Capítulo 02 –

Foi mas voltou.

- 10 de setembro de 2007 –

Tyrone Wells – Time of our Lives

Youtube: /watch?v=VFPhEn6ifV0

Atena estava ansiosa do outro lado do vidro, olhava para o avião que acabara de pousar aguardando pela saída de sua filha. Torcia para que tudo desse certo e a cada segundo que passava parecia uma eternidade, os segundos se arrastavam, até que finalmente o avião parou na garagem, os familiares das vítimas estavam todos reunidos em volta da porta, assombrados, temerosos. E, então, a porta finalmente se abriu...

Começaram a sair muitas pessoas, algumas pessoas em volta começaram a chorar familiarizadas com o rosto dos sobreviventes, começaram a se abraçar, comemorar, a beijá-los conforme iam entrando na sala de desembarque.

Fred e Atena apertavam as mãos ansiosos, até que finalmente, pouco a pouco, no meio de vários sobreviventes, sujos, maltrapilhados, surgiu o rosto sereno de Annabeth, os olhos vagos, preocupados e perdidos na direção dos familiares, o seu rosto estava todo sujo, ela estava abraçada com uma manta vermelha, localizou os olhos de seus pais e saiu correndo a partir das escadas, os pais ainda chorando, estenderam os braços e a receberam em um abraço familiar.

- Annabeth, meu amor... Você está bem? Como você está?

Ela parecia abatida mas feliz, estava suja, com as roupas ligeiramente rasgadas em alguns pontos.

- O que houve, meu bebê?

- O que aconteceu exatamente, filha?

- Foi horrível, foi um pesadelo, nós aterrissamos numa ilha deserta, achei que não fosse sobreviver, foi horrível, pai... – ela disse preocupada com os olhos cheios de lágrimas ao se lembrar – Eu não quero falar sobre isso agora. Eu quero ir para casa tomar um banho, não estou com vontade de comer, oferecerão comida no avião agora e... Eu realmente não quero comer nada, só quero descansar!

Fred e Atena tomaram os lados de Annabeth, abraçando-a com força, eles foram andando em direção à saída.

- Está tudo bem, filha, nós estamos bem. Você está viva! – disse orgulhoso dando um beijo na testa dela, todo contente – Vamos para casa.

- Vamos! – ela apertou carinhosamente a mão de seu pai, deu um aperto bem firme como se não acreditasse que estava ali em sua frente.

Várias pessoas aguardavam do lado de fora para fazer perguntas, entrevistas, eram repórteres, porém Annabeth não estava preparada para isso, desse modo Fred e Atena fizeram um escudo com os seus corpos para proteger a filha de perguntas, constrangimentos ou qualquer tentativa de ser puxada pelos curiosos. O casal foi empurrando a multidão até se livrar de todos eles em um táxi, batendo a porta com força.

- Para Upper East Side, por favor! – pediu Frederick ao taxista.

- 11 de setembro de 2007 –

- Não dormiu nada, não é mesmo? – perguntou Hermione se aproximando com uma caneca de chocolate quente nas mãos.

- Não – disse Percy fuçando na internet com o mouse – Vão divulgar em breve a lista dos sobreviventes e estou ansioso para saber se o nome de Annabeth está entre eles.

- Conhecendo como a conheço, acredito que tudo vai dar certo! – Hermione disse positiva enquanto tentava empurrar no estômago um gole de chocolate quente. Ela estava sentada no sofá, vestindo o seu pijama, também não havia conseguido dormir direito, o sol estava quase raiando.

Percy apertava a tecla F5 várias vezes por segundo, aguardando o site de informações do Governo para divulgar a lista de sobreviventes, até que finalmente apareceu.

- SAIU, SAIU A LISTA! – berrou empolgado, ele clicou e a lista atualizou rapidamente, ele saiu desligando o mouse até a letra C, onde encontrou o nome de "Chase, Annabeth" entre centenas de outros.

Hermione se aproximou, a voz de Percy quase não saia ao ver o nome dela, então, o momento falou por si só, eles se entreolharam, mudos, quase surtando de tanta felicidade que estourava no peito.

- Ela está bem... – murmurou Hermione muito aliviada – Está tudo bem, graças ao meu bom Deus – escorreu uma lágrima do seu rosto, uma lágrima de aliviado.

Percy ficou em pé, abraçando-a em silêncio.

- Está tudo bem... Tudo vai ficar bem agora! – respondeu ela vendo que ele não conseguia dizer nada, apenas conseguia escutar o coração disparado em seu peito como se fosse um tambor.

- 11 de setembro de 2007 –

Hermione colocou a cabeça para dentro da porta, Atena virou assustada.

- Sra. Chase, sou eu, posso entrar?

Aparentemente ela estava organizando algumas coisas na sala, sozinha.

- Claro, claro, entre!

Hermione obedeceu silenciosamente, ainda era bem cedo e todos pareciam estar dormindo na casa.

- Eu vim assim que saiu a lista dos sobreviventes, eu sabia que ia dar tudo certo – ela abraçou a Sra. Chase, as duas trocaram um afeto mãe-filha.

- Obrigada pelo apoio, querida, obrigada, eu não teria conseguido sem a ajuda de vocês – ela sorriu.

- Imagina, a senhora é uma mulher forte, incrível – elogiou Hermione com um sorriso, elas se olharam por um tempo em silêncio – Escuta, eu vim para visitar Annabeth, ela está bem?

- Ela tomou alguns calmantes e está dormindo, você não se importaria em esperar ela acordar? Sabe o que é? Ela passou por muito estresse e...

Hermione cortou de um modo simpático.

- Eu entendo perfeitamente, Sra. Chase, pensando bem eu vou para a escola agora, as aulas já começaram e na volta eu passo aqui, tudo bem?

Atena assentiu fazendo um carinho no ombro de Hermione.

- Tudo bem, duvido que ela acorde antes disso, mas se acordar eu avisarei que você passou aqui.

Hermione correspondeu com um sorriso, acenou e partiu para o colégio.

- fim da música –

- 11 de setembro de 2007 –

- O troféu ficou lindo no nosso armário – comentou Luke olhando para o monumento atrás do vidro no corredor em direção à quadra.

- É, muito bom mesmo – comentou Percy ao seu lado – Foi uma conquista e tanto, parabéns, cara, você mereceu!

- Nós merecemos – sorriu Luke em resposta – Agora vamos, temos que treinar – Luke jogou a toalha nas costas e os dois correram para a quadra.

O novo professor de Educação Física estava esperando eles com um apito na boca, parecia bem rigoroso esse ano.

- Todos vocês sejam bem vindo ao terceiro ano! – disse ele aos alunos agrupados em volta – Não pensem que vou facilitar nada para vocês esse ano, principalmente porque mudamos algumas regras quanto ao campeonato. Não teremos basquete esse ano.

- Que? – quase cuspiram todos, tinham acabado de ganhar um campeonato, estavam empolgados para ganharem os próximos que ainda tivessem – Somos o melhor time dos últimos tempos! – murmurou um deles e os demais concordaram.

- Pois é, regras do colégio – cortou o professor – Vocês serão líderes de torcidas, enquanto as garotas vão jogar vôleis.

- Que? – eles se entreolharam indignados.

- Vamos receber pompons e roupinhas coladinhas de viado? – perguntou Luke com um olhar ridicularizando, Tyson que agora pertencia à turma deles deixou escapar um olhar chateado ao amigo.

- Não, não vão receber pompons – murmurou o professor revirando os olhos – Mas vão receber sim roupas coladas e vão treinar músicas para os jogos de vôlei das garotas!

- Tô fora! – reclamaram uns dois ou três.

- Ok, quem quiser ir embora podem ir, mas lembrem-se, para entrar na faculdade vocês vão precisar passar pela minha matéria – disse autoritário – E se essas são as regras do colégio, não vou facilitar em nada para vocês!

Os murmúrios de reclamação começaram, o professor bateu palmas em sinal de que o treino ia começar e eles dispersaram em volta da quadra para um aquecimento inicial.

- 11 de setembro de 2007 –

Percy e Hermione estavam andando no corredor carregando as suas mochilas, conversavam sobre Annabeth.

- Vou passar lá depois da aula, mas estou bem mais aliviado ao saber que ela está bem – murmurou Hermione.

- Será que ela vai querer me ver?

Hermione olhou para ele, parando de andar.

- Ela é Annabeth Chase e você é Percy Jackson, é óbvio que ela quer falar com você – riu Hermione, Percy sacudiu a cabeça – Só espera um pouco, tudo está muito confuso para ela agora.

- Embora eu não aguente mais, o meu coração não aguente mais, eu vou esperar – comentou ele.

Hermione mordeu o lábio, desviando os olhos para o chão como quem não estivesse à vontade com o comentário, ambos caíram em um silêncio dramático. Ele resolveu acabar com isso logo.

- Você ficou sabendo das novidades na Educação Física?

- Péssimas, as garotas preferiam ser cheerleaders, pensamos em fazer um baixo-assinado ou algo do tipo.

- Assino embaixo – concordou ele.

Ela parou de andar, olhou para o teto, com a boca aberta e os olhos arregalados.

- Não é a única novidade! – comentou ela, Percy virou a cabeça na direção de seu olhar e viu uma televisão instalada no teto da escola.

- O que essa televisão está fazendo aí? – perguntou curioso.

- Bem que falaram mesmo, vão acabar com os jornais semanais e vão ter que apresentá-los pela televisão.

- Quer dizer que se quisermos saber das novidades vamos ter que nos reunir em volta dos televisores instalados pelos corredores da escola? – perguntou Luke se intrometendo na conversa.

- Exatamente! – comentou Hermione abrindo um sorriso amarelo – Droga, eu gostava tanto de escrever aqueles jornais, eu era a editora principal, mas tudo bem... Não custa tentar métodos novos, não é mesmo?

- Vai dar tudo certo, eles estão modernizando a escola, os jogos, os uniformes – comentou Luke em tom sarcástico.

Hermione olhou de lado para Luke.

- Vai ser um ano legal – comentou ele sacudindo os ombros.

Hermione viu do outro lado do corredor: Rony e Thalia passavam conversando sobre algo decididamente engraçado, ela não sabia se importava ou não.

- É, vai ser um ano bem legal mesmo... – repetiu irônica, agarrou-se à mochila e partiu para o corredor à direita em direção às aulas de matemática.

- 11 de setembro de 2007 –

Just a Dream – Sam Tsui e Cristina Grimmie

Youtube: /watch?v=iGaqqhLh3uQ

Annabeth estava segurando a caneca de chocolate quente com as duas mãos, assistia televisão quando uma figura alta, de cabelos ondulados parou em sua porta.

- Oi! – gemeu Hermione acenando com um sorriso enorme nos lábios.

- Mi! – devolveu Annabeth surpresa deixando de lado a caneca de chocolate quente para receber a melhor amiga de braços abertos – Como você tá?

- Como eu estou? Eu estou ótima, bem melhor agora que você está aqui, mas a questão é como você está! – Hermione sentou ao seu lado na cama, segurando as suas duas mãos.

O sorriso de Annabeth se desfez rapidamente, ela olhou para as mãos unidas.

- Foi tenso, foi muito difícil, quero dizer, eu senti o avião pousar em uma ilha, desmaiei por alguns segundos e quando acordei as pessoas gritavam que estava pegando fogo – ela engoliu em seco – Uma mulher veio me sacudir mas eu não conseguia acordar, então um rapaz veio e me pegou nos braços, eu simplesmente não tinha forças para ficar em pé. Eu me lembro de alguns vultos, eu queria mesmo tentar mas achei que fosse morrer ali com tanta fumaça, intoxicação – os olhos dela encheram de lágrimas – Foi horrível, Mi, eu achei que fosse mesmo morrer! – ela apertou as mãos da amiga com força, Hermione deu um abraço em consolação.

- Não precisa me contar em detalhes, eu estou feliz que você esteja bem e esteja aqui em Nova York conosco, vai descobrir algumas surpresas quando voltar ao colégio.

Annabeth sorriu de lado.

- Perdi muita coisa?

- Quase nada, vou ajudar você a se recuperar – ela apontou para a mochila – Tem previsão de quando vai voltar ao colégio?

- Quero voltar logo, não vou aguentar ficar muito tempo em casa, embora o médico tenha recomendado para eu ficar na cama por mais tempo. Eu não quero – resmungou ela rindo.

- Teimosa como sempre – riu Hermione.

Outro vulto apareceu na porta, era um rapaz alto, musculoso.

- Mais visitas! – disse ele com um vozeirão sorrindo, segurava flores vermelhas na mão esquerda.

- Luke, você veio também, vem cá me dar um abraço! – disse Annabeth se curvando na direção dele. O rapaz deu um beijo de leve em sua bochecha e sentou ao lado de Hermione, aparentemente a amiga queria ficar rodeada de amigos, não queria que eles fossem embora.

- Como está? – perguntou ele vendo-a cheirar as flores.

- Melhor agora com vocês aqui do meu lado – respondeu segurando a mão de Hermione de volta. Ela colocou as flores ao lado da cama, junto com um cartãozinho bem bonitinho escrito "fique bem logo" – E como estão as coisas no colégio?

- Um bafão só – comentou Hermione rolando os olhos – Eles querem que os garotos sejam cheerleaders enquanto as garotas devem formar o time de basquete esse ano. Bizarro, não é? – Annabeth gargalhou com a notícia, apesar de ter achado muito estranho – Estamos providenciando um abaixo-assinado.

- Eu assino aonde? – perguntou ela com um olhar inocente.

- Nós assinamos por você, sabíamos que você ia concordar.

- Isso é falsificação de assinaturas! – brincou ela – Vou processá-los por isso, ok? – e eles gargalharam. Ela olhou para Luke com um sorriso estonteante, lembrou-se de quando namoravam e lembrou-se dele marcando uma bela cesta em Londres fazendo o time de Yancy levar a taça do campeonato – Falando em voltar às aulas, você mandou muito bem naquele jogo, Luke, meus parabéns de verdade!

Ele ficou ligeiramente corado, coçou a nuca meio tímido.

- Ah, foi o meu papel, nada além do normal e...

- Para de ser modesto! – cortou Hermione rindo – Você mandou muito bem sim senhor. Meus parabéns! – e ele apenas continuou a sorrir.

E os três continuaram a conversar durante um tempão, deixando o relógio andar sem se preocuparem.

- 13 de setembro de 2007 –

Thalia estava usando uma manta branca em volta do corpo, deitada em uma maca que estava se arrastando para dentro de uma espécie de tumba, ela estava fazendo alguns exames referente a câncer.

Ela parecia bem apreensiva ali, deitada, a sua cabeça tombou para a direita e do lado de fora, através de um vidro, estava o sorriso do ruivo Rony, seu melhor amigo, incentivando com o olhar para que ela continuasse, como quem dizia "estou aqui por você", e era muito fofo da parte dele, perder o tempo do treino para estar ali com ela.

Até que o seu corpo finalmente foi introduzido na máquina escura e o rapaz saiu do seu campo de visão, ela desejou que tudo ficasse bem naquele momento. Era esquisito, diferente, uma sensação que nunca havia enfrentado antes.

- fim da música –

- 15 de setembro de 2007 –

Adele – Someone Like You

Youtube: /watch?v=hLQl3WQQoQ0&ob=av2e

Annabeth desceu sozinha pela primeira vez desde que saíra do estado de observação, resolveu dar uma volta pelo Central Park carregando consigo o seu celular, o sol estava se pondo e era pouco menos das 9 horas da noite. Ela avistou um grupinho de crianças brincando de pega-pega enquanto os seus pais ficavam de longe vendo-os, sentiu uma vontade de voltar ao passado, quando a vida era tudo mais fácil.

Continuou a andar solitária pelos caminhos asfaltados do parque, até que avistou Percy na quadra, jogando basquete sozinho como normalmente fazia – era uma espécie de passatempo. E o seu coração animou-se ao vê-lo ali depois de muito tempo, os passos encurtaram e ela parou na entrada da quadra, ao lado da arquibancada, querendo ser notada.

- Annabeth – ele deixou a bola quicar após ter feito cesta, correu até ela sem reação, estava todo suado, parou em sua frente boquiaberto, numa mescla de felicidade e surpresa. Era bom vê-lo nesse estado.

- Vem cá! – disse ela estendendo os braços em sua direção, abraçando-o e ignorando o suor acumulado em seu corpo, os dois se apertaram como se o mundo fosse acabar, Annabeth achou que fosse estralar os ossos do colega à sua frente.

- É tão bom te ver assim, saudável – comentou ele após abraçá-la – Eu... Eu não sabia se ia gostar da minha presença, por isso não te visitei – justificou meio sem jeito – Não sabia se ia fazer bem ou mal.

- Faria bem – respondeu ela com um sorriso – Eu sinto a sua falta, Percy e senti no momento em que deixei Nova York.

- Eu também senti a sua falta, corri até o aeroporto para te encontrar – ele engoliu em seco e falou baixinho – Mas o seu avião já tinha partido segundos antes.

Annabeth não tirou o sorriso do rosto, gostava de conversar com ele como se tudo estivesse bem, em paz, e não podia negar que os olhos dele ainda mexiam com os seus sentimentos. A maneira como Percy a olhava ou sorria interferia diretamente nas batidas de seu coração, era como se através do olhar ele conseguisse penetrar nas veias de Annabeth e mexer com todos os seus sentimentos, tudo parecia formigar. E certamente isso causava o mesmo efeito em Percy, ele era apaixonado por Annabeth e sempre seria.

- É bom saber que você está de volta – disse ele cortando o silêncio após a troca de olhares.

- É bom estar de volta – respondeu ela meigamente com um sorrisinho de lado meio constrangedor.

E novamente veio o silêncio, mas dessa vez quem cortou foi a própria Annabeth.

- Sabe, Percy, eu passei por uma fase muito difícil nesses últimos dias, eu realmente achei que não fosse sobreviver e, isso tudo o que aconteceu, me fez olhar para o mundo de uma maneira completamente diferente – os seus olhos começaram a marejar mas ela não ia chorar ali, não na frente dele – E... A partir do momento em que o avião começou a cair, eu prometi a mim mesma que ia encontrar você para dizer que eu te perdoo por tudo o que aconteceu no passado, quero dizer, você e a Thalia... - Percy desfez o sorriso, meio chateado, como se aquilo ainda o aborrecesse - E de verdade isso nunca mais vai afetar as nossas vidas, quero dizer, a Thalia seguiu em frente, e nada impede que nós voltemos a conversar, ser amigos e quem sabe nos entendermos de vez, se é o que você realmente quer – disse ela com toda a honestidade do mundo.

- O nosso relacionamento é muito mais forte, que ainda que houvesse a Thalia, nada mais nos afetaria – acrescentou Percy segurando a mão de Annabeth, muito próximo dela – Só tem uma coisa que eu preciso te contar, e que eu quero deixar as coisas certas entre a gente para que não ocorra nenhum desentendimento como das outras vezes.

Annabeth olhou desconfiada para ele, tentou manter o sorriso amarelado mas não foi possível.

- Talvez ainda não tenham te contado mas eu e a Hermione estamos dividindo um apartamento!

Os olhos de Annabeth se arregalaram em surpresa, foi como uma faca tivesse sido enfiada em suas costas e fosse deslizando.

- Vocês estão... O que? – a ideia pareceu tão absurda que ela puxou as mãos de volta, afastando-se de Percy, não que tivesse ciúmes mas parecia estranho demais que dois amigos tão afastados estivesse tão próximos agora.

- Quando você se mudou para Londres, nós nos aproximamos, ficamos muito amigos, isso tudo porque eu procurava encontrar um pouco de você dentro dela e... – Annabeth não estava chocada com o fato deles terem sido amigos durante todos esses meses mas sim com o fato de Hermione não ter comentado nada até então, elas eram duas melhores amigas, falavam-se sempre pelo Skype, MSN ou Twitter, e nenhuma dessas vezes sequer tinha mencionado a sua aproximação com Percy, o que era definitivamente muito estranho – Nós não ficamos nem nada, eu juro, é só amizade mesmo – justificou-se mais do que depressa ao analisar a expressão de Annabeth – Eu sinceramente não sei o que está se passando pela sua cabeça agora, mas... É só amizade.

Annabeth deixou escapar uma risadinha sem graça.

- Não está passando nada, Percy, eu disse que te perdoava, não disse? Acontece que eu acredito em você, acredito de verdade – ela disse em seus olhos – Só acho estranho não ter sabido disso antes – ele abriu a boca para argumentar – Não, não por você – ele se calou – Ela não comentou nada, e ela sabia que eu ainda tinha sentimentos por você.

- Você o que? – perguntou ele indignado.

Annabeth o olhou, sem mistérios, totalmente nua e crua quanto aos seus sentimentos.

- Ela sabia que eu ainda te amava e que eu ainda te amo, Percy – ela confessou sem rodeios, sem joguinhos – E é estranho que não tenha me contado nada.

Percy estava boquiaberto demais para continuar, pensou em tomar as suas mãos nesse exato momento, acariciá-la e puxá-la para um beijo que há muito tempo sentia saudades. Seu cheiro, sua pele, seus cabelos macios, seus lábios... Annabeth era perfeita em todos os aspectos!

- Eu preciso de um tempo sozinha – ela virou as costas.

- Annabeth! – chamou ele, ela se virou – Eu também te amo!

Annabeth saiu correndo e o abraçou com força, a vontade de beijá-lo era inevitável.

- É bom estar de volta em seus braços, sentir-me protegida dessa forma como estou agora – comentou ela em seu ouvido, apertando-o contra o seu corpo. Era surreal demais eles estarem ali, juntos novamente, como se fossem somente um corpo. Ela queria beijá-lo, ele também queria, mas não podiam fazer com alguns assuntos ainda pendentes.

- Eu adoro proteger você e quero fazer isso para sempre! – disse Percy olhando em seus olhos e certamente a beijaria nesse momento se não tivesse se afastado.

- Preciso resolver uns assuntos pendentes – disse ela afastando os passos – Dessa vez eu quero fazer tudo certo.

- Eu entendo completamente – disse ele vendo-a se afastar - Você vai na festa de boas-vindas desse ano letivo? – perguntou Percy curioso.

- Certamente estarei lá! - ela deu uma piscadela para ele, seguida de um sorriso, afastou-se indo em direção ao seu apartamento.

- fim da música –

- 16 de setembro de 2007 –

Hermione estava trabalhando nos assuntos da pauta da próxima semana quando foi surpreendida pela entrada repentina de um estudante na sala. Ela se levantou meio assustada com o barulho da porta, poderia ser algum amigo seu que trabalhava ali também mas era muito tarde da noite para ter mais pessoas além dela própria. Viu os cabelos ruivos de Rony parado e suspirou aliviada.

- Ufa, em dias de psicopatas é bom saber que você não é um deles – comentou ela sorrindo – É bom saber que é só o cara com quem fui casada mas que não vivo sob o mesmo teto!

- Quem disse não sou um deles? – perguntou ele sarcástico – Psicopata quero dizer, não casado.

- Você não é do tipo que anda armado! – ela bateu os papéis na mesa e deixou-os de lado, em seguida andou até ele para recepcioná-lo com um beijo e um abraço de bons amigos – Faz tempo que você não vem falar comigo, e quando cruza nos corredores está sempre desviando o olhar, com a tal de Thalia! – ela sentiu cheio de cerveja e cigarros ao abraçá-lo – Você anda fumando?

- Não, só socialmente – respondeu próximo a ela, pode sentir que de socialmente não tinha nada, estava além dos limites de bêbado. Nesse meio tempo de abraços, Rony passou os braços em volta da cintura dela, agarrando-a como se isso dependesse de sua vida, ela percebeu que aquilo não era mesmo normal.

- Rony, eu preciso trabalhar, licença! – tentou da maneira mais amigável possível, no entanto ele não desistiu, continuou agarrado nela.

Hermione pressionou as duas mãos contra o peitoral dele, empurrando-o para trás mas não conseguia desvencilhar de seus braços pois ainda tinha forças apesar de estar bêbado. Tentou descruzar as mãos dele em volta da cintura dele, mas não parecia tão fácil, até que ele tentou beijá-la.

- Volta para nossa casa, eu tenho sentimentos por você, Mione... – ele forçou um beijo nojento contra o rosto macio dela, como não conseguiu, passou a investir em seu pescoço.

- Sai, Rony, sai. Eu não quero voltar para você! – ela finalmente conseguiu empurrá-lo contra uma escrivaninha, mas ele não pareceu se machucar mesmo batendo as costas nela, levantou-se depressa e correu até ela.

A porta foi aberta por ninguém menos que Percy, Hermione correu até ele e se aprumou em seus braços.

- Percy... O Rony está fora de si, ele tentou me beijar à força duas vezes!

Rony veio apressado na direção dos dois.

- Eu quero ter uma conversa com a minha esposa, é um direito meu!

- Nós entramos com um pedido de anulação, é como se o nosso casamento nunca tivesse existido! – comentou Hermione nervosa para ele, óbvio que ele ignorou completamente isso.

Quando Rony investiu novamente contra Hermione, Percy proferiu um soco bem no meio da face de Rony quase deslocando o maxilar dele do lugar. O rapaz caiu para trás, com as duas mãos na cara, o seu rosto estava sangrando.

- Percy... – gemeu Hermione entre a dor e piedade de ver o rapaz caído no chão, sangrando, com as duas mãos no rosto, gemendo – Obrigada – gemeu, incerta.

- Vai para casa – disse Percy olhando para ela – Eu acompanho esse verme até a saída – ele indicou com a cabeça o colega estirado no chão mais acordado agora com o soco no meio do rosto.

Hermione assentiu, saiu da sala de redação do colégio assustada e com o coração na mão, por um segundo achou que fosse ser estuprada se não o colega de quarto não chegasse a tempo.

- 16 de setembro de 2007 -

Maaron Five – She Will Be Loved

Youtube: /watch?v=nIjVuRTm-dc&feature=

Era tarde da noite, as luzes da cidade de Nova York estavam todas acesas, quando uma limousine parou em frente ao prédio de Percy/Hermione. Sentada no banco de trás, estava uma mulher com os cabelos todos encaracolados, usando um colar de pérolas caríssimo. Ela puxou o celular e colocou no ouvido.

- Eu encontrei o apartamento da minha filha, é exatamente onde estou pisando agora – disse Helena Granger ao celular – O sossego dela acabou.

Helena desligou o celular e ficou olhando pela janela da limousine o prédio em sua frente. Era exatamente ali que vivia a sua filha.

- 16 de setembro de 2007 –

- Os seus exames estão prontos, são estes aqui – informou a enfermeira entregando envelopes brancos à Thalia.

- Obrigada – respondeu sem jeito pegando os envelopes em cima do balcão do hospital.

- 16 de setembro de 2007 –

Luke está olhando o movimento dos carros de Nova York na sacada do quarto, em seguida ele entra e encara o seu telefone celular. Estava preocupado com o sumiço de Tyson, fazia quase uma semana que eles não se falavam direito.

Sentou na cama segurando o celular nas mãos, mordeu o lábio, pensativo. Buscou o nome Tyson na agenda e clicou em "ligar". Colocou o celular na orelha.

- Escuta... Não sei porquê você sumiu, se eu fiz algo que te chateou nós podemos sentar e conversar, me liga assim que receber essa mensagem.

- 16 de setembro de 2007 –

Tyson terminou de ouvir a mensagem e deixou o celular de lado, ignorando-o completamente. Ele está em casa, sentado em sua cama, com as costas na parede, no meio de suas pernas está uma folha de caderno e os lápis espalhados ao redor. Ele está desenhando o rosto de Luke.

Ele encara como se fosse algo muito mais do que um melhor amigo. Tyson segura a folha, e rasga ao meio, em seguida amassa e atira no lixo.

- 16 de setembro de 2007 –

Percy abriu o quarto de Hermione, estava arrumado, vazio – como quem não estivera lá o dia todo. Achou esquisito que Hermione não tivesse voltado para casa naquela hora, ainda mais por estar assustada pelo quase estupro que ocorrera no colégio.

Ele acendeu a luz, ficou encarando o vazio, aproximou-se da cama dela e ali sentou, pensativo.

"O que diabos estava acontecendo com a sua vida? Estava tudo bem agora que Annabeth estava de volta, não estava?"

Alguém respondeu: sim, está, vá atrás dela...

Ele fechou os olhos e deixou-se cair na cama de Hermione, percebeu que ela tinha um cheiro muito gostoso bem parecido com o de Annabeth. Seria o mesmo perfume? Puxou o travesseiro e cheirou-o. Sim, era o mesmo cheiro. Talvez eles tivessem trocado o perfume quando moravam ainda juntas.

Alguma coisa estava diferente no ar, e ele não sabia explicar. Abraçou o travesseiro de Hermione e deixou os olhos fecharem por um segundo.

- 16 de setembro de 2007 –

Grover terminou de assinar o abaixo-assinado, entregou ao seu colega de escola.

- Esse é o abaixo-assinado para voltarmos a jogar basquete ao invés de sermos chearleaders – explicou.

- Ei, escuta, já assinei, só precisamos colher a assinatura do seu amigo Percy, você não quer entregar para ele?

- Ele não é meu amigo, e eu não quero falar com ele tão cedo – resmungou Grover se afastando.

O rapaz olhou estranho.

- Só por que ele e Hermione estão namorando, não é mesmo?

Grover não se deu ao trabalho de responder, saiu do quarto do colega e deixou-o sozinho.

- 16 de setembro de 2007 –

Annabeth estava terminando de escovar os cabelos em frente ao espelho quando o rosto assustado de Hermione apareceu em sua porta.

- Hermione, mas... Que surpresa a essa hora da noite! – espantou-se Annabeth olhando o seu reflexo através do espelho. Preocupou-se ao ver que Hermione engoliu um choro em seco – Aconteceu alguma coisa? – ela se virou para a melhor amiga na porta.

- Aconteceu, e eu preciso te contar! – disse fechando a porta ao passar – Pode ser um pouco chocante, por isso eu gostaria que você se sentasse...

Annabeth olhou boquiaberta para Hermione.

Continua...

Nota do Autor: Sei que o capítulo deve estar cheio de erros e peço desculpas pois não tive tempo de revê-lo e nem vou ter. As semanas estão corridas e como já falei no capítulo anterior, acabei indo viajar para Nova York onde fiquei 20 dias fora de casa. Tirei muitas fotos, é claro, porque isso vai me ajudar bastante a escrever a história daqui para frente.

Não sei mas quando estive fora tive a sensação esquisita de ver o Percy e a Annabeth o tempo todo em vários lugares de Nova York, pode ser maluquice da minha cabeça (e obviamente é) mas foi muito viajar para conhecer tais lugares, acho que nunca mais farei uma história numa cidade grande, acho que prefiro cidades do interior onde eu posso inventar os meus próprios lugares, etc, etc. É bem difícil escrever um lugar que já existe... Enfim!

Desculpas pela demora e gostaria de entender porque estou perdendo tantos leitores. Sério, não consigo entender, se for pelo fato de ter separado Percy e Annabeth na temporada passada, vou reverter a situação nos próximos capítulos. Logo eles estão mais juntos do que nunca, portanto voltem a postar reviews, please!

É isso aí, galera, espero que curtam. Feliz 2012 a todos!

- como ninguém fez perguntas, as que fizeram foram respondidas nesse capítulo, não será necessário fazer o cantinho "respondendo reviews", mas aproveito de montão para agradecer Obolinho, Luiza, Annietopz, Tiago Ferreira e Evelyn Medeiros que mandaram reviews escrevendo ótimas coisas sobre a fanfic. Obrigadão e até o próximo (vai sair rápido, prometo!).