-E para onde foi o Wolverine? – Perguntou Warren enquanto jogava sinuca com Bishop e Bobby no Bar do Perigo. O recinto não estava cheio, o que deixava os ex-X-men mais a vontade. Warren usava um indutor de imagem que Forge havia criado quando fazia parte dos X-Men, por isso sua mutação não transparecia.

-Sumiu. Sabe como é aquele animal, quando algo o chateia ele corre com o rabo entre as pernas. – Disse Bishop, frio e direto enquanto não tirava os olhos da tacada de Bobby. Ele era desconfiado como de costume.

-Nossa, nunca tinha ouvido você falar assim do Wolverine. – Bobby ressalta enquanto encaçapa.

-Estou farto de ficar aqui parado enquanto todos fogem para suas casas. Então é assim que a brilhante equipe pela qual agarrei todos os ideais resolve as coisas? No primeiro desentendimento após a falta de liderança, cada um vai para um lado? Não são os X-Men que ouvi falar no meu tempo! – Bishop se indigna com a posição de cada ex-integrante para com a equipe de heróis que não mais existia.

-Não é o primeiro desentendimento, Bishop... – Diz Bobby, mas é interrompido por uma figura que chega ao local.

-Mas foi o último, foi o que bastou para abrirem os olhos, não é? – É Forge quem chega com seu recente mau humor gerado após um desentendimento com Ororo, qual foi causado justamente pela ligação que ela ainda sente com os X-Men.

-Forge! – Bobby exclama se aproximando como quem vai cumprimentar um velho amigo.

-Não se aproxime Bobby. Eu não sou um de vocês... Ou melhor, não sou mais o que foram.

-Uma vez X-Men, sempre X-Men, amigo. E mesmo assim não há motivo para agir de tal forma.

– Diz Warren.

-Acho que a atual situação de vocês não os permite dizer "uma vez X-Men, sempre X-Men". – Forge os lembra de que os X-Men já não existem mais.

-Você tem razão Forge. Ninguém aqui tem o direito de dizer isso, não são dignos de seguir o sonho de Charles Xavier. Se realmente pensassem dessa forma a situação não seria esta. – Bishop concorda, encarando feio os colegas.

-Parece que não há espaço para todos nós nesse bar. – Diz Forge visivelmente incomodado virando-se de costas para se retirar e dando alguns passos adiante.

-Eu conheço a Tempestade, Forge, cedo ou tarde ela vai retornar. – Bishop fala firme.

Forge para por um instante, mas continua seu caminho e vai embora.

-x-

-Eu não imaginava que fosse me trazer a um restaurante de comida Cajun, Gambit. – Diz Vampira, satisfeita com o local do jantar. – Achei que um homem como você fosse me levar para uma lanchonete.

-Vivendo e aprendendo, chère. – Gambit e Vampira jantam em um renomado restaurante de comida cajun de Nova York.

-Acho que estou me acostumando com essa vida "normal". Talvez seja melhor assim. – Diz Vampira, olhando para Gambit com um olhar inesperadamente sincero.

-Eu ainda acho que você precisa de umas férias. Que tal viajarmos, nós dois juntos? – Ele fala com seu típico olhar sedutor enquanto pega as mãos de Vampira em cima da mesa carinhosamente.

-Eu acho que... – Vampira sorri olhando nos olhos rubros do Cajun e aproximando-se de seu rosto. -... Que você não muda mesmo, né Remy? – Ela fala como quem adora quebrar esperanças e se afasta novamente, desfazendo-se das mãos dele.

-Eu mudaria por você. – Ele sorri enquanto ela dá uma pausa em sua resposta o olhando fixamente.

Realmente não entendia o que exatamente Gambit queria. Deveria ficar com raiva por ele fazer esses jogos para conquistá-la, e realmente ficava com raiva desse homem que não parava de falar, mas não conseguia enfrentá-lo sempre, somente quando tinha força o suficiente para dar um basta em suas cantadas. Ela sabia que o cajun adorava um desafio, tornava a conquista um jogo e o fazia com muita maestria e isso a deixava mais insegura ainda. Não queria deixar-se levar por Gambit, pois não sabia o que ele realmente queria, mas se deixava levar mesmo assim quase sem perceber, como quando deixamos que o tempo faça as escolhas por nós.

-Até quando esse seu jogo vai durar? – Vampira diz, fechando um pouco seu sorriso e o encarando, a espera de uma resposta que não veio, pois foram interrompidos.

-Vampira! – A garota de cabelos curtos fala diante da mesa do casal. Os dois a olham.

-... Você! – Vampira fala séria.

-x-

-Logo meu triunfo começará. Não há mais tempo para esperar. Os mutantes irão liderar esse mundo. – Diz Magneto, cheio de si olhando a lua da janela do que parecia ser uma base. – Onde está Mística?

-Estou aqui Magneto. – Diz ela, chegando ao local.

-Cuidado com o que está tramando, Mística. Se seus objetivos interferirem no meu plano, irá pagar caro. – Ele fala apertando o olhar ao encará-la.

-Não se preocupe Magnus, acho que você vai gostar da minha surpresinha, embora eu não apóie. – Ela fala com um olhar malicioso, deixando Magneto pensativo.

-Veja bem o que vai fazer, mulher. – Ele diz, virando-se de costas e mirando a lua novamente.

-x-

Olhando a lua estava Ororo. Sentia-se deslocada, fora de lugar, como se não fosse ela mesma a viver aquela pacata vida. Além disso, sentia algo errado, como se o silêncio do Professor durante os últimos meses fosse um sinal de alerta. O telefone toca.

-Alô. – Uma desanimada Ororo atende ao telefone que fica no criado mudo ao lado da cama de casal.

-Oi Ororo, é a Jean. Eu não tenho boas notícias. – Diz a voz no telefone, deixando Ororo atenta. – Eu ouvi uma voz na minha mente... Eu tenho medo do que pode ter acontecido com o professor!

-Deusa! – Exclama Ororo sentando-se na cama como se sua preocupação realmente tivesse sido um sinal.

-x-

-Ponto Cego! – Exclama Vampira levantando-se e abraçando a garota sem medo de tocar em sua pele. As duas se tocam e nada acontece, para surpresa de Gambit.

-Ei chère, o que está acontecendo aqui? – Pergunta Gambit.

-Esta é a Ponto Cego, Remy. É uma amiga minha de muito tempo. – Diz Vampira extremamente feliz.

-Mas... como podem se tocar?

-Eu também sou uma mutante, os meus poderes e os da Vamp são tão parecidos que ela pode me tocar que nada acontece. – Diz Ponto Cego.

-Eu estou tão feliz de te ver de novo. – Diz Vampira de costas para Gambit e de frente para sua amiga.

-Hmm. – Gambit murmura, não muito feliz com o fato de ter seu jantar romântico interrompido. – Sente-se chère. – Ele fala para Vampira.

-Sente-se conosco, Ponto Cego! – Pede Vampira, sorrindo enquanto puxa a cadeira para a garota sentar.

-O que... – Gambit reprova.

-E ah, estava me esquecendo de apresentar vocês direito. Gambit, esta é Ponto Cego, Ponto Cego, este é Gambit. – Vampira falava como se tivesse deixado todas as suas frustrações de lado, e isso de certa forma incomodava Gambit. Há muito tempo que ele não via Vampira tão a vontade. Ele queria que ela se sentisse assim com ele.

-Olá Gambit. E eu não quero incomodar vocês. – Diz Ponto Cego.

-Que bom. – Gambit fala olhando para Ponto Cego deixando claro que está incomodado, levando uma cutucada de Vampira.

-Faço questão que participe do nosso jantar, Ponto Cego! – Vampira diz, mesmo sabendo que Gambit certamente deve reprovar isso.

-Ora, chère... – Gambit não reclama tanto para não levar outra cutucada de Vampira que o olhava com um olhar ameaçador.

-Não quero tomar muito do tempo de vocês. Posso roubar a Vamp de você só um pouquinho, Gambit? – Pergunta Ponto Cego, sentando-se na cadeira que Vampira puxou para ela.

-Desde que não roube ela durante o jantar inteiro... – Diz Gambit, se retirando e pegando um cigarro do bolso.

-O que aconteceu? – Vampira pergunta, agora menos eufórica.

-É sobre Mística. – Ponto Cego começa.

-Eu não quero saber dela. – Vampira fecha a cara.

-É muito sério, Vamp. A Mística está com problemas, perdeu o chão de vez e quer te ver.

-Eu já disse que não me importo. Aquela mulher só ferrou a minha vida, ferrou as NOSSAS vidas, eu não sei como você não percebe.

-Eu não gosto... não gostava dos X-Men e passei a odiar eles muito mais depois que você foi pra lá, eles começaram a controlar você, mas agora que tudo acabou isso é passado. Só que a Mística quer ferrar com tudo de vez. Ela se uniu ao Magneto.

-O que? Como assim? – Vampira se assusta, prestando atenção em Ponto Cego mais atentamente.

-É, o Magneto quer dominar geral de novo e a Mística se uniu a ele, eu falei que ela tá sem chão. Acho que a única pessoa que pode ajudar ela é você, Vampira. Eu sei que você e o Magneto tiveram um lance, mas esquece isso já que você tá com esse bonitão. Promete que vai ajudar?

-Eu não sei... Preciso pensar. – Vampira coloca a mão na cabeça e a desliza de leve entre os cabelos cacheados.

-Não temos tempo, Magneto tá agindo rápido.

-Qual o plano dele?

-Eu não sei direito, mas se você falar com a Mística eu sei que ela vai te contar. – Ponto Cego insiste.

As duas se encaram. Vampira não queria reencontrar Mística, uma parte dolorida de seu passado que ela estava tentando enterrar junto com uma parte feliz – Os X-Men.

-x-

-Então... Alguém atacou o Império Shiar e algo aconteceu com o professor Xavier? – Pergunta Ororo, já na casa de Jean e Scott. Os três estavam sentados no sofá da aconchegante sala com apenas as luzes dos abajures ligadas, dando um clima mais sereno a cena.

-Exatamente, Ororo. Eu tenho medo do que pode ter acontecido. – Diz Jean, sentada ao lado da amiga enquanto as duas tomavam um chá.

-Deusa! Mas como isso pôde acontecer? O Império Shiar é muito forte. – Ororo coloca a xícara em cima da mesa de centro.

-É isso o que tememos, Tempestade. – Diz Scott, se levantando. – Se algo de fato aconteceu, quem ou o que provocou isso é mais forte do que podemos imaginar.

Tempestade levanta-se de repente com um olhar firme.

-É tempo de agir, meus amigos. – Ela diz.

-O que? – Jean pergunta, colocando sua xícara sobre a mesa de centro.

-Chega de fingir ser dona de casa, se ninguém quiser me ajudar eu farei isso sozinha. Eu vou resgatar o professor Xavier! – Diz ela, determinada.

-Eu queria tanto ouvir isso. – Diz Jean, se levantando.

-Eu também, querida. – Diz Scott, olhando para Jean.

-Meus queridos, os X-Men estão de volta! – Tempestade fala, dando um largo sorriso.


Eu ri na parte do chá hahaha

Foi para mostrar o quanto a vida dos X-Men se tornou sem graça e pacata, a ponto deles tomarem chazinho um na casa do outro enquanto discutem algo.

Alguns jogam sinuca no bar, outros vão beber algo pra esquecer a briga com a mulher, outros vão jantar fora...

Tá certo que eles já faziam tudo isso antes, mas agora o fato é que eles SÓ fazem isso.

Até a próxima ;*