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Capítulo 2 – O coração não se engana


Casa de Cuddy – Manhã seguinte

Cuddy já estava pronta para o trabalho, enquanto Claire tomava seu café da manhã, de cara emburrada.

- Eu não quero ir pra escola, mãe! Eu odeio aquela escola...Resmunga ela, bebendo seu copo de leite.

- Claire, esse Colégio é um dos melhores e mais conservadores da cidade, eu só quero o melhor para você minha querida. Diz Cuddy, passando as mãos sobre os cabelos da filha, presos numa fita cor de rosa, em um rabo de cavalo.

A menina usava o uniforme do colégio que consistia em uma saia de pregas azul, uma blusa branca e meias até os joelhos.

- Porque o papai ainda não acordou? Pergunta a menina.

- Ele está atrasado pra variar...vá chama-lo! Pede Cuddy, sorrindo para a filha.

E a menina segue em direção ao quarto para ver seu pai esparramado na cama, agarrado ao travesseiro.

- Dr, House, isso é uma emergência, tem um paciente morrendo... Acorda! Grita a menina, em um dos ouvidos de House.

Ele se levanta com o susto, tentando entender o que estava acontecendo.

- Quem está morrendo? Questiona ele, assustado.

Nesse momento, Claire coloca as mãos sobre a boca e começa a rir do rosto do pai. Então, House percebe que foi vítima de mais uma das brincadeiras da filha.

- Sua pestinha! Por que você tem que ser tão parecida com sua mãe? Diz ele, enfurecido.

Cuddy entrou no quarto para ver a cena, e também não conseguiu segurar o riso.

- Você está atrasado...Avisa Cuddy, apontando para o relógio.

- Levanta dessa cama, House, vá trabalhar! Ordena Claire, puxando o lençol de cima do pai.

- Ei, ei, pare com isso menina, ou você vai acabar vendo o que não deve...Avisa House, puxando o lençol de volta.

- Ok Claire, seu pai já acordou agora vá escovar os dentes para irmos para a escola. Ordena Cuddy.

A menina obedece e segue para o banheiro.

- Vá trocar de roupa que nós precisamos ir, House. Diz Cuddy.

- Eu estou cansado, preciso dormir...depois da canseira que você me deu noite passada. Fala ele, ironicamente.

- Foi você quem pediu...agora agüente as conseqüências. Vamos lá House, levante-se dessa cama! Exige Cuddy.

Muito a contragosto ele se levanta, com o lençol envolvendo sua cintura.

- Você vai ver só, da próxima vai ser só uma rapidinha, nada de tentar te agradar mais, ouviu mulher? Resmunga ele.

Cuddy fingiu que não escutou e virou as costas para House.

Em alguns minutos ele se trocou, tomou uma xícara de café e o trio deixou a casa.

Princeton Hospital

Após deixarem Claire na escola, House e Cuddy seguiram para o hospital. Chegando lá, cada um tomou caminhos opostos, quem não os conhecesse nem sequer diria que viviam juntos. House, como de costume, seguiu primeiramente para a sala de seu único amigo.

Sala de Wilson

- Nossa House, que cara é essa? Parece que foi atropelado por um trem! Observa Wilson.

- Quase isso...fui atropelado por uma insaciável Lisa Cuddy! Explica ele.

- Uou...eu não preciso saber detalhes da sua vida sexual, vamos parar por aqui. Pede Wilson, envergonhado.

- E para melhorar tudo, Claire me acordou! Ela ficou gritando que alguém estava morrendo...Continua House.

- Oh meu deus, coitada da Cuddy, aguentar 2 Houses não deve ser fácil...Diz Wilson.

- Ei você deveria ficar do meu lado, Wilson! Difícil é ter que agüentar 2 Cuddys o tempo inteiro! Grita o médico.

Nesse instante Cuddy entra pela porta.

- Falando no demônio...Diz House, olhando para a mulher.

- Wilson eu preciso falar com você, em particular. Pede Cuddy.

- Ok. Responde Wilson.

- Ei, o que você tanto quer falar com ele? Pergunta House, enciumado.

- Eu não disse que era em particular? Reitera Cuddy, deixando House furioso.

O médico ranzinza resolve ceder e deixa Cuddy e Wilson conversando na sala deles, em particular, ou quase isso. Na verdade ele permaneceu de ouvidos colados na porta, tentando ouvir alguma coisa. Ele não contava com o fato de Cuddy conhece-lo com a palma das mãos. Ela abriu a porta rapidamente, para pegar House tentando ouvir o que se passava ali.

- Qual parte do "em particular" você não entendeu, House? Questiona ela, colocando as mãos na cintura.

Ele fica sem saber o que responder.

- Eu esqueci...alguma coisa na sala do Wilson e resolvi voltar para buscar. Explica ele.

- Vá procurar na sua sala, volte ao trabalho House, é isso que você deveria estar fazendo...Ordena Cuddy.

- Quem você pensa que é para me dar ordens? Grita ele.

- Ahnnn, a sua CHEFE? Retruca ela.

- Vamos resolver isso mais tarde, na mesma hora e no mesmo local...Avisa House.

- Depois do almoço, na minha sala? Pergunta ela.

- Não, hoje a noite, na cama. Agora vou trabalhar, chefe! Exclama ele, dando as costas para ela.

Assim que ele se afasta, Cuddy fecha a porta da sala e começa a conversar com o amigo Wilson.

- Preciso te perguntar uma coisa...Diz Cuddy.

- Então pergunte! Responde Wilson.

- House tem passado algumas noites fora, ele me disse que estava com você. Isso é verdade? Questiona Cuddy.

- Bem...Eu...Fala Wilson, sem saber exatamente o que dizer.

- É mais uma mentira, não é mesmo? Pergunta Cuddy, entristecida.

- Cuddy..eu..eu não sei. Responde o oncologista.

- Eu estou cansada das mentiras do House, não sei quanto tempo mais eu vou agüentar...essas noites que ele anda passando fora, onde ele anda dormindo, com quem? Eu estou cansada de sofrer por ele, Wilson! Desabafa Cuddy, deixando algumas lágrimas rolarem.

Wilson coloca uma das mãos no ombro de Cuddy, tentando confortá-la.

- Cuddy, eu não sei o que te dizer...mas você sabia no que estava se metendo quando começou esse relacionamento. Diz Wilson.

- Sim, eu devia estar preparada para qualquer coisa. Obrigada, de qualquer jeito. Responde ela.

Cuddy deixa a sala de Wilson e segue em direção a sua sala.

Sala de Cuddy

Ela sentou-se em sua cadeira e começou a assinar a pilha de papéis que estava sobre a mesa. Alguns minutos depois, o telefone tocou. Era a diretora da escola de Claire.

- O que? A Claire fez o que? Já estou a caminho. Pergunta Cuddy, incrédula.

Colégio de Claire – Meia hora depois...

A menina estava sentada na diretoria, olhando para o teto como se nada tivesse acontecido, quando Cuddy entrou.

- Oh meu deus, diretora Cassy, sinto muito pelo acontecido.

A diretora era uma mulher severa e séria, vestida em seu uniforme de freira, com cara de poucos amigos.

- Nesse colégio não admitimos brincadeiras como essa! A sua filha poderia ter envenenado todas as crianças da pré-escola!

- Claire, porque você fez isso? Questiona Cuddy, decepcionada.

- Mamãe, aquelas meninas, elas ficavam brigando comigo, não me deixavam brincar...Explica a menina.

- Porque elas não te deixam brincar...você deu laxante para elas tomarem, Claire, eu estou muito decepcionada com você! Diz Cuddy, enfurecida.

- Me perdoa, mamãe! Por favor! Pede Claire, tentando conter o choro.

- O que queremos saber é como sua filha conseguiu trazer de casa uma caixa de laxantes e o deu as amiguinhas dizendo que eram balas...Por sorte algumas meninas acharam a "bala" ruim e cuspiram o laxante. Já as que engoliram...foram para casa passando mal por causa do efeito dos remédios. Eu podia denunciar vocês Doutora Cuddy! Como podem deixar remédios ao alcance de uma criança! Exclama a diretora, seriamente.

Cuddy pegou a filha pelo braço e a tirou da diretoria.

- Vamos ter uma longa conversa com seu pai, mocinha...Afirma a mãe.

Princeton Hospital

Sala de House

Claire estava sentada numa cadeira enquanto Cuddy gritava com House.

- Me diga o que você fez mocinha...como fez e porque fez? Questiona Cuddy, enfurecida.

- Bem, eu...Papai me contou uma história ontem a noite..a bruxa tinha envenenado o príncipe com laxante, mas depois eles viveram felizes para sempre! E eu pensei que...se as meninas tomassem o laxante elas iam gostar mais de mim. Conta Claire, envergonhada.

- Seu pai contou uma história sobre laxantes...eu já devia imaginar que isso era culpa dele... Diz Cuddy, fulminando House com o olhar.

- Ei ei...e sobre a parte que o príncipe quase morreu de desidratação, você esqueceu de contar não é mesmo mocinha? Se defende House.

Claire olha novamente para a mãe, e sorri, mas ela não retribui o sorriso.

- Como você conseguiu pegar o laxante? Pergunta Cuddy.

- Papai disse que você tomava...então eu fui lá na sua gaveta de remédios e peguei um potinho. Conta a menina, olhando para o chão.

- Seu pai disse...Repete Cuddy, ainda fulminando House com o olhar.

- E como você sabia que era laxante? Pergunta House, curioso, tentando esconder o sorriso.

- Porque estava escrito LAXANTE no potinho, né House! Explica a menina.

E House não consegue esconder mais o riso, deixando Cuddy ainda mais furiosa.

- Claire, você vai ficar um mês de castigo...sem TV, sem internet, sem histórias antes de dormir, está me ouvindo? Fala Cuddy, tentando punir a filha.

A menina abaixa a cabeça, tristonha.

- Agora vá falar com seu tio Wilson e me deixe conversar com seu pai. Ordena Cuddy.

House permaneceu calado, ouvindo a dura que Cuddy estava dando em Claire.

- Você fez bem, ela precisa de um castigo...Diz ele, tentando se safar.

- O que eu faço com você, House? Pergunta Cuddy.

- Depende...se for na cama, pode fazer o que quiser, eu sou todo seu! Diz ele, maliciosamente.

- Cale a boca House! Estamos tratando de um assunto sério! Haja como um homem pelo menos uma vez na vida! Grita Cuddy.

Casa de Cuddy

Quando os três chegaram em casa, Cuddy estava estranha, não havia pronunciado nenhuma palavra sequer desde o a discussão com House. Ele estava evitando pai e filha.

- Mãe, você ainda está com raiva de mim? Pergunta Claire.

- Não filha, eu só estou desapontada...Responde Cuddy.

- Mamãe, você ainda está com raiva de mim? Repete House, com voz infantilizada.

E ela não respondeu a ele. Isso fez com que House percebesse que o assunto com ele ainda não havia acabado.

A discussão começou logo depois que Cuddy havia colocado Claire para dormir.

- Agora somos só eu e você, House. Começa Cuddy.

- O que você quer falar? Eu estou com sono..Diz ele, tentando fugir da discussão.

- Você nem ao menos está arrependido do que você fez? Contar esse tipo de história para ela House, o que você tem na cabeça? Questiona Cuddy.

- Foi você que me pediu para me aproximar dela. "Vá lá House, conte uma história, ela é sua filha, e blábláblá." Retruca House.

- Sim, isso é minha culpa...Quem mandou eu escolher você para ser o pai da minha filha! Responde ela.

- Ei, agora você está me ofendendo! Grita House.

- É verdade House, não poderia existir pior influência na vida de uma criança do que ter um pai como você! Continua Cuddy.

- Se você não me quer como pai da sua filha, porque ainda está comigo? Pergunta ele, com medo da resposta.

- Eu me pergunto isso todos os dias...Retruca ela, sem pestanejar.

House se levanta da cama, troca de roupa e deixa o quarto, batendo a porta atrás de si. Em seguida, Cuddy vai atrás dele.

- Onde você vai? Pergunta ela, arrependida.

- Isso não é da sua conta. Responde ele, enfurecido.

- Você vai para o mesmo lugar que foi nas noites anteriores, não é mesmo? Quem é ela, House? Questiona Cuddy, com lágrimas nos olhos.

- Alguém que não me acha uma má influência. Responde ele.

House deixa a casa de Cuddy, sem dar mais nenhuma satisfação. Ela ficou parada perto da porta por alguns instantes, deixando as lágrimas tomarem conta de seu rosto. Apesar de tudo, Cuddy amava aquele homem, com todos os seus defeitos, e ela sabia que Claire sentia o mesmo.

No quarto. Claire chorava silenciosamente, ela havia ouvido quase toda a gritaria e tentava dormir, cobrindo seus ouvidos com as mãos.

- Um...dois...três...Contava a menina, esperando que a discussão entre seus pais acabasse.

Quando ela terminou de contar, viu que tudo estava em silêncio e tentou dormir.

Mas naquela noite, Claire não conseguiu pegar no sono, ela ficou apenas ouvindo os soluços de sua mãe, no quarto ao lado.

Continua...