Branca de Neve
Quem não gosta do natal?
Presentes, família e amigos reunidos, o frio, uma lareira quentinha. Um abraço de saudade, um beijo de felicidade, um sorriso de solidariedade. Ah, o natal! A única época do ano em que inimigos dão as mãos e festejam juntos.
O vermelho, o branco. A mistura do amor com a paz. Dos anjos com os demônios. Exagerei? Acho que não.
Essa história é um pouco diferente da original. Dessa vez a princesa não é nada inocente e nada doce. Essa é Vírginia Weasley, nossa princesa da vez. E diferente do príncipe encantado da branca de neve, Draco Malfoy não esta a procura de uma donzela.
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-Eu já sei em quem vou pregar a peça desse ano. – escutou. Com pressa Draco se escondeu atrás da pilastra e continuou escutando a conversa.
-Quem?
-A Weasley. – a menina soltou uma risada fina e escandalosa, sendo seguida da outra. – Fiquei sabendo que ela adora uma maça. – riu novamente. Draco revirou os olhos.
-Não entendi.
-Idiota! Vou dar uma maça enfeitiçada para ela. Eu vi isso em algum lugar.
-Não é daquela história trouxa.
-Ah, sim. Como é o nome. Branca da Trevas? – Draco revirou os olhos. Até ele sabia o nome da história. - Bom, sei lá, mas, agora ela vai ver com quem ela esta encarando. Onde já se viu? Colocar chiclete no meu cabelo.
-Ye! E o que vai acontecer com ela?
-Ela vai dormir um pouquinho. – riu. – E só vai acordar com algo que for proibido.
-Como assim?
-Sei lá! Tava escrito isso no livro.
Então que dizer que a Weasley vai se ferrar? Pensou Draco.
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Ela desceu as escadas correndo. Estava morrendo de fome, não havia jantado!
Seu irmão e amigos foram passar o natal em casa. Havia dado a desculpa de que queria ficar para aproveitar e estudar, mas queria era mesmo ficar sozinha.
Ao virar o corredor uma coruja veio em sua direção. O animal parou em sua frente e jogou-lhe uma pequena caixinha. Confusa, Virginia a abriu e viu...
-Uma maça? – falou com uma careta.
Quem diabos lhe daria uma maça de natal? Quer dizer? Alô-ôu! Uma maça? Pra que? Poderia pegar uma na cozinha, não precisava ganhar uma.
Deu de ombros e levou à maça a boca.
-Eu não faria isso se eu fosse você. – foi interrompida.
A ruiva levantou os olhos e encarou a pessoa.
-Malfoy?
-Weasley.
-O que você disse?
-Que eu não faria isso se fosse você. – repetiu.
-Mas como você não é, eu posso comê-la. – falou levando a maça a boca.
-Não! – andou alguns passos apressados em direção a menina.
O que eu estou fazendo? Pensou ele.
Virginia arregalou os olhos.
-Como? Por que eu não posso?
-Por que sim, senão você não conseguira dividi-la com seus irmãos.
-Como?
-Você ta meio lerda hoje, não?
-Como é ignorante? – resmungou e colocou a maça na boca.
-Não! Weasley!
O barulho na camada vermelha sendo violada ficou explicito no corredor silencioso. Sem mais Virginia caiu para trás desmaiada, mas Draco a segurou a tempo.
-Burra! – a pegou no colo.
O QUE EU ESTOU FAZENDO? Gritou em pensamento. Para onde eu a levo? Para a hospitalar. Que mane hospitalar, deixa ela ai. Lembra? Pobre? Veste de segunda mão? Porra, Malfoy, é uma Weasley. Não escute, leve-a para a ala hospitalar. Mas eu vou levar a culpa. Afinal ela é uma Weasley. Então deixe-a ai! Não! Leve-a para seu dormitório. O QUE?! Ah, calem a boca, ela precisa de ajuda! ANDA LOGO!
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Deitou-a em sua cama.
-O que eu vou fazer com você?
Quer saber o que eu faria com ela? Eu não quero, então cala a boca. Eu preciso acorda-la logo, mas como? Por que não mata de vez? Quer dizer, menos um problema. Meu Merlin! Quanta besteira. Realmente precisamos acordá-la. Jura? Mas como? Quer dizer, eu não sei qual foi o feitiço usado. Se você ao menos começasse a pensar. Vamos, Draco, pense em algo! O que você escutou daquelas meninas. Quanta perda de tempo.
-Algo proibido. – exclamou, sentando-se ao lado dela. – Mas o que?
Boto fé em erva proibida. CALA A BOCA. Gente do céu! Vocês não estão ajudando. Parei! Mas o que pode ser mais proibido do que ervas p.r.o.i.b.i.d.a.s.? Ele tem razão. Oh, por Merlin! Não é esse tipo de proibido! Aquelas garotas haviam falado de um conto de fadas, como é o nome? Branca de Neve! Como você sabe? Se eu sei vocês sabem. Pergunte-se a si mesmos. Isso foi bizarro! Enfim, Branca de Neve! Provavelmente a menina é branca como neve. A Weasley ta bem pálida. Sim, e ela come uma maça, então desmaia e acorda como? Se você sabe, por que não fala? Como é burro, sua mãe e contou essa história quando pequeno. Mas eu tenho que fazer isso com ela. É. Agora você vai poder zoa o Weasley dizendo que deu uns pegas na irmãzinha dele. É fácil falar. Tenho mesmo que fazer isso? Não é tão difícil, só encostar os lábios e pronto. Só encostar. Isso é bem proibido. Cala a boca!
-Ok, só encostar. – suspirou. Abaixou em direção a menina. – Só encostar.
Com uma mão afastou algumas mechas vermelhas que lhe caiam no rosto. Ela parecia tão angelical, tão doce. Um brilho passou pelos olhos de Draco e ele não segurou um suspiro. Talvez aquilo não fosse tão difícil.
Fechou os olhos lentamente e selou seus lábios nos dela. Foi uma união, calma, mas longo. Quando se separou da ruiva a viu abrir os olhos lentamente.
-Eu disse para não comer a maça. – falou com a voz rouca. Virginia se arrepiou ligeiramente.
-Não, você disse que não comeria.
-Mas eu...
-Oh, cala a boca. – puxou pela nunca unindo seus lábios novamente, mas dessa vez com mais vontade.
Eh, o natal é a época da união. e talvez o branco não simbolize a paz e o vermelho o amor. Talvez aja uma mensagem por trás das cores. Talvez seja o destino. Talvez seja ela e ela. O fogo e o frio. O Vermelho e o branco.
