Save me
Capítulo 2 – Não era senão uma farsa
Ela estava confortável demais. O calor proveniente da coberta juntamente com o calor do corpo ao seu lado fazia com que se levantar e enfrentar mais um dia fosse uma tarefa quase impossível.
Infelizmente, sabia que não poderia passar o dia todo deitada, por mais que a ideia fosse tentadora. Com um longo suspiro, desvencilhou o braço que a segurava e por fim o seu braço que abraçava o tórax abaixo do seu. Apesar de não estar mais com sono, não estava descansada. Pelo contrário, seu descanso tinha sido perturbado por sonhos estranhos no qual era vítima de uma trama ridícula.
-Loki? – perguntou Thor, se apoiando nos cotovelos para vê-la melhor, chamando sua atenção.
Ela reconheceu a voz e então percebeu que seus sonhos na verdade eram bem reais, pois dividindo sua cama, não era o marido do qual lembrava e sim Thor, a quem passou uma vida chamando de irmão.
Ela se afastou rapidamente dele, como se seu toque a queimasse e correu para o lado oposto do quarto. A rapidez com que se levantara juntamente com a quantidade de memórias que recobrava deixavam-na enjoada.
Na tentativa de se afastar o máximo possível, ela abriu a porta e correu.
Ela não sabia onde estava. Mas apesar de não reconhecer o local para o qual correu, ao subir um lance de escada, achava tudo muito familiar. Imagens desconexas lhe vinham à mente. Lembrava-se de uma dor nas costas absurda e de ser arremessada no chão como uma boneca de pano. Distraíra-se com as memórias e quando deu por si, estava cercada por um bando de indivíduos desconhecidos.
-Dessa vez aceita um drinque? – perguntou Tony, indo em direção ao bar, servindo uma dose de uísque e pegando algumas pedrinhas de gelo no balde.
Ao ouvir a frase, os olhos de Loki se estreitaram, e ela percebeu que os outros se espalhavam ao seu redor. Algumas imagens vinham rápido demais à sua mente, e instintivamente ela levou à mão à têmpora, massageando-a. Tal movimento não passou despercebido por Natasha ou Clint.
Eram tantas imagens, que não conseguia assimilar o que era fato ou não, só a mensagem principal de que aqueles não eram seus amigos ou aliados. Por isso recuou alguns passos, tentando sair do centro daquele grupo estranho e tão hostil quanto os Três Guerreiros e Lady Sif.
Viu seu irmão parado à porta discutindo com um homem de pele escura que por alguma razão lhe lembrava de vermes e botas.
Estava confusa no meio de tanta gente estranha, e sem querer demonstrou isso, inclinando um pouco seu rosto para o lado ao examinar o homem de roupas escuras com o arco e flecha que a olhava com tanto ódio. Tal ação lhe dava um ar inocente e angelical, o que contrastava com as roupas que usava - uma calça de pijama e uma camiseta com a gola tão larga que lhe caía sobre o ombro - que apesar de não serem reveladoras deixavam a imaginação correr solta, que somados com os cabelos bagunçados de quem acabou de acordar lhe deixavam com um ar sensual.
-Não é tão legal quando é a sua cabeça sendo controlada, não é? – cutucou Clint, com um sorrisinho malvado, brincando com uma flecha.
Então ela se lembrou dele sob seu comando, e de uma sala branca com ela lacrada e de ter pegar uma flecha com as mãos para evitar que atingisse seu olho. Definitivamente estava em perigo. Usando um pouco de sua mágica, ela transfigurou suas roupas em sua armadura, agora um pouco adaptada para a sua atual aparência, impondo certo respeito aos demais.
O efeito foi instantâneo. Uma flecha foi lançada em sua direção, enquanto via Tony Stark vestindo sua armadura de titânio, um escudo voou em sua direção, assim como tiros. Todos começaram a gritar e logo a sala virou uma zona de guerra. Loki, usando sua magia, conjurou inúmeras ilusões suas, e logo os presentes não sabiam onde estava a original.
Ela então aproveita a confusão, para se esconder e dali ataca os Vingadores, confundindo-os. Só parou quando um ser verde enorme se aproximou de repente, segurando-a nas mãos sem o menor esforço, como uma criança que segurava um brinquedo. Uma criança que não cuidava bem dos seus brinquedos, pois Hulk não tinha problemas em sacudi-la em sua irritação.
Ficou um tanto quanto desnorteada quando foi solta quando seu irmão atacou a besta verde, mas não chegou a bater no chão, pois foi salva pelo herói de roupa azul com estrelas.
-Hulk não! Não pode esmagar mulheres grávidas! – disse Steve, em tom autoritário para o Hulk, que parou de bater em Thor para prestar atenção.
-HULK ESMAGA! – gritou Hulk no rosto do Capitão, fazendo os cabelos dele e de Loki voarem.
-Hulk não esmaga bebês! Tem um bebê aqui dentro! – disse, apontando para a barriga da morena em seus braços – Entendeu?
-Deus fraco com bebê? – perguntou curioso antes de dar um soco em Thor que estava levantando, nocauteando-o.
Aos poucos ela viu o monstro encolhendo e voltando a sua forma humana. A ruiva não demorou a pegar uma manta do sofá para cobri-lo.
Loki ainda conseguia ouvir a conversa a sua volta, mas não conseguia se focar em nada. Estava difícil de respirar, e estava tonta, muito tonta. As imagens dos últimos meses vinham à tona, juntamente com imagens de um passado que não gostava de lembrar. De dor e humilhação. Quando a imagem de um pequeno potro¹ lhe veio à mente foi à gota d'agua. Vomitou o que não tinha no estômago em cima da pessoa que lhe ajudava a ficar em pé.
-Wow...momento exorcista – comentou Tony, fazendo cara de nojo.
Fury, que até então continuava encostado na porta de entrada, finalmente decidiu agir e indo até Loki, a segurou pelo braço, de um jeito até gentil, e a levou para sentar no sofá.
-Stark, água e açúcar – comandou, sem nem olhar.
-Serve tequila? – perguntou olhando atrás do balcão, ganhando um olhar indignado – Foi só uma pergunta.
Loki estava cada vez mais nervosa, e quando fez menção de vomitar mais uma vez, Viúva Negra foi mais rápida e alcançou o balde de gelo do bar para que ela não sujasse mais alguém ou o chão. Tony, ao ver o que fizeram jogou as mãos para o alto e saiu reclamando algo do tipo "última vez que convido alguém para morar aqui e digo pra se sentir em casa".
Thor recobrou a consciência e sem pensar empurrou Fury e abraçou Loki com força. Apesar de não fazer barulho, todos vêem os ombros de Loki sacudindo em soluços com o rosto escondido no pescoço do irmão.
O dia passou voando, e os membros dos Vingadores estavam sentados à mesa discutindo os últimos acontecimentos que incluam o diretor Fury concordar em deixar Loki livre, declarando que ele no momento não era uma ameaça.
Thor estava esgotado, e isso era claro em sua aparência e no fato de que não parara de chover e trovejar desde a confusão na recém-reformada agora novamente destruída cobertura da torre.
Pepper, que chegara um pouco após a confusão para ver Tony, foi logo inteirada da situação e vendo que Loki ainda estava em um estado lastimável, e que os presentes no máximo conseguiram acalmá-la um pouco, decidiu tomar as rédeas da situação e com um instinto materno absurdo, conseguiu tirar Loki do local, levando-a para o quarto, onde poderia tomar um banho e colocar roupas leves e limpas.
Loki, apesar de não a conhecer se identificou mais com ela do que com qualquer outro em Midgard até então, pois seu jeito cuidadoso lhe lembrava de Frigga. Mas nem mesmo isso foi suficiente para que Pepper conseguisse trazer um pouco de ânimo à tona, ou faze-la comer nem que fosse um pouco.
Quando chegou à cozinha, logo negou com a cabeça a pergunta feita por Thor, sem ele nem ao menos deferir uma palavra. Ele agradeceu com a cabeça e se levantou, indo em direção ao quarto.
O Deus do Trovão era conhecido por sua bravura, mas tinha certeza que se vissem sua relutância em adentrar o quarto, perderia o título em segundos. Com a mão tremendo e suando frio, tomou fôlego e entrou.
Foi até a cama e suspirou aliviado ao ver que o irmão estava dormindo. Sentou-se então num canto e pegando a mão do irmão, acariciou-a.
-Mesmo que tudo que tenhamos vivido nos últimos tempos tenha sido só uma farsa orquestrada pela mente doentia de nosso pai, nós estamos aqui. Estamos livres e não mais sob comando dele. Podemos ser felizes aqui, ou algo próximo a isso – disse em tom baixo, pousando a mão no abdome de Loki.
Não querendo mais perturbar, levantou-se o mais silenciosamente que pôde e saiu do quarto, fechando a porta com delicadeza.
Quando se certificou de ouvir o barulho da porta fechar e os passos do irmão longe, Loki abriu os olhos e sentou-se. Colocando a mão no seu abdome que ainda não dava indícios da gravidez e fechou os olhos para se concentrar e confabular seus planos e deu um sorriso debochado. Odin não tinha idéia com quem tinha se metido.
Fim do cap. 2
Nota da autora¹: faz menção à mitologia nórdica onde Loki dá a luz a Sleipnir, o cavalo de oito pernas que é a montaria de Odin. Na fic "Save me", Sleipnir nasceu quando Loki era bem novo, o equivalente há uns quatorze anos na Terra. E foi uma experiência extremamente traumatizante que vai ser explicada nos próximos capítiulos. E provavelmente seu primogênito fará uma participação mais pra frente na fic ^^
Nota da autora²: Mande uma review e garanta seu lugar no céu. Faça uma ficwriter feliz :D
Nota da autora³: Pra variar, a fic não foi betada :( snif
