Nos dias seguintes, as coisas não melhoraram para Harry. Ron fazia de tudo para extrair a informação crucial que estava fazendo o moreno enlouquecer, e ainda tinha a ajuda de Hermione, que também não achava que a situação de Harry não fosse 'nada'. Querendo ou não, Harry parecia estar gostando da situação de preocupação de seu amigo com ele. Queria muito poder contar o que o fazia ficar assim, mas não podia arriscar perder a amizade com seu melhor amigo. De fato: contar a Rony que gostava dele muito mais do que uma amizade, seria um ponto final.

- Harry - chamava Hermione, na mesa do Salão Principal, passando as mãos na frente do rosto de Harry, como se quisesse espantar algum mosquito. - Acorda! Você tá de novo com a mesma cara de quem está na Lua!

- Hermione, de novo não tá! Não enche!

- O Rony me contou o que houve no dormitório. Quer me contar o que está acontecendo?

Por um momento, Harry pensou que poderia escapar dessa mais uma vez. Porém, vendo o rosto de "amiga que não vai ser enganada de novo", Harry contou o que sentia para Hermione. Sentindo um estranho calor subir pela nuca, ele ouviu um gritinho abafado de Hermione.

- Você tem que contar isso à ele - disse Hermione, séria.

- Mione, se eu quisesse contar, acho que eu tive chances suficientes!

- Você não sabe a reação dele!

- Ron, você não entende o que está acontecendo comigo - gritou Harry no dormitório, chorando.

- Então conta logo de uma vez! Não adianta ficar escondendo! Já disse, sou seu melhor amigo!

- Eu gosto muito de você - disse Harry, corando.

- Mas disso eu já sei! Não acho que seríamos amigos a cinco anos se não gostássemos muito um do outro!

- Não é desse "gostar" que estou falando.

E Rony corou. Não podia sequer imaginar que seu melhor amigo queria uma relação mais "íntima" com ele. Ele podia até ser um homem desejável - e convencido -, mas era um homem! Harry viu Rony se afastar e descer as escadas. Esse foi o último diálogo entre os dois.

- Não, não, não vou contar - disse Harry balançando a cabeça, convencido. Hermione tinha um sorrisinho tímido no rosto, procurando animar Harry, que não tinha comido nada do café.

- Harry, se o Rony não quiser, ele ainda gosta muito de você, vai continuar sendo seu amigo!

- Você não percebe! EU sou um garoto, ELE também é - um garoto gato e mais "garoto" que ele - ! Com esse grito, Neville e Simas se mostraram interessados na conversa, embora não conseguissem ouvir muita coisa.

Hermione puxou Harry para fora do Salão Principal e vagaram alguns minutos nos corredores, em silêncio.

- Chegamos - disse Hermione satisfeita. Haviam entrado em uma sala de aula vazia, que Harry nunca teria notado se não fosse Hermione. - Aqui poderemos conversar em paz. Agora diz, por que você não se declara logo!

- Ah Hermione, você sabe que não é tão simples!

- Harry, o Ron não é tão infantil assim - parecia gozado Hermione falando desse jeito do amigo - E, como eu já disse, vocês não vão deixar de ficar amigos por causa disso!

Harry parecia mergulhado em seus devaneios novamente, até que despertou e falou com estilo maroto para Hermione:

- Será que uma poção do amor resolveria?

- Harry!

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Harry e Hermione foram tirados de sua conversa por uma voz grave que Harry conhecia muito bem.

- Pensei ter ouvido vozes... - disse Rony, animado - Por que não me chamaram? Sobre o que estavam conversando?

Harry olhou para Hermione e saiu correndo, ainda em tempo de ouvir Rony perguntando à Hermione o porquê de o moreno estar tão estranho. Desejando com todas as forças não ser seguido, Harry correu até o dormitório e se deitou duro na cama. Não queria devanear mais sobre Rony. Agora teria de tomar uma decisão: contar tudo para Rony ou se contentar com o fato de que nunca havia tentado ficar com ele. E a decisão parecia óbvia: se contentar com o fato de que nunca havia tentado ficar com ele Contar tudo para Rony. Se apressou no dia seguinte para contar à Hermione o que ia fazer, se alegrando por seu amigo ainda não ter acordado.

- Ainda bem Harry! E você vai ver: foi a melhor escolha!

Depois desse dia, Hermione se prontificou a planejar tudo. Como Harry, ela sabia que tudo teria que ser feito seguindo um plano - e como Mione gostava de planejar -, que seria executado no Natal, quando a escola estaria mais vazia e, portanto, seria menos constrangedor.

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O Natal não demorou a chegar, mais foi duro evitar a presença de Rony na aula de Poções, pois Draco já reservava o lugar ao seu lado para chatear seu "moreno predileto". Harry se certificou de que Rony não passaria o Natal em casa, pois o Sr. e a Sra. Weasley iriam visitar Carlinhos na Romênia. Estava tudo pronto.

- Rony, por favor, me prometa uma coisa - disse Hermione, anormalmente séria.

- Diz - disse Rony, enchendo a boca com peru.

- Vou lhe levar a um lugar e, por tudo quanto é mais sagrado, não se altere nem destrua coisas que você preza. Pense bem antes de cada decisão que for tomar.

Rony achou estranho, mas concordou. Hermione começou puxando Rony com força para fora do Salão Principal, até a sala da Casa Grifinória, onde Harry o aguardava, sob a luz fraca da lareira.

- O que foi isso, Hermione? Ah, oi Harry - acenou um Rony temeroso pelos próximos movimentos do amigo, que parecia fugir de sua presença. E, para sua felicidade, obteve um "Oi" como resposta.

- Você ainda não me explicou, Hermione! O que queria que eu tanto visse? Você me disse tanta coisa estranha para vir ver o Harry?

- Exatamente - e Hermione saiu pelo buraco do retrato.

N/A: Obrigado J. P. Malfoy, pela sua review! Desculpa por demorar para publicar esse capítulo, é que tive alguns problemas aqui... É bom saber que nosso trabalho foi reconhecido por alguém. Os capítulos ainda estão um pouco curtos, mas nas próximas fics eu prometo que melhoro ^^. Bom, como deu pra perceber, no próximo capítulo vai ser o "tudo ou nada", ou simplismente não vai acontecer nada :O, deixo vocês nessa curiosidade até o próximo capítulo!

Críticas, sugestões para a história ou para a escrita, tudo é bem vindo! Só mandar reviews!

Beeeijos!

Paulo!!!