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Oi gente, tudo bem?

Eu queria avisar que dei uma reeditada no capítulo 1. Melhorei a diagramação e adicionei alguns detalhes no texto.


Capítulo 2

Jensen montava um cavalo. Não era muito fã de cavalos, mas desta vez não se importava porque tinha alguém com ele. Podia sentir o braço forte em torno da sua cintura, o corpo recostado no seu.

E era definitivamente, um homem.

Cavalgaram durante a noite, a lua brilhando acima deles. A respiração do estranho soprava em seu pescoço, seu rosto, a cada vez que ele se inclinava para frente. Suas mãos enluvadas seguravam as rédeas com firmeza.

Jensen se descobriu excitado.

– Você sabe quem eu sou? Uma voz soprou em seu ouvido, e o seu coração disparou. – Porque eu sei quem você é...

Jensen virou a cabeça, o mascarado sorri e se inclina, os olhos brilhando por trás da máscara, e um calor o tomou por inteiro quando as bocas se roçaram...

Ouviu um baque surdo. O cavalo desapareceu e, com ele, o homem.

Jensen abriu os olhos e se descobriu sozinho na cama de dossel. Devia ter estendido o braço, e derrubara o celular no chão.

Esfregou os olhos, exasperado. Ainda podia sentir sua presença... Podia até sentir o gosto dele.

E que merda tinha sido aquela... Ele havia sonhado com um homem, e tinha ficado excitado! Isso nunca tinha acontecido antes...Não, espera, aquilo não tinha sido um sonho, e sim um bizarro pesadelo.

Levantou-se irritado, e se vestiu casualmente, com um jeans confortável, que lhe pendia dos quadris, e uma camiseta. Em seguida desceu para ver o que poderia comer.

Jim havia lhe deixado pão recheado e café sobre a mesa da cozinha enorme. Nos velhos tempos, aquele lugar deveria estar sempre lotado de empregados para servir a família. Enquanto comia, pôs-se a explorar a casa. Havia diversos quartos, alguns com lençóis protegendo o mobiliário.

Tudo ali teria que ser catalogado e avaliado antes da venda. Talvez fosse mais simples contratar um revendedor de antiguidades de boa reputação, ou uma casa de leilões, e fazer a coisa do modo mais profissional possível. Devia começar a procurar...

– Lista telefônica? – murmurou, olhando ao redor. Encontrava-se no andar superior numa sala gigantesca com janelas gradeadas, de onde se podia ver uma colina, que se erguia escura, contra o céu da manhã, e continha uma enorme rocha no topo.

Decerto haveria muito interesse em Ravenswood quando os moradores locais soubessem que a casa se encontrava à venda. Marcos históricos como aquele não são negociados todos os dias.

Quando encontrou uma lista, por fim, no que lhe pareceu o antigo escritório do senhor Morgan, olhou para o relógio e percebeu que ainda eram sete horas da manhã. Cedo demais para contatar alguém.

Com um suspiro, dirigiu-se até a escrivaninha perto da parede e abriu algumas gavetas, pegando documentos e lendo-os aleatoriamente. Jensen encontrou vários diários de couro, lado a lado numa prateleira. Puxou um deles e o abriu. Datava de dez anos antes, e era um registro vivo da rotina da casa.

Teria que ler todos os diários, supôs. E ainda tinha os quartos superiores e o sótão para explorar, assim como os antigos estábulos e anexos... A extensão de sua tarefa o desanimou, foi ai que lembrou, em Londres, corria todas as manhãs. Sentiu falta da sua rotina. Iria se sentir melhor depois que exercitasse alguns músculos.

Trocou o jeans por um moletom e foi para fora, na noite anterior não pudera ver muito, Ravenswood tinha sido construída no século quinze, e embora não fosse uma das maiores casas senhoriais da região, era imponente o bastante. Incrível que não houvesse sido comprada anos antes por alguma rede de hotéis. Um lugar como aquele poderia dar muito dinheiro.

Jensen apressou o passo e começou a correr por uma trilha que levava para o monte que tinha visto pela janela. Conforme corria continuava a pensar nas possiblidades para a propriedade, que poderia ser transformada em um asilo para idosos, ou então uma clínica de reabilitação para os ricos e famosos.

Escutou um ruído, lançou um rápido olhar sobre o ombro... O cachorro negro estava atrás dele. Ele apertou o passo, forçando as pernas, porém o cão fez o mesmo. Foi ai que percebeu que estava subindo para o topo do monte, e a inclinação tornava seus passos cada vez mais difíceis. Atrás dele, ousou olhar, a casa ia ficando cada vez menor.

Ofegante Jensen chegou ao topo, perto da enorme rocha, que tinha um grande buraco no meio, e começou a olhar em volta, a procura de algo com que pudesse se defender ou espantar o cachorro... Como galhos ou pedras.

O cão continuou a trotear perto dele, porém não parecia interessado em atacá-lo. Passou direto por ele, saltou para o buraco no meio da rocha antiga e desapareceu na escuridão.

Aos poucos sua pulsação começou a abrandar, curioso Jensen apoiou a mão na pedra e examinou o buraco. Que era grande o suficiente para que se pudesse passar através dele... Quando ele olhou mais de perto, viu um túnel estreito, tateou os bolsos a procura do isqueiro, o ascendeu, e sem poder se conter avançou na escuridão.

Foi quando algo o agarrou, uma mão forte e fria, se fechou em seu braço com determinação. Puxou-o violentamente, fazendo-o perder o equilíbrio, e ele caiu para frente, tentou se agarrar nas pedras, mas as suas mãos foram escorregando. Seus pés deixaram o chão... então Jensen se viu caindo pelo meio da pedra.

Não houve tempo para que pudesse fazer mais alguma coisa. Aquilo estava além da sua compreensão, Jensen concluiu horrorizado. Acima dele a claridade desvaneceu, estava caindo por um buraco negro, sem nada para detê-lo, nada em que pudesse se segurar.

De repente, aterrissou em um monte macio, no fundo, a cabeça latejando, o estômago revirado. O que era aquilo?... Encontrava-se no interior da elevação! Parecia que a colina tinha aberto e o engolido.

Era um sonho. Só podia ser.

Abriu os olhos devagar, estava em um túnel estreito, que não parecia ter começo ou fim, enquanto acima dele só havia escuridão.

Antes que pudesse pensar em fazer alguma coisa, uma voz falou:

– Bem vindo ao entremundos... Está ferido?

Ele abriu os alhos. Agora havia luz à sua volta. Uma luz brilhante, de uma cor indescritível, que foi afastando as trevas até que ele pode vislumbrar, curvado sobre seu corpo, uma figura em um vestido longo e branco com cabelos vermelhos, os quais pendiam como uma cortina sobre um rosto delicado.

A moça tinha olhos azuis, cor de neon, mas conforme observou mais atentamente, Jensen percebeu que aqueles olhos não eram olhos de uma moça, e sim de uma mulher de idade. Estremeceu e desviou o olhar.

– Entremundos? – Repetiu. – Mas há apenas um mundo.

A mulher riu, porém Jensen não sentiu vontade de fazer o mesmo. Em vez disso, sentiu os pelos na nuca se eriçarem.

– Você acabou de passar por um portal que leva ao entremundos, o reino que existe entre a vida e a morte. E sou eu que guardo esse portal.

Jensen concluiu que era mais informação do que ele poderia processar. Colocou as mãos no chão frio e úmido, e sentou-se. Escutou água pingando, mas, felizmente não sobre ele.

Entremundos. Um lugar entre a vida e a morte.

Devia haver outra explicação. Uma explicação mais racional. Assustado, ele percebeu que a luz brilhante retrocedia. Olhou em volta, ansioso, a procura da mulher.

– Onde você está?

– Por aqui, mortal – a voz falou atrás dele, movendo-se com a luz.

Jensen se levantou com um salto.

– Ei, não me deixe aqui! – gritou, e bateu a cabeça no teto do túnel. – Droga!

Sentiu-se tonto, mas a luz começava a ficar cada vez mais fraca.

– Depressa! – A voz melodiosa chegou até ele.

– Eu quero sair daqui! Me leve de volta! – Jensen respondeu, embora seguisse a luz.

– Tarde demais para isso, meu querido.

O túnel cheirava terra úmida e vegetação podre, quanto mais ele avançava mais escuro ficava. Jensen foi tropeçando ao longo do caminho, tentando manter a cabeça baixa.

– Para onde estamos indo? Sua voz ecoou, provocando um terrível barulho, e Jensen apressou o passo.

Ele seguiu em frente, frustrado. Queria alcançar a criatura de modo a poder argumentar, reclamar e exigir uma resposta, mas continuou completamente à mercê da tal moça... mulher, criatura, ou seja lá o que ela fosse.

Talvez pudesse voltar... Um só olhar por cima do ombro, porém, mostrou-lhe apenas escuridão, e deu-lhe a impressão que tinha coisas ali que ele não podia enxergar, mas que estavam lá, olhando pra ele.

Não. Tinha apenas uma opção: seguir a "coisa" e ver aonde esta o levaria. Quando uma oportunidade surgisse, talvez pudesse escapar.

– Devo estar louco – concluiu em voz alta. Era a única explicação.

Ou estaria morto?

– Jensen Ackles!

Jensen piscou. Mais a frente a luz era diferente, de uma cor mais diluída, quase esbranquiçada.

Uma passagem! Uma saída para o mundo lá fora. Correu aos tropeços, e ao sair do túnel se descobriu em meio as árvore que ficavam entre a casa e a estrada.

Parou confuso. Era noite, e uma lua enorme brilhava no céu escuro. Sua respiração passou a sair em bafejos gelados, e o ar frio não se parecia com o clima de abril. Virou-se e procurou a criatura, mas ela já não estava mais a vista.

Uma brisa fria o engolfou, e Jensen cruzou os braços, tentando se orientar. Estava muito próximo dos jardins. Luzes piscavam entre as árvores, e ele podia ouvir vozes. Muitas vozes. E também música. Não música moderna, e sim orquestra com coral e com certeza não profissional. O violino raspou um pouco fora da nota, porém ele reconheceu a antiga canção natalina: Carol of the bells...

Deixou as árvores, e conforme se aproximava, percebeu que havia algo estranho na iluminação. A claridade não vinha de luzes elétricas, mas sim de tochas, e de velas envoltas em lanterna de vidro colorido, que pendiam por todo jardim.

Havia também trilhas cobertas de cascalho. Casais vestindo trajes característicos passeavam juntinhos por causa do frio, mas obviamente estavam se divertindo.

Da onde saiu esse baile à fantasia... Jensen pensava.

De repente, uma moça passou por ele, os sapatos estranhos batendo pelo caminho. Um cara a perseguia, e ambos riam. Nenhum deles olhou para ele. Nem sequer notaram que ele estava vestindo moletom e camiseta.

Adiantou-se assim que outro casal passou por ele, de braços dados. – Oi, que festa é essa?

O casal passou reto. Como se não o tivessem visto. Percebeu, então, que ninguém olhava em sua direção, nem sequer por um momento. Era como se ele não estivesse ai realmente.

Caminhou para casa, lá dentro, Ravenswood se mostrou surpreendentemente quente, embora nem um pouco como ele se lembrava. O piso de mármore fora lustrado. Havia velas por toda parte, e grandes arranjos de flores em vasos gigantescos exalavam um perfume quase sufocante de tão doce.

Uma porta bateu, e ele se viu cercado por um batalhão de empregados carregando bandejas cobertas. Passaram por ele rindo.

– Você o viu? – Dizia uma das moças num sussurro. – Tão bonito quanto o patrão. Não culpo a patroa deseja-lo... Eu também não diria "não".

– Pelo que consta, você nunca deixou de dizer "sim"!

Mais risadas, seguidas por uma nova onda de alvoroço, e no momento seguinte ele viu-se sozinho novamente. Curioso, espiou alguns cômodos do andar de baixo, mas além de um quarteto jogando cartas, e da mesa de jantar sendo posta, não viu muita coisa.

Virou-se para a escada, descansando a mão no pilar do corrimão. Olhou para cima e viu uma silhueta escura à frente de um candelabro. Era um homem. E parecia tão quieto e imóvel, tão atento... Como se também não pertencesse aquele lugar.

Ele não podia vê-lo, lembrou a si mesmo.

O estranho descendo devagar, a mão deslizando pelo corrimão como se ele tivesse todo o tempo do mundo. Um brilho prateado em seu dedo capturou o olhar dele: um anel largo com uma espécie de brasão.

Jensen reconheceu o sinete, já o tinha visto antes, pintando no quadro.

Jared Padalecki.

O rosto quadrado, o nariz afilado. Os cabelos castanhos com alguns fios dourados na altura da nuca. E os olhos fixos nele.

Jensen virou a cabeça, esperando ver para quem ele olhava, mas não havia mais ninguém ali. Apenas a porta entreaberta, e além dela o jardim enfeitado com as lanternas coloridas. Relutante voltou a encará-lo. Padalecki tinha parado a apenas uns degraus acima dele.

Engoliu em seco. Já não podia fingir que ele não o enxergava. O Corvo o fitava bem dentro dos seus olhos agora. E, Deus, como podia ser tão atraente? Era sobre ele que a serviçal comentava?...

Espera, ele tinha mesmo acabado de pensar que outro homem era atraente? Que pensamento havia sido aquele?

Não era exatamente bonito... mas muito sedutor. Havia algo perigoso em seus olhos, e uma deliciosa leviandade em seu sorriso... Balançou a cabeça, inconformado com o que tinha acabado de pensar, o que estava acontecendo com ele?

Enquanto isso Padalecki terminou de descer os degraus, e Jensen recuou para lhe dar espaço.

– Bem-vindo a Ravenswood, Jensen Ackles. –Saudou Jared com voz grave e brilho divertido nos olhos verdes.

xxx

Jensen estava com medo dele. Tentava esconder isso, mas não conseguia. A palidez de sua pele, os olhos fixos, a respiração acelerada... Tudo denotava medo.

Ou então desejo, concluiu Jared.

Mas, embora fosse agradável pensar que ele pudesse desejá-lo tanto à primeira vista, via-se mais inclinado a acreditar que aquela reação era de medo ou espanto. E não queria que Jensen Ackles sentisse medo dele. Precisava ganhar a sua confiança.

Maldição. Jamais tivera que se preocupar com esse tipo de coisa antes, mas também nunca havia estado naquela situação. Se não precisasse tão desesperadamente daquele homem, talvez teria dado de ombros e se afastado.

Mas precisava de Jensen, e ele teria que concordar em ajudá-lo. Essa fora a primeira ordem dada pela guardiã do entremundos depois que esta o despertara e lhe explicara o que deveria ser feito.

– Quando o mortal vier, você deverá ganhar sua confiança, ele terá que concordar em ajudá-lo. Use o seu charme e poder de persuasão, mas, apenas depois que ele assentir, você poderá avançar para a próxima etapa.

Muito simples, ele havia pensado sorrindo.

– Muitas mulheres e homens me achavam irresistível. – Disse para a criatura.

– Talvez desta vez, não seja tão fácil quanto acredita.

Ele apenas rira, certo de que sairia com segurança de quaisquer enrascadas em que ela pudesse coloca-lo.

– Mostre-lhe seu inimigo e do que ele é capaz – prosseguira a guardiã. – Deixe que o mortal veja por si próprio. Mas, lembre-se: não deve interferir no passado. Se tentar mudar o que já aconteceu, eu o devolverei ao entremundos. Compreendeu?

– Compreendi, mas não vejo porque tem que ser desse modo. Deixe o meu inimigo por minha conta agora...

– Não. Isso causaria mais danos do que benefícios. Primeiro deve entender o que esta enfrentando. Para tanto necessitará da ajuda de um mortal. Obtenha seu apoio... Vai precisar dele.

Jared piscou. Enquanto estivera distraído, Jensen se afastara, visivelmente incomodado com a sua proximidade. Ele suspirou. Com paciência estudada, estendeu-lhe a mão.

– Venha senhor Ackles. Quero lhe mostrar uma coisa.

– O quê?... – Jensen olhou para seus dedos como se fossem cobras.

Jared o fitou com dúvida, perguntando-se novamente como proceder. Com aqueles cabelos espetados e loiros, e os olhos oblíquos e verdes, ele mais se parecia com um elfo.

O pensamento o divertiu, e ele cobriu a boca para esconder o sorriso. Fingiu alisar o lenço do pescoço.

– O que quer me mostrar? – Jensen indagou, cedendo a curiosidade.

– Quero que conheça a minha família. Quero que veja o que meu inimigo fez a ela.

– Eu não...

– Não compreende, eu sei. Mas vai compreender. Preciso da sua ajuda.

– Precisa da minha ajuda? – Ele repetiu devagar, os olhos parecendo ainda mais inclinados ao fitá-lo.

– Você veio de muito longe – murmurou Jared, sedutor. – É bom que saiba o motivo. Na verdade não poderá voltar para casa até que o faça.

O comentário chamou a atenção de Jensen

– Mas poderia ir para casa depois? – Ele perguntou com cuidado.

– Claro.

Jared olhou disfarçadamente para as roupas que ele usava, tentando decifrar a estranha escrita sobre o peito forte. Metallica.

Franziu a testa. Ele ficaria muito melhor se adotasse algo da moda, como casacos bem cortados, ou sapatos de couro. Os de Jensen mais lembravam dois pedaços de pão amanhecidos.

Jensen o observou analisando seus tênis.

– Suponho que correr não seja hábito desse século. – Disse, encarando-o.

Então, com um encolher de ombros, aceitou a mão que ele ainda oferecia.

Jensen sentiu os dedos frios nos dele. E se obrigou a permanecer calmo. Lançou-lhe um olhar enviesado, desafiando-o a mencionar sua momentânea fragilidade.

Jared sorrio. Jensen não era tão forte como fingia ser.

– O que foi? – perguntou Jensen, tentando puxar a mão.

Jared o segurou.

– Não creio que compreenda o que está acontecendo conosco. O fato é que não temos escolha senhor Ackles.

– Pode me chamar de Jensen. E quem disse que eu não tenho escolha? – ele acrescentou áspero.

Jared deu um suspirou. Não podia fazer nada. Precisava seguir em frente e tentar seu melhor.

– Estamos na véspera do Natal de 1813, comemorando com nosso tradicional baile em Ravenswood – explicou pacientemente. – O exército britânico vem lutando na Guerra Peninsular nos últimos cinco anos, tentando preservar a independência de Portugal contra as tropas invasoras francesas que já tomaram a Espanha, e estamos preocupados. Se a França invadir e dominar Portugal, estará a apenas um passo, através do Canal, da nossa costa. Se for assim, teremos que lutar. – Jared respirou fundo. – No ano passado as coisas ficaram negras. Napoleão Bonaparte dominou grande parte da Europa, mas o clima da Rússia, contudo, derrotou as suas tropas, que tombaram no retorno a Paris. Consequentemente ele se viu enfraquecido, e neste ano, as coisas melhoraram. Acreditamos que muito em breve será capturado, e que a guerra terá fim. É hora de comemorarmos.

– Véspera de Natal de 1813... – Jensen repetiu incredulidade na voz.

– Em Ravenswood, o baile de Natal é uma tradição de longa data... Este ano, o herdeiro da casa, – Jared curvou-se numa mesura – está de volta da guerra... Vivo, embora recuperando de algumas lesões. O problema é que, com as boas notícias sempre vêm as ruins. Meu pai quebrou o pescoço ao cair de seu cavalo no bosque e faleceu, o que mergulhou a família em uma profunda tristeza. Apesar disso, decidimos seguir com a tradição do baile.

Jensen inclinou a cabeça, prestando atenção aos risos e à música no andar de cima. Ravenswood não parecia estar em luto.

– O major Morgan está aqui também. Ele era meu comandante, e nos tem dado um apoio e tanto nestes tempos de dificuldade.

– Morgan? Ele é parente do falecido...

Jensen não terminou porque Megan, em um vestido azul claro, e com cabelos escuros presos no alto da cabeça, deixou o salão e desceu as escadas. Jared viu-se analisando a irmã, percebendo o quanto ela ainda era jovem, embora se vestisse com a intenção de parecer mais velha. O decote do vestido de cintura alta exibia uma surpreendente extensão dos seios fartos, e contrariado, ele se perguntou como a mãe permitia tal indiscrição.

Mas sua mãe andava preocupada com outras coisas.

– Jared! – Chamou Megan com seu sorriso doce.

Ele sentiu uma pontada no coração ao vê-la depois de tanto tempo. Megan não sabia que ele estava morto havia quase duzentos anos, e que retornara apenas com a finalidade de mostrar a família a um estranho invisível.

– Megan minha querida irmã... – Colocou de lado os sentimentos confusos e tratou de se recompor. – Esta linda essa noite.

Ela riu, satisfeita com o elogio. De repente era a sua irmãzinha de novo, seguindo-o com constante tagarelice, e olhando para ele com adoração.

– Parece muito formoso milorde. – falou, e esticou-se para beija-lo na bochecha, – embora mamãe vá dizer que está cheirando a estábulo. Por que não pôs o seu traje de noite, ou ao menos o seu uniforme? Os homens sempre ficam elegantes trajando uniformes.

Jared quis abraça-la, preveni-la... Mas isso não lhe seria permitido.

Megan balançou o corpo, os olhos brilhando.

– Por falar em uniformes, o major me prometeu uma dança... O que me torna muito especial, pois, como deve saber, ele nunca dança. Ah, e a Srta. Genevieve já perguntou de você umas dez vezes!

– Não consigo evitar de partir corações.

Megan riu de novo, desta vez não com tanta inocência.

– Eu sei que não maninho.

Ele hesitou, estava quebrando as regras que a guardiã do entremundos lhe dera, mas não importava. Precisava falar.

– Esta tudo bem com você, Megan? Iria me dizer se não estivesse? Sabe que estarei sempre aqui.

Não era verdade. Não quando ela precisasse dele.

Megan o olhou com estranheza, e em seguida balançou a cabeça.

– Seu bobo. – Ralhou, e em seguida seguiu seu caminho, provavelmente para levar alguma mensagem da mãe para o cozinheiro.

Mas, de que adiantava todo aquele amor fraternal? Perguntou-se Jared. Nada aconteceria como ele havia planejado.

Virou-se para Jensen, que tinha ficado todo esse tempo encostado contra a parede, apenas observando a conversa.

– Venha – Jared disse com urgência. – Vamos acabar logo com isso.

Continua...


Eu queria agradecer as reviews,

K. Langley, você mandou minha primeira review, obrigada! Segui seu conselho e dei uma reeditada no primeiro capítulo. Espero que tenha melhorado, e que você tenha gostado do segundo também! Mas continuo sem beta...

E obrigada DWS e Cici, também espero que vocês gostem desse capítulo!

Ana e EmptySpaces, vou responder a vocês por e-mail ok!

Um beijão para todos.