Disclaimer: A história pertence a Emma Darcy, Harlequin Books e Mills & Boon Books. Os personagens são de Ryan Murphy e Fox.
Sinopse: O poderoso magnata da televisão Jesse St. James não é um homem que joga para perder. Tudo que tem seu nome envolvido vira sucesso. E quando a vida pessoal de Rachel Berry, estrela de seu mais novo seriado, é destruída por um escândalo, ele vai usar todas as suas armas para protegê-la.
Enredos de Amor
Adaptação por Unsuspecting Sunday Afternoon
Dois
"O que está acontecendo, Jesse?"
A pergunta foi feita no momento em que ele entrou no Salão Adrenaline; era Santana Lopez, editora da seção de entretenimento de um dos principais jornais, farejando uma reportagem que poderia ter maior valor sensacionalista do que uma sobre uma festa de lançamento e esperando para agarrar a principal fonte dela. Era uma mulher bonita, latina, de rosto fino, cabelos pretos e longos, olhos inquisitivos e uma língua afiadíssima.
"Você sumiu daqui com a Rachel, que estava branca como a parede", ela falou rapidamente, "e voltou sozinho".
"Rachel está descansando", ele afirmou inexpressivamente.
"O que ela tem?"
"Ficou exausta com a festa, respondendo sem parar às pessoas, e não fez uma pausa para comer e beber. Achei que ela precisava de uma dose imediata de açúcar", ele disse com um franzir de testa preocupado.
"Ela tem diabete?"
"Vou conversar agora com a mãe dela sobre sua condição, se me der licença".
Ele deu um passo ao lado, seu olhar já varrendo a multidão atrás da cabeleira negra.
"Isso será um problema para o programa?" Santana perguntou.
Ele respondeu com um sorriso congelante.
"Não. Alguém precisa cuidar melhor dela. Só isso. E vou me certificar de que isto será feito".
Shelby Corcoran fora para um canto do salão, obviamente envolvida em uma acalorada discussão com Finn Hudson e Quinn Fabray. Provavelmente as únicas pessoas que não haviam percebido o retorno dele, que rumava diretamente para onde estavam.
Quinn Fabray era alta e magra, com cabelos loiros lisos que caíam até as omoplatas. Usava um vestido preto que seguia seu estilo pessoal de sempre aparecer em roupas clássicas. Tinha olhos cor verdes, olhos de gato. Jesse via inveja neles quando ela olhava para Rachel. E também desprezo. Como se Rachel fosse burra e não merecesse seu status de estrela.
Quando Rachel olhava para ela, era algo completamente diferente: docemente prestativa, indulgentemente prestativa, feliz em fazer tudo que lhe fosse pedido. A desgraçada duas-caras mostrara sua verdadeira face naquela noite, e Jesse estava ansioso para expulsá-la da vida de Rachel.
Finn Hudson também. Até mais aquele vigarista ordinário e seu dinheiro, conseguido com a enganação, sem sequer se importar com a mulher que o mantinha. Com cabelos pretos arrepiados e olhos pretos, parecia quase um galã de cinema quando jovem, mas seu único talento era manter a boa aparência e se auto-elogiar. A queda está chegando, Jesse prometeu silenciosamente a ele. Quando Finn percebeu sua aproximação, ficou visivelmente alarmado e rapidamente avisou as mulheres.
Estas deram um passo ao lado, abrindo automaticamente espaço para que ele se juntasse ao grupo. A expressão de Quinn continua um misto de medo e beligerância. Decerto sabia que cavara a própria cova como assistente pessoal de Rachel, mas lutaria para sair daquela com uma generosa fatia do dinheiro da atriz graças ao erro cometido por Finn ao engravidá-la. Sem dúvida conseguiria seu sustento durante muito tempo com o acordo de divórcio dele. Da parte dela, a gravidez não fora um erro.
Os lábios de Shelby estavam pressionados, demonstrando raiva em sua expressão. Obviamente estivera calculando o quanto custaria aquela inevitável briga, e não gostara do resultado. Gostaria ainda menos quando ele lhe revelasse o completo desgosto de Rachel quanto à sua dominação.
A tensão no grupo era palpável. Mas Jesse não diria tudo com tantas pessoas observando.
"Sem dúvida estão todos preocupados com Rachel", ele disse, mal conseguindo manter o tom neutro da voz. "Eu a levei para uma suíte particular. Sugiro que me acompanhem para fora daqui a fim de que possamos discutir a situação a sós. Peço que não falem com ninguém no caminho. Vocês não gostarão das conseqüências".
"Você não pode fazer nada comigo", Quinn zombou, desafiadora.
"CALE ESSA BOCA!" Finn disparou.
"Dê-me o braço, Shelby", Jesse ordenou.
Não houve hesitação.
Jesse lançou um olhar gelado ao especialista em vigarices.
"Siga-nos, Finn, e traga sua mulher junto".
A palidez perfeita de Finn já não parecia mais tão perfeita manchada pelo rubor da culpa, mas Jesse não parou para deliciar-se com o efeito. Fez o caminho de volta pelo salão puxando Shelby Corcoran, sua cabeça inclinada em direção à dela em pose de conversa confidencial, murmurando uma série de superficialidades a respeito de ela ter que cuidar melhor de Rachel.
Em questão de minutos já havia retirado os três da festa e os colocado em um elevador rumo ao que eles acreditavam que seria um confronto com Rachel. Ele os conduziu até uma porta onde havia um mordomo de prontidão para deixá-los entrar e entregar o cartão-chave a Jesse, que solicitara aquela segunda suíte enquanto saía da que Rachel ocupava.
Eles entraram, e ele fechou a porta. Shelby foi a primeira a reagir.
"Onde está a Rachel?" Perguntou, suspeitando ter sido levada a um lugar que não lhe oferecia vantagens.
"Onde ela quer estar – fora do alcance de vocês", ele respondeu, percorrendo os três com um olhar de desprezo antes de se dirigir a Shelby. "Como contratou Quinn Fabray para ser assessora pessoal de Rachel, sugiro que a demita agora. Ela não será mais bem-vinda em qualquer lugar perto de Rachel. Entendeu, Shelby?"
Ela assentiu, esperta demais para discutir a contornabilidade da situação.
"Eu jamais trabalharia de novo pra ela", Quinn resmungou, mas Jesse a ignorou.
Seu próximo alvo era Finn.
"Você está demitido da equipe de roteiristas".
"Não pode fazer isso! Tenho um contrato!" Ele protestou.
"Pago a rescisão. Meu advogado entrará em contato com você pra resolver tudo. Considere o contrato encerrado a partir de agora. Não o quero perto de Rachel quando ela estiver trabalhando no programa".
"Mas..."
"Não faça escândalo, Hudson", ele aconselhou em tom de ameaça. "Posso colocá-lo na lista negra do mercado da TV".
"Pelo amor de Deus! Cometi um erro na minha vida particular! Não tem nada a ver com o meu trabalho!" Exaltou-se Finn.
"Deixa de ser particular se afeta os meus negócios. Não faça escândalo, Hudson", ele repetiu.
Finn balançou a cabeça, aturdido que seu caso com Quinn Fabray pudesse ter trazido uma represália tão rápida e severa: banido do alto círculo das estrelas, sob risco de ser sumariamente exilado do mundo das celebridades e sem Rachel ao seu lado, ele não tinha nenhuma arma para evitar que tudo aquilo fosse tirado dele.
Satisfeito por Finn estar totalmente ciente das conseqüências, Jesse voltou sua atenção novamente para a mãe de Rachel. Sua vontade era de se livrar completamente dela, mas os laços afetivos familiares eram traiçoeiros. Precisava se conter até consultar Rachel novamente.
"Não acredito que tenha agido visando o bem de sua filha, Shelby, como devia ter feito, como mãe e empresária".
"Isso não foi culpa minha!" Ela gritou, apontando uma mão na direção de Finn e Quinn.
"Você escolheu a Quinn e permitiu que o Finn se vinculasse à carreira da Rachel. Fez um mau julgamento nos dois casos", Jesse continuou impetuosamente. "Vamos nos encontrar amanhã às onze, no meu escritório, para discutir se vai continuar como empresária dela".
"Isso é entre a Rachel e eu", Shelby argumentou.
"Não mais. Ela me deu poder de agir em seu nome, e é o que vou fazer, Shelby. Acredite". Ele fez uma pausa e prosseguiu, "É melhor levar um advogado. O meu com certeza vai estar presente".
"Deixe-me falar com ela", ela pediu, um leve medo surgindo por trás da frieza em seus olhos. "Nossa história é longa demais pra você interferir assim".
"A Rachel não quer ouvir o que você tem a dizer", Jesse declarou sem hesitar. "Sugiro que aceite que seu domínio sobre ela terminou, e o melhor que tem a fazer é tentar minimizar os danos, em vez de tentar lutar contra mim. Sou um ótimo adversário, Shelby".
A ameaça pairou no ar por uns instantes, até que ele anunciou, "Vou retornar ao salão Adrenaline. Nenhum de vocês vai poder voltar lá esta noite. O mordomo vai expulsá-los dessa suíte em 30 minutos. O mais sensato a se fazer é deixar o hotel imediatamente".
Jesse lhes deu as costas, saiu da suíte, deu as instruções ao mordomo e desceu para a festa.
Santana Lopez o viu e perguntou, "A Rachel não vai voltar?"
"Não. Ela passou por uma maratona publicitária essa semana e precisa descansar", ele disse casualmente. "Por que não fala com os outros atores do elenco, Santana? Tenho certeza de que eles vão adorar falar sobre o programa".
Ele sorriu para apagar a preocupação que demonstrara antes e foi se juntar ao elenco, distraindo durante os quarenta minutos seguintes, o suficiente para que ninguém o relacionasse à ausência de Rachel e para que os três fossem embora do hotel.
Dando a desculpa de que estava cansado de tanta comemoração, deixou a festa, certificou-se de que não havia mais ninguém na segunda suíte e foi até onde Rachel estava. Pouco mais de uma hora havia se passado desde que ela tomara a decisão. Se ela se arrependesse, ele tinha que convencê-la de que não havia mais ponto de volta. As atitudes já haviam sido tomadas.
O lugar dela agora era junto dele.
A ideia o tomou de assalto, trazendo consigo uma satisfação enorme. Era um sentimento de posse tão forte que chegava a ser estranho para ele. Para manter a própria liberdade, sempre respeitava a liberdade das mulheres e suas escolhas. Mas, no aspecto profissional, Rachel Berry lhe pertencia enquanto durasse o contrato, e ela agora estava livre também no que dizia respeito à vida pessoal, o que dava a Jesse a oportunidade de investir em seu interesse nela. E isso era o que mais o empolgava.
Rachel era a mulher mais fascinante que ele já conhecera, e não estava mais amarrada ao marido. Ele poderia tomá-la, tê-la para si, explorar aquela mulher por quanto tempo quisesse.
Rachel ainda estava na poltrona em que Jesse a deixara. Uma retrospectiva de sua vida passava por sua mente: o terrível vazio de ser mais importante para a mãe como uma imagem na TV do que como uma pessoa com necessidades reais que eram ignoradas e/ou desprezadas.
Tinha se apaixonado por Finn porque ele parecia se concentrar totalmente nela, na mulher, fazendo-a sentir-se verdadeiramente amada e se importando com o que ela queria. Mas tinha sido falso. Depois do casamento, ele se aliou à mãe dela, aumentando a pressão para que ela mantivesse a imagem e amenizando tudo ao justificar que ela era especial.
A paixão morreu rapidamente quando sobreveio a desilusão, mas ainda assim era mais fácil conviver com ele do que com a mãe e, por isso, ela fazia tudo que ele pedia para tornar o relacionamento o melhor possível. E isso incluía o contrato com Jesse St. James. Finn queria ser parte da equipe de roteiristas e argumentou que poderia compartilhar o programa com ela, defender seus interesses, garantir que ela teria tudo o que quisesse.
Mas era mentira.
Era tudo mentira.
Passava mais tempo com Quinn do que com ela, levando Quinn para a cama, engravidando-a, enquanto fingia ser um marido apaixonado. Já não acreditava naquilo. Ele amava a carreira dela, os contatos, a fama. Ela era o meio para que ele conseguisse a vida que ele queria. A vida que a mãe dela queria.
O casamento tinha parecido vazio para ela bem antes daquilo. E era por isso que queria um bebê. O amor pelo filho seria real, e ela o amaria tanto, tanto... Uma criança por quem ela poderia fazer tudo, e da maneira certa.
Rachel continuava bebericando o conhaque, apreciando o fogo dentro de si. Aquilo a fazia sentir-se viva, determinada a tomar as rédeas da própria vida assim que o contrato com Jesse St. James fosse cumprido. Era bom tê-lo ao seu lado, saber que ele a ajudaria a superar aquela grande mudança em sua vida. Fazia sentido que ele não a quisesse preocupada com problemas que não a deixassem brilhar no programa. Ela compreendia que um homem como ele iria querer que o projeto atingisse todo o seu potencial. Apesar de ela ser crucial para que isso acontecesse, Jesse St. James era o chefe, comandando tudo o que era necessário para alcançar o desejado sucesso.
Um homem como ele...
A expressão voltou à sua mente. Ela tentou analisar o que significava e tudo em que conseguia pensar era em um senso de absoluto controle de si mesmo e de tudo que ele fazia. Era isso o que dava a ele aquele magnetismo sexual que a fazia estremecer? Provavelmente tinha o mesmo efeito em todas as mulheres em sua presença.
Rachel estava totalmente alheia à passagem do tempo. O som da porta se abrindo a fez sobressaltar-se na poltrona e encarar o homem que fizera o necessário para garantir que ela não fosse perturbada. Era muito mais fácil aceitar isso quando ele não estava ali. No momento em que Jesse St. James apareceu, o coração de Rachel disparou de apreensão.
"Está indo tudo bem", ele assegurou. "Não vai ter que vê-los novamente a não ser que queira". O olhar dele voltou-se para o copo vazio que ela ainda segurava. Depois, percorreu as mesas do quarto. "Não comeu nada?"
"Não. Eu..." Ela corou, lembrando das instruções dele para que pedisse algo ao serviço de quarto. "Nem pensei nisso".
Ele sorriu. "Não precisa fazer o que não quer, Rachel. Estou com um pouco de fome. Vou pedir uns sanduíches para nós. Cabe a você decidir se vai comer ou não".
Ela o observou caminhar até a escrivaninha, pegar o telefone e falar com o serviço de quarto. Jesse acrescentou uma porção de batatas fritas ao pedido e, em seguida, virou-se para ela.
"Chá, café ou chocolate quente?"
"Chocolate quente. E ketchup".
Ele franziu a testa, confuso.
"Eu gosto de batata frita com ketchup", ela explicou, sem se importar se pareceria infantil. Subitamente, também sentia fome.
Ele abriu um sorriso de satisfação. Rachel queria que os sorrisos dele o tornassem menos ameaçador, mas isso não aconteceu. Davam a ela a sensação de que ele estava um passo a sua frente, e que era um passo planejado para fazê-la sentir-se melhor a respeito de ser sua aliada. Provavelmente, estava dez passos adiante dela. Ela precisava se recompor e descobrir o que ele tinha feito em seu nome.
Quando finalizou o pedido, ele anotou algo no bloco de recados ao lado do telefone. "Reservei outra suíte para mim e bloqueei todos os telefonemas para esta a fim de que você não seja perturbada durante a noite. Amanhã quando estiver pronta para o café da manhã, ligue para mim neste número", ele indicou o bloco, "e nos encontraremos para planejar os próximos passos. Tudo bem?"
Ela assentiu, aliviada por saber que ele não pensava em passar a noite com ela. Não que ela tivesse se preocupado com aquilo no sentido sexual. Todos sabiam que ele tinha um relacionamento com Andrea Cohen, uma estonteante modelo ruiva cheia de classe. Apesar de Andrea não ter acompanhado-o à festa naquela noite, provavelmente por causa de algum outro compromisso, Rachel não ligou a ausência da modelo a qualquer interesse que Jesse St. James pudesse ter nela.
Para ele eram apenas negócios – e ainda assim ele poderia ter pensado que não seria bom deixá-la sozinha – e a verdade era que ela não conseguia relaxar em sua presença. Seu olhar voltou-se para a cama. Seria bom deitar-se nela sabendo que estaria sozinha. Um tremor de repulsa a percorreu quando imaginou Finn fazendo amor com ela depois de ter estado com Quinn. Nunca!
"Finn não faz mais parte do programa, Rachel. Eu o demiti da equipe de roteiristas. E Quinn Fabray também se foi. Os dois estão fora de sua vida profissional".
Limpando o cenário para que o espetáculo continuasse, Rachel considerou, mas a expulsão deles a fez sentir-se vingada e satisfeita.
"Ótimo!" Disse, fitando o homem que usava seu poder para livrá-la deles em seu ambiente de trabalho. "Obrigada".
Ele caminhou até ela, apontando para a poltrona da qual ela tinha se levantado. "O serviço de quarto vai demorar um pouco, e precisamos conversar sobre a sua mãe".
Ela se sentiu, cheia de revolta contra qualquer coisa que a mãe poderia ter sugerido a ele e pronta para rechaçar o controle que tinha estragado a sua vida. Ele se sentou devagar em uma poltrona, olhos cinzentos observando a sua inquietação, deixando-a ainda mais tensa.
"Quer mantê-la como sua empresária?" Ele perguntou.
"NÃO!" A palavra explodiu de uma montanha de mágoas. Uma onda de dúvidas veio em seguida. Não fazia ideia do que a lei dizia a respeito daquilo. "Tenho que mantê-la?"
Ele balançou a cabeça. "Tomei a liberdade de marcar uma reunião de negócios com ela amanhã, para encerrar a relação de negócios entre voces duas".
Ele já havia tomado a iniciativa. Rachel o encarou com perplexidade.
"A decisão ainda é sua".
"Não quero que ela seja responsável por mais nada que tenha a ver comigo", Rachel disse, veemente.
Ele assentiu. "Meu advogado vai resolver isso".
Simples assim? Ela balançou a cabeça, espantada, mal conseguindo acreditar que os grilhões de toda uma vida pudessem ser rompidos tão facilmente.
"Ela vai tentar resistir. O que ela disse quando marcou a reunião?"
Ele encolheu os ombros. "Quis falar com você. Não permiti".
"Não quero ouvir o que ela tem a dizer".
"Comuniquei isso a ela", ele respondeu secamente.
Ele não está emocionalmente envolvido, claro, Rachel pensou. Para ele, era apenas uma questão de negócios, o encerramento de um contrato entre ator e empresário.
"Eu preciso ir à reunião?" Ela perguntou, ansiosa.
"Quer ir?" Ele não parecia nem um pouco preocupado, novamente deixando a decisao para ela.
"Não". Ela já até imaginava o discurso que teria que ouvir, a longuíssima lista de tudo que Shelby fizera por ela. Mas não fora por ela. Jamais tinha sido.
"Tem medo de que ela a convença a mantê-la como sua agente?" Ele perguntou, curioso.
"Não. Apenas não quero ouvi-la. Se você puder resolver sem mim..."
"Será mais fácil sem você, sem dúvida. Meu advogado vai nos encontrar no café da manhã, e você vai poder passar suas instruções a ele. Ele agirá de acordo com elas".
"Acho que vai ser melhor assim".
Outra decisão tomada. Por ela. Para ela.
"Vai", ele concordou, levantando-se da poltrona. "Se me der licença, Rachel, vou contatá-lo agora. Às oito está bom?"
"Sim, mas..." ela olhou para o vestido de seda azul que usava. "Eu só tenho essa roupa".
"Um roupão vai servir para o café", ele garantiu. Farei com que tragam roupas das lojas do hotel para você, quando abrirem. Não se preocupe com a aparência. A situação, como um todo, é mais importante".
A situação... A que ela estava criando, não a mãe nem Finn ou mesmo Jesse St. James, que lhe dava opções, sem tomar decisões por ela. Ela o viu afastar-se e pegar o celular para ligar para o advogado. De alguma forma, seu poder já não parecia tão intimidador. Ele o usava em nome dela: o cavaleiro destemido acabando com os dragões.
Rachel não teve como não gostar dele por aquilo.
