HISTÓRIA NÃO RECOMENDADA PARA MENORES DE 18 ANOS

Notas do Autor

Já sabem... Se acharem alguma coisa, informação errada ai no meio me avisem que eu arrumo. Eu pesquisei algumas coisas antes de escrever essa fic, mas posso sempre errar em alguma coisa.

A fic se passa do quinto ano pra frente.

McCann é um personagem original e filho de pais trouxas.

As coisas foram rápidas demais?


Cap. 2: Ataque no banheiro e uma declaração inesperada

— O que você pensou que estava fazendo! — Snape estava visivelmente irritado.

— Eu precisava testar o feitiço. — o loiro disse sem se preocupar ao seguir até uma das cadeiras em frente à mesa do professor e sentar. — Eu não podia testar em mim mesmo, não é? E aquele idiota, sangue ruim do McCann, apareceu na hora certa e eu o usei como cobaia.

Snape fechou a porta da sala com força e o estrondo ecoou por toda a masmorra. O professor de poções andou até o loiro parando a sua frente e se segurando para não pegar o garoto pelas vestes.

— Você foi irresponsável. Usando um feitiço que criou dentro de Hogwarts sem saber seus efeitos. — falou. — Pensou no que aconteceria se Umbridge te pegasse? Pensou nas consequências dos seus atos? Imaginou o que aconteceria se o garoto morresse? Nunca mais faça uma coisa dessas. Ouviu, Malfoy?

— Sim, senhor. — respondeu revirando os olhos. — Só me chamou aqui por isso? — perguntou. — Já basta o que tenho que ouvir do meu pai. — resmungou insatisfeito.

Snape ouviu, mas ignorou o que o loiro resmungou por último.

— Não. — Snape sentou em sua cadeira depois de respirar fundo para se acalmar. — Temos outros assuntos mais urgentes para tratar. — Draco era sua responsabilidade dentro do castelo. Narcisa confiava a segurança do único filho a si, mas o garoto não ajudava. Estava sempre aprontando e ele tinha que encobrir as coisas para evitar que Lucius descobrisse.

— O que é agora? O que aquele lunático quer? — indagou.

Snape tirou um pergaminho selado da gaveta da mesa e entregou para Draco.

— Não é do seu pai, é da sua mãe.

— O que é? — questionou ao pegá-lo e girá-lo entre os dedos.

— Não sei. Apenas você pode abrir. — respondeu. — Mas deixe para abrir no dormitório. — aconselhou.

— Mais alguma coisa?

— O Lord...

Snape passou a falar sobre coisas que Draco daria qualquer coisa para não saber. Mas graças ao seu pai tinha que ouvir e fazer as vontades de um bruxo maluco que tinha como hobby torturar e matar quem não fazia o que ele queria. Essa era sua sina por ter nascido como um Malfoy.


Hermione e Rony estranharam quando Harry não voltou.

— Onde ele está?

O ruivo tentava encontrar o moreno entre os outros alunos que seguiam pelo corredor.

— Parece que ele ainda está na sala da Umbridge. — Hermione falou.

— Não é melhor ir procurar por ele. — Rony sugeriu.

Hermione pensou e decidiu que, sim, era uma boa idéia ir procurar por Harry. Do jeito que estava era perigoso para Harry andar sozinho. Saíram correndo por entre os alunos na direção da sala da Umbridge e quando chegaram lá, encontraram a mulher saindo da sala. Os dois pararam de correr e se esconderam antes de serem vistos por ela.

— E o Harry? — Rony indagou em tom baixo.

— Se ele não está aqui, deve estar em algum lugar. Vamos ter que procurar. — puxou o ruivo pela mão. — Vamos olhar nos banheiros primeiro e depois podemos ver nas passagens secretas...

Hermione foi listando os lugares que deveriam procurar. O primeiro era o banheiro feminino daquele andar.

— Harry? — chamou ao entrar no banheiro, Rony ficou do lado de fora barrando a entrada de qualquer garota. Hermione ouviu os soluços vindo do último reservado e caminhou até parar na frente da porta. — Harry?

No fim, não foi preciso procurarem em outros lugares. Hermione empurrou a porta que se abriu revelando o moreno sentado sobre o vaso sanitário. Ele abraçava a mochila com força e estava chorando. Hermione percebeu que ele estava vestindo o uniforme feminino e suas características estavam mais femininas agora. Harry com certeza estava fazendo uso de algum tipo de feitiço para ter uma aparência mais masculina antes.

— Oh, Harry. — ela se ajoelhou no chão e segurou suas mãos. — Eu… o que... Ela não pode fazer isso. — levou uma das mãos ao rosto do amigo e limpou as lágrimas, mas outras seguiam aquelas. — Vamos falar com Dumbledore?

— Não. — negou. Respirou fundo e limpou o rosto. — Ele tem coisas mais importantes com o que se preocupar.

— Mas Harry… — tentou mais uma vez.

— Não, Hermione. — a cortou. — É só uma roupa.

— Mas você não está confortável usando-a e não deveria ser obrigado a usá-las. — ela tocou o rosto molhado de lágrimas. — E já deixou passar da outra vez. — o polegar acariciou as costas da mão esquerda de Harry, onde ainda estava as marcas do castigo anterior. — Dumbledore precisa saber.

— São apenas roupas, Hermione. — repetiu puxando a mão com as marcas do castigo que recebeu de Umbridge uns dias antes. — Elas não me fazem menos homem.

Hermione ouviu sem falar nada, mas podia ver nos olhos verdes que usar aquela roupa não era confortável para o amigo e o fazia se sentir humilhado.

— Só... — abriu a mochila e tirou lá de dentro uma faixa. — ...me ajude a colocar isso. — pediu. Não estava em condições de fazer sozinho.

— Certo. — concordou.

Harry tirou a parte de cima do uniforme e Hermione viu as marcas de onde a faixa apertava. Também tinha as cicatrizes e feridas recentes nos seios.

— O que é isso, Harry? — tocou o local o que fez Harry a olhar assustado. A garota estava preocupada com ele.

— Nada. — mentiu e cobriu os seios com os braços.

— Harry, você está se…

— Não. — negou, mesmo que fosse óbvio que a garota não ia acreditar. — Só me ajude.

— Você tem que parar com isso, Harry.

— Hermione...

A garota respirou fundo, talvez fosse melhor contar para Madame Pomfrey.

— Temos que dar um jeito nisso.

Com a faixa escondendo os seios, Harry ajeitou as roupas e saiu do banheiro junto com Hermione e deram de cara com o corredor cheio de alunos. O horário do café já tinha terminado e agora estavam indo para suas aulas. Todos olharam para Harry quando a porta do banheiro se fechou às suas costas fazendo um barulho alto. O falatório logo mudou seu foco. Harry, mais uma vez era o centro das conversas, nada fora do normal. Hermione segurou na mão de Harry e guiou o amigo entre os alunos até a primeira aula do trio.


— ...Harriet. — os três estavam no salão comunal da grifinória sentados em frente à lareira fazendo os deveres. Todos os outros já tinham ido dormir.

— O quê? — Rony ergueu a cabeça, ele estava concentrado no livro que lia e só ouviu o final do que Harry falou. Hermione desconfiava que era um livro sobre quadribol que Rony estava lendo.

— Meu nome é Harriet . — repetiu sem tirar os olhos do pergaminho com o dever de poções. — Foi o nome que meus pais me deram quando nasci, mas apenas meus tios me chamam assim. — ele finalmente olhou para Hermione. — Vocês acham que eles… os meus pais… estão decepcionados ou magoados comigo? Acham que eles iam me aceitar?

— Por qual motivo está pensando isso Harry? — foi Hermione quem perguntou. Ela deixou os pergaminhos e pena sobre a mesa e foi se sentar ao lado do garoto no sofá. Os olhos verdes prenderam-se nos dela.

— É o que meus tios dizem. Eles adoram falar o quanto eu sou uma decepção. — apertou o pergaminho que segurava. Os outros dois resolveram que era melhor deixar Harry falar e apenas ouvirem. — Quando era criança, eu sempre me senti diferente das outras meninas da escola e não entendia o motivo. Enquanto elas gostavam de usar as maquiagens das mães, eu não via nada de interessante, elas usavam vestidos, eu sempre usei as roupas velhas do meu primo e me sentia bem, mas quando tinha que usar o uniforme da escola eu odiava por ser uma saia. No começo eu achei que era apenas por estar acostumado a usar as roupas do Duda em casa. Meus tios não se importavam comigo, não ligavam para minhas roupas e já me chamavam de estranho, minha tia às vezes dizia que eu tinha que me comportar como uma menina e não envergonhá-los. Eu tentei, juro que tentei, mas não conseguia ser a garota perfeita que eles queriam. Assim os dias passaram e conforme crescia eu passei a compreender algumas coisas sobre mim. Eu percebi que me identificava melhor com os garotos, enquanto as garotas gostavam de usar vestidos rosas e cheios de babados e brilho, cabelos longos e presilhas e ficavam felizes quando os seios cresciam. Eu odiei e passei a escondê-los com uma faixa, preferia usar uma calça jeans e camiseta que eram do meu primo e gostava do meu cabelo curto e parecendo um ninho de rato como minha tia cortava para dar menos trabalho. — Hermione e Rony tiveram que rir nessa parte fazendo Harry dar um pequeno sorriso junto. — Na escola as outras crianças não me entendiam e me evitavam, insultavam, agrediam. Os garotos não brincavam comigo por eu ser uma garota e as meninas por eu simplesmente não gostar de boneca. Os professores se recusaram a me chamar de Harry quando pedi e chamaram meus tios na escola. Eu apanhei e fiquei de castigo sem comer por uma semana. Quando fiz dez anos tudo piorou. Duda aprendeu palavras novas com as quais me insultar. Boiola, bixa, viado entre outros insultos. Eu não sabia o significado de algumas palavras, mas não gostava de ser chamado assim. Minha vida virou um inferno. Mas quando Hagrid apareceu me apresentando o mundo bruxo eu pude ser eu mesmo já que todos pareciam me conhecer como Harry... Harry James Potter, o nome que eu escolhi. Até ontem, pelo menos.

— Como ninguém sabia que os Potter tiveram uma menina? — Rony expôs sua dúvida. — Sempre que ouvi falar de você, era como Harry Potter, o menino-que-sobreviveu. — deu ênfase na palavra menino.

— Dumbledore deve ser responsável por isso já que todos, incluindo os professores, ficaram surpresos quando McCann espalhou por toda a escola que Harry era mulher. — Hermione respondeu pensativa. — E, Harry, eu tenho certeza que seus pais te amam e sentem orgulho de você. Você já fez tanta coisa que poucos conseguem ou tem coragem. Você enfrentou você-sabe-quem quatro vezes e está vivo e nunca desistiu de ser você mesmo.

— Eu menti por todo esse tempo para vocês. — as lágrimas que segurava escorreram por seu rosto. — Vocês são meus amigos e eu devia ter contado.

— Você não estava mentindo, Harry. — ela disse ao segurar as mãos do moreno. — Você estava sendo você mesmo e isso não é uma mentira, ninguém pode julgá-lo por isso. Para mim você é Harry Potter, um menino de 15 anos, com cabelos rebeldes e lindos olhos verdes e um amigo leal. O garoto que, junto com o amigo, me salvou de um trasgo no primeiro ano sem se importar com as consequências. Esse é o meu melhor amigo e nada pode mudar isso.

— Mione está certa, Harry. — concordou Rony.

— Obrigado. — passou a mão nas bochechas limpando as lágrimas. Sorriu. — Obrigado por me aceitarem.

— Não precisa agradecer por isso, Harry. — Rony respondeu. — Somos seus amigos e o queremos feliz.

— Certo. Agora vamos terminar nossos deveres. E Rony pare de ler o livro de quadribol e vá fazer o trabalho de poções. — mandou Hermione.

Rony revirou os olhos e fechou o livro que estava lendo minutos antes para pegar o de poções. Harry riu. Só Hermione para mudar completamente de assunto assim.

— Eu já terminei. — Harry disse erguendo os pés sobre o sofá e abraçando as pernas enquanto apoiava o queixo nos joelhos.

— Deixa eu ver. — Hermione pegou os vários pergaminhos que estavam na mesinha em frente ao sofá.

— Eu vou deixar para terminar amanhã. — declarou Rony ao bocejar pela quinta vez seguida. — Boa noite, Mione. Vamos, Harry? — pegou suas coisas e levantou, mas parou ao perceber que o amigo não se mexeu. — Harry?

— Ele não pode mais ir para o dormitório masculino. — Hermione informou. — Umbridge o mudou para o feminino.

— Aquela Sapa velha… — o ruivo disse com raiva. — Ela não pode fazer isso! Harry sempre ficou no dormitório masculino e nunca foi um problema.

— Agora é diferente. — Harry falou. — Todos sabem que sou trans. Os outros não ficariam à vontade comigo no quarto.

— E daí? Isso não muda nada. Vou falar com os outros...

— Esquece isso, Rony. — Harry se levantou. — Vamos Mione. — pegou suas coisas e seguiu para o dormitório feminino.

— Boa noite.


Draco entrou em seu quarto, jogou a mochila sobre a cama e sentou. Do bolso tirou o pergaminho que Snape lhe deu naquela manhã, o selo de sua família estava ali. Pegou a varinha tocando o selo e o rompendo e ao abri-lo não tinha nada escrito. Girou o papel entre os dedos e não tinha nada, nem mesmo alguma indicação do que fazer, tocou o papel com a ponta dos dedos pensando que a mãe talvez tivesse mandado o pergaminho errado. Mas uma lembrança de quando era criança da mãe lhe ensinando uma maneira de se comunicarem sem que Lucius desconfiasse mostrou-lhe o que fazer. Olhou para o pergaminho em branco mais uma vez. Sorriu. Correu até a escrivaninha e sentou colocando o pergaminho sobre a superfície de madeira. Se estivesse certo só ele e sua mãe poderiam ver o que estava escrito. Foi até seu malão e procurou entre suas coisas até encontrar a pena feita especialmente para aquilo. Voltou a escrivaninha e furou o próprio dedo e molhou a pena em seu sangue.

[Mamãe.]

(Draco?)

As palavras se formaram em vermelho sangue por segundos e sumiu. Sua mãe estava certa em desconfiar.

[Sim.]

Respondeu rápido e a mesma coisa de antes aconteceu. As palavras sumiram.

(Prove!)

Draco pensou um pouco. Tinha que ser uma coisa que apenas ele e a mãe sabiam.

[A senhora me levou em um parque trouxa quando eu tinha sete anos e eu machuquei meu braço.]

Draco riu ao lembrar desse dia. Ele nunca tinha desobedecido uma ordem de seu pai, fazia tudo conforme às vontades do pai, mas ver todas aquelas crianças se divertindo no parque de diversões o deixou com inveja. Também queria brincar. Tudo bem que era um parque trouxa, mas ele queria ir, queria uma vez na vida se divertir. O problema foi quando pediu ao pai, Lucius negou no mesmo instante e ainda colocou o filho de castigo e falou um monte de coisas ruins sobre os trouxas. Narcissa que nunca gostou da forma que o marido educava o filho, ensinando-lhe muitas coisas erradas, esperou Lucius sair de casa para trabalhar e tirou o filho do castigo. Mãe e filho passaram o dia se divertindo no parque de diversões trouxa, foram em vários brinquedos, jogaram jogos, e ganharam alguns prêmios que tiveram que dar um fim antes de voltarem para casa. Mas no final Draco se machucou e Narcissa teve que mentir para o marido que nunca descobriu a verdade.

(Draco. Meu filho, você está sozinho?)

[Sim. A senhora precisa de alguma coisa? Está tudo bem na mansão? O Lord fez alguma coisa?]

(Estou bem, Draco. Só… eu fiquei sabendo de umas coisas que estão acontecendo aí, e acho que já está na hora de te contar um segredo que venho guardando há anos?)

[Do que a senhora está falando, mãe. Que segredo é esse?]

Draco ficou olhando para o pergaminho esperando pela resposta que demorou a vir.

(Quando me casei com seu pai eu descobri que a família Malfoy não era puro sangue como gostavam de dizer. Seu pai me fez prometer nunca te contar sobre isso, mas não posso guardar mais esse segredo meu filho, especialmente depois do que Severus me contou.)

[Mãe…?]

(No passado um ancestral da família se casou com uma veela, o que explica os característicos cabelos quase brancos dos malfoys e a beleza, mas com o passar dos anos o sangue veela foi enfraquecendo, e talvez no futuro suma por completo. Mas o problema é que você é meio-veela, Draco, e essa herança é tão forte em você, que parece que já encontrou seu companheiro de alma. Só peço que tenha muito cuidado, Draco em quem confia. Se isso chegar aos ouvidos de você-sabe-quem não quero nem imaginar o que vai acontecer com você. Seu pai, pode não demonstrar, mas também está preocupado com isso. Depois que você nasceu ele fez de tudo para esconder sua herança veela e graças a isso ninguém desconfiou.)

Draco ficou olhando para o pergaminho depois que o que sua mãe escreveu sumiu. Não sabia o que falar sobre aquilo. Lembrava de algumas poções que seu pai o obrigava a tomar quando era pequeno, mas nunca se questionou para o que serviam.

(Seu pai está vindo. Eu te amo, Draco. Conversamos quando você estiver em casa. Prometo que explicarei tudo.)

(Queime esse pergaminho.)

Foram as últimas palavras que apareceram. Draco, fez como a mãe mandou, queimou o pergaminho.


Dias passaram e Harry sempre ouvia insultos e agora ele evitava entrar no banheiro masculino, e no feminino quando tinha mais garotas que o esperado lá dentro. Por incrível que pareça os Sonserinos eram os únicos de quem Harry não ouvia nada, talvez isso se devesse ao fato que todos da Sonserina eram bruxos sangue puro e quase não se misturavam com as outras casas. O problema eram aqueles nascidos trouxas que cresceram com o preconceito. Claro que as provocações de antes ainda existiam, mas era apenas isso, as provocações de sempre que Harry já estava mais do que acostumado vindo dos Sonserinos.

Malfoy sempre dava um jeito de o provocar ainda mais que antes e só ficava satisfeito ao ver Harry ficar sem palavras e corar. Já as outras casas estavam tornando a vida de Harry um inferno ajudados por Umbridge que fingia não ver o que estava acontecendo. Aqueles que eram filhos de trouxas eram os piores. E McCann era o pior de todos, sempre o insultando e várias vezes tinha escapado de receber uma azaração ou uma surra graças a algum grifinório que estava por perto ou até mesmo por Luna. Claro que sabia se defender sozinho, mas eram sempre cinco ou mais que o cercavam sendo a maioria do último ano mais experientes que ele em feitiços.

Naquela manhã de sexta feira parecia tudo calmo demais e Harry estava estranhando que ninguém fez nada contra ele. Mas Harry, Hermione e Rony estavam sempre atentos. O problema era que nem todas as suas aulas eram juntas e Harry ficava sozinho. Como no momento. Após sair da sala de aula, Harry entrou no banheiro feminino que estava vazio e foi até um dos reservados. Por estar silencioso ouviu quando a porta do banheiro foi aberta e fechada quando alguém entrou, ouviu os passos e a pessoa parou na frente da porta onde Harry estava. Harry teve um mau pressentimento.

— Hermione? — perguntou esperando ser a amiga.

— Não, não é sua amiguinha, Potter.

Harry sentiu um calafrio ao ouvir a voz de McCann.

— Mc-McCann! — gaguejou. Seu coração batia forte, desesperado.

McCann sorriu, continuou.

— Nesse momento sua amiguinha deve estar na sala de aula junto com o Weasley. O que significa que ninguém vem o ajudar.

Engoliu em seco pensando em como escapar.

— O que você quer?

— Conversar. Por isso, saia daí. — mandou. — Ou prefere que eu entre aí?

— Conversar sobre o quê? — pegou sua varinha.

— Eu só quero te mostrar algumas coisas interessantes. — disse. — Vamos lá, Harriet, não tenha medo. Você vai gostar. Sai daí pra gente conversar.

Harry podia notar o deboche na voz do outro.

— Não me chame assim! — gritou irritado. Odiava ser chamado por seu nome feminino.

— Mas esse é seu nome, não é? — indagou sarcástico.

— Não! Meu nome é Harry. — abriu a porta apontando a varinha para o peito de McCann que foi mais rápido ao pronunciar o feitiço.

— Expelliarmus!

A varinha de Harry voou longe.

— Agora podemos conversar, senhorita. — sorriu de forma maliciosa.

— E quem disse que quero ter qualquer tipo de conversa com você? — rosnou com raiva.

— Eu não dei opção, Potter. Eu quero te fazer ver que é uma mulher. Quero mostrar que você não é um homem. — falou fazendo Harry sentiu nojo. — Vamos lá Potter. Eu tenho certeza que você vai gostar e vai parar com essa história de ser homem. — McCann sorriu. — Tenho certeza que assim que sentir um pau…

— CALA BOCA SEU NOJENTO! — Harry gritou. Ele fechou as mãos com força para o outro não notar que estava tremendo.

McCann avançou contra Harry que pensando rápido, socou o nariz do outro e fechou a porta do reservado. Tendo um primo como Duda, Harry precisou aprender a se defender, e ser ágil em certos momentos, mesmo que no fim acabasse apanhando ainda mais. Mas Duda, mesmo sempre querendo bater em si, nunca chegou a esse ponto.

— Desgraçada! — a porta virou um monte de pedaços de madeira no chão com o feitiço lançado por McCann. Harry se encolheu ao lado do vaso sanitário usando os braços para se proteger dos pedaços de madeira. — Não tem para onde fugir e não adianta gritar que ninguém vai ouvir. Hoje vamos nos divertir um pouco, Potter.

McCann pegou Harry pelos cabelos e o jogou em frente às pias. Harry se levantou encarando McCann nos olhos. Sua varinha não estava à vista.

— Eu tenho nojo de pessoas como você. — Harry falou com raiva.

— Nojo? — McCann inclinou a cabeça, gargalhou como um louco, o sangue escorrendo de seu nariz. — Nojo tenho eu de pessoas como você, Potter. — cuspiu no chão e usou a manga da roupa para limpar o sangue que escorria do nariz. — Onde já se viu essa pouca vergonha! Homem com homem, mulher com mulher, e você… — apontou para Harry com a varinha. — Você é mulher, mas quer ser homem. Isso é errado! Nojento! Pessoas como você não podem existir... Por isso eu vou…

— O que eu fiz pra você, McCann? — questionou, interrompendo a fala do mais velho.

— Nada. — deu de ombros. — Você existir me incomoda. E por sua causa estou assim. — indicou o rosto cheio de cicatrizes. — E chegou a hora de pagar por isso.

— Não fui eu que fiz isso com você!

— NÃO IMPORTA! — gritou. — A CULPA FOI SUA! SE VOCÊ NÃO EXISTISSE, SE VOCÊ NÃO INSISTISSE EM SER O QUE NÃO É NADA DISSO ESTARIA ACONTECENDO!

Harry estava ficando cada vez mais assustado com McCann. O garoto estava fora de si e isso era muito perigoso, especialmente por não ter sua varinha para se proteger.

— McCann...

Harry foi rápido ao se jogar para o lado para desviar do feitiço que atingiu o espelho e se encolher no chão. McCann se abaixou para se proteger dos estilhaços também, já que alguns pedaços caíram sobre seu corpo. Harry deitado no chão viu sua varinha embaixo das pias mais ao canto, sem tempo para pensar direito no que fazer ou se ia se machucar, rolou sobre os cacos de vidro e pegou a varinha lançando o feitiço.

— Estupefaça!

Ao mesmo tempo que McCann lançava:

— Expelliarmus!

Com a força do feitiço de Harry sendo maior, McCann voou para longe, bateu na parede e caiu, aparentemente, desacordado no chão, sua varinha caiu do outro lado. Harry respirou fundo, se levantou e se aproximou do garoto mais velho se abaixando ao seu lado. Com medo do outro estar machucado resolveu verificar, mas assim que levou a mão até ele, McCann agarrou a manga de sua roupa o puxando e rasgando o pano, jogou Harry no chão e se colocou por cima do corpo menor. Com um sorriso, segurou seus braços o que resultou num corte quando ele pressionou-os sobre os pedaços do espelho.

— ME SOLTA! — Harry gritou se debatendo, mas foi inútil, McCann era mais forte.

— Eu vou adorar fazer isso. — disse se deitando completamente sobre Harry que gritou mais alto. — Já disse que não adianta gritar.

Segurou os dois pulsos de Harry com apenas uma das mãos enquanto puxava e estourava os botões da camisa de Harry abrindo-a. Harry não parava quieto e isso dificultou as coisas para o mais velho que afrouxou o aperto nos pulsos de Harry, foi o suficiente para que ele conseguisse soltar um dos braços e acertar outro soco no maior. McCann caiu para o lado e Harry levantou, machucou as palmas das mãos ao se apoiar no chão, escorregou nos cacos, mas conseguiu sair correndo do banheiro. Só parou de correr quando já estava bem longe. Se apoiou na parede tentando se acalmar, lágrimas já desciam por seu rosto, tremia, seu coração batia acelerado dentro do peito. Tentou limpa-las, mas sua mão doeu.

— Potter, Potter, Potter. — Harry se virou assustado ao ouvir a voz de Draco. — Não aprende mesmo, não é? — ele disse se aproximando e Harry se encostou na parede assustado, com medo do que poderia acontecer. — Sabe que não pode andar sozinho por aí. Onde estão seus amigos?

O olhar de Draco percorreu todo o corpo de Harry, reparando nas roupas amarrotadas, na camisa aberta deixando o tórax do moreno à mostra, nas lágrimas molhando o rosto, nos ferimentos nas mãos e parando na manga rasgada da blusa que ele usava. Sangue pingou no chão.

— Está machucado? — preocupação era visível no rosto de Draco. — Quem fez isso? Porque está chorando?

O loiro tentou se aproximar, mas percebeu o temor e medo do outro.

— Não é da sua conta! — respondeu ocultando o braço atrás do corpo e fechando a camisa com a outra mão. Seu tom de voz era raivoso.

Os olhos cinzentos se prenderam aos verdes e Draco acabou com a distância entre eles ignorando o medo do outro. Harry arregalou os olhos, o loiro estava perto demais e temeu que Draco pudesse tentar o machucar de qualquer forma.

— Me diz quem foi o responsável por isso, Potter?

— Por quê?

— Que eu irei matar. — respondeu vendo os olhos verdes se arregalarem.

— Vo-você não pode... — balançou a cabeça.

— Eu faço o que eu quiser. — ergueu a mão tocando na bochecha do outro com carinho. — E não gosto que toquem no que é meu, sabe Potter. — disse, os olhos percorrendo o rosto do moreno. — E nesses últimos dias estou azarando qualquer um que te olhe.

— Não pedi para que fizesse isso!

— Não. Mas como acabei de dizer, Potter. — passou a ponta do dedo no queixo de Harry. — Não gosto que toquem no que é meu.

Harry engasgou ao finalmente entender as palavras do loiro.

— E-eu não sou seu, Malfoy!

Draco apoiou uma mão na parede ao lado da cabeça de Potter e com a outra mão tocou em seu rosto. Aproximou os rostos o bastante para que sentissem a respiração um do outro.

— Eu sempre gostei de você testa-rachada. Sempre tentei chamar sua atenção depois de ser rejeitado quando tinha onze anos. — confessou. — Naquele tempo eu ainda não entendia o que sentia por você, pensava que era só admiração por quem você era, mas agora eu sei muito bem o que sinto... e não é raiva. — inclinou a cabeça um pouco. — E tenha a certeza que vou matar a pessoa que se atreveu a fazer isso com você.

— Você ouviu o que estão falando sobre mim? — indagou sem saber o que fazer ao ter Draco Malfoy se declarando para si daquela forma.

— Eu não ligo para isso Potter. Já cansei de fazer as coisas segundo as vontades de outras pessoas. — disse e viu o outro franzir as sobrancelhas com sua fala. — E decidi que de agora em diante farei apenas o que eu quero, e eu quero você.

— Co-como assim?

— Potter, você é lerdo. — comentou.

Draco olhou para a boca de Harry e só não o beijou por que vozes foram ouvidas e ele se afastou. Harry continuou encostado na parede olhando para as costas do loiro que seguia para a aula de defesa contra as artes das trevas. Harry respirou fundo e logo Rony e Hermione se aproximaram.

— Meu Deus! Harry, o que aconteceu? — Hermione correu até o amigo preocupada. — Quem fez isso?

— Estou bem. — assegurou, mesmo que fosse mentira. Ergueu a mão para esfregar o rosto esquecendo do ferimento. Gemeu de dor.

— O que é isso, Harry? — Hermione segurou seu braço puxando a manga da blusa e revelando o corte no braço. — Você não está bem! Tem que ir para a ala hospitalar, agora!

— Não é nada demais, Mione. — puxou o braço sendo até um pouco rude no gesto.

— Alguém fez isso? — Hermione questionou. — Nos diga, Harry. Quem foi?

— Não. — mentiu.

— Não minta para seus amigos. — ela insistiu ao cruzar os braços. — Eu quero a verdade.

Harry abaixou a cabeça esquecendo o que tinha acabado de se passar com Draco.

— Eu estava no banheiro quando McCann apareceu. Ele… ele disse que eu ia pagar pelo que aconteceu com ele, pela humilhação que passou... Que ia… que ia me fazer voltar a ser mulher. — Harry escorregou na parede até estar sentado no chão. — Ele tirou minha varinha e tentou me… mas ele estava sozinho e eu consegui fugir.

Hermione abraçou o moreno e deixou ele chorar em seu ombro.

— Aquele desgraçado! — Rony falou. — Eu vou…

— Ele é meu!

Os três se assustaram com a voz de Draco. O loiro se aproximou, os braços cruzados e os olhos mergulhados em pura raiva.

— Ma-Malfoy!

— Você ouviu nossa conversa? — Rony perguntou escondendo a surpresa em um tom de raiva.

Continua...