Capítulo dois: Consequências

Os olhos do Gryffindor estavam bem abertos, perdidos nos de Draco. Era puro e intenso contacto visual.

"O quê…?" – pensou ele, completamente desarmado, sentindo algo macio e molhado a tocar-lhe os lábios.

Malfoy estava, claramente, a pedir permissão para tornar o beijo inocente em algo melhor, algo mais profundo. Os lábios de Harry eram quentes e ele sentia-se hipnotizado. O seu corpo estava a começar a reagir àquela nova experiência quando Harry abriu a sua boca, para que a língua do loiro pudesse entrar. Não pôde evitar fazer o mesmo. Logo, ambas as línguas tocavam-se, dançavam, torcia-se.

Uma mão voluptuosa moveu-se para baixo e tocou o peito de Potter, puxando-lhe os mamilos sem piedade.

- Potter… - gemeu Malfou, no meio do beijo. Era mais rápido que antes, não havia espaço para falar. Harry certificou-se disso, com as suas mãos a apertar o rabinho do Malfoy. Os gemidos de ambos ecoavam por todo o vestiário. Eles não notariam mesmo que uma pessoa entrasse por acidente. Ou se alguém estivesse a espiá-los.

Instantes depois, ficaram sem ar e o beijo morreu, deixando ambos a arfar.

- Ah… Parece… - Malfoy começou, sorrindo abertamente. – Tu gostaste, Potter.

Os olhos verdes tinham agora uma expressão feroz.

- Achas mesmo que eu gostei? Quem te dera. – sussurrou Harry. – Para além disso, não fui eu que te beijei. Foste tu que me beijaste. Porque tu querias isso. E querias tanto que tiveste que me apanhar de surpresa.

- Não sabia que os rapazes ficavam duros quando não gostavam de ser tocados ou beijados. – disse Draco, com um sorriso de triunfo. Ele tinha ganho a batalha. – O gato comeu-te a língua? – o seu sorriso aumentou. Potter corara e estava sem palavras. Perfeito. – Vejo-te depois, Potter.

Agarrou nas suas coisas e saiu do vestiário, deixando o rapaz que sobreviveu sozinho e confuso.


Nos dias seguintes, tudo em que Harry conseguia passar era naquele beijo. O seu primeiro beijo. E estava preocupado por ter gostaso e isso nem era o pior. Queria mais, procuraria por mais. Só era demasiado orgulhoso para admiti-lo. Não admitiria nem para si mesmo, muito menos admitiria a Draco. Mais tarde, outra coisa veio-lhe à cabeça: e se era gay?

Sem se dar conta, Harry começou a olhar para os seus professores com outros olhos. Lupin, principalmente. Mas também para Snape. E o curioso é que Snape olhava de volta, como se soubesse de algo. Um segredo, alguma coisa que não fosse para ser contada.

- Harry, o que se passa? – perguntou Hermione, estalando os seus dedos à frente da cara de Harry. Estavam na aula de poções e Granger já notara os devaneios do amigo

- Hey, meu! 'Tás a olhar pra onde? – Ron também já tinha notado o olhar absorto de Harry.

- Para quem ele está a olhar, é mais assim. – a menina sussurrou. Tinha uma pista do que se estava a passar. Mas não contaria a Ronald as suas suspeitas, isso era certo.

"O que estou eu a fazer?" – pensou Harry, quando finalmente acordou do transe, encontrando-se a olhar para Snape. – "Para o Snape? Para o Snape?! Tou a ficar louco, só pode."

Recompôs-se e voltou ao trabalho. Ou pelo menos fingiu que estava a trabalhar. A última coisa que queria era o Snape a criticá-lo, como costumava fazer. Os olhos esmeralda moveram-se pelas bancadas de trabalho e pararam mesmo na de Malfoy. O rapaz estava a trabalhar com Pansy Parkinson, uma Slytherin que geralmente andava com Malfoy, Crabbe e Goyle.

"Aquela garota é tão patética… Sempre a tentar beijar-lhe o rosto ou tocar-lhe o cabelo…" – pensou Harry, fogo de artíficio nos olhos, faíscas por todo o lado.

Mesmo no fim da aula, Snape aproximou-se da bancada de trabalho de Harry, com o indicador a deslizar sobre o seu lábio inferior.

"Oh não, estava a ser bom demais para ser verdade… Cá vamos nós outra vez…" – pensou Potter. Ele estava surpreendido pois Snape não tinha falado com ele durante a aula inteira. Já devia saber que o seu professor estava "a guadar o melhor para o fim".

- Estou absolutamente surpreso que não explodiste com a sala com essa tua habilidade de fazer poções… Contudo… Como eu esperava, esta poção é completamente inaceitável. – disse Snape, devagar e profundamente. – Claramente a fama não é tudo, não é Potter? Até o teu pai conseguia fazer poções decentemente… Ao contrário de ti…

- Eu não me interesso pela fama e não me lembro de ter pedido para ser famoso." – replicou Harry, tentando permanecer calmo, mesmo sendo difícil com aquele morcego a dizer barbaridades.

- Arrogante como sempre… - um sorriso cínico dançou nos lábios de Snape. – Tal e qual o teu pai.

- Não se atreva a insultar o meu pai, seu…!

- Detenção, Potter! Hoje à noite, no meu escritório, às nove da noite. E não te atrevas a chegar atrasado.

Furioso como estava, o garoto pegou no seu livro e deixou a sala, batendo com a porta atrás de si.

"Como é que pude ser tão estúpido? A jogar o joguinho dele! Agora ele tem o que queria! Muito bem feito, Harry!" – não era certo com quem Harry estava mais chateado. Se com Snape, se consigo mesmo.


Faltou às aulas da tarde. Transfiguração e Adivinhação. Faltar a esta última não foi um desperdício. Na hora do jantar, Ron e Hermione tentaram animá-lo, mas não foram bem sucedidos. Afinal de contas, ele estava para ter detenção com o Snape.

Quando o jantar chegou ao fim, Harry levantou-se e devagarinho andou até às masmorras, onde ficavam os aposentos de Snape. Bateu à porta e esperou ter permissão para entrar. Não queria ter uma semana inteira de detenções.

- Entre. – disse a voz profunda e fria de Snape.

A porta abriu-se e Harry entrou.

- Aqui estou eu… - anunciou o jovem, olhando para baixo.

- Aqui estou eu, Professor. – o homem corrigiu o seu aluno, sem levantar os olhos do pergaminho no qual escrevia.

- Professor. – repetiu Harry. – Que farei eu esta noite, Professor?

- Oh, vais satisfazer-me. – em menos de um segundo, Snape estava mesmo à frente de Harry.

- O quê…? – pela primeira vez nessa noite, o Gryffindor olhou para o professor.

- Tu ouviste. – a paciência de Snape já estava no mínimo.

- Não sei se entendi bem, Professor…

- Despe esse teu manto imundo, rapaz estúpido!

Harry hesitou.

- Já. – o seu tom de voz sugeria que não iria repetir a ordem outra vez.

Logo depois, o manto dos Gryffindor estava no chão.

- Agora a gravata e a camisa. Depressa.

Harry fez como lhe for perdido.

- Bom. – Severus foi até outro quarto e trouxe um novo manto e gravata. – Veste estes.

- Mas estes são… - Harry começou, mas Snape interrompeu-o, secamente.

- Slytherin. Veste-os e eu não vou pedir outra vez.

- Não está a pedir, de qualquer maneira. Está a ordenar, Professor. – pegou na sua camisa, mas o professor bateu-lhe na mão.

- Só o manto e a gravata.

Segundos depois, Harry estava pronto.

- E agora?

Snape moveu-se rapidamente e foi sentar-se na sua cadeira, atrás da secretária.

- Agora vens aqui e ajoelhas-te à minha frente, Potter. – disse ele, cuspindo o nome do aluno, como era costume.

- O quê? Não!

- Não? Será que te ouvi recusares uma ordem minha?

- N-Não… Eu vou… - com medo das consequências que a sua casa pudesse sofrer se ele se recusasse a acatar as ordens de Snape, Harry obedeceu e ajoelhou-se à frente do professor. – Assim?

- Não conheço nenhum outro significado para a palavra ajoelhar, Potter. Agora abre-as. – o mais velho olhou para baixo, referindo-se claramente às suas calças.

Harry estava estupefacto. Mas as suas mãos mexeram-se e abriram as calças do homem. Snape ajudou-o. Momentos depois, Harry ganhou um susto.

- Agora chupa. E não te atrevas a morder. – avisou o oleoso.

- Não vou fazer isso, seu…! – Harry não pôde concluir o que estava a dizer pois Snape agarrou-lhe o cabelo rapidamente e forçou-o a engolir o seu membro. E ele não parecia querer aliviar a pressão na cabeça do rapaz. Rapazes mal-comportados mereciam ser castigados.


Oi :D Espero que os que leram o primeiro capítulo tenham gostado e desejo que os que acabaram de ler este tenham gostado mais ainda ^^ Deixem review a dizer o que acharam, fellow Potterheads 3