Siguinti!!! Nem, Shun, nem Hyoga, nem nenhum dos cavaleiros me pertencem... Que peninha!!! Bom, eles são do tio kurumada e isto é somente uma fic sem fins lucrativos!
EU PRECISO DE VOCÊ!
-CORRE, VAMOS LOGO COM ISSO, A RESPIRAÇÃO ESTÁ MUITO LENTA!
-DUAS DOSES DE EPINEFRINA AGORA!
- HISTÓRICO DO PACIENTE, RÁPIDO!
- GAROTO DE 18 ANOS, DEU ENTRADA VÍTIMA DE ATROPELAMENTO, APÓS DISCUSSÃO COM GENITOR. FORAM FEITAS MASSAGENS CARDÍACAS E TRAZIDO PARA CÁ! A RESPIRAÇÃO ESTÁ ALTERADA E QUASE SEM PULSO!
- SALA 3 LIVRE, LEVEM-NO AGORA!
- A RESPIRAÇÃO ESTÁ LENTA, KIT DE ENTUBAÇÃO!
- LÂMINA 15, PODE ENTUBAR!
- DROGA, O PESCOÇO DELE É MUITO ESTREITO! AI, ENTREI!
- TAQUICARDIA! ELE ESTÁ TENDO ATAQUE!
- DESFIBRILADOR!
- ESTOU PEGANDO!
- CARREGANDO, SE AFASTEM!
- QUANTO VOCÊ DEU?
- CARGA DE 150.
- MASSAGEM AGORA!
- QUERO MAIS UMA CARGA!
- CARREGANDO, SE AFASTEM!
- MASSAGEM!
- DÊ MAIS UMA!
- DR. KAMUS, JÁ DEMOS MAIS UMA DE 200.
- EU QUERO MAIS UMA!
- CARREGANDO CARGA DE TREZENTOS, SE AFASTEM!
- MASSAGEM! MAIS UMA DOSE DE EPINEFRINA!
- E ENTÃO DR. MILO?
- POSSO SENTIR O PULSO, ESTÁ NORMALIZANDO!
- CERTO, MANTENHA ENTUBADO E SIGA A MEDICAÇÃO, ACREDITO QUE NÃO TEREMOS MAIORES PROBLEMAS!
- ÓTIMO TRABALHO DR. KAMUS!
- OBRIGADA DR. MILO, SEM A SUA AJUDA NÃO TERIA CONSEGUIDO!
- VOU FALAR COM OS FAMILIARES, SEI QUE NÃO GOSTA DESTA PARTE!
- OBRIGADA DR. MILO!
No corredor, um silêncio mortal se fazia entre todos. Ikki andava de um lado para o outro seguido pelos olhares de um Kanon muito preocupado e de certa forma ressentido. A sua discussão com o caçula havia causado tudo isso. O silêncio foi quebrado pelas passadas de um homem com jaleco indo em direção aos familiares.
- Boa noite, vim dar boas notícias. O paciente está se recuperando, irá ficar bom!
- Oh, doutor, obrigada mesmo! Não sei como lhe agradecer! – As lágrimas eram visíveis no rosto do irmão protetor!
- Não precisa me agradecer, apenas estou cumprindo com o meu dever de médico!
- Bom, se já está tudo resolvido, eu tenho que voltar ao escritório, tenho trabalho a fazer! – Se levantou Kanon com certo ar de ironia!
- Você não vai fazer isso, vai largar o Shun sozinho? – Ikki enfrentava o pai furiosamente!
- Ele não vai ficar sozinho, tem você e toda a equipe dos melhores médicos que eu acionei assim que aconteceu o acidente. Além do mais, não sou médico e pelo que me consta, Shun está descansando, sendo assim, eu só atrapalharia e minha agonia só se tornaria mais visível. Pelo menos no escritório eu tenho com o que me ocupar para não pensar em besteiras! – Kanon falava com calma e tranqüilidade fazendo com que Ikki refletisse sobre as atitudes do pai e acabasse por concordar.
- Tudo bem pai, eu também irei ficar mais um pouco para ver se ele acorda e irei em seguida para o escritório!
- Não é necessário, fique com o seu irmão e quando quiser descansar vá para casa, eu mesmo só voltarei ao escritório para dar notícias a todos, pois ficaram muito preocupados e irei em seguida para casa também!
- Obrigada pai, ficarei até que ele acorde!
Kanon fez um sinal afirmativo com a cabeça e passou a sua mão pelos cabelos de Ikki, este foi o seu gesto de consolo ao filho, afinal ele não era de demonstrar sentimentos a ninguém! Mas saindo do Hospital, se dirigiu a igreja e ficou por horas a chorar e agradecer a Deus por seu menino ter sobrevivido.
Assim que o Dr. Milo se retirou para falar com os familiares, Kamus ficou a observar o garoto que estava deitado na cama a sua frente e não pôde deixar de ficar preocupado... Será que o garoto escaparia? Enquanto o paciente não acordasse, por mais que o seu coração estivesse batendo, não tinha certeza de nada. E se ele não acordasse, se emendasse em um coma profundo? Ao pegar o histórico do paciente, viu que este havia brigado com o seu familiar e se pôs a pensar na quantidade de pacientes que após discussões e desilusões se entregavam a morte de espírito. E ficou realmente preocupado! Não viu que era observado por um par de olhos azuis claros da cor do céu muito profundos que o olhavam com grande alegria.
- Hyoga!
- Padrinho! – O garoto correu a abraçar o médico, que retribuiu o carinho com um outro abraço mais forte ainda!
- Cheguei tarde? Bom, mas vejo que se virou bem sem mim! – Brincava o garoto com o Padrinho.
- Rs, nada com que se preocupar, coisas de médico!
- O que aconteceu com ele, Padrinho? Ele deve ter a minha idade...
- Foi um acidente muito trágico em que eu espero que ele se recupere, mas vamos falar de você! Como foi o cursinho?
- Ah, o Sr. sabe muito bem que eu só o faço pela teoria, eu gosto mesmo é daqui!
- Sei, mas se você não for bem na prova de conhecimentos gerais, como irá se dar bem na de conhecimentos específicos?
- Hum, aí você terá que me dar aulas de conhecimentos gerais também, afinal eu não tenho culpa se só consigo aprender com o senhor!
- Engraçadinho, eu vou pegar uns livros que separei para você e já vamos começar, mas por enquanto não saia daqui!
- Tudo bem, e se alguém precisar de você, pó deixar que eu o substituo!
- Hyoga!!! Não saia daqui e não me tire do sério hoje! – Deu um pequeno murrinho no braço do garoto, que riu com a atitude do médico.
Quando Kamu se retirou, Hyoga olhou novamente para o garoto que estava no leito e se aproximou dele. Com imensa ternura começou a fita-lo e brincar com os seus cabelos.
- O que será que aconteceu com você? Sabia que está deixando o meu padrinho preocupado? Acorda logo, por favor! Não deixe a sua vida ir embora tão fácil! Aproximou-se e pegou a mão ferida por agulhas do garoto e a aninhou entra as suas próprias mãos. Estava gelada, fria, como que se ele estivesse morto.
Nesse momento, Kamus entra na sala e começa a observar o afilhado e a cena que estava acontecendo. Balançou a cabeça e se pôs a pensar que sem dúvida nenhuma, o garoto havia nascido para ser médico.
- Ei, Hyoga! – Chamou baixinho para não assustar o afilhado. - Vamos? Ele tem que descansar agora!
- Padrinho? Ele não vai acordar, não é mesmo?
- Não me pergunte o que eu não sei lhe responder Hyoga, eu simplesmente não sei! Mas agora vamos!
- Sim, só um momento. – Soltou as mãos de Shun e pegou de dentro da sua camisa um rosário dourado e pendurou na cabeceira do leito, em seguida, fez o sinal da Santíssima Trindade em Shun. – Que Deus lhe proteja e o guie!
Kamus enxugou os olhos vermelhos e chamou novamente o afilhado, que saiu silenciosamente do quarto, mas não antes de prometer ao paciente que voltaria para vê-lo.
Hyoga era um rapaz de 19 anos, muito bonito, os longos cabelos loiros escorriam pelos ombros, encantava a todos com o seu jeito educado e sincero. Seu maior sonho era ser um médico, mas era de família de classe média e morava com a mãe Natássia que era divorciada e cuidava de tudo o que o filho precisasse. Trabalhava como corretora e não possuía condições para bancar uma faculdade de medicina. Kamus então, um amigo da família que foi nomeado como Padrinho de Hyoga e vendo que o pai não se manifestava em ajudá-lo, se responsabilizou por cuidar dos estudos do garoto que tanto adorava. Além de bancar o Cursinho preparatório e ministrar aulas práticas no Hospital, ele ainda havia prometido ao afilhado que bancaria a sua faculdade e moradia, já que Natassia não podia arcar com tantas despesas.
Columbia sempre foi a sua meta principal, e o garoto não poupava esforços para conseguir o que queria! Ver pacientes todos os dias, conversar com eles, cuidar da alimentação e distração deles era o que Hyoga mais gostava de fazer. Adorava ficar horas conversando com velhas senhoras que contavam histórias fascinantes a ele que ouvia tudo maravilhado. Apesar de Kamus jamais deixar que ele desse medicações ou qualquer outro tipo de cuidado aos pacientes, Hyoga era muito querido por todos e a sua ajuda era muito grande, pois os pacientes ficavam mais receptivos ao tratamento. Tanto que o psicólogo do Hospital vivia brincando com o garoto, dizendo que Hyoga estava querendo roubar o seu lugar, afinal. Os pacientes gostavam mais dele do que do psicólogo!
No dia seguinte, Kamus adentrou o quarto de Shun e começou a verificar os sinais vitais, pressão, respiração, tudo estava normal, então, por que não acordava?
- Vamos garoto, não se entregue desta maneira! – Kamus o olhava com mais preocupação do que no dia anterior.
- Dr. Kamus? Está tudo bem?
- Não Milo, veja, não acordou desde ontem! Eu pedi a uma enfermeira que o vistoriasse a noite inteira e não abriu os olhos uma única vez!
Milo pegou o pulso e auscultou os seus batimentos. Tudo estava normal!
- Não entendo Kamus, a medicação não tinha um sedativo assim tão forte. Já era para ele no máximo ter aberto os olhos!
- Eu acho melhor falarmos com os familiares. O irmão dele está aí desde ontem á noite.
- Eu vou falar com ele. Mas será que aconteceu mesmo?
- Não tenho mais dúvidas. Ele entrou em coma!
Os médicos se olharam e um pesar muito grande tomou conta daquele quarto, o garoto tinha tudo estabilizado, menos uma coisa: A vontade de Viver!
Milo se dirigiu até o corredor aonde um atônito Ikki que mal havia dormido se levantou cercando o médico.
- E então Doutor, já posso ir vê-lo?
- Ikki, precisamos conversar!
E então Milo contou tudo a Ikki, que apoiava a cabeça baixa entre as suas mãos e tampava parcialmente as orelhas, na tentativa de omitir aquilo que acontecia. Não podia ser verdade, o seu irmãozinho não poderia estar partindo. Não ele!
Enquanto Milo consolava Ikki lhe dizendo que poderia ser passageiro ou que eles poderiam estar errados, uma hipótese pouco provável, um garoto loiro entra correndo pelo Hospital e indo direto ao quarto onde Shun dormia.
Chegando ao quarto viu o sol batendo no rosto de Shun, tornando-o tão belo quanto qualquer outra coisa que ele já havia visto. Porém o garoto continuava desacordado, e Hyoga já havia visto cenas como essa diversas vezes. Ele estava se entregando. Hyoga sentiu que deveria fazer algo. Era mais forte que ele, estava a mando do seu bondoso coração!
- Ei amigo, está na hora de você acordar, tem um belo sol lá fora e acredito que você não iria querer perder por nada.
Hyoga falava com tanta paixão e convicção que quem passasse podia jurar que o garoto era louco, estava conversando com um paciente em coma. Mas não era isso que acontecia...
No subconsciente de Shun, um espírito adormecido se recusava a acordar. Ele não queria mais nada. Não respirava, não abria os olhos, não queria voltar ao Mundo de maldades e tragédias que havia conhecido, queria fugir de tudo.
- Existe um Mundo maravilhoso sabia? E você está perdendo por besteira, por manha. Acorda logo. Tem tantas coisas belas para se ver...
Shun apesar de tentar se isolar de tudo e morrer em paz, não conseguia. Seu espírito estava sendo puxado, acordado a força. Pois no meio de tanta escuridão em que ele estava dormente, uma voz de luz e esperança o incomodava.
- Volta pra gente, você precisa, por seus familiares, seus amigos, pelos que tanto te adoram! Você deve voltar!
Agora a voz se tornava mais forte quase que ensurdecedora, era tudo verdade, estava sendo mesquinho e egoísta. E todas as pessoas que precisavam dele? E os seus familiares? E o seu irmão?
- Eu não sei por que, mas sinto que você é fundamental para tantos, que precisam da sua palavra, da sua doação. Deixa eu te ajudar!
Shun não conseguia mais fugir daquela voz, aquilo estava o incomodando era verdade, mas... Quanto calor, quanta energia! Ele queria ajudar tantas pessoas, queria se doar, queria ser feliz...
- Deixa eu te mostrar o Mundo!
Agora o seu coração acelerava e ele achava que ia morrer a qualquer momento, mas na verdade, ele estava voltando a acordar.
- Porque apesar de não o conhecer totalmente...
Estava insuportável se manter inerte, tinha que acordar, agora era ele quem vencia as resistências que o impediam de voltar à vida.
- ...Eu preciso de você!
E com um súbito respiro, sentiu o seu corpo dolorido se movimentar. Ele estava de volta, estava vivo. O dono daquela voz o havia salvado e agora fazia um tremendo esforço para abrir os cansados olhos. E ele os abriu, calmamente, docemente, como se estivesse voltando de um sonho, como se no momento da morte em que cairia no precipício, uma mão o puxasse.
Estava vivo novamente!
Continua
