Bankotsu olhou o pequeno mapa que carregava, toscamente reproduzido à mão. Não podia falar que estava confuso, pois havia sido a própria Kagome quem o desenhara, então apenas soltou um muxoxo.

- Tem certeza que estamos no caminho certo, Higurashi-dono?

- Depois de tanto tempo, ainda duvida de mim, Bankotsu? – disse ela com desdém, rindo do colega que agora se encontrava virando o estranho mapa de cabeça para baixo.

- Sabe que eu nunca deixei de confiar nos seus instintos de exploradora, mas... Ainda acho que tem algo errado por aqui.

Kagome riu.

- Bankotsu.

- Sim?

- Esse é o mapa da cadeia do Himalaia.

Bankotsu analisou o papel que carregava.

- Mas... Então...?

- Sim. Você pegou o mapa errado antes de sair, não é?

A garota notou um pequeno rosado na face do colega, mas não disse nada. Ela riu internamente para não encabular o amigo ainda mais, este virando o rosto para que não notassem sua vermelhidão.

- Tudo bem aí atrás, Houjou? – perguntou a garota, agora olhando para o garoto.

O rapaz, agora ajeitando os cabelos castanhos, encontrava-se ligeiramente cansado. Havia algum tempo que já estava carregando os suprimentos para os três, já que não entendia nada de explorações, mas não reclamava. Gostava de ajudar Kagome, queria que ela apreciasse suas ações.

Bem... Fácil perceber que nosso pequeno amigo adolescente estava apaixonado pela garota.

Haviam se conhecido no primeiro colegial, ambos com 15 anos de idade. Ela era ainda uma mocinha em formação, e ele, um pivete. Foi em um festival de esportes que se apaixonou por ela: ele havia se sentado para descansar, e foi aí que viu a garota isolada em um canto da escola. Mesmo um pouco hesitante, foi falar com ela; afinal, não havia com quem conversar, e ela parecia estar sozinha naquele festival.

"O que aconteceu?" – perguntara ele, um pouco preocupado com as faces pálidas da garota. "Não se sente bem?"

Ela apenas sorrira e dera apenas uma resposta.

"Não tenho vontade de participar porque não tenho quem torça por mim. Solidão é algo realmente horrível..."

Houjou sabia que ela não havia pais, mas, pelo que se informara, perdera-os com mais ou menos sete anos de idade. Não fazia idéia como se sentia a garota, nem como lidava com a situação.

Só de uma coisa tinha certeza: a partir daquele dia, decidiu-se que iria fazer de tudo para ajudá-la.

E foi assim que ele havia se juntado naquela expedição. Kagome não havia muitos companheiros confiáveis, apenas Bankotsu. Sabendo disso, ele resolveu que ficaria perto dela, o quanto fosse necessário. Mesmo que precisasse dar sua vida para salvar a dela...

E, depois de tantos anos, ela continuava estonteante. Uma beleza inigualável, e não apenas aos olhos do rapaz. Era difícil encontrar uma garota tão bonita e ao mesmo tempo tão preocupada com os outros, sempre disposta a ajudar.

- Houjou – ele ouviu Kagome chamar, despertando-o de seus devaneios. – Vamos descansar?

Ele assentiu com a cabeça, e sentou-se em uma das pedras daquela estranha caverna que estavam explorando. Notou que a pedra onde havia se sentado era bastante irregular em sua forma, mas não disse nada.

Bankotsu pegou o canteiro com o amigo, e tomou alguns goles de água.

- Cuidado para não tomar muita água, senão pode acontecer de ficarmos sem mais tarde. O deserto não é brincadeira, e não há muitos oásis aqui por perto. – disse a garota, erguendo a tocha e analisando as paredes daquele lugar.

Basicamente, só havia musgo naquele lugar. Mas, perto de onde Houjou se sentara, podiam-se notar alguns desenhos estranhos quando este foi iluminado pela tocha que os guiava.

- Olhe só... – disse ela, rindo. – Houjou, você achou algo. Parabéns.

Ele levantou-se, o coração palpitando mais rápido.

Kagome notou algo estranho na pedra em que o rapaz havia se sentando. Parecia mais... Clara à luz do fogo?

A garota chegou ainda mais perto, aproximando a tocha daquela pedra. Houjou – sem necessidade de comentar – ficava cada vez mais nervoso com a aproximação da garota, agora ajoelhada ao lado dele.

- O q-que aconteceu, Kagome-sama? Achou algo interessante?

Ela não disse nada. Apenas continuou fitando o estranho achado.

O grito da garota ecoou na caverna.

- Acalme-se – disse Bankotsu, agachando-se ao lado dela e rindo. – Ainda tem medo dessas coisas?

À frente dela, encontrava-se nada mais que uma caveira. Sim, um crânio humano – que, apenas por um milagre, não havia sido quebrado quando Houjou sentou-se em cima deste.

Bankotsu ainda não entendia como Kagome podia ser uma exploradora e ter tanto medo de caveiras ou ossos humanos. Afinal, isso era algo comumente encontrado em expedições arqueológicas.

Desde que começara a trabalhar com ela, a garota mostrava uma pequena... Aversão a partes humanas. Não importava em ver esqueletos de animais ou o que quer que fosse – mas não suportava nem a idéia de chegar perto de ossos de o que já havia sido uma pessoa.

Porém, sua paixão por seu trabalho já compensava tudo. Kagome, desde cedo, já se interessava por monumentos antigos e civilizações desaparecidas. Vivia em museus e centros históricos. Além disso, "Atlantis", por exemplo, era um dos livros de cabeceira da garota, juntamente com "Eram os deuses astronautas?" e "Os Maias". Ao entrar na faculdade, quando haviam se conhecido, Bankotsu se fascinava com a empolgação de Kagome ao falar sobre civilizações antigas e línguas mortas. Talvez houvesse sido esse o motivo pelo qual havia escolhido trabalhar com ela...

- Por que diabos sempre tem uma caveira humana em lugares que eu estou explorando?! – reclamou ela, ainda arfando por causa do susto que levara.

- Você escolheu ser uma arqueóloga, Higurashi-dono... Agora tem que lidar com esse tipo de coisa.

- Esses desenhos estranhos... Acho que é uma língua diferente. – comentou Houjou, olhando um pouco mais acima de onde se encontrava o crânio humano.

- Tire essa coisa nojenta daí de perto que eu posso ir traduzir para você. Acho que sei de qual língua se trata.

Houjou obedeceu. No entanto nem bem o rapaz havia obedecido e pôde-se sentir um pequeno tremor no local. Não um terremoto, mas um tremor interno.

- Isso não é nada bom – comentou Bankotsu, alarmado. – Vamos sair daqui!

Os dois rapazes, apressadamente, juntaram os pertences de todos e os instrumentos de trabalho e desataram a correr. Kagome, porém, continuava fitando as inscrições na parede.

- Higurashi-dono! Venha logo!

-... "e"..."encontrarás"... – traduzia ela, absorta em sua leitura.

- Kagome-sama!

Bankotsu voltou até ela e pegou seu braço, puxando-o.

- Não enrole! O lugar vai desmoronar!

-... "perdição"! Acabei!

Sem mais demora, os três saíram correndo. Mais à frente, podia-se ver o que podia se chamar de "saída", mesmo sendo apenas uma passagem para uma clareira maior. Nem bem atravessaram a arcada de pedra, uma rocha despencou no que antes era a travessia, deixando-os presos ali dentro.

Os três, ofegantes, desmoronaram no chão, ofegantes por causa da corrida.

- E então... – disse Bankotsu, entre arfadas de ar – Conseguiu ler o que estava escrito?

- Sim... – Kagome conseguira tomar ar e agora respirava menos descompassadamente. – "Profana o templo de Simorgh e encontrarás tua perdição."

Bankotsu gelou.

Onde já havia ouvido aquilo antes? Coisa boa é que não era. Teria lido aquilo em algum livro antigo?

- "Profana o templo de Simorgh"... – repetiu Houjou, maravilhado – Mais um quebra-cabeça?

- Não sei, bem provável... – respondeu Kagome, agora dando uma olhada onde estavam. Era bem amplo, bem iluminado e com inúmeras inscrições nas paredes. A mesma língua da profecia ali atrás, notou ela, agora analisando as pequenas figuras.

Bankotsu não disse nada. Estava desconfiado com aquela frase que Kagome traduzira. Tinha certeza que já tinha ouvido falar nela, mas... Onde? Algo em seu instinto dizia que estavam em perigo, que era melhor sair dali. Mas para onde iriam? Teriam que encontrar outra saída...

Houjou notou a inquietação do amigo.

- O que aconteceu? – perguntou ele, preocupado.

- Algo não me cheira bem. Ajude-me a achar uma saída, é melhor sairmos daqui o mais rápido possível.

O garoto apenas assentiu. Não queria discutir com Bankotsu sobre seus instintos; sempre estavam certos, sem exceção. Uma vez, por não terem acreditado no que o amigo falava, acabaram bem machucados e quase não saíram vivos de onde estavam. Vai desmoronar, dissera ele. Mas quem o ouvira? Ninguém, todos o ignoraram. Acharam que era brincadeira...

- Higurashi-dono, temos que procurar uma saída. Tem algo aqui nesse lugar que me dá náuseas.

Kagome olhou-o, surpresa. Náuseas? Em Bankotsu? Havia algo errado por ali. Bem errado.

Livrando-se da tentação em continuar traduzindo os hieróglifos tão pouco conhecidos, ela concordou com a cabeça. Os três passaram a procurar uma saída: apalpavam pedras e paredes, pisavam cuidadosamente em pedaços no chão, tentavam sentir alguma brisa suave por entre as brechas da parede.

Kagome dirigiu-se até uma das paredes e, ao batucar em um lugar, notou que estava oco. Ao menos o barulho era diferente...

- Bankotsu! Houjou! – chamou ela, fazendo com que os amigos se encaminhassem até onde ela estava. Ela bateu novamente, mostrando a diferença de densidade entre um pedaço daquela parede e outro. – Deve ter algo aqui atrás.

Com a ajuda de alguns instrumentos que levavam nas mochilas, conseguiram finalmente abrir um rombo na parede suficientemente grande para que passassem por ali. Era um corredor sem saída parecido com o de um calabouço, todo empestado por musgos, e as paredes com uma cor de petróleo.

Houjou atravessou o buraco, Kagome juntou-se a ele. Bankotsu, porém, não conseguia se aproximar dali. Suas náuseas só pioravam quanto mais eles se infiltravam naquela construção. O que afinal estava acontecendo? Não era normal, ele passar mal daquele jeito.

- Você tá legal? – perguntou Houjou, colocando a cabeça pra fora da abertura para ver como o amigo estava.

E foi aí que Bankotsu se tocou.

- Aí era uma sala de execução... – murmurou, mas suficientemente alto para que os dois ouvissem.

Uma sala de execução, hein? Então era por isso que Bankotsu se sentia tão mal. O cheiro de sangue, por mais leve que fosse, ainda estava incrustado naquelas paredes repletas de limo.

Kagome ergueu um isqueiro e acendeu-o, a fim de conseguir analisar melhor o lugar. A tocha, perdida na confusão anterior, de nada ajudaria mesmo – o teto era muito baixo e as paredes, muito estreitas. Se tentasse usar um objeto como aquele, poderiam acabar queimados por seu próprio instrumento. Logo em seguida, porém, arrependeu-se: marcas de sangue enferrujado cobriam todo o local.

Kagome quase conseguiu vizualizar a cena: mãos que tentavam desesperadamente arranjar uma saída, feridos que imploravam por misericórdia, homens condenados que clamavam por suas famílias. Pessoas que haviam sido designadas para servir de sacrifício a algum deus, ou mesmo por terem infringido alguma lei. Era assim com os egípcios, por que então a história não poderia ser repetida?

Houjou percebera que a garota ficara estática pela visão, mas não disse nada. Sentia a perda daqueles que haviam estado ali tanto quanto ela. Mas não havia nada que pudesse ser feito agora...

E foi aí que a garota notou algumas palavras no meio de todas aquelas manchas. Seria apenas impressão ou havia algo escrito ali...?

Ela acompanhou com os dedos as pequenas ranhuras que haviam ali. Seria apenas coincidência ou seriam mesmo hieróglifos? Não, teria que ser muita coincidência se aquilo não fosse intencional. Mas por quê... Hieróglifos egípcios...?

- Houjou, preciso da câmera.

O rapaz entregou-lhe o objeto. Ela, por via das dúvidas, tirou algumas fotos daquela parede. Agora tinha quase certeza que tudo aquilo fora intencional. O por quê, entretanto, ela não entendia. Estavam no deserto da Mesopotâmia... O Egito se encontrava a centenas de quilômetros dali. Simplesmente não fazia sentido...

- Apresse-se, Higurashi-dono. Continuo com uma sensação ruim sobre esse lugar. – ela ouviu Bankotsu dizer, ainda com um semblante preocupado. Ela resolveu que devia ouvir o amigo mais uma vez e confiar em seus instintos.

Novamente, os três voltaram a procurar por uma saída. Sem muito sucesso, no entanto. O agora conhecido tremor de terra abalou-os mais uma vez, deixando Bankotsu cada vez mais apreensivo. Via-se que não era um simples terremoto, mas o resultado de algo que estava prestes a ruir.

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Olá de novo!

Bom, é o seguinte... Eu ainda estou meio enrolada com a facul, então não é certeza que vou conseguir postar toda semana, nem revisar todos os capítulos XD Mas mesmo assim vou tentar i.i Essa fic ta me dando um bocado de trabalho, mesmo que não pareça... Estou tentando adianta-la um pouco, e não pretendo postar um dia seguido do outro (como ontem e hoje XD) exatamente para ganhar tempo x.x Os capítulos ainda estão meio curtos, mas vou tentar aprimora-los e aumenta-los com o tempo.

Mas, enfim... Obrigada pela review (única até agora XD) e pela opinião, belle kagome-chan lol E obrigada também à princesayoukai100, que adicionou minha fic nos favoritos e eu só vi agora XDDD

Esperto que continuem lendo e comentando :D