In the dark, for a while now
I can't stay, very far
I can't stay, much longer
Riding my decision home

no escuro, por algum tempo agora

não posso ficar, muito longe

não posso ficar, por muito tempo

Levando minha decisão para casa
I can't Stay - Killers

Ela não fazia idéia de como os dois últimos dias a tinham deixado cansada até que se acomodou na cadeira no café. Era provavelmente a primeira vez que sentava, entre preparativos de viagem e tentativas de organizar um grupo de guardiões que atendesse as expectativas tanto de Adrian quanto de Daniela Ivashkov. E, cara, como aquilo era difícil.

Se dissessem há uma semana atrás que ela seria arrastada num exílio bizarro para a Irlanda, Faith teria gargalhado. Agora, se arrependia ligeiramente de ter aberto a boca quando lhe fizeram aquela pergunta. Ela deveria saber melhor... Todas as vezes que perguntavam a sua opinião ela se metia em problemas.

Pediu um Irish Coffee, na esperança que um pouco de uísque no seu café fizesse seu humor que fizesse, porque um emprego que era uma perspectiva de se manter longe de problemas havia se tornado nada além de um grande problema. Agora ela estava ali, de cabeça quente, se perguntando como iria convencer a Corporação de que conseguiria ficar de olho em Castile e que a viagem não era um presente. Mas como fazer isso se, aos olhos de todos aqueles ianques, a Irlanda era um paraíso?

Ela sabia que isso não era verdade e, embora sentisse saudades, se arrependia cada vez mais de ter sugerido que voltassem para o seu país natal. A segurança do moroi em questão seria difícil de se manter, com todos os pubs e com os relatos de grupos de strigois que atacavam constantemente Dublin. Faith tinha uma opção, mas não sabia se queria depender dela.

Imersa em pensamentos, com um mapa do seu país aberto na mesa enquanto bebericava a sua bebida, se espantou um pouco quando viu duas pessoas se sentarem na sua mesa.

Guardiã Hathaway e Guardião Belikov.

O homem tinha uma cara séria, com olhos escuros e um perfil que era bonito, mas não o tipo dela. Alto demais. Sério demais. E guardiões sempre eram um problema.

Rosemarie Hathaway provavelmente era o motivo da fuga desesperada do Ivashkov, pelos boatos que tinha ouvido. Ela entendia bem por que. Sua impressão é que, além de ser uma das melhores no que fazia, ela era devastadora. Além de ser inacreditavelmente bonita, é claro. Tinha o tipo de corpo que Faith nunca conseguiria ter e o tipo de influência que ela detestaria. Ela e Belikov formavam um bom casal e Faith não imaginava como Rose ficaria ao lado de Adrian. Tinha a impressão de que os dois não combinariam.

— Guardiã Brennan. — o homem falou, a cumprimentando. Faith lançou-lhe um sorriso gentil e retribuiu com um aceno de cabeça.

— Você é a guardiã que vai acompanhar Adrian na viagem? — Rose disse, toda cheia de negócios.

— Aparentemente, sim.

— E você está tentando levar Eddie Castile com você?

— Pedidos do Lorde Ivashkov. — ela deu de ombros e tomou mais um gole do seu café.

— Isso tem... Álcool?

— Isso é um interrogatório? Porque, até onde eu sei, já passei por um desses. E, sim. Um velho russo me ensinou uma vez que nada melhor do que uma boa dose de vodka para animar o trabalho. — ela deu um sorriso que poderia ser considerado como flerte para Dimitri.

Rose imediatamente fechou a cara, cruzando os braços.

— Ótimo, arrumaram uma alcoólatra para cuidar do Adrian. Vejo isso dando muito certo.

— Eu estou de folga. Me processe se não concorda. — Faith disse, com humor na voz. Tomou mais um gole do café, não sem antes cheirar o vapor de álcool que subia. — Me ajudem, estou curiosa. O que os traz aqui? Têm alguma sugestão para como cuidar da segurança do moroi em questão, impedindo-o de acabar com o estoque de Guinness do meu país? Ou é só curiosidade mórbida de saber se uma quase anã vai conseguir proteger um amigo querido?

— Não, nós sabemos que você é boa. — Dimitri entrou na conversa, com um tom mais diplomático. Rose parecia pronta para soltar algum comentário que provavelmente as levarias para uma discussão sarcástica seguida de animosidade mútua. — A questão é, estamos preocupados. Adrian tem... necessidades especiais.

— É. Ele tem... alguns problemas e... — Rose completou, ainda um pouco desconfiada.

— Ele é usuário de Espírito, sim. Como nossa rainha. Fui informada. — Faith observou os dois respirarem um pouco aliviados.

— Isso mesmo. Bem, o negócio é que ele pode ser absorvido por... como explicar? Uma insanidade. Você deve perceber que ele é bem maluco.

— Ah, nada melhor que um pouquinho a mais de loucura para melhorar o meu trabalho. Já não bastava Lady Daniela. — ela disse em um tom que fez Rose rir e fez Dimitri dar um quase-sorriso.

— Ela pode ser difícil, mas Adrian não é. Ele é um bom garoto.

— Ele é, quando não está soltando o hugo na minha roupa.

Isso arrancou gargalhadas de Rose e Faith decidiu que havia conquistado-a. As vantagens de ser fofinha.

— Como eu ia dizendo, ele pode ter momentos em que age de forma estranha. Pode até se tornar violento... E nós achamos que não saber isso poderia ser ruim para a segurança de todos. Eddie está familiarizado, mas aparentemente você que estará no comando.

— Compreendo. Agradeço a informação. E tenho certeza que Adrian ficaria tocado pela preocupação. — ela sorriu. A tinham enfiado num balaio de malucos, ela tinha acabado de confirmar. Como William iria ouvir, quando voltasse para o quarto e usasse um telefone. — Peçam um café. Eu pago.

Os dois guardiões se olharam e Rose deu um sorriso para Faith.

— Não, era só isso. — Dimitri se levantou, sendo acompanhado por Rose. — Prazer em conhece-la, Guardiã Brennan. Nós temos uns assuntos pendentes para resolver...

E Faith sabia, pelo tom de voz e pelos olhares trocados, exatamente quais assuntos eles tinham pendentes...

Faith gostaria de ter uma máquina fotográfica para registrar a cara de Adrian Ivashkov e, por que não?, da Rainha quando é convocada para os aposentos pessoais desta e aparece ao lado de Eddie Castile. A incredulidade, misturada com a surpresa e a alegria de vê-lo livre, era aparente em ambos os rostos. Fizeram uma leve reverência e a Rainha Vasilisa pediu que se aproximassem.

— Guardiã Brennan, como conseguiu essa façanha? — o deslumbramento era aparente na voz da jovem rainha. Ela mesma havia feito vários pedidos, mas como rainha dos Moroi, não tinha muita influência em assuntos internos dos Dhampir.

— Algumas pessoas me deviam favores. — Algumas não, muitas. E ela odiava ter tido que gastá-los dessa forma, mas... eles vem primeiro.

— Foi impressionante. — Eddie disse, sem relaxar da sua postura de guardião. — Ela veio me ver uma vez e, dois dias depois, estava lá com um mandato para me soltarem, berrando aos sete ventos. Ela pegou uma briga feia com o guardião que estava no cárcere até que Hans apareceu, verificou a validade da decisão e me soltou.

— Então ela fez um pouco de mágica e te soltou? Eu sabia que ela não podia ser normal, não com essa cara de elfo que ela tem... — Adrian disse e a Rainha riu.
Faith sentiu suas bochechas corarem e deu o melhor sorriso que podia dar.

— Lady Daniella me contratou para ser eficiente e, cá estou eu, sendo eficiente.
— Eu ainda não acredito que Adrian está nos deixando. — a Rainha diz e segura a mão de Adrian.

— Quem sabe eu não apareço nos seus sonhos? — ele disse, num tom ligeiramente sedutor e Lissa riu. Faith imaginava o rosto de Lorde Ozera se pudesse ver isso. — Mas eu não vou deixar ninguém. Só vou tirar... férias.

Férias... Na Irlanda? Você nunca vai voltar. — isso arranca gargalhadas dele.
— A Irlanda não é tão boa assim. — a guardiã deixou escapulir e depois ficou vermelha.

— Ah, é, little elf? Duvido que um lugar com a quantidade de bebida que tem lá seja ruim. — Adrian diz, com um quase sorriso.

— Pff, eu vou ter muito trabalho mantendo-o a salvo de todos os antros de perdição que existem naquele lugar. — ela revira os olhos e a rainha ri mais ainda. Isso com certeza consistia em uma quebra de protocolo, mas quem se importava com isso?

— Sua obrigação será me levar ao máximo possível de antros de perdição. Eddie, quão divertido isso soa? Vamos ter que aprender algumas músicas antes de ir, também. — Adrian então faz um arremedo de uma canção, cantando tão mal que arranca ainda mais risadas da Rainha.

— Guardiã Brennan, por favor, traga os dois de volta vivos! — Lissa diz para a guardiã, ainda rindo.

— Seu pedido é uma ordem, Majestade. — ela faz uma pequena reverência.

— Estou feliz que esteja feliz, Adrian. Nos últimos dias, tirando a minha coroação, você esteve muito mal. — e, de repente, surge um peso na sala.

O peso de Rosemarie Hathaway.

— Ah, não. Você sabe como é. — Adrian balançou um braço como se não fosse nada, ainda com aquele tom brincalhão. — Tem vezes que se torna insuportável.

E Lissa e Adrian se encararam por alguns instantes. O que se tornava insuportável?, Faith se perguntou. A dor que ela podia ver estampada nos olhos verdes, a loucura causada por sua magia ou tudo? Ela poderia entender, se ele respondesse tudo. Às vezes, ela tinha que se controlar para não correr de volta para sua casa e encher a cara diariamente. Sentia um pouco de simpatia por ele.

A conversa não é mais direcionada a ela e Faith se permite perder-se em pensamentos. Havia decidido se concentrar por partes: primeiro, soltar Castile. Segundo, decidir onde iriam ficar. Terceiro, arrumar mais outros dois guardiões para o trabalho. E, por último, se mudarem. Esperava que com a ajuda de Eddie, que conhecia Ivashkov melhor, pudessem chegar a uma conclusão. Além disso, o seu relógio mental estava correndo a cada dia mais rápido. Se demorasse mais algumas semanas, poderia colocar tudo a perder novamente e aquela era sua última chance.
Suspirou, ligeiramente irritada. Enquanto estivesse na corte, o seu passado nunca a alcançaria. Mas quanto tempo levaria para ele a atropelar se saísse dali? Até que ponto ela organizar aquela empreitada impulsiva iria prejudicar aqueles ali?
Seu olhar se fixa no do moroi e ela recebe um sorriso. Desde o dia em que o havia achado jogado num dos bares da corte ele havia melhorado muito. Tanto em humor, quanto em sobriedade. Provavelmente a idéia de sair dali tinha sido muito bem recebida, mas Faith imaginava que Daniela Ivashkov o havia feito prometer ficar sóbrio até a viagem. Sorri de volta e percebe que começaram uma série de despedidas.

Quando percebe, a Rainha está de pé na sua frente e imediatamente ela se curva.

— Não, não faça isso, Guardiã Brennan. Por favor, levante-se. — Faith se levanta e a Rainha pega em suas mãos. — Eu tenho muita gratidão por você ter surgido com essa idéia. A felicidade dos meus amigos é muito importante para mim. Eu achei... por alguns dias, eu achei... — a voz dela falhou um pouco e Faith deu um aperto reconfortante.

— Não se preocupe, eu cuidarei bem dele. — dizer que estava morta de vergonha era um eufemismo. Se ela pudesse, abriria uma fenda até o inferno e se esconderia lá com todos os seus demônios para fingir que isso não estava acontecendo.

— Ei, não é como se eu não estivesse aqui! — Adrian diz, cutucando a Rainha nas costas. — E não é como se eu fosse uma criança.

— Adrian... — e o tom de voz dela diz mais do que qualquer frase.

A mudança no rosto do moroi é visível e ele faz um ligeira reverência.

— Muito obrigado por me receber, majestade. Peço permissão para me retirar.
E, sem esperar nenhuma resposta, ele sai do cômodo. Eddie pede desculpas para Lissa e se retira, logo atrás de Faith.

Caminham um pouco, até sair dos aposentos da Rainha. Adrian na frente, Faith e Eddie um pouco mais atrás, esperando serem dispensados. Na corte, não há necessidade de segui-lo, mas foram chamados.

— Faith. — Adrian diz, enquanto acende um cigarro, com um tom amargo. — Eu quero sair desse país até sexta-feira.

— Sexta-feira? — ela faz as contas mentalmente.

Três dias.

— Sim. Faça a sua magiazinha de elfo e nos leve para lá. — ele faz um círculo com o dedo, como que imitando uma varinha mágica.

Três dias.

— Eu não tenho poderes mágicos. — ela diz, com as mãos na cintura. — Mas verei o que posso fazer.

— É melhor se você e Eddie começarem agora.

TRÊS DIAS, é a vontade que ela tem de gritar. Por um lado, esse prazo é muito bom. Por outro, como ela iria organizar TUDO em três dias?

— Para onde você vai, Adrian? — foi Eddie que perguntou, ao vê-lo se dirigindo na direção contrária à de onde ficavam os seus aposentos.

o contrdirigindo na direçrganizar TUDO em tr atr mas sempre resultava em pescoços doendo da parte dela
— Eu tenho duas amigas, Vodka e Tequila. Elas estão com saudades de mim!

E ele desapareceu em um dos prédios, deixando Faith com três dias para planejar a viagem e a estadia de um Ivashkov, sobrinho da rainha anterior que foi assassinada.
Qualquer simpatia que ela sentisse por Adrian era inexistente naquele momento. Se ela pudesse, ela faria uma mágica e mostraria para ele o que era ter um pouco de responsabilidade!

— Nós vamos ter uma longa noite, não vamos?

Nós vamos ter uma longa viagem, isso sim.

Xxx

Nota:
Por algum motivo, esse capítulo dá problema quando eu coloco no ar. Já substituí várias vezes e ele é modificado quando sobe O.o
Então, coisas bizarras aí são culpa do ì.í