Parte II
Abriu os olhos lentamente como se temesse ainda estar em agonia. O lugar onde estava era mais claro do que a sala que havia desmaiado de dor. Mas era mais do que óbvio de que já era noite, e Ginny estava em uma cama macia e quente pela primeira vez em meses.
Engoliu em seco e passou as mãos pelo corpo. Estava apenas com uma camisola preta de algodão. A cama era grande e a decoração do quarto era toda em preto e verde. Alguns detalhes em prata chamavam sua atenção. A lareira estava acesa. Ela sentiu nojo ao ver a decoração sonserina. Tudo no quarto era negro, assim como a alma da pessoa que a trancou ali.
Levantou-se e sentiu a cabeça rodar novamente. O estômago ainda estava vazio. Correu os olhos pelo quarto, procurando algum lugar que pudesse fugir. A janela estava fechada, Ginny tinha certeza de que a lareira era vigiada, e mesmo que não fosse, nunca iria conseguir Pó de Flu. Aparatar era uma ideia tola. Mesmo que fosse permitido, o localizador mágico que ela tinha porque era uma foragida a denunciaria de imediato.
Socou o colchão com raiva quando percebeu que estava presa. Mas no fundo sabia que Voldemort nunca a deixaria sair. Por que não a matara de uma vez? Já ia se sentar novamente na cama, mas seus olhos acharam uma porta negra anexa à porta de entrada do quarto. Vincou a testa e caminhou em direção à porta, abrindo-a. Era um banheiro. Ginny automaticamente se olhou no espelho.
Os cabelos, agora da sua cor natural, estavam enormes. Possuía olheiras profundas. Mas mesmo que ela passasse fome, seu corpo estava bonito. Magro, mas bonito. Estremeceu, quase não se reconhecendo no reflexo. Saiu do banheiro e voltou para o quarto.
- Que fome...
Disse em um sussurro para si mesma. Algo ao seu lado estalou e Ginny deu um pulo para trás devido ao susto que havia tomado. Um elfo doméstico estava no seu quarto, fazendo uma reverência e quase tocando o nariz sujo no carpete limpo.
- A senhora Weasley desejar comer algo?
Ginny se aproximou da criatura. Ele tinha olhos verdes e sua imundice contrastava com o quarto excessivamente limpo. Mas ele a olhava, esperando pela resposta calmamente; pronto para servi-la sem reclamar, como se fosse uma honra trazer-lhe comida. Ela lembrou-se de Dobby, o elfo que Harry sempre lhe falara e mostrava a fotografia. Seus olhos lacrimejaram e ela sorriu.
- Qual seu nome?
O elfo fez mais uma reverência exagerada e a olhou nos olhos novamente, encantado pelo interesse da bruxa.
- Meu nome é Fiddie, senhora.
- Não me chame de senhora. Meu nome é Ginny.
O elfo sorriu para ela, dando dois pulinhos e juntando as mãos, esperando por ordens. O estômago de Ginny roncou e ela se lembrou do motivo da presença de Fiddie no seu quarto. Não se lembrava da última vez em que havia colocado comida para dentro do corpo.
- Pode me trazer algo para comer?
O elfo sorriu para ela, fazendo outra reverência. Depois sumiu com um estalo. Ela suspirou, decidindo tomar um banho enquanto Fiddie voltasse. Se estava presa naquele lugar, iria aproveitá-lo ao máximo. Ela sabia que não teria muito tempo de vida depois de sua captura. Ela só não sabia o que Voldemort pretendia com isso tudo.
Mas Ginny descobriria os objetivos de Voldemort cedo.
Duas horas haviam se passado. Duas malditas horas. A bandeja que Fiddie havia lhe entregado mais cedo estava completamente vazia e ela se sentia enjoada por ter colocado tanta comida no estômago de uma vez. Definitivamente seu corpo não estava mais acostumado com a alimentação de um ser humano normal.
Deitou-se na cama, olhando o teto. Os cabelos vermelhos intensos espalhavam-se pelo lençol negro. Ela fechou os olhos e respirou fundo. Ginny não percebeu quando a porta se abriu. Um garoto de aparentemente dezessete anos entrou pelo quarto, silencioso como uma cobra. Sorriu ao ver sua pequena ninfa deitada calmamente. Parecia em paz consigo mesma. Ele sabia que se a garota soubesse por que ainda estava viva; o estado dela não seria igual ao que ele estava fitando.
Ela se mexeu um pouco, colocando os braços para cima. A camisola subiu ligeiramente pelo corpo, expondo parte da pele clara das pernas. Tom salivou. A Weasley havia crescido desde que a encontrara na Câmara Secreta. Os seios agora eram de mulher, os cabelos mais longos e cheios, porém, continuavam lisos e com a cor do fogo. A cor que Tom sempre detestara. O vermelho o lembrava da casa mais odiada em sua escola, de Potter e de Fawkes. E mesmo assim ela parecia um quadro pintado.
Calmamente, passou os dedos compridos pelos cabelos escuros e se sentou na cama, decidindo conseguir o que queria o quanto antes. Perder tempo com Ginevra Weasley era a última coisa que pretendia.
Sentou-se no colchão macio da cama e ela sentiu, abrindo os olhos automaticamente. Quando fitou o garoto que havia sentado ao seu lado e a olhava como se fosse um antigo amigo, assustou-se e levantou imediatamente do colchão. Tom arqueou a sobrancelha ironicamente.
- O que está fazendo aqui?
Ele levantou também, porém, a calma que ele estava contrastava com o desespero evidente que ela sentia.
- Não lhe devo explicações, Ginevra.
Ela olhou para a porta do banheiro, tentando pensar em alguma atitude que pudesse tirá-la dali. A porta por onde Tom entrara estava entreaberta. Ginny não pensou muito, correu em direção à porta, mas quando estava chegando perto, ela bateu, trancando-se no mesmo instante. Uma mínima risada cortou o silêncio do quarto.
- Você não vai conseguir sair daqui.
Ele declarou, e ela se virou com raiva para ele. Parecia um pesadelo voltando para lhe assombrar. A figura que estava a sua frente, vestido completamente de preto, com um sorriso debochado no rosto, era a figura que havia traído sua confiança, tentado matá-la no segundo ano, conseguido matar sua família, seu noivo, seus amigos. A figura que estava a sua frente, era a figura que assombrou Ginny nos seus pesadelos, sempre sorrindo para ela exatamente como ele fazia no momento, dizendo que ela fora tola.
O temor dela não era por ele ser Voldemort. O temor dela era por ele ser simplesmente Tom Riddle. O garoto que ela havia se apaixonado quando tinha seus doze anos, segredo que nunca contaria para ninguém. Ginny se sentia suja ao olhar nos olhos azuis frios de Tom, e pensar que já sonhou com os mesmos olhos fitando-a com desejo. De repente tudo o que ela havia vivido no seu segundo ano em Hogwarts voltou à tona.
- O que você quer?
Perguntou para ele, receando pela resposta. Ele não respondeu de imediato. Deu dois passos a frente tentando contornar a cama. Ela recuou. Ele simplesmente tirou o manto de veludo negro, jogando-o na cama ao lado. Ela estremeceu ao vê-lo apenas com calça escura e blusa social. Ele dobrou as mangas da sua blusa preta, fazendo a pele branca aparecer. Enfiou a mão no bolso fundo da calça jeans e tirou a varinha dali, apontando para a garota.
- Gostaria de saber onde se encontra seus amigos que eu tanto procuro.
Ginny se lembrou de cada rosto nas fotos que vira na noite anterior. Conhecia todos, mas não sabia onde estavam. Ela nem sabia se ainda estavam vivos. Engoliu em seco, olhando para a varinha apontada para seu peito. Ele não se movia, permanecia calmo olhando para ela e esperando a resposta que nunca viria.
- Eu não s...
Antes que pudesse terminar a frase, sentiu as mesmas facas entrarem no seu corpo, rasgando cada pedaço de pele, destruindo cada célula. O quarto foi preenchido com os gritos dela e Tom apenas a olhava, esperando-a sentir tanta dor até que seu corpo não aguentasse mais. Ele desviou a varinha e esperou-a se levantar do chão. Ginny arfava e gemia, segurando o peito com uma mão enquanto a outra tentava pegar a cortina. Não tinha forças para se levantar sozinha.
Quando ele viu que ela havia se recuperado e já estava de pé, voltou a apontar sua varinha. Ela arfou e seus seios começaram a subir e descer rapidamente por debaixo da camisola. Ele desviou os olhos por alguns segundos, mas voltou a olhá-la. A ruiva já estava acabando com sua paciência.
- Onde estão seus amigos, Ginevra?
Ginny ficou calada, sua respiração ainda estava descontrolada, mas manteve a boca fechada. Ele apenas a olhava, parecendo apenas uma carcaça. Parecia sem alma. Um ser que não tinha sentimentos e não se preocupava com ninguém. Ginny travou o maxilar.
- Vai se foder, Tom.
Depois fechou os olhos esperando pela dor, que não demorou a vir. Essa foi mais forte, ela sabia que chamá-lo por esse nome o irritaria mais que tudo. As facadas pareciam mais urgentes, e ela abriu os olhos momentaneamente. Ele caminhava em direção a ela. Ele murmurou algo e ela sentiu cortes se abrindo em sua pele. Ginny gritou.
Sentiu um chute no estômago. Cuspiu sangue e as facadas cessaram magicamente. Ela permaneceu no lugar, temendo levantar e sentir a dor novamente. Tom agachou-se e agarrou os fios dos cabelos ruivos com fúria, levantando-a um pouco e obrigando-a a olhá-lo nos olhos.
- Onde estão seus amigos?
Repetiu pela última vez. Lágrimas agora corriam livremente pelo rosto da garota. Ele puxou os cabelos dela, alguns fios se soltando em sua mão. A pele dele era fria, assim como ele. Ele apontou novamente a varinha para ela.
- EU NÃO SEI!
Ela gritou em desespero, temendo pela dor. Tentando, em vão, pará-lo. O choro se intensificou. Mas ele não a soltou, continuava olhando-a nos olhos. O feitiço havia acabado e o tom castanho havia sumido, dando espaço para seu verdadeiro tom azul claro. Tom se viu refletido nos olhos lacrimosos da garota. Soltou-a e Ginny caiu, tremendo no chão. Ele caminhou em direção a cama, pegando o manto e jogando-o por cima do corpo de qualquer jeito. Ginny fechou os olhos e escutou o barulho da porta, a voz do homem que havia saído chegou aos seus ouvidos.
- Acabei por aqui, traga Veritaserum. E limpe tudo. Não gosto do carpete sujo.
A porta se fechando foi a última coisa que Gina escutou antes de desmaiar.
Um dedo frio passou pelo rosto dela, ela abriu os olhos com o contato e fitou Tom sentado ao lado dela. Tentou se levantar, mas todos os músculos do seu corpo protestaram e ela percebeu que os cortes haviam se fechado. Estava com outra camisola, dessa vez mais fina e curta. A janela estava aberta, ainda era noite, e Ginny pensou seriamente em pulá-la para fugir. Mas sabia que ele não a deixaria nem chegar perto do local.
Ela olhou atentamente para o homem a sua frente. Estavam sozinhos novamente no quarto, e ela já havia descoberto o porquê dele ainda não tê-la matado. Ele girava um frasco pequeno nos dedos longos e pálidos e o coração de Ginny deu um pulo quando ela se lembrou do que tinha escutado antes de desmaiar. Trancou o maxilar, fazendo força para não abrir a boca e tentou se levantar. Mas ele apenas espalmou sua mão no colo da garota, obrigando-a a se deitar novamente. Ginny se arrepiou com o contato. Ele também.
- Você já bebeu.
Indicou o frasco vazio para ela. Ela continuou deitada na cama, não iria contrariá-lo de jeito nenhum. Não depois de relembrar a dor que havia sentido.
- Vou fazer a pergunta pela última vez. Onde estão seus amigos?
Ela não temeu responder. Com Veritaserum ou sem, a resposta seria a mesma. Sua sorte era que dessa vez ele iria acreditar em sua resposta.
- Já disse que não sei.
Ele pareceu surpreso e desapontado. Colocou o frasco da poção no chão e a fitou com os olhos azuis frios. Os olhos de Tom pareciam cinzentos quando estava escuro. Ele se apoiou no colchão, espalmando a mão, como se fosse levantar. Mas desistiu. Olhou-a novamente e deu um sorriso mínimo jocoso. Ela não movia um músculo do corpo e sua respiração estava falha. Ele inclinou-se sobre ela e ela enrijeceu o corpo.
- Posso te perguntar outra coisa?
O hálito frio dele bateu no rosto de Ginny. O coração dela se acelerou, alertando-a do perigo que corria. Ela receava pela pergunta. Com a Veritaserum, estava vulnerável a tudo.
- Não.
Respondeu sinceramente o que queria, mas ele apenas sorriu e se inclinou um pouco mais em direção à garota. Ele estava sem o manto. Dois botões da camisa social estavam abertos e os olhos dela percorreram automaticamente o pequeno pedaço de pele exposta. Isso não passou despercebido por ele. Ele passou as mãos pelos fios ruivos, salivando com o toque sedoso de seus cabelos.
- O que seu corpo está sentindo agora, Ginevra?
Ela se arrepiou e trancou o maxilar, temendo abrir a boca e falar bobagens. Não queria parecer vulnerável perto dele de novo. Ela havia crescido e agora estava mais madura. Mas seu corpo ainda gritava para ela que, mesmo que se passassem séculos, ela ainda sentiria o desejo pelo corpo dele. Ele arqueou as sobrancelhas para ela, incitando-a a responder a pergunta.
- Estou arrepiada, Tom. E tenho medo.
Resposta vaga. Ginny sabia que poderia ter várias interpretações para o que ela havia acabado de falar. Mas fechou a boca com medo da poção desmascará-la. Ele não se sentiu satisfeito. Seus dedos passearam pelo colo dela, e ela fechou os olhos. Ele sentiu o coração da garota bater rápido e sorriu. O dedo pálido desceu uma alça da camisola e Tom depositou um beijo demorado na pele fina.
- E agora?
Ela fechou a boca para não responder. A poção a obrigava a dizer a verdade, mas Ginny estava determinada a não fazer isso no momento. Ele desceu a outra alça da camisola. O tecido fino ficou mais solto no corpo dela e ele o desceu, exibindo os seios. Ele olhou para ela, no mesmo momento que tomava um seio com a boca.
- E agora?
Ginny fechou os olhos, mas a maldita Veritaserum tinha um poder sobre seu corpo sem explicações.
- Eu quero mais.
O hálito dele queimou a pele dela quando ele riu. Mordiscou o mamilo direito da garota. Levantou-se de uma vez da cama e ela agradeceu mentalmente a Merlin a sorte que havia tido. Ele pegou o manto que estava jogado no pé da cama e o jogou no braço. Caminhou em direção à porta. Quando sua mão pálida envolveu a maçaneta, ele se virou para Ginny, ela enrubesceu ao perceber que ele havia cravado os olhos nos seus seios.
- Você quer que eu vá embora?
Olhou fixamente para a garota. Ela fechou os olhos, tentando ignorar a pergunta, seus pensamentos viajando por Hogwarts e todos os seus anos passados lá, mas infelizmente ele estacionou no seu segundo ano, e ela abriu automaticamente a boca.
- Não.
Antes que abrisse os olhos novamente, sentiu o colchão se afundar. Ele sentou-se ao lado dela, inclinando-se e pegando seus cabelos cor de fogo com os dedos, inalando o cheiro doce e característico. Ela abriu os olhos, receosa. Mas não se mexeu. Tom perdeu a paciência. Aproximou-se rapidamente e tomou seus lábios rosados com os dele frios. Ela gemeu quando as línguas se encontraram. Ele fechou os olhos ao contato, ignorando o coração acelerado.
Ginny não se conteve e puxou o rosto dele para perto do seu, passando as mãos pelos cabelos exageradamente arrumados e bagunçando-os, sentindo pela primeira vez a maciez dos cabelos dele. O corpo dele caiu sobre o dela e ela sentiu a evidente excitação dele. Alarmou-se. Tentou se desvencilhar, se dando conta de que era Tom Riddle que estava beijando. Mas ele apenas fez mais pressão sobre seu corpo, imobilizando-a. Suas mãos frias passearam pelas pernas lisas da garota e ela se arrepiou, desistindo de tentar sair dali.
Ele mordeu o lábio inferior dela, no mesmo momento que colocava a calcinha para o lado e introduzia um dedo nela, fazendo-a gemer dentro de sua boca.
- Gosta?
Seu dedo fazia movimentos de vai-e-vem enquanto o outro circulava a parte mais sensível do sexo dela. Ginny fechava as pernas com o desejo que estava tomando seu corpo.
- Muito.
Ele sorriu e continuou o que estava fazendo.
- Já havia feito isso?
- Não.
Era humilhação demais para uma pessoa só. Ele não precisava saber da virgindade dela para continuar o que estava fazendo, mas ele gostava de vê-la assim. Ginny fechou os olhos com força quando uma sensação urgente embargou seu corpo, fazendo-a ter leves tremores. Ele retirou seu dedo de dentro dela, colocando a calcinha no devido lugar e a olhando nos olhos antes de beijá-la com vontade pela última vez na noite.
Ela gemeu quando o viu se afastar da cama, mas não disse nada. Estava ofegante e vermelha de vergonha. Seu corpo parecia pesar toneladas. Ele deu seu sorriso característico. O sorriso que havia assombrado Ginny por anos.
- Amanhã você pode ir embora desse lugar. Está livre.
Com isso, saiu do quarto, deixando-a zonza.
