CAPÍTULO II

Ronald Weasley guardou o celular. – Thomas e Finnigan acabaram de confirmar que não enviaram ninguém para testar a segurança da mansão, Harry. Mas estão ansiosos para continuar um bom relacionamento com você.

No banco de trás da Mercedes-Benz, Harry apenas meneou a cabeça. Não sabia porquê, mas tinha esperanças de que a mulher tivesse dito a verdade.

- E Samuel? Contatou a família?

- Os pais moram com uma Irma mais velha em um Condado afastado. Thomas e Finnigan já enviaram uma equipe para dar-lhes toda a assistência.

- Quero que meu escritório lhes envie condolências e veja pessoalmente se precisam de algo.

- Hm, senhor? Policia e imprensa adiante. – avisou o motorista.

- Passe direto. Não vão me manter fora de minha própria casa!

- Achei que você se mantivesse sempre frio diante de adversidades. – brincou Ron.

- Estou agindo com frieza. Quero me livrar de todos eles, Ron!

- Repórteres ou policiais? – questionou levantando uma sobrancelha.

- Ambos! – Harry respondeu sorrindo.

- Posso me livrar da imprensa, mas, já que tentaram matá-lo nessa madrugada, sugiro que deixe a policia fazer seu trabalho.

- Não diante de minha casa! Não mudarei meu estilo de vida. Não deixarei que circundem por todo canto como se eu fosse um fracote amedrontado.

Ron fez uma pausa e respondeu:

- Farei o que puder, está bem? Mas tem de encarar o fato de que é uma celebridade; e bem valiosa, diga-se de passagem.

Entraram na propriedade, e Harry deixou de lado qualquer outra coisa para fixar sua atenção nos destroços amontoados diante da entrada principal. Mais adiante, viam-se estatuas e objetos de valor, pouco danificados. A companhia de seguros já enviara seus agentes, que cuidavam das obras mais valiosas, sempre sob o olhar atento dos policiais.

- Janelas quebradas e telhas enegrecidas. Além disso, não parece que o estrago foi tão grande, daqui de fora.

- Vai ver lá dentro, Weasley. – E Harry saiu do carro, cuja a porta fora aberta por um policial.

Olhou, aborrecido, para o pessoal que ainda cuidava do estrago, bebendo café em suas xícaras de porcelana.

- Senhor, o prédio ainda não foi liberado. – informou um oficial, que se aproximava.

- Me parece que já limparam tudo. – Harry falou contrariado, olhava para as pilhas de destroços fora da residência.

- Eu me referia ao pessoal do esquadrão antibomba, senhor. Já vasculharam o porão e os dois primeiros andares, mas ainda falta o terceiro e o sótão.

- Pois diga-lhes que me notifiquem, caso encontrarem algo que ainda pode explodir.

- Calma, Harry. – Weasley aconselhou. – Eles estão do nosso lado.

Harry respirou fundo. Arrumara e organizara a propriedade para ter privacidade, onde pudesse fugir das câmeras e dos repórteres. E, sem a polícia ali, metade dos tabloides já teriam invadido, tinha de admitir.

Voltou-se, encarando o oficial.

- Como é seu nome?

- James Kennedy, senhor.

- Pode nos acompanhar, desde que não atrapalhe.

O policial parecia confuso, e Weasley interferiu, explicando:

- O que o senhor Potter quer dizer é que pretende colaborar com vocês no que estiver a seu alcance, mas ainda tem muitos negócios que requerem sua atenção. Se ficar conosco, estará garantindo que nada será tocado que possa interferir em sua investigação.

- Entendo. Mas a Homicídios não vai gostar nada disso, senhores.

- Não se preocupe. Teremos cuidado. – mesmo contrariado, o oficial assentiu.

Dante Partino, seu gerente de aquisições, apareceu assim que Weasley e Harry chegaram no terceiro andar.

- Está tudo uma confusão. – queixou-se, em seu sotaque italiano.

- Quem poderia ter feito isto?! Duas das armaduras do século XII estão quebradas, o capacete romano foi danificado, metade dos aparatos do século XVI ficou...

- Estou vendo! – Harry o interrompeu. Passou os olhos pela destruição de suas valiosas peças de arte e observou, irritado: - Confusão... Não! Isto é o verdadeiro inferno!

Ron ficou boquiaberto.

- Uau! Onde você estava no momento da explosão?

Harry andou mais alguns passos a esquerda e falou:

-Aqui. – Harry se posicionou exatamente no local onde foi derrubado pela mulher de olhos castanhos.

- Quero cuidar de todas as peças pessoalmente. – Dante dizia. – mas a companhia de seguros parece agir como se fosse dona de tudo! Não faz ideia da delicadeza...

- Está bem, Dante! Ron garantirá que você seja consultado em tudo.

- Certo. Mas a água que jorrou dos borrifadores danificou algumas pinturas e...

- E a Pedra?

- Não está aqui. – Moody respondeu pelo italiano, aparecendo no topo da escadaria, atrás dos três homens. – Imaginamos que estivesse atrás dessa peça. E o senhor não deveria estar aqui. Esta é uma cena de investiga...

- Já fotografaram e tiraram as digitais de tudo? – Harry o interrompeu de forma autoritária.

- Sim.

- Então, descobriram que tipo de dispositivo foi utilizado. – Moody respirou fundo, mas respondeu:

- Ao que tudo indica, havia um fio de aço cruzando o corredor, conectado a uma espécie de granada de alta potência. Rápido e profissional, eu diria. Perfeito para cobrir vestígios se o intruso fosse pego antes de conseguir escapar.

- E se ela tivesse saído sem ser vista?

- Seria uma boa forma de confundir a investigação do roubo.

- E muito arriscado também. – Harry raciocinava. – Seria trocar alguns anos de detenção por roubo para pena de morte por assassinato, certo?

- Somente se a pessoa for pega. Poderia haver esse risco, pelo que o senhor tinha aqui dentro.

- Nem tanto. Bem, vou deixá-lo trabalhar, Detetive Moody, mas mantenha-me informado, sim? Tenho ligações a fazer.

Dante voltou a verificar os estragos, e Ron e Harry fecharam-se no escritório do segundo pavimento.

As enormes janelas davam para o jardim da frente, naquele momento repleto de destroços e de policiais. Harry sentou-se em sua escrivaninha, mal-humorado.

- Algum problema além de quase ir pelos ares em pedacinhos? – perguntou Ron ao sentar-se também.

- Eu lhe disse que não consegui dormir a dormir noite passada por causa das chamadas pelo fax. Estava andando pela casa, esperando uma hora decente para ligar para o escritório de New York. E teria entrado na galeria.

Ron assentiu.

- Vai demitir Thomas e Finnigan?

- Não se trata disso. A mulher gritou para Samuel parar e depois se jogo contra mim... E não estava apenas tentando salvar a própria vida apenas.

- Ok. Vamos lá, diga-me o que está imaginando?

- Digamos que ela tenha entrado, passado pela segurança, pego a pedra, mesmo havendo coisas que valiam muito mais... Então para por segundos para colocar um explosivo, é surpreendida e tenta impedir que todos voem pelos ares. Estranho, não?

- Ou tentou apenas impedir que ela morresse o processo.

- Se não tivesse parada para colocar a bomba, teria saído sem ser vista. – Insistiu Harry, sem concordar.

O advogado assentiu e ponderou por alguns segundos.

- Muito bem, Harry, possibilidade número um: roubar não era o objetivo dela. Afinal, a moça passou por muitas coisas valiosas e não as levou.

- Isso mostra que o objetivo poderia ser assassinato. Então, por que me arrastou escada abaixo, evitando que o fogo me atingisse?

- Talvez você não fosse o alvo.

- E quem era? Samuel? Não... Aí vem a possibilidade número dois: ela não colocou a bomba.

- Nesse caso, temos dois intrusos, na mesma noite. Um entrou pela janela do pátio; o outro... não sabemos como. Um queria a pedra; o outro, explodir alguma coisa, ou alguém. – Ron concordou.

- Bem, eu não deveria estar aqui.

- É... Devia estar em Stuttgart até hoje à noite. A não ser que alguém soubesse que você deixou a Alemanha antes do previsto.

O moreno suspirou.

- Isso diminui o número de suspeitos. Confio plenamente naqueles que trabalham comigo. Além de Gregory Boyce, que queria que eu ficasse, mesmo depois de lhe ter dito que não pagaria mais do que o acordado pelas ações de seu banco.

- As pessoas falam, você sabe...

- Não as minhas pessoas. – Harry levantou-se, com uma careta de dor e deu alguns passos pelo escritório. – Quero falar com a srta. Smith.

- A polícia também. E agora, até o FBI. Sabe como detestam que executivos estrangeiros de países aliados quase são feitos em pedacinhos.

As movimentações do FBI não interessavam no momento.

- Alguém entrou aqui, matou uma pessoa que trabalhava para mim e roubou algo que me pertence, Ron. Quero respostas. E as quero JÁ!

- Bem, irei ver se estão perto de capturar a garota, mas se formos presos por interferir nas investigações... Eu não o conheço, certo?

- Se isso acontecer, vou demiti-lo por trabalhar mal. – sorrindo, Harry pegou o telefone. – Agora, vá. Tenho de trabalhar.

Hermione sentou-se em seu sofá, procurando outro canal com o controle remoto. Dois dias e a mídia ainda explorava a história. Não havia informações novas, por isso se ocupavam de amenidades. A vida de Harry Potter, seus amores, sua filantropia, seus negócios, repetiam os fatos de que tinham certeza: houvera uma explosão, um segurança, chamado Samuel Milfont, morrera, e vários itens foram destruídos ou danificados. E a polícia estava à procura de uma mulher jovem, branca, de mais ou menos 1,64m e de uns 50 quilos.

Tensa, ela sabia que era o alvo. Se acharam que tentara matar Harry Potter, metera-se em grandes apuros. Não podia aparecer em aeroportos ou rodoviárias, pois tudo estaria sendo vigiado. Era uma ladra excepcional; seu pai lhe dissera isso, Botton vivia repetindo o mesmo, e também alguns clientes para quais trabalhara fizeram o mesmo elogio.

Muito bem. Gostava da independência que seus talentos lhe garantiam. Adorava o desafio da profissão. E mais ainda o dinheiro que recebia como pagamento, o qual gastava sem fazer-se notar.

Seu pai lhe ensinara discrição, junto com as habilidades do ofício. Era por isso que Mione vivia numa casa pequena, discreta, arrumada, nas vizinhanças de Pompano beach; também era por isso que trabalhava por uma ninharia como consultora de arte, em um ou outro museu. E tinha a seu favor também o fato de nunca ter matado ninguém. Portanto, se queria se aposentar em paz, precisava descobrir que plantara aquela bomba. E provar que não fora ela.

Como não havia nada de interessante na têve, trocou-a pelo notebook, onde verificou se tinha alguma mensagem. Nada de interessante tampouco. E, quase automaticamente, digitou o nome Harry Potter no Google.

A página se abriu e mostrou uma torrente de fotos, artigos em revistas e jornais, websites e curiosidades. Apesar dos cabelos negros um tanto longos, ele tinha uma aparência de um multimilionário, vestido num terno Armani, mas seus olhos, verdes-esmeraldas, eram interessantes. Havia poder e confiança neles. E olhavam direto para a câmera que o fotografara, como se anunciassem que pertenciam a um homem que devia ser encarado com seriedade.

Mione mordeu o canto do lábio inferior. Sim, Potter era muito atraente, teve de admitir. E admitiu também que lhe parecera delicioso usando apenas a calça do moletom de dormir, mesmo coberto de sangue poeira negra.

Distraída, clicou na página seguinte. Via compra de antiguidades, uma página inteira sobre divorciados famosos, e informações sobre Gina, ex mulher de Harry Potter. Clicou sobre o nome da mulher, interessada.

Uma bela foto apareceu na tela. Uma ruiva bem cuidada, que decerto frequentava um salão de beleza caríssimo. Considerando-se que, dois anos antes, Potter a surpreendera nua em companhia de sir Colin Creevey, na vila do nobre na Jamaica, Mione achava que a ruiva acabara se dando muito bem, visto que enfrentara um divorcio nem tão ruim assim e acabara se casando com o amante riquíssimo. Nem todos os ex-maridos traídos dariam dinheiro as suas ex-mulheres para que pudessem manter uma casa com o novo companheiro no centro de Londres.

O telefone tocou. Mione teve um sobressalto e seguiu para a cozinha, para atender.

- Alô!

-Hermione Granger... – disse alguém com leve sotaque francês. – Então é ai que anda se escondendo...

O coração de Mione pareceu parar por instantes, para depois retornar ao ritmo normal.

- Justin Finch-Fletchley. Não estou me escondendo. E como, me diga, conseguiu meu número?

- Sei conduzir meus negócios, cherie. E acho que deve ficar fora dele, pois é perigoso.

Uma sirene soou a distancia, e parou. Arrepiada de medo, Mione afastou a cortina rendada da janela.

- Então era você que estava na casa de Potter! Quase me matou, sabia?

- Nunca imaginei que fosse aceitar um serviço assim... tão complicado.

- O que é isso, mon mie? Como sabe que era eu quem estava lá? – Justin riu de leve.

- Não insulte minha inteligência, cherie. Qualquer outra pessoa estaria morta agora. Mesmo com você, foi perto, não? Além do mais, estou tentando lhe fazer um favor.

- Claro...

Mais uma sirene a alertou e parou. DE NOVO.

- Tenho de desligar agora, Justin. Se mandou os tiras atrás de mim, pode se considerar acabado!

- Eu? Jamais chamo a polícia, cherie! Mas pode desligar. Cuidarei de tudo.

Mione pôs o telefone no gancho, confusa. Quem poderia ter dado com a língua nos dentes e por quê?

Correu para o banheiro, pegou a mochila que sempre deixava pronta e retornou à sala, onde desligou o notebook da tomada, guardando-o em seguida na mochila e retirou tudo que poderia incriminá-la. Foi até a janela, olhou para fora e saiu pela porta dos fundos, pulando para o quintal da vizinha.

Deixara o automóvel a duas quadras dali e chegou a ele quando o helicóptero da policia, seguido de outro, de reportagem, pairavam, perigosamente, sobre o teto de sua residência. Ligou o motor e saiu, sem muita pressa, para chamar a atenção. Seguiu até um quarteirão abarrotado de restaurantes e estacionou diante um deles. Saiu, localizou um telefone público e ligou para Bottom.

- Sim? – atenderam.

- Jorge? – ela indagou, disfarçando a voz. – Jorge está?

- Olhe, moça, eu sempre lhe digo que não há nenhum Jorge aqui. – Bottom replicou irritado. – Não está aqui, compreende?

- Compreendo. – Mione desligou.

Suas mãos tremiam. Tinham localizado Bottom, ou, pelo menos, estavam mantendo-o sob vigilância. Poderiam tentar localizar a chamada.

Apressada, voltou para o carro, seguindo agora rumo ao norte. Como acharam seu rastro tão depressa? Não deixara digitais, e, mesmo que Potter tivesse dado uma boa descrição dela, o que não era provável, não tinham nada para comparar. Não devia ter sido Justin a entregá-la. Não era seu estilo, mas a chegada dos policiais não o surpreendera. Alguém abrira a boca, implicando tanto ela quanto a Bottom.

"O que estava acontecendo, afinal?" Era comum gente rica ter coisas valiosas roubadas. Para isto existiam companhias de seguro, ora. Mas os ricos não costumavam ter outras pessoas querendo matá-los...

Lembrava-se da expressão de Potter quando o derrubara. Ele deveria saber que ela não quisera vê-lo morto. Afinal, salvara sua vida!

De repente, uma constatação; Harry Potter era a única testemunha que tinha. Justin dissera que cuidaria de tudo, mas Mione sabia, por experiência, que ele cuidaria apenas do que lhe interessava. Se seguisse seu padrão costumeiro, desapareceria por algumas semanas e depois reapareceria para contar vantagem. Isso a colocava em maus bocados.

Precisava de Potter. Teria de convencê-lo de que era inocente; pelo menos, em parte. Alguém tinha de levar a culpa, e as costas de Mione não eram tão largas assim.

-Isso é ridículo. – Harry desligou o telefone depois de ter falado com o chefe da polícia de Palm Beach. – Dois dias e eles ainda não têm nada de concreto para me dizer!

- Nada? – Ron estranhou, vendo o amigo andar de um lado para o outro.

- Só um tal de Neville Longbottom, conhecido por Bottom. Estão vigiando-o. – Harry olhou para o fax que Ronald trouxera. – E uma casa que começaram a vasculhar essa tarde. Pouca coisa.

Ron levantou uma sobrancelha, questionando o amigo com o olhar.

- Já é algo.

- Mas como a dona da casa chama-se Juanita Fuentes, que parece ter morrido em 1997, não devem ter muita certeza do que está havendo. – a dor de cabeça que lhe acometera desde a explosão pulsou outra vez. Queria ir até lá!

- Não podemos! Para todos os efeitos, não sabemos de nada a respeito ainda. Harry, não posso ir adiante. Mesmo citando seu nome.

- Detesto não saber o que se passa. E, apesar do que se pensam, não creio que a mulher...

- Sei. Acha que ela não agiu como assassina. Já disse isso antes. Mas preocupa-me mais o fato da policia quere mantê-lo na Flórida. Não me sinto bem, sabendo que as coisas estão explodindo ao seu redor.

- É. Eu também não.

- Ah, para com isso! Sei que você gosta de estar no meio da confusão.

- Gosto de soluções, meu amigo. Vá fazer algo produtivo, sim? – Ron fez uma careta e inclinou-se em deboche.

- Como queira, meu lord! – brincou. – Ligarei de novo para a senadora Wood. Talvez consiga fazer algo nascer naquela árvore...

- Dê uma sacudida em Padma também.

- Claro. Sou seu advogado, certo? Devo ser um sujeito mau. – Ron se foi e Harry voltou a andar de um lado para o outro. Detestava essa situação.

Foi até o bar, no canto do escritório, e serviu-se de uma dose de uísque. Bebeu o primeiro gole, que lhe parou na garganta quando viu a claraboia no teto da sala se abria e uma mulher pulava para dentro. É ela! A mulher em quem não parara de pensar!

- Obrigada por se livrar de seu amigo. – disse ela, num sorriso. – Eu já estava tendo cãibras.

- Srta. Smith...

Com os olhos castanhos presos nele, Mione caminhou até a porta e trancou-a.

- Tem certeza de que é Harry Potter? Achei que sempre vestia terno e dormia de moletom, mas agora o vejo de jeans, t-shirt e... descalço.

Calado e surpreso, ele apenas a observava. Notava suas roupas pretas e justas, como naquela noite. – Satisfeito por não estar portando uma arma? De novo.

- Nem sei onde esconderia uma, se a tivesse consigo. – os olhos de Harry percorriam as curvas do corpo de Hermione, insinuantes no traje apertado. – Nada de boné, desta vez? Sempre o usa?

- Ele ajuda a manter meus cabelos longe do rosto.

- Entendo. – ele fez uma pausa, observando cada traço da morena, na tentativa de ver algo sobre sua personalidade ou outra coisa qualquer. – Bem, se veio terminar de me matar, não precisa me dar explicações, não é?

- Se tivesse vindo para isso, sr. Potter, já estaria morto.

- Autoconfiante!

Como estava desarmada, Harry sentia que poderia, num movimento rápido, agarrá-la e entregá-la a polícia, mas preferiu tomar mais um gole do uísque.

- Posso saber quem era o sujeito que você sacudir o senador e a tal Padma?

Com a atenção volta para os lábios dela, Harry quase se esqueceu da conversa.

Fitou mais uma vez a claraboia. Mais uma vez, a moça teve a oportunidade de matá-lo e não o fizera. Interessante.

- Era meu advogado, Ronald Weasley

- Advogados... adooro essa gente. Por que não vai até aquele armário?

Ela parecia estar pronta reagir a qualquer coisa, e isso o interessou ainda mais. A maioria das pessoas que conhecia reagia na defensiva em sua presença, mas a srta. Smith, ao que parecia, considerava-se páreo para ele.

- Esse é MEU escritório, senhorita. Pode pedir com mais...hm... educação. Afinal, está desarmada.

Um breve sorriso surgiu nos lábios dela .

- Por favor, mexa-se, sr. Potter.

Harry obedeceu-lhe, querendo ver aonde Hermione pretendia chegar. Com agilidade, ela verificou a papelada sobre a escrivaninha.

- Também não tenho armas escondidas. – Harry informou-a, vendo-a abrir a gaveta de cima.

- Ah, mas é claro que tem! Só quero ter certeza de que não está ao seu alcance. – Um olhar mais audacioso ficou na calça dele.

Após alguns segundos, Mione deu um passo atrás, fazendo um gesto que permitia que Harry se movesse.

- Digamos que aceito que não esteja aqui para me matar, srta. Smith. Por que veio, então?

Ela suspirou.

- Para lhe pedir ajuda.

Harry a olhou aturdido e falou. – Como?

- Acho que sabe que não tentei matá-lo naquela noite. O que quis foi roubar sua pedra troiana, e não vou me desculpar por isso. Mas roubo é uma coisa e assassinato é outra. Jamais mataria uma pessoa.

- Se é assim, entregue-se e diga isso a polícia.

- De jeito nenhum. Posso não ter pego a pedra, mas ainda estou em perigo.

Harry cruzou os braços. Ela não levara a pedra. Não deveria dizer-lhe que outra pessoa o fizera então.

- Mas andou roubando por aí... De outras pessoas.

Mais uma vez, Harry notou a tensão nos ombros dela. Havia uma fraqueza na mulher em sua frente e ele captava-a em seu olhar.

- Salvei sua vida, sr Potter. Portanto, deve-me um favor. Diga a polícia, ao FBI e a imprensa que não matei seu segurança e que não tentei matar você. Do resto, cuido eu.

- Entendo. Quer que eu ajeite as coisas para que possa sair dessa sem consequências, pois não teve sucesso em sua empreitada. – ele deu um sorriso irônico antes de completar. – É uma moça boazinha. Que salvou minha vida.

- Não sou má. Pode me acusar de roubo, mas não de assassinato. E sim. Salvei sua vida.

- Claro.

- Eu tinha de tentar, não é?! Mas deve entender que, não fui eu que coloquei aquela bomba. Outra pessoa o fez. Alguém que consegue entrar nos lugares melhor do que eu. E olhe que sou boa nisso. Muito boa.

- Aposto que sim. Posso admitir que você tem algo que eu gostaria de adquirir, mas não se trata de suas teorias ou de seu pedido de auxilio. Hermione se aproximou da claraboia.

- Oh, Sr Potter, nunca dou algo em troca de nada..

Harry percebia que ela ia sair, e não queria que isso acontecesse. Talvez possamos negociar.

Mione o encarou e aproximou-se, devagar, muito sensual. – Parece que não estamos nos entendendo. Já sugeri isso e você recusou. Mas tome cuidado, pois alguém o quer morto e, como sou capaz de chegar tão perto, outra pessoa também poderá fazer o mesmo.

Os pelos de sua nuca se eriçaram devido a proximidade, mas Harry manteve o olhar fixo no dela.

- Eu saberia. – respondeu, suavemente.

Harry deu um passo à frente, sabendo que, se ela fizesse mais um movimento em sua direção, estariam tão próximos que poderia tocá-la. E era isso o que mais queria no momento. Mas ela recuou e voltou para baixo da claraboia.

- Nesse caso, não se surpreendeu hoje. – e esboçou o mesmo sorriso insinuante de antes. – Cuidado, Potter. Se não me ajudar, não o ajudarei. Sei de coisas que os policiais desconhecem.

Ela se moveu rapidamente para o lado, pisou em uma poltrona e, como um gato saltou, alcançando o teto. Ainda pendurada à moldura da claraboia, disse ainda, antes de desaparecer:

- Boa noite e não vá cair morto por aí. Isso pioraria minha vida. – piscou um olho sorrindo e desapareceu.

Vendo-se sozinho, Harry terminou o copo de uísque, murmurando:

- Eu me surpreendi, sim, e muito. E agora preciso de um banho frio...

Hermione reconhecia que Harry Potter não fizera soar o alarme depois de deixá-lo. Mas fora uma ideia tola ir até lá.

Como ele poderia querer ajudá-la? Reconhecera tentar roubá-lo. E agora, ele a tinha visto bem, sabia que ainda estava por perto e que podia entrar e sair de sua mansão com facilidade, o que mostrava que podia, sim, te colocado a bomba, se quisesse. O que ganhara com aquele encontro? Notara, mais uma vez, o quanto Harry era atraente. E ele não apertara o botão do alarme...

Correu até o carro, entrou nele e ligou o motor. Precisava de outro plano. Sabia que dentro de alguns dias teria de arranjar outro veiculo.

Pensava. A pedra troiana fora roubada. A bomba poderia ter sido uma distração apenas, ou uma arma mortal. Alguém devia estar querendo matar o único milionário que conhecia que usava jeans surrado e ficava descalço em casa.

Ligou o rádio, voltando a se concentrar na situação. Se Potter desse sua descrição a polícia, eles não a encontrariam; saberia esperar por um ponto fraco e escaparia. Era sempre assim. Preocupava-se com Bottom, mas ele conseguira sobreviver trabalhando com seu pai, que era bem mais descuidado, então saberia cuidar-se agora também.

Quanto a ela, Milão seria ótima naquela época do ano, cheia de turistas; então, ninguém a notaria. Não iria se preocupar com o que faria quando, no futuro, quisesse voltar à América e não pudesse por estar sendo procurada por assassinato.

Finch- Fletchley não saía de sua cabeça, e isso a irritava. Ele pensara apenas em si mesmo e agora Hermione tinha de limpar a sujeira que deixara para trás. Nessa noite, ficaria em Clewiston, na casa que fora de seu pai e que agora era sua. Um lugar simples, mas um excelente esconderijo. Precisa limpar e cuidar de suas feridas também. No dia seguinte haveria de achar uma saída.

N.A.: Mrs. Granger Potter obrigada pela review. Vou-lhe contar um segredo não muito secreto (shhh, hahaha). Foram suas fics que me incentivaram a adaptar esta saga. Eu li o livro de Susan Wiggs a muito tempo e adorei relê-lo na versão HP. =**