Capítulo Um – Doçura

HOGWARTS, SETEMBRO DE 1996

Já era a quarta rodada de snap explosivo que jogava contra Dean e Seamus percebeu que o amigo desviava o olhar para o corredor do trem, à espera de Ginny Weasley. "Cara, ela não vem...", Dean disse desapontado, sem conseguir mais disfarçar o nervosismo.

"Ela foi convidada pelo professor novo pra uma reunião, não é? Deixa ela, vocês se vêem depois", argumentou Seamus.

"É, fácil pra você. Ela não é sua namorada".

Nem ela, nem nenhuma outra garota.

Seamus havia acompanhado Lavander para o Baile de Inverno no quarto ano, mas nada além do que amizade surgia entre eles. Até tinha tentado alguma coisa com Padma, mas ela era certinha demais.

Ele nunca foi do tipo que preferia meninas-bibelôs de porcelana (não tinha paciência com elas), mas ultimamente, era exatamente uma dessas garotas que mexia com ele toda vez que se viam.

"Alguma coisa do carrinho hoje, queridos?", disse a mulher dos doces parada na porta. Seamus se assustou, porque ele nem ao menos tinha notado a presença dela.

Seamus foi até o corredor onde a senhora estava e pediu, "por favor, dois sapos de chocolate".

"Três tortinhas de abóbora. Por favor", a voz confiante que o perturbava estava de volta, parada no mesmo corredor. Trazia com ela um par de olhos azuis faiscantes e um sorriso de pérolas.

Seu nome era de ninfa, e Seamus podia jurar que ela também era. Daphne. Ela devia ser veela, era a única explicação para o magnetismo que causava no garoto.

Os segundos em que sustentaram o olhar passaram devagar demais, deixando-o tonto. O rosto da garota estava vermelho, Seamus acreditava que ela estava assim por estar segurando o riso. Devia ser mesmo hilário encontrar aquele garoto idiota que queimara o próprio caderno (e que depois daquele dia nunca mais pôde vê-la passar sem segui-la com o os olhos), estático ao vê-la.

"Seamus!", ela disse, enquanto pagava pelo doce. Daphne, percebendo que o garoto ainda não entregara o dinheiro à senhora, sinalizou com a cabeça a mão estendida dela.

"M-me desculpe", ele disse corando também. Ela não podia ser normal e ele não podia ser tão idiota assim. "NIEM's esse ano, hein?", ele tentou puxar assunto no corredor, agora que estavam sozinhos.

"P-pois é... boas notas?", aquilo só podia ser irônico... É claro que ela sabia que ele não tinha boas notas.

De repente, outra garota loira apareceu. Era muito parecida com Daphne e também usava vestes verdes. "Daph, quanto tempo você demora pra comprar três... ah!", mas então, ao ver Seamus, ela parou de falar, o olhando de cima a baixo.

"Esta é Astoria, minha irmã mais nova", mas a outra menina não fez questão de apertar mãos como a irmã tinha feito há alguns meses, e olhou Seamus com curiosidade. "E esse é Seamus Finnigan..."

"O grifinório", Astoria completou.

Daphne, que já estava corada, parecia prestes a explodir. Olhou para a irmã como se transmitisse uma mensagem, e Seamus temia que fosse algo como "é esse o idiota que falei".

Forçou um sorriso e disse por fim, "Bom... vemos-nos por aí. Até mais". O garoto voltou à cabine, ainda mais desesperado do que antes. Aquilo já era doença.


Daphne queria jogar a pior praga conhecida na irmã e ao mesmo tempo queria enfiar a cabeça num buraco e sumir. "Precisava ser tão óbvia?", Daphne disse em desespero enquanto sua irmã parecia se divertir com a situação.

"Eu não acredito... Se a Pansy souber..."

"E a Pansy com isso? Você não se cansa dela? Ela só te maltrata!". Astoria desviou o olhar, como sempre, mas parou de andar antes de voltar ao vagão dos sonserinos.

"Daph, você está gostando desse Finnigan?". A pergunta fez a garota mais velha engasgar com a tortinha.

"ASTIE!", implorou baixinho, "Não fale isso assim... como se nada fosse!"

"Então você gosta!", riu a mais nova, mesclando animação e censura, "Olha só sua cara, vermelha!". A varinha estava a postos e a praga já tinha sido escolhida. Era melhor Astoria parar de falar.

Daphne não era uma garota segura de si; era tímida e a única experiência amorosa, com Blaise Zabini, fora desastrosa. Depois do fora arrebatador do garoto, ela acreditava que todos os homens queriam apenas diversão.

E lá estava ela, mãos suando frio pelo tal grifinório, tentando fazer-se de firme, enquanto derretia-se por dentro. Só de ouvir sua voz no corredor, ela quis se aproximar e acabou usando como desculpa que queria comprar tortinhas de abóbora.

Ela morreu de vergonha quando Seamus olhou dentro de seus olhos. Quis puxar algum assunto, mas tudo o que conseguiu dizer foi o nome dele. O garoto até tentou começar uma conversa, falando sobre os NIEM's, mas Astoria Greengrass veio para atrapalhar qualquer conversa que pudessem ter.

Durante o resto da viagem, Daphne ficou olhando contemplativa a paisagem mudar pela janela. Será que fariam as mesmas matérias? Será que teria mais uma chance de falar com ele? E por que raios ela pensava tanto nele? Tomada pelos seus pensamentos sobre Seamus Finnigan, ela entrou em um doce e maluco sonho. Nesse sonho, eles estavam em uma praia ensolarada, e o vento batia em seus cabelos dourados. Seamus estava muito próximo, e passava a ponta dos dedos pelo rosto da garota. Os lábios entreabertos estavam convidando-o enquanto ele sussurrava seu nome, "Daphne... Daphne... Daphne..."

"DAPHNE?"

"QUÊ?"

Aquilo não era uma praia deserta, e sim o trem que tinha chegado em Hogsmeade. "Chegamos", disse Astoria definitivamente se divertindo.

"Tá, tá bem", disse a irmã mais velha se levantando e tentando parecer composta. "Quê?", perguntou Daphne ansiosa.

"Nada, nada, vamos...", divertiu-se a mais nova.


E então, gostaram? Não? REVIEWS! (: