Muito obrigada pelos alertas, as reviews e os favoritos. Esse capítulo é mais repleto de um flashback, mas eu vou tentar apresentar mais do presente no próximo capítulo. E por favor, as pessoas que estão lendo, e estão gostando. Pooor favor, comentem. Me ajudam muito em saber em como conduzir a história. Pode ser até uma pequena nota e tal, mas já ajuda. Abraços.

Espero que gostem.


And at the show on Tuesday
She was in her mindset
Tempered firs and spangled boots
Looks are deceiving
Making me believe it
And these tiresome paper dreams
Paper dreams honey, yeah

(The Kooks – She Moves In Her Own Way)

"Você foi na noite seguinte?" Mercedes questiona, olhando para os lados vendo se haviam alguma noção de movimento dos veículos. Seus punhos se fecham contra o estofado e você realmente decide que provavelmente era melhor você ter escolhido ir de bicicleta ou algo do tipo.

"Sim."

"Como foi?"


Você tenta fazer seu dever de casa procurando sobre o tal musical na internet no dia seguinte, mas quando você se lembra que esqueceu seu laptop no estúdio, você não só se irrita consigo mesma por conta disso, mas também com o fato de você não sabe que jogou o jornal da semana passada fora, ou em quais revistas que você tinha visto falando sobre o assunto. Você não tinha a menor ideia quais delas eram, e onde diabos elas estavam. Na bagunça de seu apartamento era mais do que complicado de encontrar objetos quando se está sobre pressão.

Você desiste da caça aos artigos e decide sair mais cedo do que planejado. Você poderia simplesmente ter ligado para Amy, sua amiga de trabalho que você sabia que tinha visto a peça tanto na Broadway quanto quando estava em Off-Broadway umas duas vezes cada, e perguntar. Só que a possibilidade de ela não estar com o celular carregado era grande, e também você sabia que quando ela começa a falar sobre certos assuntos ela começa a falar mais do que necessário, e iria acabar fazendo você se atrasar.

Você sai de sua casa três horas antes do show, porque ao menos se lembra de ter ouvido falar que conseguir os ingressos para aquele musical em particular, não era a coisa mais fácil do mundo.

E realmente não era. Já que a primeira coisa que você avista quando dobra a esquina da rua do teatro é uma fila quilométrica.

Depois de horas na luta para chegar à bilheteria, você abre sua carteira para comprar um lugar na única área ainda disponível, no mezanino, última fileira da ponta esquerda. Mais longe do palco impossível.

Só que você não se importa, porque sua visão é boa.

Ou ao menos era isso que você pensava, porque logo que a cortina se abre, há uma nova grande consideração em sua mente de talvez consultar um oftalmologista. Você reconhece Rachel, ela está com um vestido curto branco e meias longas pretas, perguntando para sua suposta mãe sobre como surgem os bebês já que sua tia está grávida pela segunda vez e ela ainda não entende como acontece.

Não leva muito tempo para que tudo se quebre em uma música e você sinta sua mente parando de funcionar. Você não se lembrava da falta que você sentia da voz de Rachel Berry quando ela cantava.

Depois daquilo, MamaWho Bore Me ficaria em sua cabeça pelo resto da semana de uma maneira tão irritante que você só se acalmaria quando conseguisse comprar a trilha sonora completa de Spring Awakening pelo iTunes.

Do seu lado há uma mulher, seu rosto está estático e ela estava com um lenço depositado estrategicamente em sua mão, como quem prevê alguma coisa.

Seus olhos voltam a atenção para o palco quando você estreita seus olhos para o protagonista masculino da história. Você jurou como parece se tratar de um ser idêntico a Jesse St. James. É um pensamento tão irritante que faz você checar o playbill em suas mãos, só que não é o mesmo nome.

De qualquer forma, você mesmo assim não havia ido com a cara dele.

Você está tentando se concentrar nas músicas porque sua visão realmente não está boa e um garoto parecido com Jesse St. Ass não ajuda em seu campo visual. Mas existe um momento que você enxerga tudo, e sente que deveria ter ido a qualquer lugar pesquisar sobre essa tal peça antes, mesmo sem internet, nem que fosse ligar para Amy.

Você precisava ter sido avisada. Você devia ter pesquisado melhor. Muito melhor.

Porque antes que você raciocine o cover do Jesse St. Ass está tirando a blusa de Rachel, deixando-a com os peitos aparecendo por uma longa cena de sexo explícito (não era exatamente longa, mas no seu ponto de vista parecia uma torturante eternidade).

Isso você consegue ver. Como se sua visão clareasse por um único momento propício.

Lhe deixando sentada lá inexpressiva durante os quinze minutos de intervalo entre um ato e outro, considerando que a última coisa que você havia visto era Melchior "penetrando" em Wendla.

Sua vontade é de bater a cabeça contra a parede atrás de você.

Porque você não sabe exatamente que reação você está tendo. A nudez parcial de Rachel lhe deixa sem saber o que falar, e o seu corpo não está funcionando muito bem quanto a isso. Não é como se fosse algo novo. Quero dizer, quantas vezes você já tinha visto peitos na sua vida? Várias, certo? Alias, até você tinha seios, certo? Certo.

Não. Não estava certo.

Não estava nada certo se isso tinha lhe atingido tão forte ao ponto de fazê-la entrar em meio a um monólogo interno, assustando a mulher do seu lado.

Em meio a essa confusão, você não consegue chegar a conclusão nenhuma. A única conclusão que você pode chegar a ter é que você não gostou de ver o sósia de Jesse colocando suas mãos por cima de sua ex-colega de escola.

Fato.


Quando você termina de contar, Mercedes está tendo crises de riso.

"O que?"

"Rachel fez nudez?"

Você rosna fechando os olhos. Ao menos você sabe que está chegando perto do destino de vocês duas, e não você não terá que ficar naquele taxi claustrofóbico por muito mais tempo.

"De tudo que eu disse, essa é a única parte que você ouve?"

"Rachel Berry a rainha do moralismo, a mulher que você vai se casar hoje mostrou os peitos na frente de uma platéia lotada diversas noites e você quer que eu foque em qualquer outra coisa?" ela solta uma longa risada. "Isso é hilário, Q."

"Que seja." Você cruza os braços imitando uma posição de criança. Provavelmente você não estava com capacidade suficiente para ter qualquer tipo de discussão sobre aquilo agora. Não é uma coisa boa você pensar que milhares de pessoas, fora você, já havia a visto em tal estado de nudez.

"Desculpe, Quinn." Ela tenta manter sua risada em controle, colocando a mão por cima da boca atrapalhadamente. "Você pode continuar."

"Não. Eu não vou continuar." Você afirma simples, encarando a janela.

Sua convivência com Rachel talvez a tivesse lhe deixado mais dramática que eu o normal, porque ultimamente você se pega fazendo esses pequenos hábitos que antes não participavam em sua rotina. Hábitos que você teve que se acostumar quanto a Rachel. E apenas por causa dela.

"Vamos, Q..." Mercedes permanece calma, e encosta a mão em seu ombro, firmemente. "Prometo que vou levar a sério."

"É melhor levar mesmo..." você murmura.


Quando a apresentação chegou a um final, você não sabia mais o que fazer. Era para você continuar estática? Era para você se derramar em lágrimas como a maioria das mulheres que estavam ao seu campo de visão, incluindo a que estava do seu lado? Ou era simplesmente para você levantar e aplaudir como a maioria do público?

A peça era brilhante. Não tinha como isso ser contestado. Apesar de você sentir pontadas de desconforto com as cenas de masturbação, suicídio e sexo explicito. Hmm... Sexo explícito. Você controlou sua vontade de socar o nariz perfeito da cópia do Jesse.

Tentando raciocinar o que fazer, você imita a multidão que ia aos poucos esvaziando o teatro. Como diabos você iria conseguir falar com a Rachel? O cara grandão na porta de entrada dos bastidores não iria lhe levar a sério se você chegasse e falasse que era grande amiga de Rachel Berry e precisava muito entrar em seu camarim.

Você bufou para si mesma. Como se ninguém tivesse tentado essa ideia antes, Sherlock.

Você poderia tentar fingir que havia tido um surto psicológico de vez e subir no palco correndo, tentando entrar nos camarins pelas coxias. Quem sabe ninguém nunca tivesse imaginado essa tática. Claro, óbvio.

Talvez fosse melhor você ir para casa e esquecer essa ideia. Rachel Berry não era tão acessível como na época de colégio. E provavelmente também não necessitava da sua companhia. Pelo menos não como você necessitava da dela, porque só o pensamento de desistir da diva fazia você se sentir seu coração diminuir dolorosamente de tamanho. Uma agonia tão forte que você só se lembra de ter sentido algo parecido quando você abriu mão de Beth.

"Eles estão dando autógrafos na entrada de trás." Uma mulher baixinha com um óculos completamente desproporcional ao seu rosto falou ao seu lado. Ela não estava falando com você exatamente, só que foi alto o suficiente para capturar sua atenção.

Autógrafo. Isso.

Você a seguiu. Suas feições pareciam com as feições de um cachorro pug, e você tinha quase certeza de que ela era mais baixa do que Rachel. Uma combinação um tanto quanto sinistra e peculiar em seu ponto de vista. Mas era melhor você não ficar a encarando, você já estava aceitavelmente feliz por ela ter lhe dado uma solução sem nem se dar contas disso.

Estava realmente uma selva do lado de fora. Você quase é empurrada para o meio fio no meio de dois rapazes lutando por um mesmo lugar numa das filas.

O fato é que, você era forte o suficiente para empurrá-los de volta, de uma maneira que eles meio que congelaram e se posicionaram numa maneira mais calma. Eles estavam na fila do ator que fazia um dos atores principais, o que se suicidou no decorrer da história, ou pelo menos é o que você acha que era, já que o penteado dele era um tanto difícil de confundir.

Rachel estava lá sendo encurralada por uma boa quantidade de fãs. Entretanto ela não tirou o seu sorriso positivo do rosto por um minuto sequer. Deus.

Nesse momento você não tinha mais dúvidas. 'Se você tivesse tirado sua cabeça de dentro do seu traseiro a tempo em sua época de colégio' (palavras de Santana, não suas) e Rachel Berry usasse um daqueles sorrisos em sua direção, você teria sido conquistada. Sem pensar duas vezes.

Não demora muito para você ouvir sua risada. E por incrível que pareça, a risada de Rachel tem um efeito muito estranho em você. Algo que você nunca tinha percebido antes, ou algo que você simplesmente não queria perceber e tentava de todos as maneiras se distrair quanto a isso. Mas a questão era que agora você não precisava mais se distrair como em sua época de colégio, o que fez você agir em seu primeiro reflexo, virando todo seu corpo numa forma de melhor encará-la.

Ela não lhe vê, é óbvio. Tem muitas pessoas ao redor dela chamando a sua atenção e a cutucando de leve para que ela pudesse lhe enxergar. Mas não importava, sua visão bastava por um momento. Ela estava bonita. Não estava mais em seu figurino, até porque você duvidava que ela conseguisse ir ao lado de fora do teatro com aqueles trajes.

Agora um casaco escuro e um cachecol bege lhe poupavam do frio.

Quando você encontrasse Kurt novamente, você teria que agradecê-lo pelos conselhos de moda que ele havia dado a ela. Ela estava de tirar o fôlego. O seu fôlego principalmente.

E você sabia que por um lado isso não era apenas por conta do seu amigo estilista. Ela não teria entrado na lista das 100 Mulheres Mais Sexy do Mundo apenas por causa de roupas. Não. Rachel Berry era extremamente sexy, e sua vontade era de bater em si mesma por ter levado tanto tempo para se dar conta disso.

Idiota.

Até Finn e Puck perceberam isso antes de você e eles não são as pessoas mais brilhantes que você conhece.

Quando é a sua vez na fila, ainda existem várias pessoas ainda amontoadas perto, apesar da maioria já ter conseguido tirar todas as fotos e pegar todos os autógrafos necessários possíveis para o resto da vida delas. Você ainda não tinha se acostumado com esse sistema de autógrafos, era tudo bem mais complexo do que você imaginava.

Enfim.

Você não sabia o que fazer. Você não tinha um plano. Você passou tanto tempo a observando e pensando em como chegar lá, que na verdade, você não havia pensando o que fazer quando chegar lá. Na sua cabeça, você ouvia sua consciência gritando obscenidades e palavrões em relação a sua idiotice.

"Quinn." A voz dela é uma mistura de surpresa e alegria. O quê? Ela por acaso achava que eu não ia aparecer?

"Oi." Você sorri, colocando as mãos para trás. Seus braços pareciam estar atrapalhando muito naquela hora, era como se você não soubesse mais o que fazer com eles. Cruza-los? Não. Muito líder de torcida Quinn Fabray. Soltá-los e deixá-los parados ao seu lado? Não. Muito Finn. Cortá-los fora? Essa parece uma boa ideia.

"Você veio." Ela constatou.

"É."

Você não sabia exatamente o que dizer. Provavelmente, ela também não. Só que você procurou uma solução mais rápida, antes que as coisas se voltassem contra você e por algum motivo muito bizarro você começasse a ficar vermelha, coisa incomum de acontecer.

"Eu disse que vinha."

"É verdade." Ela sorri, desviando um pouco do seu olhar. A pouca iluminação do lado de fora faz você se questionar se as bochechas dela estão realmente ficando mais rosadas ou é apenas impressão sua.

"Eu estou... perdoada?"

"Ha." Ela da uma risada curta, quase sarcástica. "Você realmente acha que eu vou lhe perdoar assim? Eu ainda não conheço a nova Quinn."

"Você devia. Fora esquecer de pagar as contas de eletricidade a tempo, ela quase não tem defeitos." Você dá um sorriso astucioso, e ela tenta manter sua expressão não impressionada, só que apesar de tudo, você consegue captar as extremidades de seu lábio se levantando levemente. Era quase imperceptível. Mas você enxergou.

"Tentador. Mas talvez não."

"Eu volto amanhã de novo então." Sua sobrancelha se levanta desafiadoramente. "Você foi quem me deu o endereço em primeiro lugar. Isso deve dizer alguma coisa."

"Você sabe que está no caminho dos meus fãs, não é? E eu tenho certeza que tem uma senhora atrás de você que está quase lhe acertando com a bolsa dela por você estar levando muito tempo." ela ignora seu ultimo comentário. E você sabe que havia uma velhinha enorme nas suas costas. Você não ousou se virar para encará-la. Muito arriscado. Principalmente porque havia quase certeza que ela poderia facilmente derrotar Treinadora Beiste se preciso.

"Quem disse que eu também não sou uma fã?" sua voz se enche de falsa ofensa. "Srta. Berry, eu sou uma das maiores apreciadoras de seu trabalho."

"Eu imagino." Ela não imagina.

"Eu posso provar a você." Eu argumento. "Que tal, um jantar depois daqui aqui? Eu sei esse ótimo restaurante vegano que eu tenho certeza que você iria gostar."

Ela parece surpresa. Não sei se por se dar conta que eu estou eu me preocupo e me lembro que ela não come carne ou qualquer derivado de animais ou por eu conhecer de fato um restaurante vegano. De qualquer jeito, ela parecia curiosa e entretida comigo.

"Por favor?" peço. É quase que uma apelação.

Rachel para considerar por alguns segundos, me observando.

"Posso confiar em você?" questiona.

"Sim." Você responde, sabendo que ela está prestes a ceder.

"Certo." Ela diz. "Mas você vai ter que me esperar."

Ela lhe puxa para trás dela calmamente, de uma maneira que agora você estará esperando por ela longe da confusão, e junto a outro enorme guarda-costas. Ele lhe dá apenas uma leve olhada, antes de voltar a encarar inexpressivo o movimento a frente.

Ele nunca realmente gostou de você, apesar dos anos de convivência que você teria de convivência pela frente. Ele acabou sendo o segurança de todos os shows de Rachel. Segundo Rachel, ele tinha sua total confiança. Que sorte a sua.


"Só uma pergunta," Mercedes começa. Vocês tinham finalmente conseguido chegar ao parque. Você deixou o motorista ficar com o troco em meio a sua pressa para descer do carro. Mercedes parecia mais calma do que nunca apesar da quantidade de gente que estava sendo bloqueada de passar em direção ao portão de entrada. Eles estavam gritando como loucos quando você saiu do carro.

Até agora você não tinha tido a menor ideia de como sua noiva havia conseguido um documento de permissão para alugar e proteger o inteiro Central Park. Aliás, você chegou a conclusão que não deveria estar surpresa. E não deveria questionar. Ela era Rachel Berry, afinal de contas, o que ele queria, ela conseguia. Fim de discussão.

"até esse ponto, ela sabia que você estava interessada em garotas? Porque isso é tão não parecido com a Quinn Fabray que ela conhecia. Eu lembro que eu passei quase uma semana em choque com as notícias quando você me disse."

Você se perde em seus pensamentos mais um pouco. Não até aquele momento ela não estava sabendo desse detalhe.

Você sabe que está caminhando mais rápido que ela, então desacelera um pouco, a fazendo tentar lhe acompanhar. Ela não está nem um pouco aflita com a situação toda, era como se seu nervosismo momentâneo fosse um reflexo oposto ao comportamento de sua diva.

"Não exatamente."


Inicialmente a caminhada até o restaurante é desconfortável. O silêncio faz você estalar todos os dedos das mãos ansiosamente diversas vezes. Vasculhando todos os cantos de sua mente, até os mais sombrios você não consegue encontrar nenhum assunto seguro para levantar. Era como se dentro de sua cabeça fosse um vácuo.

O que você pode dizer? Hei, Rachel, ótima peça. Parecia bom o suficiente. Só que era muito... (bem, você não tinha a palavra certa para descrever. Você só sabia que não era apropriado para você.) Boa cena de nudez. Urg. Ótimo, agora você soaria como um velho pervertido. Ou pior, como o Puck.

Você está namorando alguém no momento? Você nem sabe como essa pergunta passou pela sua cabeça, mas um sentimento na sua barriga determinou que você não queria fazer essa pergunta. Não. Você queria fazer a pergunta. Não queria ouvir a resposta.

Se você lesse as diversas revistas de fofocas sobre os famosos você talvez tivesse a resposta para aquilo. Mas você não é muito esperta considerando que nunca se tocou disso. Que irônico. Maldita falta de interesso no canal E!, Quinn.

"Então... como você conhece esse restaurante? Quero dizer, até a ultima vez que eu chequei você era completamente a favor da matança daqueles pobres animais sem culpa da sua alimentação de área. Principalmente os porcos, eu lembro de ter tido um sonho uma vez de você ter montado um altar em relação a bacons. Não que eu esteja dizendo que é errado. Eu só queria saber se você havia se rendido ao veganismo. Se você se rendeu, foi uma ótima providencia para a vida no planeta, Quinn. Sincer-"

"Rachel." Eu chamei. Então a garota dos monólogos continuava a aparecer de vez em quando. Ela me olhou parando de falar, mas sorrindo estranhamente.

"Sabe, é muito esquisito ver você me chamando de Rachel." Ela constata, estreitando os ombros, se aconchegando mais contra o casaco.

"Por quê? É o seu nome."

"Hmmm..."

"O quê?"

"RuPaul?"

Você engole seco. A forma que a palavra sai da boca dela, faz você sentir náuseas. Como se todos os apelidos voltasse lhe atingindo com toda força na cabeça. Você quase podia ouvir a voz de Santana dizendo todos os nomes dolorosamente em seu ouvido.

Imbecil, Fabray. Muito imbecil.

"Eu sinto muito sobre isso." Você enfia as mãos dentro dos bolsos do seu próprio casaco. Um casaco que antes parecia muito grande para você, agora parecia que havia encolhido, porque você não conseguia mais manter suas mãos dentro dele, era como se ele tivesse pequeno demais e não tivesse mais espaço para seus dedos movimentados. "Eu já disse isso antes, eu fui uma idiota. Você é incrível. Eu juro. Sempre foi. Eu que tinha problemas em aceitar isso."

"Aceitar?"

"É." Você da em ombros, fixando os olhos no chão, ainda andando. "Você tinha seu jeito de ser e não tinha medo de ser o que queria ser. Isso me assustava. E me parecia burrice, porque você não tentava simplesmente se enquadrar e sofrer menos."

"Então... você tinha problemas porque eu era esquisita."

"Eu não diria esquisita."

"E o que você diria?"

"Eu diria que você era... Rachel Berry." Sua resposta a deixa confusa, as sobrancelhas dela se dobram lhe fitando cautelosamente. "Não tem outra discrição. Você era, bem, quem você era."

"Que articulada, Quinn." Ironia.

"É só que... você era perfeita. Você não era perfeita por simplesmente ser perfeita, porque nesse caso, você não era. Ninguém é. Mas pelo fato de você ter as imperfeições perfeitas e não ligar para isso. Nem tentar mudar."

Sério, Fabray? Isso é o melhor que você pode explicar? Realmente, extremamente articulada. Tenha certeza que ela não entendeu uma palavra do que você disse. Deus. Acho que nem você entendeu uma palavra do que você disse.

"Por acaso você fez filosofia na Universidade? Desde quando você é tão vaga?" ela ri.

"Não é questão de ser vaga." Você suspira, tentando pensar numa melhor explicação. Ah, claro. "Veja, você era tudo que eu não tinha coragem de ser."

"O quê? A rejeitada? A menina mandona do Clube Glee? É. Faz total sentido." Ela ri de novo, só que dessa vez era uma risada seca. Sarcástica e dura.

"Verdadeira consigo mesma e com os outros." Sua resposta é igualmente árdua.

O silêncio toma conta do ar, e você se pergunta se agora ele entendeu alguma coisa ou acredita em você. Talvez o silêncio fosse algo positivo.

"Você não se escondia, Rachel. Você sabia que pelo seu comportamento, havia uma boa chance de você levar raspadinhas na cara. Às vezes até duas vezes ao dia. Mas você não mudava por conta do medo, pelas conseqüências e esse tipo de merda."

Rachel está lhe olhando surpresa. Então, é. A nova Quinn tinha o péssimo costume de dizer palavrões quando estava frustrada. Algo que Quinn Fabray líder de torcida nunca faria em condições nenhuma para não perder sua imagem de boa garota. Ha. As lembranças lhe faziam você rir do sarcasmo da situação.

"Você mudou." Não era uma pergunta. Ela também não estava falando isso para mim. Era como uma confirmação para ela mesma em voz alta. Ao menos, algo havia fez efeito.

"Parece que sim."

"Fico feliz com isso." Ela sorri em sua direção e você realmente não sente que existe uma maneira de não fazer você concordar com ela. Você também estava feliz por ter mudado. Mais feliz pela felicidade dela talvez até. Seus olhos se arregalaram, e você tentou de todas as formas disfarçar direito. Parecia que você estava dando defeito depois de anos de funcionamento. De onde saiu isso? "Você não me respondeu."

"O quê?"

"De onde conhece o restaurante."

"Oh." As suas mãos são tiradas novamente do casaco, como se agora fosse seguro para elas saírem do esconderijo. "Não. Eu não sou adepta do veganismo."

"Ainda." Rachel acrescenta, desafiadoramente.

"Ainda." Você concorda. "Enfim, minha ex-namorada era vegana. Isso explica, certo?"

Rachel não está mais andando ao seu lado. Ela está parada, como se seus pés estivessem sido fixados no chão Boa maneira de espalhar a notícia, Fabray. Suave.

"Engraçado." Ela riu mais uma vez. "Eu juro que escutei você dizer 'ex-namorada'."

Quando você se vira para encará-la ela está com a expressão mais adorável no rosto. E você sabia que ela havia entendido certo, apenas estava chocada demais para acreditar.

"É porque eu disse ex-namorada." Você diz, como se estivesse falando com uma criança. Calma e explicitamente. "Não que eu ache que três semanas possa considerá-la uma namorada. Mas você entendeu o sentido."

Talvez Rachel Berry estivesse tendo uma embolia ou algo do tipo. E antes que você perceba, você está lhe dando seu olhar de preocupação, tentando decifrar se ela estava tendo algum tipo de crise mental e se era necessário ligar para o 911.

"Você gosta de garotas?" ela estava assustada, olhos dobrados de tamanho, como se várias coisas estivesse passando pela cabeça dela naquele momento, mas sem saber como expressar. "O q- O- ah... Desd- Desde quando?"

"Acho que desde sempre?" A expressão facial dela é engraçada, se não, preocupante.

"Hã?" Rachel dá dois passos para trás. Talvez ela estivesse passado do estado de estudar assustada, e agora estava em uma etapa de surto. Ao menos você sabia que ela não iria correr na direção oposta a você ou ficar enojada. Nesse momento você agradeceu por ela ter tido dois pais gays.

"Hmm..." você pensa numa forma de dizer isso. "É como uma daquelas coisas que está bem na nossa frente, mas que só notamos quando algo nos força a ver."

"O que lhe forçou a ver?"

"Minha colega de quarto me beijou."

A sua resposta simples a faze balançar a cabeça lenta e comicamente, enquanto a sua boca se forma num formato de "O".

"É." Seus ombros caem enquanto você suspira. "Essa foi exatamente minha reação na hora."

Ela não disse mais nada. Ela estava olhando para mim, mas eu sinto que ela não estava me enxergando exatamente. Era como se ela estivesse perdida em pensamento e por pura sorte fixou seu olhar em mim. O alvo mais próximo. Algumas pessoas passavam por nós no meio da rua, observando a situação.

Quero dizer. Pela nossas posições, havia uma grande chance das pessoas acharem que nós estávamos brigando. Nossa distancia e posição corporal.

Ela estava parada, o vento gelado batia no seu rosto levantado seu cabelo para trás, enquanto eu podia ver sua figura por conta do reflexo da iluminação da loja da Swatch ao nosso lado.

Acho que foi nossa sorte que ela não foi reconhecida por nenhum fã naquele momento.

"Isso quer dizer que você é... bi?" ela perguntou cautelosamente, lhe fazendo sorrir.

"Não. Eu sou gay."

"Oh." Ela deteve-se. "Espere. E o Puck? Sam? Finn?"

"Quinn em fase de negação."

Rachel fecha os olhos, lutando entre parecer e sorrir. Ela passa mão pelo cabelo, depois começa suas têmporas com a ponta dos dedos.

"Muita informação em um momento só." Murmura.

"Veja, eu adoraria ficar parada no meio da calçada falando com você. Mas eu estou faminta, e as pessoas estão começando a encarar a gente, querendo saber se você está passando mal. Que tal termos essa conversa durante o jantar?" sugeri.

Ela concorda, assentido e se aproximando do seu corpo de novo. Só que agora ela não deixa um espaço entre vocês duas enquanto vocês andam, porque Rachel segura em seu braço, deixando você guiá-la até o restaurante. O arrepio em seu braço por conta do contato, lhe faz balançar a cabeça tentado espantar qualquer pensamento indevido. O que há de errado com você, Fabray?


Vocês finalmente chegam ao local que Rachel havia passado meses escolhendo. Estava bonito, você tinha que concordar. Sua noiva tinha uma visão ótima para esse tipo de assunto.

O enorme gramado estava sendo preenchido de mesas e cadeiras brancas. Os arranjos- Bem, os arranjos ainda não estavam lá. As flores não estavam lá. O palco estava montado, e uma pista de dança com o piso de madeira perfeito que Rachel havia feito questão de colocar.

A cerimônia em si, não seria ali. Você não queria correr o risco de acontecer algo indevido ao ar livre na hora que você precisasse dizer os seus votos, e Rachel não queria se sentir obrigada a alimentar os pombos do Central Park apenas com purpurina para que eles não fizesse nenhuma bagunça.

"WOW." Puck veio por trás de vocês duas, batendo de leve nas suas costas. Ele parecia uma criança que tinha acabado de ganhar um presente de Natal. "Tinha tipo... umas vinte mulheres se jogando por cima de mim na entrada. Nova York tem gente muito gostosa, Q. Por que você não me apresenta para algumas de suas amigas? Oh, oh, melhor! Por que você não deixa Berry me apresentar as amigas dela? Puckssauro viria lenda se ele traçasse alguma garota famosa, daquelas cantoras de show-tunes que Rachel está sempre falando."

"Ew. Primeiramente, Puckssauro" você começa, ironicamente, ponta a mão na cintura. "as mulheres estavam se jogando em cima de você, porque elas são fãs e você tinha um passe livre. Segundo, eu não estarei lhe apresentando ninguém que não seja aquelas que podem literalmente quebrar o seu nariz caso você faça algo errado. E terceiro, você não teria nenhuma chance com nenhuma das cantoras de show-tunes que Rachel sempre fala."

"Uhh..." Puck sorriu maliciosamente, "Alguém acordou com o pé esquerdo hoje. Pelo que Brittany me falou, eu sabia que você e Berry mandavam ver como coelhos, eu não sabia que apenas um dia faria esse efeito devastador em você."

"Eu não estou discutindo a vida sexual minha e de Rachel com você, Puckerman." Mercedes estava sorrindo metodicamente, mas tentando não demonstrar. Eu passo por ele, esperando que se eu o ignorasse, ele iria embora.

"Por que não?" Não tenho tanta sorte. "Tecnicamente eu já fiz parte dela."

"Sim. Eu me lembro da atrocidade que foi. É meio difícil de esquecer."

"Eu vou considerar que meu enorme e inacreditável desempenho é difícil de ser apagado de sua memória porque foi muito boa."

"Todos os cinco minutos que durou? Oh. Claro. Foi ótimo." Você rebate de maneira sarcástica.

"Ei!" ele gritou. "Isso foi baixo. Desde quando a Quinn maldosa está de volta?"

"Ela só volta quando garotos imbecis retomam assuntos mais imbecis ainda que deveriam a muito tempo estar enterrados no passado."

Antes que ele pudesse retomar qualquer argumento, Mercedes jogou os braços para o alto, impedindo a briga de continuar.

"Okay. Okay. Parem com isso, vocês dois." Ela diz. "É realmente perturbador vocês estarem falando sobre esse assunto no dia do casamento. Puck, por favor, você pode se comportar como um adulto por um minuto na sua vida? E Quinn, você realmente vai se dar ao trabalho de responder aos comentários dele? Cadê sua maturidade?"

"Certo." Os dois respondem em união de cabeça baixa, e você se sente no jardim de infância de novo. Onde por algum motivo você começou a brigar com seu colega que lhe empurrou para fora do balanço, e a professora decidiu mandar vocês dois para o castigo.

Ela puxa vocês dois, e continuam a andar a procura de provavelmente o encarregado do bufê. Levam-se mais ou menos cinco minutos para que o silencio seja quebrado novamente:

"Você já tentou sexo por telefone? Pode ajudar com a sua frustração hoje e Rachel pode gostar."

A última coisa que Puck ouve é o barulho de Mercedes lhe segurando, para você não atacá-lo.

Um dia tão propício para um casamento.


Ao contrário do que você previa, Rachel não lhe bombardeou com um milhão de perguntas assim que vocês sentaram na mesa.

Nos últimos sete minutos de caminhada ela havia voltado a agir normalmente, como a Rachel Berry que você a conhecia. Bem, não exatamente como você a conhecia, porque assim como você, ela mudou muito nos últimos anos.

Enquanto Rachel memorizava o cardápio com os olhos, vocês tentavam manter uma conversa saudável, e surpreendentemente, o primeiro assunto que veio a tona não foi sua sexualidade. Também não foi o segundo. Nem o terceiro, o quarto ou o quinto. Quando vocês voltaram a falar sobre isso, já estavam na sobremesa, após uma longa rodada de comida vegana.

Não que a comida fosse ruim, pelo contrário, a comida podia ser considerada em excelente (se julgada em termos veganos, é óbvio). Era só que você se sentia uma herbívora ingerindo aquela quantidade de grama e afins.

"Desculpe ter reagido daquela forma mais cedo." Ela replica, solene. "Eu estava fora dos limites. Foi o choque, eu acho."

"Tudo bem. Sua reação foi ao menos melhor que a de Mercedes."

"O que ela fez?"

Você brinca com seu sorvete um pouco, ponderando. Ter contado para Mercedes por telefone não tinha sido sua ideia mais brilhante. Porque depois de algumas horas de susto, ela lhe ameaçou caso você não apresentasse a garota que havia feito você se dar conta disso e que você estava interessada no momento. Levou um tempo para ele entender que você não estava literalmente interessada na sua colega de quarto, apesar de ter tido um ótimo tempo tentando decifrar isso com ela. Fisicamente. Você quase podia sentir Mercedes revirando os olhos nessa parte.

"Eu tenho quase certeza que ela ficou catatônica por umas três horas."

"Parecia algo que Mercedes faria." Rachel ri, fazendo sua barriga tremer não pela primeira vez na noite. Ela tenta se colocar séria e se endireita na cadeira. "De qualquer forma, você está feliz com sua escolha? Está confortável com isso tudo? Eu não consigo imaginar você não pensando nas vozes dos seus pais comentando sobre toda aquela historia da Bíblia e o pecado."

Ela lia seu pensamento, praticamente. Se não lia, era algo bem parecido.

"Sim. Eu estou feliz. E confortável comigo mesma. Foi só uma questão de tempo para eu me acostumar. Foi mais fácil do que eu esperava."

"Entendo." Ela assente. "Isso significa que eu posso fazer minhas perguntas inapropriadas?"

Seu rosto está pegando fogo, e agora com certeza ela percebeu que você está vermelha. Ela nem se afeta, apenas sorri diabolicamente.

"Quem é você e o que fez com Berry?"

"O quê?"

"A recatada Rachel Berry." Você retorna, com um grunhido engraçado.

"Eu? Você era presidente do Clube do Celibato. Não eu."

"Eu fiquei grávida, Rachel."

"Bom argumento."

"Não. Ótimo argumento." Você responde. "Além do que, não era eu que comentava que só iria ter relações sexuais depois dos vinte cinco anos." Ela solta um barulho ofendido, e coloca a mão sobre no peito.

"Como você sabe disso?"

"Os garotos conversam. E além do que, acho que todos do Clube Glee sabiam disso."

"Oh meu Deus." Rachel murmura.

"De qualquer forma," você tenta mudar de assunto. "eu acredito que você ainda tenha algumas perguntas inapropriadas para me fazer."

"Ah, claro." Ela volta ao seu estado normal, se concentrando. "Não se preocupe, eu não vou perguntar nada de mais."

"Eu acredito em você."

Ela deposita a colher do sorvete dentro da tigela calmamente, limpando os dedos no guardanapo mais próximo. O seu jeito de se movimentar parecia tão delicado e sutil, que poderia ser considerado pomposo. Você sabe que Santana lhe mataria se descobrisse que você está usando essa palavra para descrever alguém.

"Você tem algum tipo?"

Você ri, tentando se conter.

"Não."

A sua testa se franze, e sua expressão se torna confusa.

"Como você pode não ter um tipo?"

"Por que ter um tipo quando se pode ter uma infinidade de opções?"

"Você soa como Puck."

"Eu vou ignorar isso para não ficar machucada com a comparação."

"Faça isso." Ela fala, e pensa em como demonstrar suas teorias. Pela sua feição, é possível notar que ela está pensando muito forte. "Essa sua constatação é ridícula, Quinn. Significa que se por acaso você estiver num bar e tiver duas mulheres fisicamente opostas, mas igualmente bonitas e simpáticas, você não vai ter nenhuma preferência por uma das duas? Não faz sentido."

"Claro que faz." Você sorri. "Tudo depende do meu humor na hora."

"Você tem certeza que você não se tornou um menino nos últimos anos, Quinn?" ela questiona, preocupada. "Ah, espere. Você não pode ter se tornado um menino. Porque até os homens tem um tipo pré-definido."

"Então, eu não posso ser considerada nem uma mulher, nem um homem. Nossa, Berry, você realmente sabe como levantar a confiança e o ego de uma pessoa."

"Quinn. Todo mundo tem ao menos uma preferência."

"Eu tenho uma preferência."

"Oh. Ao menos uma característica humana. Qual seria a característica?"

"Eu gosto de garotas mais baixas do que eu."

"Por quê?"

"Eu não sei. Tem pessoas que preferem loiras, outras morenas, eu prefiro garotas não muito altas." Você da em ombros, quando nota algo fora do padrão. Rachel parou de lhe olhar e está com observando a taça de sorvete em sua frente. Bochechas vermelhas. "Oh Deus. Desculpe. Não foi exatamente nenhuma indireta, eu juro!" Sua mão bate atrapalhadamente na sua taça dessa vez, e Rachel ri vendo você tentar desajeitadamente segura-la antes que colidisse como chão.

"Não se preocupe, Quinn." Ela comenta. "Além do que seria uma honra ver alguém como você demonstrar qualquer interesse me cortejar."

Cortejar. Rachel deveria vir com um dicionário de bolso.

"Como se não houvesse um número enorme de pessoas suficiente demonstrando interesse em lhe 'cortejar', Srta. Berry." Você faz aspas no ar. "Com o show e tudo. Aliás, ótima cena de nudez. Eu tinha esquecido de comentar. Conseguiu demonstrar realmente quanto você... ah, cresceu."

"QUINN." Ela bate no seu braço com força.

"O quê? Eu só estou dando minha opinião sincera."

"Você realmente soa como Puck" repete pela segunda vez.