Capítulo 2

Castle andava de um lado para o outro na sala, não retirando o olhar da porta, no anseio de ver sua musa adentrar por ali, mas os minutos se arrastavam e até agora, nada. Ele abordou a Esposito, inquirindo:

- Brow , ela já deveria ter voltado! - olhando impaciente o relógio.

O amigo lançou o olhar primeiro para a porta e a seguir para o relógio assim como Castle acabara de fazer.

- É ela realmente está demorando. Vou ligar para ela. – o detetive pegou seu celular e discou, mas caiu na caixa postal. - Vou ligar para a equipe de apoio.

Castle que já estava inquieto começou a estremecer ao ver o comportamento do amigo alterar-se gradativamente. Palavras trocadas com rispidez e incredulidade, Esposito desligou e encarou o grupo que agora concentrava a atenção nele.

- Ela não desceu! – ele esbravejou. - Ela não saiu do prédio, não passou pelo hall de entrada, ninguém viu Beckett lá embaixo! As palavras penetraram na mente de Castle, causando angústia e desespero.

- Como não desceu? Como ninguém a viu? O escritor perguntava, mas para si mesmo do que para Esposito, tendo em vista que ele também não sabia. Ryan que até então estava calado, foi o mais lúcido e disse tentando manter a calma, ciente da seriedade da informação.

- Ei boys, vamos devagar. Ela pode ter saído por alguma outra porta e não passou pelo saguão do prédio, vamos descer e verificar.

Todos se dirigiram ao elevador e logo observaram que o visor não indicava em qual andar o mesmo se encontrava, a luz estava apagada. Insistentes tentativas e vários minutos de espera, resultaram em absolutamente nada e eles mesmos já se viravam para descer as escadas quando se depararam com um dos oficiais da rua, ofegante e a voz entrecortada, pela rápida subida através dos inúmeros degraus.

- Senhores, o eleva...dor, ele... está no fos..so. – o homem sem fôlego falava. - No fundo do fosso.

- Como assim? – irritou-se Esposito. - Do que você esta falando? Exlique-se.

- O elevador, Detetive. Fomos atrás da detetive Beckett, após sua ligação, e ninguém mesmo a viu sair do prédio. Fizemos o caminho que ela deveria ter feito e então checamos o elevador e o encontramos no fundo do fosso, com as portas escancaradas e completamente vazio.

Como se tivessem ouvido o disparo da largada, todos desceram as escadas numa correria desenfreada, parando abruptamente ao se confrontarem com a cena que o oficial descrevera anteriormente. Castle entrou na cabine inspirando profundamente como um cão perdigueiro. - O que você pensa que está fazendo, Castle? Farejando? - disse Ryan preocupado em contaminar a cena do crime. - Enlouqueceu homem? - Cerejas... – ele afirmou, sem margens para dúvidas. - Ela esteve aqui, ela esteve nesse elevador. As falas foram interrompidas pelo toque insistente de um celular. Todos se entreolharam, pois o toque não era de nenhum dos aparelhos dos homens que ali estavam. Castle foi o primeiro a localizar a origem do som, proveniente de um aparelho simples e pequeno localizado próximo a um móvel. Seguiu para lá de imediato, gritando para os demais que havia encontrado, mas Javi foi mais rápido e impediu que ele tocasse o aparelho. - Emburreceu homem? - Disse, sacudindo as luvas de látex...

- Digitais, evidencias... - Dando um tapa na cabeça do escritor e em seguida apertou a tecla pronunciando... - Alo...

Kate sentia-se zonza, as lembranças lampejando em pequenos fragmentos. A discussão com Rick... O caso. Deus, o caso, aquela pobre moça... Uma ligação... O elevador e... Merda... Saltou do chão de onde estava e retornou, pois na velocidade que se ergueu, fora arremessada de volta com força, após colidir com... Nada? Como com nada? Abriu os olhos e levou a mão à testa naquela dor lancinante e certamente um galo estava se formando.

Reencontrou o raciocínio, pensou, e ficou de joelhos no chão, tateando à sua frente... Parecia uma parede... Parede de vidro? - O que é isso? Sentou- se e fazendo um circulo com as mãos, tomou consciência que estava numa "caixa" de vidro! Era isso mesmo? Uma caixa de vidro? - Impossível... – ela murmurou para si mesma em uma vã tentativa de manter a calma. - Não, não pode ser, deve ser um pesadelo...

- Detetive Katherine Beckett, confusa? - ecoou a voz por entre uma gargalhada. - Precisa de alguma coisa? - Quem esta aí? Quem é Você? O que quer? O que está acontecendo? Um bombardeiro de perguntas que logo obteriam respostas.

- Calma, Kate... Não reconhece mais os velhos... inimigos? – perguntou em tom sarcástico a voz, vindo de encontro à luz. - Jerry Tyson. - murmurou a detetive, incrédula.

- Isso mesmo detetive, mas pode me chamar de 3XK, afinal somos íntimos. – ele a olhou de cima a baixo. - Pelo menos é assim que eu considero as pessoas me caçam, me fazem sentir a adrenalina de ser um predador temido. Adoro ver a sede com que tentam me prender e impedir que eu conclua os meus planos, que são verdadeiros hobbies para mim. E ah claro, há um prazer especial em sentir o impacto das balas enquanto as pessoas tentam me matar. – ele riu alto.

- Você morreu! - ela gritou, mas o pulsar de sua dor fez sua voz diminuir. - Não pode ser...- Eu vi Castle descarregar o revolver no seu peito... Você caiu no rio, eu vi!

- Assim você me decepciona e muito detetive. Nunca me subestime. Você apenas viu o que EU permiti que vocês vissem. Você viu o que EU quis. – ele esclareceu pontuando cada palavra naquele tom tipicamente psicopata.

- Óbvio que eu preferia a morte de vocês dois, mas... Tive que colocar em ação meu plano B.

- "Sobrevivência acima de tudo"! – murmurou Beckett.

- Exatamente, agora você está voltando a ser quem eu conheço.

Eu seguia vocês sabia? Adorava ouvir a sua voz quando pressionava um suspeito ou quando efetuava alguma prisão, mas sabe o que não sai da minha cabeça? O jeito que você geme.

O semblante de Kate empalideceu um pouco mais e ela desacreditou no que todos os seus sentidos lhe transmitiam. Sua alma fora desnudada pelo ser que ela mais desprezava, e a voz dele lhe arrepiou outra vez.

- Estou precisando finalizar o que não consegui há um ano. – falou ele, limpando a arma que tinha em mãos.

- E quer saber como detetive? Vamos fechar essa história do jeito que Richard Castle gosta de encerrar seus best-sellers. Matando seu personagem principal.


... Mais um capitulo com todo carinho pra vocês. Não esqueçam as Reviews =)