and yet I couldn't say I'm sorry
Eu fiz o café depois de um tempo, mas ele esfriou dentro da cafeteira. Li o jornal, comi alguns biscoitos que Lily tinha trago da última vez que ela tinha vindo aqui e assisti umas duas horas de Hawaii Five-0 e nada de Remus descer. Ele ficou trancado no quarto a manhã toda, sem dar um sinal de vida ou até mesmo vir brigar comigo mais um pouquinho.
Já era quase meio dia quando eu levantei do sofá, ajeitando minha samba-canção – que acontecia de ser a única peça de roupa que eu estava vestindo, porque Remus estava preso no quarto e todas as minhas roupas estavam lá – e olhando em volta pensativamente, antes de ir em direção as escadas.
Parei na frente da porta do quarto e ela não estava trancada, o que eu tomei como um bom sinal. Coloquei meu melhor sorriso no rosto e abri a porta, encontrando Remus deitado atravessado na cama, com o rosto enfiado no meu travesseiro e os olhos fechados. Sua respiração estava tranquila e não pude conter o crescimento do meu sorriso por ele não estar vestindo mais nada, o roupão caído no chão ao lado da cama.
Por um segundo eu achei que ele estava dormindo, mas ele ergueu um pouco a cabeça e rosnou um "o que é que foi" mal humorado para mim.
"Vim ver se você ainda estava vivo, né." Falei com a voz o mais bem humorada possível, caminhando até ele e me deitando ao seu lado na cama, mesmo que ele mantivesse os olhos fechados.
"Eu estou, pode ir embora." Falou grosseiramente. Fingi que não escutei, pousando minha mão bem na curvinha de suas costas, sentindo o corpo dele se tencionar pelo meu toque. "Sirius, nem começa que eu ainda estou bravo com você."
"Eu sei." Falei sorrindo, ainda sem escutá-lo, meus dedos começando a correr pela pele suave de suas costas. Conseguia senti-lo arrepiar completamente a cada toque e, apesar de ele não estar demonstrando nada em seu rosto, eu sabia que ele estava gostando. "Vamos fazer as pazes, vai, Moony..."
Me apoiei em um dos braços e dei um beijo em seu ombro nu, começando então a traçar uma linha de beijos por suas costas. Por um breve momento eu achei que a batalha estava ganha. Nós faríamos amor e eu faria o que eu faço de melhor: depois que tivéssemos acabado, Remus sequer lembraria-se de quem era a culpa da briga.
Mas ele me empurrou para o lado e se levantou da cama em um movimento só. "Não. Eu estou falando sério, Sirius." Sua voz estava mais calma do que quando estávamos lá embaixo, mas ainda sim eu conseguia ouvir um tom de raiva. "Eu estou realmente cansado de te tratar como criança. Eu achei que iria morar com o meu namorado, mas acabei ganhando um filho!"
Soltei um muxoxo de impaciência e deitei a cabeça na cama, olhando para o teto com uma expressão emburrada. Eu sabia que ele estava certo, eu sabia, mas ainda sim não conseguia me obrigar a concordar com ele.
"É isso? Você não vai falar nada?" Perguntou. Eu tinha certeza de que ele estava olhando para mim, mas não retribuí o olhar. "Sério, Sirius, as vezes eu me pergunto como eu te aguento."
Virei o rosto a tempo de vê-lo caminhar até o banheiro, dessa vez fechando a porta de forma educada. Acho que eu poderia ir até lá e simplesmente dizer "me desculpe, Remus, e sei que eu sou um porre", o que resolveria as coisas, de modo simples e rápido.
Mas eu aparentemente gostava de complicar tudo.
xxx
