Capitulo 2 - Traduzido por Clarisse

Os dois ficaram congelados por alguns segundos, nenhum dos dois querendo ser o primeiro a falar. Ele percebeu que ela estava usando as mesmas roupas que usava quando ele a viu sendo presa na TV. Ele provavelmente as estava usando desde aquele dia. Seu cabelo estava solto e encharcado, com algumas mechas grudadas em seu rosto. No lado esquerdo de sua testa tinha um corte profundo, mas não parecia estar mais sangrando.

Depois de uns minutos de silêncio ela disse em uma voz baixa.

"Oi"

E então, quando ele olhava para ela ainda em choque, "Sua janela estava aberta"

"Brigado pelo aviso, Freckles. Acho que vou ter prestar atenção nisso daqui pra frente." Ele disse sarcasticamente. "Se importa em me dizer que diabos você está fazendo aqui? Você não deveria estar na cadeia?"

Ela parecia confusa.

"Então você não ouviu o que aconteceu?"

"Eu não tenho acompanhado as notícias ultimamente. Pra dizer a verdade, to cansado de ouvir sobre isso."

Percebendo que ele ainda estava segurando o taco, ele o colocou em cima de um móvel e voltou sua atenção para ela. Seu coração ainda batia rápido, mas o mais estranho era a enorme quantidade de alívio que ele sentiu ao vê-la. Não só porque diminuía a culpa que ele sentia por não ter dado a ela seu lugar na jangada, mas pelo que isso significava para ela. Se ela conseguiu chegar até aqui, talvez ela tivesse uma chance.

Ela olhou para o chão, obviamente não preparada para contar sua versão das coisas. Ela estava contando com que ele já soubesse.

"Aconteceu um acidente" ela começou com uma voz baixa.

"Um acidente," ele ecoou, observando-a.

Ela olhou pra cima.

"O carro em que eles estavam me transportando. Ele saiu da estrada, e... eu consegui sair."

Ele quase sorriu

"Bem...Que conveniente, não? Quase tão conveniente quanto a queda do avião, não é?"

"Eu não tive nada a ver com a queda do avião. Você sabe disso." Ela falou tensa, quase ficando brava.

"Talvez não...mas eu aposto que você não pode dizer o mesmo sobre a outra coisa, pode?"

Um momento de dor passou por seu rosto, mas ela continuou olhando diretamente para ele.

"Ninguém morreu."

Ele disse quase se justificando.

Ele balançou a cabeça e olhou para o lado.

"Você não existe, sabia?"

Ele quis dizer como insulto, mas não podia esconder também um traço de admiração. Ela era boa.

Quando ela não respondeu ele resolveu mudar pra outro tipo de perguntas.

"E o que você está fazendo no Tennessee? Como você encontrou essa casa?"

"Eu sou boa em rastrear, lembra?"

Ela parecia meio melancólica, como se a memória de os dois rastreando pela floresta fosse uma das boas que ela tinha.

"Você ta dizendo que me rastreou até minha casa? Como, pela minha colônia?"

Ela virou os olhos. "Eu encontrei o nome da cidade que você morava num artigo de jornal sobre a jangada. Quando eu cheguei aqui, eu procurei na lista telefônica e achei seu endereço. Não foi tão difícil"

Ele esperou alguns segundos.

"Por que eu?"

"O que?"

"Não me pergunte "o que"! Por que eu? Por que é a minha janela que você está subindo no meio da noite?"

Ela olhou para ele intensamente, aparentemente sem conseguir falar o que ela realmente queria. Finalmente, ela disse suavemente "Eu não tinha mais pra onde ir". Não era o que ela queria dizer, mas foi o que ela conseguiu.

"É, eu espero que você saiba que você não pode ficar aqui. A gente pode ter se divertido na ilha, mas esse é o mundo real, querida. Você sabe qual é a pena por esconder uma fugitiva nesse estado?"

Ela pareceu magoada e confusa "Você sabe?"

Irritado, ele não sabia o que responder

"Bem...com certeza é...muito ruim!"

Ele pausou, determinado a provar que a razão estava do seu lado.

"Olha...desculpa te desapontar, desculpa mesmo. Mas eu já tenho muito pra me preocupar sem esconder uma condenada no meu armário de vassouras."

Ele podia ter se chutado. Era como se sua boca não estivesse ligada à cabeça. Mas de algum modo as palavras continuavam saindo.

"Então é melhor se você...continuar fugindo.", ele terminou amargamente, olhando para a janela aberta.

Ela olhou para ele, buscando por seu rosto, tentando entender se ele realmente estava falando sério. Ele não podia agüentar a penetração daquele olhar...era como se ela estivesse vendo através dele. Ele olhou para o chão, esperando, tentando manter a postura. Os dois ficaram em silêncio pelo que pareceu uma eternidade. Finalmente, ele olhou de volta para ela. Ela quase parecia feliz, como se tivesse descoberto alguma coisa.

"Então..." Ela pausou "Você vai me deixar ficar, ou o que?"

Olhando para ela, ele deu um olhar profundo, se apoiando no vão da porta.

Ela concordou com a cabeça, os traços de um sorriso tocando seus lábios.

"Onde fica o chuveiro?"