Há momentos na vida em que temos que tomar decisões, algumas são extremamente fáceis, outras difíceis a um ponto desesperador, mas ambos os tipos tem consequências. Demetria jamais se arrependera tanto de uma decisão quanto da que fez no dia em que conheceu Marie, não conseguia parar de pensar em como as coisas poderiam ter sido diferentes se não tivesse sido tão medrosa e não conseguia evitar a confusão que sua mente ficava pelo simples pensamento de encontrar a mulher dos olhos brilhantes novamente. Culpava-se por não ter tido coragem o suficiente. Sempre achou mais fácil fugir quando já não tivesse controle da situação, por isso que seus poucos relacionamentos não duraram muito tempo.

Desde o dia na boate a Lovato do meio se pegou observando as estrelas mais vezes, talvez porque as lembrasse dos olhos brilhantes de Marie. Ela queria vê-la novamente, mas já fazia duas semanas que ia à mesma boate na esperança de encontrá-la e consertar as coisas. Talvez ela não fora feita para o amor, se lamentava muitas vezes para Dallas por telefone, afinal a Lovato mais velha estava em turnê com a cantora famosa que Demi continuava sem se importar com o nome. Isso é um sinal de que as coisas não mudaram tanto quanto imaginara, Marie não conseguiu virar seu mundo todo de pernas para o ar ainda.

Parecia uma espécie de rotina, Demi odiava rotinas, a não ser a da faculdade, a qual era obrigada a frequentar e seguir horários como qualquer pessoa. Já tinha superado o fato de que não era uma pessoa normal. Pessoas normais, em sua opinião, não acordariam e dormiriam pensando na mesma pessoa, e o pior, uma pessoa que sabia praticamente nada sobre.

As sensações eram devastadoras, tudo aquilo era muito novo para a jovem mulher e até mesmo para as irmãs que jamais tinham visto Demetria ter qualquer tipo de sentimento por alguém, principalmente por uma pessoa tão aleatória, assim pensavam as irmãs. A filha do meio parecia ainda mais perdida que o normal, as barreiras estavam caindo, e ela não podia se sentir nada mais nada menos do que uma pessoa fraca. Fraca por se deixar pensar em alguém que nunca mais veria, e ainda mais fraca por ter esperanças de reencontrá-la e aceitar a felicidade, talvez Marie fosse o que esperava, a luz no fim do túnel, a pessoa que a tiraria do fundo do poço.

- Sabe que vai encontrá-la ainda não é? – foi tirada de seus pensamentos por Taylor a seu lado. Quase tinha se esquecido da presença da melhor amiga.

- Não acredito em casualidades do destino, você sabe disso.

- Se ao menos dissesse algo sobre ela, o nome, eu poderia ajudar! – a amiga não aguentava mais ver Demetria daquela forma, sua melhor amiga era frágil, mas ela parecia completamente destruída com toda aquela situação. Isso tudo era incomum, nunca viu a jovem Lovato abalada daquela forma, a história não estava completa.

- Eu não quero dizer nada sobre ela, quero esquecê-la – disse séria.

- Como você pretende esquecê-la? Você é cega ou não quer perceber que você gosta dela? – a Swift quase gritava, não podia deixar a amiga daquela forma.

- Eu não quero pensar nela, eu não quero que seja real você não entende isso? Se eu pensar que gosto dela vai ser pior, eu não quero sofrer por uma pessoa que eu mal sei o nome! Eu não quero lembrar da porra dos olhos dela e muito menos do gosto dos lábios dela, ela não vai voltar, ela não se importa, coloca isso na sua cabeça de uma vez por todas! – gritou irritada com a atitude da amiga, Taylor costumava ser compreensiva.

- Você... você beijou ela? – perguntou a amiga desorientada. Demetria assentiu nervosa, não queria que ninguém soubesse desse detalhe.

- Por que não me contou? Meu Deus isso muda tudo! – Taylor colocou a mão esquerda na testa andando de um lado para o outro no quarto.

- Como assim?

- Demetria eu achava impossível você gostar de alguém só por ter conversado por poucos minutos, mas você ainda ter beijado ela? Isso muda meus conceitos entende? Você sabe como você é, você é estranha, prefere ficar sozinha, teve tipo uns dois relacionamentos sérios, fora essa loucura que você tem com a Hanna – suspirou tentando focar no rumo em que queria chegar, não queria deixar Demi ainda mais irritada – isso é muito novo pra você, assim como é pra mim e eu não quero que você sofra. Eu não ia aguentar ter que ver o seu sofrimento.

A Lovato não tinha nada para dizer, apenas observou a melhor amiga pegar suas coisas e a abraçar saindo logo em seguida. Taylor sabia que Demetria precisava de espaço, precisava começar a lidar com seus problemas, não poderia mais proteger a garota a quem considerava irmã.

Jogou-se na cama macia após a saída da melhor amiga, não sabia o que fazer sobre toda essa situação, a única coisa em que conseguiu pensar foi naquela noite.

"Não conseguia encontrar nem Dallas nem Madison no meio de toda aquela multidão, perguntava-se como a boate lotou tão rápido. Adentrou ainda mais a multidão, porém nem sinal de nenhuma das irmãs. Demetria já estava irritada, tudo o que mais queria era ir embora daquele lugar.

A Lovato do meio sentiu seu braço ser agarrado no meio da multidão e foi forçada a parar e virar-se para dizer umas boas palavras para a pessoa. Porém quando se virou teve uma surpresa, era ela, a razão de toda a pressa para ir embora.

- Está fugindo de quem? – parecia querer confirmar se era dela mesmo que Demi estava fugindo. A futura médica simplesmente não conseguiu se mover, não conseguia em nenhuma resposta e se pegou desejando não ter entristecido Marie.

Começou a ser guiada pela mulher até as escadas no final do salão e poucos minutos depois se viu no telhado da boate, a desconhecida ao seu lado e o silêncio a incomodava pela primeira vez.

- Por que está fugindo de mim? – fitou Marie se perdendo em seus olhos. Ela estava próxima e isso deixava a jovem nervosa, seu rosto parcialmente escondido pelo luar, porém familiar, a deixava ainda mais bela aos olhos de Demetria.

- Eu não sei – sussurrou nervosa. Ela sabia que logo suas barreiras cairiam, não queria ficar sozinha, estava cansada da solidão, porém não sabia o que fazer e Marie simplesmente lhe dava a sensação de proteção, se sentia segura apenas olhando nos olhos brilhantes.

Quando voltou a olhá-la percebeu o quão próxima estava e parecia que Marie tinha percebido, pois colocou uma de suas mãos na bochecha direita da jovem e sussurrou:

- Eu não vou te machucar e nem fazer nada que você não queira mesmo querendo muito te beijar agora – Demetria assentiu e a mulher pareceu entender, pois logo seus lábios estavam colados.

A sensação era diferente e sensacional ao mesmo tempo, os lábios se moviam em perfeita sincronia em um beijo simples e delicado, parecia um daqueles filmes clichês, simplesmente perfeito. Logo se afastaram e a futura médica percebeu que pela primeira vez tinha fechado os olhos. Passou sua mão esquerda na bochecha esquerda da mulher acariciando lentamente, juntou os lábios novamente, colocou as mãos na cintura de Marie enquanto a mesma colocou os braços em volta do pescoço da jovem, acabaram batendo na parede o que fez com que se separassem poucos segundos depois. Encostaram as testas e o olhar da mulher parecia queimar Demetria de tão profundo que era.

Desencostaram-se e a estudante pegou a mão direita de Marie a guiando até a ponta do telhado da boate onde se apoiaram ambas em um vão enquanto observavam o céu silenciosamente.

- Olhe para as estrelas, elas não estão magníficas hoje? – perguntou enquanto envolvia seus braços ao redor da irmã do meio. Logo depois apoiou o queixo no ombro direito da jovem. A posição era confortável, e para a Lovato uma coisa completamente nova, boa.

- É estranho estar assim agora – deu voz aos seus pensamentos.

- Pois é, quem diria que invés de estar na boate dançando eu estaria aqui com uma bela moça admirando as estrelas – brincou arrancando leves risadas da futura médica.

- Você é engraçada – comentou a Lovato, a mulher apenas riu fraco.

- Então, quando nos veremos novamente? – perguntou calmamente. A futura médica se virou ainda nos braços de Marie e a olhou no fundo dos olhos, ela sabia que assim a mulher que a segurava entenderia, e ela entendeu – não haverá uma próxima vez não é? – balançou a cabeça em sinal de não e a mulher suspirou assentindo.

Soltaram-se lentamente e quando Demetria se virou para ir embora seu braço foi segurado novamente:

- Leve isso com você – colocou um pequeno pedaço de papel na mão esquerda da jovem – assim você saberá quem sou eu – se aproximou e selou os lábios rapidamente a abraçando logo em seguida.

Com isso partiu, deixando para trás a bela visão de Marie admirando as estrelas, sozinha."

A noite era clara em sua mente assim como o gosto dos doces lábios de Marie em sua boca. Segurou o pequeno pedaço de papel mais uma vez lendo a frase escrita na caligrafia delicada:

"Break down the walls let heaven in".