Cap. 2 – Algum dia
Já fazia três semanas que Ann havia se mudado para Domino. Como todos os dias, ela estava junto com Yugi e os outros. Tomada pela curiosidade, ela decidiu perguntar sobre o colar de Yugi.
– Hã... Yugi, será que eu posso te fazer uma pergunta?
Ele olhou para ela e disse:
– Claro Ann!
– Bom... O quê é esse seu colar? Você usa ele todo dia.
Tea estava ali perto também. Ela olhou para Yugi séria. Ele pensou por um minuto e então falou para Ann:
– Hum... Acho que você pode saber agora... Mas você não vai contar para todo mundo, vai?
– Ah... Pode dizer, não vou contar para ninguém — ela cochichou, curiosa.
– Isto se chama "Enigma do Milênio" — ele começou a contar — Ele veio do Egito. Meu avô me deu ele desmontado, como um quebra-cabeça, dizendo que se eu o montasse eu poderia ficar com ele para mim. Mas ele não é um quebra-cabeça comum... — Yugi olhou para o Enigma, pensando um pouco e suspirou, continuando: — Ele é uma "Relíquia do Milênio".
Ela estava prestando atenção, fascinada.
– "Relíquia... do Milênio"...?
– Sim — ele assentiu — são objetos do Antigo Egito que têm poderes sobrenaturais. No total, são sete relíquias, cada uma com uma força diferente. Você deve estar achando isso muito estranho... — ele olhou para ela sério — mas o que eu vou dizer agora é ainda mais inacreditável.
Ann ouvia cada vez mais excitada.
– Dentro do meu Enigma do Milênio... — Yugi continuou — existe um espírito. Ele é como... um "outro eu", uma segunda personalidade. Toda vez que eu vou duelar, eu posso chamá-lo para me ajudar, usando o Enigma. No passado, ele me ajudou à derrotar o Pegasus no Reino dos Duelistas. Em troca, ele quer que eu o ajude à desvendar seu passado, porque ele não se lembra. Espero que você não esteja achando que eu estou mentindo ou que estou ficando louco — ele a olhou preocupado.
Ela continuava surpresa com toda a história, mas sorriu e disse:
– De jeito nenhum! Essa história é fantástica!
Yugi e Tea se entreolharam e sorriram também.
– Que bom que você acreditou, Ann! — disse Tea, animada — Estávamos com medo que você deixasse de ser nossa amiga por causa disso... você é muito legal.
Por enquanto as únicas pessoas que sabem são nós, o Joey, o Tristan, o Kaiba e o Bakura... — Yugi contou.
– Ah, não se preocupem, vou guardar segredo! — Ann falou.
– Ótimo! Sabíamos que podíamos confiar em você! — o garoto sorriu.
Todos eles deram as mãos e sorriram.
----
Já era quase de tarde. Yugi estava no intervalo junto com os outros, enquanto Ann estava na sala arrumando suas coisa. Virada de costas, ela ouviu alguns garotos falarem.
– Hahaha, olha só como ele é esquisito! Com esse cabelo BRANCO — um deles zombava.
– E ele é tão quietinho e bonzinho, parece uma mulherzinha! — outro garoto disse.
No meio da roda, Ann viu de quem eles estavam falando.
– Bakura!
Ele estava em silêncio, de cabeça baixa. Enquanto os outros garotos o humilhavam, ele saiu correndo da sala, sem dizer nada e ainda de cabeça baixa. Ann ficou indignada com aqueles moleques e foi até eles, dizendo:
– Vocês não têm vergonha?? Ele não fez nada e vocês ficam aí o criticando!!!
– Ei menina, não se mete porque você ainda acabou de chegar aqui! — o primeiro falou.
– Eu me meto se eu quiser!!! — ela disse nervosa, enquanto saía da sala para ir atrás de Bakura — E se vocês continuarem a fazer isso, vou falar com o diretor!
Ela correu para o corredor, deixando os meninos lá com cara de idiotas. Ela começou a olhar pelos corredores à procura do rapaz. Então ela o encontrou sentado numa escada, de costas para ela, com o rosto entre os braços. Ann hesitou e parou um pouco atrás dele.
– Ele está chorando...? — ela pensou. Ela se baixou um pouco e disse: – Bakura? Tá tudo bem...?
De costas para ela, ele levantou a cabeça, incrivelmente surpreso. Ela... está preocupada comigo? Não podia ser. Poucas pessoas haviam se preocupado com ele.
Ann estava preocupada com a falta de resposta dele. Ela já ia perguntar se ele estava bem de novo, quando ele de repente se virou e se jogou, abraçando-a.
– O quê...? — ela arregalou os olhos, muito surpresa. Nunca havia sido abraçada por um menino, principalmente desse jeito! Olhando para baixo, vermelha, ela viu que ele estava chorando mesmo, e, além disso, ele também estava muito vermelho.
Eles ficaram parados em silêncio por um minuto, até que Bakura a soltou e se levantou constrangido.
Ambos envergonhados, ela ficou olhando para ele ainda surpresa enquanto ele colocou a mão atrás da cabeça e falou baixo:
– Ahn... er... me desculpe... eu não...
– É... tudo bem, não tem problema... — ela disse, corada — Eu... eu acho que o Yugi tá me chamando, então eu... to indo, tá?
– Tá... tchau — ele se despediu.
– Tchau...! — ela também se despediu vermelha e saiu correndo com a mochila nas costas, sem olhar para trás.
----
Enquanto ia embora, Ann continuava pensando no que acabara de acontecer.
– Mas por que será que ele fez isso...? Eu só tava perguntando... Ai, isso... nunca aconteceu comigo antes!
No Pátio, Yugi e os outros estavam esperando ela.
– Ei Ann! Por quê você tá tão vermelha? — Joey perguntou.
– Ah... Não é nada, não. — ela parou e se juntou a eles.
----
Enquanto via a garota ir embora, Bakura ficou parado lá quieto. Então ele se virou começou a andar para o outro lado, indo embora.
– Droga, por quê que eu fiz aquilo?! — ele estava pensando.
Saindo, ele ficou em silêncio, pensando. Sem perceber, o reflexo de Yami Bakura apareceu do lado dele sorrindo malignamente.
– Quer dizer então que meu amiguinho está apaixonado por aquela menina, hein? Huhuhuh... então acho que eu tenho que me apresentar à ela! HAHAHAHAHAHA!
Fim do 2° Capítulo
