas coisas que ele gostaria de manter apenas para si mesmo sobre seu passado, sendo essa uma delas. Virou-se para Peter, que parecia prestes a perguntar mais uma vez sobre o beijo para Phebs, e o cortou antes mesmo que pudesse pronunciar a primeira palavra. – Você não tem uma vida pra viver não?
- Por quê? Estou me divertindo à beça com você e seu primeiro amor... Deviam fazer uma peça de teatro com isso! Eu compraria a entrada.
- Peter, cale a boca – era James, tentando conter a besta de Sirius, que parecia prestes a deslanchar sobre o amigo menor.
- Peter, querido... – Phoebe chamou, colocando mel nas suas panquecas. – A menor que você tenha um alter ego gay enrustido seria inteligente da sua parte deixar a vida íntima do Sirius em paz. Ou é melhor calar a boca antes que apanhe, tanto faz – deu de ombros, despreocupada.
Ele iria retrucar, contudo como se tivessem combinado os cinco pegaram seus respectivos pratos e estenderam na direção do rapaz falando em uníssono: "Coma, Peter".
N.A.s: Obrigada pelas reviews, pessoal! Continuem lendo a fic, porque ela é tudo de mais fofoooo!! Vamos tentar manter as atualizações mais ou menos regulares, baseadas na quantidade de reviews recebidas (a Alix pediu seis, eu pedi cem por capítulo), então reviewem e fiquem de olho!
Agora, as respostas das reviews!
Gween Black: Nossa beta querida do coração """
Não diga que a Phebs é cruel, ela só demora um pouquinho para perceber a verdade universal, ora essa... Uma coisa de uma dezena ou um pouco mais de capítulo.
Isa: Na reclame que maltratamos o pobre Pads, só assim a coisa fica divertida! Se fosse tudo fácil não teria graça XD
Lauh: Aiaiaiaiaiaiai essa fic é mordível! Sério, é viciante escreve-la. Já perdi a conta das horas, das tarde e das madrugas que já gastamos escrevemos, sem arrependimento. O beijo foi algo que saiu sem querer XD, precisamos de um bom final, e daí veio o beijo, nunca pensamos que iria casar tão bem!
Thaty: obrigada, garota, esperamos que continue lendo.
MarcelleBlackstar: Não somos as únicas com saudades dos bons tempos, eu sei! Leia o resto, ou vou lhe perseguir até o inferno (Alix que vos escreve)
Tahh Halliwell: No próximo capítulo Phebs chega a Hogwarts, ou melhor, nesse capítulo ela chegou. Você poderá notar que estamos tentando fugir de todos os clichês. O máximo possível, tentando ser realistas - e fofas, claro. Realmente achamos que até o final estaremos hiperglicolisadas XD não que nos importemos com o fato, claro!
