Olá leitor, se é que tem gente que lê isso... Esperem que gostem do próximo capítulo da fic. Eu esqueci de colocar comentários na fic anterior, mas aproveito para dizer agora. Irei publicar um capítulo a cada semana. Não sei quantos capítulos irá ter, porque ninguém sabe aonde meus delírios podem me levar quando estou escrevendo. O quarto ano, por exemplo, estava previsto para ser apenas um capítulo, mas já estamos pensando em dividir o texto em três!

Antes que me esqueça, quero agradecer a todas essas mentes viciadas em mangá Yaoi que me ajudam a escrever, dando palpites. Algumas preferem que eu não fale o nome: Ana, Bonfim, Gonorréia (cof, cof, eu nunca vou concordar com isso) e Anônima (você sabe quem é... Qual era sua "identidade secreta" mesmo? i-i).

Vamos a fic, enfim!

"Venha, chore o quanto quiser..."

As dores podiam ser esquecidas? Eu duvidava muito. Escondidas, mas não apagadas.

Acho que foi assim que passei meu 3º ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

Durante o dia, colocava uma máscara de felicidade em meu rosto. Sorria, brincava e me divertia como se nada tivesse acontecido.

A facilidade de viver assim compensava o fato de ter que enganar os outros, convencia a mim mesmo. Pensava:

"Assim posso esquecer mais rápido ele."

Mas apesar de meu esforço para esquecê-lo durante o dia, eu não conseguia evitar meus sonhos.

"Eu sentia seus braços em torno de mim e minha cabeça em seu peito. O sol brilhante se refletia no lago ao nosso lado. Ele sorria para mim e me dava um beijo, e eu via os segundos passando lentamente..."

E quando tudo parecia perfeito, Tom passando a mão carinhosamente em meu rosto, eu via sua mão desaparecendo. Fragmentando-se em milhões de pedaços levados pelo vento. E sempre sua boca era a última a sumir, a tempo de dizer: "Não se esqueça de mim..."

Eu acordava em um sobressalto, suando e com lágrimas molhando meu rosto.

O 4º ano estava para começar e não havia sinal de que minha dor iria passar. Assim, a final do Campeonato Mundial de Quadribol se aproximando não me animava muito.

Os Weasley, eu e Hermione subíamos a colina em direção à chave do Portal. Eles, animadamente; eu, mecanicamente.

Surpreendi-me ao ver alguém nos esperando no topo da colina: Amos Diggory e seu filho, Cedrico Diggory. (N/A: *¬*)

Cedrico me olhou com um tom especulativo. Eu não ligava. Não importava o que o apanhador da Lufa-Lufa pensava de mim.

Mas pelo jeito eu importava para Cedrico.

Fiquei surpreso ao receber um convite para ver o jogo junto aos Diggory. No camarote, claro. Família influente no Ministério dá nisso, conclui.

Resolvi aceitar o convite, não porque estivesse interessado em puxar-saco dos Diggory, mas por pura educação.

Acabei sentando na cadeira ao lado de Cedrico. Que coincidência mais importuna, bufava. E para piorar, cada vez que uma gole passava perto do aro, ele me olhava com um sorriso enorme, vendo se estava gostando. Percebi uma grande perturbação crescer em seu rosto toda vez que eu não demonstrava empolgação nas horas certas. Via seus olhos examinando minha expressão vazia, com certeza se perguntando o porquê disso.

Ao fim do jogo (vitória "apertada" para Irlanda), agradeci a hospitalidade da família e comecei a me dirigir de volta à barraca dos Weasley.

-Espere um pouco, Harry! – ouvi Cedrico falando às minhas costas.

Virei-me e o encarei.

-Por que você estava tão calado durante o jogo?

Eu só olhei para ele, sem dizer nada.

-Bem, te vejo em Hogwarts, Harry! – ele disse com uma voz amargurada.

Eu continuei a andar sem dizer nada.

Seria muito agradável repousar debaixo de uma árvore em uma manhã de outono em Hogwarts se não estivesse com a cabeça tão cheia de pensamentos. Havia decidido sair para esfriar a cabeça quando as lembranças da noite da Câmara começaram a voltar para minha cabeça novamente, após de um pesadelo particularmente vívido.

E agora, apesar do vento enrolar meus cabelos e o sol bater em meu rosto, ainda não conseguia controlá-los.

"Durma um pouco, Harry, irá te fazer melhor"- pensei.

E de fato, adormeci.

Estava dando uma volta despreocupada pela área da escola, meus pensamentos vagando entre Campeonato Tribruxo, Cálice de Fogo e... Harry Potter. Me odiei por isso. "Desista, Diggory", minha consciência dizia. Meu coração não conseguia.

Foi quando eu ouvi um grito. Sai correndo em direção a ele, por impulso. E era ele. Encontrei embaixo de uma árvore, provavelmente tendo um horrível pesadelo, do modo como gritava e se remexia, inquieto.

Movido por meus sentimentos, me ajoelhei ao lado de Harry, peguei-o em meus braços e o aninhei contra meu peito, em um abraço carinhoso. Passava meus dedos por seus cabelos com uma das mãos, enquanto a outra tirava as lágrimas de seu rosto com ternura. Assim, murmurando palavras tranquilizadoras, o esperei acordar. Esperei sua reação.

Acordei de meu pesadelo estranhamente aquecido, mas de uma forma muito boa, confortável e acolhedora. Vi, contudo, quem estava me proporcionando conforto: havia dormido no colo de Cedrico Diggory.

Dei um impulso e me afastei, sem qualquer resistência da parte dele.

- O que você está fazendo aqui?

Ele não respondeu minha pergunta, mas disse:

-Você foi apaixonado por Tom Riddle? Por Aquele-que-não-deve-ser-nomeado? – não havia graça em suas palavras, ele falava sério em suas palavras.

-Como, como você sabe disso? – as lágrimas vindo sem que pudesse controlá-las.

- É impossível não ouvir você falando em quanto dorme. "Tom, Tom, por favor, volte!" – ele citou.

- Quan, quanto você ouviu? – eu gaguejei.

-O bastante. – ele respondeu.

-Ah, por que eu não consigo esquecê-lo? Por quê? Por que por mais que eu me esforce ele continua a aparecer em meus sonhos?! – nesse momento, gotas escorriam de meus olhos sem parar.

- Espere, você disse que sonha com ele em todos seus sonhos?

-Sim. – funguei.

-Ah, Harry, eu não fazia ideia de quanto isso era difícil para você! Eu não devia ter sido insensível a ponto de forçá-lo a tocar essa ferida. - ele me abraçou apertado, amparando minha tristeza como um sinal de desculpas.

- Não, não. Eu que sou fraco... Entenda Cedrico, toda vez que penso que ele não irá voltar, eu... - e afundei a cabeça em seu peito.

- Calma Harry. Eu estou aqui ao seu lado. Não adianta guardar esse sofrimento só para você. Venha, chore o quanto quiser...

Após aquele dia, foi como uma luz se acendesse no final de um túnel escuro pelo qual estava caminhando nos últimos dois anos. Estabeleceu-se uma rotina: toda tarde, após as aulas, me encontrava com Cedrico embaixo da mesma árvore. Nossa árvore, gostávamos de dizer.

No começo, era só eu que falava, ou melhor, desabafava tudo que estava sentindo e sofrendo. Ele ouvia tudo pacientemente, segurava minha mão e enxugava minhas lágrimas.

Com o tempo, à medida que ia me recuperando, passamos a conversar sobre outras coisas. Quadribol, professores, amigos...

Éramos mais que dois melhores amigos. Sentia que não conseguiria sobreviver sem Cedrico. Ele entendia o que eu era. Foi o único que me ajudou quando precisei, e de um jeito tão carinhoso que não havia palavras para dizer.

No meio de tudo isso, os campeões do Torneio Tribruxo foram sorteados. Não posso dizer que não fiquei magoado com a escolha de Cedrico. Primeiramente, ele nem devia ter colocado seu nome no Cálice. Ele não sabia o quanto eu iria sofrer se ele sofresse alguma coisa nas provas perigosas?

Mas após minha misteriosa escolha como segundo campeão de Hogawarts, guardei meus pensamentos comigo.

Era começo do inverno. O vento uivava no terreno da escola, obrigando-me a colocar cachecol, luvas e um pesado casaco para ir ao encontro de Cedrico. Queria lhe contar o pesadelo que tivera naquela noite.

Encontrei-o também agasalhado, mas com uma diferença que suas roupas eram pretas e amarelas em vez do meu vermelho da Grifinória.

Ele abriu um sorriso quando me viu. Retribui e me agachei ao seu lado, começando a contar meu sonho.

Entretanto, ao invés de me falar palavras doces, ele olhava para o horizonte, sem se fixar em nada, com os olhos vagos e distantes.

Eu sacudi seu ombro. "Cedrico, está tudo bem?"

Ele demorou em responder, mas suspirou e disse:

-Não. Não está tudo bem. Não para mim muito menos para você.

-O que quer dizer com isso?

Ele mordia os lábios nervosamente, mas dessa vez, não deu sinal de que iria responder.

Desisti de esperar sua resposta e me virei de costas para observar a paisagem.

-Por que... - ele hesitou - por que ao invés de sofrer por ele você não fica comigo?

-O que... você disse?

-Isso - ele sussurrou.

De repente, senti suas mãos me abraçando por trás, me puxando para mais perto de seu corpo. Fechei os olhos e esperei seus próximos movimentos.

Sentia sua respiração fria atrás de minha orelha. Ele soltou o ar em um suspiro. Percebi seu rosto se aproximando e, depois, o toque suave de seus lábios em meu pescoço... meu coração batia forte e o sangue corria em minhas veias.

Sem aviso, ele me girou sobre seu colo, fazendo com que eu ficasse de frente para ele. Ele segurou meu rosto em suas mãos, e vi seus olhos cintilarem antes de se fecharem e ele me dar um beijo. Foi demais para mim. Por mais que o momento fosse perfeito e já tivesse concordado que Cedrico era bem mais que um amigo para mim, era insuportável pensar que estava beijando alguém que não fosse Tom, aquele que havia chamado de amor eterno. Eu não era alguém que se esquecia de grandes amores tão levianamente.

Empurrei Cedrico para longe de mim com o máximo de força e sai correndo pela grama seca. Há tempo, consegui ouvir Cedrico dizer, ressentido:

-Harry! Espere um minuto!

Queria antes de terminar deixar o nome de uma fanfic que li. Acho que foi quando eu comecei pensar: "Hum, Cedrico e Harry combinam lindamente!" xD Não seria justo não mencioná-la: Eterna Lembrança. Se alguém quiser ler, está nos meus favoritos no perfil.

Umbreon-chan, muito obrigada por deixar review! E antes que me esqueça, saiba que tem gente aguardando o terceiro capítulo de I'm Not A Girl :D

E é isso. Próxima semana tem mais. Até! :*

Rosicleide