Uma pessoa inteligente resolve um problema...
Um sábio o previne...
Albert Einstein
Capitulo 2
-Ah, boa noite Sr...
-Tom, Tom Riddle! –franziu o cenho confuso. Eu esbocei um pequeno sorriso.
-Ah, sim!Sr. Riddle bem... –os olhos dele desceram para o broxe de monitora eu o segui e o tapei. –Ah, isso?!Não é nada!Alguns pirralhinhos do segundo ano resolveram se divertir comigo esta noite! –levantei as mãos manchadas com a recente poção. –Como pode ver!
Fiz uma careta para meu próprio estado. Sev, você estava me devendo uma. Suspirei pesadamente.
-Se você não se importa, eu vou voltar para meu dormitório a fim de tomar um banho!O dia foi longo!
Dei um sorriso amarelo. Ele não disse nada por alguns segundos apenas avaliando algo, talvez a mim, não soube direito.
-Tenha uma boa noite Srta...
-Diggory, mas não gosto do meu sobrenome!Chame-me de Amy, me chamo Amélia! –dei-lhe em sorriso doce, ele assentiu uma vez sem me dar resposta. –Boa noite Tom!
Passei por ele e estava saindo quando escutei a sua voz.
-Não gosto do meu primeiro nome!
Parei no batente da porta. Já tive um colega chamado Tom, ele não gostava também.
-Bem, um nome do meio talvez? –ele negou com a cabeça. Eu me aproximei. –Então como prefere?
-Riddle!
Neguei com a cabeça.
-É grosseiro chamar alguém pelo sobrenome!Não é como se eu não gostasse de você! –ele arqueou uma sobrancelha.
-Não me conhece, como pode gostar?
Eu ri.
-Para um monitor chefe você parece saber muito pouco!Não se preocupe, acharemos um apelido para você!
-Não gosto de apelidos!
Puxa, ele parecia de mal humor.
-Tudo bem, vamos ficar com o Riddle!Não queria te irritar! –suspirei.
Ele ficou em silêncio por alguns minutos e então eu, pensando que não obteria resposta, fiz menção de sair, mas ele falou.
-Se importa tanto, me chame de Tom! –eu abri um pequeno sorriso e então assenti com a cabeça.
-Obrigada, Tom!Bem, boa noite! –ele assentiu também uma vez. Então, deixei a biblioteca.
É claro que ele era mal-humorado. Seus olhos opacos indicavam isso. A cor obscura mostrava que ele não teve lá uma vida fácil. Mais para uma primeira conversa, achei que me sai muito bem. Ele pareceu confiar em mim no momento. Sorri inconscientemente e logo me vi parada em frente á porta do escritório de Dumbledore.
De quando ele ainda lecionava transfiguração. Bati apenas duas vezes antes de a porta abrir-se revelando um homem alguns anos mais novo do que me recordava. A barba menor e os cabelos ainda prateados e não grisalhos. Mais seus doces olhos continuavam o mesmo sobre os óculos meia-lua. Não impedi o sorriso que inundou minha face. Merlin, eu sorria demais.
-Sim?!
-Boa noite, Sr Dumbledore!Desculpe-me por acordá-lo tão tarde ou interrompê-lo, mas eu realmente estou com sérios problemas! –quando terminei de falar já não tinha mais o sorriso idiota. Ele reconheceu que o assunto era sério e liberou espaço.
-Entre e fique á vontade!
Assenti e entrei. Não tinha nada de muito diferente da sala que viria a se tornar da professora Keira. Dei uma boa olhada em tudo antes de sentar-me em frente sua mesa e esperar ele fazer o mesmo. Assim que ele sentou-se, entrelaçou os dedos apoiando os braços na mesa e olhando-me curioso.
-Receio que não a conheço, Srta! Mesmo que esteja vestindo, se não me engano, nosso uniforme Sonserino!Nunca a vi no castelo!
Dei-lhe um sorrisinho desanimado
-Não, professor, o senhor não me conhece e não está enxergando errado!Eu realmente não... –refleti por um segundo. Como não deixar tão chocante?Bem, acho que isso não era uma alternativa. –Sou... Desta época!
Ele franziu o cenho e então, eu suspirei.
-Simplifique, Srta...
-Diggory, professor!Sou Amélia Diggory e não sou do ano de 1944, mas estudo aqui!Na verdade sou de 1962, mais periodicamente, uma aluna do futuro!
Suas orbes se ampliaram.
-Santo Merlin, mas como veio parar aqui, criança? –suspirei.
-É uma longa história, professor!Receio que a genialidade de meu melhor amigo cobrou-me preços altos!
-Como?
-Eu tenho um melhor amigo de minha época, professor!Ele é muito inteligente!Especialmente em poções... –abaixei meus olhos para minhas mãos que agora estavam brilhantes sobre a pouca luz do cômodo. Voltara ao seu estado natural ao que se parecia. Levantei-os novamente para Alvo. –Bem, recentemente ele desenvolveu certa receita importante!Estudou as propriedades dos ingredientes e criou ago inimaginável!Uma poção do tempo!
-Meu Merlin!-ofegou Dumbledore. Eu também sorri lembrando-me do invento.
-Bem, ele me deu um protótipo enquanto tentava evoluir ainda mais, tentando transformar anos em séculos ou talvez milênios. Não duvidei que conseguisse, mas meu erro foi levá-la comigo durante todo o dia!E como pode ver... –fiz uma careta. –Não acabou muito bem!
Levantei minhas mãos púrpuras. Dumbledore franziu o cenho.
-Srta. Diggory!Não há nada em suas mãos! –meus olhos se arregalaram. Ótimo, agora além de ser estranha, passaria por louca daltônica ainda por cima. Meu dia não podia melhorar.
-Bem, ao que parece depois que ela seca, fica invisível para olhos fora do contexto, mas isso não me parece tão importante!Apenas quero saber se o senhor acredita em mim!
-Mais é caro!A senhorita tem explicações á altura, mas... –ele se levantou procurando algo em suas gavetas. –A senhorita tem ideia de como poderá voltar ao seu tempo, isso é claro se a senhorita pretende voltar!
-Que absurdo professor! –protestei. –Poderia causar um buraco negro do espaço tempo alterando gradativamente o futuro!Recuso-me a fazer tal coisa!
Ele pareceu se dar conta da horrível proposta e então sentou-se novamente apanhando o pergaminho e uma pena rabiscando algumas palavras rapidamente.
-Suspeito Srta que deveremos demorar em conseguir transportá-la de volta para seu tempo então sugiro que a Srta passe certo tempo por aqui! –ele levantou os olhos fitando meu uniforme. –Creio que infelizmente já tenha sua casa!
Fiquei confusa por certo momento até me lembrar de curiosamente do fato que o professor Dumbledore era Grifinório. Diretor ao que se pareceu.
-Ah, sim!Claro! –dei um sorriso condescendente. –Não seria muito proveitoso eu ter uma seleção adequada já que encontrei Tom Riddle logo que cheguei!
Os olhos cristalinos de Dumbledore adquiriram um brilho de interesse.
-É claro!Sr. Riddle sempre levou muito a serio suas obrigações, mas receio que desta vez ele nos causará problemas!
Arqueei uma sobrancelha.
-Oh, não professor! Ele foi muito gentil comigo!Ele não causará passatempo nenhum!Posso construir uma amizade amigável com ele se o senhor preferir! –Dumbledore colocou a mão no queixo intrigado.
-Sr. Riddle é um aluno muito aplicado Srta Diggory, mas um pouco fechado!Riddle não reage bem a aproximações o que o torna um tanto antipático e claro antissocial!
Um sorriso de interesse tomou meus lábios. Essa descrição era de Severus Snape, meu melhor amigo desde o segundo ano. Lidar com gênios difíceis era minha especialidade.
-Não se preocupe professor!Tom é apenas um garoto mal compreendido ou então lida com problemas familiares, ele não pode ser tão impermeável!
-Não se engane pelo rosto bonito do Sr Riddle, Srta Diggory!Ele promete fazer grandes coisas, só tem que elas só beneficiem a ele mesmo!
Eu ri divertida.
-É claro professor!Ele é um sonserino!È isso que fazemos!Beneficiamos a nós mesmos!Não se preocupe, professor! –sorri docilmente para ele. –Tom não é impermeável, provarei isso pelo senhor!
Dumbledore sorriu.
-Ao que parecem vocês tem muito em comum! –disse abaixando os olhos para meu distintivo.
Ah, é claro. O distintivo.
-Oh, Merlin!Sem dúvida, Tom não ficou muito satisfeito com isso e nem se convenceu com minha desculpa rápida!Provavelmente ele achou que eu brincava de ser ele ou algo parecido, porque sua expressão ao ver o distintivo não foi das melhores!
Dumbledore franziu o cenho.
-Por que se refere a ele pelo primeiro nome, Srta Diggory?
Segurei uma risada.
-Puxa, bem... –frisei os lábios. –Ele me pediu para chamá-lo assim!
A expressão de Dumbledore mudou completamente. Se tornando ilegível para mim.
-Curioso!Realmente muito curioso!Ele pediu?
Fiz uma careta.
-Não exatamente, professor!Disse para ele me chamar de Amy, á que não era uma questão de formalidade!Tomei a liberdade de chamá-lo de Tom também, porém ele argumentou que não gostava do primeiro nome, disse que preferia ser tratado de Riddle... –suspirei tomando fôlego ao me lembrar da cena. –Eu não concordei. No fim ele permitiu eu ficar com Tom mesmo!Achei muito atencioso da parte dele! –dei de ombros como se não fosse nada demais.
Ao que se pareceu Dumbledore estava maravilhado. Como se eu houvesse feito algo impossível. Bufei internamente, mas que exagero.
-Meus parabéns Srta. Diggory!Recio que Hogwarts tenha um novo trunfo! –ele levantou os olhos para a parede acima da porta olhando o relógio. –Grande Merlin, mas que distração a nossa!São quase onze horas!Acho que a senhorita deve se recolher e amanhã me encontre em frente á gárgula. Falaremos com Dippet!Ah, receio que vai precisar disto!
De dentro de uma gaveta ele retirou uma muda de roupa dos anos quarenta. Um vestido bege com saia rodada e um casaquinho de mesma cor.
-Oh, obrigada, professor!
Levantei-me pegando a roupa e me dirigindo á porta, ele me acompanhou.
-Bem, tenha uma boa noite Srta!Encontrará o Sr Riddle em algum lugar dos corredores!Creio eu que se não encontrá-lo esbarrará com o Barão Sangrento! –ele fez uma careta. –Meu Merlin, este homem deve ter agonizado antes de ser sepultado!Nunca presenciei tanta antipatia, mal humor e irritação!
Um meio sorriso tomou meus lábios, isso estava virando um terrível hábito. Dumbledore balançou a cabeça tentando livrar-se de tais pensamentos.
-Tenho uma curiosidade, professor!
Ele levantou as sobrancelhas surpreso.
-Diga, criança!
Olhei-o estudando cada movimento atentamente.
-O senhor tem medo de Tom, professor?!
Um leve semblante surpreso ultrapassou seus olhos. E então ele olhou-me brevemente divertido.
-Não Srta Diggory!Não tenho medo do Sr Riddle, mas temo ao pensar no que acontecerá se esse menino de apenas 17 anos aprimorar essa genialidade jovem e não saber usá-la para o bem!
Franzi a testa. Ele abriu um doce sorriso.
-A ganância visita às mentes dos alunos sonserinos, cara Amélia!Tom como herdeiro não deseja passar sua existência em sigilo!Receio que esperamos grandes coisas de Tom Marvolo Riddle!
Engoli em seco. Herdeiro de Slytherin?Era uma surpresa. Marvolo?Esse nome não me era estranho. Ignorei e deu um sorriso tranquilizador a Dumbledore.
-Bem, boa noite professor! –ele assentiu e então me afastei virando o corredor sobre seu olhar.
Tão rápido quanto pude distinguir, fui lançada na parede mantendo-me presa por mãos fortes em meus braços. Não pude registrar nada naquele momento, apenas encarei frias orbes verdes escuras. Seu rosto a poucos centímetros do meu e ele tinha um brilho assassino em seus olhos opacos. Engoli em seco.
-Futuro não é mesmo?
-Olá Tom! –agradeci por minha voz não falhar naquele momento. –Desculpe-me não era seguro contar-lhe naquele momento, mas suponho que você não demoraria a descobrir!
-Não! –foi quase um rosnado.
Coloquei minhas mãos em seus ombros.
-Não é educado machucar uma dama, Sr Riddle!Não é preciso violência aqui! –eu fui audaciosa o bastante para encarar seus olhos diretamente e ao falar, surpreendi-me com a sinceridade expressa em minhas palavras. –Eu contarei tudo o que queira saber!
Empurrei-o delicadamente, ele deixou-se ser afastado sem quebrar o contato visual. Havia descrença em seu olhar.
-Eu não confio em você!
-Talvez não!Mais deseja ao contrário não deixara chamá-lo pelo nome!Logo você, herdeiro de Slytherin! –arqueei uma sobrancelha. Ele continuou inexpressivo o rosto congelado.
-Comecemos sobre como você veio parar por aqui!
Revirei os olhos.
-Não vamos passar por isso de novo!Sei que você ouviu boa parte da conversa!
-Sim, vocês estavam interessados mais em mim como um assunto do que seu suposto problema!
Eu o fitei irritadiça.
-Como você bem sabe, eu não sou daqui especialmente, porém preciso de algum tempo para poder descobrir um modo para voltar para o meu tempo! –ele assentiu.
-Com a ajuda de Dumbledore você pode ter alguns bons problemas, eu conheço outro modo mais fácil e mais rápido!
Arqueei uma sobrancelha.
-Não me sugira magia negra, Tom!Eu vim de uma forma se eu voltar de outra é provável que eu não sobreviva!Eu não sei quanto a você, mas eu não quero um buraco negro no espaço tempo!
Ele refletiu por um momento.
-Como sabia que era isso? –dei um sorriso egocêntrico.
-Por favor, somos Sonserinos, sei como você pensa, assim como você sabe como eu penso!Conseguimos prever movimentos e você... –eu balancei cabeça de modo indiferente. –Vamos combinar, por sua postura perfeita, é bem óbvio que você tenha um interesse a mais por magia negra! –dei de ombros. –Eu não me importo, mas admito que sem dúvida artes das trevas é sem dúvida muito interessante!
-Você é uma sangue-puro meio incomum não é mesmo! –eu sorri.
-Como sabe que eu não sou mestiça! –ele revirou os olhos.
-Mestiças geralmente não me desafiam, Amy!Elas simplesmente correm! –arqueei uma sobrancelha. Que convencido, mas infelizmente ele estava certo.
-Sim, talvez pra uma família tradicional de sangue puro seja mesmo incomum!
Ele abriu um sorriso mínimo, como Sev fazia no começo. Mais eu tinha a leve impressão de que ver Tom sorrindo abertamente fosse melhor do que imaginava, bem, mais cedo ou mais tarde.
-Bem, sugiro que descanse, amanhã nós terminamos nossa conversa! –eu assenti e ele me deu as costas, quando ele estava afastado eu o chamei.
-Tom! –ele virou-se. –A senha!
-Buque de mandrágoras!Precisa que eu a leve até seu quarto também? –sua pergunta foi retórica mais um sorriso sarcástico abriu-se em meus lábios.
-Faria essa gentileza? –suas feições endureceram.
-Não pode estar falando sério! –gargalhei.
-Seja menos sério, Tom!Você precisa de uma diversão! –ri novamente. –Nos vemos amanhã, Tom!Encontro-o no salão comunal para o café da manhã! –dei-lhe um último sorriso antes de virar-me e tomar o caminho para as masmorras. Não resisti ao impulso de olhar para trás. Entre as sombras pude ver brilhantes olhos opacos e dentes incrivelmente brancos e alinhados.
Fingi não notar, mas ao virar o corredor não pude deixar de pensar que se Dumbledore achava Tom uma cobra ardilosa e eu conseguira provocar-lhe um sorriso, talvez duas cobras se entendessem melhor do que um leão e uma cobra, afinal isso atiçava o instinto de sobrevivência. E num covil um ajuda o outro, claro se todos forem cobras. Bem, talvez eu me desse bem aqui... E só talvez, Tom tivesse uma amiga verdadeira.
Bem, eu seria uma alternativa...
