Mais um capítulo para vocês se deliciarem. Eu estou tão boazinha nesse fim de ano. XD

Boa leitura!

27 de Dezembro de 2005

Tóquio acorda em mais uma manhã fria, com chuva fraca.

Como era um sábado Inutaisho não iria para o trabalho, mas como de costume ele se levantou cedo e desceu para tomar o café da manhã, que já estaria sendo providenciado pelas empregadas.

- Bom dia senhor Taisho! Não esperava que levantasse tão cedo. Está um dia perfeito para dormir até um pouco mais tarde.

O homem sorriu antes de responder.

- Bom dia Kaede! Você me conhece bem, sabe que não costumo dormir até tarde.

- Sim eu sei. Eu vou lhe trazer o café.

- Obrigado! - Ele respondeu se sentando à mesa e pegando o jornal que já estava colocado ali.

Não demorou muito para que passos fossem ouvidos e Inutaisho olhou em direção a porta por onde seu filho mais velho entrava.

- Ohayo filho!

- Ohayo pai! - O filho respondeu de forma séria.

Sesshoumaru se sentou na cadeira ao lado direito do pai e este o fitou atentamente.

- Você está bem filho?

- Estou. Por que a pergunta?

- Parece tenso e cansado. Há algo errado?

- Não pai. Está tudo bem.

Sesshoumaru estava sim tenso e cansado, não conseguira dormir àquela noite, como, aliás, vinha acontecendo já há algum tempo. Os sonhos recorrentes com Rin o faziam acordar no meio da noite ofegante e excitado. Isso o perturbava profundamente.

Mais alguns minutos se passaram e Inuysaha entrou na sala falando ao telefone celular. Os dois homens que estavam ali estranharam ver o mais novo de pé tão cedo. Ele se sentou no lugar reservado a ele na mesa e depois de fazer um gesto cumprimentando os dois encheu um copo com suco de laranja e tomou um gole.

- Como estão as coisas aí?

- Está tudo bem. A cidade está agitada como sempre, com a decoração impecável e todo aquele clima natalino. Nova Iorque é sempre uma festa, mas nessa época do ano, fica quase insuportável de tão animada.

- Ôpa! Senti uma ponta de sarcasmo nesse comentário?

- Haa, Eu não estou no meu melhor momento agora Inuyasha. Não tenho vontade de fazer nada.

- Temos que mudar isso princesa. Ânimo! E como foi o seu natal? O que você fez?

- Nada Inu. Eu trabalhei até o último minuto na véspera e passei a noite de natal em casa.

- Coitadinha! - O jovem disse fazendo cara de pena. - Mas isso não pode acontecer no Ano Novo. Essa data você precisa comemorar. Vai ficar aí mesmo ou voltar para Tóquio?

- Eu vou voltar para Tóquio. Pego um vôo hoje à noite e amanhã já devo estar aí.

- Que bom! Estou louco pra ver você. Eu li a matéria na Cosmopolitan, estava muito boa e as fotos ficaram magníficas Rin.

- Obrigada Inu!

Ao ouvir aquele nome, Sesshoumaru imediatamente voltou seu olhar para o irmão e respirou fundo. O pai percebeu a alteração no humor do filho mais velho e passou a observá-lo atentamente.

- É verdade. Todos aqui vimos e temos a mesma opinião. Izayoi adorou.

- Que ótimo! E como estão todos aí?

- Estão todos muito bem Rin-chan

- Fico feliz em ouvir isso.

Alguns segundos de silêncio se passaram até que Inuyasha o quebrou

- Ele está ótimo Rin, mal humorado e chato como sempre, mas perfeitamente saudável.

O mais velho lançou um olhar mortal para o caçula e este sorriu. Não só pela cara que o irmão fez, mas também por causa da risada que Rin deu do outro lado da linha.

- Inuyasha você é terrível. - A jovem falou.

- Apenas dei a informação antes que você perguntasse.

Inutaisho sorriu também ao ver a reação do filho mais velho, ele parecia ser capaz de avançar sobre o outro a qualquer momento e fazia um esforço tremendo para controlar-se.

- Eu tenho que desligar agora Inuyasha. Tenho um compromisso com uma amiga.

- Tudo bem. Ligue-me quando chegar ok? Eu ainda preciso falar com você

- Tudo bem. Bye!

- Bye!

Inuyasha fechou o pequeno aparelho e o depositou sobre a mesa, ainda encarando o irmão com um sorriso maroto.

- O que foi? - Ele perguntou cínico.

Sesshoumaru bufou demonstrando insatisfação e conteve a vontade de bater no irmão. Izayoi entrou na sala pouco antes do mais novo encerrar a ligação e cumprimentou o marido com um beijo, depois de pé ao lado dele observou a conversa do filho com a amiga.

- Bom dia mãe! Estava falando com a Rin. Ela está vindo para cá hoje à noite e quando chegar, eu vou convidá-la para a festa.

- Que bom! Espero que ela possa vir.

- Eu também. Será muito divertido. A Rin é cheia de vida mãe, ela é capaz de alegrar qualquer ambiente, diferente de certas pessoas que conseguem estragar o humor de qualquer um.

- Você um cretino Inuyasha. - Sesshoumaru se pronunciou falando baixo e em um tom ameaçador.

- Cretino eu? Acho que não Sesshy. - Inuysasha usava um tom extremamente irônico ao pronunciar o apelido que o irmão detestava. - Não sou eu que estou agindo de forma estúpida aqui. Eu custo a acreditar que você esteja realmente deixando uma mulher como aquela escapar. - Inuyasha dessa vez falava seriamente encarando o irmão.

- Por que você não fica com ela, já que são tão próximos e me deixa em paz?

- Simplesmente porque, por uma razão a qual não consigo compreender, é a você que ela quer. Juro por Deus que não sei como ela pôde se apaixonar por um cara como você.

Sesshoumaru permanecia com a face impassível, embora a raiva pudesse ser percebida pelo seu olhar e pelo tom de voz.

- A minha vida não te diz respeito Inuyasha. Fique fora dos meus assuntos.

- Eu acho bom que não haja uma briga entre meus dois filhos em minha mesa. - O pai se pronunciou em um tom mais alto repreendendo os filhos pelo comportamento. - Vocês não são mais crianças para discutirem por qualquer motivo. Não conseguem trocar duas palavras que não sejam insultos?

- Com licença. - Sesshoumaru se levantou e colocou o guardanapo que estava sobre seu colo na mesa, depois se retirou furioso.

- Inuyasha deixe seu irmão em paz. - O jovem sorriu ao ouvir o pai, este decidiu ser mais enfático. – Você entendeu?

- Eu deixo. Se ele quer agir como um idiota eu não vou me meter. Só lamento pela Rin.

Sesshoumaru pegou as chaves do carro e saiu, mesmo com o frio que fazia ele pretendia sair e dirigir pela cidade até que conseguisse se acalmar. Inuyasha conseguia enervá-lo e se metia em assuntos que não lhe diziam respeito. Sua história com Rin era problema dele, ele teria que resolver.

O jovem dirigiu até alcançar um dos parques da cidade, onde estacionou o carro e saiu travando as portas logo depois com o controle automático. Ele sentiu o vento frio e cortante ferir sua pele, mas não se importou, caminhava pela trilha que estava vazia, afinal ninguém em sã consciência se submeteria aquele frio apenas para se exercitar ou fazer cooper.

Sesshoumaru caminhou por longos minutos, as mãos com luvas pretas calçadas estavam dentro dos bolsos do casaco grosso que ele vestia. Andou um pouco mais até que alcançou um banco vazio que ficava de frente para um lago. Ele se sentou e passou a observar as águas cristalinas, que ainda não haviam congelado. Algo que certamente aconteceria em poucos dias quando a temperatura baixasse mais. Seus pensamentos o levaram de volta a Rin, o rosto angelical e expressivo de traços tão delicados e simétricos. Aquela mulher possuía uma sensualidade ingênua em um corpo perfeito de curvas uniformes capazes de tirar qualquer homem sensato de seu juízo perfeito. O sorriso, ele lembrava-se, iluminava tudo a sua volta, a presença dela o fazia se sentir bem. Quando o visitava em casa, mesmo quando ele ainda não falava e não se movia por causa dos traumas sofridos no acidente sentir que ela estava ali lhe trazia um conforto inexplicável.

Rin o visitou algumas vezes e embora ele não reagisse a sua presença e não falasse com ela, sempre que tinha uma folga em sua agenda repleta de compromissos voltava. O tempo foi passando e Sesshoumaru se recuperando gradativamente. Ele se lembrava de uma visita que ela lhe fez em que ele foi extremamente grosseiro com ela, ainda estava perturbado com a possibilidade de não mais conseguir se locomover sozinho. Durante muitos meses Sesshoumaru fez uso de cadeira de rodas porque suas pernas não respondiam a estímulos. A incapacidade feria seu orgulho e o fazia sentir-se um inútil, foram inúmeras as vezes em que descontou sua frustração naqueles que o amavam, sendo ríspido, grosseiro e até agressivo em alguns momentos, Rin não foi uma exceção.

Flash back

Sesshoumaru estava no jardim durante uma tarde de outono. A mãe instruíra aos enfermeiros que cuidavam dele que o levassem para tomar sol sempre que fosse possível e naquele momento ele sentia os fracos raios solares aquecerem levemente sua pele.

Estava na cadeira de rodas com uma manta de lã cobrindo suas pernas dormentes. Os cabelos cumpridos balançavam com a leve brisa que soprava ali e os olhos dourados estavam fixos em lugar nenhum.

Rin foi levada até onde ele estava por Kaede. A velha senhora tinha muita simpatia pela moça, achava-a muito gentil.

- Sesshoumaru você tem visita. - Kaede disse em um tom carinhoso.

O jovem desviou o olhar e fitou Rin por alguns instantes. Ela sorria para ele de forma iluminada.

- Konnichiwa! - A mulher o cumprimentou.

- Eu vou deixá-los a sós. Com licença.

Kaede se retirou do local e a enfermeira que cuidava de Sesshoumaru se afastou, dando privacidade aos dois.

Sesshoumaru voltou a fitar o nada e Rin se sentou em uma cadeira que estava próxima.

- Já fazia algum tempo que não nos víamos. - Ela iniciou a conversa.

Não houve resposta.

- Como se sente? - Rin tentou mais uma vez.

- O que você acha? - Ele questionou voltando seus olhos dourados para ela.

- Eu não sei. Quero que me diga.

Sesshoumaru continuou encarando-a fixamente e ela não desviou o olhar. Ficaram assim por alguns segundos terrivelmente longos.

- Por que faz isso? - Rin mudou sua face séria para uma confusa ao ouvi-lo. – Por que continua vindo até aqui?

- Julguei que você soubesse o porquê.

- Não precisa vir aqui demonstrar compaixão por mim para agradar ao Inuyasha.

Rin sorriu demonstrando incredulidade, mas logo voltou a ficar séria para responder.

- Eu sinto muitas coisas em relação a você Sesshoumaru, mas compaixão não está entre elas.

- Isso não responde a minha pergunta.

- Você quer que eu diga com todas as letras? Eu venho aqui porque sinto necessidade de estar próxima a você. E essa necessidade é crescente desde o dia em que o conheci. Eu te amo Sesshoumaru e quero ficar com você.

- Você só pode estar brincando. Quer se divertir as minhas custas? Não, espere... Ele riu com escárnio. - O que uma mulher como você fará com um homem como eu?Você não pode me amar simplesmente porque você não me conhece, não sabe nada sobre mim. - O homem disse em um tom raivoso e ressentido. – Você se divertiu comigo no Havaí, pode ter sido prazeroso, mas como pode ver não posso mais ajudá-la nisso.

- Eu não estou procurando por isso Sesshoumaru. Eu posso ter sexo com qualquer um dos muitos homens que cruzam meu caminho. O fato de você estar em uma cadeira de rodas não importa para mim.

- É claro que importa. Você quer me convencer que seria capaz de viver com um inválido? Acho que não. Vá embora daqui e me deixe em paz. - Ele falou exasperado. - Não quero que se aproxime de mim, eu não preciso da sua maldita piedade.

Rin sentiu o peso das palavras de Sesshoumaru e estas a feriram profundamente, apesar de entender o quão chateado ele estava e a raiva que sentia por depender de outros para as tarefas mais simples do seu dia-a-dia. Para um homem auto-suficiente e orgulhoso como ele essa era uma realidade dura e humilhante demais. Ela se levantou da cadeira e o fitou seriamente, um fio de tristeza transparecia em seus olhos.

- É você quem está sentindo pena de si mesmo... Não se preocupe eu não vou mais incomodar, não vou mais procurá-lo eu juro.

Rin caminhou lentamente fazendo o caminho de volta para encontrar a saída daquela casa. Ela se muniu de óculos escuros, que esconderam o que quer que seus olhos transmitissem naquele momento e quando alcançou a porta que levava a sala cruzou com Inuyasha.

- Oi Rin-chan! Minha mãe me disse que você estava aqui.

- É, mas eu já estou de saída. Tenho um compromisso agora. - Ela disse enquanto o abraçava.

- O que aconteceu Rin? Você está trêmula.

- Nada demais.

Inuyasha notou o tom triste utilizado pela amiga e acariciou o rosto dela.

- O que foi Rin? O que ele fez pra te deixar assim?

- Ele... Ah Inuyasha! Ele apenas não me quer. - A mulher respondeu com tristeza e decepção evidentes.

- Eu sinto muito Rin.

- Não se preocupe. Eu preciso ir agora, depois nos falamos.

Rin partiu e Inuyasha ficou parado observando o irmão ao longe. Ele tentava entender como Sesshoumaru se sentia e porque ele rejeitava o amor de Rin.

Fim de Flash back

Depois daquele dia, como prometido, Rin nunca mais o procurara. Ela falava por telefone com Inuyasha periodicamente e Sesshoumaru sabia que eles se encontravam. Daí surgiram os boatos sobre um romance entre eles. Os jornais sensacionalistas e as colunas de fofocas sempre apresentavam fotos dos dois em jantares e eventos, os apresentavam como o mais novo e belo casal de Tóquio e faziam previsões para um casamento entre a top model mais conhecida do Japão e o herdeiro de uma das maiores fortunas da Ásia. Sesshoumaru lia tais notícias e elas não o agradavam, ele já não sabia até que ponto aquilo que era publicado era verdade ou não.

Muitos meses depois Sesshoumaru e Rin se encontraram novamente em uma festa para comemorar o aniversário de casamento dos pais dele. Ela foi convidada por sua mãe e como gostava muito dela, resolveu ir para prestigiar o casal de amigos que aprendeu a admirar e respeitar.

Rin estava nervosa ao chegar ao local da festa, um grande e imponente salão em uma das mais nobres casas de festa da cidade, mas nada pôde ser percebido pelo seu semblante que tinha um sorriso fresco e jovial que encantava a todos. Ela se emocionou ao entrar no salão, acompanhada por Inuyasha e ver Sesshoumaru parado a um canto, conversando com algumas pessoas. Ela sabia que ele estava andando novamente e que estava quase totalmente recuperado, mas ter aquela visão do homem que amava e que quase perdera para a morte trazia emoções intensas à tona. Rin havia jurado que não se deixaria levar por tais emoções e que se conteria na presença dele, mas essa era uma tarefa extremamente difícil.

Sesshoumaru voltou seu olhar em direção a mulher e a seu irmão, após ver o burburinho que a chegada deles provocou entre os convidados. Ele manteve-se sério ao vê-los se aproximarem, mas ao contrário da última vez em que se viram, foi cortês e educado ao falar com Rin ainda que tivesse mantido a frieza e a distância. A jovem o cumprimentou também de forma educada e não pôde deixar de se perder por alguns instantes no mar dourado que eram os olhos de Sesshoumaru. Ele ficou apenas por alguns instantes ali, desaparecendo logo depois da vista de Rin.

Muitos foram os comentários na festa por conta da presença de Rin ali. Ela era uma pessoa famosa e naturalmente despertava o interesse das pessoas, além da beleza que chamava a atenção. Os convidados também especulavam sobre o relacionamento dela com o caçula do clã Taisho, embora ambos negassem o envolvimento, eram muito próximos um do outro e isso instigava os comentários.

Sesshoumaru passou parte daquela noite a observando de longe, admirando seus gestos, seu sorriso e a simpatia para com aqueles que se aproximavam dela. Mesmo cercado por pessoas naquele ambiente festivo, ele estava mergulhado em uma solidão que ele mesmo cultivava desde o acidente, se afastou das pessoas e de certa forma até da própria família. Ficou tanto tempo "ausente do mundo" que quando voltou não se sentia mais parte dele. Ele observou o carinho e a atenção dispensados a ela por seu irmão caçula, embora muito requisitado por seus amigos e pelas inúmeras mulheres que já figuraram sua lista de conquistas ali, Inuyasha não a deixou sozinha em nenhum momento causando a ira de algumas dessas mulheres e um incômodo estranho em seu irmão mais velho.

A noite já se aproximava quando Sesshoumaru resolveu sair daquele parque. Entrou no carro e dirigiu até a casa dos pais. Quando chegou, a casa estava em total silêncio, Kaede foi ao seu encontro na sala após avistar o carro estacionado na frente da casa.

- Olá Sesshoumaru!

- Kaede, onde estão todos?

- Seu pai está no escritório, Izayoi está no quarto e Inuyasha saiu.

- Me faça um favor? Peça para alguém arrumar as minhas coisas, eu vou voltar para casa.

- Pode deixar que eu mesma farei isso. - A idosa respondeu com um olhar triste e um sorriso bondoso.

- Obrigada! - Ele disse antes de caminhar até o escritório.

Quando chegou até o espaçoso cômodo, encontrou o pai sentado atrás de sua mesa mexendo em alguns papéis.

- Pai?! Posso falar com você um minuto?

- Claro meu filho entre. - O homem respondeu voltando seu olhar para ele.

Sesshoumaru caminhou até alcançar as duas cadeiras que ficavam no lado oposto a cadeira de seu pai. Colocou as mãos no encosto de uma delas e disse:

- Kaede está arrumando minhas coisas, eu vou voltar pra minha casa.

- Isso é por causa da discussão com seu irmão?

- Não. Discutir com ele não é exatamente uma novidade pra mim. Eu já teria ido há muito tempo se não fosse pela insistência de Izayoi.

- Eu sei. Ela ficou mais tranqüila com você aqui depois que saiu do hospital e eu também.

- Eu já estou perfeitamente bem então, não vejo motivos para continuar aqui.

- Tudo bem. Você é adulto não posso impedi-lo, mas devo dizer que não acho bom que você se isole ainda mais. Eu sei que você preza sua liberdade e individualidade, sei que você gosta de ter a sua vida independente, mas você não deve procurar a solidão meu filho.

Sesshoumaru olhava para o pai com a mesma expressão impassível de sempre, mas o olhar demonstrava que ele refletia sobre as palavras dele.

- Eu me sinto bem sozinho. - Respondeu sério.

- Talvez agora, mas em algum momento isso lhe fará mal. Sesshoumaru, você deve ter tido problemas com Kagura e isso é um assunto que só diz respeito a você, mas eu tenho que lhe dizer meu filho, não permita que esses problemas façam você se trancar para a vida e o impeçam de se relacionar com outra pessoa. Se há anos atrás eu tivesse me fechado e não permitisse que Izayoi se aproximasse de mim, eu teria desperdiçado a minha felicidade e não teria ao meu lado a mulher maravilhosa que ela é. A mulher que me amou e criou meu filho como se fosse dela, mesmo depois de ter o seu próprio.

Alguns segundos de silêncio se formaram com pai e filho se encarando mutuamente. Os dois ouviram um barulho na porta e Inutaisho olhou naquela direção, Sesshoumaru não se moveu.

- Pense no que eu falei. - O pai falou ao filho em um tom baixo e com um leve sorriso no rosto enquanto se levantava para ir ao encontro da mulher.

- Olá! - Eles puderam ouvir a voz de Izayoi, que entrava no escritório naquele momento.

- Sesshoumaru?! Kaede me disse que você está indo embora?? - Questionou.

- Sim. - O rapaz respondeu simplesmente.

- Mas... Izayoi pretendia protestar, mas parou ao ver o olhar que o marido lhe lançava. Ele balançou a cabeça negativamente indicando que ela deveria deixar as coisas como estavam.

Duas horas mais tarde, Sesshoumaru saiu da mansão dos Taisho com suas malas no carro e rumou para seu apartamento que ficava há alguns quilômetros a oeste dali.

Não demorou para que ele chegasse em casa, um apartamento grande demais para um homem sozinho. Com uma decoração sóbria e requintada o local refletia o bom gosto do dono. Ele levou as malas para o quarto e as colocou em um canto no closet, depois voltou para a sala de estar e se dirigiu ao bar onde se serviu de um scotch e se jogou no confortável sofá, refletindo sobre as palavras do pai e lembrando das inúmeras brigas com o irmão causadas por suas provocações e pelo ciúme que ele sentia de Rin.

"Não se tranque para a vida meu filho... Não permita que esses problemas o impeçam de se relacionar com outra pessoa... Juro por Deus que não sei como ela pôde se apaixonar por um cara como você... É a você que ela quer... Não acredito que você vai cair nas histórias publicadas por esses jornais, se o que eles dizem fosse verdade eu teria um caso com metade de Tóquio...".

O jovem adormeceu naquele sofá com esses pensamentos cruzando a sua mente.

No dia seguinte Sesshoumaru acordou cedo como de costume e após se arrumar e tomar o café da manhã saiu de seu apartamento para ir ao trabalho. Ele não teria que trabalhar naquele dia, mas decididamente não ficaria em casa pensando no que não devia.

Em um hotel luxuoso no movimentado centro de Tóquio, Rin que havia chegado ao país no início daquela noite, naquele momento falava ao telefone, enquanto sua bagagem era desfeita e suas roupas e objetos eram arrumados pelas camareiras do hotel e por sua assistente.

- Tudo bem Ryan. Vamos nos ver daqui a um mês, em Paris, na próxima semana de moda. Bye!

Rin despediu-se de seu contato em inglês e colocou o aparelho celular sobre a mesa, onde estava uma bandeja com água mineral com gás que ela havia pedido. Tomou um pouco da bebida e disse a Ayame:

- Eu vou tomar um banho. Me faça um favor, entren em contato com Inuyasha e diga que já chegamos. Ele disse que queria muito falar comigo.

- Pode deixar.

Rin foi ao banheiro, onde se despiu e desfrutou de um banho quente e relaxante. Quando saiu vestiu-se com um roupão macio e logo em seguida Ayame entrava no quarto com o telefone nas mãos para entregar a ela.

- É Inuyasha. - A assistente informou.

- Obrigada Ayame! - Agradeceu e depois de se deitar na cama iniciou a conversa com o amigo.

- Hello Inuyasha!

- Olá princesa! Então você já está aqui? - A voz do amigo inexplicavelmente fazia com que Rin se sentisse bem, não importando seu estado.

- Isso. Eu cheguei há algumas horas. E então, o que você tem para falar comigo?

- Tem que ser pessoalmente Rin. Que tal um jantar? Você deve estar cansada eu sei, mas precisa comer.

- Jantar...

- É Rin. Vamos, eu estou ansioso para rever você e sei que você está ansiosa para me encher de perguntas.

Rin riu da brincadeira do amigo. Era verdade, sempre que eles se encontravam, por mais que discutissem vários assuntos sempre terminavam falando de Sesshoumaru. Rin não conseguia evitar, a única forma de saber dele, como estava sua saúde e sua vida era através do irmão.

- Tudo bem, mas aonde nós vamos?

- Pode ser no restaurante do hotel mesmo, assim você não passa por todo aquele estress para se locomover de um lugar para outro. Eu chego aí em uns quarenta minutos.

- Certo, eu vou esperá-lo. Até mais.

- Até.

Mais tarde Rin e Inuyasha estavam sentados em uma mesa reservada no restaurante do hotel, mas mesmo assim eram alvo dos olhares curiosos daqueles que passavam por ali.

- Diga-me como estão as coisas Inu.

- Está tudo bem. Eu cheguei a poucos dias de uma viagem incrível à Malásia.

- Você e suas aventuras...

- Foi uma aventura mesmo. - O jovem falou rindo. - Eu nem teria voltado agora se não fosse a pedido de Izayoi. Ela dará uma grande festa no final do ano e insistiu para que eu viesse.

- Uma festa, que bom!

- É. Ela diz que temos muito o que comemorar e eu concordo, os últimos dois anos foram pedreira para nossa família e agora que tudo está bem temos que comemorar.

- É verdade. E você adora uma festa, não é Inuyasha?

- Sem dúvida. Por falar na festa, você está convidada.

- Estou?

- Sim está. Quando soube que você estaria aqui, logo pensei que você devia ir.

- Eu não sei se é uma boa idéia Inuyasha...

- Por causa do Sesshoumaru?

Rin não respondeu, apenas fitou o amigo e através do olhar ele sabia exatamente como ela se sentia.

- Numa boa Rin, eu nem sei se ele estará lá. Ele está arredio, não socializa com ninguém é quase impossível lidar com ele. Apenas meus pais têm paciência.

- Acho que você devia tentar entendê-lo Inuyasha, ele passou por momentos muito difíceis.

- Todos nós passamos Rin, ele não sofreu sozinho. Todo tempo que ele passou em coma naquele hospital, nós estávamos com ele. Meus pais sofreram, você sofreu, a Kaede, eu...

- Mas... eu acho que ele ainda está se adaptando, deve ser difícil voltar a vida normalmente depois de tanto tempo fora. - Rin parecia triste ao dizer isso.

Os amigos continuaram conversando por longas horas mesmo após terem terminado o jantar, depois Inuyasha acompanhou Rin até a porta de sua suíte onde se despediu dela e depois foi para casa.

Na manhã seguinte, todos os jornais da capital japonesa tinham estampados na capa fotos de Inuyasha e Rin sorrindo alegremente durante um jantar romântico. Era o que as manchetes diziam.

Sesshoumaru estava em seu apartamento tomando café da manhã quando abriu o jornal e deu de cara com uma dessas reportagens. Ele não pôde evitar nó que se formou em sua garganta, Inuyasha negava ter um relacionamento com Rin, mas eles eram tão próximos e cada vez pareciam mais. Isso aborrecia imensamente Sesshoumaru e a dúvida o corroía por dentro.

O homem fechou o jornal e depositou sobre a mesa detendo-se em seus próprios pensamentos.

Sem comentários da autora. Vocês devem avaliar e fazerem suas considerações.

Beijos!