Parentes

Com um humor insuportável Severus foi para seu escritório, que não ficava muito longe do prédio onde morava, um dos gêmeos estava dirigindo, e ele nunca conseguia diferenciar quem era quem, os acontecimentos com Harry não abandonavam sua mente, pensava no que havia feito, e em como foi bom possuir aquele corpo, mas também se lembrava das marcas que havia deixado ali, e na situação de Harry quando saiu do quarto, uma pequena ponta de arrependimento invadiu seus pensamentos, mais logo foi empurrada para algum lugar bem no fundo para não ser lembrada tão prontamente.

O dia foi mais que fatigante, e quando decidiu voltar para casa por algum tempo, não sabia como encontraria Harry, o havia deixado trancado no apartamento, e também foi bem claro quanto a tentar fugir.

Harry estava na cozinha, não havia comido nada durante todo o dia, mas estava com sede, havia pego um copo de água quando sentiu a presença atrás de si.

-O que está fazendo – O copo foi se estatelar no chão devido a surpresa de Harry, que se ajoelhou instintivamente para recolher os cacos, e secar a água derramada – Deixe isso ai ou vai acabar se cortando.

Mas antes que pudesse terminar a frase, o pequeno moreno de olhos verdes soltou um gemido de dor, e Severus pode ver sangue fluindo do de do indicador do garoto. Se abaixou junto ao garoto e lhe tomou a mão machucada, também pode ver como Harry passou a tremer com seu toque. Sentiu a mão quente demais, e instintivamente levou a mão a testa do garoto só para comprovar que ele estava ardendo em febre.

- Está com febre! – Antes que Harry pudesse reagir se viu erguido pelos fortes braços daquele homem e levado de volta a habitação – Fique ai e não ouse se levantar.

Severus começou a revirar a parte baixa do armário embutido do quarto, falando palavras entrecortadas que Harry não conseguiu compreender, alguns minutos depois e com uma bagunça instalada no quarto Harry o viu vindo em sua direção com uma cartela de comprimidos na mão.

-N-não se pre-preocupe s-senhor... eu t-tenho febre a-assim o tempo t-todo.

- tome um desses, vai fazer com que a febre baixe – Severus simplesmente ignorou o que Harry tinha dito, e quando o menino foi pegar uns dos comprimidos ele recolheu a cartela, deixando Harry um tanto quanto assustado e apreensivo. – Não comeu nada até agora não é – Harry apenas assentiu envergonhado – Não pode tomá-los de barriga vazia. Volte em alguns instantes.

Harry estava tentando entender o que realmente estava acontecendo ali, e se deu conta de que de certa forma estava sendo cuidado por aquele homem, coisa que nunca havia sido feito 

antes por ninguém, nem mesmo por seus tios. O barulho vindo da parte da cozinha não o deixava saber o que estava se passando, eram panelas batendo umas nas outras, coisas caindo, barulho de vidro.

quando o senhor Snape voltou, Harry o viu trazendo uma bandeja nas mãos com uma tigela que continha algo que lembrava sopa, ele o viu colocar a bandeja sobre um lado da cama e estender-lhe uma caixinha que pegou hesitantemente, sem saber ao certo para que servia.

- São band-aids, coloque-os nos cortes para que eles não inflamem – Harry obedeceu quase que instintivamente, mas não pode deixar de observar que o senhor Snape também tinha cortes nas mãos, e lhe ofereceu uma das ataduras para que o homem também colocasse em seu corte – Coma isso antes de tomar o antitérmico, o gosto provavelmente não estará tão bom, mas você precisa se alimentar.

- F-fez sopa pra m-mim? – Severus confirmou com um leve movimento de cabeça – N-nunca cozinharam para mim enquanto estava doente.

Harry teve a bandeja colocada em sua frente, e sem cerimônia nenhuma começou a comer como se aquela fosse a comida mais gostosa que já havia provado durante toda a sua vida, quando terminou tomou o comprimido que lhe era estendido.

Severus o achava cada vez mais estranho, ao mesmo tempo que demonstrava ter um medo enorme dele, também parecia se importar com as coisas que ele lhe fazia, e isso deixava Severus cada vez mais confuso sobre ele. Uma chamada no celular o pegou de surpresa e ele precissaria voltar para o escritório naquele momento.

-Fique na cama e descanse, sua febre deve baixar logo.

- ... Tá... Hum...

- Sim?

- Desculpe por ter te machucado no rosto...

Dessa vez foi o telefone do quarto que começou a tocar, e Severus se prontificou a atender o aparelho na cabeceira da cama.

Harry o observava ao telefone, viu quando sua expressão mudou, e quando o sobrenome de seu primo foi quase cuspido da boca do outro, começou a perguntar se era ele, e implorar para aquele homem lhe deixar falar com seu primo, mas recebeu uma negativa, se voltou então para o aparelho na cabeceira e apertou o botão de viva-voz.

- Dudle é você?

- Harry, por favor tem que me ajudar..

- Dudle está bem?



- Por favor Harry você tem que vir, eles vão me matar...

Harry se viu sustentado pela mão do maior e afastado do telefone, enquanto o viva-voz era desligado, e Severus voltava a falar com Dursley pelo telefone.

- Fico feliz em ouvir isso, afinal esse é um fim um tanto quanto merecido para alguém que me rouba dinheiro, apesar de que eu encontraria um final mais lucrativo para você. Agora passe pra ele, afinal você não teria a competência de conseguir meu numero privado sem ajuda.

Harry continuava seguro pelas mãos. Tentando se soltar mais sem deixar de prestar atenção na conversa, parecia estar falando agora com outra pessoa e depois desligou, soltando-o finalmente.

- Você continua acreditando nele? – Severus respirou pesado diante da teimosia e inocência do garoto – Raciocine um pouco, você foi enganado e vendido por ele, e se ele realmente se importasse com você não iria querer vê-lo no covil do lobo.

Harry pareceu raciocinar por um tempo, lagrimas se juntando em seus lindos olhos verdes, abria e fechava a boca como se pensasse em dizer algo, até que sua voz se fez audível, entrecortada por causa do pranto silencioso.

- Por um tempo eu quis acreditar q-que ele estava e-enganado, ... mais o Dudle... e sua família... são os u-unicos parentes que m-me restam.. e e-eu não queria acreditar q-que ele era capaz de f-fazer uma coisa dessas comigo...

Severus o observou bem por um tempo, se sentou na cama ao lado de Harry e depois de mais um tempo o observando o puxou para junto de si, um tanto quando desajeitado na forma de fazê-lo. Aquela reação por parte do maior deixou Harry assustado.

-Está com medo de admitir que esta sozinho agora? ... E se você continua insistindo em ver o Dursley, vou deixar você vê-lo.

Harry arregalou os olhos como se não estivesse acreditando no que acabava de ouvir, seus olhos ganharam um brilho diferente diante daquela afirmação.

Era tarde da noite quando Severus voltou do escritório, Harry ainda estava deitado como ele lhe havia ordenado, entrou silencioso no quarto e pegou uma muda de roupa e a colocou sobre a cama.

- Vista isso e se apronte, estou lhe esperando na sala.

- P-pra que?

- Você não queria tanto ver seu primo, vamos fazer isso agora.



Harry se arrumou como pode, as roupas lhe ficavam por demais grande, e foi para sala, e de lá conduzido para a frente do prédio, onde um carro preto enorme estava parado em frente, com dois gêmeos arrumando as coisas no porta-malas.

- Tudo pronto?

- Sim senhor.

- Vamos então.

Severus abriu a porta do carro para que Harry entrasse, a fechou e entrou pelo lado contrario, sendo observado com estranheza pelos gêmeos que fechavam o porta malas, e entravam no carro sem nenhum comentário, e partiam para um lugar onde Harry não sabia onde ficava, mas que de certa forma estava feliz de poder rever seu primo

NdA: Oh céus como vou me redimir perante todos e todas, depois de basicamente um século eu estou voltando a atualizar essa fic, rsrsrs, e antes de tudo queria do fundo do meu coração agradecer a quem leu o primeiro cap e me instigou a continuar, sabe eu sempre fui um tanto quanto insegura sobre a qualidade dos meus trabalhos, e ver que vcs gostaram me é tão gratificante, que só me faz ficar mais e mais encabulada diante a demora desse novo cap, espero que me perdoem e que desfrutem desse cap, assim como eu desfrutei escrevendo-o e lendo seus rewiels. Também gostaria de deixar uma agradecimento especial para Rose Snape Malfoy, St. Luana e Milanesa gostaria de dizer que seus comentários foram muito importantes para mim, e que me deram forças pra continuar, espero que curtam.

Super beijos e até a próxima (só espero não demorar tanto para postar o próximo quanto demorei em postar esse )