Patrick Jane

Terminei meu banho e me troquei no banheiro mesmo. Lisbon estava me esperando para tomarmos café.

Me olho no espelho e encontro uma figura completamente abatida... Como eu pude acabar assim?

Preciso superar o que passou com o Red John, e voltar a viver... Preciso encontrar forças, mas como?

Aquele desgraçado do Ray Hafner tirou de mim aquilo que eu buscava já fazia mais de uma década. Ele estava lá o tempo todo... Até paquerou a Lisbon. A minha Lisbon!

Saio do banheiro e me deparo com uma preocupada Lisbon, sentada na beirada da cama. Hoje a noite vai ser longa... Ela vem tentando falar comigo sobre esse assunto já fazem meses... Mas eu sempre dou um jeito de escapar. Parece que hoje não vou ter para onde fugir... Ela deve ter vindo aqui pra me levar à alguma cena de crime, e como ainda não foi embora e aceitou tomar café comigo, deve ter deixado este caso para o resto do time resolver.

- Ãhn... Estou pronto, podemos ir? – eu pergunto

- Sim – ela se levanta e caminha em direção à porta.

Havia uma cafeteria ao lado do motel, então fomos andando, calados. Entramos, sentamos e fizemos nossos pedidos, quase sem dirigir uma palavra um ao outro. Até que, quebrando o silêncio que havia entre nós, Lisbon começou:

- Jane, nós precisamos conversar – disse em um tom suave e delicado.

- Eu sei o que você quer falar... Eu sei que preciso mudar.

- Você sabe que pode contar comigo sempre não é?!

- Eu não consigo Lisbon... Eu prometi vingar a morte delas, e eu não consegui... Agora acabou! Não dá mais... – Não sei da onde isso veio, mas não consegui mais esconder o que eu desesperadamente tentava com a bebida e os remédios.

- Hey... calma, vai ficar tudo bem!

A garçonete chega com nossos pedidos e eu disfarço o nó formado em minha garganta. Percebo que depois da garçonete ir embora, Teresa me olha esperando que eu continue e me desabafe com ela. Mas eu não posso! Preciso mudar, mas não posso parecer fraco na frente dela. Então eu uso as minhas técnicas para acalmar a pulsação, engulo o choro e sorrio.

- E então...?

- "E então" o que? – eu entendo o que ela quer dizer, mas me faço de desentendido.

- Sobre o que nós estávamos falando Jane.

- Eu... – faço uma pequena pausa, preciso fugir dessa conversa – Eu não quero mais falar sobre isso.

- Jane... Você precisa de ajuda! Olha só o seu estado... Por favor me deixa te ajudar! – eu solto uma risada diante esse comentário dela... Uma risada de nervosismo.

- Eu estou bem, Lisbon. Não preciso da sua ajuda! – eu falo, e ela me olha incrédula com o que acabou de ouvir.

- Tá bom então... Continua bebendo, isso vai ajudar muito mesmo! – ela diz muito irritada

- Olha só quem fala... – me arrependi de ter dito isso no exato momento que as palavras saíram da minha boca.

- O que? – ela parece estar cada vez mais zangada.

- Lisbon, você sabe do que eu estou falando – não sei o porquê de eu continuar falando ao invés de me desculpar – você nunca mostra suas emoções e sentimentos... Sempre bloqueia tudo, principalmente com álcool, igual ao seu pai... – Agora eu ultrapassei os limites, eu mesmo estou me odiando.

Lisbon fica em silêncio por alguns segundos, até que se levanta e sai da cafeteria em direção ao seu carro. Eu deixo um dinheiro em cima da mesa, e saio correndo atrás dela, mas não consegui alcançá-la e quase fui atropelado quando ela deu a ré para sair do estacionamento. Por que eu fiz isso? Ela só queria ajudar, e eu fui um completo idiota!

Eu tento alcançá-la mais uma vez, correndo atrás do carro e gritando pra que ela parasse, mas ela parece não me ouvir. Ah Lisbon... O que foi que eu fiz?

Entro em meu quarto, pego o telefone e ligo uma vez atrás da outra para a Lisbon, mas ela não me atende...

Quando já havia ligado umas cinquenta vezes pra ela, parei de tentar... Ela não ia me atender mesmo. Vou ter que esperar até amanhã para falar com ela na CBI.

Tento dormir, mas sem sucesso. Então me levanto, pego as garrafas vazias de tequila que estão espalhadas pelo meu quarto e as jogo na lixeira do lado de fora do motel. Volto para o quarto, pego a chave do meu Citroën e dirijo até a CBI na esperança de encontrar Teresa. Mas ela não está na sala dela. A única coisa que me restou foi esperar até o amanhecer no meu quartinho no sótão.