Você já leu o disclaimer?
Sério?
É importante...e rápido
E agora?
...
...
Ok, então...
(Ao som de Stubborn Love - The Lumineers)
Noivado.
Ela estava ouvindo o anúncio e a pequena conversa desde seu início e ainda assim não tinha tido forças para cruzar a porta em direção á entrada da casa e se fazer presente como ouvinte. Ao contrário, ela estava ali. Encostada contra a parede do corredor sofrendo com cada palavra e ainda assim derretendo em um turbilhão de emoções simultâneas.
"Será uma honra para a minha casa." Ela ouviu sua mãe dizer ao interlocutor, havia um tom de surpresa e contentamento que era claro como o dia. Ouviu quando o velho senhor e o encarregado do palácio emitiriam sons de aprovação.
O mais velho deles, que tinha uma voz muito gentil e que ela conseguia imaginar, pois já o tinha visto antes continuou a falar. "O rei deseja que eu expresse a gratidão dele por sua hospitalidade, e pela hospitalidade pela sua família." Sabia que ele era um amigo de confiança de seu rei e conselheiro dele. Aquele era Balin, filho de Fundin.
"Não, não, não. Meu senhor não!" ela ouviu a mãe se embaralhar em sua fala nervosa. "É uma honra para a minha família que o rei e os seus venham a querer entrar em nossa humilde habitação." Ela ouviu enquanto a mãe continuava em elogios compridos e complicados a exaltar as qualidades da família real.
Balin a interrompeu em certo ponto, talvez já desgastado da cachoeira de elogios que a mulher derramava sobre ele. "Será então amanhã senhora Hin, durante a refeição pós-almoço." Parecia que aquele era o fim da conversa, mas ela sabia que não. Sabia que a mãe não deixaria o conselheiro sair de sua casa sem ao menos tentar arrancar mais informações dele.
Ouviu quando a mãe se apressou em falar para detê-los em sua partida. "Meu senhor é muito gentil. Muito magnânimo. Diga-me e acalme esse coração velho que bate dentro de mim. Qual a natureza da visita?"
Assim uma leva nova de perguntas choveu sobre Balin e o arauto do rei e, ela ouviu com cuidado cada palavra que saía da boca do velho, bem pensada e bem colocada. Ele não disse nada ao final do discurso ela percebeu. Não precisava que ele dissesse nada, tinha uma idéia do porque a linhagem de Dúrin viria a sua casa. Sabia. Algo dentro de si sabia, ou pelo menos suspeitava do motivo da visita. Ela ouviu então a despedida dos dois anões e de sua mãe e disparou com igual velocidade para seus aposentos, trancando bem a porta e deixando-se cair na cama.
"O que é isso?" perguntou olhando para a caixa á sua frente, um dos homens do palácio a segurava em mãos enluvadas e brancas enquanto estendia o contêiner para ela com uma expressão séria no rosto.
O homem curvou-se então esticando ainda mais a caixa prateada e bem desenhada nas mãos. Ela deixou seu exercício para limpar a mão no avental. "Vossa Alteza deseja que aceite este presente." E foi apenas isso que ele disse, foi então que ela notou o pequeno bilhete em cima da caixa prateada e alcançou-o no instante seguinte.
Ela abriu a caixa, primeiro, vendo um bracelete de ouro belíssimo envolto em um suporte de cetim vermelho. Seu lado mais anão e primitivo silvou com aquilo enquanto ouro se refletia em seus olhos. Queria o bracelete para si, mas sabia o que significava aceitá-lo. Quem mandara o presente – e ela sabia quem era – pensaria algo sobre ela que não era real. Ainda assim seus dedos quase tocaram o metal amarelo. Quase.
"Eu sinto muito, mas eu não posso aceitar." Respondeu com um gesto quase brusco demais, colocando o bilhete dentro da caixa e a fechando com um baque alto e que despertou a atenção de alguns ao seu redor.
"Minha senhora?" perguntou o empregado com olhos surpresos, ela pôde jurar ver assombro em seus olhos, mas retornou á sua renda deixando-o para trás. Ele se aproximou oferecendo com mais vontade a caixa prateada. "É um presente..."
Suspirando alto ela deixou a agulha comprida cair sobre o balcão. O peito começava a comprimir com aquela conversa, por pensar nele. Segurou a língua para não oferecer uma maldição para o anão á sua frente.
"Eu sei o que é. Leve embora." Disse sem observá-lo, ele não se moveu e o pior de seu temperamento a tomou de surpresa. "Eu disse que não quero! Leve embora!" gritou algo realmente atraindo atenção para si e o homem do palácio
Ele se curvou á maneira dos homens reais e saiu caminhando com passos pesados, seu orgulho Khuzud ofendido por ter ouvido o grito de uma mulher em seu ouvido. Ela puxou a agulha olhando para a renda estendida á sua frente. Não conseguiria voltar ao trabalho naquele dia. Nem se quisesse poderia.
"Cind? Onde está a sua cabeça minha jovem?" ela ouviu o urro da mãe e um beliscão foi sentido em seu cotovelo, olhar dentro dos olhos azuis dele estava sendo mais difícil do que ela imaginara que seria.
A dificuldade em falar algo ou sequer mover um músculo do corpo estava diretamente relacionada com o assunto que a família real havia apresentado á sua família. Ela estava certa. Sobre o assunto da reunião. Sobre os olhares entre eles. Sobre ele. Se pelo menos aqueles olhos azuis não estivessem lhe observando com tanta atenção ela poderia dizer algo.
"Minha jovem, eu soube que esta renda que estou usando foi feita por você. É isso mesmo?" perguntou a princesa Dís irmã mais nova do rei Thorin. Cind olhou para ela envolta em veludo azul adornado com sua renda de mithril e acenou positivamente com a cabeça. "É maravilhosa, eu a aprecio muito e mais ainda agora." Ela sorriu com o elogio curvando a cabeça. "Você é muito talentosa."
"Sim ela é dotada de grande talento para a renda. Habilidade herdada do meu lado da família." Ela ouviu a voz da mãe cortar o ambiente mediante seu silêncio, seus olhos voltaram á suas mãos que suavam enquanto ela se deixava respirar fundo ouvindo a voz da mãe.
A família dele havia sido pontual em se apresentar em sua casa exatamente á hora do pós-almoço. Vinham trajando roupas impecáveis condizentes com a ocasião e com seu ar de realeza embutido á tudo que faziam desde sentar no sofá até coçar o nariz levemente ou aceitar um petisco. Sua mãe havia trabalhado durante a noite inteira para poder preparar aquele banquete para a família real, pedira ajuda de sua tia e algumas da amigas para conseguir preparar tudo. Em troca de notícias quando o rei deixasse sua casa. Cind olhou para ele pela primeira vez em um bom tempo, ele ainda estava com os seus colados á ela, sorvendo-a em todas as maneiras possíveis com seus orbes azuis. Ele sorriu suavemente.
"Quer dançar comigo moça?" disse com um sorriso no rosto esticando sua mão para ela. Ela se perguntava se ele também havia sentido e se era por isso que estava agora parado em frente á ela. Respirando fundo ela simplesmente acenou negativamente com a cabeça sorrindo ligeiramente. Temia tocá-lo. "Não?" viu quando uma expressão de surpresa veio ao seu rosto – um rosto tão bonito – e tentou contornar qualquer ofensa.
"Obrigada pelo convite." Achava que aquilo era suficiente para que ele não tentasse de novo, mas ao contrário o jovem puxou uma cadeira próxima e sentou-se frente á ela. Estava sozinha naquela hora, seu irmão e suas amigas estavam dançando.
Parecia que todos menos os dois estavam dançando.
Com uma perna de cada lado do encosto e apoiando as mãos sobre o mesmo ele aguardou olhando dentro de seus olhos por um bom tempo. Tempo suficiente para fazê-la corar e desviar os seus. "Posso pelo menos saber o seu nome moça?" Cind tentou falar, mas pareceu impossível formular qualquer palavra sentindo o que sentia. Era ele sim! E ele deveria saber disso. "Deixe-me então me apresentar... Eu sou..."
"Não é necessário." Ela interrompeu não percebendo de onde viera tanta coragem assim. "Todos sabem quem é Alteza." Viu então o sorriso de antes voltar ao semblante dele e seus bigodes compridos se moverem em seu rosto.
Ele ironizou com sua expressão por um instante e então puxou sua cadeira com um arrasto para perto dela quase tocando seus joelhos por sobre o vestido azul. "Isso não é justo!" ele bramiu. "Diga-me o seu nome moça, não deixarei o seu lado pelo resto da noite."
Ela ficou surpresa com o que ele acabara de falar e engoliu o seco algumas vezes antes de responder. "Fili!" ouviu-se o chamado alto um segundo antes de ela poder falar seu nome, viu quando outro anão se aproximou correndo, tinha uma caneca grande de bebida nas mãos e já se mostrava sob o efeito da mesma. "Ai está você! Você desapareceu..." Ele então calou o resto da frase olhando para ela.
"Kili. Não vê que estou ocupado?" o jovem sentado respondeu olhando com um sorriso para o rosto do outro. Ela observou os dois príncipes agora com certo interesse, o mais novo tinha cabelos escuros como os do tio, o rei Thorin, mas era o jovem sentado á sua frente que herdara os olhos azuis de Dúrin.
O jovem então apoiou-se sobre as costas do príncipe herdeiro, deixando até mesmo um pouco de cerveja derramar e recebendo um palavrão com aquilo pelo irmão mais velho. "Eu estou vendo que está." Ele sorriu erguendo uma sobrancelha e a analisando com cuidado. "Esse orc amarelo está lhe incomodando moça?"
Fili empurrou o irmão mais novo de cima de si e ela viu enquanto eles começavam a brigar e rir entre eles desferindo apelidos engraçados e sem conseguir segurar o riso Cind deixou que a risada se fizesse alta. Eles pararam onde estavam para ouvi-la rir divertida. Fili o príncipe mais velho então se libertou de Kili o mais novo e voltou até ela encostando a cadeira em que estava sentado á pouco.
Ela parou de rir ao vê-lo perto. Ele sorria como na primeira vez que se aproximara e voltava a estender a mão para ela. "Eu vou pedir de novo pelo seu nome e dessa vez gostaria de uma resposta. Depois nós vamos dançar." Havia agora um tom de comando misturado, mas ele continuava sorrindo.
Ela esticou a mão devagar olhando uma última vez para Kili que sorriu sorrateiro e se afastou devagar. O toque veio eletrizando suas fibras e viu nos olhos dele. Ele sentiu também. Sentiu o elo. "Cind".
"Cind!" Ela ouviu ser chamada, dessa vez era seu irmão Nod que falava, ele tinha quase dez anos a mais que ela e a jovem anã soube que ele falava algo sério. O rei parecia um tanto desconfiado dela. Não o culpava. Estava divagando demais naquele dia. Culpa do anão loiro á sua frente.
"Talvez fosse melhor que deixássemos os jovens conversarem." Ela ouviu a voz do rei cortar qualquer outro som no cômodo, ele olhou para o sobrinho e acenou com a cabeça. "Fili, leve sua noiva para tomar ar enquanto discutimos o acordo nupcial."
O jovem acenou positivamente com a cabeça e olhou para ela. "Cind venha comigo." E lá estava ele estendendo a mão de novo, dessa vez ela não podia dizer não. Não para seu noivo. Não precisou pensar muito, sua mãe com outro bom beliscão a tirou de seu local no sofá e ele a ergueu quase sem nenhum esforço.
Olhou para trás uma última vez antes de cruzar a porta da frente, num dos sofás estavam os seus, pai, mãe e irmão todos olhando para a família real. Sua mãe e pai deslumbrados demais para deixá-la recusar a proposta de casamento do príncipe herdeiro, seu irmão cuidadosamente traçando planos mentais de ascensão social baseado na união dela com o jovem. Do outro lado no outro sofá - o mais luxuoso dos dois - estavam os herdeiros de Dúrin, Thorin filho de Thrain, sua irmã Dís, primeira princesa e o filho mais novo de Dís, Kili, irmão de seu noivo. Seu noivo. Ela ainda não podia acreditar naquelas palavras. Sentia o mesmo complexo de emoções que sentira no dia anterior. Agora, muito mais despertas e fortes do que antes.
Do lado de fora quase cruzando com ela e com... Seu noivo, apareceu Balin. Ele sorriu vendo Fili ainda deter suas mãos entre as dele e entrou na casa que vocês acabavam de deixar com aquele mesmo sorriso. Todos pareciam sorrir assim para ela. Viu no rosto das sentinelas postadas do lado de fora da casa. O jovem que ainda a prendia entre seus dedos acenou para que não fossem seguidos pelos dois guerreiros que guardavam a porta e manteve-se á frente do caminho por um tempo a conduzindo. Primeiro para longe dos olhares das sentinelas e então para longe dos olhares dos vizinhos que observavam por frestas nas cortinas. Amanhã todos saberiam. Toda Belegost e todo o povo anão das Montanhas Azuis saberia que ela uma filha de Mahal comum e sem pedigree ele, Fili filho de Aidili, da Linhagem de Dúrin, Príncipe Herdeiro dos Barbalongas e de Erebor um dia se casariam.
O ar faltava em seus pulmões.
Ainda assim ele a levou pela mão além de apenas 'tomar um ar' como o rei sugerira, até que estivesse sobre uma das pontes do nível que a família dela habitava. Longe de olhos curiosos. Ele trouxe a mão de Cind para si e beijou as palmas antes de deixá-la afastar-se. Ela olhou ao redor para além dos limites da ponte, se debruçando na lateral e sorvendo o ar que vinha de baixo para cima como uma corrente de ar.
Fili se aproximou sem que ela percebesse tocando seu ombro com cuidado, Cind não quis ter uma reação tão violenta, mas foi quase impossível evitá-la curvando-se para trás e se afastando do toque. Ira. Ela sabia que o pior lado de si, o lado em brasa dos anões dispararia a qualquer momento.
Os olhos azuis dele piscaram surpresos quando ela recuou e ao tentar outro passo de aproximação ela disparou. "Não!".
O noivo então esticou as mãos como se estivesse vencido, mostrando as palmas e deixando-se cair sobre a murada que ela abandonara há pouco. Ela abraçou o corpo com ambos os braços. Aquilo sempre a acalmava. Ficaram assim por um momento, um momento para que ela não chorasse.
"Eu sei que parece muito drástico, mas você não me deu escolha." Ele disse com seu tom apaziguador. Ela odiava quando ele falava assim, parecia tratá-la como uma criança. "Pode parecer uma atitude meio agressiva..."
"Você foi longe demais!" Ela o interrompeu. "Você não tinha o direito de fazer isso!" Cind estava gritando agora percebeu, mas seu sangue quente não parecia capaz de lhe dar controle sobre o tom da voz, gesticulava agressivamente enquanto batia os pés no chão.
"Cind..." Lá estava de novo: A voz apaziguadora dele. Ao mesmo tempo o jovem anão loiro tentava se aproximar dela mais uma vez. Mais rápido e focado. Teve sucesso tocando-lhe os ombros embora ela estivesse caminhando para trás para evitá-lo.
"Não! Não! Não me toque!" ela rebateu tentando livrar-se do contato. Era inútil ele era muito mais forte do que a jovem e mais que isso ele era um guerreiro. "Você não tinha o direito de fazer isso." Dominação de oponentes era parte de seu treinamento.
"Não vou perdê-la para outro homem, não vou." Ele rebateu imediatamente ainda em posse dos braços dela, Cind bateu contra o peito dele no instante seguinte e ele a forçou mais até que estivessem tão próximos que se abraçassem. "Você é minha."
Belegost estava sobre um feitiço. Era o dia da Criação, o Dia de Mahal sobre si. Era como se a cidade anã houvesse ganhado vida. Bem que se dizia pela boca de homens e elfos que os anões sabiam comemorar. E se sabiam. Cind estava completamente intoxicada pela vida que se renovava naquele ano novo, contente. Contente sim, mas não aliviada... Considerava-se uma jovem tímida, todos que conhecia a consideravam assim, 'tímida e simples' a mãe dissera para ela uma vez. Nervosa não, não se considerava uma pessoa particularmente nervosa. Pelo menos antes não. Agora podia dizer que suas estruturas estavam um pouco abaladas. Como poderia ser diferente? Era tudo culpa dele. Fili, o primeiro príncipe, sobrinho do rei.
Cind ergueu os olhos do piso para a comemoração. Todos estavam tão felizes e completos que aquilo a contagiou e ela sorriu por um momento, até voltar a afundar em pensamentos no jovem e belo príncipe. Mahal brincava com ela! Só poderia ser esse o caso. Qual seria a resposta para o caso dela.
Foi então que ela sentiu.
Um toque macio e confortante em sua aura... Conhecido. Era quase que impossível de confundir. Ela se deixou levar por um momento o sentindo tocar seu lukhud ao dela. Só por um momento até que ela voltasse a si. Ele estava perto. Ou então não teria conseguido sentir a presença dele. Não demorou nada ele estava em seu campo de visão terminando sua caneca com certa pressa, ela desviou os olhos, ele tentou se unir com ela de novo, dessa vez ela retraiu e então se afastou deixando o irmão para trás com seus amigos e cruzando a multidão.
Porque Mahal faria uma brincadeira como aquela? Deixar que uma simplória se apaixonasse por um príncipe?
"Não fuja de mim!" Fili disse aparecendo á suas costas e tomando sua mão, gritava para ser ouvido e não ignorado. Felizmente estavam agora longe da comemoração do salão principal ou todos os homens e mulheres ali o teriam escutado.
"Deixe-me ir Fili..." sua voz era um mero murmuro em meio ao vazio dos salões menores.
"Não vai a lugar nenhum." Foi a resposta que obteve, isso e quando ele a puxou para si a envolvendo em um abraço forte e quente como uma brasa de forja. Cind estancou no lugar, apenas apertando a túnica de linho dele entre as mãos. "Você não pode me evitar pra sempre, moça." Ele disse ouviu um riso suprimido dele. "Não pode fugir... Anã mais teimosa."
Cind respirou fundo e tentou outra vez se afastar, ele não deixou. A pressionou com ainda mais força.
"Você é minha. Eu sei que é... Você sabe que é." Havia um tom possessivo em sua voz ao dizer aquilo. Um tom que ele usava para mostrar a seriedade de suas palavras. "Case comigo." Outra vez o tom de comando. Era uma ordem, não um pedido e aquilo irritou Cind de uma maneira que ele nunca havia irritado antes. Uma ordem e não um pedido.
"Deixe-me ir!" Cind gritou de volta o empurrando com toda a sua força. Ele não esperava aquilo e foi assim que obteve sua liberdade, uma liberdade que custou seu fôlego, mas não suprimiu suas palavras. "Eu não vou ser tratada como propriedade, eu sou um ser feito por Mahal como você." Havia ira em sua voz agora. "Não sou um pássaro e nenhuma gaiola me prende. Sou um ser com vontade independente!"
"Você poderia ter simplesmente dito 'sim' quando eu pedi." Ele disse ainda a abraçando. Cind não mais lutava contra a pressão do contato. Não tinha forças para isso. "Isso tudo teria sido muito mais simples."
Cind desejou ter força para empurrá-lo para longe. Não tinha.
Ele estava certo. Estava certo em quase todas as suas palavras e pedidos enquanto ela estava errada. Apertou mais o linho da túnica luxuosa dele, liberando um suspiro ao fazer aquilo. A pressão agressiva de Fili cedeu e ele deslizou os braços com mais cuidado ao seu redor. Embalando ela em calor corporal e a envolvendo completamente sem seu lukhud, enquanto ela deixava o seu próprio fluir com o dele.
Era seu destino. Ele era seu destino.
Mahal fizera eles como fizera todos os outros casais de anões. Porque ela pensara que poderia ser diferente? Pelo menos eles haviam se encontrado. Eles se completavam juntos. Mahal os fizera com essa certeza, compatibilidade em tudo para que formasse um laço tão forte quanto uma liga metálica e tão dura quando o ferro. Imaginava como Ele poderia tê-los feito para combinarem se às vezes pareciam tão diferentes. Se eles eram feitos da mesma matéria, dividida, então porque parecia tão relutante aceitá-lo?
Era definitivo. Ela se casaria com Fili. A idéia pela primeira vez não pareceu tão ruim assim. Sentiu ele deslizar a mão para cima e então lhe afagar o cabelo escuro com cuidado, como se soubesse que aquilo a acalmaria realmente.
"Seja minha." Cind ouviu a voz dele contra seu rosto, estava suave e calma, aquilo era um pedido, ela ergueu o rosto devagar o sentindo aquecer com vergonha enquanto ele a observava com cuidado. "Nós estamos ligados." Ele disse respirando as palavras para dentro dela.
Ela sentiu o toque forte logo na primeira vez.
Forte e intenso.
Tirou o ar de seus pulmões quando o lukhud masculino tocou o dela. Completava a energia dela tão perfeitamente que a assustou, assim ela retraiu a sua, olhando ao redor. Agora estava assustada. A imagem do rosto dele preencheu seus pensamentos imediatamente, mesmo que não pudesse vê-lo. Esperava que fosse ele e ao mesmo tempo esperava que não.
Era difícil de explicar. Um nervosismo e um contentamento imediato que pressionava seu peito como um susto forte. Difícil de explicar até para si mesmo.
Ele pressionou de novo, mais agressivo do que antes percebendo que ela retrair, lutava para deixar sua luz dentro de si, para escondê-la dele. O mercado aquele dia estava cheio e pessoas passeando e comprando se misturavam com tanta facilidade em seus olhos que Cind quase os fechou. Um grande rebuliço havia se instaurado não muito longe quando foi dito que os principies de Erebor Fili e Kili estavam acompanhando a mãe, a primeira princesa Dís ás compras. Imaginava se o jovem anão loiro viria falar com ela se visse que estava ali trabalhando. Vendendo suas rendas decoradas. Tinha sorte. Fazia um produto bem desejado dentre a população feminina.
Outro toque veio, mais macio que os dois primeiros, quase que um pedido.
Deixar que seu lukhud fluísse parecia tão... Definitivo. Temia que ele se completasse e que ele não se completasse com aquele outro masculino. Primeiro porque não sabia a quem pertencia e segundo porque se não fosse de quem ela esperava tornava definitivo que eles não eram compatíveis. Cind trocou algumas palavras breves com a mãe que atendeu á loja das duas e se afastou da praça principal em direção á uma das fontes que havia na cidade. Belegost tinha muitas fontes de água mineral pura e doce. Havia muitas crianças brincando naquela parte do mercado. Se olhasse mais para frente veria uma grande fenda onde a luz do sol tocava as profundezas de uma das montanhas e onde grama crescia como um tapete verde. Uma das portas de entrada para o reino anão.
Bebeu longos goles da água, até espirrou um pouco nas crianças próximas que riram e correram ao seu redor. Naquele momento se permitiu perseguir elas e se divertir até perder o fôlego e seus pensamentos deixarem de ser tão pesados. Demorou em voltar á praça principal, até esse ponto ela já estava mais relaxada e a praça, mais vazia. "Eu estava esperando você voltar." Que susto ela levara com aquelas palavras! Quase derrubando a renda no chão, quando esta nem havia secado ainda.
O anão loiro que passeava livremente pelos seus pensamentos estava agora parado á sua frente, com olhos azuis atentos e o sorriso que formava duas rugas nos cantos de sua boca. Ela engoliu o seco tentando controlar os pensamentos e as emoções e curvou-se como era pedido á etiqueta. "Alteza..." Curvou-se. "Eu sinto muito, não quis mantê-lo esperando." Ela disse olhando uma vez rapidamente em seus olhos e então saindo.
Ele bloqueou sua passagem no instante seguinte. "Eu não paro de pensar em você." Usava uma voz macia e calma com ela. Sedutora. "Cind..."
"Não deveria falar essas coisas Alteza." ela cortou tomando outra rota para se afastar ele bloqueou novamente, dessa vez dando um passo mais próximo á ela. Tirando seu fôlego.
"Porque não?" Foi a resposta que obteve dos lábios dele, lábios rosados e que agora estavam entreabertos, buscando ar como os seus. Assim ela sentiu a pressão da energia dele, sentiu o lukhud dele a envolver, era dele que estava sentindo o toque desde o início. "Não tenha medo." Ele disse com a mesma calma dando outro passo para se aproximar.
Cind ergueu os olhos, os dele eram de uma cor tão contrária a cor dos seus. Buscava segurança dentro do azul. Segurança e coragem. A energia era calma como o estado dele agora. Ainda assim masculina e sedutora. Tudo que ele era seu lukhud era também. Inspiraram ar ao mesmo tempo e conforme ela suspirou profundamente para deixar o ar sair, também deixou seu lukhud. Devagar e tímido, mas que quando tocou o dele o fez emitir um sorriso. Uma satisfação clara. Tocou-o gentilmente, timidamente. Ele assimilou o toque com facilidade e então... Se completaram.
Eles se completavam.
Tão perfeitamente e rapidamente que a assustou. Assustou ainda mais quando ele tentou mesclar sua energia com a dela. Não bastava que ele estivesse forçando o contato, ele queria mais? Usou o momento que ele fechou os olhos para coletar seus pensamentos.
"Nós estamos ligados" Ouviu-o dizer ainda com seus olhos fechados. Ela concordava.
