Hey again. Então, achei que seria legal escrever pela perspectiva de James agora.

Espero que gostem! Terei que repetir algumas partes, mas sejam pacientes. Vai valer a pena.

Shall the story begin.


Observei a ruiva em minha frente. Seus olhos adquiriram uma tonalidade verde esmeralda. Normal, sempre ficavam assim quando ela estava prestes a explodir. Sorri involuntariamente. De repente uma de suas sobrancelhas bem delineadas levanta. Ela puxa o ar enquanto estreita os olhos. E então. Um, dois, três...

- Potter!

Ouço-a esbravejar de onde foi obrigada a se sentar. Finjo não ouvir seus protestos. Continuo com a colher levantada em direção a sua boca. Espero pacientemente. Ela continua dizendo que não é nenhuma criança. Bem, há controvérsias. Seus braços se cruzam e ela vira o rosto para o lado. Giro os olhos e pouso a colher no prato de cereais. Os elfos nos olham apreensivos. Vejo alguns olhares de repreensão em direção à Lily e tenho vontade de rir.

- Não seja uma criança, Lily. – eu digo contendo o riso quando ela adquire um tom perigosamente vermelho e volta a me olhar com seus belos olhos de esmeralda.

- O que você disse? – novamente ela estreita os olhos.

- Vamos, coma. Se você não comer vai acabar desmaiando pelos corredores. – digo começando a ficar impaciente.

- Eu já disse que estou sem fome. – ela diz relutante.

- Não é questão de ter fome ou não. Você precisa se alimentar. – digo olhando-a séria.

- A senhorita não gosta da comida? – pergunta uma elfa doméstica, com as orelhas abaixadas, como se estivesse desapontada.

Vejo Lily me olhar brava antes de sorrir bondosamente para a elfa. Diz que não é esse o problema. Eu a olho sério e balanço a cabeça, dizendo "como você pode ser tão cruel, ruivinha? Você está insultando a comida que eles fizeram com tanto carinho pra você." Lily parece controlar seu impulso de me azarar. Por um momento pensei que ela pularia em cima de mim, mas a ruiva apenas respira fundo e pega a colher. Sorrio vitorioso enquanto vejo-a comer silenciosamente.

- Viu só. Não é difícil. – eu disse e levo um chute na canela.

- Não faço isso por você. – ela diz enquanto aceita um copo de leite quente.

Rio com gosto e me ajeito na cadeira. Minhas pernas longe das dela. Comecei a observá-la comer. Ela segurava a colher entre o dedo polegar e o indicador. Passava a língua delicadamente pelos lábios, limpando o leite que restava do cereal. Repousava a colher sempre do lado esquerdo. Sua postura era impecável, mesmo quando comia. Sorri de lado. Isso pareceu atrair sua atenção para mim.

- O que foi? Vai ficar me olhando comer? – perguntou, parecendo incomodada.

- Talvez. – eu disse e ri de sua careta.

- Não entendo essa sua obsessão. Você me dá medo. – ela diz e volta a comer.

Rio ainda mais. Também sinto medo de mim e também não entendo essa minha obsessão. Quando ela começara? Quando estávamos no segundo ano comecei a prestar atenção em Lily. Ela era uma das poucas ruivas de Hogwarts e ruivas, desde sempre, me excitavam. Pode parecer estranho se considerarmos que eu tinha apenas 12 anos, mas mesmo Merlin não pode negar que ruivas são simplesmente... irresistíveis. E então, lá fui eu, corajosamente, conversar com Lily. Na época ela já era amiga de Marlene e Alice e sempre andavam juntas. Como Lene era minha vizinha, pensei que seria mais fácil me aproximar.

Elas estavam no lago, rindo sobre alguma história que Alice contava. Passei minha mão pelo cabelo e ajeitei a capa. Coloquei meu sorriso mais sexy e as abordei.

- E aí garotas. – eu disse ainda sorrindo. Sirius estava ao longe, verificando minha performance. Ele duvidava que Lily aceitasse, me alertando que aquela ruiva era diferente das garotas normais. Eu ri e disse que seria fácil, como qualquer outra.

- Oi Jay. – disse Lene com um sorriso de lado.

Alice murmurou um oi e Lily simplesmente levantou uma sobrancelha. Pigarreei e passei a mão pelo cabelo, uma mania que eu adquirira desde criança. Assim, pareceria que eu tinha acabado de descer da vassoura. Direcionei meu olhar para Lily que me olhava com tédio. Por um instante eu vacilei, mas não iria desistir. Podia ouvir Sirius rindo ao longe.

- Então, ruivinha-

- É Evans pra você. – ela disse, me cortando. Lene olhou pra mim segurando o riso e Alice pareceu sem graça.

- Pra que formalidades, ruivinha? – eu disse, sorrindo e me aproximando.

- Evans. – ela disse estreitando os olhos. – Não somos íntimos.

- Não seja por isso, podemos resolver esse problema. – eu disse ainda sorrindo.

- Mesmo? – ela perguntou sorrindo. – E como resolveríamos esse problema?

- Basta você sair comigo. – eu disse mais confiante enquanto segurava uma de suas mãos.

Observei a ruiva olhar para nossas mãos e depois para mim. Ela continuou sorrindo calmamente. Eu iria calar a boca de Sirius. Olhei de lado para ele e vi que ele sacudia a cabeça. A próxima coisa que me lembro foi de ser arremessado para o lago e ouvir Lily dizer:

- Eu preferiria sair com um trasgo a sair com você, Potter!

A ruiva saiu sem olhar para trás, sendo seguida por Alice e Lene que ria sem parar. Sirius ria ainda mais ao longe. Lembro-me de ficar muito revoltado e pensar que ela não valia a pena mesmo. Não a abordei mais. Passava pelos corredores e a ignorava. Dispensar James Potter, que audácia! No terceiro ano Lily parecia mais bonita. Seus cabelos estavam maiores e seu corpo parecia amadurecer. Eu enxergava seu potencial futuro. Mais uma vez tentei chamá-la.

Estávamos todos no salão comunal. Era sábado e nevava. Lily estava sentada com Lene, Alice e Dory. Remo também conversava com elas, principalmente com Lily. Aquilo me incomodou. Sirius viu Remo e decidiu sentar-se perto dele. Eu e Peter nos juntamos.

- E aí, aluado, meu camarada. – Sirius disse, sentando-se entre ele e Lily.

- Oi almofadinhas. – respondeu aluado, sorrindo de lado.

- Nunca entendi esses apelidos. – comentou Alice.

- É fácil. – eu disse, me sentando ao lado da loira. – Remo é aluado porque vive no mundo da lua, Peter é rabicho porque vive atrás da gente e Sirius é almofadinhas porque ele é um folgado.

- É, e James é pontas porque ele parece um veado. – comenta Sirius rindo.

- Isso não faz o menor sentido. – diz Lily, girando os olhos.

- São apelidos, não têm que fazer sentido. – eu alfineto.

- Bem, eu não esperaria mais da sua pobre capacidade cognitiva. – ela diz, me olhando perigosamente.

- Você poderia me dar umas aulas particulares, o que acha ruivinha? – pergunto sorrindo e passando a mão pelos cabelos.

- É Evans para você Potter. E duvido que qualquer coisa que eu te diga surte qualquer efeito. Seu cérebro é pequeno demais para captar conversas com mais de sete palavras. – ela sorri e se levanta, despediu-se de todos e disse que iria para a biblioteca fazer algo melhor.

Sirius continuou rindo de mim pelo resto da semana. Aquela ruiva realmente me dava nos nervos. Não desisti. Continuei pedindo para sair comigo todas as vezes que a encontrava. Uma hora ela veria a pessoa incrível que eu era e finalmente aceitaria sair comigo. Mas ela sempre me recusava.

Passei a observá-la melhor. Vi que era muito amiga de Severo ranhoso. Comecei a persegui-lo e azará-lo sempre que o visse. Era uma espécie de vingança e eu não gostava mesmo daquele sonserino metido. Lily o defendia, não conseguia entender aquilo. Cogitei a ideia de que eles saíssem, mas era impossível. Questionei Lene e ela me assegurou que eram apenas amigos.

Havia algo de muito estranho. Por que ela aceitaria ser amiga daquele trasgo montanhês e não queria nem saber de mim? Aquilo era um absurdo. No quinto ano, depois das provas de NOM´s, segui o ranhoso e o azarei. Lembro que Lily veio a seu resgate mais uma vez. Aquilo me deixou irritado. Jurei que pararia de azará-lo se ela saísse comigo. Mas ela se recusou. Ranhoso mandou que ela não se metesse e a chamou de sangue ruim. Lily ficou furiosa e por mais raivoso que eu estivesse, me senti vitorioso quando a ouvi chama-lo de ranhoso e dizer que nunca mais o ajudaria.

Mesmo após esse episódio Lily não aceitava sair comigo. Eu continuei tendo encontros todas as noites, mas Lily simplesmente não saía da minha cabeça. Eu realmente estava obsessivo por ela. Às vezes vestia minha capa de invisibilidade e a seguia pelas rondas, apenas para me certificar de que ela estaria bem. Olhava pelo mapa dos marotos para saber onde ela estava, a seguia pela biblioteca, decorava suas manias e fazia de tudo para chamar sua atenção. Azarava pessoas apenas para ter o gosto de ter seus olhos de esmeraldas voltados para mim. Minhas detenções aumentaram quando ela se tornou monitora e eu agradecia, porque assim poderia ficar mais perto dela.

Lily realmente era uma obsessão. E então o sexto ano começou. Ela estava ainda mais bonita. Merlin! Dois meses sem vê-la e ela volta completamente mudada. Os cabelos batiam no meio das costas. Parecia que no curto prazo ela adquirira mais curvas. Ela estava me enlouquecendo. E o pior de tudo, não apenas a mim, mas a muitos carinhas. Lily era muito bonita e, além disso, divertida, inteligente, justa, esforçada, atenciosa, delicada (menos comigo), doce, meiga... Quando começou a sair com Amos Diggory pensei que não fosse suportar.

Minha ruivinha estava com outro cara. Um cara insuportável que nem ao menos sabia pegar um pomo direito! Fiquei completamente revoltado. Fiz de tudo para sabotar o relacionamento. Mas nada dava certo. Eles pareciam cada vez mais próximos e eu não sabia mais o que fazer. Até que um dia eles terminaram. Pelo que eu soube de Sirius, estranhamente o novo amigo da minha querida flor, o relacionamento não ia bem. Lily tinha ficado impaciente com o romantismo excessivo de Diggory. Sorri triunfante. Minha ruivinha era minha novamente, okay, não exatamente minha, mas pelo menos não estava com um cara qualquer.

Como um observador atento, percebi que ela não estava bem. Tinha emagrecido, não comia direito. Tudo por causa do rompimento? Como as mulheres eram vulneráveis. Tentei me aproximar dela, mas ela estava ainda mais irritada. Ela me preocupava e eu não podia estar perto dela (não ela sabendo que eu estava, claro). Não sabia o que fazer, novamente. Sirius dizia que ela estava passando por dificuldades em casa, algo sobre a irmã chantageá-la e mentir para os pais. Minha ruivinha estava precisando de ajuda e eu nada podia fazer.

Pela primeira vez me senti um idiota. Se eu fosse diferente, talvez eu pudesse estar ao seu lado, consolando-a. Eu não conseguia mais sair com nenhuma outra garota. Pra falar verdade, desde o final do quinto ano eu não saía com muitas meninas. Estava ficando cansado de todos aqueles relacionamentos curtos e superficiais. Só conseguia pensar em como eu queria estar com Lily.

E então eu tomei uma decisão. Eu mudaria. Se eu mudasse o meu jeito, Lily olharia para mim, foi o que pensei. Aluado me apoiou, como um bom amigo. Almofadinhas apostou com rabicho que eu não duraria nem um mês. Mas eu me mantive firme. Não azarava mais ninguém (tudo bem, quase ninguém), não saía com nenhuma garota e tentava ter uma conversa decente com Lily. Mas eu apenas conseguia um "Tenho mais o que fazer Potter". Meus esforços eram em vão. Até que o fatídico episódio com ranhoso aconteceu.

Aluado já tinha passado pela transformação. Eu e rabicho estávamos com ele. Sirius estava atrasado e ele era sempre um dos primeiros a aparecer. De repente sinto meu corpo gelar. Ranhoso estava de pé, nos olhando. Aluado em sua forma de lobisomem era incontrolável, não conseguia discernir as coisas. Ele tinha se acostumado conosco, após algumas transformações, mas apenas porque estávamos na nossa forma animal. Ele poderia matar o ranhoso.

Eu fiquei desesperado quando aluado foi para cima de ranhoso. Pulei em cima dele, antes que pudesse mordê-lo. Sirius chegou e começou a rir, chamando-o de idiota. Quis matar almofadinhas. Eu tentei conter aluado, mas seria impossível se ranhoso não saísse dali. Almofadinhas o mandou correr e foi isso que ele fez. Suspirei aliviado, mas aluado estava muito agitado. Sirius me mandou ir atrás do ranhoso, dizendo que ia dar um jeito em aluado. Acenei e rabinho me seguiu. Ele já deveria estar longe.

Me transformei novamente e segui para o castelo. Consegui alcançar Snape a tempo. Eu o empurrei na parede e ele tentou me azarar. Me protegi e o imobilizei. Rabicho não sabia o que fazer, dizia que Dumbledore nos expulsaria. Mandei-o calar a boca e nessa hora Lily chegou. Eu fiquei desesperado. Ela estava furiosa. Interpretara toda a cena de um modo distorcido. E então Filch aparece e depois Dumbledore.

Lily não me olhava, apenas se preocupava com o idiota do ranhoso. Eu e rabicho seguimos Dumbledore até seu escritório. Pensei que seria expulso e já imaginava o sermão que eu receberia de meus pais. Engoli em seco, mas Dumbledore não nos expulsou. Pediu que explicássemos toda a história. Rabicho estava aterrorizado demais para falar qualquer coisa.

Respirei fundo e contei o ocorrido. Não tínhamos como esconder o fato de sermos animagos. Dumbledore ficou surpreso pelo fato de termos conseguido nos transformamos com apenas 12 anos. Sorri internamente. Contei que fazíamos isso apenas para apoiar aluado, que nunca imaginaríamos que Snape apareceria, que almofadinhas deveria estar com aluado e que a culpa não era de aluado. Dumbledore nos olhou sério e nessa hora almofadinhas apareceu com professora McGonagall. Ele estava todo arranhado, imaginei que aluado já estivesse na ala hospitalar. Respirei aliviado. Dumbledore alertara almofadinhas por sua imprudência, dizendo que enviaria uma coruja para sua família e que ele deveria cumprir detenção. Nos assegurou que Snape não falaria sobre a condição de aluado e que deveríamos tomar cuidado com aluado.

Fomos dispensados e quando saímos do escritório do diretor, passamos por Lily. Ela ainda estava acompanhada de Snape e me doeu ver que me ignorava completamente. Meu coração apertou. Eu estava fazendo tudo errado. Sirius parecia tão ressentido quanto eu e mal conseguia encarar Lily. Ele disse que iria para a torre e rabicho também. Eu não tinha paciência para conversar com ele naquele momento.

Peguei minha capa e dei uma volta pelo castelo. Precisava pensar, digerir todas as informações. O que faríamos se Snape contasse sobre aluado, se ele descobrisse sobre sermos animagos. Mais uma vez xinguei almofadinhas. Passaram-se alguns minutos e decidi que já era seguro ver aluado. Segui para a ala hospitalar. Coloquei minha capa de invisibilidade para que madame Pomfrey não pudesse me ver.

Aluado estava acabado. Meu coração pesou, pensei em como almofadinhas era um idiota. Respirei fundo. Aluado virou a cabeça, olhando na direção em que eu estava e sorriu de lado. Seus sentidos ainda estavam aguçados. Fui para o outro lado de sua cama e disse oi. Ele apenas assentiu. Perguntei como estava, ele balançou a cabeça e perguntou como estava Snape. Eu disse que parecia bem. Ele suspirou e parecia que queria chorar. Perguntou como estava almofadinhas, eu girei os olhos e disse que ele não deveria se preocupar.

Lily apareceu um segundo depois. Eu gelei. Aluado olhou na minha direção, preocupado. A ruiva conjurou um feitiço para Madame Pomfrey não poder escutá-los e fechou o biombo em volta da cama. Sentou-se ao lado de aluado, parecia tão preocupada. Começaram a conversar. Fiquei chocado ao ver que ela descobrira o segredo de aluado há tanto tempo e ainda mais ao saber que ela tinha sido apaixonada por aluado. Aluado olhou em minha direção, seu olhar pedindo desculpas. Não era hora de sentir ciúmes. Ela perguntou como ele se sentia e ele disse que se sentia arrasado, que Dumbledore o assegurara que Snape não diria nada, mas que ele não confiava tanto assim. Lily o garantiu que Snape não diria nada. Senti uma pontada de ciúmes, será que ainda se falavam?

Lily abraçou aludo, dizendo que tudo estaria bem. Seus olhos vagaram em minha direção. Senti meu coração acelerar. Tive o pensamento egoísta de querer ser aquele em seus braços. Seus olhos voltaram-se para aluado e fiquei me perguntando se ela ainda gostava dele. Tirei aquele pensamento da cabeça. Não, eles eram apenas amigos e ela uma das melhores amigas de sua "namorada". Aluado chorava no colo de Lily e eu a agradeci mentalmente por ela poder consolá-lo.

Logo aluado adormeceu. Lily passou as mãos por seu cabelo e beijou sua testa. Decidi segui-la. Ela rumava para a torre. Fiquei ao seu lado o tempo todo. Observava o jeito como andava e como por vezes olhava para o céu, pensativa. Logo chegamos. Ela subiu as escadas para o dormitório e eu segui para o meu. Tirei a capa e vi que almofadinhas ainda estava acordado.

Rabicho roncava. Almofadinhas parecia cansado. Estava sentado na beirada da cama, braços apoiados nos joelhos e as mãos sustentando a cabeça baixa. Pude ver as marcas de arranhado em seus braços. Elas me satisfizeram. Bem merecido. Ele me olhou com remorso.

- Pensei que não viria mais. – disse rouco.

- Eu estava com aluado. – respondi seco, colocando a capa em cima da cama.

- Pontas. – começou.

- Qual é o seu problema almofadinhas? – perguntei com raiva. – Você chegou a pensar que aluado poderia ter matado o ranhoso? Você pensou que aluado poderia ser expulso? Você só pensou nessa vingança idiota contra Snape.

- Eu sei, cara. Eu não pensei na hora. O ranhoso não deveria ter ido. Nunca pensei que ele realmente fosse até o salgueiro. – ele disse desesperado, se levantando.

- Você é um idiota Sirius. – eu disse me exaltando e acordando rabicho. Ele pareceu assustado e levantou-se da cama, perguntando o que estava acontecendo.

Sirius ficou calado. Não parecia saber o que falar. Ele respirou fundo, com aquela maldita cara de cachorro abandonado e me pediu desculpas, rabicho pareceu entender e continuou quieto, olhando a cena. Meu sangue subiu a cabeça e então, eu dei um soco na cara de Sirius. Rabicho guinchou e pulou na minha frente, tentando me impedir de bater Sirius. Ele mesmo não fazia nenhum esforço para se defender. Fiquei ainda mais com raiva. Empurrei rabicho e disse que não ia mais bater em almofadinhas.

Olhei pra ele ainda com raiva. Respirei fundo e disse que ele deveria pedir desculpas para aluado e não para mim. Ele assentiu e eu girei os olhos. Peguei minha toalha e fui tomar banho. Estava exausto. Sirius ainda estava sentado na cama, olhava pela janela. Suspirei. Caminhei até ele e rabicho pareceu recear que eu fosse ter outro ataque. Olhei fixamente para Sirius e o abracei. Por mais idiota que ele fosse, ele também se sentia mal com tudo. Ele me abraçou de volta, com força. Dei tapinhas em suas costas e disse para conversar com aluado depois. Ele assentiu mais uma vez e fomos todos dormir.

Pensei em Lily, me lembrando de seus olhos mirando em minha direção. Suspirei. O que eu deveria fazer? Faltava um pouco mais de uma semana para as aulas acabarem. Passaria meses sem poder vê-la e depois teríamos nosso último ano juntos. Minha garganta apertou. Era minha última chance. Coloquei o braço sobre os olhos. Minha cabeça latejava. Apesar de tudo consegui dormir. Acordei com o som estridente da risada de rabicho. Sirius aparentemente "esquecera" de colocar as calças antes de descer as escadas e algumas alunas do primeiro ano se chocaram com a cena. Frank Longbottom o forçou a subir as escadas para se vestir. Frank me disse oi e eu respondi cordialmente. Olhei para almofadinhas com um meio sorriso. Ele era tão idiota.

Levantei e troquei de roupa. Decidimos passar na ala hospitalar antes de descer para o salão principal. Madame Pomfrey já se acostumara com nossas visitas frequentes ao aluado e não mais se dava ao trabalho de nos deixar entrar. Aluado parecia melhor que na noite anterior.

- E ai lobão. – eu disse sorrindo.

- Hey. – ele respondeu com um meio sorriso.

- Oi aluado. – falou almofadinhas com a voz trêmula.

- Oi almofadinhas. – aluado respondeu sério.

- Como você tá cara? – Sirius perguntou sem graça.

- Melhor. – ele respondeu desviando o olhar.

- Ah, que bom.

Lily, Alice, Lene e Dory apareceram. Meu coração disparou ao encontrar o olhar da ruiva. Ela pareceu sem graça e desviou. Dory correu até aluado e fiquei me perguntando se Lily tinha dito alguma coisa. Conhecendo aluado, se Dory soubesse algo sobre ele, ele provavelmente a deixaria. Eu já achava um avanço ele continuar com aquele relacionamento estranho.

Todos nós observamos as garotas conversarem com aluado. Não dizíamos muito. Fiquei observando Lily e ela pareceu perceber. Sorri internamente, eu simplesmente não conseguia desgrudar meus olhos dela. Logo elas se despediram, dizendo que precisavam ir para a aula de poções. Tínhamos esquecido completamente. Elas saíram e, um momento depois, nos despedimos de aluado. Fomos por duas passagens secretas e chegamos juntos de Slughorn. Vi que as meninas ainda não tinham chegado e disse a Sirius para nos sentarmos separados, na esperança de Lily sentar ao meu lado.

Dito e feito. Quando chegaram não havia muitos lugares e Lily teria que sentar ao meu lado. Bem, meu plano deu certo, mas eu simplesmente não sabia o que falar. Continuei olhando fixamente para Slughorn, sem prestar atenção no que ele falava. Tentava pensar em alguma coisa para conversar com a ruiva. Só me vinham perguntas idiotas, nada de muito útil. A cena de Dory indo até Remo me veio à memória. Fiquei pensando em como ele era um idiota e deveria pedir logo a garota em namoro. Girei os olhos, por que eu estava pensando nisso agora? E então algo em minha mente clareou. Eu tinha um plano formado em minha cabeça e poderia dar certo. Estava me preparando para falar com Lily quando Sirius manda um bilhete para ela. Olho com raiva para ele e ela me olha desconfiada.

Almofadinhas sorri sem graça. Giro os olhos e tento ver o que está escrito, mas não consigo ler. Respiro fundo e vejo Lily escrever de volta. Ela mandou o bilhete. Fiquei olhando para ela, tentando extrair algo de suas feições. Obviamente, ela me olhou incomodada. Pisquei algumas vezes. E disse que precisávamos conversar. Ela disse que não sairia comigo e eu disse que não era nada do tipo. Desenhei um mapa e pedi que me encontrasse na antiga torre de astronomia às 18 horas, pois eu teria treino antes disso. Milagrosamente, ela aceitou.

Fiquei imensamente feliz. E minha felicidade durou pouco. Lene começou a brigar com Sirius e acabou trocando de lugar com Lily. A morena parecia brava. Fiquei imaginando se ela saberia sobre Remo também. Olhei para Lene e ela estreitou os olhos para mim.

- Qual é Jay? – disse nervosa.

- Eu que pergunto. – disse. Slughorn olhou em nossa direção. Murmurei Abaffiato e continuei. – O que houve dessa vez?

- Seu amigo é um energúmeno, trasgo, com um cérebro menor que o de um tronquilho! – ela disse com raiva.

- Hum. – murmurei sem saber o que realmente falar. Só haveria um motivo para ela estar tão brava com Sirius, além dos habituais, claro. Olhei pra ela, me perguntando se eu deveria perguntar sobre aluado. Não precisei perguntar.

- Como ele pode ser tão idiota a ponto de mandar Snape atrás de Remo? Ele não pensa? – ela disse e arregalou os olhos.

- Você sabe então. – eu disse calmamente. Ela parecia preocupada.

- Jay, não comenta com o Remo, por favor. Droga, Lily vai me matar. – ela diz preocupada.

- Relaxa, - eu digo sorrindo. – não vou dizer nada. Com uma condição.

- Como assim? – ela pergunta com olhos furiosos.

- Você tem que me ajudar. – digo simplesmente. – Vou me encontrar com Lily hoje.

- O que? Você quer que eu te ajude a convencê-la? Isso é impossível! – ela diz nervosa.

- Não, você não entendeu. Ela já aceitou. – respondo sorrindo triunfante frente à indignação dela.

- Mentira. – ela exclama. – Como você conseguiu?

- Meu charme finalmente venceu. – digo sério. Ela não acredita. Giro os olhos. – Okay, eu não sei como pra falar a verdade. Ela simplesmente... aceitou.

- Estranho. – diz Lene olhando de soslaio para a amiga. Ela volta o olhar para mim. – O que você quer que eu faça então?

- Eu tenho um plano. Preciso checar algumas coisas. Mas basicamente, vou convencer Lily a passar as férias com você, minha querida vizinha. E você me ajudará com Lily. – digo sorrindo prontamente.

- Tá me zoando? – pergunta Lene séria.

- Não. – respondo girando os olhos. – Olha, eu sei que vocês se recusam a acreditar que eu gosto mesmo da Lily, não espero que acreditem. Mas... eu realmente gosto dela. Eu mudei ultimamente, mas nada do que eu faça parece surtir algum efeito nela. Eu só quero uma chance de provar que eu mudei e que eu faria de tudo por ela. Só isso.

- Hum. – ela me analisa com seus olhos azuis. – Não sei James.

- Por favor Lene. Só uma chance, só isso. – praticamente imploro para a morena.

- Ah, tudo bem. – ela diz finalmente. – E qual é o plano?

- Como eu disse. Tenho que checar algumas coisas. Te conto assim que der.

Slughorn nos interrompe e passa uma tarefa para a última aula. Dou tchau a Lene e para Lily quando passo por ela. Ela fica corada, imagino que de raiva. Sorrio e saio com almofadinhas e rabicho a tira colo. Teria muito que fazer. Fomos até a ala hospitalar. Madame Pomfrey logo liberaria Remo. Aproveitei a presença dos três e contei sobre meu encontro com Lily. Ninguém acreditou que ela iria e eu comecei a me preocupar. E se ela não fosse? Eles ficaram tirando sarro de mim e eu apenas girava os olhos. Já era hora de almoçar e Madame Pomfrey nos expulsou da ala hospitalar.

Fomos almoçar, no caminho para a aula de feitiços topamos com as meninas e contamos a novidade de Remo. Sorri abertamente para Lily que pareceu bastante irritada. A aula de feitiços passou rápida e fui para o treinamento de quadribol com almofadinhas, rabicho e Alec Wood, um setimanista que era batedor.

Após o treino, Sirius disse que iria falar com aluado. Dei boa sorte para ele e corri para meu quarto de capitão. Monitores e capitães do time de quadribol tinham uma suíte reservada para eles. Grande regalia, pensei. Pulei na banheira e me senti relaxado. Olhei para o teto e aquilo me deu uma ideia. Sorri. Após alguns minutos saí da banheira e me enxuguei. O que eu vestiria? Bem, tanto faz. Peguei uma blusa de frio preta e uma jeans escura. Fiz a barba e passei uma loção que minha mãe me mandara de aniversário. Olhei para o espelho. Eu estava ótimo.

Chequei as horas. Cinco horas. Eu teria tempo. Passei na cozinha e pedi aos elfos para preparem um lanche para mim e lhes indiquei o local para mandarem os lanches. Eles ficaram entusiasmados e me garantiram o bom serviço.

Peguei um atalho para a torre. Fazia algum tempo que eu não ia lá. Nunca tinha trazido uma garota sequer. Sirius sempre me disse que era um desperdício, mas aquele era o único lugar que eu poderia ficar sozinho, sem ninguém me incomodando. Agitei a varinha, limpando o assoalho macio. Acendi as velas suspensas e ajeitei as almofadas em um canto da sala. A mesa estava posta no centro da sala. Conjurei duas cadeiras. Olhei para o teto. Seria difícil, mas o esforço valeria a pena.

Agitei a varinha e vislumbrei o teto se abrir para o céu, mas não durou muito tempo e logo o céu foi se desfazendo em teto novamente. Tentei dez vezes e na décima primeira finalmente o feitiço funcionou. O céu estava alaranjado e havia poucas nuvens. A lua já estava no alto e algumas estrelas eram visíveis. Bem, eu poderia aprimorar o feitiço. Agitei a varinha e o céu pareceu se aproximar. A lua estava maior e as estrelas estavam mais destacadas. Sorri satisfeito.

Agora era esperar por Lily. Olhei no meu relógio de pulso e vi que já eram seis horas. Bem, garotas costumam demorar. Seis e dez... Seis e vinte... Seis e meia. Okay, talvez ela tenha se perdido. Seis e quarenta. Tudo bem, só mais um pouco. Seis e cinquenta. Droga. Sete horas. É, ela não vem. Suspirei derrotado. Olhei para o céu e pensei como tinha sido um desperdício. As estrelas estavam tão bonitas...

Levantei e rumei até a porta. Quando a abri vislumbrei Lily. Arregalei os olhos sem acreditar. Ela realmente estava ali. Segurei o ar. Droga, por que ela precisava ser tão bonita? Se controla James. Droga. Ela parecia corada e nervosa. Puxei o ar e senti seu aroma de lírios. Eu simplesmente adorava o seu cheiro. Ela me encarava e eu não sabia o que dizer. Okay, pensando bem, por que Lily viria em primeiro lugar? Estreitei os olhos. E se fosse Sirius tirando com a minha cara? Ele era o único que sabia como chegar aqui.

A garota pareceu irritada. Quando ela falou, eu tive certeza que era ela. Sorri sem jeito. Deixei que ela entrasse e vislumbrei seu olhar maravilhado ao mirar o céu. Ela era realmente linda. Conversamos, ela ficou irritada algumas vezes, impaciente. Conjurei a comida que os elfos fizeram e fiquei satisfeito ao ver que ela gostava de torta de morango com cereja e que pelo menos tinha comido alguma coisa. Ofereci cerveja amanteigada, mas ela preferiu whisky de fogo. Ri quando ela tomou o copo todo de uma vez. Era típico de Lily querer se fazer provar.

Impaciente, ela me questionou sobre o que eu gostaria de falar. Comecei a extrair as informações que eu queria. O quanto suas amigas sabiam sobre Remo? Como eu desconfiei, todas sabiam sobre seu segredo, o que facilitava as coisas. E então contei sobre meu plano para unir Remo e Dory. Disse que ela e as amigas deveriam passar as férias com Lene, que era minha vizinha. Dois meses juntos e com certeza eles ficariam juntos. Pelo menos esse era o plano. Ela pareceu ponderar. Me olhou desconfiada, perguntando se essa não era apenas uma estratégia para arruinar suas férias e eu ri, dizendo que ficar perto dela era a melhor parte do plano afinal.

Surpreendentemente, ela aceitou. Meu coração saltou. Eu teria minha ruivinha mais perto de mim. Sorri e ela perguntou se já poderia ir embora. Não, eu respondi, ainda precisava conversar sobre nós dois. Eu parecia que tinha acabado de correr uma maratona. Como me expressar sem que ela se exaltasse e simplesmente andasse pela porta e me abandonasse, me chamando de idiota? Respirei fundo. Era agora ou nunca.

Olhei em seus olhos e escolhi cada palavra. No final, apenas disse aquilo que eu disse a Lene. Apenas uma chance, eu pedi, apenas uma oportunidade de mostrar que eu posso mudar, um pouco de sua confiança e paciência. Coloquei todas as minhas esperanças nas palavras. Ela me olhava firmemente. Vi seu rosto corar e então desviou os olhos. Murmurou algo que pensei ser "tudo bem". Não conseguia acreditar. O que ela tinha dito? Perguntei e ela me respondeu nervosa que tudo bem. Senti meu rosto esquentar. Merlin, obrigado! Eu ri quando ela disse que poderia reconsiderar. Disse que não precisava, que ela não se arrependeria e agradeci. Ela perguntou se poderia ir embora e eu disse que a acompanhava.

Quando estávamos saindo a observei olhar para o teto novamente. Me encostei na porta e sorri. Falei que poderíamos voltar qualquer dia que ela quisesse e ela murmurou que seria legal. Algo de muito errado estava acontecendo, mas tanto faz. Só queria que aquilo não fosse um tipo de brincadeira que Lily estava fazendo. Saímos finalmente e andamos pelos corredores, sem pressa. Conversamos e rimos, parecia inacreditável estar com ela. Vi que seu rosto ainda estava um pouco vermelho e me ocorreu que talvez o whisky a tivesse deixado mais desinibida.

Chegamos ao retrato da mulher gorda e Lily disse a senha. Estava muito escuro e eu mal conseguia enxergar. Sentia o cheiro de lírios e me guiava por ele. Observei a ruiva parar de frente para as escadas. Ela se virou e vi que estávamos muito próximos. Meu coração batia forte. Tive certeza que ela poderia ouvir as batidas agitadas. As nuvens desbloquearam o brilho da lua e eu pude enxergar com clareza. Os olhos de Lily estavam fixos nos meus.

Droga, aquilo era demais para mim. Eu podia sentir sua respiração perto da minha boca. Toquei seu rosto, sentindo a maciez de sua pele. As duas esmeraldas pareciam me engolir para fora da realidade. Não conseguia pensar em nada, quando de repente sinto os lábios quentes de Lily pressionando os meus. Arregalei os olhos, não acreditando no que estava acontecendo. Lily não só estava me beijando como tinha sido ela a tomar o primeiro passo. Merlin, por favor, que isso não seja uma piada cruel.

O beijo de Lily tinha gosto de whisky de fogo com morangos. Podia sentir seu coração acelerado, batendo contra meu peito. Passei meus braços ao redor de sua cintura, puxando seu corpo pra mais perto. Sua língua brincava com a minha, meus lábios sedentos pelos seus. Suas mãos acariciavam meus cabelos e aquilo já estava demais para meus pobres hormônios adolescentes. Lily mordeu meu lábio inferior e parou o beijo. Ela abriu os olhos e sussurrou que estava bêbada, rindo. Tudo bem, eu disse. Eu já imaginava. Ela passou os dedos em meu rosto e um arrepio desceu pelo meu corpo. Ela se recostou em meu peito e me chamou de James. Era a segunda vez na mesma semana. Ela parecia tonta. Disse que a levaria para a cama e ela riu, dizendo que eu não conseguiria subir.

Lily querida, eu sou um maroto, não um garoto comum. Peguei-a no colo e ela recostou-se em meu peito. O cheiro de lírios invadia meu olfato. Peguei a passagem secreta que dava diretamente no dormitório feminino. Abri a porta do quarto de Lily lentamente, com medo de acordar as meninas. Suspirei derrotado, elas ainda estavam acordas. Ficaram surpresas com minha presença e me perguntaram como eu chegara ali em cima e como eu sabia que aquele era o quarto de Lily. Fiquei completamente sem jeito. Respondi que sabia sobre uma passagem secreta e que Lily dissera onde era o seu quarto (tudo bem, era mentira. Na verdade eu sempre a observava pelo mapa do maroto, mas elas não precisavam saber disso.). Elas pareceram desconfiar e perguntaram o que eu tinha feito com a amiga. Eu nada, respondi. Expliquei que ela insistiu em beber whisky de fogo e acabou exagerando. Sorri de lado para suas caras perplexas. Coloquei a ruiva na cama e pedi que elas não comentassem nada com Lily. Elas estreitaram os olhos e eu ri. Saí antes que mudassem de ideia e fui para meu próprio dormitório, ainda sem poder acreditar no que acontecera.

Almofadinhas, aluado e rabicho me esperavam. Eu pigarreei quando cheguei ao quarto e sorri. Eles arregalaram os olhos quando lhes disse que ela tinha ido ao meu encontro. Rabicho riu e falou para aluado e almofadinhas lhes entregarem os dois galeões. Girei os olhos. Me perguntaram sobre detalhes e eu apenas lhes disse que tivemos uma conversa cordial. Eles obviamente não acreditaram. Eu disse que iria dormir, mas eles não pareciam que me deixariam dormir. Então contei sobre meu plano de conquistar Lily nas férias. Aluado quis saber como eu a convenci a aceitar passar as férias perto de mim e eu respondi apenas que ela era amiga da Lene, mais que normal passar as férias na casa da amiga e desviei os olhos. Bocejei e disse que estava muito cansado. Deitei na cama, ignorando o protesto de todos.

Já havia se passado uma hora, todos dormiam, mas eu não conseguia parar de pensar no beijo que Lily me dera. Droga, eu estava parecendo uma garotinha. Ri comigo mesmo. Qual o seu problema James Potter, você deveria ser o maior garanhão e não ficar animado por causa do um beijo. Mas era um beijo da minha ruiva. E ela tomou a iniciativa. Pela primeira vez em anos, eu tive esperança. Sorri satisfeito, me lembrando do toque dos seus lábios e acabei dormindo.

Acordei cedo, o que espantou aluado. Tomei uma ducha e descemos para tomar café. Procurei por Lily, mas apenas Alice, Lene e Dory estavam no salão. Aluado sentou ao lado de Dory, dando um beijo de bom dia. Logo eu e Lily estaríamos assim, pensei comigo mesmo. Sorri para os dois, pensando que eles também estariam decididamente mais próximos. Todos me olharam desconfiados. Fiz uma cara de inocente, frente às perguntas de todos e me diverti com suas indagações. Perguntei onde estava Lily e Dory respondeu que ela não queria acordar, estava de ressaca. Ri com o comentário. Típico de Lily.

Era sábado e estava frio. Decidimos voltar para o salão comunal. Chamei Lene para um canto e contei sobre meu plano para ajudar Dory e aluado. Ela pareceu ponderar e concordou em ajudar. Ela riu e disse que foi assim que eu convenci Lily a passar as férias perto de mim. Eu girei os olhos e disse que eram apenas detalhes. Sentamos perto da lareira. Eu em uma poltrona separada e deixamos outra vaga, para o caso de Lily descer.

Meia hora depois, a minha querida ruivinha aparece com um monte de livros e pergaminhos na mão. Ela gira os olhos e amaldiçoo todos por sua indiscrição. Ela senta na poltrona vaga ao meu lado e começa a ler. Fixo meus olhos nela e levanto uma sobrancelha. Ela me olha e pergunta o que foi. Eu a indago se iria comer e ela diz que não tem fome. Fico irritado e tiro seus materiais, jogando no colo de Lene. Ela fica irritada, mas eu não ligo. Lily às vezes parece uma criança. Pego sua mão e saio com ela para a cozinha. Todos nos olham sem entender. Lily e James sem gritaria e detenções? Isso era novidade. Sorri enquanto ela brigava comigo. Rio quando ela me chama de terrorista, me perguntando de onde ela tira essas ideias.

Digo que vou leva-la até a cozinha. Apesar de relutante, ela me segue. Os elfos ficam muito felizes por nos verem. Lily senta em uma cadeira com a ajuda de Miny, uma elfa doméstica de grandes olhos azuis. Sento na frente de Lily e peço para prepararem cereais com leite. Em um minuto a tigela é posta na mesa. Ela diz que não tem fome. Giro os olhos e pego a colher com um pouco de cereal. Sorrio e finjo que a colher é um avião. Ela me olha abismada, dizendo que não é criança, mas finalmente aceita comer. E aqui estamos nós, de onde comecei.

Lily termina de comer o cereal e agradece aos elfos pela bondade. Ela me olha calmamente e gira os olhos. Vejo-a levantar-se calada e olhar pra trás, como se dissesse "você vem ou não?". Sorrio e me levanto, despedindo-me dos meus caros amigos. Andamos lentamente pelos corredores e me pergunto sobre o que ela estaria pensando. Olho de soslaio e percebo que ela está aérea. Quando Lily fica assim, eu nunca sei o que fazer. Respiro fundo, optando por ficar calado. Tudo bem se eu apenas ficasse do seu lado.

Ela me olha finalmente. Fico surpreso e ela desvia o olhar, corando. Bem, Lilian Evans, você me deixa completamente confuso! Pense James, pense! O que falar? Tudo bem, qualquer coisa vale.

- E-então. – eu gaguejo. Droga.

- Hum. – ela me olha interessada.

- O dia está frio né? – comento olhando para o gramado.

- É. – ela responde simplesmente.

- É. – digo bobamente. Vamos James, você consegue. Ela não está gritando com você, isso é bom. Olho para seus lábios e sinto meu rosto esquentar. Ah não, vou ficar me lembrando do beijo, e agora? Aja naturalmente. Eu me endireito e ando apressado.

De repente paro e olho para trás. Lily está com a mão cobrindo a boca. Seus olhos adquirem um leve tom acinzentado e então ela começa a rir.

- O dia está frio? – ela diz entre o riso. – Que tipo de conversa é essa Potter?

- Ah. – eu digo me sentindo constrangido. – Eu não sei bem o que dizer.

- É, - ela tenta parar de rir. – eu percebi.

Eu giro os olhos e cruzo os braços. Ela tenta parar de rir, mas me olha novamente e volta a rir. Estava começando a ficar incomodado.

- Você não vai parar de rir? – pergunto irritado.

- Quem é a criança agora? – ela diz divertida, mas conseguindo conter o riso.

-Muito engraçado. – digo sério.

- Sim, de fato é. – ela diz sorrindo e andando até me alcançar.

- Que bom que você acha. – levanto uma sobrancelha.

- É impressão minha ou estamos trocando de papel aqui? – ela diz divertida. – Você é o estressado e eu sou a irritante.

- Pelo menos você admite que é estressada. – eu comento sorrindo e rio depois que ela me dá um tapa no braço.

- De qualquer modo, pensei que você era melhor do que isso. – ela diz, voltando a andar.

- Como assim? – eu falo acompanhando seus passos.

- Bem, você é um galinha assumido. Pensei que você soubesse conversar com todos os tipos de garota. – ela diz irônica.

- Você não é como as outras garotas Lily. – eu digo sério e ela me olha em dúvida. – É sério. Com as outras garotas é fácil conversar. Nenhuma realmente está interessada em saber sobre qualquer coisa. A maioria só pensa em ficar comigo, sobre qualquer circunstância. Não estou me gabando. – digo quando ela gira os olhos. – É simplesmente a verdade. E você não é assim. Você não se interessa por coisas superficiais, você é atraída por coisas interessantes. Não posso conversar da mesma maneira que converso com outras garotas, ou você simplesmente me dispensaria.

Pensei ver uma tonalidade rosada em seu rosto, mas talvez fosse apenas impressão minha. Ela permanece calada e eu me pergunto se não disse algo errado. Ela com certeza não acredita em mim. Suspirei derrotado e continuamos andando, quando ouço a bela voz de minha ruivinha.

- Eu gosto de torta de morango com cereja. – ela diz de repente.

- O que? – eu pergunto sem entender.

- Eu disse que gosto de torta de morango com cereja. – ela diz irritada.

- Ah. – ela estaria tentando conversar comigo? Sorrio. – Eu percebi, ontem, quando você estava comendo.

- É. – ela diz olhando para o lado, parecendo constrangida. Me pergunto se ela se lembra do beijo. Não... Ou ela estaria gritando comigo e não conversando. – Minha mãe sempre fazia esse tipo de torta pra mim, geralmente quando eu estava triste ou incomodada com alguma coisa.

- Você está triste? – pergunto, olhando para o semblante distante em seu rosto.

- Por que eu estaria? – ela responde me sorrindo, mas eu pude ver pelo seu tom de voz e pelo jeito que sua boca se curvava que ela estava mentindo.

- Não sei. – eu digo sério. – Mas se você estivesse eu poderia pedir mais tortas. Quantas você quisesse.

Ela olha pra mim com uma sobrancelha levantada e começa a rir. Sorrio, grato por poder aliviar pelo menos um pouco da tensão que sentia.

- Muito obrigada. – ela diz risonha.

- James Potter a seu dispor. – digo, fazendo uma leve reverência.

- Tudo o que uma garota precisa. – ela comenta girando os olhos, mas sorrindo.

- Posso ser tudo o que uma garota ruiva irritadinha e de olhos verdes precisa. – digo sério.

- Oh, é mesmo? – ela diz irônica.

- Basta você pedir. – olho em seus olhos, pondo o máximo de sinceridade que consigo em cada palavra.

Lily desvia o olhar e sorri de lado, dizendo que eu poderia me arrepender. Ela era muito exigente.

- Eu sei ruivinha, mas eu estou disposto a tudo. – digo passando a mão nos cabelos e arrancando um olhar duvidoso.

- Por que você tem essa mania de passar a mão pelo cabelo? – pergunta.

- Tenho desde criança. – digo sorrindo. – Quando eu tinha sete anos, meu pai me comprou uma vassoura que voava mais que um metro. Finalmente eu poderia voar alto. Eu estava muito feliz e fui brincar com os garotos do bairro. Conheci uma menina, Mary Anne. Ela era loira e tinha os olhos mais azuis que eu já vira na vida. – digo, arrancando um riso e ouço-a dizer "típico". – É sério, eram muito azuis. Eu estava completamente apaixonado por ela. Eu voava como um idiota, pra cima e pra baixo, tentando chamar a atenção de Mary Anne olhos azuis e finalmente consegui. Então, um dia, ela passou a mão nos meus cabelos, sorriu e disse: James, se você passar as mãos assim, parece que você acabou de sair da vassoura.

- Está explicado! – ela diz rindo.

- É. Adquiri esse hábito por causa dela. Mas então Ronald Pensiville ganhou uma vassoura melhor que a minha e o cabelo dele era ainda mais rebelde. Fui abandonado por Mary Anne em um instante. No final, ela não gostava de mim e sim de garotos com cabelos rebeldes e vassouras. – digo sério.

- Pobre James Potter. – ela diz rindo ainda mais. – Imagino que ela quebrou seu coração.

- Sim, mas não mais que você. – digo sorrindo.

- Claro. – ela fala girando os olhos e sorrindo também. – Mas não sou Mary Anne olhos azuis, não sou tarada por garotos com cabelos rebeldes e vassouras.

- Não mesmo, você namorou Diggory. – digo simplesmente.

- Ah, por favor. Não me lembre. Ele era fofo no começo, mas ficou completamente insuportável depois de um tempo. – diz suspirando.

- Eu sou fofo, - digo passando a mão pelo cabelo. – mas não fico insuportável com o tempo.

- Tá bom. – ela diz rindo e parando.

Mal percebi, mas já estávamos em frente ao quadro da mulher gorda. Ouço Lily dizer a senha e ambos passamos pelo retrato. Novamente todos nos observam surpresos. Andamos até onde nossos amigos ainda estavam e nos olhavam sem acreditar naquele estranho tratado de paz entre nós. Lily pede os materiais de volta a Lene que mecanicamente devolve para a ruiva. Sorrio de lado quando ela se senta na poltrona e volta a estudar. Tão dedicada. Me sento ao lado dela e a observo estudar. Ela olha pra mim e levanta uma sobrancelha, seus olhos com um novo tom esverdeado, um que eu nunca tinha notado.

- Você vai ficar me olhando estudar também? – pergunta incomodada.

Eu sorrio. Me ajeito na poltrona e continuo olhando em seus olhos, tentando absorver aquele tom diferente de todos os outros.

- Sim, ruivinha, acostume-se com isso. – digo.

Ela gira os olhos e volta a estudar. Todos nos olham abismados. Merlin, essa garota é completamente sobrenatural e eu estou completamente apaixonado por ela.


Aaah, James fofo! Espero que tenham gostado desse capítulo. Pelo menos eu adorei escrevê-lo. Mandem reviews, please. Qualquer erro me avisem :)

Obrigadinha queridos!